“O Beco do Pesadelo” e “Spencer” chegam aos cinemas
A programação de cinema da semana está em sintonia com a temporada de premiações de Hollywood, trazendo filmes cotados ao Oscar: “O Beco do Pesadelo”, de Guillermo del Toro, que já venceu o troféu da Academia por “A Forma da Água”, “Spencer”, que destaca a performance de Kristen Stewart como a Princesa Diana, “Summer of Soul”, já qualificado entre os 15 filmes pré-selecionados na categoria de Melhor Documentário do Oscar 2022, e “A Felicidade das Pequenas Coisas”, que tenta o Oscar de Melhor Filme Internacional. Ao todo, sete títulos novos chegam ao circuito nesta quinta (27/1), incluindo duas produções brasileiras com distribuição mais restrita. Confira abaixo todas as novidades que entram em cartaz. O BECO DO PESADELO O novo espetáculo repleto de estrelas de Guillermo Del Toro (vencedor do Oscar por “A Forma da Água”) tem clima de terror, mas é o primeiro trabalho da carreira do cineasta que deixa de lado elementos sobrenaturais para focar apenas no pior da raça humana. A história é uma adaptação do livro homônimo de William Lindsey Graham, publicado em 1946 e que já foi transformado num clássico do cinema noir, batizado no Brasil como “O Beco das Almas Perdidas” (1947). A trama gira em torno de um vigarista (Bradley Cooper) que entra num circo, aprende os truques de uma suposta vidente (Toni Colette) e resolve aplicar golpes como um falso médium, com a ajuda de uma jovem assistente (Rooney Mara). Tudo muda quando ele conhece uma psicóloga pilantra (Cate Blanchett) que grava as confissões de seus pacientes. E aí percebe que pode tornar seu truque ainda mais convincente e extorquir uma clientela milionária com estas informações. O resultado é muito muito sombrio, mas aclamado com 80% de aprovação no Rotten Tomatoes. SPENCER Na terceira cinebiografia de sua carreira, Kristen Stewart dá vida à Princesa Diana, encenando o momento em que a jovem aristocrata decide, durante as férias de Natal com a família real, encerrar seu casamento e sair da monarquia. O título faz referência ao nome de solteira da mãe dos príncipes Harry e William. “Spencer” tem direção do chileno Pablo Larrain, que já retratou a ex-primeira dama americana Jacqueline Kennedy em seu momento mais traumático, no filme “Jackie” (2016), e conta com roteiro de Steven Knight (criador de “Peaky Blinders”). Mas é Stewart que faz o filme ser tão elogiado pela crítica – 83% de aprovação no Rotten Tomatoes. O fato dela ter sido esnobada pelo Sindicato dos Atores dos EUA, que não a indicou em seu prêmio anual, foi tratado como escândalo pela imprensa americana. SUMMER OF SOUL (… OU QUANDO A REVOLUÇÃO NÃO PODE SER TELEVISIONADA) Vencedor do Festival de Sundance e do Critics Choice como Melhor Documentário do ano, o filme dirigido por Ahmir “Questlove” Thompson, baterista da banda de hip-hop The Roots, resgata a memória do festival de música e cultura do Harlem de 1969, que acabou esquecido, apesar de reunir grandes astros do soul, gospel, jazz e blues em Nova York, no mesmo verão e a apenas 100 milhas de distância do famoso festival de Woodstock. Além de mostrar performances arrepiantes de Nina Simone, Stevie Wonder, Mahalia Jackson, os Staple Singers, BB King e Sly and the Family Stone, guardadas durante cerca de 50 anos numa garagem, o filme conta a história do evento, acrescentando depoimentos de artistas e testemunhas daquele verão em Nova York. A FELICIDADE DAS PEQUENAS COISAS Um jovem butanês, que sonha em se mudar para a Austrália e virar um cantor famoso, é enviado pelo governo para ser professor em Lunana, uma das regiões mais isoladas do mundo, onde deverá assumir uma escola infantil. Viajando a contragosto, ele logo descobre naquele lugar a felicidade das pequenas coisas, conforme a moral da história explicitada pelo título. A moral da história também é uma forma de criticar o desejo ocidental da busca pela fama e realização pessoal, evocando a ideologia comunista chinesa, que desde a revolução cultural manda intelectuais para o campo para aprenderem “a felicidade das pequenas coisas”. O tema já tinha sido abordado no clássico “O Caminho para Casa” (1999), de Zhang Yimou. Mesmo assim, o longa de Pawo Choyning Dorji tem fãs entre os críticos americanos e pode surpreender com uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional FORTALEZA HOTEL Pilar, uma jovem empregada de hotel com planos de sair do Brasil, conhece Shin, um hóspede sul-coreana de meia-idade, que está no país para levar o corpo de seu falecido marido de volta à Seul. Quando os planos de ambas começam a dar errado, as duas mulheres acabam estabelecendo uma intensa relação de solidariedade. Segundo longa de Armando Praça (“Greta”), o drama destaca em seu elenco Clebia Sousa (“Bacurau”), premiada como Melhor Atriz pelo desempenho no Festival Cine Ceará 2021, Vanderlei Bernardino (“Sintonia”), o Melhor Ator no mesmo evento, e a veterana sul-coreana Lee Yeong-ran (“A Irmandade da Guerra”). PASSAGEM SECRETA A aventura infantil de baixo orçamento gira em torno da menina novata na cidade, que se junta a um grupo de crianças para invadir um parque de diversões durante a noite e salvar um dos colegas, ao mesmo tempo que descobre segredos sobre sua identidade. Dirigido por Rodrigo Grota (“Leste Oeste”), o filme traz diversas crianças estreantes e o cantor Arrigo Barnabé (“Cidade Oculta”) no papel de vilão. BELLE Versão futurista da fábula de “A Bela e a Fera”, “Belle” também é uma parábola crítica sobre as farsas da internet e o perigo das redes sociais. A trama gira em torno de uma cantora virtual chamada Belle, que tem sua turnê interrompida no metaverso pela viralização de uma criatura batizada pela mídia de a Fera. Nada, porém, é o que parece, já que o sucesso de Belle no “U”, universo de realidade virtual, esconde sua verdadeira identidade, uma adolescente “caipira” e pouco popular chamada Suzu, e a criatura misteriosa que surge em seu caminho não é realmente uma ameaça, mas uma vítima de bullying digital e cancelamento. O anime tem direção de Mamoru Hosoda, responsável por “Mirai”, indicado ao Oscar de Melhor Animação em 2019, além de ter assinado cults como “Crianças Lobo” (2012), “Guerras de Verão” (2009) e “A Garota que Conquistou o Tempo” (2006).
