Cinemas dos EUA registram pior bilheteria da pandemia
O circuito cinematográfico da América do Norte registrou um recorde negativo histórico de bilheteria neste fim de semana. Se o fim de semana do Halloween tinha assustado o mercado com uma bilheteria de Top 10 que totalizava pouco mais de US$ 8 milhões, representando o faturamento mais baixo do ranking em quase meio século, neste fim de semana os cinemas americanos somaram US$ 6,5 milhões entre todos os títulos exibidos. Isto mesmo: este foi o valor total das bilheterias de todos os cinemas dos EUA e Canadá entre sexta e domingo (22/11). São os rendimentos mais baixos desde a reabertura dos cinemas em setembro, durante a pandemia, e provavelmente os menores valores desde os anos 1960. O montante também representa uma queda de 35% em relação à semana passada, quando o total girou em torno dos US$ 10 milhões. Os cinemas continuam fechados desde março em Los Angeles e Nova York, e os que ainda funcionam sofreram novo impacto com decisões de governos estaduais tomadas nos últimos dias. O horário de funcionamento do comércio voltou a encolher em alguns estados americanos, que implantaram até toque de recolher e emitiram novas orientações para a retomada do isolamento social, após o crescimento exponencial de casos de covid-19. Neste ritmo, os próprios exibidores podem optar por nova fase de fechamento para estancar seus custos de funcionamento, independente de decisão governamental. Como parâmetro, a maior das redes de cinema dos EUA, a AMC, gasta US$ 25 milhões semanais para manter suas salas abertas. A conta de manutenção não faz mais sentido. Por mais que tenham implementado medidas de higiene e protocolos de segurança, os multiplexes não despertaram confiança do público por continuarem a vender comes e bebes que são consumidos sem máscaras em salas herméticas com circulação de ar artificial. Puxando as bilheterias para baixo ainda há a falta de grandes lançamentos dos maiores estúdios de Hollywood. Entre sexta e domingo houve apenas a estreia de um filme chinês de distribuidora sem tradição cinematográfica, especializada em VOD (locação digital). O thriller de ação “Vanguard”, estrelado por Jackie Chan, abriu em 7º lugar com US$ 400 mil. Apenas um filme faturou mais de US$ 1 milhão, o líder “Freaky – No Corpo de um Assassino”, que fez US$ 1,2 milhão em sua segunda semana em cartaz. Somando seus 10 dias de liderança no ranking, a comédia de terror da Blumhouse/Universal fez ao todo 5,5 milhões nas bilheterias da América do Norte. Para dar noção da diferença, neste mesmo fim de semana do ano passado a Disney lançou “Frozen 2”, que faturou US$ 130 milhões em seus primeiros três dias no mercado interno.
Lin-Manuel Miranda explica faltas de legendas de Hamilton na Disney+ (Disney Plus)
O ator, roteirista e compositor Lin-Manuel Miranda, criador do musical “Hamilton”, se pronunciou sobre a falta de legendas em português da versão de sua peça lançada pela plataforma Disney+ (Disney Plus) nesta semana no Brasil. Respondendo a um seguidor brasileiro, Miranda escreveu em português no Twitter que sua equipe está trabalhando em legendas em português e espanhol e lamenta que elas não tenham ficado prontas a tempo para o lançamento da plataforma na América Latina. O serviço de streaming da Disney chegou ao Brasil na terça passada (17/11), mas os fãs foram surpreendidos ao perceber que a versão filmada da peça não tinha opções de legenda ou dublagem em outras línguas, apenas closed caption e audiodescrição em inglês. Atendendo um questionamento da imprensa, a Disney justificou a falta de tradução como uma decisão “criativa”. Com a resposta de Lin-Manuel Miranda, fica claro que ele não queria qualquer tradução e encomendou sua própria transposição do musical para outros idiomas. Infelizmente, este trabalho ainda não foi concluído. “Hamilton” é uma versão musical da história de Alexander Hamilton, um dos fundadores dos Estados Unidos, que se desdobra em ritmo de hip-hop e