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    Diretor de filme sobre Bolsonaro diz que presidente pode “acabar com o cinema brasileiro”

    26 de julho de 2019 /

    O cineasta pernambucano Josias Teófilo, que prepara um documentário sobre o Brasil que elegeu Jair Bolsonaro, disse que o presidente está “muito mal assessorado” em sua briga contra o cinema brasileiro. O diretor, que é bolsonarista e aluno do guru de Bolsonaro, Olavo de Carvalho, sobre quem já fez um documentário (“O Jardim das Aflições”), se viu no meio de uma polêmica após o presidente “sugerir” que a Ancine suspendesse a autorização para seu novo filme, “Nem Tudo se Desfaz”, captar R$ 530 mil por meio da Lei do Audiovisual. Bolsonaro argumentou nas redes sociais que não queria que fizessem um filme sobre ele “com dinheiro público”. “Não tem filme nem com a Bruna Surfistinha nem com Jair Bolsonaro”, afirmou, acrescentando que este seria mais um motivo para extinguir a Ancine. “Se Bolsonaro acabar com a Ancine, será o dilúvio”, reagiu Teófilo em entrevista ao jornal O Globo nesta sexta (26/7). “Vai acabar com o cinema brasileiro, inclusive com os filmes evangélicos de que ele tanto gosta. Não vai poder ter filme nenhum.” Teófilo defendeu o uso de “dinheiro público” para a Cultura. “Se você perguntar na rua o que as pessoas acham sobre isso, vão dizer que são contra. Só que o orçamento da cultura é tão baixo que o governo nem mexe muito na área quando anuncia cortes”, explica. “As pessoas não entendem como as coisas funcionam, é muita desinformação. Isso é péssimo. Aí vejo um sujeito de direita falando que recursos públicos têm que ir apenas para coisas consagradas, como orquestras, óperas, poesias”, enumera. “E se não tivessem dado dinheiro para Glauber Rocha, como ele viraria quem é hoje?” O diretor lamenta a falta de visão cultural do presidente. “Ele agora ataca um filme de 2011 (‘Bruna Surfistinha’)? Pra quê? O filme já foi feito e visto por 2 milhões de pessoas. Infelizmente o presidente está muito mal assessorado, tanto em relação ao meu filme quanto aos dos outros”. Ele ainda explica que o documentário “Nem Tudo se Desfaz” não é sobre Bolsonaro, mas sobre “as manifestações de 2013”, que “levaram às delações premiadas, que levaram à Lava Jato, que levou à prisão de Lula e ao impeachment de Dilma, o que levou a uma alternativa política para além do PT. Meu filme é sobre isso. Onde que é sobre Bolsonaro? Como ele fala uma coisa dessas?” “O filme não é sobre ele, nem nunca será. Oxente, só porque sou aluno de Olavo não significa que vou fazer um filme pró-Bolsonaro”, acrescentou. O pôster de divulgação de “Nem Tudo se Desfaz”, apresentado por Teófilo no Twitter, é uma foto gigante de Bolsonaro em pose de estadista. Veja abaixo. “O presidente lançou uma incerteza sobre meu filme. Se patrocinadores pularem fora, eu pego um avião e saio do país. A Lei do Audiovisual passou por Temer, Dilma, Lula e FHC. A Lei Rouanet é anterior a todos eles. Nenhum deles conseguiu controle sobre a Lei do Audiovisual. Alguns até tentaram, mas não conseguiram. Por que vai ser agora? Bolsonaro não pode fazer isso”, concluiu. Meu novo filme, @nemtudosedesfaz, a ser lançado em breve nos cinemas. NEM TUDO SE DESFAZ é um documentário ensaístico sobre os desdobramentos culturais e políticos das Jornadas de Junho de 2013. pic.twitter.com/2GJF0ByUnL — Josias Teófilo (@josiasteofilo) July 11, 2019

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    Bolsonaro volta a manifestar vontade de acabar com a Ancine

    25 de julho de 2019 /

    O presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer que vai extinguir a Ancine (Agência Nacional de Cinema). Desde a semana passada, ele vem fazendo críticas e afirmando que planeja acabar com o órgão se não pudesse impor um “filtro” na aprovação de projetos de cinema e TV. Depois de atacar reiteradamente “Bruna Surfistinha”, que assumiu não ter visto, Bolsonaro encontrou nesta quinta (25/7) novo motivo para criticar a agência: a aprovação de verbas para um documentário sobre sua eleição. “Recentemente tomei conhecimento sobre a liberação para captação de R$ 530 mil via Ancine para produção de um filme sobre minha campanha nas eleições. Por coerência sugeri que voltassem atrás nessa questão. Não concordamos com o uso de dinheiro público também para estes fins”, ele escreveu no Twitter. E em seguida acrescentou: “Outrossim, estamos trabalhando para viabilizar uma reformulação ou extinção da Ancine”. Bolsonaro reforçou a crítica em outra rede social, durante uma transmissão ao vivo no Facebook. “Depois desse anúncio de fazer um filme sobre a minha pessoa, a Ancine ganhou mais um FO positivo, Fato Observado positivo. Vamos buscar a extinção da Ancine. Não tem nada que o poder público tenha que se meter em fazer filme. Que tenha uma empresa privada, sem problema nenhum. Mas o Estado vai deixar de patrocinar isso daí”, disse. Ele também repetiu um comentário pejorativo sobre a produção cinematográfica nacional, dizendo que não iria “citar nomes de filmes produzidos pela Ancine”, porque havia crianças assistindo sua live pelo Facebook. Criancinhas podem ler os títulos aqui. Os filmes brasileiros lançados desde que Bolsonaro virou presidente são, descontando documentários: “Temporada”, “Boi de Lágrimas”, “Eu Sou Mais Eu”, “O Galã”, “Tito e os Pássaros”, “A Pedra da Serpente”, “Minha Fama de Mau”, “Homem Livre”, “Sai de Baixo – O Filme”, “Cinderela Pop”, “Tá Rindo de Quê?”, “Diários de Classe”, “O Último Trago”, “Albatroz”, “Mal Nosso”, “Sobre Rodas”, “Alaska”, “Chorar de Rir”, “Cine Holliúdy 2 – A Chibata Sideral”, “Jorginho Guinle – $ó se Vive uma Vez”, “Bio – Construindo uma Vida”, “De Pernas pro Ar 3”, “Horácio”, “Organismo”, “Borrasca”, “A Sombra do Pai”, “B.O.”, “Mormaço”, “A Quarta Parede”, “45 Dias sem Você”, “Kardec”, “Inferninho”, “Histórias Estranhas”, “Dias Vazios”, “Beatriz”, “Deslembro”, “Blitz”, “Divino Amor”, “O Olho e a Faca”, “Turma da Mônica – Laços” e, nesta semana, “A Serpente”. O filme sobre a eleição do presidente, por sua vez, chama-se “Nem Tudo se Desfaz” e seria realizado por José Teófilo, diretor de “O Jardim das Aflições”, sobre o guru de Bolsonaro, Olavo de Carvalho. A produção teve autorização da agência para captar R$ 530 mil, conforme publicação no Diário Oficial da União, em 31 de maio. “Não queremos filmes de políticos com dinheiro público. O poder público não deve se meter a fazer filme. O Estado vai deixar de patrocinar”, disse Bolsonaro. Aproveitando o assunto, ele voltou a criticar a liberação de recursos federais para a elaboração do filme “Bruna Surfistinha” e disse que buscará a “extinção da Ancine”. “Não tem filme nem com a Bruna Surfistinha nem com Jair Bolsonaro”, afirmou. Atualmente, a principal fonte do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), sob controle da Ancine, é a arrecadação do Condecine e da Fistel, taxas pagas pelas próprias empresas que atuam no segmento. Ou seja, não se trata de recursos oriundos de orçamento federal. Esse dinheiro não é do governo, ele é arrecadado junto ao setor privado com uma destinação específica para o audiovisual. O governo não pode realocá-lo em outro lugar. É preciso explicar didaticamente, porque o presidente e seus seguidores nas redes sociais demonstram não entender como o financiamento funciona. De todo modo, a ameaça de extinção da Ancine integra um projeto anti-cultural bem articulado, que começou com a extinção do Ministério da Cultura e seguiu com a proibição de patrocínio de estatais a eventos culturais, imposição de limites mais restritos aos tetos de projetos que podem ser aprovados via Lei de Incentivo à Cultura (antiga Lei Rouanet), a exclusão de representantes do mercado e da sociedade civil do CSN (Conselho Superior de Cinema), a mudança do CSC para a pasta da Casa Civil, o fim de apoio da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para o programa Cinema do Brasil, voltado à exportação de filmes brasileiros, e outras iniciativas similares. Bolsonaro também não assinou o decreto da Cota de Tela, que estipula um determinado número de dias obrigatórios para que os cinemas exibam filmes brasileiros, que deveria ter sido publicado em janeiro, não escolheu os nomes do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que decide como alocar os recursos arrecadados pelas taxas do mercado, e não nomeou um dos nomes que preencheria uma vaga aberta na diretoria da Ancine desde a renúncia de Mariana Ribas no começo do ano.