Marilyn Manson nega estupro de Evan Rachel Wood em clipe de 2007
O advogado de Marilyn Manson respondeu à acusação da atriz Evan Rachel Wood (“Westworld”) de que teria sido estuprada diante das câmeras pelo cantor durante a gravação de um videoclipe em 2007. Em um comunicado enviado à imprensa, ele acusou a atriz de inventar “uma mentira descarada e fácil de refutar”. A revelação de que o artista teria a estuprado durante as gravações de “Heart-Shaped Glasses” (2007) foi apresentada num desabafo registrado no documentário “Phoenix Rising”, que teve uma de suas duas partes exibidas no Festival de Sundance durante o domingo (23/1). Em seu depoimento no filme, Evan Rachel Wood revelou que ela e Mason discutiram uma cena de sexo simulada para o videoclipe. No entanto, assim que as câmeras começaram a rodar, Wood afirma que o ex a penetrou de verdade. “Eu nunca concordei com isso! Era um caos completo e eu não me sentia segura, ninguém estava cuidando de mim. Eu me sentia nojenta”, disse. A atriz diz ainda que todos assistiram em silêncio. “Percebi que a equipe estava muito desconfortável e ninguém sabia o que fazer. Fui coagida a um ato sexual. Foi quando o primeiro crime foi cometido contra mim. Eu fui estuprada diante das câmeras”. Howard King, advogado de Marilyn Manson, negou as alegações de Evan, chamando a acusação de “releitura imaginativa da produção do clipe”. “De todas as falsas alegações que Evan Rachel Wood fez sobre Brian Warner [verdadeiro nome de Marilyn Mason], sua releitura imaginativa da produção do clipe de ‘Heart-Shaped Glasses’, há 15 anos, é a mais descarada e fácil de refutar, porque havia várias testemunhas”, diz o comunicado do advogado. “Evan não estava apenas engajada durante os três dias de filmagem, mas também fortemente envolvida em semanas de planejamento de pré-produção e dias de edição de pós-produção do corte final. A cena de sexo simulada levou várias horas para ser filmada com várias tomadas, usando ângulos diferentes e várias pausas longas entre as configurações da câmera”, acrescenta o texto.
Evan Rachel Wood revela ter sido estuprada em clipe de Marilyn Manson
O relacionamento abusivo entre Evan Rachel Wood e Marilyn Manson originou a série documental “Phoenix Rising”, que teve sua primeira parte exibida no Festival de Sundance durante o domingo (23/1). Wood tem falado sobre ser uma sobrevivente de abuso e relações tóxicas desde 2016, quando publicou uma carta aberta no Twitter. Em fevereiro de 2021, a atriz nomeou seu agressor publicamente. “O nome de meu abusador é Brian Warner, também conhecido mundialmente como Marilyn Manson”, disse a atriz em post no Instagram. Desde então, várias outras mulheres vieram a público compartilhar os abusos sofridos em suas relações com Manson. O cantor também está sendo processado por três delas. Em seu depoimento no filme, Evan Rachel Wood revela que foi estuprada diante das câmeras no clipe de “Heart-Shaped Glasses”, lançado em 2007, quando ela tinha 19 anos e ele 38. “Discutimos uma cena de sexo simulada”, ela explicou. No entanto, assim que as câmeras ligaram, ele a penetrou de verdade. “Eu nunca concordei com isso… Era um caos completo e eu não me sentia segura, ninguém estava cuidando de mim… Eu me sentia nojenta.” A atriz diz ainda que todos assistiram em silêncio. “Percebi que a equipe estava muito desconfortável e ninguém sabia o que fazer. Fui coagida a um ato sexual. Foi quando o primeiro crime foi cometido contra mim. Eu fui estuprada diante das câmeras”. Dirigida por Amy Berg (“Livrai-nos do Mal”), a produção será lançada pela HBO em duas partes, ainda sem previsão de estreia.
“O Último Duelo” e os filmes da semana em streaming
A programação de estreias digitais combina filmes que passaram rapidamente pelos cinemas com títulos inéditos no Brasil. O principal destaque é a oportunidade de assistir “O Último Duelo”, que foi pouco visto no circuito cinematográfico, mas é bem melhor que “Casa Gucci”, o filme mais falado do diretor Ridley Scott em 2021. O novo “Resident Evil” também chega às locadoras digitais, mas não melhora em tela pequena. Mesmo assim, é um título que muitos vão arriscar, embora existam outras opções. Confira abaixo algumas delas, na relação com as 10 estreias mais relevantes entre os lançamentos da semana em streaming e VOD. O ÚLTIMO DUELO | STAR+ Pouco antes de lançar “Casa Gucci”, Ridley Scott (“Gladiador”) retomou sua paixão por épicos históricos nesta dramatização de eventos que teriam ocorrido na França do século 14. A denúncia de estupro de uma mulher casada leva o marido, recém-chegado das cruzadas, a requisitar o direito de duelar até a morte com o acusado, que nega ter abusado dela. O embate é extremamente violento e reflete toda a misoginia da época – que persiste ainda hoje – , disfarçada de cavalheirismo. O ótimo elenco destaca Matt Damon (com quem Scott trabalhou em “Perdido em Marte”) e Adam Driver (“Star Wars: Os Últimos Jedi”) como os duelistas, Jodie Comer (“Killing Eve”) na pele da mulher ultrajada e, como coadjuvante de luxo, um loiro e irreconhecível Ben Affleck (“Liga da Justiça”), que também assina o roteiro com seu velho amigo Matt Damon. Os dois parceiros não concebiam um roteiro juntos desde que venceram o Oscar por “Gênio Indomável”, que eles igualmente estrelaram em 1997. BRANCO NO BRANCO | FILMICCA Consagração do chileno Théo Court, que levou o prêmio de Melhor Direção na mostra Horizontes do Festival de Veneza, “Branco no Branco” é um espetáculo visual que questiona sua própria beleza, como manifestação da violência colonialista. A trama acompanha a viagem de um fotógrafo (Alfredo Castro, de “O Clube”) à Terra do Fogo para registrar o casamento de um poderoso fazendeiro. Ao chegar lá, descobre que a noiva é uma criança e busca transformar sua imagem, sexualizando-a. O resultado agrada ao fazendeiro, que decide transformar o fotógrafo em funcionário para eternizar todas as suas realizações, como o genocídio dos nativos Selk’nam. Lançado em 