Berlim: Django abre o festival em ritmo de jazz e política
O Festival de Berlim 2017 deu a largada em sua maratona de cinema nesta quinta (9/2), em clima de jazz, afinação política e sob aplausos contidos, com a exibição de “Django”. O filme de abertura, dirigido pelo estreante Etienne Comar, conta a história do lendário guitarrista de jazz Django Reinhardt (1910-1953), belga de origem cigana (interpretado pelo ator francês de origem argelina Reda Kateb), que fugiu dos nazistas na 2ª Guerra Mundial, durante a ocupação da França pelos nazistas. Segundo o diretor do Festival de Berlim, Dieter Kosslick, o “perigo constante, a fuga e as atrocidades cometidas contra sua família não foram capazes de fazê-lo parar de tocar”. Apesar de estreante, Comar é um conhecido roteirista e produtor de obras como “Homens e Deuses” (2010), “Timbuktu” (2014) e “Meu Rei” (2015). Ele conheceu o trabalho de Django Reinhardt por intermédio de seu pai, fã do músico, que foi grande inovador e vanguardista musical. “Procurei evitar o modelo tradicional de cinebiografia, daqueles que cobrem todo o período da vida de um personagem, para me concentrar nessa janela de tempo bastante específica, em que a música adquire um papel importante na tomada de consciência política de Django. Ao mesmo tempo, quis fazer um paralelo entre a tragédia dos refugiados de guerra da época e os refugiados de hoje”. Os paralelos são, de fato, evidentes. Há fortes conexões entre o nazismo e alguns dos temas mais polêmicos no debate político atual, que incluem, obviamente, a crise dos refugiados do Oriente Médio e a proibição de entrada nos EUA de cidadãos de sete países específicos. “Eu queria mostrar um músico em um período complexo da história”, explicou o diretor. “E enquanto tomava esta via, percebi que havia muitos paralelos – refugiados, a maneira que você pode proibir pessoas de viajar…” Comar acrescentou que o tema do filme recai sobre a liberdade que a arte, no caso a música, pode proporcionar durante a repressão, e justamente por conta disso é a primeira coisa a ser atacada por regimes totalitários e terroristas. “Não é nenhum segredo que a propaganda nazista tentou criar regras para conter o jazz, que misturava todos os tipos de culturas diferentes”, disse ele. “Promotores da pureza, os nazistas discriminavam o jazz por ser um gênero nascido de uma mistura de diferentes culturas, em especial daquela desenvolvida por descendentes de negros africanos nos EUA, e por isso considerada arte degenerada. Espero que a mensagem seja entendida”. O cineasta ainda ressaltou a importância da arte em períodos tumultuados. “Declarações nem sempre funcionam. Mas quando se faz isso através da arte, o resultado é muito impressionante”, acrescentou. A crítica internacional, porém, não achou a estreia de Comar tão impressionante assim. Com mais boas intenções que conteúdo, não deve ameaçar os principais concorrentes do Leão de Ouro. “Django” faz parte da competição oficial do festival, que inclui o brasileiro “Joaquim”, cinebiografia de Tiradentes dirigida por Marcelo Gomes. Além deste, outros sete longa-metragens brasileiros serão exibidos na programação da Berlinale 2017, nas mostras Panorama, Geração e Fórum: o documentário “No Intenso Agora”, de João Moreira Salles, e as ficções “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky, “Vazante”, de Daniela Thomas, “Pendular”, de Júlia Murat, “Mulher do Pai”, de Cristiane Oliveira, “As Duas Irenes”, de Fábio Meira, e “Rifle”, de Davi Pretto, que foi a última adição do evento. O Festival de Berlim acontece até o dia 19 de fevereiro na capital alemã.
