Coringa: Diretor da DC Comics diz que filme influenciará quadrinhos do personagem
Mesmo após a recepção consagradora no Festival de Veneza, “Coringa” ainda tem dividido opiniões de fãs do personagem, que não aprovaram a versão do diretor Todd Phillips por ser totalmente diferente da origem tradicional dos quadrinhos. Mas esta polêmica não deve crescer, porque o diretor criativo da DC Comics, o artista Jim Lee, declarou que considera aproveitar elementos do filme em novas histórias em quadrinhos do Coringa, tamanha a empolgação com a obra. “O filme do Coringa de Todd Phillips é intenso, cru e comovente. Ele falou sobre como sua visão a respeito do Coringa não está relacionada às raízes do personagem nos quadrinhos. Dito isto, não há absolutamente nada neste filme incongruente com a nossa compreensão de quem é o Coringa. De qualquer forma, a transformação hipnotizante e perturbadora de Joaquin Phoenix como o Coringa nos dá uma visão profunda e plenamente realizada de um de nossos vilões favoritos, e tenho certeza de que elementos serão adotados no futuro em nossa mitologia em constante evolução. É isso que histórias poderosas e atraentes fazem”, declarou Lee em seu Instagram. Veja o post original abaixo. Filmes e séries já influenciaram anteriormente os rumos de personagens da DC, desde a criação de Batgirl, Mercy Graves e Arlequina, incorporadas aos quadrinhos, até o resgate de Vicki Vale, namorada esquecida de Bruce Wayne, trazida de volta às páginas de “Batman” por ocasião do filme dirigido por Tim Burton em 1989. “Coringa” tem estreia marcada para 3 de outubro no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos. Ver essa foto no Instagram Director Todd Phillip’s @jokermovie is intense, raw and soulful. He’s talked about how his take on the Joker is not beholden to the character’s comic book roots. That said, there’s absolutely nothing in this film incongruous with our understanding of who the Joker is. If anything, Joaquin Phoenix’s mesmerizing and unsettling turn as the Joker gives us a deep and fully realized look into one of our favorite villains, and I’m sure elements will be embraced going forward in our ongoing, ever evolving mythology. That’s what powerful, compelling stories do. And without a doubt—long time DC fans will be spending a lot of time unpacking the many story revelations and questions this harrowing cautionary tale raises. #joker #thejoker #dccomics Uma publicação compartilhada por Jim Lee (@jimlee) em 31 de Ago, 2019 às 10:57 PDT
Julie Andrews recebe homenagem do Festival de Veneza
A atriz Julie Andrews, que marcou a história do cinema com clássicos como “Mary Poppins” (1964) e “A Noviça Rebelde” (1965), foi homenageada pelo Festival de Veneza nesta segunda (2/9) com um prêmio por sua carreira. A estrela de 83 anos, que venceu o Oscar por seu papel em “Mary Poppins” e foi indicada mais duas vezes à premiação da Academia, recebeu a estatueta do Leão de Ouro honorário diante de aplausos do público. “Eu me considero muito abençoada por ter passado grande parte da minha vida profissional na arte do cinema”, disse, ao agradecer a homenagem. “Ainda me surpreendo com o fato de ter sido a menina de sorte que foi convidada a desempenhar esses papéis maravilhosos”. Andrews começou sua carreira como atriz infantil nos teatros do West End de Londres, antes de ir para a Broadway. “Mary Poppins” a transformou em uma estrela internacional, e a atriz ainda protagonizou sucessos como “Victor ou Vitória?” (1982) e “O Diário da Princesa” (2001). Ela é viúva do diretor de “Victor ou Vitória?”, Blake Edwards (criador da franquia da “Pantera Cor-de-Rosa”, falecido em 2010), com quem filmou várias comédias. Mais recentemente, tem se destacado como dubladora, atuando nas franquias animadas “Shrek” e “Meu Malvado Favorito”, além do longa “Aquaman”. Seu próximo trabalho será a série “Bridgerton”, uma produção de Shonda Rhimes (criadora de “Grey’s Anatomy”) para a Netflix.