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    Estreias: Circuito limitado é salvação de semana repleta de filmes ruins

    25 de julho de 2019 /

    Os filmes que chegam aos cinemas de shopping centers nesta quinta (25/7) são muito ruins. O pior, “As Trapaceiras”, teve só 14% de aprovação no Rotten Tomatoes e é o filme com maior distribuição na semana. Trata-se de um remake de sexo trocado de “Os Picaretas” (1999), com Anne Hathaway (“Colossal”) e Rebel Wilson (“A Escolha Perfeita”) nos papéis anteriormente desempenhados por Steve Martin e Eddie Murphy. A outra comédia, “As Rainhas da Torcida”, traz Diane Keaton (“Do Jeito que Elas Querem”) como cheerleader da Terceira Idade e obteve 35% de aprovação. Menos mau, o drama “Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal”, com Zac Effron (“Baywatch”) em papel de serial killer galã, ficou com 56% – e foi lançado direto pela Netflix nos EUA. Em contraste, no circuito limitado, os lançamentos são ótimos. A salvação dos cinéfilos estão nos cinemas pequenos das grandes cidades. Com 100% no Rotten Tomatoes, o drama francês “O Professor Substituto” não é o que o título nacional sugere – isto é, a velha história do professor que inspira um grupo de jovens excluídos – , mas um retrato da juventude niilista atual. Pessimista ao extremo, a obra adaptada e dirigida por Sébastien Marnier (“Irrepreensível”) passa longe de ser edificante e explora sua tensão com a trilha da dupla eletrônica Zombie Zombie. Quem prefere comédia também não precisa se contentar com as tristezas americanas em cartaz. “O Mistério de Henri Pick” tem 83% no RT e gira em torno de um crítico literário mau-humorado (Fabrice Luchini, de “Dentro de Casa”), que vê a vida virar do avesso ao questionar a autoria do livro-sensação do momento na França, supostamente escrito por um pizzaiolo falecido. Insultado nas ruas e abandonado pela própria esposa, ele não dá o braço a torcer e decide tirar a limpo a história da obra, encontrada numa loja de manuscritos inéditos e sofisticada demais para sua origem humilde ser verídica. A direção e o roteiro cheio de reviravoltas são de Rémi Bezançon (da premiada animação “Zarafa”). Com 90%, “O Mistério do Gato Chinês” é uma fantasia de Chen Kaige, diretor dos premiados “Adeus Minha Concubina” (1993) e “O Imperador e o Assassino” (1998). Trata-se de um blockbuster asiático repleto de efeitos visuais sobre um gatuno literal, um gato criminoso que reflete uma superstição chinesa do século 18. Mistério e comédia se juntam de forma surreal. A lista ainda tem o brasileiro “A Serpente”, peça de Nelson Rodrigues filmada em preto e branco, que traz Lucélia Santos (“Casa Grande”) em papel duplo, como irmãs gêmeas, além de Matheus Nachtergaele (“Trinta”) e trilha de Fábio Trummer (da banda Eddie) e Pupillo (Nação Zumbi). Exibido no Festival do Rio de 2016, esperou três anos por vagas nos cinemas. A distribuição corajosa é da Cavideo, do cineasta Cavi Borges (“Salto no Vazio”). Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. O Professor Substituto | França | Drama Um professor comete suicídio se jogando pela janela da sala de aula, em frente aos alunos adolescentes. Em seu lugar é contratado Pierre Hoffman (Laurent Lafitte) como professor substituto, que logo percebe que um grupo de seis dos seus novos alunos parece indiferente ao que acontece à sua volta. Aos poucos, Hoffman nota que este pequeno grupo exerce uma estranha influência sobre o resto da escola, inclusive na direção. Cada vez mais obcecado por eles, o professor passa a segui-los até descobrir quais são seus planos. O Mistério de Henri Pick | França | Comédia Daphné Despero (Alice Isaaz) é uma ambiciosa editora em busca de novos romances para publicar. Um dia, enquanto visita seu pai, ela conhece uma livraria de manuscritos rejeitados. Lá, ela se encanta com uma história nunca antes publicada, escrita por um pizzaiolo bretão chamado Henri Pick. Admirada com o talento encontrado, ela começa a pesquisar sobre o autor e acaba descobrindo que ele faleceu há dois anos. Com o apoio da família de Pick, o manuscrito é publicado e imediatamente vira uma febre em toda a França, entrando para a lista de mais vendidos e gerando fascínio sobre a história do autor. Como parte da turnê de divulgação do livro, Daphné e a família de Pick são convidadas para ir ao programa de Jean-Michel Rouche (Fabrice Luchini), um crítico literário pedante e desagradável, que não hesita em questionar todos os pontos da história de Henri Pick. Convencido de que se trata de uma farsa, Jean-Michel inicia uma trajetória em busca da verdade sobre o mais novo best-seller francês. O Mistério do Gato Chinês | China, Japão | Fantasia Durante a dinastia Tang, na China, um gato misterioso começa a atacar altos membros da Corte Imperial, deixando uma série de mortos. Dois homens muito diferentes, o poeta chinês Bai Letian (Huang Xuan) e o monge japonês Kûkai (Shôta Sometani) decidem unir forças para descobrir o que existe por trás do animal místico. Aos poucos, eles descobrem segredos na história da nobreza, envolvendo uma bela concubina amada pelo Imperador, mas atacada pelo povo. O gato constituiria, na verdade, o acerto de contas por um crime jamais solucionado. A Serpente | Brasil | Drama Lígia e Guida (ambas interpretadas por Lucélia Santos) são duas irmãs que vivem na mesma casa. Quando a doce Lígia enfim se casa com Décio (Sílvio Restiffe), ela espera ser deflorada na noite de núpcias, mas o homem é impotente. Mais tarde, ele a troca por uma lavadeira. Sentindo-se rejeitada, a recém-casada tenta o suicídio, mas é resgatada no último momento por Guida. A partir deste momento, a irmã virgem cede aos flertes do cunhado Paulo (Matheus Nachtergaele) e faz sexo com ele. Quando Guida descobre a traição em sua própria cama, a família entra em crise. Uma cova é cavada do lado de fora da casa, e fica claro que alguém precisa morrer. Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal | EUA | Drama Cinebiografia de Ted Bundy (Zac Efron), serial killer que matou, pelo menos, 30 mulheres em sete estados norte-americanos durante a década de 1970. Bundy se tornou famoso em todo o país, em parte por causa da fama de sedutor, que levou a conquistar várias fãs, e em parte por ter efetuado sua própria defesa nos tribunais. A trajetória do psicopata é contada pelo ponto das mulheres que amou: Liz Kendall (Lily Collins), com quem se casou, e Carole Ann Boone (Kaya Scodelario), amante que o apoiou durante o longo julgamento nos tribunais. As Rainhas da Torcida | EUA | Comédia Diagnosticada com câncer terminal, a solitária Martha (Diane Keaton) decide se livrar de todos os seus pertences pessoais e se mudar para uma comunidade de idosos com o intuito de esperar a morte chegar. Em seus últimos meses, ela quer uma vida tranquila, lendo livros e interagindo com poucas pessoas, mas ao conhecer sua nova vizinha, Sheryl (Jacki Weaver), uma mulher ativa e barulhenta, Martha vê seus planos indo por água abaixo, já que a nova companhia faz questão de se manter constantemente presente. A medida que a relação das duas se desenvolve, uma forte amizade surge e Sheryl incentiva Martha a treinar os passos de líder de torcida novamente, como fazia na época da escola. Resistente, a protagonista topa a ideia e juntas elas montam um clube para empoderar diversas mulheres acima dos 60 anos. Para fazer isso, elas precisam enfrentar o preconceito de todos e treinar para uma importante competição. As Trapaceiras | EUA | Comédia Beaumont-sur-mer, Riviera Francesa. Josephine (Anne Hathaway) e Penny (Rebel Wilson) são duas manipuladoras, conhecidas pela arte de extorquir milionários. No entanto, enquanto a primeira é sofisticada, a segunda tem métodos muito menos elegantes. De início Josephine aceita Penny como sua pupila, mas logo se percebe que na verdade a intenção era usá-la para um golpe específico e, logo em seguida, descartá-la. Surge então uma disputa entre elas, sobre quem conseguirá antes a quantia de US$ 500 mil de Thomas Westerburg (Alex Sharp), um prodígio da tecnologia, que está hospedado na cidade.

