Estreias: “O Homem do Norte” é o destaque das locadoras digitais
Os lançamentos das locadoras digitais superam as opções de assinatura para assistir em casa neste fim de semana. Enquanto a Netflix investe em melodramas sul-coreanos e plataformas rivais disponibilizam um catálogo já visto na TV, as principais novidades, como “O Homem do Norte” e o inédito nos cinemas “O Domingo das Mães”, chegam apenas em serviços de VOD (Video on Demand). Menos conhecida que opção de serviços por assinatura, a versão online das antigas videolocadoras não tem mensalidades. O público paga apenas o filme que deseja assistir – como nos velhos tempos da Blockbuster. E conta com novidades que estiveram recentemente em cartaz no circuito cinematográfico, além de produções premiadas em festivais internacionais – incluindo dramas LGBTQIAP+. O serviço é oferecido em plataformas como Apple TV, Google Play, Microsoft Store, Loja Prime e YouTube. Confira os lançamentos. | O HOMEM DO NORTE | CLARO TV+, VOD* O épico viking estrelado por Alexander Skarsgård (“Big Little Lies”) e Anya Taylor-Joy (“O Gambito da Rainha”) é um filme de vingança sangrento, com cenas de batalha apresentadas com violência extrema pelo diretor Robert Eggers, responsável pelos terrores “A Bruxa” (2015) e “O Farol” (2019) Em sua produção de maior orçamento e ambição, ele conta com um elenco grandioso, que ainda destaca Nicole Kidman (“Aquaman”), Ethan Hawke (“Cavaleiro da Lua”), Willem Dafoe (“O Farol”), Claes Bang (“Drácula”), Ralph Ineson (“A Bruxa”) e a cantora Bjork. Ambientada na Islândia na virada do século 10, a trama acompanha o filho de um rei, que na infância testemunha o assassinato do pai e passa anos esperando acertar as contas com o usurpador. Esse resumo sintetiza uma história presente em várias sagas nórdicas e que, como apurou Eggers, inspirou Shakespeare a escrever nada menos que a peça “Hamlet”. | O DOMINGO DAS MÃES | VOD* Diretora de clipes que chamou atenção com o filme de guerra “Filhas do Sol” (2018), a francesa Eva Husson faz sua estreia em inglês com um romance tórrido, passada em um dia quente da primavera de 1924. Na trama, a empregada doméstica e órfã Jane Fairchild se vê sozinha no Dia das Mães. Após seus patrões se ausentarem, ela tem a rara chance de passar um bom tempo com seu amante secreto, um rapaz da mansão vizinha, apaixonado por ela há muito tempo, apesar de estar noivo de outra mulher. Mas o amor proibido tem poucas chances de prosperar em meio a diferenças de classes e asfixia existencial do período. O melodrama é baseado no romance homônimo de Graham Swift (autor de “O Último Adeus”) e é registrado com um fotografia belíssima e um elenco afinado, encabeçado pela australiana Odessa Young (“A Escada”) e os britânicos Josh O’Connor (“The Crown”), Colin Firth (“Kingsman: O Círculo Dourado”) e Olivia Colman (“A Filha Perdida”). Bastante festejado pela imprensa inglesa, atingiu 78% de aprovação no Rotten Tomatoes. | ERA UMA VEZ… EM HOLLYWOOD | NETFLIX Um dos maiores sucessos comerciais da carreira de Quentin Tarantino chega no catálogo da Netflix, reunindo pela primeira vez no mesmo filme os astros Leonardo DiCaprio e Brad Pitt. Os dois já tinham trabalhado com o diretor em “Django Livre” e “Bastardos Inglórios”, respectivamente, mas nunca tinha contracenado. Eles vivem um ator em decadência e seu dublê de longa data, que veem Hollywood e o mundo mudar de forma radical em 1969, enquanto Sharon Tate, casada com o cineasta Roman Polanski – e vivida por Margot Robbie – passa a representar uma nova geração nos cinemas. Mas a felicidade dela não vai durar muito, pois o psicopata Charles Manson logo começa a aparecer em sua vizinhança. Tem muito mais gente famosa referenciada no filme de 2019, como Bruce Lee – numa cena que dividiu opiniões, mas agradou em cheio aos fãs do diretor, acostumados a seu estilo subversivo de cinema. Obrigatório para cinéfilos e também para quem busca apenas uma boa diversão, “Era uma Vez… em Hollywood” ainda consagrou Brad Pitt com seu primeiro Oscar de interpretação. | RISE | DISNEY+ Um dos filmes mais elogiados pela crítica dos EUA em 2022 (94% no Rotten Tomatoes), o drama esportivo é baseado na história real da família Antetokounmpo. A trama segue Charles Antetokounmpo e sua esposa Vera, após emigrarem da Nigéria para a Grécia, mostrando seus esforços para sustentar sua família sob a ameaça constante de deportação, enquanto buscam garantir a cidadania grega por meio de um sistema que “os bloqueou a cada passo”, de acordo com a sinopse do filme. Enquanto isso, seus filhos Giannis, Thanasis e Kostas começam a jogar basquete em um time juvenil local. Em pouco tempo, eles passam a chamar atenção. Muita atenção, a ponto de sua fama cruzar fronteiras e chegar à a liga de basquete profissional dos EUA. Convidados a jogar no país, eles se tornam o primeiro trio de irmãos a conquistar os campeonatos disputadíssimos da NBA – Giannis e Thanasis pelo Milwaukee Bucks e Kostas pelo Los Angeles Laker. A história real foi roteirizada por Arash Amel (“Perseguição Implacável”) como uma trama edificante de superação de dificuldades. A direção é do nigeriano Akin Omotoso, que já tinha feito outro drama esportivo bem-sucedido para a Disney: “Rainha de Katwe” (2016). | JESUS KID | VOD* Baseado no romance homônimo de Lourenço Mutarelli (“O Cheiro do Ralo”), o novo filme escrito e dirigido por Aly Muritiba (premiado no Festival de Veneza por “Deserto Particular”) registra o surto de um escritor de westerns de bolso, confinado num hotel e pressionado a criar rapidamente um roteiro cinematográfico sobre sua carreira frustrada. O roqueiro Paulo Miklos (“Manhãs de Setembro”) vive o protagonista, que, em crise de ansiedade, desenvolve paranoia aguda e passa a ver bandidos por toda a parte, além do herói de seus livros, o Jesus Kid do título, vivido por Sergio Marone (“Os Dez Mandamentos”). “Jesus Kid” teve sua première virtual no Festival de Gramado do ano passado, quando venceu os troféus de Melhor Direção, Roteiro e Ator Coadjuvante (Leandro Daniel, de “Sentença”). | ESPONTÂNEA | VOD* A comédia colegial de humor negro traz Katherine Langford (“13 Reasons Why” e “Cursed”) como uma estudante matriculada numa high school em que os alunos explodem – literalmente. Em paralelo a seu romance adolescente com o personagem de Charlie Plummer (“Tudo o Dinheiro do Mundo”), ela precisa lidar com o trauma de ter pedaços dos colegas nas roupas e de virar cobaia de cientistas que tentam encontrar a causa do fenômeno. Estreia na direção de Brian Duffield (roteirista de “Ameaça Profunda”), o filme adapta o best-seller homônimo de Aaron Starmer e ainda traz em seu elenco Piper Perabo (“Covert Affairs”) e Hayley Law (“Riverdale”). | PARIS, 13º DISTRITO | VIVO PLAY, VOD* Filmado em preto e branco pelo premiado cineasta Jacques Audiard (Palma de Ouro em Cannes por “Dheepan: O Refúgio”), a trama se passa no bairro parisiense de Les Olympiades (a maior “Chinatown” da Europa) e é um drama de encontros românticos. Emilie (Lucie Zhang) encontra Camille (Makita Samba), que se sente atraído por Nora (Noémie Merlant, de “Retrato de uma Jovem em Chamas”), que acaba cruzando com Amber (Jehnny Beth, de “Um Amor Impossível”). Três garotas e um garoto do novo milênio, que são amigos e às vezes amantes, e frequentemente as duas coisas. Os dois atores iniciantes do elenco, Zhang e Samba, foram indicados ao César (o Oscar francês) como Revelações do ano, e a trilha sonora do músico eletrônico Rone foi premiada no Festival de Cannes. | A VIDA SEM VOCÊ | VIVO PLAY, VOD* O drama romântico sueco aborda a dificuldade encontrada por um casal gay para lidar com o fim de seu relacionamento profundo. Enquanto um tenta seguir em frente, o outro se esforça para reatar. E ambos sofrem ao lembrar como foram felizes e perfeitos um para o outro, até tudo acabar. Em seu primeiro trabalho de ficção, o diretor David Färdmar lança mão de sua experiência como documentarista para registrar de forma realista e extraordinariamente honesta as dores de um rompimento, conjurando uma série de reações emocionais em cenas que despertam enorme empatia. | VITALINA VARELA | MUBI Mistura de documentário e ficção, o filme do premiado diretor português Pedro Costa (“Cavalo Dinheiro”) conta a história da mulher do título, nascida em Cabo Verde, que viu o marido ir embora para Lisboa em 1977, quando arranjou trabalho como pedreiro, e só foi conhecer Portugal recentemente quando ele morreu, para participar do enterro – que perdeu por chegar atrasada. O retrato de sua amargura chama atenção por ser lindamente fotografado, com cada frame assumindo aparência de pintura – visual reforçado pela predileção de filmagens noturnas e em ambientes internos de pouca luz, que conferem às cenas um visual expressionista. Venceu nada menos que 23 prêmios internacionais, inclusive o Sophia (o Oscar português) de 2020 nas categorias de Melhor Filme, Diretor, Atriz (a própria Vitalina Varela), Roteiro, Fotografia e Som (importante por ser um filme quase sem diálogos). | CAÇADOR DE TROLL | VOD* O cult que estava inédito em streaming finalmente chegou ao Brasil. Filmado como um falso documentário, acompanha três estudantes de cinema que investigam relatos de caça ilegal nas regiões ermas da Noruega, onde encontram um homem que diz matar trolls para o governo. Decididos a registrar sua caçada, eles encontram um terror que jamais imaginariam, mas o público pode discordar e achar que há mais gargalhadas que sustos nesse terrir famoso. Lançado em 2010, o filme norueguês venceu 10 prêmios internacionais, incluindo os prêmios do Público e do Júri do Festival Internacional de Cinema Fantástico de Neuchâtel. Graças à repercussão, o diretor André Øvredal iniciou uma bem-sucedida carreira em Hollywood e trabalhou até com Guillermo del Toro (vencedor do Oscar por “A Forma da Água”), dirigindo seu roteiro de “Histórias Assustadoras para Contar no Escuro” (2019). * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Google Play, Microsoft Store, Loja Prime e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.
“Minions 2” é a principal estreia de cinema
Os cinemas destacam a estreia de “Minions 2 – A Origem de Gru”, que chega às telas após vários adiamentos. A animação era originalmente esperada em julho de 2020 e seu lançamento após dois anos também encerra a lista das produções que foram atrasadas pela pandemia. Cercada de expectativas pelo sucesso dos filmes anteriores da franquia – o primeiro “Minions” e três “Meu Malvado Favorito” – a produção da Universal tem a maior distribuição desta quinta (30/6) e vai se tornar a principal opção infantil dos shoppings centers após a dificuldade enfrentada por “Lightyear” para emplacar. A programação se completa com quatro filmes nacionais. Confira os títulos, os trailers e mais detalhes a seguir. | MINIONS 2 – A ORIGEM DE GRU | A continuação de “Minions” conta o início da saga de Gru, que desde criança sonhava entrar num time de supervilões. Ao ser ridicularizado, ele decide provar que é criminoso ao roubar os próprios bandidos, o que dá início a uma perseguição e introduz a ajuda atrapalhada dos minions. A direção é Kyle Balda, que assinou os dois últimos filmes da franquia (“Minions” e “Meu Malvado Favorito 3”), e Brad Ableson (animador de “Os Simpsons”), que estreia no estúdio Illumination. Mas mesmo cedendo seu lugar atrás das câmeras, o diretor Pierre Coffin segue fazendo as vozes macarrônicas dos Minions. A propósito, o dublador nacional de Gru é ninguém menos que Leandro Hassum – enquanto Steve Carell (“The Office”) continua como a voz da versão original. | AS VERDADES | O novo suspense criminal estrelado por Lázaro Ramos (“O Silêncio da Chuva”) explora o chamado “efeito Rashômon” (de conflitos de versões). Ramos interpreta um policial que investiga o assassinato de um político (ZéCarlos Machado), candidato a prefeito de uma cidadezinha do sertão, que é encontrado atropelado numa região isolada. Mas cada suspeito tem uma versão diferente sobre quem matou, porque morreu e como aconteceu o assassinato. O elenco destaca Bianca Bin (“O Outro Lado do Paraíso”), Drica Moraes (“Sob Pressão”) e Thomás Aquino (“Curral”) como os suspeitos, além de Edvana Carvalho (“Irmãos Freitas”). O roteiro é de Pedro Furtado (“Boa Sorte”) e a direção é assinada por José Eduardo Belmonte (“Alemão 2”), um dos maiores especialistas brasileiros em filmes criminais. | CARRO REI | Vencedor do último festival de Gramado, o filme de Renata Pinheiro combina fantasia e realismo para contar a história de Uno (o novato Luciano Pedro Jr), que tem esse nome em referência ao carro em que nasceu, a caminho da maternidade. O automóvel é considerado como um melhor amigo pelo jovem, e quando uma nova lei proíbe a circulação de carros antigos, Uno busca uma solução com seu tio, um mecânico com ideias mirabolantes, vivido por Matheus Nachtergaele (“Trinta”). Juntos, os dois transformam o antigo automóvel num carro novo, o Carro Rei, tão avançado que interage com humanos, comunicando-se e demonstrando sentimentos, além de fazer seus próprios planos. Além de levar o Kikito de Melhor Filme, “Carro Rei” também foi contemplado em Gramado com as estatuetas de Melhor Trilha Musical (DJ Dolores), Melhor Direção de Arte (Karen Araujo) e Melhor Desenho de Som (Guile Martins), além de render um Prêmio Especial do Júri para Matheus Nachtergaele. | A COLMEIA | O suspense psicológico acompanha um grupo de imigrantes alemães, que vive isolado numa casa no interior do Rio Grande do Sul durante a 2ª Guerra Mundial. Proibidos de falarem em sua língua natal, eles tentam ser invisíveis, mas a paranoia os fragiliza, a fome os atormenta e os piolhos forçam um corte de cabelos coletivo, brutal e indiscriminado entre homens e mulheres. O clima desesperançado leva dois jovens gêmeos a imaginarem a vida distante daquele lugar, cuja ambientação lembra histórias de terror de floresta, como “A Vila” e “A Bruxa”. A direção é de Gilson Vargas (“Dromedário no Asfalto”) e a belíssima fotografia foi premiada no Festival de Gramado. | SEGUINDO TODOS OS PROTOCOLOS | Filme LGBTQIAP+ brasileiro sobre sexo na era da covid-19. A trama gira em torno de um homem gay que, após ficar 10 meses sozinho em quarentena, busca maneiras seguras de voltar a transar. Escrito, dirigido e estrelado por Fábio Leal, foi premiado no Festival de Tiradentes.
