Fala Sério, Mãe! é o último lançamento amplo do ano nos cinemas
Após faturar R$ 1,5 milhão em pré-estreia, a comédia brasileira “Fala Sério, Mãe!” chega aos cinemas como principal lançamento do fim do ano. Mas, curiosamente, não é o único filme brasileiro com adolescentes a entrar em cartaz nesta quinta (28/12). A programação, mais enxuta que o habitual, também inclui o novo longa de Woody Allen, a primeira luta de Bruce Lee e a juventude de Karl Max, que não empolgaram a maioria dos críticos, além de um documentário premiado. Clique nos títulos das estreias para conferir os trailers de cada filme em cartaz. “Fala Sério, Mãe!” traz Ingrid Guimarães (“De Pernas pro Ar”) e Larissa Manoela (“Meus Quinze Anos”) como mãe e filha, e surpreende positivamente por não abusar (muito) do tom histérico que marca as outras comédias do roteirista Paulo Cursino (“Até que a Sorte nos Separe”). Desta vez, o humor de esquetes e temas repetitivos busca simpatia, ao ser utilizado para realçar os problemas de relacionamento, mas também o amor típico de uma família, que é o mote da produção. O filme é inspirado no livro de mesmo nome da escritora Thalita Rebouças (autora também de “É Fada!”), que colabora no roteiro assinado por Cursino, Ingrid Guimarães e Dostoiewski Champangnatte. A direção é de Pedro Vasconcelos (“O Concurso”) e ainda peca por incluir as típicas participações especiais de todo besteirol brasileiro – desta vez, do cantor Fábio Jr. e do comediante Paulo Gustavo, interpretando eles mesmos. “Bye Bye Jaqueline” também é uma comédia centrada numa adolescente, mas o foco são as amizades e os romances dessa fase da vida. O problema é a falta de espontaneidade geral, do roteiro à interpretação, que faz com que tudo soe forçado, além de previsível – a velha história de sempre. Nota-se que é o primeiro longa-metragem de Anderson Simão e da maioria do elenco. O lançamento internacional mais amplo pertence a “Roda Gigante”, o novo longa de Woody Allen, cujo enredo, como diz a protagonista Kate Winslet (“A Vingança Está na Moda”), é “um pouco melodramático”. A produção não deixa de ser uma homenagem de Allen ao rei do melodrama clássico, Douglas Sirk (“Imitação da Vida”), já que se passa no período de seus filmes mais conhecidos, a década de 1950. A história gira em torno de Ginny (Winslet), mulher do operador de carrossel do parque de Conney Island (James Belushi, da série “Twin Peaks”), que um belo dia recebe a visita de sua enteada (Juno Temple, da série “Vinyl”), casada com um gângster e fugindo da máfia. Ela sabe segredos perigosos e procura abrigo, com mafiosos em seu encalço. No meio disso tudo, as duas ainda se encantam pelo galã da praia, o salva-vidas Mickey (Justin Timberlake, de “Aposta Máxima”), que narra a história – um artifício que reforça se tratar de um filme “à moda antiga”. A crítica norte-americana não embarcou na trip nostálgica e a “Roda Gigante” travou com 29% de aprovação no site Rotten Tomatoes. “A Origem do Dragão” foi uma decepção maior ainda: 23% de aprovação. Vendida como uma história da juventude do ator e campeão de kung fu Bruce Lee, a obra não passa de um filme B convencional, que menospreza o personagem e o impacto de sua luta contra Wong Jack Man, o mestre de kung fu mais famoso da China, enviado pelo templo shaolin para verificar se Lee estava ensinando artes marciais para brancos nos Estados Unidos. A direção é do cineasta George Nolfi (“Os Agentes do Destino”) e os roteiristas Christopher Wilkinson e Stephen J. Rivele são os mesmos do vindouro “Bohemian Rhapsody” sobre a banda Queen. “O Jovem Karl Marx” é outro desperdício de personagem, numa produção que segue a fórmula básica das cinebiografias mais superficiais, capaz de transformar o homem que considerava religião o ópio do povo numa figura praticamente santa. Ao menos, não deixa de ser cômico ver o jovem de cartola querendo se conectar com as massas proletárias. Passou no Festival de Berlim, Toronto e inúmeros outros. Não venceu nada. E tem média de 40% no Rotten Tomatoes. Completa a programação o documentário francês “A Ópera de Paris”, premiado no Festival de Moscou. Curiosamente, é o segundo filme sobre os bastidores da famosa casa de espetáculos francesa lançado este ano nos cinemas brasileiros, após “Reset – O Novo Balé da Ópera de Paris”. Ambos compartilham alguns personagens, entre eles Benjamin Millepied, o criador da coreografia de “Cisne Negro” (2010) e marido da atriz Natalie Portman. E é isto. Só seis lançamentos nesta semana, ainda sob efeito do predomínio de “Star Wars: Os Últimos Jedi” no circuito cinematográfico.