2019 e até então inédito no Brasil, o filme ganhou ao todo 9 prêmios internacionais e atingiu 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. THE DOG WHO WOULDN’T BE QUIET | MUBI O sexto longa de Ana Katz (“Sueño Florianópolis”) é também o mais experimental e singelo trabalho da cineasta argentina. Uma ode à vida simples, gira em torno de um homem comum, dedicado a seu cachorro fiel, que trabalha em uma série de empregos temporários banais. À medida que avança na idade adulta, ele navega no amor, na perda e na paternidade, até que o mundo é abalado por uma súbita catástrofe. Filmado em preto e branco e apresentado como uma coleção de vinhetas, que contam pequenos detalhes da vida do protagonista ao longo do tempo, o filme foi chamado de obra-prima pela crítica internacional. Premiado nos festivais de Roterdã, Mar del Plata e outros, tem 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. MUNIQUE: NO LIMITE DA GUERRA | NETFLIX A trama se passa em 1938, quando Adolf Hitler se prepara para invadir a Tchecoslováquia. Contra todas as evidências de guerra, o Primeiro Ministro britânico Neville Chamberlain busca desesperadamente uma solução pacífica, apostando todas suas fichas na diplomacia, representada pela Conferência de Munique. Mas as concessões oferecidas apenas fortaleceram o nazismo, ao mostrar os países europeus como submissos à sua vontade. A impecável recriação histórica é também uma lembrete de como fascistas de ontem e hoje veem democratas como fracos de quem podem se aproveitar. Inédito nos cinemas, o drama do alemão Christian Schwochow (“Paula”) destaca em seu elenco George MacKay (“1917”), Jannis Niewöhner (“O Caso Collini”) e Jeremy Irons (“Watchmen”) no papel de Chamberlain. VIDA DE CAMPEÃ | NOW, VIVO PLAY, VOD* O drama do canadense Pascal Plante (“As Falsas Tatuagens”) acompanha a atleta Nadia, que decide se aposentar da natação profissional após participar dos Jogos Olímpicos. Ela quer escapar de uma vida inteira de sacrifícios e uma rotina muito rígida. Mas depois de sua última prova e de mergulhar nos excessos da vida noturna, vem a dúvida. Elogiadíssimo, o filme reflete as experiências pessoais do diretor como nadador competitivo, mostrando cenas realistas de natação para fazer um estudo de caráter psicológico sobre o esporte. MATE-ME POR FAVOR | NETFLIX O filme brasileiro de 2015 marcou a estreia em longas da curta-metragista Anita Rocha da Silveira e de boa parte de seu elenco, contando uma história que mescla mistério, drama e humor, e que tem como pano de fundo uma série de assassinatos que despertam a imaginação de um grupo de jovens. A diretora e a protagonista Valentina Herszage acabaram premiadas no Festival do Rio, dando início a carreiras consagradas – o novo filme da cineasta, “Medusa”, venceu três festivais internacionais. Estava inédito em streaming e chega no domingo (23/1) na Netflix. MADALENA | NOW, VIVO PLAY, VOD* A estreia impactante de Madiano Marcheti lida com uma realidade brutal do Brasil, país onde mais se assassina transexuais no mundo. A trama acompanha a reação de três jovens completamente diferentes à descoberta do corpo de Madalena, uma mulher trans, abandonado em uma plantação de soja do Centro Oeste, entre eles outra trans e o filho do dono da fazenda. Foi premiado em três festivais internacionais no ano passado: Lima (Peru), Guanajuto (México) e Istambul (Turquia), além de ser exibido nos prestigiados festivais de Rotterdã (Holanda) e San Sebastián (Espanha) sob muitos elogios da crítica mundial. RESIDENT EVIL: BEM-VINDO A RACCOON CITY | NOW, VIVO PLAY, VOD* O reboot tentou ser mais fiel que os filmes estrelados por Mila Jovovich, mas só comprovou que o game original não se sustenta numa transposição mais literal para as telas. Fracasso de crítica (30% no Rotten Tomatoes) e público, o longa segue os irmãos Claire e Chris Redfield investigando o que aconteceu com Raccoon City, cidade transformada pela Umbrella Corporation no marco zero de uma epidemia de zumbis – ou de mutantes assemelhados. Kaya Scodelario (“Predadores Assassinos”) e Robbie Amell (“A Babá”) vivem os irmãos Redfield e o elenco ainda inclui Hannah John-Kamen (“Homem-Formiga e a Vespa”) como Jill Valentine, Avan Jogia (“Victorious”) como Leon Kennedy e Tom Hopper (o Luther de “The Umbrella Academy”) como Albert Wesker, cientista da temível Umbrella Corporation, reprisando situações dos jogos criados há 25 anos. ATIVIDADE PARANORMAL: ENTE PRÓXIMO | NOW, VOD* Reboot da franquia interrompida em 2015, o terror volta a trazer imagens feitas pelo próprio elenco com a desculpa narrativa da realização de um documentário. O tema do filme dentro do filme é o encontro da protagonista com a família que ela não conhecia numa comunidade religiosa reclusa. O projeto tem um começo bem-sucedido, com a recepção positiva da comunidade, mas não demora para os cineastas perceberem que os moradores do local não são Amish como acreditavam. Pior ainda: a mãe nunca quis que sua filha voltasse para aquele lugar. Longe de ser um trabalho semiamador como o filme que originou a franquia, o roteiro foi escrito por Christopher Landon (“A Morte Te Dá Parabéns”) e a direção é de William Eubank (“O Sinal ‑ Frequência do Medo”). Talvez por isso a crítica tenha sido menos gentil. Muito mal avaliado (29% no Rotten Tomatoes), o filme evitou fracassar nas bilheterias com um lançamento direto em VOD. Quer arriscar? O ALPINISTA | NOW, VIVO PLAY, VOD* O documentário dos diretores Peter Mortimer e Nick Rosen, especialistas em filmes de alpinismo, acompanha o jovem Marc-André Leclerc em algumas das escaladas mais ousadas da História. As imagens impressionantes mostram como é uma vida sem margem para erros e renderam a “O Alpinista” o prêmio de Melhor Documentário Esportivo no Critics’ Choice Documentary Awards 2021. * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente nas plataformas Apple TV, Google Play, Looke, Microsoft Store e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.