“Westworld”, “The Umbrella Academy” e as séries da semana
A programação da semana está movimentada com vários gêneros e opções. Há desde super-heróis, ação e sci-fi até drama histórico, comédias e documentário pop. Com destaque para os aguardados retornos de “The Umbrella Academy” e “Westworld”, sem esquecer do final de “Killing Eve”, a lista também traz estreias variadas, com candidatos a novos favoritos para acompanhar. Confira abaixo as 10 melhores novidades disponíveis nas plataformas de streaming. | WESTWORLD # 4 | HBO MAX A 4ª temporada retoma os mistérios da premiada sci-fi em clima apocalíptico, a partir deste domingo (26/6). Bem diferente de tudo que veio antes, a trama é culminação da luta entre androides e humanos, e envolve um plano de extermínio levado adiante por Charlotte (Tessa Thompson) – a principal antagonista após a morte de Dolores (Evan Rachel Wood) – com ajuda da versão androide do Homem de Preto (Ed Harris) e insetos de laboratório capazes de colocar a humanidade sob seu controle, invertendo a premissa original da série. Alguns anos se passaram desde a última temporada, tempo suficiente para que Caleb (Aaron Paul) tenha se casado e virado pai, mas principalmente para que os parques temáticos fossem reabertos – agora com um passeio pela era do jazz e dos gângsteres (anos 1930), que serve, como metatexto, de crítica à cultura dos reboots. Mas depois de deter Dolores, Maeve (Thandiwe Newton) está alerta e pronta para enfrentar a nova ameaça. Só que nada é realmente o que parece. Entre outros detalhes, Evan Rachel Wood reaparece como uma nova personagem, envolvida em segredos obscuros e stalkeada por Teddy (James Marsden), ambos em participações enigmáticas. São tantos personagens e jornadas que Bernard (Jeffrey Wright) e Ashley (Luke Hemsworth) só ressurgem no 3º episódio, junto com uma força de “resistência” no deserto. Ainda mais intrincada que o costume, a trama começa a encaixar a partir do 4º capítulo, quando uma reviravolta explica o papel de Aurora Perrineau (“Prodigal Son”) – e é uma guinada estilo “Matrix”, ou a sequência de “Matrix” que os fãs gostariam de ter visto. Certamente, com um episódio liberado por semana, pode ser cansativo esperar até lá. Mas não seria “Westworld” se não fosse lento e cerebral. Entre as novidades do elenco, destacam-se ainda Ariana DeBose (vencedora do Oscar por “Amor, Sublime Amor”) e Daniel Wu (“Into the Badlands”). | THE UMBRELLA ACADEMY # 3 | NETFLIX Partindo da cena que encerrou a temporada passada, os heróis interpretados por Elliot Page, Tom Hopper, David Castañeda, Emmy Raver-Lampman, Robert Sheehan e Aidan Gallagher voltam dos anos 1960 para se deparar com um presente completamente diferente do que lembravam – e com uma nova equipe de heróis instalada em sua residência: a Sparrow Academy. Os integrantes da Academia Umbrella logo percebem que criaram um paradoxo ao viajar no tempo e, só para variar, tornaram-se novamente responsáveis por eventos cataclísmicos que irão acabar com o mundo – pela terceira vez. A série é baseada nos quadrinhos do cantor Gerard Way (ex-My Chemical Romance) e do desenhista brasileiro Gabriel Bá (publicados no Brasil como “A Academia Umbrella”), e entre brigas com a Academia rival e planos para salvar o mundo, os novos episódios também mostram a transformação da personagem Vanya em Viktor, refletindo a transição sexual de Elliot Page. | LA CASA DE PAPEL: COREIA # 1 | NETFLIX Os algoritmos da Netflix tiveram um orgasmo com esse projeto: um remake da segunda série não falada em inglês mais popular da plataforma no idioma da primeira série mais popular. A adaptação tenta se diferenciar do original espanhol por introduz elementos políticos e contexto totalmente coreanos, ao se passar após uma imaginária unificação das Coreias. Replicando o que aconteceu na unificação da Alemanha, o fim das fronteiras mantiveram os antigos norte-coreanos pobres, enquanto os milionários do Sul se tornaram mais ricos. O desejo de ajuste de contas move o novo Professor e seu grupo, que resolvem tomar posse da fortuna do país num grande assalto. Em vez das célebres máscaras de Salvador Dali, os coreanos também adotam um disfarce diferente: Yangban, um dos 12 personagens tradicionais das máscaras usadas em celebrações de ruas pela população pobre coreana desde o século 12. Yangban representa um aristocrata que costuma ser objeto de zombaria na dança com máscaras. Muito apropriado, já que os ladrões pretendem atacar o sistema que sustenta os mais ricos. Os roteiros da adaptação são assinados por Ryu Yong-jae (“Invasão Zumbi 2: Península”) e o elenco destaca alguns artistas conhecidos: Yoo Ji-tae (“Oldboy”) como o Professor, Park Hae-soo (“Round 6”) como Berlim, Jeon Jong-seo (“Em Chamas”) como Tóquio e a sumida Kim Yunjin (de “Lost”) como Woo Jin, a versão sul-coreana da inspetora Raquel. | AMERICAN CRIME STORY: IMPEACHMENT # 3 | STAR+ Depois de explorar o julgamento de O.J. Simpson e o assassinato de Gianni Versace, a nova temporada da série de antologia de Ryan Murphy cobre o processo de Impeachment do ex-presidente Bill Clinton. Os capítulos mostram como o escândalo envolvendo Clinton e a estagiária Monica Lewinsky vazou na mídia e a forma como foi usado para tentar derrubar o presidente, jogando nova luz sobre os bastidores da polêmica. A trama é baseada num best-seller de 2000 escrito por Jeffrey Toobin, mesmo autor que já tinha inspirado a bem-sucedida 1ª temporada da série. A adaptação foi feita por Sarah Burgess (“Compliance”) e destaca um irreconhecível Clive Owen (“Projeto Gemini”) como Clinton, Beanie Feldstein (“Fora de Série”) idêntica à Monica Lewinsky, Sarah Paulson (“American Horror Story”) como Linda Tripp, a mulher que gravou telefonemas em que Lewinsky admitia o caso com Clinton, Annaleigh Ashford (“Masters of Sex”) como Paula Jones, que processou o ex-presidente por assédio sexual, e Edie Falco (“Nurse Jackie”) como Hillary Clinton. A equipe ainda inclui a própria Monica Lewinsky, creditada como coprodutora. | KILLING EVE # 4 | GLOBOPLAY Lançada em 2018, a série criada por Phoebe Waller-Bridge (“Fleabag”) se tornou o maior sucesso e a produção mais premiada da BBC America após o fim de “Orphan Black”. Mas chega ao final com a pior avaliação de sua trajetória – apenas 55% no Rotten Tomatoes. Muitos criticaram o desfecho, mas o grande vilão foi o hiato de dois anos desde a 3ª temporada. A produção acompanha Eve Polastri (Sandra Oh), uma agente secreta britânica que persegue Villanelle (Jodie Comer), assassina profissional de um cartel internacional, e aos poucos passa a desenvolver uma estranha obsessão por ela. Até que, inesperadamente, começa a ser correspondida de forma doentia. O jogo de gato e rato vira uma brincadeira perigosa entre duas gatas. | CHLOE # 1 | AMAZON PRIME VIDEO A minissérie britânica de suspense acompanha a história de Becky Green, uma stalker digital obcecada em acompanhar as redes sociais de sua antiga amiga de infância Chloe Fairbourne. A vida encantadora de Chloe, o marido adorável e o círculo de amigos bem-sucedidos estão sempre a um clique de distância, num grande contraste com a própria vida de Becky cuidando da mãe, que foi diagnosticada com demência precoce. Até que Chloe morre de repente, deixando a stalker em crise de abstinência. Inconformada, ela quer continuar seguindo a vida – ou melhor, a morte – da falecida. Para isso, assume uma nova identidade e se infiltra no cotidiano invejável dos amigos mais próximos da falecida, espantando-se ao descobrir que o mundo real de Chloe não era nada instagramável. O contraste levanta suspeitas, mas, para descobrir mais, Becky precisa ousar e mentir muito, arriscando-se a se perder em seu próprio jogo. Criada por Alice Seabright (roteirista e diretora de “Sex Education”), a minissérie é estrelada por Erin Doherty (a Princesa Anne de “The Crown”) como Becky e Poppy Gilbert (“Fique Comigo”) como Chloe. | PLAYERS # 1 | PARAMONT+ Sátira do universo competitivo dos jogadores de LoL (League of Legends), a série é apresentada como uma falso documentário, que revela os bastidores de uma equipe de eSports. Em crise, a equipe precisa lidar com o choque de egos entre seus astros: o ex-campeão em decadência e o novato recém-chegado de 17 anos, considerado um prodígio dos jogos. A série é uma criação de Tony Yacenda e Dan Perrault, que usaram a mesma técnica de falso documentário na sátira “American Vandal”, da Netflix, e o elenco inclui vários rostos desconhecidos para dar a impressão de que as gravações são factuais – incluindo os protagonistas Misha Brooks e Da’Jour Jones como o veterano Creamcheese o prodígio Organizm. | FORTUNA # 1 | APPLE TV+ Maya Rudolph (“Missão Madrinha de Casamento”) vive uma bilionária mimada e extravagante, que tem sua vida virada do avesso ao descobrir a amante de duas décadas do marido. Ridicularizada pelas publicações de fofoca e sem saber como lidar com o divórcio, ela faz uma segunda descoberta: tem uma fundação beneficente em plena atividade no seu nome. A partir daí, decide provar que é mais que uma ricaça alienada, reinventando-se como filantropa. Criada por Alan Yang (“Little America”) e Matt Hubbard (“30 Rock”), “Fortuna” (Loot) é uma sátira da ostentação dos ricaços. Além de Rudolph, destaca ainda Michaela Jaé “MJ” Rodriguez em seu primeiro papel após “Pose”, como a gerente da fundação. | HOMEM X ABELHA: A BATALHA # 1 | NETFLIX Rowan Atkinson volta a estrelar uma série de humor físico, lembrando seu papel mais famoso, Mr. Bean. O ator vive o homem do título, que trava uma batalha destrutiva contra um inseto, enquanto cuida de uma mansão de luxo. O resultado deste conflito vai parar na Justiça. Criada por Atkinson e a equipe de sua franquia “Johnny English” – o roteirista William Davies e o diretor David Kerr – , a premissa é simples e leva a imaginar como foi estendida numa série de 10 episódios. A resposta é simples: cada capítulo dura em torno de 10 minutos cada. O que remete ao tamanho das produções da falida plataforma Quibi (do slogan dos “10 minutos ou menos”). Vista numa maratona, a atração tem tamanho de um filme de 90 minutos. | MENUDO: SEMPRE JOVENS # 1 | HBO MAX Os meninos que cantavam “Não se Reprima” nos anos 1980 contam tudo, desde o estresse causado pela rotatividade das formações aos assédios sexuais e até estupros que sofreram quando eram adolescentes. Mesmo para quem não sabe quem foi Menudo ou seu integrante mais famoso, Rick Martin, o registro documental da época é fascinante, ao desvendar como era a vida da primeira boy band do mundo, fabricada por um empresário de Porto Rico. A direção é de Ángel Manuel Soto, que está à frente da vindoura adaptação de quadrinhos “Besouro Azul”, e de Kristofer Ríos (de “Havana Skate Days”).
“Doutor Estranho” e as estreias digitais da semana
A programação de estreias digitais destaca o maior sucesso de cinema do ano, “Doutor Estranho no Universo da Loucura”, lançado com exclusividade na Disney+. Mas numa semana de opções fraquíssimas no streaming – o principal filme da Netflix, “O Homem de Toronto”, é uma bomba com só 25% de aprovação no Rotten Tomatoes – , os títulos que completam o Top 10 abaixo são todos de serviços de VOD (Video on Demand). A versão online das antigas videolocadoras não tem mensalidade. O público paga apenas o filme que deseja assistir, como nos velhos tempos da Blockbuster. E conta com novidades que estiveram recentemente em cartaz no circuito cinematográfico, além de produções premiadas em festivais internacionais – incluindo dramas LGBTQIAP+. O serviço é oferecido em plataformas como Apple TV, Google Play, Microsoft Store, Loja Prime e YouTube. Confira os lançamentos. | DOUTOR ESTRANHO NO MULTIVERSO DA LOUCURA | DISNEY+ Maior bilheteria de cinema de 2022 (cerca de US$ 950 milhões em todo o mundo), o segundo filme do Doutor Estranho chega ao streaming após ter consolidado a transformação do Universo Cinematográfico da Marvel em Multiverso. Continuação direta do fenômeno “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”, a produção conta o que acontece após o Doutor Estranho quebrar os limites entre as dimensões, resultando numa multiplicação de personagens e versões de personagens, com participações até de integrantes dos X-Men, Quarteto Fantástico, Inumanos e do desenho animado “What If…?”. Mas vale destacar que, além do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) e sua (spoiler) inimiga Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen), a personagem mais importante do filme é America Chavez, uma heroína de outro universo vivida por Xochitl Gomez (“O Clube das Babás”). O roteiro é de Michael Waldron, criador de “Loki”, que plantou as sementes do multiverso naquela série e aqui se perde entre as dimensões. Já a direção ficou a cargo de Sam Raimi, que em seu retorno aos personagens da Marvel, após comandar a trilogia original do Homem-Aranha, tem a missão de fazer com que o multiexcesso vire diversão. | AMBULÂNCIA – UM DIA DE CRIME | CLARO TV+, VIVO PLAY, VOD* O novo thriller de ação de Michael Bay (“Transformers”) tem todos os tiros e explosões que se espera dos filmes do diretor. Na trama, Yahya Abdul-Mateen II (“A Lenda de Candyman”) e Jake Gyllenhaal (“Homem-Aranha: Longe de Casa”) vivem criminosos que improvisam a fuga de um assalto malsucedido numa ambulância roubada, fazendo a paramédica vivida por Eiza González (“Em Ritmo de Fuga”) de refém. Curiosamente, este é o segundo remake consecutivo de thriller dinamarquês estrelado por Gyllenhaal, que está também em “O Culpado”, na Netflix. O “Ambulancen” original foi lançado em 2005 e venceu alguns prêmios internacionais. O remake transforma o suspense de baixo orçamento num espetáculo de efeitos explosivos, com roteiro assinado por Chris Fedak, cocriador das séries “Chuck” e “Prodigal Son”, em sua estreia no cinema. | DOG – A AVENTURA DE UMA VIDA | VOD* Primeiro filme dirigido por Channing Tatum (“Kingsman: O Círculo Dourado”) traz o ator contracenando com um cachorro. O aspecto mais curioso é que os dois interpretam veteranos de guerra, em viagem para o funeral de um colega soldado. O projeto foi concebido pela entourage do ator. A história partiu de Brett Rodriguez, um assistente, dublê e consultor militar dos filmes de Tatum. E o roteiro final foi assinado por Reid Carolin (produtor-roteirista de “Magic Mike”), que é sócio e parceiro do astro há mais de uma década, e também dividiu a direção do filme com o amigão. O enredo é de um road movie rumo à superação, com um soldado que reluta em aceitar a vida civil e um cachorro que não aceita nenhum substituto para seu dono querido – o militar morto cujo funeral eles pretendem atender. Embora previsível como todo filme de jornada, é muito simpático e conquistou a crítica americana – 76% de aprovação no Rotten Tomatoes. | O PAI DA RITA | VOD* Este é apenas o segundo longa de ficção de Joel Zito Araújo, o diretor do premiado “Filhas do Vento”, vencedor de nada menos que oito kikitos no Festival de Gramado de 2005. Desde então, ele fez alguns curtas e documentários, mas a demora em retornar ao cinema autoral não deixa de ser significativa para ilustrar as dificuldades que enfrentam os cineastas negros no Brasil, especialmente quando decidem filmar histórias negras com atores negros. “O Pai da Rita” é uma comédia, de premissa até bem comercial, não muito diferente do novo sucesso de Maisa na Netflix, “Pai em Dobro”, mas com um ponto de vista inverso e tendo como pano de fundo a celebração do samba. Ailton Graça (“Galeria Futuro”) e Wilson Rabelo (“Dom”) vivem dois compositores da velha guarda da Vai-Vai, que compartilham uma kitnet, décadas de amizade, o amor por sua escola de samba e uma dúvida do passado: o que aconteceu com a passista Rita, paixão de ambos. O surgimento da Ritinha (Jéssica Barbosa, de “Mormaço”), filha da passista, traz uma nova dúvida e ameaça desmoronar essa grande amizade. O detalhe é que há um terceiro possível pai nesta história: o cantor e compositor Chico Buarque, que compôs uma música sobre sua paixão por Rita no começo da carreira. A música existe mesmo: “A Rita”. E este é apenas um dos muitos elementos que enriquecem a produção, que ainda comenta a situação do samba, a crise econômica, a especulação imobiliária e muito mais. | A NOITE DO TRIUNFO | VIVO PLAY, VOD* Premiada como Melhor Comédia da Europa (pela Academia Europeia de Cinema) em 2020, a produção francesa gira em torno de um ator decadente (Kad Merad, de “Um Amante Francês”) que começa a dar aulas de teatro num presídio na tentativa de encenar “Esperando Godot” com os encarcerados. Mesmo feito para divertir, o filme de Emmanuel Courcol (“Cessar Fogo”) apresenta momentos tocantes, especialmente na forma como busca identificar a situação dos presidiários com o drama existencial de Vladimir e Estragon, os personagens que esperam Godot. | POST-MORTEM – FOTOS DO ALÉM | VIVO PLAY, VOD* O terror húngaro se passa após a 1ª Guerra Mundial e acompanha um jovem fotógrafo especializado em registrar cadáveres ao lado de suas famílias. Ao ser convencido por uma pequena órfã a visitar sua vila, que teve muitas mortes por causa da gripe espanhola, ele fica perplexo com a quantidade de mortos que ainda não foram enterrados, devido à terra congelada pelo inverno. Mas se isso pode significar muitos clientes para suas fotos, o local sombrio tem um clima estranho, com barulhos noturnos e habitantes hostis, que refletem um terreno assombrado. Super atmosférico, o longa de Péter Bergendy (“Trezor”) colecionou 27 prêmios em festivais de cinema fantástico – 10 eles só no Toronto After Dark, incluindo Melhor Filme. | TERROR NO ESTÚDIO 666 | VOD* Na trama que mistura terror e comédia, a banda Foo Fighters é assombrada após se mudar para uma mansão antiga para gravar seu 10º álbum, “Medicine at Midnight”, sem saber que o local é habitado por forças ocultas que podem ameaçar os trabalhos — e suas vidas. A história foi concebida pelo cantor Dave Grohl e virou um dos últimos registros do baterista Taylor Hawkins, antes de morrer de overdose durante uma turnê da banda pela América do Sul neste ano. O roteiro é assinado por Jeff Buhler (o autor do remake de “Cemitério Maldito”) em parceria com Rebecca Hughes (da série “Cracking Up”) e a direção é de BJ McDonnell, diretor de clipes de heavy metal (Slayer e Exodus) que tem trabalhado como operador de câmera nos filmes do universo “Invocação do Mal”. | NORTH HOLLYWOOD | VIVO PLAY, VOD* Produzido pelo músico Pharrell Williams, “North Hollywood” acompanha um jovem que precisa se decidir entre o sonho de se tornar skatista profissional ou ir para faculdade como seu pai deseja. O filme marca a estreia na direção de Miley Alfred, dono da grife de street wear Illegal Civilization e produtor de outro filme de skate famoso, “Anos 90” (2018). A trama é praticamente sua história de vida. Ele cresceu entre skatistas na região de Los Angeles retratada na trama. Não por acaso, o elenco é repleto de skaters reais, entre eles o protagonista Ryder McLaughlin, que estreou como ator em “Anos 90”. Também há participações de Vince Vaughn (“Freaky”) e Miranda Cosgrove (a “iCarly”). | TREMORES | VIVO PLAY, VOD* Aos 40 anos, um homem evangélico, casado e com dois filhos, se envolve em um relacionamento amoroso com outro homem. Na tentativa de “curá-lo”, sua esposa recorre ao pastor da igreja que frequentam, e logo sua comunidade se volta contra ele, revelando uma sociedade profundamente repressiva. A nova consagração de Jayro Bustamante, o premiado diretor guatemalteco de “A Chorona” (2019), venceu o LA Outfest, o troféu de Melhor Filme Latino-americano do Festival de San Sebastián e mais 12 prêmios internacionais. Elogiadíssimo pela crítica, atingiu 90% de aprovação no Rotten Tomatoes. | MAGNÍFICO | VIVO PLAY, VOD* O drama LGBTQIAP+ britânico acompanha Jackie, uma drag queen veterana que, aos 74 anos, descobre que tem uma doença terminal, ao mesmo tempo em que cria uma amizade inesperada com Faith, uma jovem drag queen iniciante, recém-chegada em seu club e com dificuldades financeiras. Solitária, sem amigos e apenas uma filha distante, Jackie decide aproveitar o que lhe resta de vida fazendo suas últimas performances e ajudando Faith. Escrito e dirigido pelo celebrado cineasta inglês Jamie Patterson, “Magnífico” tem 95% de aprovação no Rotten Tomatoes e venceu os troféus do Público e do Júri no LA Outfest. * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Google Play, Microsoft Store, Loja Prime e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.