Confira os dez filmes pré-selecionados para disputar indicações ao Oscar de Efeitos Visuais
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos divulgou uma nova lista de filmes pré-selecionados para disputar a categoria de Melhores Efeitos Visuais do Oscar 2018. Os 20 longas-metragens classificados há duas semanas foram reduzidos à metade, antes da definição dos cinco finalistas. A lista deixou pelo caminho a maioria dos filmes de super-heróis, já eliminando uma chance de “Mulher-Maravilha” disputar um troféu, além de diversas sci-fis, inclusive a deslumbrante “Ghost in the Shell”. Os cinco indicados ao Oscar serão anunciados em 23 de janeiro, quando a Academia revelar a lista completa dos indicados em todas as categorias. A 90ª edição do prêmio mais importante da indústria americana de cinema acontecerá em 4 de março e será transmitida para 225 territórios, incluindo o Brasil – pelos canais Globo e TNT. Os dez filmes abaixo continuam na expectativa de disputar a competição. “A Forma da Água” “Alien: Covenant” “Blade Runner 2049” “Dunkirk” “Guardiões da Galáxia, Vol. 2” “Kong: A Ilha da Caveira” “Okja” “Planeta dos Macacos: A Guerra” “Star Wars: Os Últimos Jedi” “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”
Star Wars: Os Últimos Jedi monopoliza os cinemas com sua Força
“Star Wars: Os Últimos Jedi” chega aos cinemas como uma Estrela da Morte, ocupando 1,3 mil salas sem dar chances à concorrência. Para as demais estreias desta quinta (14/12), sobra apenas o circuito limitado. A maioria são documentários brasileiros de personalidades, quase uma programação de TV educativa. Mas um dos lançamentos mais esperados do ano acabou sacrificado, com uma distribuição ridícula em apenas 10 telas. Saiba mais sobre as novidades da programação abaixo. E não esqueça de clicar nos títulos para assistir aos trailers de cada filme. Com a demonstração da Força de sua distribuição, o oitavo filme da saga espacial está posicionado para quebrar recordes de bilheterias. O novo “Star Wars” já é uma unanimidade entre a crítica, contando atualmente com 94% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Repleto de surpresas e reviravoltas, o filme acompanha a evolução de Rey (Daisy Ridley), que busca se tornar pupila do último jedi Luke Skywalker (Mark Hamill). Sim, a tradução brasileira de “the last jedi” está errada. Além de Rey, a trama também desenvolve bastante e humaniza os personagens de Kylo Ren (Adam Driver) e Finn (John Boyega), e marca a despedida cinematográfica da atriz Carrie Fisher, a eterna Princesa Leia, que faleceu após terminar suas filmagens. A produção agradou tanto que a Lucasfilm encomendou uma nova trilogia ao diretor e roteirista Rian Johnson. Em compensação, poucos terão acesso à melhor estreia do circuito limitado. Aguardadíssimo, “Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas” chega em apenas uma dezena de salas. E olha que seu tema é popularíssimo: a história “secreta” da origem da Mulher-Maravilha. A trama acompanha o psicólogo da Universidade de Harvard, Dr. William Moulton Marston, que inventou o detector de mentiras e criou a Mulher-Maravilha, destacando o período em que precisou defender a super-heroína feminista contra acusações de “perversidade sexual”, ao mesmo tempo em que mantinha um segredo que poderia arruiná-lo. Isto porque a inspiração da personagem foi sua esposa, Elizabeth Marston, e sua amante e ex-aluna Olive Byrne, duas mulheres que também se destacaram na área da psicologia e desafiaram convenções, construindo uma vida a três com Marston, como mães