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    Diretor de O Jardim das Aflições prepara documentário sobre Bolsonaro

    24 de julho de 2019 /

    O cineasta Josias Teófilo, diretor de “O Jardim das Aflições”, sobre o guru da direita brasileira Olavo de Carvalho, prepara um novo documentário, desta vez sobre o discípulo mais bem-sucedido do Homem de Virgínia. Intitulado “Nem Tudo se Desfaz”, o filme é descrito como um “documentário ensaístico sobre os desdobramentos políticos das Jornadas de Junho de 2013 que culminaram na eleição de Jair Bolsonaro”. A produção foi autorizada a captar R$ 530 mil para sua produção, pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), via Lei do Audiovisual (Fomento Indireto). Josias Teófilo deu mais detalhes sobre o projeto nas redes sociais. “O meu filme, ‘Nem Tudo se Desfaz’, não é sobre Bolsonaro, mas sobre as causas da eleição de Bolsonaro, que, na narrativa do filme, remontam a 2013. E nunca ouvi falar que a Lei do Audiovisual seja exclusiva para esquerdistas”, escreveu. “Observe que para fazer um filme sobre a eleição de Bolsonaro, como eu estou fazendo, não é preciso fazer nenhum julgamento de valor sobre o próprio Bolsonaro. Só que a esquerda não vai aceitar jamais que se mostre no cinema o movimento popular que levou à queda de Dilma, por exemplo”, complementou. O comentário reflete ao fato de que políticos ligados ao PT e ao PSOL já se manifestaram em protestos. Na verdade, “Nem Tudo se Desfaz” oferece, no mínimo, o outro lado da moeda, na contínua guerra cultural de narrativas, que virou a produção de documentários no Brasil. Após os “filmes do golpe”, chega a vez do “filme do mito”.

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    O Rei Leão é a principal estreia de cinema da semana

    18 de julho de 2019 /

    Mais um lançamento da Disney domina a programação de cinema desta semana. Acompanhado por grande campanha publicitária, discos, brinquedos e McLanches felizes, “O Rei Leão” é um remake do desenho clássico de 1994 com efeitos visuais de última geração. O realismo é tanto que por vezes parece mais um documentário da National Geographic. Até que os bichos começam a falar. E cantar. O diretor é o mesmo de “Mogli, o Menino-Lobo”, Jon Favreau. Mas o resultado, apesar de visualmente arrojado, não encantou tanto. Culpa, justamente, do excesso de realismo, que comprometeu a fantasia da trama. Mesmo em 2D “antiquado”, o original dos anos 1990 mantém ampla vantagem na comparação. Na avaliação do Rotten Tomatoes, a diferença é brutal: 93% para o original e 56% para a cópia moderna. E para baixar ainda mais a expectativa do público brasileiro, as versões dubladas em português, disponibilizadas na maioria dos cinemas nacionais, não tem Beyoncé. Sem empolgar, a programação desta quinta (18/7) traz apenas mais quatro títulos e dois deles são documentários – inclusive um comercial de cerveja enrustido. Apesar do nome do diretor Fatih Akim (“Em Pedaços”) em “O Bar Luva Dourada” ser uma isca para cinéfilos, nenhuma das ficções compensa sair de casa durante o inverno, quando há coisas muito melhores para se assistir em streaming. De todo modo, o grotesco filme alemão é o mais diferente da lista e o exato oposto da beleza plástica de “O Rei Leão”. Confira abaixo a relação completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. O Rei Leão | EUA | Animação Simba (Donald Glover) é um jovem leão cujo destino é se tornar o rei da selva. Entretanto, uma armadilha elaborada por seu tio Scar (Chiwetel Ejiofor) faz com que Mufasa (James Earl Jones), o atual rei, morra ao tentar salvar o filhote. Consumido pela culpa, Simba deixa o reino rumo a um local distante, onde encontra amigos que o ensinam a mais uma vez ter prazer pela vida. O Bar Luva Dourada | Alemanha | Suspense Na década de 1970, os habitantes da cidade de Hamburgo sofrem quando os jornais começam a noticiar o desaparecimento sucessivo de vários cidadãos seguindo um padrão específico. Começa então uma das mais complexas investigações de assassinatos em série que o local já havia presenciado até o momento. Jornada da Vida | França | Drama Um ator francês (Omar Sy) de descendência senegalesa faz uma viagem à África para promover o seu livro. No local, descobre que um de seus maiores fãs é Yao, um garotinho que efetuou uma longa viagem sozinho para vê-lo. Comovido com a história do menino, decide acompanhá-lo de volta à sua casa e, no percurso, confronta-se com suas próprias raízes. Palace II – Três Quartos com Vista para o Mar | Brasil | Documentário No dia 22 de fevereiro de 1998, o conhecido prédio Palace II sofreu um desabamento inesperado, deixando 8 mortos e quase 200 famílias desabrigadas. Considerado um dos maiores desastres na história da engenharia civil brasileira, até hoje alguns dos culpados não foram punidos pelo descaso, e as pessoas envolvidas no acidente lembram-se muito bem dos momentos cruciais, antes, durante e depois da queda. Em Busca da Cerveja Perfeita | Brasil | Documentário Durante uma viagem de mais de 10.000 km, o diretor Heitor Dhalia explora o universo cervejeiro com o objetivo de responder a pergunta “Existe uma cerveja perfeita?”. Para tentar descobrir, ele conversa com mais de 20 especialistas no assunto e traça um panorama completo da bebida, que é uma das mais amadas do mundo. Feito com patrocínio da fábrica de cervejas Ambev.