Kristen Stewart é assombrada no novo trailer de Personal Shopper
A IFC Films divulgou o segundo trailer americano de “Personal Shopper”, produção que marca o reencontro da atriz Kristen Stewart com o diretor francês Olivier Assayas, após a bem-sucedida parceria em “Acima das Nuvens”. A primeira parceria rendeu à americana o César (o Oscar francês) de Melhor Atriz Coadjuvante do cinema francês em 2015. A segunda deu ao cineasta o troféu de Melhor Direção no Festival de Cannes de 2016. A prévia revela o lado místico da trama, ao trazer Kristen explicando para Lars Eidinger (também de “Acima das Nuvens”) que pretende ficar em Paris até ser contatada por seu irmão gêmeo recém-falecido, respeitando um acordo mediúnico que ambos fizeram a respeito de quem morresse primeiro. Logo em seguida, ela aparece aterrorizada, encontrando sinais de fantasmas. O elenco internacional também inclui a austríaca Nora von Waldstätten (mais uma integrante de “Acima das Nuvens”), a francesa Sigrid Bouaziz (série “The Tunnel”) e o norueguês Anders Danielsen Lie (“Oslo, 31 de Agosto”). O filme estreia em 2 de março no Brasil, uma semana antes do lançamento nos EUA.
Veja o trailer de um novo documentário musical e esportivo produzido por David Byrne
A Oscilloscope, produtora indie criada pelo falecido Beastie Boy Adam Yauch, divulgou o trailer do documentário “Contemporary Color”. O filme é dedicado ao obscuro mundo dos giros de bandeiras sincronizadas, que não é um esporte olímpico, mas costuma ser visto nas aberturas das Olimpíadas. Por sinal, a coreografia concebida para o filme lembra uma mini-olimpíada. A prévia mostra a preparação e a execução de um espetáculo de dança com bandeiras coloridas, como acompanhamento de um show de pop/rock com vários artistas, entre os quais se destacam os cantores David Byrne, St. Vincent, Nelly Furtado, Devonte Hynes, Zola Jesus e o Beastie Boy Ad-Rock. O show foi concebido por Byrne e realizado no verão de 2015 no Barclays Center do Brooklyn, juntando 10 equipes diferentes de “color guard” (os guarda-bandeiras ginastas) dos EUA e Canadá. O músico também é produtor do filme. Com direção dos irmãos Bill Ross IV e Turner Ross, cinematógrafos do documentário indicado ao Oscar 2017 “Eu Não Sou Negro”, o filme teve première no Festival de Cinema Tribeca do ano passado, onde levou dois prêmios de júri para Melhor Edição e Melhor Cinematografia. A estreia está marcada para 1 de março nos EUA e não há previsão de lançamento no Brasil.
Wolves: Drama indie estrelado por Michael Shannon ganha trailer e fotos
O IFC Films divulgou o trailer do drama indie “Wolves”, que traz Taylor John Smith (série “American Crime”) como um talentoso jogador de basquete colegial que tem seu futuro universitário colocado em risco pelo pai irresponsável, vividos por Michael Shannon (“O Homem de Aço”). O elenco também destaca Carla Gugino (série “Wayward Pines”), Zazie Beetz (série “Atlanta”), Jessica Rothe (“La La Land”), Wayne Duvall (série “BrainDead”) e Chris Bauer (série “True Blood”) Com roteiro e direção de Bart Freundlich (“Novidades no Amor”), “Wolves” foi exibido no Festival de Tribeca e estreia comercialmente em 3 de março nos EUA. Não há previsão de lançamento para o Brasil.
Logan ganha dois comerciais com cenas inéditas da selvageria de X-23
A 20th Century Fox divulgou os primeiros comerciais de “Logan”, o terceiro filme solo de Wolverine. Repletas de cenas inéditas, as prévias destacam a selvageria de X-23 (Dafne Keen), a clone mirim de Wolverine, que o Professor Xavier (Patrick Stewart) prevê que se tornará mais poderosa que o próprio Logan (Hugh Jackman). Um dos vídeos também destaca um aviso de Caliban (Stephen Merchant) sobre a diminuição do fator de cura do herói. O filme encontra Wolverine no futuro, envelhecido e recrutado pelo Professor X para uma última missão: salvar X-23, que é perseguida pelo grupo de mercenários do vilão Donald Pierce (Boyd Holbrook), denominados Carniceiros (Reavers). O roteiro é de Michael Green (“Lanterna Verde”) e do estreante David James Kelly, e a direção está mais uma vez a cargo de Mangold, responsável pelo filme anterior, “Wolverine – Imortal” (2013). A estreia está marcada para 2 de março no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA. Clique nas imagens para ampliá-las e aproveite e veja o mais recente trailer legendado aqui.
