Annette: Ópera rock com Adam Driver e Marion Cotillard ganha novo trailer
A Amazon divulgou a versão americana do trailer de “Annette”, filme de Leos Carax (“Os Amantes de Pont Neuf”) que vai abrir o Festival de Cannes neste ano. A prévia destaca o estilo surreal do cineasta francês em cenas de visual impactante e interpretação exagerada dos protagonistas Adam Driver (“Star Wars: A Ascensão Skywalker”) e Marion Cotillard (“Aliados”). “Annette” é o primeiro filme falado em inglês de Carax, que retornará a Cannes nove anos depois de apresentar “Holy Motors” no festival. Originalmente concebida como uma ópera rock pela banda Sparks, que assina a trilha sonora original, a trama acompanha um ator de “stand up” e uma cantora da fama internacional, que formam um casal cercado de glamour. Mas o nascimento de sua primeira filha, Annette, uma “menina misteriosa com um destino excepcional” altera o rumo de suas vidas. O mais famoso festival de cinema do mundo, que habitualmente acontece em maio, este ano foi adiado devido à pandemia para o mês de julho. A exibição de “Annette” vai abrir o evento daqui a duas semanas, no próximo dia 6.
Spike Lee ilustra o cartaz do Festival de Cannes de 2021
A organização do Festival de Cannes divulgou o pôster de sua 74ª edição. Geralmente marcado por cenas clássicas do cinema, o cartaz deste ano destaca o diretor Spike Lee, que é o presidente do júri que dará a Palma de Ouro ao melhor filme do festival. O diretor de “Infiltrado na Klan” e “Destacamento Blood” tinha sido escolhido para presidir o júri do ano passado, mas a edição de 2020 foi cancelada por causa do coronavírus. Por conta disso, ele acabou reconfirmado neste ano e virou um dos destaques do evento. Mas a imagem usada no cartaz, curiosamente, não tem nenhuma relação com o cinema. A foto que serviu de base para o pôster foi feita por Bob Peterson originalmente para uma campanha publicitária da marca esportiva Nike. Spike Lee é o primeiro artista preto a ocupar a presidência do júri do festival francês. Ele terá a tarefa de suceder o diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, que presidiu a premiação com louvor em 2019, apresentando ao mundo “Parasita”, do sul-coreano Bong Joon Ho, vencedor da Palma de Ouro em 2019 e, posteriormente, do Oscar em 2020. Un regard curieux sur le 7e art, le décor cannois en toile de fond 🌴 : Spike Lee à l'honneur sur l'affiche officielle de #Cannes2021 ! 📸Photo de Spike Lee avec l’autorisation de Bob Peterson & Nike © Tous droits réservés / Graphisme © Hartland Villa► https://t.co/GBfCgNlzhj pic.twitter.com/35owKjJhcx — Festival de Cannes (@Festival_Cannes) June 17, 2021
Dois curtas brasileiros são selecionados para o Festival de Cannes
A organização do Festival de Cannes selecionou os curta-metragens brasileiros “Sideral”, de Carlos Segundo, e “Céu de Agosto”, de Jasmin Tenucci, para a disputa da Palma de Ouro da categoria Produção do Rio Grande do Norte, “Sideral” contou com ajuda financeira da Lei Aldir Blanc, solução encontrada pelo Congresso para apoiar parcialmente projetos paralisados pela inoperância da Ancine sob o governo Bolsonaro, enquanto “Céu de Agosto” teve première no Festival de Tiradentes deste ano. Ao todo, 3739 curtas foram assistidos pelo comitê de seleção, e apenas dez concorrerão ao prêmio. Entre os demais selecionados, a competição contará pela primeira vez com obras de Kosovo e Macedônia – além de representantes da Dinamarca, China, França, Hong Kong, Irã e Portugal. A 74ª edição do Festival de Cannes será realizada de 6 a 17 de julho.
