Se a Rua Beale Falasse usa a beleza do amor para enfrentar a feiura do racismo
O cinema poucas vezes neste século soube traduzir o amor em imagens tão belas. Na adaptação do livro “Se a Rua Beale Falasse”, o cineasta Barry Jenkins (de “Moonlight”) faz com imagens o que o autor James Baldwin faz com palavras: pura poesia. Mas há uma razão para o filme ser tão belo. Jenkins quer que o amor vença a dureza da realidade, os preconceitos e o racismo nojento que destrói sonhos. Como os do jovem casal Tish (a estreante KiKi Layne) e Fonny (Stephan James), que cresceram juntos e se apaixonaram nos anos dourados da juventude. Mas antes de entrarem na complexidade da vida adulta e em entre as quatro paredes que testam a força de qualquer relacionamento, ela engravida e Fonny é preso injustamente. A acusação é estupro, mas estamos falando de uma sentença decretada pela cor da pele. Se hoje seria missão impossível para um inocente sair da cadeia com esse peso nas costas, imagine para um homem negro em plena década de 1970. É natural pensar que, a partir deste ponto, “Se a Rua Beale Falasse” ganhará status de novelão, mas Barry Jenkins não quer saber de melodrama. Também não quer transformar a prisão de Fonny em busca de justiça a qualquer preço ou fazer do personagem um mártir. O diretor e roteirista está interessado em contrastes, embora deixe clara sua intenção de preferir o amor ao discurso político e social, tarefa que cabe a quem assistir ao filme. Para cada sorriso, uma lágrima. Para cada cena feliz, uma tristeza chega repentinamente para equilibrar o tom. Por exemplo, repare na cena em que os pais de Tish convidam a família de Fonny para o anúncio da gravidez da menina. A alegria logo dá lugar a um estressante desentendimento, carregado de mágoa, como uma reviravolta que acontece no meio de encontros casuais nas melhores famílias. Em outra cena, Fonny e um amigo tem um papo descontraído, pouco a pouco substituído pela melancolia e o medo causado pelo racismo. Existem outras cenas que revelam essa dualidade, como a abertura do filme, com Tish e Fonny caminhando juntos para Barry Jenkins mostrá-los logo depois separados por um vidro. Mas não pense que o choro sempre interrompe um sorriso, porque Barry Jenkins se recusa a abraçar a tragédia mesmo nos momentos mais difíceis para o casal. O cineasta nunca esconde a existência do ódio e a ameaça dos brancos racistas, mas não é panfletário, e coloca o amor acima de tudo. Quando não há mais esperança, ele tem a ousadia de entregar uma cena de parto natural, que representa um novo começo e é uma das coisas mais maravilhosas do cinema recente. Onde Barry Jenkins e o diretor de fotografia James Laxton colocaram a maldita câmera nesta cena? Teria sido um truque de CGI e edição imperceptível como fez Alejandro González Iñárritu ao longo de “Birdman”? Provavelmente, apenas a magia do cinema. Jenkins ainda é jovem e tem muito para dar à sétima arte. Mas ele está no controle de seu ofício em “Se a Rua Beale Falasse”. Só um diretor experiente deixaria a trama fluir sem ruídos na narrativa ao entrelaçar seu filme com idas e vindas entre passado e presente. A montagem se confunde na linha temporal, mas se organiza facilmente na mente do espectador embriagado com tanta beleza. Sua sintonia profunda com a música belíssima de Nicholas Britell é o cinema dizendo que a vida tem trilha sonora. E é curioso que Jenkins abra o filme contando o elo do jazz e Louis Armstrong com a Rua Beale, em New Orleans, mas jamais mostre músicos exercendo suas profissões. Ele mostra discos tocando e é só. É como se a música tocasse para valer apenas nas mentes de Tish e Fonny. Para completar, é preciso destacar ainda a bravura de Regina King como a mãe de Tish, que coloca o amor pela filha acima de sua própria vida. É tudo muito honesto e direto, com personagens excessivamente em closes, olhando para dentro de nossos olhos. O racismo é real e você precisa ver que ele está lá. Mas também precisa ter esperança e se agarrar ao que te faz feliz.