Nova sinopse de Logan confirma ligação entre Wolverine e X-23
A organização do Festival de Berlim 2017 divulgou uma nova sinopse de “Logan”, que detalha a ligação de Wolverine com a pequena e poderosa jovem mutanta vista nas artes e prévias da produção, e ainda revelou a duração do longa, que terá 135 minutos (ou seja, 2h15). A primeira sinopse oficial dizia: “Num futuro próximo, um cansado Logan (Hugh Jackman) cuida do doente Professor Xavier (Patrick Stewart) escondido na fronteira do México. Mas sua tentativa de ficar isolado do mundo e de seu legado termina quando uma jovem mutante surge, sendo perseguida por forças obscuras”. Já a sinopse do festival alemão é bem mais detalhada: “Em 2024, a população mutante foi reduzida drasticamente e os X-Men se separaram. Logan, cujo poder de regeneração está enfraquecendo, se entregou ao álcool e ganha a vida como motorista. Certo dia, uma estranha pede que ele leve uma garota chamada Laura (Dafne Keen) até a fronteira canadense e à princípio ele recusa, mas muda de ideia ao descobrir que o Professor Xavier aguarda há anos pela menina. Extraordinariamente habilidosa em lutas, Laura se parece com Wolverine em vários aspectos e é perseguida por sinistras figuras que trabalham para uma poderosa corporação. Seu DNA contém o segredo que a conecta a Logan e uma implacável perseguição tem início.” A descrição reforça a conexão da trama com os quadrinhos e desenhos animados, nos quais Laura Kinney é mais conhecida como X-23, um clone juvenil do Wolverine. “Logan” terá sua première mundial no Festival de Berlim, onde será exibido fora de competição no dia 17 de fevereiro. A estreia no Brasil está marcada para o dia 2 de março, e Hugh Jackman revelou nas redes sociais que virá a São Paulo divulgar o lançamento.
Frantz: Indicado a 11 Césars, novo filme de François Ozon ganha trailer legendado
A California Filmes divulgou o trailer legendado de “Frantz”, novo filme do cineasta François Ozon. Filmado em preto e branco e passado no começo do século 20, o vídeo evoca os antigos melodramas da era de ouro do cinema, ao mostrar como a jovem Anna, interpretada por Paula Beer (“O Vale Sombrio”), conhece o tenente francês Adrien (Pierre Niney, de “Yves Saint Laurent”), quando este deixa flores no túmulo de seu noivo, Frantz, falecido na guerra. Ao descobrir que os dois eram antigos amigos, Anna leva o francês para conhecer os pais de Frantz, que se encantam com o recém-chegado, forçando sua permanência da vida de todos, mesmo a contragosto da comunidade alemã. “Frantz” recebeu 11 indicações ao César 2017, o Oscar francês, e apesar da estilização mantém as características da filmografia de Ozon, como sua obsessão por contar histórias repletas de detalhes obscuros, esconder segredos e visitar a dor, num jogo de aparências derivado do suspense, que leva a ponderar o que é realmente verdade e que rumos terá sua trama. A história original, baseada numa peça do francês Maurice Rostand, já havia sido levada ao cinema, no clássico “Não Matarás” (1932), do mestre alemão Ernst Lubitsch. Mas a versão de Ozon inclui detalhes que não poderiam ser exibidos nos anos 1930. A premiére mundial aconteceu no Festival de Veneza, quando rendeu um prêmio para Paula Beer. A estreia no Brasil está marcada para 2 de março.
As Duas Irenes: Drama brasileiro selecionado para o Festival de Berlim ganha primeiro teaser
A Vitrine Filmes divulgou o teaser do drama “As Duas Irenes”, selecionado para o Festival de Berlim, que marca a estreia de Fabio Meira (co-roteirista de “De Menor”) na direção. A prévia mostra as duas protagonistas do longa, duas meio-irmãs chamadas Irene. Suas intérpretes, Priscila Bittencourt e Isabela Torres, também estreiam no cinema, selecionadas entre 200 candidatas. Rodado em Goiás, a produção acompanha uma jovem que descobre outra filha de seu pai. No elenco, também estão Marco Ricca (“Chatô – O Rei do Brasil”), Susana Ribeiro (“Mulheres no Poder”) e Inês Peixoto (“Redemoinho”). Selecionado para a mostra Gerações, do Festival de Berlim, “As Duas Irenes” ainda não tem previsão de estreia no Brasil.