Netflix vai lançar novo filme de Jane Campion no Festival de Veneza
Com a briga entre a Netflix e o Festival de Cannes, o novo filme da cineasta neozelandesa Jane Campion, que já venceu a Palma de Ouro por “O Piano” (1993), será lançado no Festival de Veneza. A Netflix fechou a première mundial com os organizadores do evento italiano, que por sinal tem sido palco para os principais filmes premiados no Oscar nos últimos anos. Intitulado “The Power of the Dog”, o filme de Jane Campion é estrelado por Benedict Cumberbatch (“Dr. Estranho”) e o casal da vida real Kirsten Dunst (“Melancolia”) e Jesse Plemons (“Judas e o Messias Negro”). A trama adapta o romance homônimo de Thomas Savage sobre o relacionamento complicado entre dois irmãos, Phil (Cumberbatch) e George Burbank (Plemons). Quando George se casa secretamente com uma viúva (Dunst), seu irmão trava uma guerra implacável para destrui-la. O problema da Netflix com Cannes é que o festival aceitou a pressão dos exibidores franceses, após incluir filmes da plataforma na competição de 2017, e passou a proibir lançamentos de streaming na disputa da Palma de Ouro. Mesmo após o Oscar e vários outros festivais fazerem concessões ao streaming durante a pandemia, Cannes se mantém irredutível, falando em “regras” que não considerava até a pressão de 2017. A única forma de a Netflix exibir seus filmes no evento francês seria incluí-los em exibições especiais, fora de competição, mas a plataforma acha isso uma desfeita, afirmando que desprestigiaria seus cineastas. Em vez de aceitar o tratamento de marginalização em Cannes, prefere uma aliança com Veneza, que está se fortalecendo com essa briga. Mas não fica nisso. A Netflix já demonstrou que é vingativa, ao comprar os direitos de vários filmes premiados em Cannes para impedi-los de chegar aos cinemas e exibi-los como lançamentos de streaming, ridicularizando as tais regras do festival.
Mostra do Festival de Cannes seleciona filme brasileiro
A Quinzena dos Realizadores, mostra paralela do Festival de Cannes, anunciou sua seleção para a edição deste ano com a participação de um filme brasileiro: “Medusa”, dirigido por Anita Rocha da Silveira. “Medusa” é o segundo longa da diretora, que lançou “Mate-me Por Favor” em 2015, após alguns curtas criativos de temática de terror. O longa de estreia ganhou o prêmio de Melhor Direção no Festival do Rio, além de reconhecimento em vários festivais internacionais. O novo trabalho aborda a pressão da sociedade para que as mulheres sejam perfeitas. Na trama, uma jovem obcecada por controlar cada aspecto de sua vida tem um dia em que “a vontade de gritar será maior do que ela é capaz de suportar”, segundo a sinopse. O título remete ao mito grego da Medusa, uma sacerdotisa que foi punida pela deusa Atena por ceder aos avanços sexuais de Poseidon, ganhando cabelos de serpente e um olhar capaz de transformar todos que a vissem em pedra. “Ela foi punida por sua sexualidade, por ser ‘impura’. Isso me traz ao Brasil contemporâneo, onde vemos o retorno de um modelo de mulher delicada e submissiva – com a taxa de feminicídios subindo, a violência contra as mulheres, muitas vezes usada como forma de controle, é continuamente reiterada”, descreveu a diretora na página do filme no Torino Film Lab. O Festival de Cannes 2021 acontece entre 7 e 17 de julho na França.
“Velozes e Furiosos 9” será exibido no Festival de Cannes
O Festival de Cannes vai exibir uma sessão especial de “Velozes e Furiosos 9”. O evento francês acontecerá neste ano de 6 a 17 de julho, várias semanas depois da data prevista para a chegada do blockbuster aos cinemas dos EUA, 25 de junho. Para demonstrar que a sessão definitivamente não é uma première, o filme já está faturando milhões nas bilheterias da China e de vários outros países desde 19 de maio. A sessão especial, logicamente fora da competição, contará com a presença do elenco, formado por Vin Diesel, John Cena, Charlize Theron, Helen Mirren, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Ludacris, Michelle Rodriguez e outros. Até Anitta faz parte da produção, como cantora de “Furiosa”, uma das principais músicas da trilha sonora. Apesar de ser conhecido como palco de lançamento de filmes autorais e de qualidade artística, não é de hoje que Cannes faz concessões ao cinema comercial. Títulos das franquias “Kung Fu Panda”, “Shrek”, “Star Wars” e “X-Men” também foram exibidos anteriormente no festival. No Brasil, a estreia de “Velozes e Furiosos 9” está programada para 24 de junho.