Crítica internacional afirma que Coringa é melhor que O Cavaleiro das Trevas
A exibição de “Coringa” no Festival de Veneza foi saudada com aplausos efusivos e elogios rasgados da crítica internacional. Após a première mundial, Joaquin Phoenix já é considerado favorito ao Oscar por seu retrato de Arthur Fleck, que não é exatamente o personagem dos quadrinhos da DC Comics, mas uma versão “Elseworlds” (para usar uma referência dos próprios quadrinhos) de um Coringa concebido na Nova York setentista dos filmes de Martin Scorsese e Sidney Lumet, informado por cenas de “Taxi Driver”, “O Rei da Comédia” e “Um Dia de Cão”, além de contar com elementos da distopia anárquica de “Laranja Mecânica”. A grande sacada é que, no filme de Todd Phillips, Nova York se chama Gotham City. E a família Trump tem o sobrenome Wayne, numa versão alternativa do mundo de 1981. Sempre cotado a prêmios por seu trabalho de interpretação, Joaquin Phoenix talvez nunca tenha gerado tanta admiração quanto em sua passagem por Veneza, neste sábado (31/8). Astro mais aplaudido do festival, deve ser reconhecido com a Copa Volpi, troféu de melhor ator do evento, primeiro passo de sua jornada até o Oscar 2020. “Prepare-se para repensar o que é possível fazer nas adaptações de quadrinhos”, escreveu Mark Hughes numa crítica quilométrica publicada no site da revista Forbes. “Se você achou que ‘O Cavaleiro das Trevas’ e ‘Logan’ ultrapassaram os limites do gênero ao propor uma narrativa adulta e com qualidade de Oscar, ‘Coringa’ está prestes a aumentar o parâmetro”. “É impossível falar sobre o ‘Coringa’ sem fazer referência à performance vencedora do Oscar de Heath Ledger em ‘O Cavaleiro das Trevas’, amplamente considerada o retrato definitivo do vilão em live-action, então vamos falar sobre isso. O fato é que todo mundo ficará surpreso com o que Phoenix realiza, porque é o que muitos acreditam ser impossível – um retrato que corresponde e potencialmente excede o de ‘O Cavaleiro das Trevas'”, continua a crítica da Forbes. “Eu nem hesito em dizer que Phoenix é instantaneamente favorito ao Oscar de Melhor Ator, e não tenho dúvidas de que ele será indicado por sua atuação. Minha expectativa é que ele vença, porque é a melhor performance que já vi de um ator o ano todo, e é difícil imaginar outra performance com tanta intensidade e poder”. “‘Coringa’ é uma das verdadeiras obras-primas do cinema de super-heróis e um dos melhores filmes de 2019”, conclui o texto. “Coringa’ vai ser objeto de controvérsia após o seu lançamento, mas é uma controvérsia que ele convida, deixando muito em aberto para interpretação”, ponderou Eric Eisenberg, no site CinemaBlend. “Todo mundo vai ter sua própria opinião sobre o que é real e o que é fantasia no filme. Todo mundo vai ter sua própria leitura política específica. E então todas essas opiniões vão mudar quando virem o filme pela segunda vez. Definitivamente, você sentirá que precisará tomar um banho depois de vê-lo, mas depois de se secar e trocar de roupa, não fará mais nada a não ser analisá-lo e dissecá-lo”. “Ninguém que ver esse filme vai precisar de outra versão do Coringa”, escreveu David Sexton, no jornal inglês London Evening Standard. “Coringa’ é certamente o filme de quadrinhos mais sombrio e cruel de todos os tempos”, acrescentou, antes de proclamar: “Joaquin Phoenix apresenta uma performance absolutamente convulsiva, talvez a mais poderosa de sua carreira, como o Coringa”. “Que filme gloriosamente ousado e explosivo é ‘Coringa’. É um conto quase tão distorcido quanto o homem em seu centro, cheio de idéias e voltado para a anarquia”, elogiou Xan Brooks, no jornal britânico The Guardian. “Tendo saqueado descaradamente os filmes de Scorsese, Phillips modela os ingredientes roubados em algo novo, de modo que o que começou como uma alegre sessão de cosplay se torna progressivamente mais perigoso – e mais relevante também”, completa o texto. “O tom do filme é ainda mais sombrio e gótico do que o dos filmes de Batman de Christopher Nolan”, descreve Geoffrey Macnab em outro jornal britânico, Independent. “‘Coringa’ desconstrói e aprimora a lenda do inimigo demente do Batman”, analisou Tim Grierson, do site Screen Daily. “E, embora Phoenix ilumine habilmente a desintegração de Arthur antes do Coringa, ele também prova ser um Coringa bastante fantástico durante os trechos finais do filme. Os fãs de filmes de super-heróis já tem uma versão favorita deste vilão inesquecível, mas a abordagem de Phoenix é disparada a mais humana – e, como resultado, a mais trágica de todas”. “Um thriller sombrio e realista disfarçado de adaptação de quadrinhos – ou, para dizer de outra forma, uma produto de entretenimento de Hollywood disposto a desenvolver uma história, enquanto cria tensão e transborda de idéias”, descreve Justin Chang no jornal Los Angeles Times. “Ainda assim, a crescente violência é intensamente desagradável, chocante, se não particularmente surpreendente; cena após cena, o acúmulo é tão agonizante que você não tem certeza se o filme está representando ou abraçando a crueldade de seu protagonista. Talvez a distinção seja menos importante do que gostamos de pensar”. “Será fascinante ver o que os poucos detratores de ‘O Cavaleiro das Trevas’, que o consideram muito sádico, vão pensar sobre “Coringa”, ainda mais sombrio e desesperador. Certamente, haverá muito a dizer sobre esse filme perturbador e incrivelmente bem realizado, antes e depois dele chegar aos cinemas. Por enquanto, uma coisa já está clara: esse palhaço não veio brincar”, conclui Chang.