Associação de críticos franceses elege Aquarius o Melhor Filme Estrangeiro
O drama brasileiro “Aquarius” foi eleito o Melhor Filme Estrangeiro do ano passado pela União Francesa de Críticos de Cinema. O filme dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Sônia Braga teve sua première mundial na França, exibido no Festival de Cannes, de onde saiu sem prêmios, exatamente como, por coincidência, “Elle”, de Paul Verhoeven, que os críticos franceses consideraram o Melhor Filme de 2016. A produção estrelada por Isabelle Huppert recebeu até uma indicação ao Oscar 2017, na categoria de Melhor Atriz. Por outro lado, a Vitagraphic, que fez a distribuição invisível de “Aquarius” nos EUA, não inscreveu o longa brasileiro no Oscar, deixando-o inelegível. Outro filme indicado pela Academia, a animação “A Tartaruga Vermelha”, também foi destaque e levou o prêmio de Melhor DVD/Blu-ray Recente. Os prêmios da associação de críticos franceses foram criados em 2006 e são concedidos por jornalistas especializados. “Aquarius” também concorre ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no César 2017, maior premiação de cinema da França, comparada ao Oscar no país. A cerimônia está marcada para 24 de fevereiro.
Pedro Almodóvar vai presidir o júri do Festival de Cannes
O cineasta espanhol Pedro Almodóvar será o presidente do júri do Festival de Cannes de 2017, anunciaram nesta terça-feira (31/1) os organizadores do evento. O diretor e roteirista, que venceu o Oscar por “Fale com Ela” (2002) e foi premiado em Cannes por “Tudo Sobre Minha Mãe” (1999) e “Volver” (2006), lançou seu filme mais recente, “Julieta” (2016), na edição do festival do ano passado. Em comunicado, o diretor de 67 anos disse estar “grato, honrado e um pouco surpreso” pelo convite para presidir o festival, enquanto os organizadores destacaram o motivo da escolha. “Seus trabalhos já se consolidaram no nicho eterno da história do cinema”, disseram, em resumo. Os demais membros do júri que definirão o vencedor da Palma de Ouro serão anunciados apenas em abril. No ano passado, o júri presidido pelo cineasta australiano George Miller (“Mad Max: Estrada da Fúria”) tomou decisões controversas e dividiu a crítica, ao ignorar “Elle”, “A Criada”, “Toni Erdmann”, “Aquarius” e o próprio “Julieta” em favor de “Eu, Daniel Blake” e filmes vaiados como “Personal Shopper” e “É Apenas o Fim do Mundo”. Pela lista, dá para ver como o festival é importante. A próxima edição marcará os 70 anos do Festival Cannes e vai acontecer entre os dias 17 e 28 de maio.
Comédia indie da Netflix vence o Festival de Sundance
O Festival de Sundance, reconhecido por projetar o melhor do cinema independente norte-americano, anunciou na noite de sábado (28/1) os vencedores de sua edição de 2017, consagrando a comédia de humor negro “I Don’t Feel at Home in This World Anymore” e o documentário “Dina” com os principais prêmios de seu júri. Estreia na direção do ator Macon Blair (“Sala Verde”), “I Don’t Feel at Home in This World Anymore” traz Melanie Lynskey (série “Two and a Half Men”) no limite de sua paciência com a falta de educação e cortesia das pessoas, após descobrir que sua casa foi roubada. Irritada e deprimida com a ineficácia da polícia, ela encontra ajuda num vizinho intenso, vivido por Elijah Wood (série “Dirk Gently’s Holistic Detective Agency”), que a estimula a tomar uma atitude. Mas virar justiceiros não é tão fácil quanto eles imaginam. Veja o trailer aqui. A comédia indie fechou com a Netflix e já tem lançamento marcado para fevereiro. Mas se a negociação foi financeiramente interessante para os produtores, a distribuição por streaming logo no começo do ano implode qualquer pretensão que o filme pudesse ter em relação ao Oscar 2018. Caso acordos do gênero virem tendência, podem, inclusive, diminuir o brilho de Sundance. Afinal, o festival tem ajudado a revelar grandes