Glenn Close transforma A Esposa em filme de Oscar
Glenn Close nunca ganhou um Oscar. Sua primeira indicação (como Melhor Atriz Coadjuvante) foi em 1982 (!) por “O Mundo Segundo Garp”, mas quem levou foi Jessica Lange por “Tootsie” (merecido, né). De lá para cá foram mais seis nominações: em 1984 e 1985 por “Os Amigos de Alex” e “The Natural”, em 1987 por “Atração Fatal” (ela perdeu para Cher em “Moonstruck” – sério), em 1989 por sua atuação no maravilhoso “Ligações Perigosas” (Jodie Foster levou por “Acusados”) e 2011 por “Albert Nobbs”. Com “A Esposa”, ela soma sua 7ª indicação, e será meio difícil tirar a estatueta dourada dela – ainda que se prefira Olivia Colman em “A Favorita” – , pois a atriz carrega totalmente sozinha a boa história inspirada no livro de “The Wife” (2003), de Meg Wolitzer, lutando contra um elenco deslocado e mal dirigido: Max Irons (filho de Jeremy Irons) entrega uma atuação patética como filho do casal e, nos flashbacks, Harry Lloyd interpreta um Joe Castleman (o marido jovem do personagem de Glenn Close) digno de novela das 19h da Rede Globo. Pisando sobre todos eles, inclusive um irreconhecível Christian Slater (como o biógrafo mala), Glenn Close brilha numa trama que começa quando o marido Joe (Jonathan Pryce) recebe o Prêmio Nobel de Literatura e precisa ir a Estocolmo receber as honrarias. Sua esposa, Joan (Glenn), entra numa espiral de repensar as escolhas de sua vida, e a trama (meio Agatha Christie, ainda que um tiquinho óbvia) irá revelando aos poucos como o casal construiu seu passado (e seu presente). No fim das contas, um bom filme médio do sueco Björn Runge (“Happy End”), feito para Glenn Close brilhar. Mas será que isso basta para levar o Oscar?
Uma Viagem Inesperada: Filme argentino com Débora Nascimento ganha trailer legendado
A Boulevard Filmes divulgou o pôster nacional e o primeiro trailer legendado de “Uma Viagem Inesperada”, coprodução entre Argentina e Brasil, que traz a atriz Débora Nascimento (atualmente na novela “Verão 90”) no elenco. A trama gira em torno do relacionamento entre um pai distante (interpretado por Pablo Rago, de “O Segredo de Seus Olhos”), que vive no Rio, e seu filho, que sofre bullying em sua escola argentina. O trabalho numa plataforma de petróleo o afastou da família. Mas, devido aos problemas com seu filho, ele precisa voltar para o seu país natal e retomar a convivência. Debora Nascimento interpreta Lucy, a namorada de Pablo. O filme foi rodado entre Rio de Janeiro e as cidades de Buenos Aires e Bolívar, com direção do veterano Juan José Jusid (“Apaixonados”), e estreia em 28 de março no Brasil.
Spike Lee vai dirigir astro de Pantera Negra em drama para a Netflix
Spike Lee já definiu seu próximo filme, após as indicações ao Oscar de “Infiltrado na Klan”. O cineasta vai escrever e dirigir o drama “Da 5 Bloods”, que será estrelado por Chadwick Boseman (o “Pantera Negra”) e realizado para a Netflix. O longa vai acompanhar veteranos da guerra do Vietnã em sua volta para casa nos anos 1970, enfrentando dificuldades para se ajustar a um mundo que seguiu adiante sem eles. Será o segundo filme sobre militares de Lee, que em 2008 dirigiu “Milagre em Sta. Anna”, passado na 2ª Guerra Mundial. Em “Da 5 Bloods”, ele vai voltar a trabalhar com Kevin Willmott, com quem escreveu “Infiltrado na Klan” (2018) e “Chi-Raq” (2015), e ainda contará no elenco com Delroy Lindo (“The Good Fight”) e Jean Reno (“O Profissional”). Ainda não há data definida para a estreia da produção.