Jamie Auld (1995-2022)
A atriz Jamie Auld, que interpretou a cantora Madonna no documentário “Madonna and the Breakfast Club”, morreu aos 26 anos. A morte foi anunciada pelo diretor da obra, Guy Guido, em publicação no Instagram, sem revelar a casa da morte. “Descanse em paz, minha linda amiga Jamie. Meu coração está quebrado. Você foi um anjo na terra e sou eternamente grato por tê-la conhecido. Nossos caminhos foram feitos para se cruzar nesta vida e eu nunca vou te esquecer”, ele escreveu. Nascida em Pasadena, na Califórnia (EUA), Jamie Auld foi “descoberta” por Guy Guido enquanto trabalhava em uma loja de Nova York. O diretor ficou impressionado com a semelhança dela com Madonna e a escalou no documentário que traça o começo da carreira da cantora numa banda de rock no final dos anos 1970. Muita gente não sabe, mas Madonna tocava guitarra e bateria antes de se tornar conhecida como cantora, e o filme aborda este período. Lançado em 2019, “Madonna and the Breakfast Club” não teve distribuição no Brasil. Veja o trailer abaixo.
Filmes premiados e blockbusters chegam ao streaming
A programação de streaming da semana está bastante variada, com lançamentos premiados nas plataformas de assinatura e blockbusters nas locadoras digitais. Além disso, é possível acompanhar de graça o MyFrenchFilmFestival, com títulos inéditos do cinema francês atual, na Filmicca. Confira abaixo 10 sugestões, entre as muitas opções disponibilizadas nesta semana, para aproveitar o melhor do cinema em casa. A TRAGÉDIA DE MACBETH | APPLE TV+ O drama que junta pela primeira vez os vencedores do Oscar Denzel Washington (“Um Limite entre Nós”) e Frances McDormand (“Nomadland”) é uma adaptação da conhecida peça de William Shakespeare sobre o homem que seria rei e sua esposa maquiavélica, que transformam suas ambições num banho de sangue. Filmado em preto e branco e numa estética minimalista, com poucos detalhes cenográficos, a obra valoriza o desempenho dos atores, resgatando as origens teatrais do texto, na contramão de adaptações recentes que buscaram expandir os aspectos épicos da tragédia medieval. Elogiadíssimo pela crítica, com 93% de aprovação no Rotten Tomatoes e vencedor de 11 prêmios, o filme também marca o primeiro trabalho solo de direção de Joel Coen, após romper a famosa parceria com seu irmão Ethan, com quem dividiu dois Oscars – por “Fargo” (1995) e “Onde os Fracos Não Tem Vez” (2007). PIG – A VINGANÇA | TELECINE O grande destaque deste drama indie é o desempenho de Nicolas Cage. O ator não recebia críticas tão elogiosas desde que venceu o Oscar por “Despedida em Las Vegas” (1995). Isto ajudou “Pig” a atingir 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, vencer 17 prêmios e estar disputando vários outros na temporada. Na trama, Cage interpreta um premiado chefe de cozinha que após uma tragédia pessoal abandona tudo para viver na floresta com um porco de estimação. Até que o porco some e ele parte em busca dos sequestradores, retomando seus contatos no submundo violento da alta cozinha para enfrentar os que cobiçam a habilidade do porco de encontrar trufas. FOGO CRUZADO | VOD* Gerard Butler (“Destruição Final: O Último Refúgio”) é um assassino profissional contratado para matar um vigarista interpretado por Frank Grillo (“Uma Noite de Crime: Anarquia”). Só que o pilantra arranja um jeito de ser preso numa delegacia interiorana, cheia de policiais, achando que isso vai salvá-lo. Sua alegria dura apenas até perceber que o matador foi parar na cela ao lado. A trama ainda sofre outra reviravolta quanto um segundo assassino chega no local, disposto a completar o trabalho, independente de quem tenha que eliminar para acertar seu alvo. Thriller de ação muito acima da média, “Fogo Cruzado” tem roteiro e direção de um especialista do gênero: Joe Carnahan, que já tinha trabalho com Grillo no tenso “A Perseguição” (2011). Apesar de ter pulado os cinemas no Brasil, seu humor ácido fez com que tivesse 82% de aprovação no Rotten Tomatoes – acima dos blockbusters abaixo. ETERNOS | DISNEY+ O filme que quebrou o encantamento da crítica com a Marvel, atingindo apenas 47% de aprovação no Rotten Tomatoes – pior nota de uma produção do MCU – chega com cenas inéditas ao streaming. Isto significa que está mais longo e cansativo. Acostumada a lançar qualquer coisa com sucesso, a Marvel arriscou alto com uma adaptação de personagens que quase ninguém conhecia – os quadrinhos originais estão entre os trabalhos mais obscuros de Jack Kirby. Se deu certo com “Guardiões da Galáxia” foi porque James Gunn avacalhou os personagens, criando uma comédia divertida. Mas “Eternos” fez o oposto, resultando na obra mais genérica da Marvel, plasticamente bonita, mas tão séria que se tornou sem graça. A percepção é inversamente proporcional à expectativa gerada pela direção de Chloé Zhao, que meses antes da estreia de “Eternos” tinha vencido o Oscar de Melhor Filme e Direção por “Nomadland”. No novo trabalho, ela tenta adequar seu estilo contemplativo, marcado por imagens da natureza, ao padrão da Marvel, e em vez de elevar a qualidade dos filmes de super-heróis diminuiu a sua marca autoral. GHOSTBUSTERS – MAIS ALÉM | NOW, VOD* O novo “Ghostbusters” é divertido e bem melhor que a versão feminina que fracassou nas bilheterias em 2016. Também é um exemplo perfeito da atual moda de Hollywood, que tem recomeçado franquias alegando que se trata de uma continuação, só que com elenco totalmente diferente. O nome disso em inglês é “reboot sequel”. Aqui, se chama recauchutagem. Dirigida por Jason Reitman (“Juno”, “Tully”), filho do diretor dos dois primeiros “Caça-Fantasmas”, a comédia tem muitas referências, repetições de frases, recriações de cenas e até participação do elenco original dos anos 1980. Mas os protagonistas são outros. A trama começa quando Carrie Coon (“The Leftovers”) se muda para a antiga casa herdada do pai, de quem ela pouco falou para os filhos, vividos por Mckenna Grace (“Annabelle 3: De Volta para Casa”) e Finn Wolfhard (“Stranger Things”). Mas logo fica claro que as crianças são netas do Dr. Egon Spengler (o Caça-Fantasmas interpretado pelo falecido Harold