interpretação multirracial. A peça venceu 11 Tony Awards, o Oscar do teatro, e também um Pullitzer, além de ter se tornado um fenômeno popular. O filme disponível no Disney+ (Disney Plus) é, na verdade, um registro documental da encenação – literalmente teatro filmado. O material foi gravado durante três noites consecutivas, com o elenco original apresentando-se no palco original da produção, no teatro Richard Rodgers, em Nova York. A Disney adquiriu os direitos de exibição desse material em fevereiro passado, travando uma luta de ofertas contra outros interessados, o que fez o valor atingir impressionantes US$ 75 milhões, segundo apurou na época o site Deadline – e não foi desmentido pela Disney. O custo de blockbuster foi uma aposta na popularidade de peça e deveria ser recuperado com a bilheteria de seu lançamento nos cinemas. Só que “Hamilton” saiu direto em streaming devido à pandemia. Foi lançado originalmente em julho, na época do Dia da Independência dos EUA, como uma forma de homenagear os talentos da Broadway, já que a covid-19, que fechou as salas de cinema, também esvaziou os palcos de teatro. Sim! Estamos trabalhando com legendas em português e espanhol (e outros idiomas). Lamento que não tenham ficado prontos a tempo, me sinto péssimo. Mas estamos trabalhando nisso! Thank you! https://t.co/hgAP3wvGHk — Lin-Manuel Miranda (@Lin_Manuel) November 18, 2020
Mulher-Maravilha 1984 tem estreia antecipada no Brasil
A Warner Bros. Pictures Brasil anunciou que “Mulher-Maravilha 1984” vai chegar mais cedo aos cinemas brasileiros. Previsto para a véspera do Natal, o longa agora vai estrear uma semana antes, em 17 de dezembro, e com sessões de pré-estreia no dia 17. A mudança foi divulgada um dia depois da Warner definir o lançamento simultâneo do filme nos cinemas e na plataforma de streaming HBO Max nos EUA, no dia 25 de dezembro. Como a HBO Max ainda não chegou ao Brasil, a estreia por aqui será exclusiva do circuito exibidor. Assim como a estreia simultânea nos EUA, a antecipação no Brasil faz parte de uma estratégia de prevenção contra uma segunda onda de coronavírus. Até as maiores redes exibidoras da América do Norte desistiram de protestar contra as decisões políticas que mantém os cinemas de Los Angeles e Nova York fechados desde março passado, diante da disparada da pandemia e a percepção de que os fechamentos podem ser retomados a qualquer momento nos locais reabertos, como já acontece na Europa. Os cinemas mal reabriram no Brasil e também correm risco de voltar a fechar, se o quadro de avanço notável da contaminação por covid-19 não for revertido. Os casos de coronavírus voltaram a apresentar alta em 13 estados, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa, o que não é um bom indicativo para o futuro.
Mulher-Maravilha 1984 será lançado no cinema e em streaming no Natal
A Warner transformou “Mulher Maravilha 1984″ num lançamento natalino da HBO Max. O estúdio anunciou que disponibilizará o filme em 25 de dezembro simultaneamente nos cinemas e em sua plataforma de streaming. O CEO da WarnerMedia, Jason Kilar, divulgou uma nota sobre a decisão oficial do conglomerado de mídia no fim desta quarta (18/11). A diretora Patty Jenkins também tuitou sobre a notícia, relativizando a decisão. “Em algum momento você tem que escolher compartilhar qualquer amor e alegria que você tem para dar, acima de tudo”, ela escreveu. “Amamos nosso filme como amamos nossos fãs, então realmente esperamos que nosso filme traga um pouco de alegria e alívio para todos vocês nesta temporada de festas. ” A HBO Max disponibilizará o filme para seus assinantes sem cobrar uma quantia adicional, ao contrário do que a Disney fez com “Mulan”. Fora dos EUA, onde a plataforma da WarnerMedia ainda não foi lançada, a distribuição convencional nos cinemas ficou mantida. A estreia no Brasil continua marcada para 24 de dezembro nas salas de exibição. Apesar disso, é um senso comum que a distribuição parcial em streaming contribui para o avanço