Seleção do Festival de Cannes barra Netflix em plena pandemia
A organização do Festival de Cannes anunciou nesta quarta (3/5) os 24 filmes que vão disputar a Palma de Ouro em 2021. E a lista chama atenção por expressar a continuidade do boicote do evento à Netflix. Em plena pandemia, o festival francês manteve seu veto aos filmes de streaming, embora toda a indústria cinematográfica, incluindo o Oscar, e festivais rivais de igual prestígio tenham aberto suas portas às formas alternativas de exibições cinematográficas. Embora seja resultado de pressão dos exibidores franceses, a postura está sendo chamada abertamente de “elitista” por seu preciosismo, que contrasta com a realidade do coronavírus. A situação levou o chefe do festival, Thierry Fremaux, a ter que se justificar, citando “regras” da competição – de novo, até o Oscar mudou suas regras durante a pandemia. Ele também reiterou convite para a Netflix apresentar seus filmes fora de competição no festival, uma condição que a plataforma já recusou anteriormente, por considerar desrespeitoso com os cineastas de seus filmes. “O festival tem uma regra que estabelece que os filmes em competição devem ter um lançamento cinematográfico local”, disse Fremaux, citando o impasse. “A Netflix deseja ter seus filmes em competição e em sua plataforma.” Por conta disso, o próprio diretor do festival revelou que “havia dois filmes potenciais” de sua seleção que agora “podem ir para outros festivais”. “Lamentamos não ter sido possível negociar sua presença fora da competição”, acrescentou. Ao vetar a Netflix, Cannes deixou de fora os novos filmes da neozelandesa Jane Campion (“O Piano”) e do italiano Paolo Sorrentino (“A Grande Beleza”). No caso de Campion, a perda é especialmente sentida porque a competição deste ano tem menos cineastas femininas (apenas 4, contra 20 homens) que outros festivais. Já os filmes selecionados destacam “A Crônica Francesa” (The French Dispatch), de Wes Anderson, que segue a linha de “O Grande Hotel Budapeste” e reúne um grande elenco para viver repórteres de um jornal francês de expatriados, e “Benedetta”, drama erótico do veterano diretor holandês Paul Verhoeven (de “Instinto Selvagem”) sobre uma freira do século 17 que sofre com visões místicas e tentação sexual. Ambos deveriam integrar a edição do ano passado, que acabou cancelada devido à pandemia. Além deles, outros títulos com première mundial em Cannes incluem os novos trabalhos do americano Sean Penn (“Na Natureza Selvagem”), do italiano Nanni Moretti (“O Quarto do Filho”), do iraniano Asghar Farhadi (“A Separação”), do russo Kirill Serebrennikov (“O Estudante”), do dinamarquês Joachim Trier (“Mais Forte que Bombas”), do tailandês Apichatpong Weerasethakul (“Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas”), do australiano Justin Kurzel (“Macbeth: Ambição e Guerra”) e dos franceses François Ozon (“Frantz”), Jacques Audiard (“Ferrugem e Osso”), Bruno Dumont (“Camille Claudel 1915”), Mia Hansen-Love (“Eden”) e Leos Carax (“Holy Motors”). O evento será aberto com a projeção de “Annette”, um musical de Carax, estrelado por Adam Driver, Marion Cotillard e com trilha da banda de rock Sparks. Entre os títulos previstos para exibição fora da competição, Oliver Stone traz à Croisette uma versão retrabalhada de “JFK – A Pergunta que Não Quer Calar”, de 1991, com cenas inéditas, o cineasta Todd Haynes (“Carol”) apresenta seu documentário sobre a banda The