Veja as primeiras cenas oficiais do novo filme de Roman Polanski
O novo filme de Roman Polanski, “An Officer and a Spy” (J’Accuse), teve duas cenas divulgadas durante sua participação no Festival de Veneza. Elas não tem legenda e são faladas em francês. A primeira sessão para a imprensa internacional aconteceu nesta sexta (30/8), com recepção entusiasmada. Ausente do festival, porque pode ser preso se sair da França, Polanski foi representado no evento pelo elenco e produtores, que o elogiaram muito durante a entrevista coletiva. O tema do estupro e outras acusações de abuso envolvendo o veterano diretor foram proibidas na conversa com a imprensa, que se concentraram em tecer paralelos entre o tema do filme e a perseguição sofrida por Polanski na mídia. Dois dias antes, a cineasta Lucrecia Martel (“Zama”), presidente do juri do Festival de Veneza, polemizou ao dizer que estava “incomodada” com a inclusão de um filme de Polanski no evento. O filme baseia-se numa história real, o mais famoso erro de Justiça na história francesa, que condenou um herói militar inocente à prisão no fim do século 19, inspirando uma campanha por sua libertação, acompanhada por denúncias de preconceito, perseguição e antissemitismo. O tema obviamente ecoa os últimos anos tumultuados da vida do diretor, que realmente se considera perseguido e vítima de uma injustiça, além de seu passado como sobrevivente do Holocausto. “An Officer and a Spy” é estrelado por Louis Garrel (“O Formidável”) no papel do célebre capitão Dreyfus, além de Jean Dujardin (“O Artista”), Mathieu Amalric e a esposa de Polanski, Emmanuelle Seigner, que atuaram juntos no premiadíssimo “O Escafandro e a Borboleta” (2007) e num dos filmes mais recentes de Polanski, “A Pele de Vênus” (2013). O roteiro foi escrito pelo romancista britânico Robert Harris, que também já trabalhou com Polanski: no aclamado “O Escritor Fantasma”, premiado com o troféu de Melhor Direção no Festival de Berlim de 2010.
Filme de Polanski rende polêmica com presidente do juri do Festival de Veneza
A inclusão do novo filme de Roman Polanski na competição do Festival de Veneza vem gerando protestos de femininas. E a cineasta argentina Lucrecia Martel (“Zama”), que preside o juri do evento, juntou-se ao coro dos descontentes, alimentando ainda mais a polêmica. De fato, ela precisou emitir uma nota pós se manifestar, corrigindo comentários que teriam sido “profundamente mal compreendidos”. Chamado de “An Officer and a Spy” (J’Accuse), o novo filme de Roman Polanski baseia-se numa história real, o mais famoso erro de Justiça na história francesa, que condenou um herói militar inocente à prisão no fim do século 19, inspirando uma campanha na imprensa por sua libertação, acompanhada por denúncias de preconceito, perseguição e antissemitismo. O tema obviamente ecoa os últimos anos tumultuados da vida do diretor, que se considera perseguido e vítima de uma injustiça, além de seu passado como sobrevivente do Holocausto. Na entrevista coletiva de inauguração do festival nesta quarta (28/8), Martel disse que estava “incomodada” com a participação do cineasta, condenado por estupro nos anos 1970 nos Estados Unidos. E disse que não pretende assistir ao filme, para não se “levantar e aplaudir”, “porque represento muitas mulheres que lutam na Argentina por questões como essa”. Mas essa frase, segundo ela afirmou posteriormente, foi mal traduzida. Afinal, na mesma entrevista, ela também ponderou o desdobramento da questão. “Eu vi que a vítima considera o caso encerrado, não nega os fatos, mas acredita que Polanski já cumpriu o que ela e sua família pediram”, explicou Martel. “Se a vítima se sente compensada, o que vamos fazer? Executá-lo, impedi-lo de participar do festival, colocá-lo fora de competição para proteger o festival? Estas são conversas pendentes do nosso tempo. Tirar ou incluir, Polanski nos obriga a conversar. Não é algo simples de resolver”, reconheceu. “Eu não separo a obra do homem, mas acho que sua obra merece uma oportunidade por causa das reflexões que levanta”, acrescentou a cineasta. Em nota posteriormente enviada à imprensa, Martel resolveu deixar mais claro o seu ponto de vista. “Vendo alguns relatos depois da coletiva de imprensa de hoje, acredito que minhas palavras foram profundamente mal compreendidas. Como não separo o trabalho do autor, reconheço muita humanidade nos filmes anteriores de Polanski e não me oponho à presença de seu filme na competição. Eu não tenho nenhum preconceito em relação