Vice traz Christian Bale irreconhecível como político que dominou os EUA
Após os ataques terroristas sofridos pelos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, o país entrou em estado de guerra. Mas guerra contra quem? Pesquisas indicavam que grande parte da população só entendia a guerra contra algum país. Era preciso nomear o inimigo. Simples. O vice-presidente Dick Cheney teria decidido eleger o Iraque de Saddam Hussein para invadir, criando a mentira das armas de destruição químicas que lá existiriam. Uma escolha fácil de ser aprovada pelo presidente George W. Bush, ainda mais com a cobiça por tanto petróleo. Ninguém se importando com a democracia, muito menos com o respeito aos princípios de não-intervenção, nem com as vidas humanas aí envolvidas. Essa história é uma das muitas sequências de “Vice”, escrito e dirigido por Adam McKay (vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por “A Grande Aposta”). Por meio dela, pode-se sentir por onde andará o filme que pretendeu fazer uma cinebiografia de um político abominável, poderoso e controverso, como Dick Cheney. O tom é satírico, irônico, às vezes dramático, às vezes cômico. Mas, na verdade, trágico, porque o que estava envolvido na política norte-americana e mundial daquele período não era outra coisa, senão a cobiça. E não mudou nada, diga-se de passagem. Sabemos muito bem da importância que pode ter um vice-presidente na história da República. É só lembrar de João Goulart, José Sarney, Itamar Franco, Michel Temer. E Dick Cheney jamais se queixaria de ser um vice decorativo. Ele negociou sua entrada na chapa de Bush, desde o primeiro momento, garantindo amplos poderes. E, segundo o filme, dominou o governo e o presidente, deixando um legado lamentável. O filme de McKay lembra os seus dias de fracasso e alcoolismo, antes de encontrar seu caminho na política. O que foi feito de forma fortuita e pragmática, nem de leve sustentado por eventuais bandeiras ideológicas do Partido Republicano. Não lhe faltaram mestres nessa cultura do cinismo e do interesse próprio. Mas, muitas vezes, os alunos superam seus mestres. Christian Bale está muito bem, quase irreconhecível, como Dick Cheney, em diferentes épocas da vida do personagem. Já levou o Globo de Ouro como Melhor Ator (de Comédia ou Musical) e está cotado para o Oscar 2019. O filme tem, no total, 8 indicações.
Talento de atores faz Green Book ser levado a sério
“Green Book – O Guia” é o primeiro filme, vamos dizer assim, sério do diretor Peter Farrelly. Sim, a outra metade dos Irmãos Farrelly (Bobby não dirigiu, mas apoiou o projeto do início ao fim), de “Debi e Lóide” (1994) e “Quem Vai Ficar com Mary?” (1998). Você pode acusar a produção de ser à moda antiga ou de entrar para a lista daqueles tradicionais filmes de Oscar, certinhos, mainstream, by the book, que Hollywood faz de montão, mas que sempre surgem com muita força nas premiações – como “Kramer vs Kramer” (1979), “Conduzindo Miss Daisy” (1989) e “Uma Mente Brilhante” (2001). Mas não pode acusar “Green Book” de má intenção. Peter Farrelly admitiu erros grotescos nos bastidores de outros filmes e o roteirista Nick Vallelonga falou merda no Twitter, mas conseguiram sentar, criar e executar um filme que, queira ou não, será lembrado por muito tempo. É o primeiro drama de Peter, embora tenha seus momentos de humor, claro. Sai a comédia, entra o drama; sai a grosseria para dar lugar à finesse. Mas é a velha história de amizade entre homens num road movie (“Debi e Lóide”, “Kingpin”) em que a jornada evolui seus protagonistas como seres humanos. E isso também estava inserido de alguma forma em “Quem Vai Ficar com Mary?”