Ramis). Paralelamente, estranhos fenômenos começam a acontecer na região, que inspiram os garotos a virarem Caça-Fantasmas mirins com a ajuda de um professor de sua escola (Paul Rudd, o “Homem-Formiga”). HOTEL TRANSILVÂNIA: TRANSFORMONSTRÃO | AMAZON PRIME VIDEO Após três filmes de sucesso monstruoso para a Sony, que arrecadaram mais de US$ 1,3 bilhão nos cinemas desde 2012, o quarto chega direto no streaming da Amazon, num negócio feito antes do início da vacinação das crianças. Mas esta não é a única diferença em relação às outras produções. “Hotel Transilvânia: Transformonstrão” não conta com o dublador principal dos longas anteriores. Responsável por dar voz a Drácula, Adam Sandler ficou de fora do novo lançamento. Em seu lugar, entrou Brian Hull (“Pup Star: Feliz Natal”), que já tinha sido a voz de Drácula no curta “Pets Monstruosos”, disponibilizado em abril na internet. E ninguém explicou qual foi o motivo da troca. A nova confusão começa quando Jonathan (voz original de Adam Samberg), o genro humano de Drácula, resolve virar um monstro para ser aceito na família da esposa (Selena Gomes). O problema é que sua transformação vem com efeito colateral: ele faz com que todos os monstros ao seu redor virem humanos, revirando a premissa da franquia do avesso. Para retomarem suas identidades originais, eles devem viajar até a Amazônia em busca de uma cura mágica. HALLOWEEN KILLS | NOW, VOD* Sequência do revival de 2018, “Halloween Kills” junta três gerações de mulheres da família de Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) e outros sobreviventes antigos da franquia, iniciada em 1978, para enfrentar pela (pen)última uma vez o psicopata Michael Myers. Os fãs já sabem que este não é o fim da história, que será concluída no próximo filme – até parece… – , o que ajuda a explicar o desânimo da crítica internacional com a produção – teve apenas 40% de aprovação no Rotten Tomatoes, o que o torna a opção mais fraca desta lista. O ASSASSINO DE CLOVEHITCH | NETFLIX Conhecido da série “American Horror Story”, Dylan McDermott tem sua performance mais arrepiante como o serial killer deste suspense inspirado numa história real. Na trama, ele vive um paizão de família adorado pelo filho, até que o rapaz, instigado pela namorada, começa a juntar pistas que o fazem desconfiar do pior. A história se encaminha para um confronto, alimentando a dúvida sobre qual instinto prevalecerá, o paternal ou o assassino. A trama é baseada nos crimes reais de Dennis Rader, o Assassino BTK, assim batizado por conta de seu modus operandi (“blind, torture, kill”: vendar, torturar e matar). Vencedor de um festival de terror americano (Knoxville), o filme tem direção de Duncan Skiles (“Stories from the Felt”) e destaca no elenco o jovem Charlie Plummer (“Quem É Você, Alasca?”), Samantha Mathis (“Billions”) e Madisen Beaty (“Era uma Vez… em Hollywood”). AS FOTOS VAZADAS | NETFLIX Este suspense dramático indonésio gira em torno de uma garota esforçada e responsável, que tem a vida virada do avesso quando fotos escandalosas de uma festa aparecem online. Assustada e sem lembrança de ter feito o que as fotos mostravam, ela perde sua bolsa de estudo e cai em desgraça. Mas não se conforma e resolve descobrir o que realmente aconteceu, quem vazou as fotos e com qual intenção. O interessante filme de estreia do diretor Wregas Bhanuteja venceu 12 prêmios em seu país antes de ganhar lançamento internacional na Netflix. THE HOUSE | NETFLIX Uma antologia de animação em stop-motion com três histórias diferentes passadas na mesma casa, sempre com clima sinistro, envolvendo três famílias: uma humana e as demais de ratos e gatos antropomórficos. Apesar dos bichos falantes, a produção do estúdio britânico Nexus visa o público adulto, que deve se encantar até com seus aspectos mais asquerosos – quem tem fobia de baratas, porém, deve passar longe. A premissa foi desenvolvida por Enda Walsh (roteirista do filme “Fome”, de Steve McQueen), a direção ficou a cargo de curta-metragistas europeus em ascensão e o elenco de vozes inclui vários astros famosos, como Helena Bonham Carter (“Harry Potter”), Matthew Goode (“Descoberta das Bruxas”), Miranda Richardson (“Belas Maldições”), Mia Goth (“Suspiria”), Susan Wokoma (“Enola Holmes”) e até o cantor Jarvis Cocker (da banda Pulp). * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados nas plataformas Apple TV, Google Play, Looke, Microsoft Store, NOW, Vivo Play e YouTube, entre outras.
“Dickinson” ganha documentário de despedida. Confira na íntegra
A Apple TV+ produziu um documentário de encerramento de “Dickinson”. A série que imagina a juventude da poeta Emily Dickinson chegou ao fim em dezembro após três temporadas bem-sucedidas, com 92% de aprovação da crítica no site Rotten Tomatoes. Intitulado “From Dickinson, With Love”, o documentário de 23 minutos traz depoimentos de algumas dos principais responsáveis pelo êxito da série, como a protagonista (e produtora) Hailee Steinfeld (“Gavião Arqueiro”) e a criadora/roteirista Alena Smith (“The Affair”). O vídeo também apresenta imagens inéditas de bastidores e aprofunda aspectos específicos da produção, como os figurinos, as músicas e as gravações em meio à pandemia de covid-19. “Dickinson” não foi uma biografia fiel, optando por retratar a poeta como uma garota moderna, que diz gírias atuais e tem a mente de uma jovem do século 21, embora se vista como uma mulher de dois séculos atrás. Neste anacronismo, a produção evoca “Maria Antonieta”, filtrando o passado por um olhar cômico para explorar as restrições da sociedade, gênero e família na perspectiva de uma escritora iniciante que não se encaixa em seu próprio tempo. A produção é do cineasta David Gordon Green (“Halloween”) e o elenco também incluía Jane Krakowski (“Unbreakable Kimmy Schmidt”), Toby Huss (“Halt and Catch Fire”), Anna Baryshnikov (filha do bailarino Mikhail Baryshnikov e vista em “Manchester à Beira-Mar”), Ella Hunt (“Anna e o Apocalipse”), Adrian Enscoe (“À Beira do Abismo”) e o rapper Wiz Khalifa. Disponibilizado tanto na Apple TV+ quando no YouTube, o documentário pode ser visto em sua íntegra logo abaixo. Confira.