da pirataria, com potencial para corroer os rendimentos até dos mercados em que o filme entrará em cartaz. A falta de grandes lançamentos nos cinemas é tão grave, que as redes exibidoras concordaram com a proposta da Warner e não devem boicotar a distribuição do filme – como fariam antes do coronavírus. A decisão da Warner também representa uma cachoeira de água fria no mercado exibidor, que começa a perceber o longo inverno que se aproxima. Assim como aconteceu durante o verão norte-americano, os estúdios não deverão lançar grandes títulos nos cinemas durante as férias de inverno, período que vai até março nos EUA. Vários títulos que deveriam ser exibidos no começo do ano já foram adiados para a metade e até para o final de 2021. Não há a menor expectativa da volta da programação normal de lançamentos. “À medida que navegamos nestes tempos sem precedentes, nós tivemos que ser inovadores para manter as nossas empresas avançando e continuando a servir aos nossos fãs”, disse Ann Sarnoff, Presidente e CEO, da WarnerMedia Studios e do Grupo Networks, que inclui Warner Bros. “Este é um filme incrível que realmente ganha vida na tela grande e, trabalhando com nossos parceiros na comunidade de exibição, iremos fornecer essa opção aos consumidores nos EUA, onde os cinemas estão abertos. Percebemos que muitos consumidores não podem voltar ao cinema devido à pandemia, então também queremos dar a eles a opção de ver ‘Mulher Maravilha 1984’ por meio de nossa plataforma HBO Max.” “Nós apreciamos a paciência do público e, dada a grande expectativa em torno de ‘Mulher Maravilha de 1984’, somos gratos por poder tornar este filme incrivelmente divertido amplamente disponível nestes tempos desafiadores”, acrescentou Toby Emmerich, Presidente do Warner Bros. Pictures Group. Para um filme dessa escala, isso não tem precedentes. Dado isso, queríamos compartilhar algum contexto. “Há muitas coisas que influenciam em uma decisão como esta”, explicou Jason Killar, o CEO da WarnerMedia. Ele listou: “A pandemia. Nossa crença na experiência teatral e, portanto, na importância dos expositores. Nossa missão de ser parceiros fortes e de apoio para Patty, Gal, o produtor Chuck Rovner e toda a equipe da ‘Mulher Maravilha 1984’. E, finalmente, a torcida, que é onde decisões importantes como essa sempre devem começar e sempre devem terminar”. Killar continua: “Estamos, é claro, em um momento extraordinário. Isso envolve uma colcha de retalhos de regulamentos, considerações geográficas e, o mais importante, preferências dos fãs. Com isso em mente, vemos uma oportunidade de fazer algo firmemente focado nos fãs: dar a eles o poder de escolher entre ir ao cinema local ou ver a estreia na HBO Max. Os super fãs provavelmente escolherão ambos”. “Se você tem a sorte de morar em um local onde os cinemas são abertos, acreditamos que estamos oferecendo uma ótima opção, dados os protocolos segurança que nossos parceiros implementaram. Com isso, os exibidores estão oferecendo uma experiência de cinema com distanciamento social, máscaras, protocolos de limpeza e ventilação. Por outro lado, se você e sua família preferem ficar em casa e fazer sua própria pipoca neste feriado, queremos compartilhar a experiência da ‘Mulher Maravilha 1984’ com você no mesmo dia na HBO Max. A decisão é sua”. pic.twitter.com/mLwGrB07vO — Patty Jenkins (@PattyJenks) November 18, 2020
Marcio Garcia e Elizabeth Savalas pedem orações para parentes com covid-19