Confira as estreias de cinema da semana
Fenômeno nos EUA, a sci-fi independente de ação “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo” é o principal destaque desta quinta (23/6) nos cinemas. O filme vem de pré-estreias pagas desde a semana passada, mas seu lançamento oficial vai chegar em pouco mais de 100 salas de exibição. É um alcance bastante limitado, que reflete o domínio atual do circuito pelos blockbusters “Lightyear”, “Jurassic World: Domínio” e “Top Gun: Maverick”. A falta de espaço limita até a distribuição da comédia musical brasileira “Dissonantes”, que em outros tempos ganharia mais atenção ao entrar em cartaz. Confira abaixo todos os títulos, os trailers e informações sobre cada um dos sete lançamentos da semana. | TUDO EM TODO O LUGAR AO MESMO TEMPO | Maior sucesso da História do estúdio indie A24 (de filmes como “Midsommar” e “Ex Machina”), a sci-fi com 95% de aprovação da crítica americana no Rotten Tomatoes conta a história de uma mãe de família exaurida pela dificuldade de pagar seus impostos, quando descobre a existência do multiverso e de muitas versões dela mesma em diferentes realidades. Não só isso: um de seus maridos de outro mundo lhe revela que o destino do multiverso está em suas mãos. E para impedir o fim de todos os mundos, a personagem vivida por Michelle Yeoh (“Star Trek: Discovery”) precisará incorporar as habilidades da totalidade de suas versões para enfrentar Jamie Lee Curtis (“Halloween”) e outras ameaças perigosas que a aguardam em sua missão. O elenco ainda destaca Ke Huy Quan (que foi o menino Short Round de “Indiana no Templo da Perdição”) como o marido de Yeoh, Stephanie Hsu (“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”) como sua filha e o veterano James Hong (“Aventureiros do Bairro Proibido”), entre outros. Roteiro e direção são dos Daniels, pseudônimo da dupla Daniel Kwan e Daniel Scheinert (ambos de “Um Cadáver Para Sobreviver”). | DISSONANTES | A comédia brasileira traz Marcelo Serrado (“Crô em Família”) como um ex-roqueiro grunge frustrado, que vê os ex-colegas dos anos 1990 seguindo outros caminhos, enquanto se afunda em dívidas para não comprometer sua integridade. A chance de uma virada chega a contragosto, quando um jurado de calouros da TV, ex-músico de sua antiga banda, propõe alugar seu estúdio para a gravação de uma artista do programa musical. Thati Lopes (“Diários de Intercâmbio”) vive a cantora em início de carreira, que convence o grunge aposentado a colocar guitarra no seu pop. Mais que isso, ela quer que ele se apresente com ela na disputa ao prêmio televisivo, que pode alavancar suas carreiras. “Dissonantes” tem roteiro de Mariana Trench Bascos (criadora de “Pico da Neblina”) e Pedro Riera (“Clube da Anittinha”), direção de Pedro Amorim (“Divórcio”) e produção da Querosene Filmes. | UM DIA QUALQUER | A série do canal pago Space virou filme, condensando seus cinco episódios numa projeção de 88 minutos. A trama aborda a violência das milícias do Rio por meio de histórias de diferentes moradores de um subúrbio carioca. A direção é de Pedro von Krüger, que trabalhou na equipe de câmera dos dois “Tropa de Elite” e foi diretor de fotografia da série da Amazon “Tudo ou Nada: Seleção Brasileira”. Ele também assina a história com outros roteiristas, incluindo Leonardo Gudel, que já trabalhou em duas séries criminais: “A Lei e o Crime” e “Acerto de Contas”. O elenco destaca Mariana Nunes (“Alemão”), Augusto Madeira (“Bingo, o Rei das Manhãs”), Jefferson Brasil (“Ilha de Ferro”), Tainá Medina (“O Doutrinador”), André Ramiro (“Tropa de Elite”) e Vinícius de Oliveira (o menino já crescido de “Central do Brasil”). | O TRUQUE DA GALINHA | A comédia fantasiosa do egípcio Omar El Zohairy venceu 22 prêmios internacionais, inclusive o troféu da Semana da Crítica no Festival de Cannes retrasado. O título se refere a um truque de mágica que dá errado na festa de aniversário de uma criança e transforma o autoritário pai da família numa galinha. A partir daí, a mãe precisa assumir o papel de chefe da família e arrumar emprego para sustentar a casa e os filhos, enquanto faz de tudo para trazer seu marido de volta, antes que vire almoço. | SUJEITO OCULTO | A estreia de Leo Falcão é um terror com elementos conhecidos. Na trama, um escritor tenta superar o bloqueio criativo mudando-se para uma vila afastada. Enquanto tem ideias estranhas, páginas escritas por um antigo morador aparecem na escrivaninha. O papel principal é de Gustavo Falcão (“Cine Holliúdy”), irmão do diretor, e o elenco ainda destaca Heloísa Jorge (“Sob Pressão”) e Marcos Breda (“Se Eu Fechar Os Olhos Agora”). | VEJA POR MIM | O suspense canadense acompanha uma esquiadora cega que decide se mudar para uma casa de inverno isolada. Quando a casa é invadida por três assaltantes, sua única ajuda é um aplicativo que conecta cegos a pessoas encarregadas de descrever o ambiente em que se encontram. A produção barata é estrelada por Skyler Davenport, uma conhecida dubladora de animes, em seu primeiro filme. | A JANGADA DE WELLES | Documentário sobre as filmagens de “It’s All True” (É Tudo Verdade) de Orson Welles sobre o carnaval carioca e os jangadeiros cearenses. O líder desses pescadores, Manuel “Jacaré”, morreu acidentalmente nas filmagens e este fato evoca memórias da atribulada passagem de Welles pelo Brasil e da luta dos jangadeiros por direitos trabalhistas.
10 séries que chegam ao streaming no feriadão
Planeja passar o feriadão no sofá, aproveitando o frio para colocar as série sem dia? A lista de novos lançamentos favorece as maratonas. Todas as estreias chegam com temporadas inteiras e até, no caso de duas produções clássicas, com séries completas pra emendar madrugadas adentro. Da seleção da semana, apenas dois títulos chegam na sexta: “O Verão que Mudou Minha Vida” e “Vocês Não Me Conhecem”. O resto pode começar a ser visto já. Confira abaixo os títulos, os trailers e os detalhes dos destaques da programação de streaming. | MALDIVAS | NETFLIX Lançamento nacional mais promovido da História da Netflix, “Maldivas” chegou na quarta (15/6) acompanhada por muita expectativa, graças também a seu elenco estrelado. As personagens caricatas e a trama, que gira em torno de um “quem matou”, lembra novelas. Mas o acabamento de primeiro mundo também sugere similares americanos, como “Desperate Housewives”. Além disso, o subtexto de crítica à vida das ricas e famosas contém ironia suficiente para valorizar a maratona, que é leve e ligeira (capítulos de 30 minutos). Maldivas é o nome do condomínio em que a goiana Liz (Bruna Marquezine) se infiltra para descobrir pistas da morte de sua mãe, incendida em seu apartamento. Lá, ela se depara com personagens exóticas, como Milene (Manu Gavassi), a síndica e rainha do Maldivas, com um corpo e uma vida aparentemente perfeitos junto ao marido, o cirurgião plástico Victor Hugo (Klebber Toledo), e Rayssa (Sheron Menezzes), uma ex-dançarina de axé convertida em empresária de sucesso, casada com o ex-vocalista de sua banda, Cauã (Samuel Melo). Há também Kat (Carol Castro), uma mãezona cujo marido, Gustavo (Guilherme Winter), cumpre prisão domiciliar. E ainda estão na trama Verônica (Natalia Klein), uma outsider meio gótica que destoa das mulheres do Maldivas, Miguel (Danilo Mesquita), o noivo interiorano de Liz, e o detetive Denilson (Enzo Romani). Para completar, o papel da mãe da protagonista é encarnado por Vanessa Gerbelli, que foi mãe de Bruna Marquezine quando ela era criança na novela “Mulheres Apaixonadas”, de 2003. O roteiro irônico é assinado pela atriz Natalia Klein (que já tinha criado “Adorável Psicose”) e a direção luxuosa é do cineasta José Alvarenga (“Divã”). | LOVE, VICTOR | STAR+ A primeira série adolescente LGBTQIAP+ chega ao fim em sua 3ª temporada com o término de relacionamentos e formações de novos casais. E o protagonista que batiza a atração é um dos personagens que balançam entre a dor de cotovelo e a esperança de um final feliz. Muito antes de “Heartstopper” existiu o filme “Com Amor, Simon”, sobre um adolescente que saía do armário e assumia seu romance gay em 2018. “Love, Victor” é a extensão daquela história, passada na mesma escola, mas acompanhando uma classe mais nova. A adaptação é de Isaac Aptaker e Elizabeth Berger, roteiristas do filme original e showrunners de “This Is Us”. Na trama, Victor Salazar (Michael Cimino, de “Annabelle 3: De Volta Para Casa”) é um adolescente recém-chegado na cidade e na Creekwood High School, que inicia sua jornada de autodescoberta e seu primeiro namoro gay com o colega Benji (George Sear, de “As Crônicas de Evermoor”). Mas o relacionamento é sempre testado e acaba fraturado. Ao mesmo tempo em que fica com o coração partido, Victor conhece outro rapaz e tenta entender se é possível recomeçar ou se alguns finais são o começo de novas experiências. O elenco também inclui Ana Ortiz (“Whiskey Cavalier”) e James Martinez (“House of Cards”) como os pais de Victor, Isabella Ferreira (“Orange Is the New Black”) e Mateo Fernandez (“Grrr”) como os irmãos, além de Rachel Hilson (“This Is Us”), Bebe Wood (“The Real O’Neals”), Anthony Turpel (“No Good Nick”) e Mason Gooding (“Fora de Série”) como colegas de classe, amigos e vizinhos. | O VERÃO QUE MUDOU A MINHA VIDA | AMAZON PRIME VIDEO A série baseada na “Trilogia de Verão” da escritora Jenny Han – que é mais conhecida por outra trilogia: “Para Todos os Garotos” – gira em torno de uma garota chamada Belly e dois irmãos, que, após passarem muitas férias de verão juntos, tornaram-se melhores amigos de infância. Essa amizade, porém, transforma-se quando eles chegam à adolescência e os garotos decidem disputar o coração da menina, colocando-a num dilema terrível aos 15 anos de idade. Com oito episódios e uma música inédita de Taylor Swift em sua trilha sonora, “O Verão Que Mudou Minha Vida” é estrelada pela estreante Lola Tung, Gavin Casalegno (“Walker”) e o também novato Christopher Briney, que formam o triângulo amoroso. A responsável pela produção é Gabrielle Stanton, produtora-roteirista de “The Flash” e “Haven”, que já garantiu a renovação da série para sua 2ª temporada. | AMOR E ANARQUIA | NETFLIX Continuação da comédia sueca safadinha sobre a transformação de Sofie (Ida Engvoll), uma consultora dedicada à carreira, casada e mãe de dois filhos, numa fetichista. Incumbida de modernizar uma editora antiquada, ela acaba conhecendo um jovem funcionário chamado Max (Björn Mosten), com quem se envolve num inesperado jogo de sedução. Ela logo percebe que gosta do jogo, mas algo inesperado acontece na 2ª temporada: uma promoção, que torna o relacionamento ainda mais proibido. Será que ela consegue dar um basta ou vai optar por seguir os mau exemplo dos colegas, também envolvidos com relações inapropriadas? A série é uma criação da cineasta Lisa Langseth (“Euforia”), que lançou a estrela Alicia Vikander no cinema – em “Pure” (2010). | ALL AMERICAN: HOMECOMING | HBO MAX Spin-off de “All American”, a atração acompanha a jovem Simone Hicks, interpretada por GeffriMaya, enquanto ela frequenta uma faculdade historicamente negra. Em “All American”, a personagem era uma veterana da escola de ensino médio Beverly High, além de ser namorada de um dos personagens centrais, e na atração derivada vive os altos e baixos do início da idade adulta. A série é a primeira criação da showrunner de “All American”, Nkechi Okoro, e conta com produção de Greg Berlanti (criador do Arrowverso). | VOCÊS NÃO ME CONHECEM | NETFLIX A minissérie criminal britânica gira em torno de um homem negro acusado de homicídio. As provas são esmagadoras. Mas ao final do julgamento, ele pede a palavra e conta uma história extraordinária. Uma história de amor. Os críticos britânicos realmente amaram a forma como a trama envolve e cria dúvidas, o tempo inteiro, sobre o caráter do personagem vivido por Samuel Adewunmi (“Angela Black”). Seria ele o herói injustiçado da história (o nome dele é Hero!) ou o vilão? Adaptada de um best-seller por Tom Edge (“Strike” e “Vigil”), a atração é dirigida por Sarmad Masud, responsável pelo primeiro longa selecionado pelo Reino Unido para disputar o Oscar de Melhor Filme Internacional – “Minha Terra” (2017), falado em urdu. | FAIRFAX | AMAZON PRIME VIDEO A animação explora o mundo de Los Angeles – especificamente a Fairfax Avenue, um lugar real que tem sua própria cultura, desde as roupas até a comida. Os criadores da série cresceram na região e usam o velho truque o choque cultural – a mudança de um garoto do interior para a cidade grande – para apresentar esse universo, refletindo modismos, gírias e várias manias da chamada Geração Z, que usa telefones para tudo, menos para telefonar. A 2ª temporada revela-se ainda mais divertida, com aumento de diversidade e inclusão de novos personagens, resultado de excursões dos protagonistas para o mundo além da avenida Fairfax. Criada pelos amigos de longa data Matthew Hausfater, Aaron Buchsbaum e Teddy Riley (que também assinam o roteiro do vindouro “Bater ou Correr 3”), a série é dublada por Skyler Gisondo (de “Santa Clarita Diet”) como o novato que tenta se encaixar entre os jovens descolados de Fairfax, Kiersey Clemons (“A Dama e o Vagabundo”), Peter S. Kim (“Dia do Sim”) e Jaboukie Young-White (“Alguém Especial”), e chama atenção por ter participações especiais de vários famosos, como Billy Porter (“Pose”), Zoey Deutch (“The Politician”), Camila Mendes (“Riverdale”), Rob Delaney (“Deadpool 2”), Yvette Nicole Brown (“Community”), Ben Schwartz (“Space Force”), JB Smoove (“Curb Your Enthusiasm”), John Leguizamo (“Olhos que Condenam”), Pamela Adlon (“Better Things”), Henry Winkler (“Barry”) e Colton Dunn (“Superstore”). | LUPIN III PARTE 6 | HBO MAX Exibida entre outubro e março passado no Japão, a sétima (sim, sétima) série anime de Lupin III traz o célebre descendente do ladrão