Coringa faz História e vence o Festival de Veneza 2019



“Coringa”, de Todd Phillips, venceu o Leão de Ouro do Festival de Veneza 2019. E fez História na tarde deste sábado (7/9).

Pela primeira vez, uma adaptação de quadrinhos de super-herói (ou supervilão) foi considerada melhor que produções do chamado cinema de arte num festival internacional de cinema. A vitória eleva o status do gênero e ajuda a eliminar o estigma que ainda impede produções baseadas em quadrinhos de ganhar maior reconhecimento da crítica e nas premiações de Hollywood. O filme de Todd Phillips, inclusive, sai de Veneza com indicação praticamente assegurada no Oscar 2020.

Nos últimos anos, os vencedores de Veneza acabaram consagrados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, culminando na coincidência da edição retrasada, em que “A Forma da Água”, de Guillermo del Toro, colecionou as duas estatuetas douradas: o Leão de Ouro e o Oscar. Em 2018, o vencedor de Veneza foi “Roma”, que conquistou quatro Oscars.

Ao receber o prêmio, Phillips agradeceu à “Warner Bros. e DC por sair de sua zona de conforto e fazer uma aposta tão ousada em mim e neste filme”. Ele também agradeceu ao intérprete do Coringa por sua performance. “Não haveria este filme sem Joaquin Phoenix. Joaquin é o leão mais feroz, mais brilhante e mais aberto que eu conheço. Obrigado por confiar em mim com seu talento insano.”

Outra vitória que chamou atenção foi o reconhecimento a “An Officer and a Spy” (J’accuse). O filme do polêmico cineasta francês Roman Polanski venceu o Prêmio de Júri, equivalente ao segundo melhor filme do festival. A inclusão do longa no evento havia gerado protestos, devido à condenação de Polanski, nos anos 1970, por abuso sexual de menor.

O sueco Roy Andersson recebeu o Leão de Prata pela direção de “About Endlessness”. Ele já tinha vencido o Leão de Ouro em 2014, por “Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência”.

Já a Copa Volpi ficou com a francesa Ariane Ascaride (por “Gloria Mundi”) e o italiano Luca Marinelli (“Martin Eden”), respectivamente Melhor Atriz e Melhor Ator do festival.

Confira abaixo a lista completa dos prêmios oficiais do Festival de Veneza 2019, que ainda destaca dois brasileiros. Saiba mais sobre a premiação do documentário “Babenco: Alguém tem que Ouvir o Coração e Dizer Parou” aqui e sobre o curta animado “A Linha” aqui.

MOSTRA COMPETITIVA

Leão de Ouro – Melhor Filme
Coringa (Todd Phillips)

Leão de Prata – Grande Prêmio do Júri
An Officer and a Spy – J’Accuse (Roman Polanski)

Leão de Prata – Melhor Diretor
Roy Andersson (About Endlessness)

Melhor Atriz
Ariane Ascaride (Gloria Mundi)

Melhor Ator
Luca Marinelli (Martin Eden)

Melhor Roteiro
Yonfan (No.7 Cherry Lane)

Prêmio Especial do Júri
La Mafia non è Piú Quella Di Una Volta (Franco Maresco)

Prêmio Marcello Mastroianni de Revelação
Toby Wallace (Babyteeth)


MOSTRA HORIZONTES

Melhor Filme
Atlantis (Valentyn Vasyanovych)

Melhor Diretor
Théo Court (Blanco en Blanco)

Melhor Ator
Sami Bouajila (A Son)

Melhor Atriz
Marta Nieto (Madre)

Melhor Roteiro
Revenir (Jessica Palud, Philippe Lioret, Diastème)

Melhor Curta-Metragem
Darling (Saim Sadiq)

Prêmio Especial do Júri
Verdict (Raymund Ribay Gutierrez)

REALIDADE VIRTUAL

Melhor História em Realidade Virtual
Daughters of Chibok (Joel Kachi Benson)

Melhor Experiência em Realidade Virtual
A Linha (Ricardo Laganaro)

Melhor Realidade Virtual
The Key (Céline Tricart)

OPERA PRIMA

Melhor Primeiro Filme
You Will Die at 20 (Amjad Abu Alala)

CLÁSSICOS DE VENEZA

Melhor Documentário
Babenco, Alguém tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou (Bárbara Paz)

Melhor Filme Restaurado
Extase (Gustav Machatý)



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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