a isso e, claro, vou assistir ao filme como qualquer outro na competição. Se eu tivesse algum preconceito, teria renunciado à minha posição como presidente do júri”. O diretor do festival, Alberto Barbera, também se manifestou sobre a inclusão do novo filme do cineasta, chamando-o de “obra-prima” e reconstrução “extraordinária” de um evento histórico. “Eu não sou um juiz que deve se expressar com base em critérios e princípios da justiça, se ele deve ir, ou não, para a prisão. Sou um crítico de cinema que deve decidir se um filme merece, ou não, participar de uma competição. Foi isso que eu fiz. Meu trabalho termina aí”, afirmou. Polanski não vai comparecer à première de seu filme em Veneza, porque corre o risco de ser preso se sair da França. Ele tampouco dará entrevista coletiva por vídeo, como chegou a ser cogitado. Mas não há informações sobre a participação do elenco na divulgação do filme durante o festival. “An Officer and a Spy” é estrelado por Louis Garrel (“O Formidável”) no papel do capitão Dreyfus, além de Jean Dujardin (“O Artista”), Mathieu Amalric e a esposa de Polanski, Emmanuelle Seigner, que atuaram juntos no premiadíssimo “O Escafandro e a Borboleta” (2007) e num dos filmes mais recentes de Polanski, “A Pele de Vênus” (2013). O roteiro foi escrito pelo romancista britânico Robert Harris, que também já trabalhou com Polanski: no aclamado “O Escritor Fantasma”, premiado com o troféu de Melhor Direção no Festival de Berlim de 2010.
Novo drama de família de Kore-eda vai abrir o Festival de Veneza 2019
O filme “The Truth”, novo drama do premiado diretor japonês Hirokazu Kore-eda, foi selecionado para abrir a 76ª edição do Festival de Cinema de Veneza. A produção, que estará na competição do Leão de Ouro, tem Catherine Deneuve, Juliette Binoche e Ethan Hawke no elenco e é o primeiro longa dirigido por Kore-eda fora de seu país. O veterano cineasta vive seu momento de maior aclamação, depois de vencer a Palma de Ouro em Cannes no ano passado com seu filme “Assunto de Família”. “Sinto-me extremamente honrado. O filme conta a história de uma família. Dentro desse universo íntimo, fiz meus personagens viverem com suas mentiras, orgulhos, remorsos, alegrias e reconciliações”, declarou o diretor em um comunicado divulgado pelos organizadores. Para o diretor do festival, o crítico italiano Alberto Barbera, trata-se de uma “reflexão poética” sobre a relação mãe-filha e o complexo ofício de atriz. “É um prazer que seja o filme de abertura”, complementou. O Festival de Veneza 2019 vai acontecer de 28 de agosto a 7 de setembro.
Cineasta argentina Lucrecia Martel vai presidir o juri do Festival de Veneza 2019
A cineasta argentina Lucrecia Martel foi escolhida para presidir o júri do Festival de Veneza 2019. Diretora de quatro longas, “O Pântano” (2001), “A Menina Santa” (2004), “A Mulher sem Cabeça” (2008) e “Zama” (2017), Martel vai comandar o grupo de artistas que selecionará os melhores da mostra competitiva do festival e o filme vencedor, que receberá o Leão de Ouro. “Quatro longas-metragens e um punhado de curtas, em pouco menos de duas décadas, foram suficientes para tornar Lucrecia Martel a mais importante diretora feminina da América Latina e uma das principais do mundo”, disse o diretor do festival, Alberto Barbera, ao anunciar a cineasta na presidência do juri. “Em seus filmes, a originalidade de sua pesquisa estilística e sua meticulosa mise-en-scène estão a serviço de uma cosmovisão livre de compromissos, dedicada a explorar os mistérios da sexualidade feminina e a dinâmica de grupos e classes”, continuou ele. “Somos gratos por ter concordado entusiasticamente em utilizar seu olhar exigente, mas nada menos que caridoso, a serviço desse compromisso que pedimos a ela.” É uma honra, uma responsabilidade e um prazer fazer parte desta celebração do cinema e do imenso desejo da humanidade de se entender”, disse Martel, no mesmo comunicado. Ela será a primeira cineasta feminina a presidir o júri em mais de 20 anos. A australiana Jane Campion (“O Piano”, “Retrato de Uma Mulher”) tinha sido a última escolhida, em 1997. Nos últimos anos, o júri de Veneza vem sendo marcado pela presidências de cineastas latinos, como os diretores mexicanos Guillermo Del Toro e Alfonso Cuarón. Outros talentos que presidiram o evento recentemente foram a atriz americana Annette Bening e o compositor francês de trilhas sonoras Alexandre Desplat. O Festival de Veneza de 2019 vai acontecer entre os dias 28 de agosto e 7 de setembro.