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    Estou Me Guardando para quando o Carnaval Chegar tem dimensão reflexiva surpreendente

    15 de julho de 2019 /

    “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005), primeiro longa-metragem do diretor pernambucano Marcelo Gomes, está entre as melhores produções brasileiras do século 21. “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” (2009), dirigido por Gomes e Karim Ainouz, é um filme experimental brilhante e um dos produtos mais criativos da nossa filmografia recente. O que recomenda vivamente o trabalho do cineasta. Marcelo Gomes fez ainda “Era uma Vez Eu, Verônica” (2012) e “Joaquim” (2017), e codirigiu com Cao Guimarães “O Homem das Multidões” (2013). Uma trajetória bastante sólida e consistente. Seu novo trabalho, “Estou Me Guardando para quando o Carnaval Chegar” tem título quilométrico, que remete a uma música de Chico Buarque. No entanto, é um documentário com uma abordagem simples, clara e direta, que dá conta de uma realidade bem mais complexa do que a sua aparência faria supor e alcança uma dimensão reflexiva surpreendente. Como um filme que se constrói ao caminhar sobre o tema e ao encontrar elementos novos a cada passo, a narrativa se estabelece à medida em que é capaz de ouvir o outro com atenção e, de algum modo, interagir, participar e intervir no seu objeto de estudo. O personagem do documentário é a cidade de Toritama, no Agreste de Pernambuco, que era uma localidade pacata, que Marcelo Gomes conheceu quando criança, acompanhando seu pai em visitas de trabalho. Era, não é mais. Foram justamente a agitação e as mudanças em Toritama, visíveis ao passar pelas estradas locais, que chamaram a atenção dele. Agora Toritama se define como a capital do jeans. 20% de toda a produção de jeans do Brasil vem de lá, cerca de 20 milhões de peças por ano produzidas em fábricas de fundo de quintal, que são chamadas de facções. É surpreendente que uma cidade com 40 mil habitantes tenha uma produção assim tão grande para ostentar. E por que isso acontece? Em síntese, porque tudo que se faz lá, o tempo inteiro, é trabalhar. Cada casa ou conjunto delas vira uma oficina de costura individual ou coletiva. Quase todos parecem preferir trabalhar por sua conta e risco, como e quando quiser, sem carteira assinada na fábrica. Com a certeza de que o que produzirem vai ser comprado. Ou porque já foi combinado ou porque vai ser vendido nas grandes feiras que atraem público de todos os cantos. Como mais peças ou partes de peças costuradas resultam em pequenas quantidades de dinheiro, quanto mais se faz mais se ganha. Conclusão, a maioria dos moradores/produtores da cidade trabalha continuamente desde cedo até tarde da noite. Em casa mesmo, sem horário. Ou melhor, sem horário para viver, só para trabalhar, comer e dormir, com direito a uma hora de TV, provavelmente para ver a novela. Uma espécie de escravidão não só consentida, mas buscada pela população. Que dela não se queixa, com poucas exceções. Acha que está muito bom assim, sente-se livre e dona do seu nariz. Ou melhor, do seu negócio. Muito curioso esse microcosmo do capitalismo que toma de assalto e transforma radicalmente uma pequena localidade, que já não tem espaço nem para criar galinhas ou fazer caminhar os bodes que restaram pela cidade, cruzando a rodovia. Se isso parece estranho e surpreendente, o que dizer da obsessão absoluta de toda a população em, obrigatoriamente, passar o Carnaval na praia? Custe o que custar, ninguém fica, todos saem para tomar banhos de mar, beber, fazer alguma fantasia, batucar e dançar no Carnaval. Se não tiver dinheiro, vende o que tem – fogão, geladeira – ou toma emprestado, para depois pagar ou recomprar o que vendeu. O que não pode é perder o Carnaval. Marcelo Gomes filmou a cidade nos dias de Carnaval e só então reencontrou o silêncio e as ruas vazias do seu tempo de criança. O mundo do trabalho e o do lazer (ou férias) se colocam em oposição. Oposição não é bem a palavra. Talvez espaço e tempo estanques, separados. Trabalho todo o tempo. Parada no Carnaval, fora da cidade, como obrigação incontornável. Trabalho parece ser só dinheiro e o dinheiro vira uma dependência, é só ele que importa. Prazer no período mágico do Carnaval, tratado como obrigação tanto quanto a atividade produtiva. Mas há também prazer no trabalho e nos resultados obtidos. Por que não é possível integrá-los, mesclá-los, equilibrar algumas coisas, diante da obsessão em fabricar cada vez mais e mais e obter o dinheiro desejado? Fico pensando nos mecanismos da Internet – e-mails, WhatsApp, outras redes sociais – nos tomando um tempo absurdo de trabalho não remunerado, quando a tecnologia teria de ter vindo para nos poupar tempo e permitir o ócio criativo. Parece que também nos deixamos escravizar com gosto, ou simplesmente o esquema nos engole. Isso também tem a ver com abdicar da liberdade para seguir um salvador da pátria, um mito qualquer? O ótimo documentário de Marcelo Gomes nos faz pensar em muitas coisas como essas, que não estão no filme, mas na minha cabeça, nesse momento. A música do Chico Buarque, que está no filme, e tem como estribilho “Estou Me Guardando para quando o Carnaval Chegar” fazia alusão á liberdade que o sujeito viveria com o fim da ditadura militar opressora, restritiva de todas as liberdades e que tinha como oposição o Carnaval libertador. Não é o sentido, aqui, o Carnaval, no caso, é uma liberação momentânea de um trabalho que, no fim das contas, embora não pareça, é também opressivo, mas que dura pouco e nada muda. O filme ganhou o prêmio do Júri e da Abraccine (Associação Brasileira dos Críticos de Cinema) no festival É Tudo Verdade 2019. E está sendo exibido na sessão Vitrine, com preço reduzido, em grande número de cidades brasileiras.