Netflix apresenta trailer do documentário de Neymar
A Netflix divulgou o trailer de “O Caos Perfeito”, série documental focada em Neymar, astro de futebol da Seleção Brasileira e do Paris Saint-Germain. Com três episódios, a produção pretende mostrar a vida de Neymar desde o início de sua carreira, no Santos, passando pelos seus anos de Barcelona, na seleção e no time francês atual, além de revelar o lucrativo negócio de marketing que gira em torno do atleta. O lançamento acontece no momento em que Neymar enfrenta críticas pelo estilo de vida e por passar mais tempo fora do que dentro do campo. A oportunidade da série surgiu no momento em que Neymar se recupera de uma lesão ligamentar no tornozelo. Ele está sem jogar desde 28 de novembro e só deve voltar em fevereiro. A produção é internacional, a cargo do astro de basquete LeBron James, estrela de “Space Jam: Um Novo Legado”, entre outros produtores americanos, e a direção é assinada por David Charles Rodrigues (“Gay Chorus Deep South”), brasileiro que tem carreira nos EUA. Com depoimentos de várias estrelas do futebol mundial, como David Beckham, Lionel Messi, Kylian Mbappé, Daniel Alves, Thiago Silva, além de Gabriel Medina, do surfe, e Bruninho, do vôlei, a estreia vai acontecer em 25 de janeiro.
Sidney Poitier ganhará documentário na Apple TV+
A empresária Opha Winfrey está produzindo um novo documentário sobre Sidney Poitier, primeiro ator negro a vencer o Oscar, que faleceu na sexta-feira (7/1) aos 94 anos. Desenvolvido para a Apple TV+, o documentário terá direção do cineasta Reginald Hudlin (“Marshall: Igualdade e Justiça”). Segundo apurou o site da revista The Hollywood Reporter, o documentário já estava sendo realizado em segredo há mais de um ano, com participação do ator e de sua família. Celebrado como um dos maiores atores de todos os tempos e o mais importante ator negro da história de Hollywood, Poitier estrelou inúmeros clássicos, quase sempre denunciando o racismo, o que o tornou símbolo da luta pela igualdade racial nos EUA. Ele venceu o Oscar por seu trabalho menos “polêmico”, “Uma Voz nas Sombras” (1963), mas é mais lembrado por um trio de produções icônicas de 1967: “Adivinhe Quem vem para Jantar”, “Ao Mestre, com Carinho” e “No Calor da Noite”. Hudlin também está desenvolvendo outros dois filmes sobre a Hollywood negra para a AppleTV+: “Number One on the Call Sheet”, um sobre os protagonistas negros do cinema americano, que ele próprio dirigirá, e outro ainda sem título sobre as protagonistas negras, a ser dirigido por Shola Lynch (“Libertem Angela Davis”).
Nara Leão vai ganhar série documental na Globoplay
A plataforma Globoplay marcou a estreia de uma série documental sobre Nara Leão nos primeiros dias de 2022. “O Canto Livre de Nara Leão” vai mostrar como a cantora impactou a música e a cultura do Brasil. Em cinco episódios, a produção pretende abordar o surgimento da bossa nova sob o olhar da artista, o célebre show Opinião, de 1964, considerado primeiro protesto artístico contra a ditadura, o rompimento da cantora com a bossa nova e a fundação da MPB, a relação com Chico Buarque, as transgressões de Nara dentro da música brasileira e a vida afetiva da intérprete. Com depoimentos de Chico Buarque, Nelson Motta, Roberto Menescal, Paulinho da Viola e Maria Bethânia, entre outros, a série estreia em streaming no dia 7.
Billie Eilish e Velvet Underground disputam Oscar de Melhor Documentário
A lista de pré-selecionados da categoria de Melhor Documentário do Oscar 2021 tem filmes políticos, históricos e musicais. A seleção divulgada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA nesta terça (21/12) chama atenção para a temática da pandemia, com títulos como “The First Wave” e “In the Same Breath – Verdades e Mentiras da Pandemia”. Mas os favoritos são uma animação, a produção dinamarquesa “Flee” sobre a trajetória de um refugiado, e um registro musical, “Summer of Soul (…Ou, Quando a Revolução Não Pode Ser Televisionada)”. Já eleito Melhor Documentário do ano pela premiação Critics Choice, “Summer of Soul”, que resgata a memória do festival de música e cultura do Harlem de 1969, tem a companhia de duas outras produções musicais: “Billie Eilish: The World’s a Little Blurry”, sobre o começo da carreira da cantora Billie Eilish em seu quarto de adolescente, e “The Velvet Underground”, que conta a história da banda nova-iorquina do título, responsável por uma revolução sonora e temática no rock dos anos 1960. Os cinco indicados (finalistas) da categoria serão anunciados no dia 8 de fevereiro. Já a premiação está marcada para 27 de março, com transmissão ao vivo de Los Angeles para o Brasil pelo canal pago TNT e pela plataforma Globoplay. Veja abaixo a lista dos pré-selecionados. Melhor Documentário “Ascension” “Attica” “Billie Eilish: The World’s a Little Blurry” “Faya Dayi” “The First Wave” “Flee” “In the Same Breath – Verdades e Mentiras da Pandemia” “Julia” “President” “Procession” “The Rescue” “Simple as Water” “Summer of Soul (…Ou, Quando a Revolução Não Pode Ser Televisionada)” “The Velvet Underground” “Writing with Fire”
Filmes de Aretha e Pixinguinha chegam nas locadoras digitais