Pedro Almodóvar será homenageado pelo Festival de Veneza
O cineasta Pedro Almodóvar será homenageado pelo Festival de Veneza com um Leão de Ouro honorário. Ele e a atriz Julie Andrews (a Mary Poppins original), cujo Leão de Ouro foi anunciado em março, terão as carreiras celebradas na próxima edição do mais antigo festival de cinema do mundo. É tradição do evento homenagear um diretor e um intérprete todos os anos. O diretor e roteirista espanhol já tem um prêmio do Festival de Veneza em sua estante, pelo roteiro de “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” (1988). Ele também venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por “Tudo Sobre Minha Mãe” (1999) e Roteiro Original por “Fale com Ela” (2002), e foi premiado em Cannes por “Tudo Sobre Minha Mãe” e “Volver” (2006), além de vir de uma participação vitoriosa na edição do festival francês deste ano, onde o seu “Dor e Glória” rendeu o prêmio de melhor ator para Antonio Banderas. Em comunicado oficial, Almodóvar agradeceu a honra concedida pelo Festival de Veneza, e disse ter boas memórias do evento. A estreia de “Maus Hábitos” (1983) no festival foi lembrada pelo diretor como “a primeira vez que um de seus filmes viajou para fora da Espanha”. “Veneza foi o lugar do meu batismo internacional, e foi uma experiência maravilhosa. Estou muito animado e honrado com o presente que é este Leão de Ouro”, disse o cineasta espanhol. Diretor espanhol mais premiado de sua geração, Almodóvar ainda destaca, entre seus filmes notáveis, “Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão” (1980), “Matador” (1986), “A Lei do Desejo” (1987), “Ata-me” (1989), “Carne Trêmula” (1997), “Má Educação” (2004), “Volver” (2006), “A Pele Que Habito” (2011) e “Julieta” (2016).
Festival de Veneza vai homenagear Julie Andrews com o Leão de Ouro por sua carreira
A atriz Julie Andrews vai ser homenageada com o Leão de Ouro por sua carreira no Festival de Veneza 2019, que este ano acontecerá mais cedo, entre os dias 28 de agosto e 7 de setembro. “A Sra. Andrews ganhou fama ainda muito jovem nas casas de shows de Londres e, mais tarde, na Broadway graças ao seu notável talento de cantora e atriz. O seu primeiro filme de Hollywood, “Mary Poppins” (1964), deu-lhe a estatura de estrela, que mais tarde foi confirmada num outro filme precioso, “A Noviça Rebelde” (1965). Estes dois papéis a projetaram ao estrelato internacional, tornando-a uma figura icônica, adorada por várias gerações de cinéfilos”, declarou Alberto Barbera, diretor do festival, em comunicado sobre a homenageada. Ele ainda acrescentou que “este Leão de Ouro honorário é o merecido reconhecimento de uma carreira extraordinária que tem admiravelmente atingido o sucesso popular, com uma ambição artística que nunca se curvou a compromissos fáceis”. Andrews se disse “honrada” com a homenagem e agradeceu pelo reconhecimento do seu trabalho o mesmo comunicado, confirmando presença no festival em setembro, “para esta ocasião tão especial”. Além dos dois clássicos citados, ela também estrelou com sucesso a comédia “Victor Victoria” (1982), pelo qual ganhou seu terceiro Globo de Ouro, entre muitos outros sucessos.
Festival de Veneza começa com mais prestígio e mais polêmicas que nunca
O Festival de Veneza começa nesta quarta (29/8) com o prestígio de ter premiado o último vencedor do Oscar e de ser o tapete vermelho mágico que mais vezes levou à consagração da Academia dos Estados Unidos neste século. Mas também com muitas polêmicas, as novas e as velhas de sempre. Enquanto seu diretor artístico Alberto Barbera celebra o número de talentos e astros que desfilarão pelo Lido até 8 de setembro, “tão grande que é impossível lembrar todos os nomes agora”, o cineasta Guillermo del Toro, vencedor do festival passado (e do Oscar) por “A Forma da Água” e presidente do júri deste ano, apelou para a organização do evento para que aumente o número de filmes dirigidos por mulheres. Pelo segundo ano seguido, a seleção principal do Festival de Veneza tem só um filme dirigido por mulher – “The Nightingale”, de Jennifer Kent. “Eu acho que o objetivo tem que ser 50% [de filmes dirigidos por mulheres] até 2020. Se conseguirmos alcançar até 2019, ainda melhor”, comentou Del Toro, durante a entrevista coletiva que deu início ao festival. “Esse é um problema de verdade, na nossa cultura em geral”. “Não é uma questão de estabelecer uma ‘cota’, mas uma questão de se sincronizar ao tempo em que vivemos, ao momento em que estamos tendo essa conversa. Eu acho que isso é necessário há décadas, senão séculos. Não é uma polêmica, é um problema de verdade”, concluiu. Barbera tinha dito que se demitiria se implementassem cotas no festival, justificando que qualidade não tem gênero. Mas até o Brasil já demonstrou que isso é falácia, ao apresentar os candidatos a representar o país no Oscar, numa lista com 40% de filmes dirigidos por mulheres. Além disso, o Festival de Toronto, que acontece quase simultaneamente a Veneza, fez o compromisso descrito por del Toro, de