Arséne Lupin perseguido por ninguém menos que Sherlock Holmes, que o considera o principal suspeito da morte de seu assistente, Dr. Watson. Além disso, ele é investigado pela Scotland Yard e a agência de espionagem MI6, já que o novo alvo do personagem é a Raven, uma organização misteriosa que manipula o governo britânico nas sombras e que supostamente guarda um grande tesouro. Diversão garantida no melhor estilo da franquia, que também já rendeu 11 longas animados e dois filmes live-action. Para quem não sabe, Lupin III faz parte até da história de Hayao Miyazaki, o Walt Disney japonês, vencedor do Oscar de Melhor Animação por “A Viagem de Chihiro” (2001). Miyazaki dirigiu o anime original de 1977 e estreou no cinema com o segundo longa animado de Lupin III, “O Castelo de Cagliostro” (1979). Criado por Monkey Punch (pseudônimo de Kato Kazuhiko) num mangá de 1967, Arsène Lupin III, neto de Arsène Lupin, o mais famoso ladrão da literatura francesa, mantém a tradição da família viajando pelo mundo para roubar objetos de valor inestimável – por isso, a nova aventura se passa em Londres. Mais que isto, ele anuncia suas intenções antes de realizar os assaltos, apenas para provocar a polícia. Apesar da ousadia, Lupin não está sozinho nessa empreitada. Junto com ele, agem o exímio atirador e braço direito Daisuke Jigen e o mestre espadachim Goemon Ishikawa XIII, além da femme fatale Fujiko Mine, uma eterna rival e interesse romântico do ladrão, que às vezes é aliada, mas geralmente só quer passar a perna em Lupin. Todos eles ainda são perseguidos pelo inspetor Koichi Zenigata, que tem como missão de vida pegar a quadrilha. | SHERLOCK | HBO MAX A série premiada tem suas quatro temporadas disponibilizadas em streaming. Com três capítulos (com tamanho de filme) por temporada, a produção foi responsável pelo reconhecimento da indústria televisiva ao talento do ator Benedict Cumberbatch, que venceu o BAFTA e o Emmy pelo papel-título, deslanchando sua carreira internacional. Criação de Steven Moffat (que depois foi fazer “Doctor Who”) e Mark Gatiss, a série exibida entre 2010 e 2017 transporta as tramas clássicas do maior detetive do mundo, escritas por Arthur Conan Doyle na virada do século 19 para o 20, para a Inglaterra contemporânea. E além de Cumberbatch como Sherlock Holmes, destaca Martin Freeman (“Pantera Negra”) como o Dr. Watson e um elenco grandioso de apoio – o próprio Gatiss tem o papel de Mycroft Holmes, irmão de Sherlock. Vale lembrar que Basil Rathbone foi pioneiro neste tipo de experimento, quando se tornou o primeiro Sherlock do mundo contemporâneo – enfrentando nazistas nos anos 1940. Mas seus filmes do período se desviavam muito dos livros de Doyle, ao contrário da série moderna. Além dos 12 episódios disponibilizados, há mais dois especiais que ficaram de fora do lançamento – um deles traz a única produção dessa equipe encenada na era vitoriana, numa adaptação mais tradicional, que venceu o Emmy de Melhor Telefilme. | BABYLON 5 | HBO MAX As cinco temporadas de uma das melhores séries sci-fi de todos os tempos, “Babylon 5”, desembarcam em streaming no momento em que uma nova versão está sendo desenvolvida pelo criador original, J. Michael Straczynski – o piloto foi encomendado pela rede americana The CW. “Babylon 5” teve seu piloto original exibido como um telefilme em 1993, fez um sucesso inesperado e acabou estendendo sua história por cinco temporadas até 1998, além de ter originado uma série derivada, “Crusade” em 1999, e vários telefilmes até 2007, sem esquecer livros, quadrinhos e games. Straczynski, que também foi cocriador de “Sense8” na Netflix, concebeu um verdadeiro fenômeno cultural. O título se refere a...
10 filmes novos pra ver em casa no feriadão
A programação digital de lançamentos está intensa neste feriadão, repleta de boas novidades. Além de dois sucessos que estiveram recentemente nos cinemas, disponibilizados nas locadoras virtuais, há muitas estreias exclusivas nas plataformas de streaming. E muitas estrelas famosas também, como Taís Araújo, Sandra Bullock, Chris Hemsworth, Dakota Johnson, Andy Garcia e outros. Entre os 10 principais destaques, 9 já podem ser vistos nesta quinta (16/6). Apenas “Pleasure” precisa ser “agendado”, já que só chega no MUBI na sexta-feira. Confira abaixo os títulos, os trailers e mais detalhes das sugestões desta semana. | MEDIDA PROVISÓRIA | VOD* A estreia de Lázaro Ramos como diretor de cinema produziu o filme mais falado do Brasil em 2022. Prenúncio do que virou o país, foi originalmente concebido em 2017 e adapta uma peça teatral de 2011, mas bolsonaristas veem claramente o governo de seu mito retratado no pesadelo descrito na tela. É mesmo infernal, para usar uma palavra da atriz Taís Araújo, uma das estrelas do elenco ao lado do inglês Alfred Enoch (“How to Get Away with Murder”) e Seu Jorge (“Marighella”). A trama distópica se passa num futuro não muito distante, em que uma nova lei do governo federal de direita manda deportar todos os brasileiros de “melanina acentuada” para o continente africano. Com a desculpa de se tratar de uma reparação histórica, a iniciativa também visa acabar de vez com o racismo no Brasil, deixando o país só com brancos. Aplaudido pela crítica mundial, o filme foi comparado a “Corra!” e “The Handmaid’s Tale” nos EUA, atingindo 92% de aprovação no site americano Rotten Tomatoes. Tem sido exibido e premiado em festivais internacionais desde 2020, mas levou dois anos para chegar ao Brasil por enfrentar dificuldades envolvendo a Ancine, a Agência Nacional do Cinema – problema semelhante ao que também atrasou “Marighella”, de Wagner Moura, outro filme politizado com protagonista negro. | CHA CHA REAL SMOOTH | APPLE TV+ A dramédia indie que venceu o prêmio do público no Festival de Sundance deste ano conta como um jovem recém-formado acaba num emprego de animador de festas infantis, onde conhece e se envolve com uma jovem mãe solteira, vivida por Dakota Johnson (“Cinquenta Tons de Cinza”). Escrito, dirigido e estrelado por Cooper Raiff (“Shithouse”), o filme tem o nome de um meme americano, ilustrado por uma estátua horrorosa do dinossauro Barney, que é usado para se referir a alguém que fez algo idiota achando que arrasou. Vale lembrar que o vencedor de Sundance do ano passado, “No Ritmo do Coração”, também foi adquirido pela Apple… e venceu o Oscar de Melhor Filme de 2022. | PALM SPRINGS | STAR+ O conceito do “loop temporal” virou fenômeno pop com a comédia “Feitiço do Tempo” (1993). E depois de passar pela sci-fi, terror e até por séries, finalmente volta ao gênero original neste filme divertidíssimo, em que Cristin Milioti (“How I Met Your Mother”) e Andy Samberg (“Brooklyn Nine-Nine”) acordam sempre no mesmo dia. Presos num reboot infinito, os dois decidem viver como se não houvesse amanhã. E literalmente não há. O roteiro de Andy Siara (“Lodge 45”) foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Roteiristas e premiado no Spirit Awards. O filme dirigido pelo curtametragista Max Barbakow ainda atingiu 95% de aprovação no Rotten Tomatoes. E seu elenco ainda inclui em seu elenco J.K. Simmons (“Counterpart”), Peter Gallagher (“Covert Affairs”), Camila Mendes (“Riverdale”) e Tyler Hoechlin (“Superman e Lois”). | CIDADE PERDIDA | CLARO TV+, VOD* A comédia estrelada por Sandra Bullock (“Imperdoável”) e Channing Tatum (“Magic Mike”) segue uma escritora de romances de aventura que se vê forçada a fazer uma turnê literária com o modelo de capa de seu novo livro. Irritada com a companhia do bonitão sem conteúdo, ela se vê numa situação ainda mais indesejável ao ser sequestrada. Mas até isso piora, quando o tal modelo sem noção resolve tentar salvá-la, fazendo com que os dois acabem perdidos na selva. No meio dessa confusão, ainda há uma trama de tesouro perdido, um vilão vivido por Daniel Radcliffe (o “Harry Potter”) e participação especial de Brad Pitt (“Era uma Vez… em Hollywood”). O roteiro é da dupla Dana Fox (“Megarrromântico”) e Oren Uziel (“Mortal Kombat”) e a direção dos irmãos Adam e Aaron Nee (“The Last Romantic”). | SPIDERHEAD | NETFLIX O diretor Joseph Kosinski, que atualmente voa alto nas bilheterias mundiais com “Top Gun: Maverick”, assina este thriller estrelado por Chris Hemsworth (“Thor”). A trama é baseado num conto de ficção científica de George Saunders e se passa em um futuro próximo, quando condenados podem se voluntariar como pacientes de experiências médicas para encurtar suas sentenças. Os testes a que se submetem são de drogas que alteram as emoções. Mas a situação logo sai de controle, quando as emoções passam do amor para a raiva, com resultados sangrentos. O filme tem roteiro da dupla Rhett Reese e Paul Wernick (“Deadpool”) e destaca em seu elenco Miles Teller (“Top Gun: Maverick”), Jurnee Smollett (“Aves de Rapina”), Tess Haubrich (“Treadstone”) e Charles Parnell (outro de “Top Gun: Maverick”). | THE GIRL AND THE SPIDER | MUBI O segundo filme dos gêmeos suíços Ramon e Silvan Zürcher, quase uma década após sua estreia com o premiado “A Gatinha Esquisita” (2013), usa a experiência renovadora e traumatizante de uma mudança para explorar o simbolismo da situação. Sem muitas explicações, os personagens surgem entre caixas transportadas, reformas e plantas imobiliárias, para apenas aos poucos servir à tensão entre uma jovem que festeja sua nova moradia e outra que sofre uma experiência contrastante, ajudando na mudança sem ir junto, deixada no antigo apartamento com suas emoções. Vendeu dois troféus na mostra Encounters do Festival de Berlim, dedicada a filmes com uma perspectiva independente: Melhor Direção e o Prêmio da Crítica. | PLEASURE | MUBI Uma das produções mais provocantes do ano – em mais de um sentido – , a estreia premiada da diretora sueca Ninja Thyberg mostra com crueza realista os bastidores da indústria de filmes adultos. A câmera acompanha uma jovem de 19 anos (Sofia Kappel), que deixa sua pequena cidade da Suécia para se aventurar em Los Angeles com o objetivo de se tornar Jessica, a próxima grande estrela pornô mundial. Mas o caminho para esta consagração se prova mais acidentado do que ela imagina. Com cenas explícitas, mas artísticas – ao estilo de Gaspar Noé – , e com integrantes reais da indústria pornô californiana (Zelda Morrison é a principal coadjuvante), o filme traz um ponto de vista diferente da pornografia, desnudando as negociações de cenas adultas e as relações de poder entre artistas e empresários, em busca de sucesso nesse business. A obra chegou a disputar o prêmio de Descoberta do ano da Academia Europeia de Cinema. Perdeu para “Bela Vingança”, mas venceu outros oito troféus internacionais, inclusive o Prêmio do Júri no Festival de Deauville, na França. | O PAI DA NOIVA | HBO MAX Andy Garcia (de “Onze Homens e um Segredo”) tem o papel-título na versão latina (cubana-americana) da conhecida premissa, em que um pai orgulhoso prepara o casamento da filha (Adria Arjona, de “Morbius”) com o noivo (Diego Boneta, de “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio”). Na nova adaptação, ele também guarda um segredo sobre seu próprio casamento (com a cantora Gloria Estefan), que se encaminha para um divórcio. Baseada num romance de Edward Streeter, esta história tem sido filmada desde 1960, quando Spencer Tracy foi o pai da noiva, e até virou uma série em 1961, mas é mais lembrada pela adaptação de 1991, estrelada por Steve Martin, que chegou a ganhar sequência quatro anos depois. A nova versão foi escrita por Matt Lopez (“O Aprendiz de Feiticeiro”) e dirigida por Gary Alazraki (“Club de Cuervos”). | CRUSH: AMOR COLORIDO | STAR+ Depois de divertidas rom-coms com adolescentes enrustidos, “Crush” abre o arco-íris LGBTQIAP+ com uma história moderna sobre uma estudante de high school assumidíssima em busca do primeiro amor. Na trama, a jovem Page decide ir contra todas suas inclinações artísticas para entrar no time de atletismo da escola, apenas para se aproximar da menina por quem sempre foi apaixonada. Só que lá fica mais próxima da irmã de seu crush, e percebe que seu coração começa a balançar. Um detalhe interessante desse triângulo lésbico é que ele formado por estrelas da Disney. Page é vivida por Rowan Blanchard (protagonista da serie do Disney Channel “Garota Conhece o Mundo”) e seus crushes são Isabella Ferreira (atualmente na rom-com gay “Love, Victor”) e Auli’i Cravalho (ninguém menos que a “Moana”). “Crush” é o primeiro longa da diretora Sammi Cohen (da série “CollegeHumor Originals”) e seu elenco ainda inclui Megan Mullally (da pioneira sitcom gay “Will & Grace”) como a mãe da protagonista e Tyler Alvarez (“Eu Nunca…”) no papel de seu melhor amigo. | NOITES QUENTES DE VERÃO | Vivo Play, VOD* Timothée Chalamet (“Duna”) vive um traficante adolescente nesta comédia de humor sombrio passada nos anos 1980. Na trama, ele descobre o submundo das drogas quando um desconhecido entra no estabelecimento em que ele trabalha e pede para esconder um punhado de maconha, segundos antes da polícia aparecer. Vítima de bullying na escola, o jovem imagina que esse acesso às drogas pode lhe tornar descolado e oferece ao traficante uma parceria para explorar o mercado potencial do Ensino Médio. Ele até fica com a garota de seus sonhos. Mas ser traficante tem seus percalços, como descobre entre socos e tiros de parceiros perturbadores. Escrito e dirigido pelo estreante Elijah Bynum, o filme ainda traz em seu elenco Alex Roe (série “Sirens”) como o parceiro mais velho, Maika Monroe (“Corrente do Mal”) como o interesse romântico e ainda William Fichtner (“12 Heróis”), Thomas Jane (série “The Expanse”), Emory Cohen (“Brooklyn”), Maia Mitchell (“The Fosters”) e Jack Kesy (“The Strain”). * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Google Play, Microsoft Store, Loja Prime e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.