Velvet Underground e a atriz Charlotte Gainsbourg (“Ninfomaníaca”) estreia na direção com um documentário sobre sua mãe, a icônica estrela de cinema Jane Birkin (“A Bela Intrigante”). Também nas sessões especiais haverá a projeção do único filme dirigido por brasileiro na programação, “O Marinheiro das Montanhas”, de Karim Ainouz (“A Vida Invisível”). O evento francês vai acontecer neste ano de 6 a 17 de julho, dois meses mais tarde que sua data tradicional, e também prestará uma homenagem à atriz e diretora Jodie Foster (“O Silêncio dos Inocentes”) com uma Palma de Ouro honorária pelas realizações de sua carreira. Confira abaixo a lista dos filmes que disputarão a Palma de Ouro oficial diante do júri presidido pelo cineasta Spike Lee (“Infiltrado na Klan”), as obras da principal mostra paralela e as sessões especiais, fora da competição de Cannes. COMPETIÇÃO “Annette”, de Leos Carax “Flag Day”, de Sean Penn “Tout S’est Bien Passé”, de François Ozon “A Hero”, de Asghar Farhadi “Tre Piani”, de Nanni Moretti “Titane”, de Julia Ducournau “A Crônica Francesa”, de Wes Anderson “Red Rocket”, de Sean Baker “Petrov’s Flu”, de Kirill Serebrennikov “France”, de Bruno Dumont “Nitram”, de Justin Kurzel “Memoria”, de Apichatpong Weerasethakul “Les Olympiades”, de Jacques Audiard “Benedetta”, de Paul Verhoeven “La Fracture”, de Catherine Corsini “The Restless”, de Joachim Lafosse “Lingui”, de Mahamat-Saleh Haroun “The Worst Person In The World”, de Joachim Trier “Bergman Island”, de Mia Hansen-Love “Drive My Car”, de Ryusuke Hamaguchi “Ahed’s Knee”, de Nadav Lapid “Casablanca Beats”, de Nabil Ayouch “Compartment No. 6”, de Juho Kuosmanen “The Story Of My Wife”, de Ildiko Enyedi FORA DE COMPETIÇÃO “De Son Vivant”, de Emmanuelle Bercot “Stillwater”, de Tom McCarthy “The Velvet Underground”, de Todd Haynes “Bac Nord”, de Cédric Jiminez “Aline”, de Valérie Lemercier “Emergency Declaration”, de Han Jae-Rim SESSÃO DA MEIA-NOITE “Bloody Oranges”, de Jean-Christophe Meurisse CANNES PREMIERES “Evolution”, de Kornel Mundruczo “Cow”, de Andrea Arnold “Mothering Sunday”, de Eva Husson “Love Songs For Tough Guys”, de Samuel Benchetrit “In Front Of Your Face”, de Hong Sang-soo “Hold Me Tight”, de Mathieu Amalric “Deception”, de Arnaud Desplechin “Val”, dirs: Ting Poo”, Leo Scott “JFK Revisited: Through The Looking Glass”, de Oliver Stone *”Jane By Charlotte”, de Charlotte Gainsbourg SESSÕES ESPECIAIS *”H6″, de Yi Yi “Black Notebooks”, de Shlomi Elkabetz “O Marinheiro das Montanhas”, de Karim Ainouz “Babi Yar. Context”, de Sergei Loznitsa “The Year Of The Everlasting Storm”, de Jafar Panahi, Anthony Chen, Malik Vitthal, Laura Poitras, Dominga Sotomayor, David Lowery, Apichatpong Weerasethakul MOSTRA UM CERTO OLHAR (UN CERTAIN REGARD) “The Innocents”, de Eskil Vogt “After Yang”, de Kogonada “Delo”, de Alexey German Jr “Bonne Mere”, de Hafsia Herzi “Noche De Fuego”, de Tatiana Huezo *”Lamb”, de Vladimar Johansson *”Un Monde”, de Laura Wandel *”Freda”, de Gessica Généus *”Moneyboys”, de CB Yi “Blue Bayou”, de Justin Chon “Commitment Hasan”, de Hasan Semih Kaplanoglu “Rehana Maryam Noor”, de Abdullah Mohammad Saad “Let There Be Morning”, de Eran Kolirin “Unclenching The Fists”, de Kira Kovalenko *”La Civil”, de Ana Mihai “Women Do Cry”, de Mina Mileva”, Vesela Kazakova Os filmes identificados com * são de diretores estreantes e por isso concorrem ao prêmio especial Câmera de Ouro (Camera d’Or) do festival.