Os atores Marcio Garcia e Elizabeth Savalas postaram vídeos emocionados no Instagram para revelar que a covid-19 atingiu parentes queridos. O caso que parece mais grave é o do pai de Garcia e ele pediu uma corrente de orações para seus seguidores. Na rede social, o ator, apresentador e cineasta apareceu humilde e comovido, dizendo que seu pai, Carlos Alberto Tavares Machado, está intubado em um hospital de Juiz de Fora (MG) em estado grave após testar positivo para o novo coronavírus. “Não é fácil para um homem na idade dele passar por isso, muito menos para a família, que tem que conviver com isso”, comentou. Marcio Garcia revelou que, embora tomasse cuidados, não achava que a covid-19 fosse realmente séria. “Eu confesso que muitas vezes eu fiz pouco caso do covid… Achei que não era tão grave. Sempre, claro, tomando meus cuidados, mas nunca levei tão a sério essa doença. Muita gente passa por isso [faz pouco caso da doença] até ter um caso próximo, como estou tendo com o meu pai. Estou passando aqui humildemente para pedir uma corrente de orações para vocês. Não temos mais o que fazer”, continuou. Ao verem a postagem, vários seguidores mandaram mensagens positivas para o artista, entre eles alguns famosos. “Toda a energia positiva daqui, irmão!”, postou o ator Rodrigo Lombardi. “Melhoras para o seu pai. Vai dar certo”, acrescentou o ator Murilo Rosa. “Conte comigo na corrente”, juntou-se Christine Fernandes. “Sim é gravíssimo e nos resta alertar as pessoas e rezar. O irmão da minha nora está em Curitiba na UTI, o pai internado, a mãe, a cunhada e os sobrinhos TODOS com a Covid, estamos fazendo uma corrente de orações, todos os dias, e vamos incluir seu pai querido, Deus no comando, mas todos temos que fazer a nossa parte, orando”, disse a atriz Elizabeth Savala. Ela também postou seu vídeo comentando a situação da família de sua nora, atingida em cheio pela epidemia, e fez um alerta: “A covid continua matando”. Além de orações, a atriz pediu precauções. “Pelo amor de Deus, andem de máscara! A máscara salva vidas. Por favor, cuidem-se, nós não estamos em férias. Estamos no meio de uma pandemia muito séria e que tira vidas. Eu gostaria de pedir uma oração por eles, por esta família, e por todos os que estão passando por isso neste momento. A covid está voltando com força total, vamos nos cuidar, por favor”, acrescentou, respirando fundo para encerrar. “Obrigada”. Veja os vídeos originais abaixo. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Marcio Garcia : ) (@oficialmarciogarcia) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Elizabeth Savala Casquel (@elizabethsavala)
Paramount suspende estreia de thriller de ação estrelado por Michael B. Jordan
A Paramount tirou o filme de ação “Sem Remorso”, estrelado por Michael B. Jordan (“Pantera Negra”), de seu cronograma de estreias. O longa deveria ter sido lançado em outubro, mas, devido à pandemia, teve seu lançamento adiado para 26 de fevereiro de 2021. Agora, segundo apurou o Hollywood Reporter, deve sair direto em streaming, porque a Paramount estaria negociando com a Amazon a disponibilização exclusiva do filme na plataforma Prime Video. O acordo preferencial com a Amazon levaria em conta a parceria já existente em torno da série “Jack Ryan” e o fato de “Sem Remorso” compartilhar o mesmo universo daquela produção. Na trama, Jordan interpreta o espião da CIA John Clark, personagem de livros do autor Tom Clancy, o criador de Jack Ryan. O filme será o primeiro a abordar a origem do personagem, que surgiu como coadjuvante das aventuras de Jack Ryan, antes de passar a protagonizar suas próprias histórias. Por conta desse começo, inclusive, ele já tinha aparecido no cinema: foi interpretado por Willem Dafoe e Liev Schreiber em dois filmes de Ryan, respectivamente “Perigo Real e Imediato” (1994) e “A Soma de Todos os Medos” (2002). “Sem Remorso” é baseado no livro homônimo, publicado em 1993, que conta como o ex-Navy SEAL John Kelly mudou de identidade e se tornou tão letal, ao iniciar uma vingança brutal após sua namorada ser morta por um traficante de drogas nos Estados Unidos. A produção foi escrita por Taylor Sheridan e dirigida por Stefano Sollima, que antes trabalharam juntos em “Sicario 2: Dia do Soldado”. O elenco ainda inclui Jamie Bell (“Quarteto Fantástico”), Cam Gigandet (“Sete Homens e um Destino”), Jodie Turner-Smith (“The Last Ship”), Brett Gelman (“Stranger Things”), Luke Mitchell (“Agents of SHIELD”), Colman Domingo (“Fear the Walking Dead”) e Jack Kesy (“The Strain”).