“Lightyear” é a principal estreia de cinema da semana
A animação “Lightyear”, que destaca um personagem da franquia “Toy Story”, é o principal lançamento dos cinemas nesta quinta (16/6) com uma distribuição em cerca de 1,4 mil salas. Apesar desse domínio, a programação oferece outras estreias em circuito mais restrito, incluindo duas biografias musicais: uma produção francesa inspirada na vida de Céline Dion e um drama de época brasileiro sobre Celly Campello, pioneira do rock nacional. Há também um suspense francês e um policial brasileiro bastante tensos. “A Suspeita”, por sinal, rendeu o prêmio mais recente da carreira de Glória Pirez. A lista ainda contempla dois documentários: sobre o cantor George Michael, co-dirigido pelo próprio, e sobre a cobertura política da “Vaza Jato”. Confira abaixo os trailers e mais detalhes dos sete filmes que entram em cartaz. | LIGHTYEAR | Em seu filme solo, o famoso personagem de “Toy Story” não é um brinquedo, mas um astronauta de verdade. Na trama, ele embarca numa aventura sci-fi legítima – e bem convencional – com direito a viagem espacial e no tempo ao “infinito e além”, à origem do conflito com o vilão Zurg e principalmente ao primeiro beijo lésbico da história da Disney – que ocasionou o banimento do filme em países conservadores. Para diferenciar a produção, o personagem mudou de design e até de voz. Dublador oficial de Buzz Lightyear em “Toy Story”, Tim Allen deu lugar a Chris Evans, o Capitão América do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). No Brasil, também houve mudança, com o apresentador Marcos Mion assumindo a dublagem de Guilherme Briggs. A direção é de Angus MacLane, animador da Pixar que co-dirigiu “Procurando Dory” e também já trabalhou com “Toy Story” – assinou dois curtas da franquia e animou “Toy Story 3”. | ALINE – A VOZ DO AMOR | O drama musical francês é inspirado na vida de Céline Dion. Escrito, dirigido e estrelado pela francesa Valerie Lemercier (“50 São os Novos 30”), acompanha “Aline Dieu”, uma cantora fictícia que tem uma vida bastante parecida com a da intérprete da música-tema de “Titanic”. A trama narra a trajetória da artista desde a infância no Canadá, na região do Quebec durante a década de 1960, passa por sua transformação em cantora nos anos 1980 e segue até atingir seu estrelato mundial, enfatizando seu romance e seu casamento com o empresário bem mais velho que a descobriu. Na vida real, Céline se casou com o homem que a descobriu e apostou tudo no seu sucesso, René Angélil, falecido em 2016. Lemercier venceu o César (o Oscar francês) de Melhor Atriz por sua interpretação. | UM BROTO LEGAL | O filme conta a história da primeira estrela do rock brasileiro: Celly Campello, responsável por hits como “Banho de Lua” e “Estúpido Cupido” em 1959. O papel da jovem Célia, que começou a cantar na adolescência em Taubaté, interior de São Paulo, à sombra do irmão Tony, antes de ter seu próprio programa na TV Record, marca a estreia no cinema da atriz Marianna Alexandre, de trajetória no teatro musical. Ela está ótima, mas o filme dirigido por Luís Alberto Pereira (“Tapete Vermelho”) não aprofunda as dificuldades enfrentadas por Celly ao cantar rock num período muito conservador – e tão bem retratado por figurinos e cenografia – , dando à cinebiografia a aparência de uma novela de época juvenil. | A SUSPEITA | Glória Pires foi premiada no último Festival de Gramado como Melhor Atriz pelo desempenho neste filme, em que interpreta uma policial diagnosticada com Alzheimer. Enquanto se conforma com sua aposentadoria, a investigação de seu último caso aponta um esquema que pode torná-la suspeita de assassinato. Logo, ela percebe que precisará encontrar o verdadeiro culpado, enquanto luta contra os lapsos de memória e recusa os conselhos de pegar leve. Diretor de novelas da Globo, Pedro Peregrino fez sua estreia no cinema à frente deste thriller policial, que foi escrito por dois roteiristas experientes, Newton Cannito (“Bróder”, “Reza a Lenda”) e Thiago Dottori (“VIPs” e “Turma da Mônica: Laços”), em parceria com a produtora Fernanda De Capua (“Domingo”). | ARMADILHA EXPLOSIVA | O thriller francês de confinamento se passa quase totalmente em torno de um carro no interior de um estacionamento. Sentada no assento do motorista, a protagonista, vivida por Nora Arnezeder (“Zoo”), percebe a contagem regressiva de uma bomba no painel do veículo. Ela é uma especialista em descarte de bombas, que trabalha para uma ONG com o namorado, mas desta vez qualquer erro pode custar não apenas sua vida, mas de seu filho e a filha do namorado, sentados no banco traseiro. Com apenas 30 minutos para impedir a explosão, ela convoca a equipe com quem trabalha para desativar a armadilha. Roteiro e direção são de Vanya Peirani-Vignes, que assina seu primeiro longa após trabalhar como assistente do mestre Claude Lelouch em cinco filmes. | GEORGE MICHAEL FREEDOM UNCUT | Descrito como “profundamente autobiográfico”, o documentário é ancorado em depoimentos inéditos de George Michael, gravados antes de sua morte em 2016. O cantor esteve bastante envolvido com a produção, a ponto de ser creditado como co-diretor. Na obra, ele pondera o período “turbulento” a partir do lançamento de seu álbum mais bem-sucedido, “Faith”, vencedor do Grammy em 1987, e seu disco de 1990, “Listen Without Prejudice: Vol. 1”, de onde saiu “Freedom 90”, música que batiza o filme. Durante o lançamento desse álbum, Michael entrou em conflito com a Sony e, em consequência, a divulgação foi prejudicada pela gravadora e pelo próprio cantor. Para completar, ele teve uma grande perda pessoal logo em seguida: a morte precoce de seu primeiro amor, o estilista brasileiro Anselmo Feleppa, por Aids em 1993. | O AMIGO SECRETO | O documentário aborda o vazamento de mensagens de integrantes da Operação Lava-Jato, crime que ficou conhecido como “Vaza-Jato”. Dirigido por Maria Augusta Ramos, que fez “O Processo”, sobre o impeachment de Dilma Rousseff, o filme traz depoimento de alguns dos jornalistas que trabalharam na cobertura e publicações das mensagens em 2019, entre eles Leandro Demori, do site The Intercept Brasil, e Marina Rosse, do El País Brasil. Trabalho de hackers que foram presos pela Polícia Federal, o vazamento ajudou a livrar Luis Inácio Lula da Silva da condenação por corrupção e jogou dúvidas sobre os julgamentos do juiz Sergio Moro, considerado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
“Ms. Marvel”, “Peaky Blinders” e as séries da semana
As plataformas de streaming colocam o dedo na ferida nesta semana. Afinal, os destaques são uma nova série da Marvel, que com sua premissa divertida consegue tirar o sono de racistas surtados com o mundo atual, e o final da espetacular “Peaky Blinders”, que deixa claro seu enfrentamento contra fascistas. Entretenimento também convida à reflexão. A lista de estreias ainda destaca produções para o público geek, fãs de cinema de arte, estudiosos de História e a audiência televisiva mais tradicional, que gosta de dramas médicos e tramas policiais. Mas vale chamar atenção especial para “Intimidade”, série pouco divulgada da Netflix, com tema extremamente atual e, como diz a imprensa espanhola, necessário. Confira abaixo os 10 melhores lançamentos da programação de séries. | MS. MARVEL | DISNEY+ A primeira heroína muçulmana do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel) arrancou elogios até de Malala Yousafzay, que aos 17 anos se tornou a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz – por sua luta pelo direito à educação de meninas paquistanesas. Apresentada como uma comédia adolescente, a história de Kamala Khan também é a mais fofa e adorável das séries já produzidas pela Marvel. Sem supervilões e ameaças mundiais – ao menos na estreia – , “Ms. Marvel” chegou na Disney+ como uma grande homenagem aos fãs dos super-heróis, dando a Iman Vellani, a novata de 18 anos que foi selecionada entre várias candidatas, o papel da fangirl definitiva. Na trama, Kamala Khan é uma adolescente geek obcecada pela Capitã Marvel, que sofre bullying na escola e repressão na família muçulmana tradicional, mas não abre mão de seus sonhos, mostrando enorme talento artístico para desenhar, criar vídeos e até fantasias de cosplay. Para incrementar uma dessas fantasias, ela decide usar um velho bracelete largado entre as lembranças encaixotadas de sua família, que de repente lhe confere superpoderes. Desenvolvida pela roteirista Bisha K. Ali (“Sex Education”), a produção conta com direção da dupla Adil El Arbi e Bilall Fallah (diretores do blockbuster “Bad Boys Para Sempre” e do vindouro filme da “Batgirl”), da paquistanesa Sharmeen Obaid-Chinoy (vencedora de dois Oscars de Melhor Documentário em Curta-metragem) e Meera Menon (que já trabalhou na Marvel na série “O Justiceiro”). Novos episódios são disponibilizados todas as quartas na plataforma Disney+. | PEAKY BLINDERS | NETFLIX A grandiosa e épica produção britânica chega ao final numa 6ª temporada repleta de violência, explosões, mortes e vinganças, além de boinas, roupas masculinas impecáveis, rock contemporâneo, visual espetacular e luta contra o fascismo. Embora chegue apenas nesta sexta (10/6) na Netflix, a reta final da produção foi exibida no Reino Unido entre 27 de fevereiro e 3 de abril, e o episódio de estreia atingiu a maior audiência de toda a série ao mostrar o destino de Polly Shelby, personagem da atriz Helen McCrory, que morreu em abril do ano passado devido a um câncer de mama. O final teve praticamente a mesma audiência e ainda rendeu comoção nacional. “Peaky Blinders” se baseia livremente em fatos reais para contar como Thomas Shelby (Cillian Murphy), um veterano da 1º Guerra Mundial, transformou sua família e amigos numa perigosa gangue de rua dos anos 1920 e, pouco a pouco, estabeleceu uma reputação de ser um homem tão perigoso quando respeitável, ampliando sua influência por todo o Reino Unido. Não contente em conquistar seu bairro, ele expandiu seus negócios ilícitos até os EUA e virou político, sendo eleito para o parlamento britânico. Mas também conquistou inimigos à sua altura, entre gangues e políticos rivais, além do IRA, grupo terrorista que luta pela independência da Irlanda. Desde sua estreia em 2013, a série criada por Steven Knight recebeu críticas elogiosíssimas, mas só virou um enorme fenômeno ao começar a ser transmitida na Netflix. Entre os prêmios conquistados, estão o BAFTA TV (o Emmy britânico) de Melhor Série Dramática do Reino Unido em 2018. | FOR ALL MANKIND | APPLE TV+ Em sua 3ª temporada, a ousada sci-fi da Apple TV+ chega aos anos 1990 com uma nova corrida espacial, desta vez rumo ao planeta Marte. Desenvolvida por Ronald D. Moore, criador do reboot de “Battlestar Galactica” e da série “Outlander”, a atração explora uma linha temporal alternativa da história, que leva a Guerra Fria até o espaço com consequências dramáticas. Na realidade da série, os astronautas soviéticos foram os primeiros a pousar na Lua e a trama imagina o impacto deste feito na corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética. A 1ª temporada concentrou-se principalmente numa recriação alternativa dos 1970, com avanços que não existiram na época – como a participação de astronautas femininas nos primeiros voos para a Lua. A 2ª temporada levou a história aos anos 1980, com a criação de uma Força Espacial americana para enfrentar batalhas lunares, e os novos episódios mostram como a competição das duas potências acelerou a conquista de Marte. O protagonista é o ator Joel Kinnaman (“Esquadrão Suicida”), que vive um dos principais astronautas da NASA, e o elenco também inclui Michael Dorman (“Patriot”), Wrenn Schmidt (“The Looming Tower”), Jodi Balfour (“The Crown”), Chris Bauer (“True Blood”), Sarah Jones (“Damnation”), Sonya Walger (“Lost”), Shantel VanSanten (“O Atirador”) e Michael Harney (“Orange Is the New Black”). | IRMA VEP | HBO MAX A minissérie estrelada pela sueca Alicia Vikander, vencedora do Oscar por “A Garota Dinamarquesa” (2015), é baseada no filme homônimo do francês Olivier Assayas, originalmente lançado em 1996, e tem seus oito episódios escritos e dirigidos pelo próprio cineasta. Na trama, Vikander interpreta Mira, uma estrela de Hollywood desiludida com sua carreira em filmes de super-heróis e enfrentando uma separação recente, que se muda para a França para estrelar um remake do clássico do cinema mudo “Les Vampires”. Aos poucos, porém, as distinções entre atriz e personagem passam a se apagar, graças aos métodos alucinados do diretor à frente do projeto. A atração inclui entre seus produtores Sam Levinson, o criador de “Euphoria”, e ainda traz em seu elenco os atores Tom Sturridge (o “Sandman” da Netflix), Adria Arjona (“Morbius”), Vincent Lacoste (“Amanda”), Byron Bowers (“Personal Shopper”), Fala Chen (“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”), Carrie Brownstein (“Portlandia”), Jeanne Balibar (“Barbara”) e a estreante Devon Ross. | BECOMING ELIZABETH | STARZPLAY A nova superprodução dramática sobre a genealogia da monarquia britânica conta a história da Princesa Elizabeth, antes dela se tornar Elizabeth I, uma das mais poderosas monarcas da História do Reino Unido. Embora não faça parte da mesma franquia, a trama serve de continuação para a trama da saga baseada nos livros da escritora Philippa Gregory, introduzida em “The White Queen”, continuada em “The White Princess” e concluída em “The Spanish Queen” – minisséries também disponíveis na Starzplay. Afinal, Elizabeth é filha de Ana Bolena, por quem seu pai se separou da “rainha espanhola” Catarina de Aragão, a primeira das seis esposas de Henrique VIII. “Becoming Elizabeth” começa justamente com a morte de Henrique VIII e a ascensão do irmão caçula de Elizabeth, Eduardo VI. A série vai mostrar como princesa precisou contar com a morte de dois irmãos e uma prima, que estavam à sua frente na linha sucessória, para virar rainha aos 25 anos. A série foi desenvolvida por Anya Reiss (“Ackley Bridge”), tem direção do cineasta Justin Chadwick (“Amor & Tulipas”) e destaca em seu elenco a alemã Alicia von Rittberg (“Ventos da Liberdade”) como Elizabeth, além de Jamie Blackley (“The Last Kingdom”), Romola Garai (“As Sufragistas”), Alexandra Gilbreath (“Amor & Tulipas”), Jamie Parker (“1917”), Leo Bill (“Taboo”), Oliver Zetterström (“The Romanoffs”) e Bella Ramsey (“Game of Thrones”), entre outros. Estreia no domingo (12/6). | INTIMIDADE | NETFLIX A nova série espanhola da Netflix trata de crimes contra a privacidade numa trama com difamação, assédio, chantagem e pornografia de vingança. Criada por Laura Sarmiento (“Diablero”) e Verónica Fernández (“Longe de Você”), a produção foi inspirada pelo vazamento de dois vídeos sexuais que viraram notícia na Espanha: de uma prefeita que teve a carreira abalada e de uma operária que se suicidou após o tratamento que passou a receber dos colegas em sua fábrica. A trama faz uso de situações similares e acrescenta a história de uma adolescente que tem que lidar com outro vazamento desagradável na escola. O pano de fundo nos três casos é o mesmo: três mulheres de diferentes idades e posições, que veem sua privacidade ruir quando seus ex-parceiros decidem, por diferentes razões, tornar públicas ou ameaçar tornar públicas fotografias e vídeos de natureza sexual. Os críticos espanhóis elogiaram e consideraram a série muito necessária para o país. | PRIMEIRA MORTE | NETFLIX Baseada num conto da escritora Victoria “V.E.” Schwab, a série gira em torno de Juliette, uma vampira adolescente que precisa fazer sua primeira morte. Ela mira numa nova garota na cidade chamada Calliope, sem saber que seu alvo descende de uma família de caçadores de vampiros. Por conta de seus objetivos inconfessos, as duas acabam se aproximando, até um pouco demais para desgosto de suas famílias, que declaram guerra quando elas virarem namoradas. O resultado sugere uma versão de “Romeu e Julieta” com duas Julietas (o nome Juliette não deve ser casual) e, claro, vampiros. A atração é produzida pela atriz Emma Roberts (“American Horror Story”), que adorou a história original, publicada em 2020 pela escritora Victoria “V.E.” Schwab numa antologia de contos de vampiros, e comprou os direitos de adaptação para sua produtora, Belletrist Productions. Além disso, ela convenceu a própria autora a desenvolver a adaptação. Schwab assina os roteiros da série, enquanto Felicia D. Henderson (“The Punisher”) atua como showrunner. Já o elenco destaca Sarah Catherine Hook (“Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio”) e Imani Lewis (“Hightown”) como as protagonistas, além de Elizabeth Mitchell (“Lost”, “The Expanse”), Jason R. Moore (“O Justiceiro”), Aubin Wise (“Atlanta”), Will Swenson (“O Mundo Sombrio de Sabrina”), Gracie Dzienny (“Zoo”) e Phillip Mullings Jr. (“American Soul”). | MANAYEK | HBO MAX O título é uma gíria israelense que significa polícia. Nesta produção tensa, um veterano investigador da Divisão de Assuntos Internos prestes a se aposentar esbarra em um caso de corrupção policial onde o principal suspeito é o seu melhor amigo, um oficial condecorado. Criada por Roy Iddan (“Kfula”) e estrelada por Shalom Assayag (“Kfula”), Amos Tamam (“O Espião”) e Liraz Chamami (“Um Jantar Quase Perfeito”), foi considerada a melhor série de 2020 pela Academia de TV de Israel. | DO NADA, GRÁVIDA | NETFLIX Comédia de calamidades dramáticas, a produção dinamarquesa gira em torno de uma médica especialista em fertilidade que descobre estar prestes a entrar na menopausa. Vendo a janela da gravidez se fechar, ela entra em desespero e, num impulso etílico, decide resolver o problema com esperma doado por um ex-namorado, que se encontra armazenado na clínica em que trabalha. Para complicar, ela é apaixonada por esse ex até hoje e percebe que não tem como explicar porque subitamente espera um filho dele. É quando tem uma nova ideia brilhante: transar com dois homens para ninguém ter certeza de quem é o pai da criança. Só que cada decisão equivocada gera apenas mais complicações. A performance da atriz Josephine Park (“Zona de Confronto”) é o maior atrativo da série criada por Nikolaj Feifer (“Banken: New Normal”) e Amalie Næsby Fick (“Sex”). | HOSPITAL NEW AMSTERDAM | GLOBOPLAY A 3ª temporada da atração estrelada por Ryan Eggold (o Tom Keen de “The Blacklist”) foi exibida nos EUA em 2021 e começa em plena pandemia da covid-19. Os capítulos marcaram pelo menos uma baixa significativa no elenco, mas também o início de um novo romance para o Dr. Max Goodwin (Eggold), o diretor médico do hospital Bellevue, em Nova York, que quer restaurar o local, atualmente em situação precária, à sua antiga glória. A série é baseado no livro de memórias do Dr. Eric Manheimer, intitulado “Doze Pacientes: Vida & Morte no Hospital Bellevue”, que foi adaptado por David Schulner (criador da série “Do No Harm”) com consultoria do próprio...