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    Privacidade Hackeada: Documentário sobre roubo de dados de aplicativos ganha trailer legendado

    12 de julho de 2019 /

    A Netflix divulgou o pôster americano e o trailer legendado de “Privacidade Hackeada” (The Great Hack), documentário sobre a invasão de privacidade e roubo de dados promovidos pelos aplicativos de redes sociais. O filme centra-se no escândalo da Cambridge Analytica, empresa que usou o Facebook para coletar dados de milhões de pessoas visando influenciar as últimas eleições dos Estados Unidos e o resultado da votação do Brexit, que tirou o Reino Unido da União Europeia. “Entenda como a empresa de análise de dados Cambridge Analytica se tornou o símbolo do lado sombrio das redes sociais após a eleição presidencial de 2016 nos EUA”, diz a sinopse oficial. Mas as consequências do “hackeamento” da privacidade vão muito além de um caso específico e ainda não produziram reflexão suficiente no Brasil, onde o uso escandaloso de mensagens privadas do Telegram de integrantes da Operação Lava Jato, obtidas não se sabe como, não é devidamente tratado sob o prisma do crime cibernético e da manipulação política, temas do documentário em questão – muito antes pelo contrário. “Privacidade Hackeada” tem direção de Karim Amer e Jehane Noujaim, produtores de “The Square”, documentário indicado ao Oscar sobre a Primavera Árabe, e será exibido em 24 de julho em streaming.

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    Vazamento de diálogos privados de Sergio Moro vai virar filme

    12 de julho de 2019 /

    O depoimento de Glenn Greenwald no Senado Federal, que aconteceu na quinta-feira (11/7), foi acompanhado por cinegrafistas estrangeiros com equipamentos cinematográficos, que registraram imagens da audiência pública. Uma produtora confirmou à imprensa brasileira que estava trabalhando em uma produção independente iniciada havia pouco tempo. Ao fim da reunião, o próprio Glenn confirmou a informação ao blog Entre Quatro Poderes. “Sim. Estamos trabalhando nisso. Por enquanto, estamos só registrando algumas imagens e depois veremos como aproveitá-las.” O longa seguiria o modelo de “Democracia em Vertigem”, documentário impressionista de Petra Costa, que reflete a narrativa petista da história recente do Brasil. Por sinal, Greenwald foi um dos nomes que a diretora agradeceu nos créditos de seu documentário. A nova obra seria focada na divulgação dos diálogos privados entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol, capturados do aplicativo Telegram, e faria uma crítica à Operação Lava Jato. Será a segunda vez que uma reportagem de Greenwald vira filme. Seu trabalho na divulgação do programa secreto americano de vigilância da internet virou “Cidadãoquatro” (2014), vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 2015. Na ocasião, o vazamento de informações tinha nome e sobrenome: Edward Snowden, ex-agente da NSA que denunciou e entregou material sigiloso para as reportagens. Desta vez, porém, a fonte de Greenwald é misteriosa e apenas se especula sua verdadeira motivação. Neste sentido, o filme poderia revelar muito, caso não se configure em material partidário. O tema parece sob medida para a cineasta americana Laura Poitras, diretora de “Cidadãoquatro” e também de “Risk” (2016), que igualmente aborda vazamentos de informações sigilosas, via WikiLeaks.

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    Relançamento de Vingadores: Ultimato joga estreias da semana no circuito limitado

    11 de julho de 2019 /

    O relançamento de “Vingadores: Ultimato” é a estreia mais ampla desta quinta (11/7), um caso nunca visto antes de filme que volta sem nunca ter saído de cartaz e de versão estendida que não estende um segundo sequer da trama. Mas graças a esse caça-níquel e aos blockbusters em exibição, as verdadeiras estreias da semana foram praticamente restritas ao circuito limitado. Entre as novidades, “Atentado ao Hotel Taj Mahal” tem o maior lançamento. Conhecido no resto do mundo como “Hotel Mumbai”, o longa transforma em suspense a reconstituição dramática de um ataque terrorista que aconteceu em 2008 num dos hotéis mais luxuosos da Índia, repleto de estrangeiros. O bom elenco internacional destaca Dev Patel (“Lion”), Armie Hammer (“Me Chame pelo Seu Nome”) e Nazanin Boniadi (“Counterpart”). Elogiado pela crítica americana, tem 76% de aprovação no Rotten Tomatoes. O resto da programação se restringe a três lançamentos europeus e um documentário brasileiro, que é, na verdade, o melhor da lista. “Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar”, do veterano cineasta pernambucano Marcelo Gomes, retrata a rotina de uma cidadezinha no agreste conhecida por suas confecções de jeans, onde todos são obcecados pelo trabalho. Por vezes, parece uma obra de ficção. Mas seus personagens são reais. Exibido no Festival de Berlim, foi premiado no recente É Tudo Verdade. Outro lançamento premiado, o drama francês “Inocência Roubada”, reflete sobre o trauma do abuso infantil numa mulher adulta. Estreia do casal de diretores Andréa Bescond e o ator Eric Métayer, venceu o César de Melhor Roteiro e Atriz Coadjuvante (Karin Viard). Entretanto, é o outro francês, “Amor à Segunda Vista”, que tende a conquistar mais público. A história do homem que vai parar numa realidade paralela, em que o amor de sua vida nem sabe que ele existe, é uma comédia romântica fantasiosa. O estilo tem dominado produções nacionais recentes, mas o diretor Hugo Gélin (de “Uma Família de Dois”) evita clichês para divertir com criatividade. Por fim, o infantil alemão “A Pequena Travessa” é a última opção. Literalmente. Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. Atentado ao Hotel Taj Mahal | EUA | Thriller Mumbai, Índia, 2008. Um grupo de terroristas chega à cidade de barco, disposto a promover uma série de ataques em locais icônicos da cidade. Um deles é o luxuoso hotel Taj Mahal, bastante conhecido pela quantidade de estrangeiros e artistas que nele se hospedam. Quando os ataques começam, o humilde funcionário Arjun (Dev Patel) tenta ajudar todos a se protegerem, enquanto David (Armie Hammer) e Zahra (Nazanin Boniadi) buscam algum meio de retornar ao quarto em que estão hospedados, já que nele está seu bebê e Sally (Tilda Cobham-Hervey), sua babá. Amor à Segunda Vista | França | Comédia Do dia para a noite, Raphael (François Civil) acorda em um universo paralelo onde ele nunca conheceu Olivia (Joséphine Japy), o amor da sua vida. Agora ele precisa reconquistar a sua esposa, mesmo sendo um completo estranho para ela. Enquanto Raphael tenta entender exatamente o que aconteceu, ele corre contra o tempo para não perdê-la. Inocência Roubada | França | Drama Aos oito anos, Odette (Andréa Bescond) gostava de pintar e desenhar, como todo criança inocente. Eventualmente, ela também brincava com os adultos, por isso não recusou participar de uma “guerra de cócegas” com um homem mais velho, amigo de seus pais. Anos depois, Odette é uma adulta assombrada pelos traumas da infância, algo que ela vem tentando esquecer através da dança, atividade que ela pratica profissionalmente. A Pequena Travessa | Alemanha | Infantil Lilli Susewind (Malu Leicher) tem a habilidade de falar com animais, mas, fora seus pais, ninguém sabe deste segredo. Quando ela conhece Jess (Aaron Kissiov), um menino divertido e misterioso de sua nova escola, decide contar para ele. Juntos, os dois precisam achar um filhote de elefante que foi roubado do zoológico da cidade. Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar | Brasil | Documentário Na cidade de Toritama, considerada um centro ativo do capitalismo local, mais de 20 milhões de jeans são produzidas anualmente em fábricas caseiras. Orgulhosos de serem os próprios chefes, os proprietários destas fábricas trabalham sem parar em todas as épocas do ano, exceto o carnaval: quando chega a semana de folga, eles vendem tudo que acumularam e descansam em praias paradisíacas.