Astro de The Good Doctor é hospitalizado com covid-19
O ator Richard Schiff, intérprete do Dr. Aaron Glassman em “The Good Doctor”, foi internado num hospital devido à contaminação com covid-19. Schiff tinha anunciado na semana passada que ele e a esposa, Sheila Kelley, testaram positivo para o coronavírus. Kelley também co-estrela a série médica da rede americana ABC. Em uma nova atualização nas redes sociais, o ator escreveu que está sendo tratado com Remdesivir, oxigênio e esteróides e “apresentando alguma melhora a cada dia”. Já Kelley “está em casa e melhor, mas ainda bastante doente”, ele descreveu. As mensagens não deixam claro quando Schiff foi hospitalizado, mas Kelley escreveu no Instagram que “as últimas 72 horas foram difíceis” com Schiff no hospital com oxigênio e Remdesivir. “Ele está melhor. Ficando mais forte ”, ela acrescentou. Kelley ainda revelou que seu filho também está lutando contra a covid-19. “Nunca experimentei nada assim antes”, escreveu Kelley. “Em um minuto estou me sentindo muito bem e no próximo estou lutando para respirar.” O casal também agradeceu aos fãs por suas energias positivas. Apesar da contaminação dos dois atores, “The Good Doctor” continua em produção em Vancouver, no Canadá, com as gravações acontecendo com os demais integrantes do elenco. Covid update. Thank you all for so much love and support. You’re making it so much easier for @thesheilakelley and me. I am in the hospital on Remdesivir, O2 and steroids showing some improvement every day. Sheila is home and doing better but still fairly ill. Love you all. https://t.co/sWjOetsgUP — Richard Schiff (@Richard_Schiff) November 16, 2020 Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Sheila Kelley (@sheilakelleys)
Cinemark fecha acordo para diminuir janela de exibição de cinema
Depois da AMC, a rede Cinemark anunciou que também fechou um acordo com a Universal Pictures para diminuir a janela de exibição dos filmes do estúdio no cinema. O acordo divulgado nesta segunda (16/11) reforça a estratégia da Universal para encolher dramaticamente a tradicional janela que separa um lançamento do circuito cinematográfico e sua disponibilização em locação digital (em PVOD). Anteriormente fixada em três meses, o acordo com a AMC e a Cinemark reduz a exclusividade dos cinemas para três fins de semana nos EUA. O acerto abre exceção para filmes que tiverem uma bilheteria de mais de US$ 50 milhões em sua estreia, que permanecerão exclusivos por pelo menos cinco finais de semana – ou um mês inteiro, dois a menos que o padrão do mercado. Entre as produções do estúdio, filmes com esse potencial incluem os próximos lançamentos das franquias “Velozes e Furiosos” e “Jurassic World”. As redes de cinemas sempre resistiram a negociar a diminuição da janela e já ameaçaram se recusar a exibir filmes que forem lançados muito rapidamente em serviços sob demanda. Isso mudou durante a pandemia de coronavírus, quando reduzir a janela se tornou a única maneira de receber lançamentos inéditos. O contrato com a AMC foi fechado em julho e, após protestos iniciais, a aceitação da Cinemark assinala que a mudança é irreversível. Graças a esse negócio, a Universal se tornou o único estúdio que tem feito estreias seguidas nos cinemas. Os três filmes que lideraram as bilheterias dos EUA nas últimas três semanas são produções do estúdio. Já os outros grandes estúdios suspenderam suas estreias até 25 de dezembro – espera-se, inclusive, que essa margem seja ampliada. Com isso, apenas as produções da Universal, alguns títulos independentes e outros lançados simultaneamente em PVOD estão chegando ao mercado exibidor.
Tenet irrita com explicações, mas fascina com ação
A decisão da Warner de lançar “Tenet” nos cinemas mesmo com os índices de contaminação ainda altos e com o público temeroso de pisar em uma sala de exibição foi arriscada. Com isso, o filme do diretor Christopher Nolan tornou-se o único “blockbuster” do semestre, já que houve uma rejeição a “Os Novos Mutantes” – um filme bem simpático e que mereceria um pouco mais de consideração. Começar o texto falando de loucura de lançar “Tenet” em plena pandemia contrasta com o fato de Nolan ser reconhecido como um diretor cerebral. Em seus filmes, quem fica com os neurônios pegando fogo é o público. E se as pessoas acharam “A Origem” (2010) e “Interestelar” (2014) complicados, “Tenet” eleva essa complexidade a uma outra escala. Quando se acha que está começando a entender a trama, Nolan apresenta novas cenas para deixar o espectador perdido novamente. Mas é preciso respeitar um cineasta que é capaz de fazer um filme caro como este, de difícil compreensão, sem um protagonista do nível de Leonardo DiCaprio (“A Origem”) ou Matthew McConnaughey (“Insterestelar”), e seu estúdio apostar que isso atrairia um número considerável de espectadores em plena pandemia. “Tenet” é um filme que faz o público variar sua reação ao longo da projeção. Dá para se irritar com as explicações sobre as balas reversas, depois achar fascinante a história de um mundo reverso e ficar bastante impressionado com as cenas de ação, e em especial com o som, com a qualidade de som do filme, que numa sala IMAX é estrondoso. A trilha sonora, a cargo do sueco Ludwig Göransson, lembra algumas bandas de rock industrial, como o Ministry. É possível embarcar na proposta de Nolan: um diretor com uma fascinação absoluta pelo tempo, e que vem brincando com isso de maneira cerebral ao longo de toda sua filmografia, talvez desde a sua obra de estreia. Lembremos