talentos, como o badalado Damien Chazelle, cujo filme anterior, “Whiplash”, venceu o Festival de Sundance em 2014 e o atual, “La La Land”, disputa 14 troféus no Oscar 2017. Já “Dina” apresenta um retrato nada convencional de romance, acompanhando um casal real de autistas de meia-idade. Dirigido por Antonio Santini e Dan Sickes, o filme celebra as diferenças e conquistou a crítica em Sundance. O público, entretanto, preferiu o documentário “Chasing Coral”, de Jeff Orlowski, sobre mudanças climáticas, e o drama “Crown Heights”, em que o diretor Matt Ruskin focou a injustiça do sistema judiciário, contando a história real de um jovem negro inocente que passou 21 anos preso. Detalhe: este filme terá distribuição da Amazon! Na competição internacional, os vencedores coincidiram em tema, ao expressarem a crise no Oriente Médio. Foram premiados o documentário “Last Men in Aleppo”, sobre os destroços da cidade síria citada em seu título, e “The Nile Hilton Incident”, suspense do sueco Tarik Saleh, que mostra a corrupção no Egito antes da Primavera Árabe (movimento social que destituiu o governo). Ironicamente, o prêmio para o filme “golpista” foi entregue por Sônia Braga (“Aquarius”). O Brasil concorria com “Não Devore Meu Coração”, primeiro longa individual de Felipe Bragança (“A Alegria”), que foi considerado amador pela crítica americana. Vencedores do Festival de Sundance 2017 FICÇÃO NORTE-AMERICANA Grande Prêmio do Júri “I Don’t Feel at Home in This World Anymore” Prêmio do Público “Crown Heights” Melhor Direção Eliza Hittman (“Beach Rats”) Melhor Roteiro Matt Spicer e David Branson Smith (“Ingrid Goes West”) Prêmio Especial do Júri por Melhor Atuação Chanté Adams (“Roxanne Roxanne”) Prêmio Especial do Júri por Melhor Direção Maggie Betts (“Novitiate”) Prêmio Especial do Júri por Melhor Fotografia Daniel Landin (“Yellow Birds”) DOCUMENTÁRIO NORTE-AMERICANO Grande Prêmio do Júri Dina Prêmio do Público “Chasing Coral” Melhor Direção Peter Nicks (“The Force”) Melhor Roteiro Yance Ford (“Strong Island”) Prêmio Especial do Júri por Melhor Edição Kim Roberts e Emiliano Battista (“Unrest”) Prêmio Especial Orwell “Icarus” Prêmio Especial do Júri por Filmagem Inspiradora Amanda Lipitz (“Step”) FICÇÃO MUNDIAL Grande Prêmio do Júri “The Nile Hilton Incident” Prêmio do Público “I Dream in Another Language” Melhor Direção Francis Lee (“God’s Own Country”) Melhor Roteiro Kirsten Tan (“Pop Aye”) Prêmio Especial do Júri por Visão Cinematográfica Jun Geng (“Free and Easy”) Prêmio Especial do Júri por Melhor Fotografia Manu Dacosse (“Axolotl Overkill”) DOCUMENTÁRIO MUNDIAL Grande Prêmio do Júri “Last Men in Aleppo” Prêmio do Público “Joshua: Teenager vs. Superpower” Melhor Direção Pascale Lamche (“Winnie”) Melhor Roteiro Catherine Bainbridge e Alfonso Maiorana (“Rumble: The Indians Who Rocked the World”) Prêmio Especial do Júri por Melhor Edição Ramona S. Diaz (“Motherland”) Prêmio Especial do Júri por Melhor Fotografia Rodrigo Trejo Villanueva (“Machines”)
Emmanuelle Riva (1927 – 2017)
Morreu a atriz francesa Emmanuelle Riva, ícone da nouvelle vague, que ganhou fama mundial como a protagonista de “Hiroshima Meu Amor” (1959), de Alain Resnais, e voltou a ter grande destaque recentemente com “Amor” (2012), do austríaco Michael Haneke, que lhe rendeu a sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Ela lutava havia anos contra um câncer e faleceu na sexta-feira (27/1), aos 89 anos. Nascida em 1927 em uma família de operários do leste da França, Paulette (seu nome real) declamava desde a adolescência as falas de personagens clássicos do teatro em seu quarto. Aos 19 anos, pouco depois do fim da 2ª Guerra Mundial, viajou a Paris para estudar artes dramáticas, mas só foi aparecer no cinema no final da década seguinte. Após figurar em “Volúpia de Prazer” (1958), topou o desafio de aparecer nua num filme de caráter