“Belfast”, “Ghostbusters” e os filmes pra ver em casa no fim de semana
Um drama vencedor do Oscar 2022 é a principal estreia da programação digital da semana, que traz vários exemplos de como a intolerância transforma o mundo num lugar difícil de se viver – e pode até semear genocídio. Mas quem quiser fugir das complicações da vida real também encontra opções entre comédias de fantasia, tiroteios escapistas e títulos infantis, que chegam ao streaming e nas locadoras digitais. Confira abaixo 10 novidades recomendadas para seu cinema em casa. | BELFAST | VIVO PLAY, VOD* Vencedor do Festival de Toronto e do Oscar de Melhor Roteiro Original, o novo filme de Kenneth Branagh (“Morte no Nilo”) recria as lembranças da infância do diretor-roteirista na cidade do título durante os anos 1960. Predominantemente em preto e branco, a trama de época é apresentado pelo olhar de um menino de uma família trabalhadora e alterna momentos de nostalgia alegre com cenas de tensão, evocando os sonhos, as músicas e até as séries do período, mas também os perigos da era dos “troubles”, quando enfrentamentos entre nacionalistas que queriam a independência do país e as autoridades leais ao Reino Unido viravam batalhas campais. A tensão da ameaça de confrontos nas ruas e a cobrança constante de posicionamentos políticos levam o pai do menino a considerar mudar-se com a mulher e os filhos para a Inglaterra. Mas essa possibilidade aperta o coração da criança, que não quer separar-se dos avôs que adora e da menina que finalmente começou a reparar nele. O elenco da produção destaca Jamie Dornan (“Cinquenta Tons de Cinza”) e Caitriona Balfe (“Outlander”) como os pais, Judi Dench (“007 – Operação Skyfall”) e Ciaran Hinds (“Game of Thrones”) como os avôs, Lewis McAskie (“Here Before”) como o irmão mais velho e o menino Jude Hill no papel de alter-ego mirim de Branagh em sua estreia no cinema. | ARREMESSANDO ALTO | NETFLIX Nesta história de esportes e superação, Adam Sandler tem um papel dramático e bem diferente de suas outras produções para a Netflix. Ele vive um “olheiro”, que descobre o talento de um jogador de basquete estrangeiro e o convence a vir aos EUA para tentar fazer sucesso na NBA. Entretanto, nada corre como planejado, deixando o atleta espanhol dividido por ter deixado a filha pequena para apostar num sonho cada vez mais impossível. O filme é resultado de uma parceria entre Sandler e o jogador de basquete LeBron James (de “Space Jam: Um Novo Legado”), que assina a produção. O roteiro é de Will Fetters (“Nasce uma Estrela”) e Taylor Materne (“Uma Semana a Três”), a direção de Jeremiah Zagar (“We the Animals”) e o elenco ainda inclui Ben Foster (“A Qualquer Custo”), Queen Latifah (“The Equalizer”), Robert Duvall (“O Juiz”) e o jogador Juancho Hernangómez, do Utah Jazz, que interpreta o protagonista em sua estreia como ator. | GHOSTBUSTERS – MAIS ALÉM | HBO MAX, VOD* Chegando agora na HBO Max, o novo “Ghostbusters” é divertido, mas também um exemplo perfeito da atual moda de Hollywood, que tem lançado falsas continuações para recomeçar franquias do zero com um novo elenco. O nome disso em inglês é “reboot sequel”, mas no Brasil se chama de recauchutagem. Dirigida por Jason Reitman (“Juno”, “Tully”), filho do diretor dos dois primeiros “Caça-Fantasmas”, a comédia tem muitas referências, repetições de frases, recriações de cenas e até participação do elenco original dos anos 1980. Mas os protagonistas são outros. A trama começa quando Carrie Coon (“The Leftovers”) se muda para a antiga casa herdada do pai, de quem ela pouco falou para os filhos – Mckenna Grace (“Annabelle 3: De Volta para Casa”) e Finn Wolfhard (“Stranger Things”). Mas logo fica claro para o público que as crianças são netas do Dr. Egon Spengler (o Caça-Fantasmas interpretado pelo falecido Harold Ramis). Quando estranhos fenômenos começarem a acontecer na região, os garotos decidem seguir o legado do vovô e virar Caça-Fantasmas mirins, contando para isso com a ajuda de um professor de sua escola (Paul Rudd, o “Homem-Formiga”). | ALEMÃO 2 | CLARO TV+, VIVO PLAY, VOD* Lançado em 2014, o primeiro filme mostrava uma equipe policial encurralada por traficantes no morro do Alemão, no Rio, e se tornou um dos melhores thrillers brasileiros recentes. A continuação vai pela mesma trilha, acompanhando outra equipe encurralada após uma operação contra um líder do tráfico dar errado. Novamente dirigido por José Eduardo Belmonte, “Alemão 2” lembra que o Brasil sabe fazer bons thrillers policiais. Totalmente tenso e repleto de ação, o filme ainda embute crítica social e supera o primeiro por ser ainda mais realista. E o elenco também merece aplausos pela entrega, em particular Leandra Leal (“Aruanas”), Vladimir Brichta (“Bingo: O Rei das Manhãs”), Gabriel Leone (“Dom”), Mariana Nunes (“Carcereiros”), Aline Borges (“Verdades Secretas”), Dan Ferreira (“Segundo Sol”), Digão Ribeiro (“Dom”) e Zezé Motta (“3%”). | TED BUNDY: A CONFISSÃO FINAL | VIVO PLAY, VOD* O drama criminal se concentra nos últimos dias de Ted Bundy no corredor da morte, destacando a complicada relação formada entre ele e o analista do FBI Bill Hagmaier, para quem o famoso serial killer prometeu contar tudo o que não confessara durante o julgamento de seus crimes – e a quem começou subitamente a chamar de seu melhor amigo. Dirigido por Amber Sealey (“How to Cheat”), o filme traz Elijah Wood (o Frodo de “O Senhor dos Anéis”) como Hagmaier e Luke Kirby (o Lennie Bruce da “Maravilhosa Sra. Meisel”) como Bundy. | BLUE BAYOU | VIVO PLAY, VOD* O drama contundente de Justin Chon (diretor da série “Pachinko”) conta uma história terrível de racismo estrutural e intolerância que ameaçam destruir uma família no estado americano da Louisiana. O cineasta também assina o roteiro e estrela o longa como Antonio LeBlanc, um homem adotado ainda criança na Coreia por um casal americano, que passou praticamente toda a vida nos EUA. Até o dia em que sua mulher grávida (Alicia Vikander, de “Tomb Raider”) e filha adotiva são confrontadas por policiais abusivos num supermercado e ele resolve retirá-las do local. Preso por resistir às autoridades, ele acaba virando vítima da burocracia kafkiana e sofre ameaça de deportação por ser um estrangeiro, agora com ficha policial. Exibido no Festival de Cannes, venceu o prêmio do público de outro festival francês, Deauville. | ÁRVORES DA PAZ | NETFLIX O primeiro longa-metragem de Alanna Brown (atriz americana da série “Nova Iorque Contra o Crime”) venceu 11 prêmios internacionais ao contar uma história de amizade e sobrevivência durante um genocídio. A trama se passa em Ruanda no ano de 1994, durante a guerra civil sangrenta que dizimou a etnia Tutsi no país, e acompanha quatro desconhecidas, que se trancam num porão enquanto o pior acontece. O que era para ser um esconderijo provisório se transforma moradia, conforme os dias passam e o ódio só aumenta nas ruas, transformando as quatro desconhecidas trancafiadas em melhores amigas. Vale reparar que apenas uma das protagonistas é realmente de Ruanda: Eliane Umuhire (“Neptune Frost”). As demais são duas australianas – Charmaine Bingwa (da série “The Good Fight”) e Ella Cannon (de “iZombie”) – e uma americana – Bola Koleosho (de “Cara Gente Branca”). | FABIAN – O MUNDO ESTÁ ACABANDO | MUBI O Fabian do título é um publicitário que vagueia pelos clubes mais decadentes de Berlim em busca de emoção, até ver seu mundo virar do avesso ao se apaixonar por uma atriz judia. Só que, na Alemanha dos anos 1930, não é apenas seu mundo que está desmoronando… Logo, seus planos e esperanças se tornam rapidamente ultrapassados pela ascensão do nazismo que torna tudo ao seu redor irremediavelmente sombrio. Diferente da primeira adaptação do romance biográfico de Erich Kästner, lançada em 1980, a versão do veterano diretor Dominik Graf (“Duas Irmãs, Uma Paixão”) narra a história do personagem interpretado por Tom Schilling (“Lara”) não como um drama de época, mas como um alerta sobre o presente, alimentado por uma cena de abertura virtuosa, que começa numa estação moderna de metrô de Berlim, antes de emergir em 1931. Afinal, simpatizantes dos nazistas estão voltando ao poder nos dias que correm. Vencedor de três troféus da Academia Alemã de Cinema, inclusive de Melhor Filme de 2021, tem 87% de aprovação no Rotten Tomatoes. | DETETIVES DO PRÉDIO AZUL 3: UMA AVENTURA NO FIM DO MUNDO | CLARO TV+, VIVO PLAY, VOD* Produção para crianças pequenas, a aventura ao estilo “Harry Potter brasileiro” sofreu um atraso de dois anos no planejamento original devido à pandemia e transformou o longa dirigido por Mauro Lima (“Tim Maia”) numa despedida tardia do trio de protagonistas, Bento (Anderson Lima), Sol (Leticia Braga) e Pippo (Pedro Motta), substituídos desde 2021 por um novo time de detetives mirins nos episódios da atração do canal Gloob A trama acompanha o trio e a feiticeira-aprendiz Berenice (Nicole Orsini) numa viagem até o Fim do Mundo – também chamado de Argentina – para salvar o porteiro Severino (Ronaldo Reis) da influência de um objeto místico maligno. Mas, para isso, eles precisam vencer também a bruxa Duvíbora (vivida por Alexandra Richter, de “Minha Mãe é uma Peça”) e sua filha Dunhoca (Klara Castanho, de “De Volta aos 15”), que farão de tudo para colocar as mãos na relíquia. Entre outras participações, o elenco ainda inclui Lázaro Ramos (“O Silêncio da Chuva”), Alinne Moraes (“Tim Maia”) e Rafael Cardoso (“Salve-se quem Puder”). | TARSILINHA | AMAZON PRIME VIDEO A animação brasileira imagina aventuras infantis de Tarsila Amaral no universo de suas pinturas modernistas. No filme dirigido por Célia Catunda e Kiko Mistrorigo (de “Peixonauta” e “O Show da Luna”), Tarsilinha é uma espécie de Alice nacional, que em vez de correr atrás do coelho branco, persegue uma lagarta. Ao descobrir que a lagarta roubou a memória de sua mãe, ela entra em um mundo fantástico, povoado por estranhos seres, para tentar recuperá-la. Os personagens do filme vêm diretamente de quadros, como A Cuca, o sapo Cururu, a Lagarta e o Tatu, culminando na grandiosa figura do Abaporu, inspirada no mais famoso quadro da pintora. Além disso, a busca de Tarsilinha diz respeito à recuperação da memória brasileira. Assim, o aspecto lúdico do filme conduz a um subtexto bastante culto, levando as crianças por uma jornada de aventuras que revela o maravilhoso mundo do modernismo. * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Google Play, Microsoft Store, Loja Prime e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.