Jodie Foster será homenageada pelo Festival de Cannes
A atriz e diretora americana Jodie Foster vai receber a Palma de Ouro honorária pelas realizações de sua carreira no próximo Festival de Cannes. A homenagem também vai marcar 45 anos de sua primeira participação no evento, como a mais jovem integrante do elenco de “Taxi Driver”. O filme de Martin Scorsese acabou vencendo a Palma de Ouro em 1976. “Cannes é um festival ao qual devo muito, mudou completamente a minha vida. Minha primeira vez na Croisette foi um momento decisivo para mim. Exibir um dos meus filmes aqui sempre é um sonho meu”, disse Foster em comunicado sobre a homenagem. “Estou lisonjeado por Cannes ter pensado em mim e estou muito honrada em poder compartilhar algumas palavras de sabedoria ou contar uma ou duas aventuras com uma nova geração de cineastas”, acrescentou. Além de encantar Cannes, Jodie Foster foi indicada ao Oscar por “Taxi Driver”, sua primeira nomeação aos 13 anos de idade. Mais tarde, ela acabou vencendo dois Oscars, por “Acusados” (1988) e “O Silêncio dos Inocentes” (1992). Com quase 50 filmes como atriz, desde 1991 ela também se tornou uma diretora admirada. A Palma de Ouro honorária já foi concedida em edições anteriores a artistas como Woody Allen, Clint Eastwood e Jane Fonda. O festival vai acontecer neste ano de 6 a 17 de julho, dois meses mais tarde que sua data tradicional, após ter sido cancelado em 2020 devido à pandemia de coronavírus.
Benedetta: Nova polêmica de Paul Verhoeven ganha primeiro trailer
O cineasta Paul Verhoeven, que nunca foi acusado de timidez, mergulha com tudo na “nunsploitation”, o subgênero trash dos filmes de freiras lésbicas e vítimas de sadismo, em seu mais recente filme. Selecionado para o Festival de Cannes deste ano, “Benedetta” ganhou pôster e seu primeiro trailer. A prévia avisa que a produção é baseada em história real. A trama se passa no final do século 15, enquanto a peste assola a Europa, e Benedetta Carlini ingressa no convento de Pescia, na região italiana da Toscana, como uma noviça que desde muito cedo parece fazer milagres. Seu impacto na vida da comunidade é imediato e chama atenção do Vaticano. Mas logo sua pureza é confrontada pela chegada de uma jovem tentadora ao convento, que decide seduzi-la. Com roteiro de David Birke, que volta a trabalhar com Verhoeven após a parceria em “Elle” (2016), o filme adapta o livro “Atos Impuros: A Vida de uma Freira Lésbica na Itália da Renascença”, da historiadora Judith C. Brown. A história, que mistura religião com erotismo e polêmica, se encaixa perfeitamente na filmografia do diretor holandês de “Louca Paixão” (1973), “Conquista Sangrenta” (1985), “Instinto Selvagem” (1992) e “Showgirls” (2005). “Benetta” também é a segunda produção de Verhoeven falada em francês, justamente após “Elle”, seu filme mais recente. O elenco inclui Virginie Efira (“Elle”), Daphné Patakia (“Versailles”), Charlotte Rampling (“45 Anos”), Lambert Wilson (“Homens e Deuses”) e Olivier Rabourdin (“Busca Implacável”). A estreia vai acontecer em 9 de julho na França, após a première no Festival de Cannes.