ter metade de sua programação preenchida por filmes de cineastas femininas até 2020. Mais que isso, está apoiando uma marcha de mulheres, com pautas de igualdade de direitos, durante sua programação. O problema de Veneza, festival mais antigo do mundo, é a cultura machista italiana, alimentada por séculos de educação católica. Por isso, enquanto mulheres se preparam para celebrar suas conquistas na América do Norte, outras mulheres planejam protestar contra a dificuldade de encontrar espaço no festival de cinema europeu. O choque de visões de mundo é enorme. Mas esta não é a única polêmica alimentada pela programação do Festival de Veneza. O evento também estendeu seu tapete para as produções da Netlix, apresentando seis no total, e nisso entrou em sintonia com Toronto, seu rival do outro lado do Atlântico. Ambos aceitaram a realidade dos fatos, de que a Netflix é hoje a maior produtora de filmes do mundo e, em busca por validação, tem investido em cineastas consagrados, de Martin Scorsese a Alfonso Cuarón. Enquanto Cannes se deixou intimidar pelo bullying dos donos de cinema, a ponto de barrar a Netflix de competir pela Palma de Ouro, Veneza terá produções de streaming disputando o Leão de Ouro. E, considerando o impacto obtido pelos filmes do festival italiano no Oscar, virou peça estratégica dos planos de dominação mundial da plataforma. Quando Ryan Gosling pisar no Lido para a première de “O Primeiro Homem”, de Damien Chazelle, que abrirá o festival, será um pequeno passo para o ator de Hollywood, mas um grande passo para o cinema mundial. Visto cada vez mais como marco inaugural da temporada de prêmios, para destacar quem tem potencial de Oscar, Veneza pode colocar “Roma”, produção da Netflix dirigida por Cuarón, na rota da consagração da Academia. E até comprovar que Lady Gaga é atriz e Bradley Cooper é diretor, com a colaboração dos dois em “Nasce uma Estrela”. O festival que começa nesta quarta apontará muitos rumos para o cinema nos próximos meses, mas nem por isso deixará de ser convocado a entrar em maior sintonia com os rumos do mundo em geral.
Exibidores italianos protestam contra inclusão de filmes da Netflix no Festival de Veneza 2018
Deu certo na França, em relação ao Festival de Cannes. Era óbvio que os donos de cinema também esperneariam na Itália contra a presença de filmes da Netflix no Festival de Veneza. Duas associações de exibidores italianos lançaram, nesta segunda-feira (30/7), comunicados em que criticam a seleção de produções da Netflix para a competição do Leão de Ouro, no Festival de Veneza 2018. A ANEC (sigla italiana da Associação Nacional de Exibidores de Cinema) e a ANEM (Associação Nacional de Exibidores de Multiplexes) não citam diretamente a Netflix, mas “serviços de streaming on-line”, ao condenar a prática de lançar filmes simultaneamente nos cinemas e na internet. As associações citam especificamente o filme “On My Skin”, produção italiana sobre brutalidade policial que vai estrear na mostra Horizons, no Festival de Veneza, e será lançado pela Netflix poucos dias depois. Para a ANEC e a ANEM, esse tipo de lançamento “beneficia uma parte da cadeia de produção em curto prazo, e prejudica outra”. Na visão das associações, a atitude do Festival de Veneza de selecionar esses filmes é “irresponsável”, citando que as redes de cinema do país já “sofrem com problemas estruturais”. “Vamos continuar lutando contra essa estratégia absurda de fechar a janela entre o lançamento nos cinemas e em outras plataformas”, comentaram ainda. É uma briga de evidente perfil sindical. Os donos de cinema defendem “direitos adquiridos” e atacam mudanças em seu “status”, como o privilégio de exibir todos os filmes antes dos demais integrantes da cadeia de exibição. Já a Netflix se tornou o maior estúdio do mundo, lançando mais filmes que qualquer produtora de Hollywood. A questão é que seus lançamentos não são para o cinema. Deveriam as produções de streaming, como pregam alguns, disputar o Emmy e eventos de TV como os telefilmes da HBO? E os festivais de cinema, deveriam abraçar a causa dos grandes exibidores, que na verdade mal programam filmes de festivais há muitos anos? São pontos que fomentam discussões. O que se tem de concreto é que o Festival de Cannes, que cedeu a esta pressão e proibiu filmes da Netflix em sua competição, vê agora os filmes de prestígio da plataforma, que fizeram falta em sua seleção, chegar em Veneza. O consenso é que Cannes apresentou sua seleção mais fraca dos últimos anos e premiou filmes que não tiveram repercussão. Além de “On My Skin”, o Festival de Veneza vai exibir outros cinco filmes da Netflix: “22 July”, thriller de Paul Greengrass (“Jason Bourne”), “Roma”, novo filme de Alfonso Cuarón (“Gravidade”), “The Ballad of Buster Scruggs”, dos Irmãos Coen (“Ave, César”), “The Other Side of the Wind”, obra restaurada de Orson Welles (“Cidadão Kane”), e o documentário “They’ll Love Me When I’m Dead” sobre Orson Welles. O Festival de Veneza vai acontecer de 29 de agosto a 8 de setembro.