. Na trama, Tony Lip (Viggo Mortensen) é um leão de chácara bruto, grosso, descendente de italianos, falastrão e racista. Um típico personagem dos irmãos Farrelly, cultivando estereótipos. Com a grana curta, ele aceita trabalhar como motorista (e segurança) de um pianista erudito, ninguém menos que o célebre Dr. Don Shirley (Mahershala Ali), durante dois meses na estrada para cumprir a agenda de turnê do músico pelo sul dos Estados Unidos, o território mais preconceituoso, numa época em que o país estava pegando fogo. Juntos, eles seguem um guia tão absurdo quanto verídico, o tal Green Book, um livro que mostra os hotéis e locais que negros podem frequentar. Em resumo, a viagem não foi nada fácil, mas deve ter sido muito, muito mais dura na vida real. O filme é acusado de amenizar os fatos reais em que supostamente se baseia. Ou seja, Hollywood sendo Hollywood. E essa passada de pano na história para favorecer os clichês de “buddy movie” entrega que se trata de um filme convencional. Sem esquecer que também é um filme sobre racismo escrito e dirigido por brancos, que privilegia a conscientização do branco sobre o sofrimento do negro. Tony e Shirley dizem coisas terríveis um ao outro, mas Farrelly passa um verniz dramático que só contadores de histórias acostumados com comédias sabem dosar. Tudo para, no final, eles se entenderem e se complementarem. Esse enredo basicão rendeu prêmios, como a conquista do Festival de Toronto, do Globo de Ouro de Melhor Comédia e ainda tem cinco indicações ao Oscar. Claro que ajuda muito contar com atores no topo de suas capacidades artísticas. Concorde-se ou não com o cinema dos Farrelly, Viggo Mortensen e Mahershala Ali formam uma inesperada dupla perfeita. Mortensen é o raro caso de ator que não se deixou definir por um papel de sucesso – Aragorn, na trilogia de “O Senhos dos Aneis” – , acumulando escolhas ousadas, de “Senhores do Crime” (2007) a “Capitão Fantástico” (2016). Em “Green Book”, ele some no papel de Tony Lip (ou Vallelonga), com sua postura de mafioso, machão clichê, mas de coração mole. Parece conter emoções, mas sempre coloca tudo para fora. Já Mahershala Ali, que venceu um Oscar por “Moonlight” (2016), deve repetir a dose merecidamente com “Green Book”. Seu Dr. Shirley é o oposto de Tony – e o contraponto para a atuação de Viggo. Introvertido, reprimido, por motivos óbvios e compreensíveis, ele prefere falar através de sua arte. Quando finalmente se solta no piano de um bar, é a purificação de sua alma. E Mahershala entrega. Os dois estão entre os grandes de Hollywood, equivalentes do século 21 aos intérpretes lendários da era de ouro do cinema. E isso faz com que “Green Book” seja levado a sério.
Estreia de Chiwetel Ejiofor na direção ganha fotos e primeiro trailer
A Netflix divulgou o pôster, as fotos e o trailer de “The Boy Who Harnessed the Wind”, primeiro filme dirigido pelo ator Chiwetel Ejiofor (“12 Anos de Escravidão”). Drama edificante baseado em fatos reais, o longa conta a história de um menino de 13 anos de Malaui, na África, que desenvolve um catavento para irrigar os campos de sua aldeia atingida pela fome. Além de dirigir, Ejiofor também vive o pai cabeça-dura do menino-prodígio e assina o roteiro, baseado no livro homônimo de memórias de William Kamkwamba, o menino da história – vivido, no filme, pelo estreante Maxwell Simba. A première mundial aconteceu no Festival de Sundance neste fim de semana e o lançamento comercial está marcado para 1 de março em streaming.