Novos filmes de Wes Anderson e Paul Verhoeven são confirmados em Cannes
Os novos filmes de Wes Anderson e Paul Verhoeven, “A Crônica Francesa” (The French Dispatch) e “Benedetta”, foram confirmados na programação do Festival de Cannes 2021. Segundo o presidente do festival, Thierry Frémaux, eles faziam parte da seleção do ano passado, que foi cancelada pela pandemia de coronavírus, mas como ainda não foram exibidos em nenhum lugar, tiveram suas premières mundiais agendadas para o evento deste ano. “A Crônica Francesa” tem estrutura de antologia e gira em torno da apuração de jornalistas para um jornal francês de expatriados. A fotografia em tons pastéis, a proporção de tela pré-widescreen, o figurino de época (anos 1960) e a cenografia minunciosamente detalhista aproxima a obra especialmente de “O Grande Hotel Budapeste” (2014), filme live-action anterior de Anderson, que também se passava na Europa de antigamente. O elenco estelar inclui diversos integrantes da trupe que acompanha Anderson na maioria de seus projetos, formada por Bill Murray, Owen Wilson, Jason Schwartzman, Adrien Brody, Willem Dafoe, Tilda Swinton, Edward Norton, Bob Balaban, Anjelica Huston, Frances McDormand, os “novatos” Tony Revolori, Saoirse Ronan, Léa Seydoux, Mathieu Amalric, Fisher Stevens (que entraram na turma em “O Grande Hotel Budapeste”) e Liev Schreiber (em “Ilha dos Cachorros”). Mas também há diversos estreantes no universo do diretor: Timothée Chalamet (“Me Chame pelo Seu Nome”), Benicio Del Toro (“Sicario”), Christoph Waltz (“Django Livre”), Jeffrey Wright (“Westworld”), Elisabeth Moss (“The Handmaid’s Tale”), Lyna Khoudri (“Papicha”), Cécile de France (“O Garoto da Bicicleta”), Rupert Friend (“Homeland”), Alex Lawther (“The End of the F***ing World”), Henry Winkler (“Barry”), Lois Smith (“Lady Bird”), Griffin Dunne (“This Is Us”), Guillaume Gallienne (“Yves Saint Laurent”), Stephen Park (“O Expresso do Amanhã”), Hippolyte Girardot (“Amar, Beber e Cantar”) e até Morgane Polanski (“Vikings”), filha do cineasta Roman Polanski. “Benedetta”, por sua vez, é um drama erótico do veterano diretor holandês de “Instinto Selvagem” sobre uma freira do século 17 que sofre com perturbadoras visões religiosas. O elenco destaca Virginie Efira (“Elle”), Charlotte Rampling (“Ninfomaníaca”) e Lambert Wilson (“A Odisseia de Jacques”). Os dois longas se juntam a “Annette”, ópera rock de Leos Carax, com músicas da banda Sparks e estrelada por Adam Driver (“Star Wars: A Ascensão Skywalker”) e Marion Cotillard (“Aliados”), que foi anunciado na segunda-feira (19/4) como filme de abertura do festival. O mais famoso festival de cinema do mundo, que habitualmente acontece em maio, este ano foi adiado devido à pandemia e será realizado entre os dias 6 e 17 de julho na Riviera Francesa.
“Ópera rock” com Adam Driver e Marion Cotillard vai abrir Cannes. Veja o trailer
A organização do Festival de Cannes revelou nesta segunda-feira (19/4) que o evento de 2021 será aberto com a exibição de “Annette”, dirigido por Leos Carax (“Os Amantes de Pont Neuf”) e protagonizado por Adam Driver (“Star Wars: A Ascensão Skywalker”) e Marion Cotillard (“Aliados”). De carona no anúncio, a UGC Distribution aproveitou para divulgar o primeiro trailer da produção, que destaca a seleção de Cannes e o estilo reconhecidamente surreal do cineasta francês. “Annette” é o primeiro filme falado em inglês de Carax, que retornará a Cannes nove anos depois de apresentar “Holy Motors” no festival. O filme foi originalmente concebido como uma ópera rock pela banda Sparks, que assina a trilha sonora original. A trama acompanha um ator de “stand up” e uma cantora da fama internacional, que formam um casal cercado de glamour. Mas o nascimento de sua primeira filha, Annette, uma “menina misteriosa com um destino excepcional” altera o rumo de suas vidas. O mais famoso festival de cinema do mundo, que habitualmente acontece em maio, este ano foi adiado devido à pandemia para o mês de julho. A abertura foi marcada para o dia 6 e o encerramento será em 17 de julho.