Os destaques das locadoras digitais incluem três cinebiografias, duas delas musicais: “Respect: a História de Aretha Franklin”, que pulou os cinemas brasileiros devido à pandemia, e “Pixinguinha, um Homem Carinhoso”, que passou como um relâmpago pelo circuito limitado no mês passado. Entre outros filmes inéditos no parque exibidor nacional, há até produções com grandes astros de Hollywood, como Matt Damon e Nicolas Cage. Confira abaixo os 10 lançamentos mais interessantes que chegam ao catálogo dos serviços de VOD (video on demand) neste fim de semana. RESPECT: A HISTÓRIA DE ARETHA FRANKLIN | Apple TV+, Google Play, YouTube Aretha Franklin escolheu pessoalmente, ainda em vida, a cantora Jennifer Hudson para representá-la nas telas, após vê-la no filme “Dreamgirls”, que rendeu um Oscar à artista. A produção tenta resumir sua trajetória da infância na Igreja até sua consagração como Rainha do Soul, cantando clássicos imortais como “Think”, “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman” e a faixa-título “Respect”, além de apresentar seu conturbado relacionamento com o marido Ted White. Apesar da amplitude o recorte, o fio condutor é seu crescente empoderamento. PIXINGUINHA, UM HOMEM CARINHOSO | NOW, Vivo Play Um dos artistas mais importantes da música brasileira se materializa em interpretação de Seu Jorge (o “Marighella”), que, além de atuar, também toca de verdade os instrumentos de sopro que consagraram o grande maestro, aumentando a credibilidade da representação. Escrita por autores da Globo, a produção opta por condensar 75 anos de vida em 100 minutos, em vez de se concentrar num período específico, resultando numa trama episódica com grandes saltos sobre a época e a trajetória do compositor de “Carinhoso”, “Lamentos” e “Benguelê”. STILLWATER: EM BUSCA DA VERDADE | Apple TV, Google Play, Looke, NOW, Vivo Play, YouTube O drama estrelado por Matt Damon (“Jason Bourne”) e dirigido por Tom McCarthy (“Spotlight: Segredos Revelados”) é vagamente inspirado pela história real de Amanda Knox, universitária americana condenada (e depois inocentada) por assassinato de uma colega de quarto na Itália – bastante midiático, o “true crime” rendeu outros filmes e documentários. Seu diferencial é apresentar a trama pelo ponto de vista do pai da jovem. Na trama, mesmo sendo um estrangeiro e sem saber como agir na Itália, o personagem vivido por Damon começa uma perigosa investigação por conta própria, que coloca em risco até as pessoas que tentam ajudá-lo. A VIDA SOLITÁRIA DE ANTONIO LIGABUE | Apple TV, Google Play, Looke, NOW, Vivo Play, YouTube Outra cinebiografia, o filme italiano venceu sete prêmios internacionais, inclusive o Urso de Prata do Festival de Berlim de 2020, ao narrar a história do suíço Antonio Ligabue. Com transtornos mentais, ele sofreu bullying e foi internado em diferentes instituições psiquiátricas por quase toda a vida. Até o dia em que foi estimulado a pintar e descobriu sua vocação para as artes, tornando-se respeitado, nos últimos dias de vida, como um revolucionário artista da arte moderna. A VINÍCOLA DOS SONHOS | Apple TV, Google Play, Looke, NOW, Vivo Play, YouTube O ator Joe Pantoliano (do primeiro “Matrix”) vive um homem que, ao passar por uma crise na Terceira Idade, viaja para sua cidade natal na Itália, onde encontra um novo propósito ao tomar conta do antigo vinhedo de seu avô. O drama venceu seis prêmios em festivais na Itália e nos EUA. HERDEIRO | Apple TV, Google Play, NOW, Vivo Play, YouTube Terror irlandês sobre uma mulher em fuga de uma seita, que engravidou quando era uma seguidora e agora, oito anos depois, precisa cuidar do menino que sofre com uma doença misteriosa. Seguindo seus instintos maternais para salvá-lo, ela comete atos imperdoáveis, até se ver obrigada a decidir qual seu limite para salvar a criança. Premiado em festivais europeus de terror, o filme tem direção de Ivan Kavanagh, que já tinha se destacado no gênero com “O Canal” (2014). GHOSTLAND: TERRA SEM LEI | Apple TV, Google Play, NOW, Vivo Play, YouTube Imagine um filme com o ator mais alucinado dirigido pelo cineasta mais louco. “Ghostland” reúne o astro americano Nicolas Cage (“Pig”) com o diretor japonês Sion Sono (“Por Que Você Não Vai Brincar no Inferno?”), e o resultado é pura maluquice. Trash de primeira grandeza, combina o futuro pós-apocalíptico de “Mad Max: Estrada da Fúria” (2015), sagas de samurais e a missão de “Fuga de Nova York” (1981). Na trama, o criminoso vivido por Cage se vê obrigado a resgatar uma jovem (a “Múmia” Sofia Boutella) supostamente raptada e levada para terras ainda mais devastadas, das quais ninguém costuma retornar. PIG – UMA COMÉDIA MATADORA | NOW Filme iraniano diferente de todos que você já viu, “Pig” é um terrir trash, que disfarça em sua metalinguagem várias críticas ao governo e ao cinema do país. O enredo acompanha um cineasta iraniano frustrado. Ele está proibido de filmar, sua musa tem trabalhado com outros diretores e sua vida doméstica é uma procissão de discussões intermináveis com a esposa e uma mãe cada vez mais sem noção da realidade. Como se não fosse suficiente, surge em cena um serial killer que resolve matar os melhores cineastas iranianos, mas tem a audácia de ignorar o protagonista sofredor. O que o leva questionar: por que o melhor diretor de cinema de todos continua vivo? TEMPESTADE PERFEITA | Apple TV, Google Play, NOW, Vivo Play, YouTube BIARRITZ SURF GANG | Google Play, YouTube A seleção de filmes se completa com dois documentários de surfe, com destaque para “Tempestade Perfeita”, que conta a história da ascensão do surfe brasileiro entre 2014 e 2021, com nomes como Gabriel Medina, Ítalo Ferreira e Adriano de Souza, atletas que mudaram o rumo da história do esporte e consolidaram o Brasil no circuito mundial.