poético-experimental, sobre o romance entre uma francesa e um arquiteto japonês de Hiroshima, a cidade devastada pelo primeiro ataque com bomba atômica da história. Sua nudez serviu de chamariz para o filme, que era extremamente intelectual. Mas se virou musa instantânea, também precisou lutar para não ficar marcada como sexy. Para tanto, tomou uma série de decisões ousadas, ilustrando o lado pouco sensual da prostituição em “Ádua e Suas Companheiras” (1960), de Antonio Pietrangeli, e aparecendo totalmente desglamourizada em “Kapò: Uma História do Holocausto” (1960), de Gillo Pontecorvo, como uma prisioneira de campo de concentração nazista. Em 1962, ela venceu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza por seu papel em “Thérèse Desqueyroux”, como a fria personagem-título, suspeita de ter matado o próprio marido. Mas não voltar a receber maiores reconhecimentos por décadas, mesmo trabalhando com grandes cineastas, como André Cayatte em “Atentado ao Pudor” (1967), Fernando Arrabal em “Irei Como um Cavalo Louco” (1973), Marco Bellochio em “Olhos na Boca” (1982), Philippe Garrel em “Liberté, la Nuit” (1984) e Krzysztof Kieslowski em “A Liberdade É Azul” (1993). Passaram-se 50 anos até Riva voltar às cerimônias de premiação. Em “Amor” (2012), ela interpretou uma mulher doente, à beira da morte e em meio a grandes sofrimentos, compartilhados por seu marido, interpretado por Jean-Louis Trintignant, e a filha, vivida por Isabelle Huppert. Filmado nos cômodos de uma casa, de onde a personagem não conseguia sair, “Amor” se tornou o filme-sensação de 2012, iniciando uma carreira vitoriosa a partir de sua première com a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Ao ser indicada ao Oscar, Riva se tornou a atriz mais velha já reconhecida pela premiação. Não conquistou o troféu americano, mas venceu o César (o “Oscar francês”) e o BAFTA (o “Oscar inglês”). Ela também apareceu no simpático “O Verão do Skylab” (2011), de Julie Delpy, e viu aumentar os convites para filmar obras de cineastas dos mais diferentes países, enquanto buscava retomar a carreira no teatro, num surto de atividade com mais de 80 anos de idade. Em 2014, recebeu seu último prêmio, o Beaumarchais, entregue por um júri de críticos do jornal francês Le Figaro, por sua atuação na peça “Savannah Bay”, de Marguerite Duras. A atriz deixou um filme inédito, “Alma”, do islandês Kristín Jóhannesdóttir, e iria estrelar “Les Vacances”, do iraniano Mohsen Makhmalbaf. “Até o final permaneceu ativa”, declarou sua agente, Anne Alvares Correa. “Emmanuelle Riva era uma mulher comovente, uma artista de rara exigência”, afirmou Frédérique Bredin, presidente do Centro Nacional do Cinema (CNC) da França. “Foi-se uma voz inesquecível, habitada pelo amor das palavras e da poesia.”
Diretor de O Lobo Atrás da Porta é premiado no Festival de Sundance
O cineasta brasileiro Fernando Coimbra (“O Lobo Atrás da Porta”) foi premiado no Festival de Sundance 2017 com o Global Filmmaking Award, que anualmente premia quatro diretores notáveis e visionários ao redor do mundo, com base no roteiro de seus próximos projetos. O projeto premiado de Coimbra foi o thriller “Os Enforcados”. Tendo como pano de fundo os jogos de azar, a trama é descrita como “uma comédia de humor negro sobre ganância e confiança, que joga luz sobre o momento em que nem mesmo as relações mais próximas conseguem sobreviver”. “Os Enforcados” já havia sido selecionado para participar de desenvolvimento no Laboratório de Roteiros do festival, em 2015. Ainda não há previsão para as filmagens. Atualmente, Fernando Coimbra se prepara para lançar “Sand Castle”, seu primeiro filme falado em inglês, que conta a história de soldados americanos durante a Guerra do Iraque. Estrelado por Henry Cavill (“Batman vs Superman”) e Nicholas Hoult (“X-Men: Apocalipse”), o filme será distribuído pela Netflix.