Mari Törőcsik (1935–2021)
Mari Törőcsik, uma das atrizes mais célebres da Hungria, vencedora do prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes e estrela de dois filmes indicados ao Oscar, morreu na sexta-feira (16/4) em Budapeste após uma longa enfermidade. Ela tinha 85 anos. Törőcsik se destacou logo na estreia, “Carrossel do Amor” (1956), aos 20 anos de idade, como uma camponesa que se apaixona por um menino camponês contra a vontade de seu pai. O filme de Zoltán Fábri teve première no Festival de Cannes e chamou atenção da crítica francesa para o talento da jovem. Então jornalista, o futuro diretor François Truffaut chegou a escrever em sua crítica do filme: “sem que a artista de 20 anos soubesse, ela era a maior estrela do festival”. Três anos depois, ela foi premiada como Melhor Atriz no Festival de Karlovy Vary, o mais importante do Leste Europeu, por “Kölyök” (1959), de Mihály Szemes e Miklós Markos, tornando-se rapidamente uma das atrizes mais requisitadas de sua geração. Ela trabalhou com os principais mestres do cinema húngaro, como Miklós Jancsó, Márta Mészáros, István Gaál, István Szabó, Gyula Maár, Károly Makk e o próprio Zoltán Fábri, em várias ocasiões. Uma de suas muitas parcerias com Fábri, “Esta Rua é Nossa” (1968), disputou o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, assim como uma de suas colaborações com Makk, “Cat’s Play” (1974),igualmente indicado ao prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA Em 1971, ela recebeu uma Menção Especial do Júri do Festival de Cannes por seu desempenho em “O Amor” (1971), outro drama de Makk, e no ano seguinte voltou a conquistar o prêmio de interpretação em Karlovy Vary, por “Holt Vidék” (1972), de Gaál. Mas foi somente em 1976, 20 anos após debutar na Croisette, que ela conquistou o prestigioso troféu de Melhor Atriz de Cannes pelo desempenho como uma atriz de teatro envelhecida em “A Locsei Fehèr Asszony”, de Gyula Maár. A parceria com Maár ainda lhe rendeu o troféu de Melhor Atriz no Festival de Taormina no ano seguinte, por “Teketória” (1977). Ao longo do último meio século, foram mais de 100 papéis cinematográficos, a grande maioria no cinema húngaro, mas ela também contracenou com astros de Hollywood, em filmes como “Muito Mais que um Crime” (1989), de Costa-Gavras, filmado nos EUA com Jessica Lange, “Corações Covardes” (1990), coprodução italiana estrelada por Keith Carradine, Miranda Richardson e Kristin Scott Thomas, e o premiado sucesso internacional de István Szabó, “Sunshine – O Despertar de um Século” (1999), protagonizado por Ralph Fiennes. Seu último trabalho foi lançado no ano passado, “Psycho 60”, um curta experimental dedicado a recriar a cena do chuveiro de “Psicose” com 60 atrizes diferentes, uma para cada take, nos 60 anos de lançamento do clássico de Alfred Hitchcock.
Bertrand Tavernier (1941 – 2021)
O icônico cineasta Bertrand Tavernier, de filmes clássicos como “Um Sonho de Domingo” (1984) e “Por Volta da Meia-Noite” (1986), morreu nesta quinta (25/3) aos 79 anos, anunciou o Instituto Lumière, que ele presidia. A causa da morte não foi informada. Filho do escritor e combatente da resistência René Tavernier, Bertrand foi um dos principais e mais premiados diretores do cinema francês após a nouvelle vague. Seu interesse pela sétima arte começou em seus dias de estudante universitário na Sorbonne, quando entrevistou o diretor Jean-Pierre Melville. Ele acabou conseguindo trabalho como relações públicas da empresa que produziu o filme de Melville de 1962, “Técnica de um Delator”, e posteriormente se associou a um amigo para se tornar assessor de imprensa independente, trabalhando nos filmes que lhe interessavam, entre eles “O Desprezo” (1963), de Jean-Luc Godard. O trabalho evoluiu para a função de assistente de direção, que ele começou a exercer na Itália, fazendo sua estreia no trash “Maciste, O Gladiador de Esparta” (1964). No mesmo ano, debutou como diretor nas antologias românticas “Os Beijos” (1964) e “A Chance e o Amor” (1964). Entretanto, seu primeiro longa