Júri do Festival de Veneza terá diretor de Thor: Ragnarok
O Festival de Veneza 2018 anunciou nesta quinta-feira os membros do júri que elegerão os melhores da competição, que será presidido por Guillermo del Toro (“A Forma da Água”), vencedor do Leão de Ouro no ano passado. Os integrantes são o diretor neozelandês Taika Waititi (“Thor: Ragnarok”), a atriz australiana Naomi Watts (“Birdman”), o ator austríaco Christoph Waltz (“Django Livre”), a atriz e diretora taiwanesa Sylvia Chang (“Escritório”), a atriz dinamarquesa Tryne Dyrholm (“O Amante da Rainha”), a atriz e diretora francesa Nicole Garcia (“Um Instante de Amor”), o diretor e roteirista italiano Paolo Genovese (“The Place”), e a diretora e roteirista polonesa Malgorzata Szumowska (“Body”). A seleção oficial do Festival de Veneza 2018 conta com filmes que podem chegar fortes ao Oscar 2019, como o drama “O Primeiro Homem”, de Damien Chazelle (“La La Land: Cantando Estações”), que vai abrir o evento. Veja a lista completa aqui. O Festival de Veneza 2018 acontece entre 29 de agosto e 8 de setembro.
Disputa do Leão de Ouro do Festival de Veneza 2018 inclui produções da Netflix
O Festival de Veneza 2018 divulgou a lista dos filmes que participarão de sua competição e de algumas mostras paralelas. E ao contrário do Festival de Cannes, que impediu produções da Netflix de competir sem estrear nos cinemas, a seleção italiana destaca seis obras originais do serviço de streaming. São elas “22 July”, novo thriller de Paul Greengrass (“James Bourne”), “Roma”, retorno de Alfonso Cuarón (“Gravidade”) aos filmes falados em espanhol, a restauração de “The Other Side of the Wind”, “filme perdido” de Orson Welles (“Cidadão Kane”) – que Cannes sonhava em exibir – , o documentário sobre Welles “They’ll Love Me When I’m Dead”, a produção italiana “On My Skin”, de Alessio Cremonini, que vai abrir a mostra Horizontes, e a maior surpresa da seleção: “The Ballad of Buster Scruggs”, nova obra dos irmãos Joel e Ethan Coen (“Onde os Fracos Não Tem Vez”), inicialmente anunciada como uma série, que vai disputar o Leão de Ouro. A presença destes longas demonstra que a necessidade de Veneza de disputar atenção da mídia, causada por conflitos de calendário com eventos norte-americanos – festivais de Toronto e Telluride – , não permite ignorar o estúdio que mais produz filmes no mundo. Ao se focar na programação, em vez de proibições de selfies, streaming e outras regras elitistas, Veneza faz a clara opção por se tornar a vitrine europeia dos lançamentos autorais da Netflix. E essa iniciativa inevitavelmente faz sombra à Cannes, que neste ano trouxe uma programação sem peso e premiou filmes de pouca repercussão. Veneza já é o mais hollywoodiano dos festivais europeus, graças à recente tradição de exibir as premières mundiais dos futuros vencedores do Oscar, situação que culminou no ano passado com a vitória de “A Forma da Água”, de Guillermo del Torno, meses antes de ser consagrado pela Academia em Los Angeles – o que também foi uma volta olímpica sobre Toronto, que premiou “Três Anúncios para um Crime”. O fato de ser o festival de cinema mais antigo do mundo, que por sinal completa 75 anos, não torna Veneza antiquado. Ao contrário, só aumenta seu status, ecoando uma seleção repleta de estrelas do universo cinéfilo em 2018, que será aberta pela première mundial de “O Primeiro Homem”, do diretor Damien Chazelle (“La La Land”), sobre a viagem de Neil Armstrong (Ryan Gosling) à Lua. Outros filmes badalados da programação incluem o musical “Nasce Uma Estrela”, dirigido e estrelado por Bradley Cooper (“Sniper Americano) e com participação de Lady Gaga, “Shadow”, do mestre chinês Zhang Yimou (“O Clã das Adagas Voadoras”), “Suspiria”, remake do