que em Nolan até o sonho é racionalizado, vide “A Origem”. Até porque, com “Tenet”, ele reforça sua posição como um dos cineastas mais determinados a realizar ficção científica da maneira mais séria possível. Ou seja, trazendo conceitos científicos reais, de física e química, para a construção de uma trama complexa. O problema (ou seria a solução?) é que ele não quis fazer um filme de ficção científica, mas uma espécie de thriller de espionagem à moda de James Bond, com o mérito de trazer um protagonista negro e cheio de carisma. John David Washington foi uma grande aposta, já que seu papel de maior destaque até então tinha sido “Infiltrado na Klan”, de Spike Lee, um filme mais direcionado ao circuito alternativo. Aqui ele incorpora um James Bond meio perdido, mas que nunca abandona a elegância. Sempre com um terno chique, mesmo quando está às voltas com lutas braçais com criaturas vindo do futuro. O fato de o protagonista (ele não tem nome no filme) estar tão perdido quanto o espectador não deixa de ser um alento. Aliás, é curioso que, na época da divulgação do filme, contou-se que nem o elenco entendeu a história de “Tenet”. Então, quando vemos os personagens dialogando sobre conceitos complicados de uma maneira até um tanto robótica, a impressão é que Nolan realmente não se importou muito com a preparação dos atores, mais interessado na mise-en-scène, como Alfred Hitchcock tempos atrás. As cenas que mais se aproximam de uma sensação dramática ou minimamente sentimental vem da personagem de Elizabeth Debicki, que interpreta a esposa do personagem de Kenneth Branagh, um homem que tem em suas mãos o destino do universo. Uma das sequências mais empolgantes do filme, inclusive, acontece quando os dois coadjuvantes estão em um barco. Por outro lado, as cenas de ação mais ambiciosas, como as perseguições rodoviárias, parecem um pouco engessadas. Mas ainda assim funcionam como um alívio para o cérebro nas duas horas e meia de duração que, acredite se quiser, passam voando.
Os Novos Mutantes é bem melhor que os últimos filmes dos X-Men
Um filme que já nasceu como um cachorro morto para o povo chutar. Ou para as pessoas não verem. A própria distribuidora o lançou no meio da pandemia, quando ninguém quer ir ao cinema. E chovem críticas negativas (34% de aprovação no site Rotten Tomatoes). Mas “Os Novos Mutantes” é envolvente. É bom que exista e finalmente tenha sido lançado, após tanto tempo na geladeira, por mais que tenha sido mais arremessado do que exatamente lançado. É como se a Disney, mesmo tendo comprado a Fox, tratasse o material como obra de concorrente, que não deveria existir. O filme de Josh Boone, diretor dos bons dramas de relacionamentos “Ligados pelo Amor” (2012) e “A Culpa é das Estrelas” (2014), é sem dúvida superior aos dois filmes anteriores dos “X-Men” – os horríveis “X-Men: Apocalipse” (2016) e “X-Men: Fênix Negra” (2019). É também uma produção mais barata e humilde, sem a megalomania dos outros filmes dos mutantes. E com um diferencial muito atraente: o tom de filme de horror, que oferece uma experiência diferente ao subgênero de filmes de super-heróis. Junte-se a isso as angústias dos adolescentes em lidar com seus poderes, que podem servir de metáfora para as explosões hormonais que surgem neste estágio da vida humana. Há um romance gay muito bonito entre duas personagens, inclusive, o que conta ainda mais pontos a favor do filme. Assim, nota-se que a escolha de Boone para a direção do filme teve mais a ver com seu sucesso popular com o melodrama teen “A Culpa é das Estrelas” do que com sua intimidade com filmes de ação ou horror. Na verdade, ele não tinha nenhuma. E isso infelizmente depõe contra o filme quando ele se aproxima de seu clímax e as cenas de ação carecem de um cuidado maior. É quando “Os Novos Mutantes” cai bastante. Os efeitos especiais do urso gigante também são outro problema. Mas há outros tantos aspectos positivos, como a presença brilhante de Anya Taylor-Joy (“A Bruxa”) como a provocadora e badass Ilyana Raspuntin. A atriz ficou muito bem, trazendo expressividade e charme para a personagem. Ilyana tem o poder de se teleportar para um limbo, tem uma espada mágica gigante e um dragãozinho demoníaco como companheiro. Todos os demais atores e atrizes acabam ficando eclipsados pela presença de Taylor-Joy (atualmente arrancando aplausos na minissérie “O Gâmbito da Rainha”). Mas isso não quer dizer que a química não funcione. Rahne Sinclair (Maisie Williams, de “Game of Thrones”), a menina que se transforma em lobo; Danielle “Dani” Moonstar (Blu Hunt, de “The Originals”), com poderes a ser descobertos; Sam Guthrie (Charlie Heaton, de “Stranger Things”), uma espécie de míssil humano descontrolado; e Roberto da Costa (Henry Zaga, ator brasileiro de “13 Reasons Why”), cujo corpo arde como um vulcão; todos estão bem. Aliás, o elenco tem dois intérpretes brasileiros: além de Zaga, Alice Braga (“A Rainha do Sul”) aparece no papel da médica responsável pelos novos mutantes na instalação que os aprisiona. Quem leu as histórias clássicas do grupo, com roteiro de Chris Claremont e arte de Bill Sienkiewicz e Bob McLeod, provavelmente terá ainda mais prazer vendo o filme. É uma pena que os personagens não passarão desse único longa. Assim sendo, a abertura para o futuro na vida daqueles jovens em processo de autodescoberta ao final da narrativa traz um gostinho amargo de interrupção. Caso de obra que definitivamente teve má sorte em seu processo de produção, pós-produção e lançamento.