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  • Etc

    Fãs de Michael Jackson processam acusadores de Deixando Neverland por difamação

    4 de julho de 2019 /

    Grupos de fãs de Michael Jackson resolveram processar as duas supostas vítimas que denunciaram abuso do cantor no documentário da HBO “Deixando Neverland”. Trata-se de uma ação simbólica, com indenização fixada em um euro, contra Wade Robson e James Safechuck por “macularem a imagem” do astro pop, que não pode se defender. Os fã-clubes Michel Jackson Community, MJ Street e On the Line processaram os homens por difamação em Orléans, no norte da França. O advogado que deu entrada na ação, Emmanuel Ludot, comparou as alegações dos acusadores a um “genuíno linchamento” de Jackson, que morreu em 2009. A decisão de abrir o processa na França se deve às leis de difamação do país oferecem proteção contra essa ofensa até depois da morte, ao contrário dos sistemas legais do Reino Unido e dos Estados Unidos. Robson e Safechuck não se manifestaram e nem procuraram advogados para tratar do caso. Além desse processo simbólico, há uma ação legal dos herdeiros de Michael Jackson contra a HBO, que busca indenização de US$ 100 milhões, mas tem sido derrotada em suas primeiras etapas na justiça americana. “Deixando Neverland” registrou uma das maiores audiências de documentários da HBO em sua estreia em março. A produção dirigida por Dan Reed traz acusações de abuso sexual contra o cantor Michael Jackson, por meio dos testemunhos de Wade Robson e James Safechuck, que eram crianças na época em que os supostos incidentes aconteceram.

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  • Filme

    Homem-Aranha: Longe de Casa é o grande lançamento da semana nos cinemas

    3 de julho de 2019 /

    Os cinemas brasileiros voltam a ser monopolizados por uma produção de super-heróis. “Homem-Aranha: Longe de Casa” estreia nesta quinta-feira em 1,6 mil salas, após bater recordes de arrecadação na China e nos Estados Unidos. Bastante elogiado pela crítica internacional, o filme é continuação direta do blockbuster “Vingadores: Ultimato” e mostra o herói (Tom Holland) ainda processando os eventos recentes, crise existencial potencializada para chegada de Mysterio (personagem vivido por Jake Gyllenhaal). Com muitas reviravoltas – algumas óbvias para os leitores dos quadrinhos clássicos – e uma surpresa inesperada para os fãs da trilogia original do Aranha, é tão bom quanto o divertido “Homem-Aranha: Volta ao Lar” e mais um blockbuster garantido para o MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). Todos os demais lançamentos da semana são restritos ao circuito limitado – isto é, só entram em cartaz em um punhado (ou menos) de cidades. O melhor da programação alternativa é o drama “A Árvore dos Frutos Selvagens”, do célebre cineasta turco Nuri Bilge Ceylan (“Era uma Vez na Anatólia”, “Winter Sleep”). Exibido no Festival de Cannes, tem ritmo lento, mas compensa com uma fotografia e conteúdo primorosos, ao usar a experiência de um jovem, que retorna para sua pequena comunidade após a faculdade, como reflexão sobre a vida na Turquia moderna – e no mundo. Atingiu 95% de aprovação no site Rotten Tomatoes. O resto da seleção inclui um documentário sobre o diretor brasileiro Neville D’Almeida (“A Dama do Lotação”) e três longas franceses. O destaque desta lista é a comédia “Um Homem Fiel”, segundo longa dirigido pelo ator Louis Garrel, que segue os passos do pai (o cineasta Philippe Garrel) ao filmar o tema favorito do cinema francês: a infidelidade. O próprio Garrel assina o roteiro e também se escalou no papel principal para ser disputado por sua esposa, Laetitia Casta, e a jovem filha do ator Johnny Depp, Lily-Rose Depp. Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. Homem-Aranha: Longe de Casa | EUA | Super-Heróis A Árvore dos Frutos Selvagens | Turquia | Drama Sinan (Doğu Demirkol) é um jovem apaixonado por literatura que sempre sonhou em se tornar um grande escritor. Ao retornar para o vilarejo em que nasceu, ele faz de tudo para conseguir juntar dinheiro e investir na sua primeira publicação. O problema é que seu pai deixou uma dívida que atrapalhará os seus planos. Um Homem Fiel | Comédia | França Nove anos depois de deixá-lo pelo seu melhor amigo, a agora viúva Marianne (Laetitia Casta) volta para o jornalista Abel (Louis Garrel). Porém, o que parece um belo recomeço logo se mostra bem mais complicado e Abel se vê enrolado em um monte de drama, como as maquinações do estranho filho de Marianne e a questão de afinal o que aconteceu com o ex marido dela. Cézanne e Eu | Drama | França A história de amizade e rivalidade entre o pintor Paul Cézanne (Guillaume Canet) e o escritor Émile Zola (Guillaume Gallienne). Paul é rico. Emile é pobre. Mas dessa união irá surgir uma amizade que resiste ao tempo e às diferenças sociais. Os amigos, que se conheceram no colégio Saint Joseph, aprenderam desde crianças a compartilharem tudo um com o outro. Mas, na busca por realizar seus sonhos, os dois vão aprender a enfrentar os desafios da vida e, principalmente, sobre o valor da verdadeira amizade. Boas Intenções | Comédia | França Isabelle (Agnès Jaoui) dedica todo o seu tempo ao trabalho humanitário, ajudando imigrantes, doando roupa, preparando comida e ministrando aulas de francês para estrangeiros. Um dia, quando uma professora mais jovem aparece no mesmo centro onde ela dá aulas, Isabelle começa a se sentir ultrapassada. Enquanto se envolve numa competição com a novata, começa a negligenciar o marido e os filhos, criando outros problemas para solucionar além da miséria no mundo. Neville D’Almeida: Cronista da Beleza e do Caos | Brasil | Documentário Através de entrevistas, raras imagens de arquivo e um vasto material iconográfico, esse documentário busca resgatar a vida e o trabalho do cineasta Neville D’Almeida, desde a era do Cinema Marginal até o presente. Responsável por grandes sucessos como “A Dama da Lotação” e “Os Sete Gatinhos” e premiado em inúmeros festivais, Neville ainda assim teve muitos problemas com a censura durante o regime militar e também com o que ele chama de “ditadura dos editais”.