Confira as 12 estreias de cinema da semana
Com o circuito praticamente dominado por blockbusters, as distribuidoras decidiram lançar mais 12 títulos nesta quinta (9/6). Trata-se da maior quantidade de estreias simultâneas deste ano. Quem tiver acesso às salas especializadas pode comemorar a chegada de um dos maiores destaques recentes do cinema francês, que mantém a qualidade elevada da programação “de arte”. Já os multiplexes recebem em torno de 300 cópias de thrillers americanos medianos, que tendem a ser ignorados entre “Jurassic World: Domínio”, “Top Gun: Maverick” e “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura”. Veja abaixo todos os títulos, os trailers e os comentários que separam os melhores do resto. | ILUSÕES PERDIDAS | Maior destaque da semana e grande vencedor do César (o Oscar francês) de 2022, o filme de Xavier Giannoli (“Marguerite”) é uma adaptação do famoso romance homônimo de Honoré de Balzac. O personagem central é Lucien, um jovem na França do século 19 que sonha virar poeta, mas acaba como jornalista, perdendo as ilusões do título ao se ver num mundo condenado à lei do lucro e das falsidades, onde tudo se compra e se vende, da literatura à imprensa, da política aos sentimentos, das reputações às almas. Mas também é um mundo de amores balsaquianos. Além do troféu de Melhor Filme, conquistou mais cinco categorias no César 2022, incluindo Roteiro e Ator mais Promissor para Benjamin Voisin (“Verão 85”), intérprete de Lucien. O elenco ainda inclui Cécile de France (“A Crônica Francesa”), Vincent Lacoste (“Amanda”), Xavier Dolan (“It – Capítulo 2”), Jeanne Balibar (“Guerra Fria”), André Marcon (“O Oficial e o Espião”) e o veterano Gérard Depardieu (“Bem-Vindo a Nova York”). | JESUS KID | O novo filme escrito e dirigido por Aly Muritiba (premiado no Festival de Veneza por “Deserto Particular”) também é uma adaptação literária. Baseado no romance homônimo de Lourenço Mutarelli (“O Cheiro do Ralo”), registra o surto de um escritor de westerns de bolso, confinado num hotel e pressionado a criar rapidamente um roteiro cinematográfico sobre sua carreira frustrada. O roqueiro Paulo Miklos (“Manhãs de Setembro”) vive o protagonista, que, em crise de ansiedade, desenvolve paranoia aguda e passa a ver bandidos por toda a parte, além do herói de seus livros, o Jesus Kid vivido por Sergio Marone (“Os Dez Mandamentos”). “Jesus Kid” teve sua première virtual no Festival de Gramado do ano passado, quando venceu os troféus de Melhor Direção, Roteiro e Ator Coadjuvante (Leandro Daniel, de “Sentença”). | AMADO | O cinema e a TV já mostraram muitas histórias de policial incorruptível enfrentando colegas que são bandidos de farda. Esta se diferencia pela pegada mais realista, resultante das locações em Ceilândia, Brasília, onde a história verdadeira supostamente aconteceu, além de uma estética semi-documental vibrante. Sérgio Menezes (“Hard”) vive o Amado do título, um PM que pode ser taxado de truculento, mas nunca de corrupto. Quando se recusa a repartir dinheiro de traficantes apreendido numa batida, ele se torna alvo dos colegas da corporação. A direção é compartilhada por Edu Felistoque (“Cracolândia”) e Erik De Castro (“Cano Serrado”). | ATÉ A MORTE – SOBREVIVER É A MELHOR VINGANÇA | O suspense com clima de terror já começa com Megan Fox (“As Tartarugas Ninja”) acordando algemada ao cadáver do marido, como parte de uma vingança doentia, enquanto dois assassinos se preparam para matá-la. O melhor dessa premissa típica de produção B é que se trata apenas do ponto de partida, conduzindo a muitas reviravoltas e tensão, que valorizam o filme a ponto de torná-lo o melhor da atriz em dez anos, desde que ela coadjuvou a comédia “Bem-vindo aos 40” em 2012. O primeiro longa de Scott Dale também traz em seu elenco Eoin Macken (“Game of Thrones”), Aml Ameen (“Sense8”), Callan Mulvey (“300: A Ascensão do Império”) e Jack Roth (“Bohemian Rhapsody”). A produção é de David Leslie Johnson-McGoldrick, roteirista da franquia “Invocação do Mal”. | ASSASSINO SEM RASTRO | O novo filme de Liam Neeson é, inevitavelmente, mais um thriller de ação. Não importa que tenha completado 70 anos na terça passada (7/6), o ator segue dando tiros e correndo sem parar – com ajuda de dublês – desde que se aposentou da CIA – ou seja, desde que “Busca Implacável” (2008) estourou nas bilheterias. Desta vez, Neeson vive um assassino experiente na mira do FBI. Quando se recusa a concluir um trabalho para uma organização criminosa, vira êmulo de John Wick para caçar e matar as pessoas que o contrataram, antes que eles – ou o FBI – o encontrem primeiro. Para complicar, sua memória começa a vacilar e ele é forçado a questionar todas as suas ações, inclusive em quem pode confiar. A direção é de outro veterano: Martin Campbell, que assinou dois filmes de “007”. Isto ajuda “Assassino sem Rastro” a ser melhor que “Agente das Sombras”, “Missão Resgate”, “Na Mira do Perigo”, “Legado Explosivo” e outras bombas recentes da carreira do ator. | UM DIA PARA SEMPRE! | Convidada para o casamento de seu melhor amigo, a jovem Zazie (Alicia von Rittberg, de “Corações de Ferro”) acha que ele vai cometer um erro e decide impedi-lo de se casar. Mas ao decidir agir, se ver presa numa repetição infinita da cerimônia e incapaz de mudar o desfecho do dia. A comédia que junta confusão em casamento e looping temporal foi escrita e dirigida por Maggie Peren, do sucesso “Uma Amizade Inesperada” (2017). | ENQUANTO VIVO | Atriz e cineasta premiada, Emmanuelle Bercot (“De Cabeça Erguida”) aborda um tema difícil. Um filho em negação de uma doença grave e uma mãe enfrentando o insuportável. Eles têm um ano para não perder tempo e entender o que significa morrer enquanto vivem. Benoît Magimel (“A Prima Sofia”) venceu o César de Melhor Ator do ano pelo papel do filho. A mãe é interpretada pela diva Catherine Deneuve, em seu terceiro trabalho com a diretora após “Ela Vai” e “De Cabeça Erguida”, e o elenco ainda inclui Cécile de France (“A Crônica Francesa”). | A HORA DO DESESPERO | “A Hora do Desespero” é um exemplo típico das produções realizadas no auge da pandemia, com a atriz Naomi Watts (“Diana”) sozinha na tela em quase toda a totalidade da projeção. Na trama, a protagonista descobre, em meio de sua corrida diária, que há um atirador na escola de se filho. A pé e isolada numa estrada rural distante, tudo o que ela pode fazer é correr e usar o telefone para tentar falar com o filho, a polícia e até o atirador. A produção minimalista, que usa vozes como personagens, chega a lembrar “Culpa” – tanto o original dinamarquês quanto o remake “O Culpado” da Netflix – , mas nem um diretor veterano como Philip Noyce (“Salt”) foi capaz de superar os obstáculos dessa limitação narrativa, resultando num distanciamento social do filme. | AMOR DE REDENÇÃO | Mais conhecido por filmes de ação, o diretor D.J. Caruso (“xXx: Reativado”) assina seu primeiro romance. A história cheia de clichês é baseada num best-seller, por sua vez inspirado pela história bíblica de Oseias e sua esposa infiel. O anjo caído dessa novela – ou melhor, Angel – é uma jovem belíssima, que foi vendida e cresceu na prostituição, na metade do século 19, mas ganha a chance de se “redimir” ao conhecer um cliente disposto a se casar com ela. A protagonista é vivida por Abigail Cowen (a Dorcas de “O Mundo Sombrio de Sabrina”), o seu Oséias é Tom Lewis (“Gentleman Jack”) e o resto do elenco reforça a impressão de telefilme – de Nina Dobrev (“The Vampire Diaries”) a Eric Dane (“Grey’s Anatomy”). | BRASILEIRÍSSIMA – A HISTÓRIA DA TELENOVELA | O documentário de André Bushatsky (“A História do Homem Henry Sobel”) é uma jornada pela história das novelas, desde os primórdios até os dias atuais, mostrando momentos marcantes do gênero entremeados por depoimentos de produtores, escritores, diretores, especialistas e artistas – gente como Lima Duarte, Taís Araújo, Tony Ramos, Silvio de Abreu, Dennis Carvalho, Jorge Fernando, Glória Perez, Aguinaldo Silva, Jayme Monjardin, Pedro Bial, Ana Maria Braga e Boni, entre tantos outros. | ESPERO QUE ESTA TE ENCONTRE E QUE ESTEJAS BEM | Esta produção tem uma premissa parecida com a do filme “A Última Carta de Amor”, disponível na Netflix. Mas em seu primeiro longa como diretora, Natara Ney não filmou ficção. Tudo começou em janeiro de 2011, quando um lote com 180 cartas de amor foi encontrado em uma Feira de Antiguidades, todas escritas nos anos 1950 por uma moradora de Campo Grande/MS para o seu noivo no Rio de Janeiro. A partir desta descoberta, a editora de “Mato Sem Cachorro”, “Divinas Divas”, “Minha Fama de Mal” e mais de 20 filmes embarca numa investigação para localizar o antigo casal apaixonado e descobrir o desfecho do romance. | ESCRITA ÍNTIMA | O filme do português João Mário Grilo (“Longe da Vista”) também segue pistas deixadas por cartas, além de pinturas, fotografias e memórias, em busca da história de um casal. Entretanto, seu tema não é apresentar um romance de desconhecidos. Trata-se da trajetória dos celebrados pintores Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes, que abandonaram Paris durante a 2ª Guerra Mundial em busca de um refúgio no Rio de Janeiro. No exílio carioca, a pintora portuguesa começou a refletir nas suas obras sentimentos como a tristeza, a dor e a saudade, mas também se mostrou mais prolífica e atingiu um dos maiores reconhecimentos da carreira, com sua primeira exposição em Nova York.
As 10 melhores séries de maio
Ninguém consegue acompanhar todas as séries lançadas semanalmente por cada vez mais plataformas digitais. Dá para tentar assistir, no máximo, aos destaques. E mesmo assim, alguma produção importante pode passar batida entre as inúmeras novidades. Esta lista mensal serve de alerta para os interessados, reunindo as 10 melhores estreias recentes de streaming. Encabeçada pelo fenômeno “Stranger Thigs”, a mostra de maio é repleta de títulos de ficção científica. Metade da seleção pertence ao gênero, mas ainda há comédias, suspenses e um drama policial. Confira abaixo o Top 10 com detalhes e trailers de cada destaque. | STRANGER THINGS | NETFLIX Após três anos de espera e expectativa nas alturas, a série sobrenatural adolescente retornou com clima cinematográfico, deixando claro que não foram economizadas despesas na produção de sua 4ª temporada – supostamente mais cara que a temporada final de “Game of Thrones”. São mais efeitos, mais ação e mais personagens, resultando em tramas paralelas e capítulos bastante longos. Em resumo, os episódios exploram uma guerra iminente entre os jovens protagonistas da atração e as ameaças do Mundo Invertido, levando a turma das bicicletas a encarar um novo monstrão batizado com o nome de mais uma criatura de “Dungeons and Dragons”. O jogo, por sinal, se torna ainda mais importante, porque um dos novos personagens é um grande mestre dos calabouços de tabuleiro. Parte do elenco mirim ainda vai lidar com uma casa mal-assombrada relacionada a Freddy Krueger – na verdade, a residência pertence a um personagem atormentado vivido pelo astro da franquia “A Hora do Pesadelo”, Robert Englund. E ainda há as histórias de Eleven (Millie Bobby Brown), que busca recuperar seus poderes, e do xerife Hopper (Jim Harbour) preso na Rússia. Tudo isso é equilibrando com drama e humor, mas com muito mais terror que antes, resultando na temporada mais assustadora de toda a série. Lançada em duas partes, a 4ª temporada da criação dos irmãos Matt e Ross Duffer teve apenas sete de seus nove episódios disponibilizados em maio, com os dois remanescentes guardados para o dia 1º de julho. | OBI-WAN KENOBI | DISNEY+ Sequência direta da trilogia “Star Wars” dos anos 2000, a série se passa dez anos após os eventos de “Star Wars: A Vingança dos Sith” (2005) e mostra a perseguição ao personagem-título, que volta a ser interpretado por Ewan McGregor. Após desafiar o Império e fugir com os filhos de seu ex-pupilo Anakin Skywalker, Obi-Wan Kenobi se esconde no planeta Tatooine, acompanhando à distância o crescimento do jovem Luke. Mas o Império não desistiu de encontrar o velho mestre foragido, um dos poucos remanescentes do massacre da ordem Jedi, o que coloca em risco a segurança da menina Leia, sequestrada para tirar Kenobi de seu esconderijo. O elenco da produção também inclui Joel Edgerton e Bonnie Piesse, retomando seus papéis como os tios que criaram Luke Skywalker, Jimmy Smits como o Senador Organa, pai adotivo de Leia, além de Hayden Christensen, intérprete de Anakin, agora completamente transformado em Darth Vader. Escrita por Joby Harrold (“Rei Arthur: A Lenda da Espada”) e dirigida por Deborah Chow (“The Mandalorian”), a produção ainda inclui participações de Kumail Nanjiani (“Eternos”), Indira Varma (“Game of Thrones”), Rupert Friend (“Homeland”), O’Shea Jackson Jr. (“Straight Outta Compton”), Sung Kang (“Velozes e Furiosos 6”), Simone Kessell (“Terremoto: A Falha de San Andreas”), Maya Erskine (“PEN15”), o ator-cineasta Benny Safdie (“Bom Comportamento”), Moses Ingram (“O Gambito da Rainha”) formidável como vilã e a menina Vivien Lyra Blair (“Bird Box”), que rouba as cenas como a Leia mirim. Após os três primeiros capítulos, a série segue com episódios inéditos todas as quartas. STAR TREK: STRANGE NEW WORLDS | PARAMOUNT+ Nunca houve uma atração tão esperada. Foram nada menos que 58 anos para que “The Cage”, o mítico piloto rejeito de “Jornada nas Estrelas” em 1964, virasse uma série. Até recentemente um rodapé na história da franquia, o conceito original de Gene Roddenberry é a origem da nova série. Antes de criar o Capitão Kirk, Roddenberry concebeu o galante Capitão Pike no comando da nave Enterprise, acompanhado por uma imediata feminina, chamada apenas pelo codinome de Número 1. Entretanto, essa configuração foi rejeitada pelos executivos da NBC, levando o criador da série a mudar tudo. De todos os personagens, apenas um fez a transição do piloto rejeitado para a versão aprovada: o oficial alienígena Spock. Esta história seria mera curiosidade, não fosse a decisão do produtor de reciclar cenas do piloto de 1964 numa trama de duas partes da 1ª temporada de “Jornada nas Estrelas”, que revelou a tripulação perdida da Enterprise. Aquela aparição de 1966 gerou muita curiosidade, mas foi só décadas depois, em 2019, durante a 2ª temporada de “Star Trek: Discovery”, que os personagens esquecidos ganharam um novo e breve arco narrativo. Com os fãs indo a loucura, a Paramount+ percebeu que tinha atingido um nervo, e Akiva Goldsman (criador de “Titãs”), Alex Kurtzman (roteirista do reboot de “Star Trek”, de 2009) e Jenny Lumet (criadora de “Clarice”) receberam aprovação para criar uma série inteira centrada no comando do Capitão Pike. Além de Pike (interpretado por Anson Mount), Número 1 (Rebecca Romijn) e Spock (Ethan Peck), a atração foi vitaminada com outros personagens do cânone, como a jovem cadete Uhura e a enfermeira Christine Chapel, ambas da série de 1966, além do Dr. M’Benga, oficial médico que apareceu em dois episódios de “Jornada nas Estrelas”, e uma novidade curiosa: uma descendente do famoso vilão Khan como uma das três criações inéditas da produção. O detalhe é que a nostalgia não se restringe aos personagens. Ao contrário das narrativas serializadas das novas séries trekkers, o programa tem episódios contidos, uma história completa por semana, como a velha série original. Também é mais leve, divertida e com aventuras que remetem ao espírito dos capítulos dos anos 1960, inclusive se conectando a algumas tramas clássicas, como o noivado de Spock. Como resultado, a série da velha geração, a “Star Trek” antes do Capitão Kirk, consegue ser a melhor “Star Trek” desde “A Nova Geração” do Capitão Picard nos anos 1990. E também a mais “Star Trek” de todas as produções da franquia desde o voo inaugural da Enterprise. TEERÃ | APPLE TV+ Produzida por um dos mentores da premiada “Fauda” e criada pela equipe de “Magpie”, a série de espionagem israelense traz Niv Sultan (“The Stylist”) como uma hacker nascida em Teerã, que se tornou agente do Mossad e volta ilegalmente ao Irã para uma missão secreta: destruir uma usina nuclear. O plano dá errado e na 2ª temporada, enquanto tenta passar despercebida, ela é contatada por uma nova personagem vivida por Glenn Close (“A Esposa”), que lhe transmite uma nova missão perigosa. Só que a chefe pode estar escondendo algo, que inevitavelmente colocará a vida da espiã em risco. Repleto de ação, perseguições e tiroteios, o thriller recebeu críticas muito positivas, atingindo 94% de aprovação no Rotten Tomatoes em sua 1ª temporada, além de ter vencido o Emmy Internacional como Melhor Série de Drama. O elenco também destaca Shaun Toub (de “Homeland”), Navid Negahban (“Aladdin”), Shervin Alenabi (“Gangs of London”) e Liraz Charhi (“Jogo de Poder”). THE WILDS | AMAZON PRIME VIDEO As reviravoltas explodem em tensão na 2ª temporada. Originalmente apresentada como uma variação de “Lost”, a série começou com um grupo de garotas adolescentes numa ilha deserta, após sobreviverem a um acidente de avião. Só que, na verdade, nunca houve acidente. Elas foram colocadas na ilha de forma proposital. E após passarem por desafios físicos e mentais, descobrem que não foram as únicas a participar da experiência ilegal de cientistas sem ética. Um conjunto de rapazes também está em outra ilha. Mas os responsáveis pela experiência jamais imaginaram que os dois grupos pudessem se encontrar. A trama de sobrevivência física e desafio psicológico foi criada pela roteirista-produtora Sarah Streicher (“Demolidor”) e destaca em seu elenco as jovens Sophia Ali (“Grey’s Anatomy”), Jenna Clause (“Cold Brook”), Reign Edwards (“Snowfall”), Shannon Berry (“Hunters”), Helena Howard (“Don’t Look Deeper”), Erana James (“Golden Boy”), Sarah Pidgeon (“Gotham”) e a estreante Mia Healey, além dos adultos Rachel Griffiths (“Brothers & Sisters”), David Sullivan (“Objetos Cortantes”) e Troy Winbush (“Os Goldbergs”). | HACKS | HBO MAX Rara série com 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, “Hacks” venceu três prêmios Emmy em sua temporada inaugural – Melhor Roteiro, Direção e Atriz. Criação de Paul W. Downs, Lucia Aniello e Jen Statsky, todos roteiristas de “Broad City”, a atração traz Jean Smart (“Watchmen”) como uma lendária comediante de Las Vegas. Enfrentando a decadência e a falta de humor, ela se vê compelida a contratar uma jovem estrela da internet para lhe escrever novas piadas, mas as duas se odeiam à primeira vista, até perceberem que o desprezo de uma pela outra é o ingrediente ideal para uma boa parceria. A “estagiária” do humor é interpretada pela novata Hannah Einbinder. Além de co-escrever e co-produzir a série, Aniello também dirige e Downs integra o elenco da atração – que ainda inclui Carl Clemons-Hopkins (“Chicago Med”), Kaitlin Olson (“It’s Always Sunny in Philadelphia”), Christopher McDonald (“Professor Iglesias”), Mark Indelicato (“Ugly Betty”), Poppy Liu (“Sunnyside”), Johnny Sibilly (“Pose”), Meg Stalter (“The Megan Stalter Show”) e Rose Abdoo (“Duas Tias Loucas de Férias”). | MADE FOR LOVE | HBO MAX Baseada no romance homônimo da criadora Alissa Nutting (“False Positive”), a comédia sci-fi com 94% de aprovação no Rotten Tomatoes gira em torno de um casal, Byron e Hazel, que inaugura uma tecnologia capaz de compartilhar pensamentos e manifestá-los com imagens realistas. Tudo parece ir bem, até que Hazel resolve pedir o divórcio. E isso cria um problema crucial: o que fazer com o chip caríssimo e invasivo implantado em seu cérebro? Após escapar do controle do marido megalômano, a 2ª temporada acompanha Hazel provisoriamente de volta ao “lar”, para que Byron use sua tecnologia revolucionária no pai dela, que sofre com câncer terminal. Os personagens são vividos por Cristin Milioti (“Black Mirror”) e Billy Magnussen (“A Noite do Jogo”), além de Ray Romano (“O Irlandês”) como o pai viúvo de Hazel, que mora com uma “garota sintética”. A CIDADE É NOSSA | HBO MAX Criada pela dupla George Pelecanos e David Simon, da cultuada série “A Escuta” (The Wire), e dirigida por Reinaldo Marcus Green, o cineasta de “King Richard: Criando Campeãs”, a minissérie criminal acompanha uma força tarefa do Departamento de Polícia de Baltimore, que utiliza a guerra contra as drogas como fachada para roubar dinheiro do tráfico. A história é real e baseada no livro homônimo escrito por Justin Fenton, repórter do jornal Baltimore Sun. E seu elenco destaca Jon Bernthal (“O Justiceiro”), Wunmi Mosaku (“Loki”), Jamie Hector (“Bosch”), Don Harvey (“The Deuce”), McKinley Belcher III (“The Passage”), Jermaine Crawford (“A Escuta”) e Treat Williams (“Everwood”), entre outros. THE MAN WHO FELL TO EARTH | PARAMOUNT+ Outra sci-fi criada por Alex Kurtzman e Jenny Lumet (“Star Trek: Strange New Worlds”) também é destaque na Paramount+. Trata-se de uma continuação do filme “O Homem que Caiu na Terra” (1976), que traz Chiwetel Ejiofor (“12 Anos de Escravidão”) como um alienígena em busca de salvação para seu mundo. Sua chegada é uma resposta ao sinal enviado há mais de 40 anos pelo extraterrestre original – interpretado por David Bowie em 1976 e por Bill Nighy (“Simplesmente Amor”) como sua versão mais velha – , que abandonou sua missão e vive recluso desde a descoberta de sua identidade. A atração apresenta o protagonista em dois tempos, em flashforward como um inventor-empresário visionário e durante sua chegada à Terra, quando era ingênuo, sem filtro e sempre se metia em confusões – inclusive com a polícia – , tentando aprender o idioma local e habilidades sociais para passar despercebido. Suas aparições iniciais rendem cenas engraçadas, mas também dramáticas, pois seu destino se mostra ligado ao de uma mãe solteira endividada (Naomie Harris, de “007 – Sem Tempo Para Morrer”), que trabalha...