Petra Belas Artes vai fechar por falta de bilheteria em São Paulo
Primeiro cinema a reabrir em São Paulo durante a pandemia, o Petra Belas Artes também será o primeiro a fechar, refletindo o receio do público com as salas de exibição. A falta de bilheteria tem tornado insustentável a sua manutenção e o cinema programou seu fechamento para 7 de dezembro. “A prefeitura decidiu deixar os cinemas fechados por mais tempo. A população tem a impressão de que eles são mais perigosos, disse à Folha de S. Paulo o diretor das salas, André Sturm, que é ex-secretário da Cultura de São Paulo. “Mas ontem eu passei na frente de um bar, e tinha um monte de gente se abraçando”, afirma. Ele defende que as salas respeitam os limites de lotação, não têm circulação de pessoas e possuem um sistema de ar condicionado seguro. Mas não fala nada da grande razão da insegurança do público: os cinemas insistem em vender comes e bebes, que são consumidos sem máscaras em suas imediações, muitas vezes no escuro, onde casais também trocam beijos sem máscaras. O diretor do Belas Artes revela que o espaço teve um déficit de R$ 2 milhões durante a pandemia e que, mesmo fechado, terá um gasto de R$ 150 mil em manutenção durante dezembro. Vale lembrar que durante o período em que esteve fechado, no auge da transmissão de coronavírus, o Belas Artes operou um drive-in bem-sucedido no estacionamento do Memorial da América Latina, com ingressos esgotados. O fim desse projeto coincidiu justamente com a reabertura dos cinemas. Sturm adiantou que vai suspender o contrato de 49 pessoas até o fim do ano e elas passarão a receber do governo federal, conforme prevê a lei de combate à covid-19. E espera poder reabrir o cinema em janeiro.
Grey’s Anatomy surpreende fãs com volta emocionante de personagem
Os fãs americanos de “Grey’s Anatomy” levaram um choque com a estreia da 17ª temporada. O episódio especial de duas horas, exibido na noite de quinta (12/11) na rede ABC, não tratou apenas da pandemia de coronavírus, como esperado. Os produtores mantiveram em segredo uma grande participação especial: Patrick Dempsey, retomando seu papel como o Dr. Derek Shepherd. O personagem não era visto há cinco anos, desde sua morte na série. O impacto foi tanto que o spoiler se tornou inescapável para quem perdeu a exibição ao vivo, porque as redes sociais e a imprensa lotaram de comentários e fotos. As próprias páginas oficiais da série divulgaram imagens da volta surpreendente. Procurada por vários sites, a showrunner Krista Vernoff resolveu soltar um comunicado sobre a surpresa, que foi replicado a exaustão. “Nós tínhamos que achar formas criativas para permitir que nossa série continuasse divertida e romântica, para oferecer algum escapismo. Entra Patrick Dempsey. O tema da praia, que vai continuar além da estreia, nos deu uma forma de viver além da pandemia, mesmo que um pouco aqui e lá. E o retorno de Derek é pura alegria para nós, para Meredith e para os fãs”, declarou a showrunner. A estreia da temporada focou no estresse dos médicos na batalha contra o coronavírus, simbolizado pelo colapso de Meredith (Ellen Pompeo) após um longo dia. Ela desmaia no estacionamento e acorda numa praia, com alguém chamando seu nome. É Derek, sorrindo em direção à sua viúva. A médica vai acordar desse sonho, mas ficará em recuperação, como apontam as cenas do próximo capítulo. O detalhe é que Dempsey gravou mais cenas inéditas e voltará a aparecer na atraçaõ, enquanto Meredith passa por sua recuperação. No Brasil, a 17ª temporada de Grey’s Anatomy tem previsão de estreia para janeiro de 2021 no canal pago Sony. Veja abaixo o trailer do segundo episódio, que confirma a extensão da participação de Patrick Dempsey na série. Reunited ❤️ | 📷 @KristaVernoff pic.twitter.com/EhHLZy2nuy — Greys Anatomy (@GreysABC) November 13, 2020