Filmes: 10 lançamentos para assistir em streaming
A tradicional polêmica de Natal do Porta dos Fundos e o novo drama premiado do cineasta italiano Paolo Sorrentino, que venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional por “A Grande Beleza” (2013), são as principais estreias das plataformas de streaming. Confira abaixo quais são os demais filmes que completam o Top 10 dos serviços de assinatura nesta semana. PORTA DOS FUNDOS: TE PREGO LÁ FORA | Paramount+ Desta vez, o especial de Natal do Porta dos Fundos é uma animação. Mas a capacidade de gerar polêmica com evangélicos e bolsonaristas continua a mesma, ao apresentar os dilemas de Jesus (dublado por Rafael Portugal) durante a adolescência, como aluno novato na Escola Municipal Eva & Adão. Visando esconder que é o Messias e escapar do diretor pedófilo Herodes, o menino Jesus tenta deixar para trás o comportamento benevolente para ficar irreconhecível como um “bad boy”. Uma deputada baiana, que se define no Instagram como “serva de um Deus vivo”, já tomou a iniciativa de apresentar uma moção de repúdio na Assembleia Legislativa de seu estado contra o que ela define “como produto de péssima qualidade feito por quem apenas falhou na vida”. E a Associação Centro Dom Bosco, que já tinha tentado censurar um especial passado, entrou novamente com processo para tirar o desenho do ar. O roteiro é de Fabio Porchat, que também dubla Herodes. A MÃO DE DEUS | Netflix Vencedor do Leão de Prata e mais três troféus do Festival de Veneza, o filme mais pessoal de Paolo Sorrentino lembra sua juventude em Nápoles, quando Diego Maradona eletrizava a cidade como jogador do Napoli e fazia italianos torcerem pela seleção argentina. Foi durante a Copa do Mundo de 1986 que o craque marcou o gol que batiza o longa, usando a “mão de deus” (dele próprio, Maradona) para vencer a Inglaterra. Ao mesmo tempo, Maradona também salvou a vida de Sorrentino, sem nunca saber. O filme conta como isto aconteceu, numa história sobre destino e família, esportes e cinema, amor e perda. AS BOAS MANEIRAS | Reserva Imovision Um dos filmes brasileiros mais premiados dos últimos anos é uma história de terror, que começa com uma gravidez monstruosa e termina como uma fábula sobre a intolerância. Na trama, uma enfermeira da periferia de São Paulo (Isabél Zuaa, de “Joaquim”) é contratada por uma mulher rica, grávida e misteriosa (Marjorie Estiano, de “Sob Pressão”), para ajudar nos afazeres domésticos e, após o nascimento, ser babá de seu filho. As duas desenvolvem uma forte relação de amizade, mas a gravidez se revela um horror, especialmente nas noites de lua cheia, a ponto de transformar a mulher conforme chega a hora do parto. Mas esta é apenas metade da história, que acompanha em sua segunda parte o que acontece com o bebê quando ele se torna adolescente. O segundo terror realizado em parceria pelos diretores Juliana Rojas e Marco Dutra (de “Trabalhar Cansa”) foi o grande vencedor do Festival do Rio 2017, onde arrematou os troféus de Melhor Filme, Atriz Coadjuvante (Marjorie Estiano) e Fotografia (o português Rui Poças, de “Uma Mulher Fantástica”). Além disso, também venceu o Festival do Uruguai, o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno, na Suiça, o Prêmio do Público no L’Etrange Festival, na França, e o Prêmio da Crítica no Festival de Sitges, na Espanha, entre muitas outras consagrações internacionais. AS LEIS DA FRONTEIRA | Netflix Uma das boas surpresas recentes da Netflix, este thriller espanhol passado nos anos 1970 gira em torno de um adolescente cansado de sofrer bullying, que faz amizade com um casal de assaltantes e acaba se envolvendo no crime e num perigoso triângulo amoroso. Com direção de Daniel Monzón (que há 12 anos assinou outro drama criminal intenso: “Cela 211”), o filme concorre a seis troféus no prêmio Goya (o Oscar espanhol) de 2022. O CANTO DO CISNE | Apple TV+ Sci-fi dramática estrelada por Mahershala Ali, que já venceu duas vezes o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (por “Moonlight” e “Green Book”), o filme gira em torno de um homem com doença terminal, que planeja criar um clone de si mesmo antes de morrer para cuidar de sua família. O elenco também inclui Glenn Close (“Era uma Vez um Sonho”) e Naomie Harris (repetindo a parceria de “Moonlight”). A 200 METROS | Netflix O título se refere à distância física entre um pai e sua família. O palestino Mustafa e a esposa vivem separados pelo muro que dividiu a Cisjordânia e Israel. Quando recebe uma ligação de que seu filho sofreu um acidente e está internado, ele tenta atravessar a fronteira, mas é impedido por soldados israelenses. Proibido de cruzar 200 metros, ele acaba partindo numa odisseia de 200 quilômetros apenas para dar ir ao outro lado da rua e reencontrar a sua família. Vencedor de 16 prêmios internacionais, o drama humanista destaca a atuação de Ali Suliman, nascido na cidade de Nazaré, em Israel, que é conhecido por muitas produções americanas, como “O Grande Herói” (2013) e a 1ª temporada de “Jack Ryan” (2018). Além das Palavras | MUBI A vida da poeta Emily Dickinson (1830-1886) é imaginada pelo veterano diretor britânico Terence Davies num drama introspectivo, estrelado por Cynthia Nixon (a Miranda da série “Sex and the City”), e inspirado nas muitas cartas e poemas que ela deixou ao morrer desconhecida. As questões de gênero, que impediram seu talento literário de brilhar, são o foco da trama, especialmente no ambiente familiar, que deveria ser acolhedor, mas se torna fonte de opressão e complexos. Rebelde e feminista, numa época em que o feminismo não existia, ela encontra forças em si mesma ao recusar-se a se submeter às expectativas da sociedade da época. THÉO & HUGO | Filmicca Vencedor de vários prêmios LGBTQIAP+ em festivais internacionais, incluindo o Teddy na Berlinale de 2016, o romance gay começa num clube de sexo e termina nas ruas de Paris, ponderando se o tesão pode virar amor. É o filme mais premiado dos diretores Olivier Ducastel e Jacques Martineau, que são casados e conhecidos por filmar dramas gays – outro destaque de suas carreiras é o ambicioso “Nés en 68”, de quase três horas de duração. VOYAGE OF TIME | MUBI Inédito nos cinemas brasileiros, o documentário de Terrence Malick sobre a origem do universo chega ao streaming em, ironicamente, sua versão IMAX. Trata-se da edição narrada por Brad Pitt, com quem o diretor trabalhou em “A Árvore da Vida” (2011) – a versão “normal” tem narração de Cate Blanchett e é mais longa. Como é típico nos trabalhos de Malick, a obra se destaca por uma direção de fotografia deslumbrante, a cargo do cinematógrafo Paul Atkins, que comandou viagem cinematográfica similar para a Disney no documentário “Terra” (2007). Outro destaque da produção, a trilha sonora é do já falecido Ennio Morricone, que venceu o Oscar em 2016 por seu trabalho em “Os Oito Odiados”. INTO THE ABYSS | HBO Max Premiado nos festivais de Londres e Torino, o documentário do veterano cineasta alemão Werner Herzog (“Fitzcarraldo”) é sobre assassinos condenados à morte no Texas – em especial um homem terrível que matou a namorada e seus filhos deficientes mentais. No filme, Herzog conversa com os criminosos, suas famílias e as das vítimas, buscando entender porque as pessoas – e o estado – matam. O resultado é cru, devastador e ao mesmo tempo o trabalho menos sensacionalista já feito sobre o tema.