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  • Filme

    Turma da Mônica, Pets 2 e Annabelle 3 disputam as bilheterias de cinema da semana

    27 de junho de 2019 /

    Os cinemas recebem três candidatos a blockbuster nesta quinta-feira (27/6), que devem travar uma disputa acirrada nas bilheterias. Dois deles são lançamentos infantis. O outro é um terror com crianças e boneca. O destaque é, sem dúvidas, “Turma da Mônica – Laços”, primeiro filme live-action baseado nos personagens de quadrinhos de Mauricio de Sousa. Deveria estar, inclusive, em mais salas. Mas pesou a força da multinacional Universal, que colocou a animação “Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2” na maior quantidade de cinemas. O filme dirigido por Daniel Resende (de “Bingo: O Rei das Manhãs”) é melhor que o desenho animado e tem muito mais apelo para o público brasileiro. Para os mais crescidinhos, “Annabelle 3: De Volta para Casa” chama atenção por parecer praticamente “Invocação do Mal 3”. A trama resgata o casal Warren (Vera Farmiga e Patrick Wilson) e mostra o que acontece quando sua filha pequena (a precoce Mckenna Grace) precisa passar uma noite sozinha com a babá adolescente na casa da família, cheia de artefatos malignos como a própria Annabelle. O resultado é “uma noite no museu”… do terror. O circuito limitado exibe mais três longas brasileiros e uma produção francesa. Entre eles, está um dos melhores filmes de 2019. Não há elogios capazes de fazer justiça a “Divino Amor”, novo filme de Gabriel Mascaro (“Boi Neon”), que tem impressionantes 100% de aprovação no site americano Rotten Tomatoes. Visionário, o longa foi filmado antes da eleição de Jair Bolsonaro, mas previu um país de futuro extremamente conservador. A trama se passa em 2027, após o Carnaval perder a primazia para a festa evangélica do Amor Supremo, uma espécie de rave cristã que marca a espera pela segunda vinda de Jesus. Neste futuro, equipamentos eletrônicos reforçam a proibição de aborto ao escanear mulheres grávidas e pastores fazem plantão em drive-thrus da fé, para aconselhar crentes em tudo. Provocador. Instigante. “Handmaid’s Tale” brasileiro. Muitos adjetivos mais. Outra alternativa aos filmes de shopping, o envolvente longa francês “Cyrano Mon Amour” conta a história dos bastidores da peça “Cyrano de Bergerac”, escrita por Edmond Rostand no final do século 19. Mais fantasia que cinebiografia, o lançamento também é um exemplar bastante ilustrativo dos critérios bizarros que marcam a “tradução” dos títulos de filmes no Brasil. A obra que chega por aqui com nome francês se chama… “Edmond”… na França! Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. Turma da Mônica – Laços | Brasil | Infantil Floquinho, o cachorro do Cebolinha (Kevin Vechiatto), desapareceu. O menino desenvolve então um plano infalível para resgatar o cãozinho, mas para isso vai precisar da ajuda de seus fiéis amigos Mônica (Giulia Benite), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira). Juntos, eles irão enfrentar grandes desafios e viver grandes aventuras para levar o cão de volta para casa. Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2 | EUA | Animação Nova York. A vida de Max e Duke muda bastante quando sua dona tem um filho. De início eles não gostam nem um pouco deste pequeno ser que divide a atenção, mas aos poucos ele os conquista. Não demora muito para que Max se torne superprotetor em relação à criança, o que lhe causa uma coceira constante. Quando toda a família decide passar uns dias em uma fazenda, os cachorros enfrentam uma realidade completamente diferente com a qual estão acostumados. Annabelle 3: De Volta para Casa | EUA | Terror Quando Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) deixam sua casa durante um fim de semana, a filha do casal, a pequena Judy Warren (Mckenna Grace), é deixada aos cuidados de sua babá (Madison Iseman). Mas as duas entram em perigo quando a maligna boneca Annabelle, aproveitando que os investigadores paranormais estão fora de jogo, anima os letais e aterrorizantes objetos contidos na Sala dos Artefatos dos Warren. Divino Amor | Brasil | Sci-Fi Joana (Dira Paes) trabalha como escrivã em um cartório e, profundamente religiosa e devota à ideia da fidelidade conjugal, sempre tenta demover os casais que volta e meia surgem pedindo o divórcio. Tal situação sempre a deixa à espera de algum reconhecimento, pelos esforços feitos. Entretanto, a situação muda quando ela própria enfrenta uma crise em seu casamento. Cyrano Mon Amour | França | Drama Em 1897, Edmond Rostand (Thomas Solivérès) não tem nem 30 anos de idade ainda, mas já tem dois filhos e muitos anseios. Desesperado por trabalho e há dois anos sem conseguir escrever nada, ele oferece ao renomado Benoît-Constant Coquelin (Olivier Gourmet) uma nova peça, uma comédia heroica a ser entregue na época das festas. Só tem um problema, ele ainda não a escreveu. Esta peça viria a ser o clássico “Cyrano de Bergerac”. O Olho e a Faca | Brasil | Drama Roberto (Rodrigo Lombardi) trabalha numa base de petróleo e passa longos meses afastado da esposa e dos dois filhos. Nos momentos de distância, inicia um relacionamento com outra mulher. Um dia, Roberto recebe uma promoção no emprego, forçando-o a ficar ainda menos presente para a família e os amigos. Blitz | Brasil | Drama Depois de ter sido acusado do assassinato de uma jovem durante uma Blitz em uma escola, a vida do Cabo Rosinha (Rui Ricardo Dias) começa a desmoronar completamente. Enquanto habitantes da cidade onde mora se revoltam contra ele, sua esposa corre contra o tempo para descobrir o que realmente aconteceu antes que a situação traga consequências fatais.