Disney+ (Disney Plus) supera 70 milhões de assinantes antes da estreia no Brasil
A cinco dias de sua inauguração no Brasil e no restante da América Latina, a Disney+ (Disney Plus) festeja a superação da marca de 70 milhões de assinantes mundiais. Chamando a plataforma de um “verdadeiro ponto brilhante” para os negócios da Disney, o CEO do conglomerado de entretenimento, Bob Chapek, destacou o sucesso do streaming em sua apresentação do desempenho da empresa para investidores nesta quinta (12/11). Com um total de 73,7 milhões de assinantes somados, a Disney+ (Disney Plus) superou em muito as projeções mais otimistas do estúdio. Vale lembrar que a meta da Disney era chegar a 60 milhões de assinantes em cinco anos. Tem 13 milhões a mais e nem completou inteiramente seu primeiro ano de atividades. O detalhe mais impressionante é que estes 13 milhões extras foram somados apenas nos últimos três meses, enquanto a projeção da Netflix para o mesmo período foi de 2,5 milhões de novos usuários. O grande atrativo da plataforma, que teve 10 milhões de inscrições nos EUA nas primeiras 24 horas de disponibilidade, é sua vasta biblioteca de programação, com muitas séries e filmes do catálogo da Disney, que só estão disponíveis no serviço. Mas ainda há pouco material criado exclusivamente para o streaming, o que chama atenção em sua comparação inevitável com a Netflix. Por enquanto, o maior atrativo é “The Mandalorian”, primeira série live-action derivada da saga “Star Wars”, e os filmes que a Disney redirecionou do cinema durante a pandemia, em especial “Mulan” e “Hamilton”. Outras produções badaladas, como séries derivadas dos filmes da Marvel, tiveram as gravações suspensas devido à crise sanitária mundial e só vão estrear em 2021. O fato é que a Disney+ (Disney Plus) se tornou mais que um “ponto brilhante”, mas o único ponto brilhante de todo o conglomerado Disney. Seu sucesso foi capaz de fazer subir as ações do estúdio em 5% nesta quinta, mesmo com perdas generalizadas em todas as outras áreas. A empresa está tomando um prejuízo estimado em US$ 6,9 bilhões na área que até então representava sua maior fonte de faturamento, os parques temáticos. Fechados ou com grandes limitações de funcionamento, os parques puxam a maior quantidade de demissões na Disney. Nada menos que 28 mil funcionários do setor já foram demitidos e mais cortes devem ser anunciados diante da falta de atividades da Disneylândia na Califórnia. Mas Chapek, que veio do comando dos parques para a chefia de todo o conglomerado, prefere destacar a capacidade demonstrada pela Disney para crescer diante das adversidades. “Mesmo com a interrupção causada pelo covid-19, fomos capazes de administrar nossos negócios de maneira eficaz e, ao mesmo tempo, tomar medidas ousadas e deliberadas para posicionar nossa empresa para um maior crescimento de longo prazo”, ele disse em um comunicado que acompanhou os números do trimestres. Apesar do otimismo, os números não favorecem o discurso de sucesso, porque o streaming é um negócio que ainda funciona no vermelho. A própria Disney espera que seu investimento na plataforma só comece a dar retorno em 2024. Mas o ritmo de crescimento pode adiantar esse prazo. A Disney planeja revelar mais detalhes sobre a reorganização de seus negócios e como pretende priorizar, impulsionar e investir em seu projeto de streaming em 10 de dezembro, data em que marcou um “Dia do Investidor”. A empresa também tende a usar esse evento para revelar novos detalhes de seu vindouro serviço de streaming internacional, que deverá ter a marca Star – a mesma de uma rede indiana que a Disney adquiriu da Fox.