clássico de terror realizado por Luca Guadagnino (“Me Chame Pelo Seu Nome”), “Dragged Across Concrete”, em que S. Craig Zahler (“Confronto no Pavilhão 99″) dirige Mel Gibson, sem esquecer obras de cineastas renomados como Mike Leigh (“Peterloo”), Amos Gitai (“A Tramway in Jerusalem” e “A Letter To A Friend In Gaza”), Emir Kusturica (“El Pepe, Una Vida Suprema”), Jacques Audiard (“The Sisters Brothers”), Yorgos Lanthimose (“The Favorite”), Julian Schnabel (“At Eternity’s Gate”) e Sergei Loznitsa (“Process”). Por outro lado, pelo segundo ano seguido, apenas um dos 21 filmes selecionados para a competição principal é dirigido por uma mulher: “The Nightingale”, faroeste da australiana Jennifer Kent (“O Babadook”). A relação completa também inclui três produções brasileiras nas mostras paralelas: “Deslembro”, de Flavia Castro, na mostra Horizontes, “Domingo”, de Clara Linhart e Fellipe Barbosa, na Venice Days, e “Humberto Mauro”, de André di Mauro na Venice Classic Documentary. O principal evento de cinema da Itália acontece entre os dias 19 de agosto e 8 de setembro, e terá Guillermo Del Toro como presidente do júri responsável por premiar o vencedor do Leão do Ouro. Confira abaixo a lista das obras anunciadas. COMPETIÇÃO OFICIAL O Primeiro Homem, de Damien Chazelle The Mountain, de Rick Alverson Doubles Vies, de Olivier Assayas The Sisters Brothers, de Jacques Audiard The Ballad Of Buster Scruggs, de Ethan Coen, Joel Coen Vox Lux, de Brady Corbet 22 July, de Paul Greengrass Roma, de Alfonso Cuaron Suspiria, de Luca Guadagnino Werk Ohne Autor, de Florian Henckel Von Donnersmarck The Nightingale, de Jennifer Kent The Favourite, de Yorgos Lanthimos Peterloo, de Mike Leigh Capri-Revolution, de Mario Martone What You Gonna Do When The World’s On Fire?, de Roberto Minervini Sunset, de Laszlo Nemes Frères Ennemis, de David Oelhoffen Nuestro Tiempo, de Carlos Reygadas At Eternity’s Gate, de Julian Schnabel Acusada, de Gonzalo Tobal Killing, de Shinya Tsukamoto FORA DE COMPETIÇÃO – FICÇÃO Nasce Uma Estrela, de Bradley Cooper Mi Obra Maestra, de Gaston Duprat Un Peuple Et Son Roi, de Pierre Schoeller A Tramway In Jerusalem, de Amos Gitai La Quietud, de Pablo Trapero Shadow, de Zhang Yimou Dragged Across Concrete, de S Craig Zahler EVENTOS ESPECIAIS The Other Side Of The Wind, de Orson Welles They’ll Love Me When I’m Dead, de Morgan Neville EXIBIÇÕES ESPECIAIS L’Amica Geniale, de Saverio Costanza Il Diario Di Angela – Noi Due Cineasti, de Yervant Gianikian FORA DE COMPETIÇÃO – NÃO-FICÇÃO A Letter To A Friend In Gaza, de Amos Gitai Aquarela, de Victor Kossakovsky El Pepe, Una Vida Suprema, de Emir Kusturica Process, de Sergei Loznitsa Carmine Street Guitars, de Ron Mann Isis, Tomorrow. The Lost Souls Of Mosul., de Francesca Mannocchi, Alessio Romenzi American Dharma, de Errol Morris Introduzione All’Oscuro, de Gaston Solnicki Your Face, de Tsai Ming-Liang 1938 Diversi, de Giorgi Treves Monrovia, Indiana, de Frederick Wiseman Una Storia Senza Nome, de Roberto Ando Les Estivants, de Valeria Bruni Tedeschi MOSTRA HORIZONTES Sulla Mia Pelle, de Alessio Cremonini Manta Ray, de Phuttiphong Aroonpheng Soni, de Ivan Ayr The River, de Emir Baigazin La Noche De 12 Anos, de Alvaro Brechner Deslembro, de Flavia Castro The Announcement, de Mahmut Fazil Coskun Un Giorno All’Improvviso, de Ciro D’Emilio Charlie Says, de Mary Harron Amanda, de Mikhael Hers The Day I Lost My Shadow, de Soudade Kaadan L’Enkas, de Sarah Marx The Man Who Surprised Everyone, de Natasha Merkulova, Aleksy Chupov Memories Of My Body, de Garin Nugroho As I Lay Dying, de Mostafa Sayyari La Profezia Dell’Armadillo, de Emanuele Scaringi Tel Aviv On Fire, de Sameh Zoabi Jinpa, de Pema Tseden Stripped, de Yaron Shani