Yara mostra Líbano pouco difundido, como paraíso romântico
“Yara” leva os espectadores a uma região de grande beleza natural, no norte do Líbano: o Vale de Qadisha, uma localidade rural isolada, cercada de belas montanhas e uma paisagem verde exuberante. Circulam por lá as cabras, as galinhas, gente que cozinha, lava roupa, toma sol. Muito pouca gente. Num ambiente tranquilo e de muita paz, tão perto de uma zona conflagrada, vivem a adolescente Yara (Michelle Wehbe) e sua avó, numa rotina em que, a rigor, nada acontece e tudo se repete. No entanto, a entrada em cena de um jovem andarilho, Elias (Elias Freifer), meio perdido naquela região, acaba trazendo uma inesperada amizade e a perspectiva de um amor de verão para Yara e para ele. A narrativa rarefeita de “Yara” se resume a isso, num ritmo bastante lento, contemplativo. Durante uma hora e meia vivemos nesse paraíso de beleza e paz, sorvendo cada instante, percebendo nuances, detalhes. É um tipo de filme, hoje já disseminado, que se contrapõe à tendência não só do cinemão comercial, agitado e enlouquecido, como da vida diária das grandes cidades do mundo, seus conflitos e suas guerras. Um bálsamo para tempos bicudos. É curioso que essa tenha sido a escolha do diretor Abbas Fahdel, nascido no Iraque e vivendo na França desde os 18 anos de idade. Ele atuou como documentarista em função da terrível situação da guerra em seu país, procurando entender o que teria acontecido com seus amigos de infância que lá permaneceram, registrando um Iraque abalado pela violência, pelo pesadelo da ditadura e pelo caos que lá se instalou em “Retour à Babylone” (2002). Outro documentário seu, “Homeland (Iraq Year Zero)”, aborda a invasão norte-americana do país. E sua única ficção anterior, “L’Aube du Monde” (2008), é um drama sobre os múltiplos impactos da Guerra do Golfo, numa área conhecida como Jardim do Éden. Com esse histórico e essa identidade geográfica, chega a ser surpreendente esse conto de amor, emoldurado pela beleza natural, pela juventude, pela inocência e pela sutileza. O diretor foi em busca de uma fábula que traz o reverso da moeda. Um alívio, depois de tanta guerra e destruição. Um filme extremamente delicado e sensível, ambientado num Líbano pacífico. Um filme para relaxar e curtir, sem pressa.
Jesse Eisenberg volta a querer ficar rico com informática em trailer de drama indie
A Orchard divulgou o pôster e o trailer do drama indie com toques de humor “The Hummingbird Project”, em que Jesse Eisenberg (“A Rede Social”) volta a viver um geniozinho ambicioso com planos para se tornar milionário. E para isso faz sociedade com um irreconhecível Alexander Skarsgård (“Big Little Lies”) calvo. Os dois vivem primos nova-iorquinos que descobrem o verdadeiro valor de negociar na Bolsa de Valores com a velocidade da fibra ótica. Como lucros podem ser obtidos por decisões tomadas em milisegundos, uma linha de fibra ótica que ligue o Kansas a Nova York pode representar bilhões de vantagens. E esta é uma oferta que um investidor não consegue recusar. O problema é que desta vez o cérebro do negócio é Skarsgård e Eisenberg soa meio vigarista, ao vender a capacidade da dupla para realizar o negócio. E, para complicar, sua ex-chefe percebe a jogada e decide fazer de tudo para superá-los nas apostas em alta velocidade do mercado financeiro. Roteiro e direção são de Kim Nguyen (do impactante “A Feiticeira da Guerra”) e o elenco ainda inclui Salma Hayek (“Dupla Explosiva”), Michael Mando (“Better Call Saul”) e Sarah Goldberg (“Barry”). Exibido no Festival de Toronto, o filme tem estreia comercial marcada para 15 de março nos EUA e não tem previsão de lançamento no Brasil. The Hummingbird Project
Tessa Thompson e Lily James são irmãs em trailer de drama indie com 100% de aprovação
A Neon divulgou o pôster e o trailer do drama indie “Little Woods”, estrelado por Tessa Thompson (“Thor: Ragnarok”) e Lily James (“Em Ritmo de Fuga”), que atingiu 100% de aprovação no site Rotten Tomatoes após ser exibido e premiado no circuito dos festivais americanos. As atrizes vivem irmãs enfrentando problemas financeiros. Deb (James) voltou para casa após engravidar do ex-namorado abusivo e Ollie (Thompson) tem que se virar para pagar as contas médicas e o aluguel. Sem alternativas, ela se vê forçada a retomar sua antiga vida como um traficante de drogas, vendendo remédios controlados no mercado negro, uma situação de risco que pode colocá-la atrás das grades ou pior, fazê-la ser morta por traficantes rivais. E acaba envolvendo sua irmã no negócio. O filme marcou a estreia na direção de Nia DaCosta, que recebeu o Nora Ephron Award no Festival de Tribeca, como melhor cineasta feminina do evento do ano passado, e já foi contratada para dirigir a continuação do terror “O Mistério do Candyman”. O elenco também conta com James Badge Dale (de “Homem de Ferro 3”), Luke Kirby (o Lenny Bruce de “The Marvelous Mrs. Maisel”) e Lance Reddick (“Fringe”). A estreia vai acontecer em 19 de abril nos Estados Unidos e não há previsão de lançamento no Brasil.