“Sonic 2”, “Animais Fantásticos 3” e mais filmes pra ver em casa
A sessão de cinema em casa destaca dois títulos populares de apelo juvenil, que estiveram recentemente em cartaz nas salas de exibição. Mas os adultos estão mais bem-servidos, graças a uma seleção de thrillers intensos, comédias divertidas e dramas premiados, que chegam às plataformas digitais sem passar pelas filas de ingressos dos multiplexes nacionais. Confira abaixo as 10 principais novidades da semana nos serviços de assinatura e locação online. | SONIC 2: O FILME | CLARO TV+, VIVO PLAY, VOD* No mesmo tom de comédia infantil do primeiro filme, mas com mais personagens digitais, “Sonic 2” volta a mostrar que não há problemas que o ouriço mais veloz do mundo não possa vencer e canastrice que Jim Carrey não seja capaz de superar. Como o vilão bigodudo Dr. Ivo Robotnik, desta vez o comediante alista o fortão Knuckles para lutar contra Sonic e seu novo aliado Tails, recriando elementos da famosa franquia de videogames da SEGA – em meio a muitas citações de filmes de super-heróis. Com personagens animados ligeiros e imagens de colorido intenso, a produção foca especificamente o público infantil, sem perder tempo em apresentar atrativos para os jovens adultos que cresceram jogando “Sonic”. | ANIMAIS FANTÁSTICOS: OS SEGREDOS DE DUMBLEDORE | CLARO TV+, HBO MAX, VIVO PLAY, VOD* O terceiro e possivelmente último filme da franquia “Animais Fantásticos” mantém o visual suntuoso de “Harry Potter” e oferece momentos divertidos para os fãs dos personagens. Mas sofre com a falta de concisão dos roteiros de JK Rowling, que deixam claro como o papel do roteirista Steve Kloves foi subestimado na adaptação da saga original. Novamente dirigido por David Yates, que assinou todos os “Animais Fantásticos”, além dos quatro últimos “Harry Potter”, as 2h22 de filme passam de forma arrastada e aos trancos, sem nem sequer explicar porque o vilão Grindelwald trocou de rosto, com a substituição de Johnny Depp (antagonista em “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”) por Mads Mikkelsen (“Hannibal”) durante as filmagens. O motivo foi o escandaloso processo aberto por Depp contra o jornal The Sun, contestando um artigo que o chamou de espancador de esposa. Depp perdeu, virou legalmente um espancador de esposa e foi convidado a se retirar do filme. Representando a emergência do fascismo nos anos 1930, época em que o filme se passa, Grindelwald tenta transformar seus planos de extermínio em plataforma político-eleitoral, ao mesmo tempo em que o suposto protagonista Newt Scamander (Eddie Redmayne) embarca numa nova missão para justificar a quantidade absurda de coadjuvantes sem função na história, incluindo desta vez uma bruxa vivida pela brasileira Maria Fernanda Cândido (quase sem diálogos). Vários personagens que estiveram nos dois filmes anteriores voltam se amontoar na trama, incluindo Jude Law (Alvo Dumbledore) Ezra Miller (Credence/Aurelius Dumbledore), Alison Sudol (Queenie Goldstein), Dan Fogler (Jacob Kowalski), Katherine Waterston (Tina Goldstein), Callum Turner (Theseus Scamander) e Jessica Williams (Eulalie “Lally” Hicks), disputando minutos de cenas com as novidades do elenco. A falta de foco seria um dos motivos dos baixos 47% de aprovação no Rotten Tomatoes e a pior bilheteria entre todos os títulos do universo “Harry Potter”. Outro motivo seria a desimportância dos tais segredos de Dumbledore, a menos que se considere bombástico o fato do diretor de Hogwarts ter vivido no armário durante todos os filmes do bruxinho. A nova produção confirma que ele e Grindelwald costumavam ser… bem íntimos. Há também revelações sobre o sobrinho do mestre bruxo, que mal registram como detalhes periféricos. | LIVRAI-NOS DO MAL | VIVO PLAY, VOD* O violento thriller sul-coreano volta a reunir Lee Jung-jae (o protagonista de “Round 6”) com Jung-min Hwang após o premiado policial “Nova Ordem” (2013). Desta vez, os dois querem se matar. Hwang vive um assassino profissional que eliminou seu último alvo e planeja se aposentar. Jung-jae é o irmão do último alvo, que persegue Hwang para se vingar, jurando matá-lo e a todos os que o conheceram de forma brutal e sanguinária. No meio dessa disputa feroz, a filha de Hwang – que ele não sabia existir – é sequestrada na Tailândia, levando a ação a cruzar fronteiras. Considerado um dos melhores filmes de ação recentes da Coreia do Sul, atingiu 95% de aprovação no Rotten Tomatoes e venceu 11 prêmios internacionais. Roteiro e direção são de Won-Chan Hong, que escreveu os excelentes thrillers “O Caçador” (2008) e “Confissão de Assassinato” (2012). | INTERCEPTOR | NETFLIX A espanhola Elsa Pataky, ex-integrante da franquia “Velozes e Furiosos” e esposa de Chris Hemsworth (o Thor da Marvel) estrela estre thriller de ação, que segue uma fórmula de sucesso dos anos 1990. A premissa é basicamente “A Força em Alerta” (1992), 30 anos depois. Em vez de um navio, desta vez é uma base militar isolada no Atlântico que sofre a invasão de terroristas armados, e novamente só há uma pessoa capaz de impedi-los de assumir o controle de mísseis perigosos. Para atualizar a trama, desta vez o herói brutamontes é uma mulher, uma corajosa capitã do exército que usa seus anos de treinamento tático e experiência contra os inimigos. Repleto de explosões e cenas de ação mirabolantes, o filme escrito pelo roteirista do primeiro “Piratas do Caribe”, Stuart Beattie, investe na adrenalina para oferecer um pouco mais do que se espera de seus clichês, sua locação reduzida e seu orçamento limitado, resultando num passatempo na média para os fãs de ação. Detalhe: o marido famoso de Pataky aparece numa figuração e é um dos produtores do longa. | ORGULHO & SEDUÇÃO | STAR+ Esta comédia muito divertida é uma versão gay de “Orgulho & Preconceito”, clássico romântico de Jane Austen, encenada nos dias de hoje durante férias de verão. Escrita e estrelada pelo comediante Joel Kim Booster (“Sunnyside”), a produção acompanha amigos de descendência asiática determinados a se divertir numa ilha famosa por ser itinerário de festas LGBTQIAP+, mas ao chegar lá acabam travando numa espécie de competição com gays de beleza instagramável, que se portam de forma esnobe, fazendo julgamentos ferinos com base em raça e classe social. Logicamente, um dos amigos se vê atraído pelo mais orgulhoso de todos. Elogiadíssima pela crítica americana, a comédia estreou com 96% de aprovação no Rotten Tomatoes. Seu tom alegre é equivalente a uma Sessão da Tarde sem preconceitos, e ainda serve de antídoto para as muitas histórias de repressão à comunidade LGBTQIAP+ que costumam dominar as produções cinematográficas dos últimos anos – segue um exemplo mais abaixo. | A EXTRAORDINÁRIA GAROTA CHAMADA ESTRELA EM HOLLYWOOD | DISNEY+ A continuação do sucesso “A Extraordinária Garota Chamada Estrela” encontra a protagonista de mudança para Los Angeles em busca de expandir seus horizontes e conhecer pessoas que possam ajudá-la a brilhar como seu nome. Destacando mais a personagem-título que o primeiro filme, a produção também permite à cantora Grace VanderWaal expandir seus talentos dramáticos. Doce ao extremo, a trama também tem uma mensagem importante sobre a busca de sucesso: o que é, como obtê-lo e como sustentá-lo em um mercado instável como o alimentado pela indústria musical. A jornada da protagonista, entre recusas e resoluções, é uma carta de amor ao processo artístico e criativo, e dedicada a sonhadores com ambição inabalável. Ou seja, este é um filme infantil com a fagulha clássica da Disney, o estúdio que nasceu estimulando sonhos. A direção é novamente de Julia Hart. E além de Grace VanderWaal como Stargirl/Estrela, o elenco inclui Uma Thurman (“Kill Bill”), Judy Greer (“Homem-Formiga e a Vespa”), Elijah Richardson (“Falcão e o Soldado Invernal”), Tyrel Jackson Williams (“Lab Rats”) e o veterano Judd Hirsch (“Superior Donuts”). | DESERTO DO OURO | VIVO PLAY, VOD* Zac Efron (“Chamas da Vingança”) vive um homem obstinado, que viaja ao deserto na companhia de um guia e lá descobre a maior pepita de ouro já encontrada. Entretanto, eles não tem as ferramentas para desenterrá-la. Enquanto o parceiro vai buscar equipamento, Efron guarda seu tesouro, enfrentando o calor terrível, cães selvagens, tempestade de areia e possíveis alucinações, sem que o outro dê sinais de voltar. O drama de sobrevivência e ganância tem roteiro e direção do australiano Anthony Hayes, que também interpreta o parceiro de Efron. Ele é conhecido por atuar nos filmes de David Michôd, como “Reino Animal” (2010) e “The Rover – A Caçada” (2014). | NUCLEAR | VIVO PLAY, VOD* Protagonista de “No Ritmo do Coração”, vencedor do Oscar 2022, a jovem Emilia Jones já mostrava toda sua capacidade de conduzir uma trama complexa nesta produção britânica de 2019 sobre uma família tóxica. Ela vive uma jovem traumatizada, que testemunha um ataque violento do próprio irmão contra sua mãe, e foge com ela para um abrigo isolado, próximo de uma velha usina nuclear, onde a toxidade do ambiente se torna mais que uma metáfora. O filme de estreia da diretora Catherine Linstrum tem atmosfera semi-alucinatória e repleta de simbolismos, que exploram o impacto do trauma e a locação quase pós apocalíptica no estado mental da adolescente, que pode ou não ter conhecido um garoto ao explorar aquele lugar deserto sob a sombra do castelo de Drácula – apelido dado para a usina abandonada. O elenco também inclui Sienna Guillory (“Clifford, O Gigante Cão Vermelho”) como a mãe e George MacKay (“1917”) como o rapaz do campo. | WET SAND | MUBI Premiado no Festival de Locarno, o drama de Elene Naveriani se passa numa aldeia no Mar Negro georgiano, cheia de pessoas amigáveis convencidas de que são gente de bem. Até o dia em que um morador é encontrado enforcado e ninguém quer perder tempo com o enterro. Quando sua neta chega para organizar seu funeral, ela é confrontada com uma surpreendente falta de simpatia ou ajuda para organizar os pertences do avô. Logo, descobre o motivo: homofobia. E não demora para a população supostamente amigável mostrar-se detestável, ao descobrir que o falecido tinha uma amante homossexual ainda vivo na cidade. Profundamente humanista, o filme apresenta uma história de resistência diante do atraso, preconceito e fanatismo de mentes de cidade pequena. | A MESMA PARTE DE UM HOMEM | VOD* O primeiro drama de ficção da documentarista Ana Johann é uma alegoria feminista, passada numa localidade isolada do interior, onde a personagem de Clarissa Kiste (“Amor de Mãe”) vive com a filha adolescente (Laís Cristina, de “Fora de Série”) e o marido dominador (Otavio Linhares, de “Deserto Particular”). Até que, de repente, o marido some e outro homem (Irandhir Santos) surge para ocupar seu espaço. Diferente do bruto que as dominava, o forasteiro é um homem urbano e viajado, e o jogo de dominação se inverte, com a mulher assumindo o controle. Entretanto, cada gesto brusco, cada brincadeira mal compreendida acende um alerta, que leva mãe e filha a desconfiarem deste e de qualquer outro homem. * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Google Play, Microsoft Store, Loja Prime e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.