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  • Filme

    Democracia em Vertigem reflete impasses do cinema militante no Brasil

    24 de junho de 2019 /

    Lamento profundamente discordar da grande onda de encantamento e comoção em torno de “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, mas gostaria de propor uma reflexão sobre porque esse filme me pareceu tão insatisfatório. Gostaria de começar lançando uma pergunta: a quem esse filme se destina? Petra tem como objetivo promover uma análise panorâmica sobre as transformações políticas de nosso país. Como um país que guiava em direção à democracia, enfrentou, em tão pouco tempo, uma descontinuidade abrupta, a ponto de a diretora considerar que a democracia foi na verdade “um sonho efêmero”? A base dessa pergunta já revela os pressupostos políticos da realizadora. A questão não é propriamente “de que lado ela (ou o filme) está” mas quais os métodos utilizados pelo filme para dar forma ao seu discurso. E o que o desenvolvimento desse discurso provoca como reflexão sobre o curso de nosso país. Pois bem: a partir dessa ambição panorâmica a nível macro, Petra adiciona um elemento típico de sua filmografia – uma análise pessoal, como uma espécie de documentário em primeira pessoa. Contemplar a presença da morte, do fracasso ou da culpa já estava presente no seu anterior “Elena” (2012). O desafio de “Democracia” é então articular o drama familiar individual em primeira pessoa com a observação macro dos rumos políticos do país. Na dimensão individual, Petra lança alguns elementos. O principal deles é a sua própria voz-over, que se afasta das imponentes “vozes-de-deus” em tom “branco” e preenche a camada sonora com um perfil humano comum. O segundo é a reflexão sobre o choque de perspectivas entre seus pais, antigos militantes de esquerda (sua mãe chegou a ser presa no mesmo local de Dilma), e a tradição de seus avós, ricos empresários da Andrade Gutierrez, uma das empresas denunciadas na Lava Jato. Petra então é herdeira direta desses dois grupos opostos que fracassaram – os militantes de esquerda e a elite empresarial brasileira. No entanto, os impasses dessa filiação não são aprofundados de fato pela realizadora. “Democracia em Vertigem” não é uma reflexão sobre a posição de classe da realizadora ou sobre o fracasso de uma geração, aos moldes de filmes que trabalham as fissuras da linguagem documental, aprofundando e complexificando suas cicatrizes, como “Os Dias com Ele” (2012), de Maria Clara Escobar, um duro acerto de contas da própria realizadora com seu pai, ou mesmo “Santiago” (2007) e “No Intenso Agora” (2017), de João Moreira Salles. A inclusão do elemento familiar ou íntimo acaba servindo na verdade como mero entremeio para a principal função do filme: a construção de uma narrativa sobre as transformações do regime político brasileiro, ou ainda, a perda de legitimação do Partido dos Trabalhadores e a ruptura da tradição democrática. A forma como Petra constrói essa narrativa macropolítica articula as imagens de arquivo com a própria narração de Petra, que, por boa parte do filme, meramente ilustra e costura o que as imagens em si não conseguem propor. Assim, a voz-over, mais do que investir no documentário em primeira pessoa, funciona como alicerce para a corroboração da construção de uma narrativa (um discurso) sobre o país. É ela quem no fundo apresenta o que é o filme. A forma didática e linear, com relações de causa-e-efeito forçadas, sem grandes sutilezas, desvela uma narrativa sem grandes novidades em relação ao discurso hegemônico da esquerda. São raros os momentos em que o filme procura inserir camadas de cinza ou questionamentos sobre algumas contradições e paradoxos internos do PT. São raros os momentos em que o filme reflete sobre a própria produção dessas imagens, sobre suas lacunas ou fissuras. Um deles, notável exceção, ocorre durante a posse de Dilma, quando Lula, Dilma e Marisa descem a rampa do Planalto, com a companhia de Temer. Nesse momento, o filme promove uma leitura dessa imagem como um certo prenúncio do impeachment, visto o nítido isolamento de Temer em relação aos outros três corpos. Em outro deles, Dilma confidencia a Lula, no momento imediatamente após a confirmação do resultado da sua primeira eleição como presidente: “você que inventou essa”. Nesses momentos, parece que o filme escapa de sua vocação apriorística e se abre para as dobras e os paradoxos das imagens. São momentos em que o filme se liberta da necessidade de corroborar um discurso e mergulha em simplesmente olhar para as imagens e tentar entender o que elas dizem, suas camadas e hiatos. Sinto falta no filme de Petra que ela realmente olhe para as imagens, antes de manuseá-las como função no interior da narrativa. Ou seja, as imagens parecem que estão aprisionadas diante do discurso prévio da realizadora. Petra lida com essas imagens sem deixá-las respirar ou falar por si mesmas, mas as mostra apenas se servem como testemunha ou elemento de acusação, ou ainda como mera peça de uma grande tapeçaria, como se realizasse uma narrativa típica do cinema clássico, mas com imagens que não lhe pertencem. O que sobrevive do filme de Petra não é sua narrativa de costura forçada, em grande máquina industrial, simulando um look semicaseiro, mas os pequenos momentos em que as imagens, sorrateiras e traiçoeiras, se libertam do arremedo totalizante da realizadora e se deixam revelar em suas bordas e lacunas. Mas aqui volto a pergunta inicial: a quem o filme se destina? Pela exposição minuciosa dos grandes temas já exaustivamente apresentados pela grande imprensa, como um grande resumo jornalístico, sem apresentar grandes novidades ou reflexões mais aprofundadas, me parece que o filme se destina primordialmente para um público que não tem muita intimidade com o desenrolar dos fatos, especialmente para o público estrangeiro. Ainda mais pelo fato de o filme ser produzido e distribuído mundialmente pela Netflix, a suspeita se reforça. Alguns poderiam estranhar o fato de uma empresa internacional – que se movimenta para aprovar a regulação do VOD no país, ainda em suspenso, favoravelmente a seus interesses comerciais, inclusive articulando sua inclusão no Conselho Superior de Cinema – produzir um filme com um discurso claramente oposto ao governo no poder. Mas “Democracia em Vertigem” é o outro lado de “O Mecanismo” – série de José Padilha que causou polêmica ao tratar, por meio da ficção, os acontecimentos da Lava Jato de forma um tanto caricata e irresponsável, como um mero thriller policial. É o avesso que confirma a regra, já que, no fundo, o que a empresa busca, para além de sua inclinação ideológica, é a realização de produtos que gerem dinheiro. E o valor, no mundo do capitalismo cognitivo, está diretamente relacionado com o quanto de buzz o filme consegue movimentar nas mídias, nas redes sociais, de uma classe média pronta para consumir esses produtos. Ou seja, a ideologia do capital é o próprio capital. Pois se a democracia está em vertigem, em crise ou em risco, “Democracia em Vertigem” nunca se põe verdadeiramente em risco, nunca provoca de fato o espectador para as contradições de seu momento histórico ou para o papel e a função das imagens. Meramente ilustrativo sobre um discurso firmemente sustentado a priori, descrito pela narração em over, “Democracia” arrola um conjunto de tautologias, repetindo para o público de esquerda os mantras já fartamente conhecidos por ele. Concluo então pensando como pode ser o cinema político. No mundo de grandes dualismos em que vivemos, a política no cinema não deve ser dissociada da questão da liberdade. O fracasso de “Democracia em Vertigem” é que o projeto tautológico da realizadora raramente estimula que o espectador veja o mundo com seus próprios olhos. Guiando-o pelas mãos a partir de uma identificação com a própria posição da realizadora, o público (de esquerda) de “Democracia em Vertigem” passeia pela narrativa confortavelmente, como se estivesse descorporificado, com se flanasse pelas belas imagens de Brasília a bordo de um dos drones que sobrevoam a paisagem. Há aqueles que criticam a posição de Petra analisando as contradições de seu “lugar de fala”, que exacerba sua leitura classista dos acontecimentos – ou seja, a diretora, mesmo filha de militantes, permanece seguramente ancorada no seu lugar de privilégio. Mas nem recorro a esse ponto. Para além da falta de coerência entre a articulação entre o íntimo e o coletivo, destinada aos brasileiros e estrangeiros da “esquerda do Netflix”, o grande problema de “Democracia” está na superficialidade de sua visão de país. Problema que também perpassa, ou atravessa, um elemento crucial, tipicamente cinematográfico: sua falta de ousadia, sua incapacidade de sonhar, sua atrofia em imaginar aquilo que as imagens e os discursos prontos não respondem de supetão. No fundo, a tautologia de “Democracia em Vertigem”, ao construir uma narrativa fechada dos vilões que surrupiaram o poder, reflete a falta de um projeto político-estético para o cinema de esquerda do país de hoje – ou ainda, os impasses de certo cinema militante hoje no país. Por isso, o que me espanta não é propriamente o filme realizado por Petra mas especialmente a recepção – rápida e instantânea – que o filme atingiu num certo público – em especial cineastas e artistas de esquerda. Uma adesão instantânea que bloqueia os paradoxos do discurso apresentado pelo filme. Uma reação que me parece refletir um certo “desespero”, como se esse filme fosse uma âncora, bússola ou mapa, para mostrar à sociedade que é preciso acreditar nessa narrativa para que possamos sobreviver à loucura ou à tormenta. Mais interessante que o filme tem sido acompanhar a recepção de “Democracia em Vertigem”. A comoção em torno do filme acaba evidenciando a profunda falta de perspectivas e a crise de pensamento da hegemonia da esquerda brasileira. Se quisermos virar o jogo, precisamos de narrativas melhores.

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