Untogether: Comédia romântica com astro de Cinquenta Tons de Cinza ganha primeiro trailer
A Freestyle Digital Media divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Untogether”, comédia romântica indie com elenco impressionante, que acompanha as irmãs Jemima Kirke (“Girls”) e Lola Kirke (“Mistress America”) em seu cotidiano, entre figuras paternas e romance. O romance inclui várias cenas de Jamie Dornan (“Cinquenta Tons de Cinza”) descamisado. Os demais astros do elenco são Ben Mendelsohn (“Rogue One: Uma História Star Wars”), Jennifer Grey (ela mesmo, de “Ritmo Quente”), Alice Eve (“Demolidor”), Scott Caan (“Hawaii Five-0”) e até o veterano comediante Billy Crystal (“Máfia no Divã”). “Untogether” é o primeiro filme escrito e dirigido por Emma Forrest, que é esposa de Ben Mendelsohn. Exibido no Festival de Tribeca no ano passado, estreia em 8 de fevereiro nos Estados Unidos e deve sair direto em VOD no Brasil.
Arctic: Drama de sobrevivência com Mads Mikkelsen e diretor brasileiro ganha primeiro trailer
A Bleecker Street divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Arctic”, drama de sobrevivência estrelado pelo dinarmaquês Mads Mikkelsen (“Rogue One”), que marca a estreia na direção de longas do youtuber paulista Joe Penna. O diretor mora nos Estados Unidos desde 1999 e o filme é uma coprodução islandesa e americana. A trama acompanha as dificuldades do protagonista para manter a si mesmo e uma mulher (a islandesa Maria Thelma Smáradóttir) vivos, em condições de isolamento absoluto e pouca subsistência, após um acidente aéreo deixá-los perdidos no meio da neve ártica. Elogiadíssimo pela imprensa internacional e comparado positivamente a “O Náufrago” (2000), “127 Horas” (2010) e “Até o Fim” (2013), o filme atingiu uma média de 92% de aprovação no Rotten Tomatoes após ser exibido na seção da Meia-Noite do Festival de Cannes do ano passado. A estreia vai acontecer em 1 de fevereiro nos Estados Unidos e ainda não há previsão para seu lançamento no Brasil.
A Pé Ele Não Vai Longe destaca novo desempenho marcante de Joaquin Phoenix
“A Pé Ele Não Vai Longe”, o mais recente trabalho de Gus Van Sant (de filmes como “Milk”, “Elefante”, “Gênio Indomável” e “Drugstore Cowboy”) é uma cinebiografia do cartunista John Callahan (1951-2010). O cartunista de Portland obteve bastante sucesso com seu humor perverso, demolidor, para quem nada é tabu. Mas que alcançava com traços simples, sorrisos irônicos e boas risadas. Era tetraplégico e fazia piada até da própria deficiência, assim como de qualquer outra vulnerabilidade. Um humor corrosivo, que também incomodava muito, o que pode ser visto como mérito. Talento não lhe faltava. O filme, porém, ao tratar da figura do cartunista, vai muito além do seu trabalho. A condição de tetraplégico derivou de um acidente automobilístico terrível, provocado por ele próprio e um amigo, totalmente embriagados e agindo da forma mais irresponsável possível. Só que não foi um fato isolado. Callahan era um alcoólatra contumaz. E nunca buscou ajuda para tentar, ainda que fosse em pequena escala, ter a situação sob controle. Só foi atrás dela depois que sobreviveu ao acidente. Foi por meio dos Alcoólicos Anônimos, e seus famosos Doze Passos, que ele se reencontrou consigo mesmo e com a vida. O filme mostra essa atuação como algo positivo, muito sério, consistente e profundo. Sabe-se que nem sempre é assim e que o moralismo embutido aí, assim como o caráter mecânico e repetitivo dos rituais dos AA, também são objeto de crítica. Ao que tudo indica, porém, funciona, na maioria dos casos. O ponto alto do filme de Gus Van Sant é o desempenho, sempre marcante, de Joaquin Phoenix como protagonista, num daqueles papéis que exigem tudo e mais um pouco do ator.