individual só saiu uma década depois, o complexo filme de mistério “O Relojoeiro” (1974), que venceu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Berlim. Com os dois filmes seguintes, “Que a Festa Comece” (1975) e “O Juiz e o Assassino” (1976), chamou atenção da Academia Francesa de Cinema, vencendo consecutivamente dois prêmios César (o Oscar francês) como roteirista. Ao experimentar a ficção científica com “A Morte ao Vivo” (1980), antecipou em décadas a febre por reality shows que transformou o “Big Brother” num fenômeno. Cultuadíssimo, o filme também registrou um dos últimos papéis da estrela Romy Schneider, que morreu dois anos depois. O reconhecimento internacional veio com “A Lei de Quem Tem o Poder” (1981), indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. No filme, Philippe Noiret vivia um chefe de polícia de uma pequena cidade que decide a despachar os cidadãos indignos do lugar com sua arma. Seus filmes mais famosos vieram logo em seguida. Com “Um Sonho de Domingo” (1984), ambientado em uma casa de campo em 1912, venceu o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes. E embora não tenha sido agraciado por seu trabalho em “Por Volta da Meia-Noite” (1986), sua ode definitiva ao jazz é considerada um dos melhores filmes já feitos sobre o gênero musical. A obra rendeu um Oscar ao jazzista Herbie Hancock pela Trilha Sonora, além de indicação de Melhor Ator ao mítico saxofonista Dexter Gordon. A filmografia de Tavernier seguiu produzindo filmes espetaculares, como “A Vida e Nada Mais” (1989), vencedor do BAFTA (o Oscar inglês), e “O Regresso” (1990), mas foi só com “L.627 – Corrupção Policial” (1992), um thriller com registro quase documental sobre as atividades do dia-a-dia de um pequeno e mal equipado braço do Esquadrão Antidrogas de Paris, que ele venceu o troféu principal da França, o César de Melhor Filme, além do César de Melhor Direção. O reconhecimento nacional o levou à sua primeira grande aventura de época, “A Filha de D’Artagnan” (1994), estrelada pela jovem Sophie Marceau no auge de sua popularidade. Mas após este breve desvio comercial, o cineasta voltou com tudo em “A Isca” (1995), sobre crimes de menores, que venceu o Festival de Berlim, e “Capitão Conan” (1996), drama de guerra que lhe rendeu outro César de Melhor Direção. Em “Quando Tudo Começa” (1999), Tavernier seguiu um ano na vida do diretor de uma escola em uma região economicamente falida da França e venceu o Prêmio da Crítica no Festival de Berlim e o Prêmio do Público no Festival de San Sebastian. Ele seguiu frequentando festivais no século 21, mas sem causar o mesmo frisson. Seus últimos longas de ficção foram “Passaporte para a Vida” (2002), “Holy Lola” (2004), escrito por sua filha, “Às Margens de um Crime” (2009), “A Princesa de Montpensier” (2010) e “O Palácio Francês” (2013). Pelo derradeiro, ainda voltou a vencer o César de Melhor Roteiro. Depois disso, assinou o documentário “Viagem Através do Cinema Francês”, lançado em 2016 e transformado em minissérie no ano seguinte, dedicando-se a contar a história do cinema de seu país. Cinéfilo assumido, Tavernier adorava falar da história ao cinema. Ele escreveu um guia sobre a história de Hollywood, cuja primeira edição foi chamada de “20 Anos de Cinema Americano”, mas acabou expandida em reedições para “30 Anos…” e até “50 Anos de Cinema Americano”. Ele também publico um livro de entrevistas, chamado “American Friends”, com conversas que teve com John Ford, Robert Altman, Roger Corman e “muitos outros que não haviam sido entrevistados antes”, e se dedicou à preservação de filmes clássicos, movido tanto pelo desejo de defender o cinema independente francês como pela paixão pelo cinema americano do século 20. Em 2015, foi homenageado com um Leão de Ouro especial do Festival de Veneza, pelo conjunto da obra. Tavernier foi casado com a roteirista Claudine (Colo) O’Hagen de 1965 a 1980 e deixa dois filhos cineastas, Nils Tavernier, diretor e ator, e Tiffany Tavernier, romancista, roteirista e assistente de direção.