de seus filhos, melhores amigas e parceiras de cama. Por muitos anos, o segredo real de Marston foi mais bem guardado que a identidade secreta da super-heroína. A produção traz Luke Evans (“Drácula: A História Nunca Contatada”), Rebecca Hall (“Homem de Ferro 3”) e Bella Heathcote (“Orgulho e Preconceito e Zumbis”) como os protagonistas da história real, e tem 86% de aprovação no Rotten Tomatoes. Candidato da Suíça a uma vaga no Oscar 2018, “Mulheres Divinas” é a última ficção recomendada da semana. O filme também é sobre mulheres-maravilhas da vida real. Ambientado em 1971, conta a história de uma jovem dona de casa, casada e mãe de dois filhos em um agradável vilarejo suíço. Mas um detalhe incomoda a protagonista. Seu país não permite o voto nem diversos direitos às mulheres. Inconformada com a opressão, Nora decide liderar uma campanha pelo voto feminino – com 70 anos de atraso em relação às sufragistas originais. Mistura de comédia e drama histórico, registra 83% no Rotten Tomatoes e ainda venceu os prêmios do Público e de Melhor Atriz no Festival de Tribeca. Como de praxe, a proximidade do Natal inspira programação religiosa. “Jesus – A Esperança” é uma versão da Paixão de Cristo produzida no Brasil. E “O Poder e o Impossível” transforma uma tragédia verídica numa história edificante de descoberta da fé. No filme americano, um atleta de hóquei viciado e descrente se perde numa nevasca ao ir sozinho fazer snowboarding, tem as pernas apodrecidas pelo frio intenso e passa a considerar sua salvação um milagre cristão. A crítica americana não levou fé, dando apenas 25% de aprovação. Os demais lançamentos são todos documentários. O mais interessante é o francês “Lumière! – A Aventura Começa”, que reúne os primeiros filmes (curta-metragens) da história do cinema, filmados pelos irmãos Lumière, inventores do cinematógrafo. O material foi remasterizado em 4k, ganhou nitidez impressionante e é acompanhado por comentários de Thierry Frémaux, que é diretor do Festival do Cannes e também preside o Instituto Lumière. Dos quatro documentários biográficos nacionais, só um foge da fórmula de depoimentos e imagens de arquivo, que iguala filme a programa de televisão. É “Cora Coralina – Todas as Vidas”, que dramatiza trechos da vida da escritora e reúne atrizes para declamar seus textos, entre as imagens de arquivo e os depoimentos. A programação se completa com “Silêncio no Estúdio”, que conta a história da apresentadora Edna Savaget, pioneira dos programas femininos da TV brasileira, “Tudo É Projeto”, sobre o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, e “Coragem! – As Muitas Vidas de Dom Paulo Evaristo Arns”, biografia do Cardeal brasileiro que se destacou por defender os direitos humanos durante o regime militar.
Arábia Saudita vai permitir abertura de cinemas no país após 35 anos de proibição
O governo da Arábia Saudita anunciou nesta segunda-feira (11/12) que vai acabar com a proibição de cinemas no país. A decisão põe fim a um veto de mais de 35 anos, desde que todos os cinemas do país foram fechados na década de 1980, após a ascensão de uma insurgência islâmica. “Como reguladora da indústria, a Comissão Geral para Mídia Audiovisual começou o processo de licenciar cinemas no Reino”, informou em comunicado o ministro da Cultura e da Informação saudita, Awwad bin Saleh Alawwad. A previsão é que os novos cinemas sejam abertos em março do próximo ano. Ironicamente, apesar da proibição, a Arábia Saudita é palco de uma pequena indústria de audiovisual na capital Riad, que lança sobretudo longas-metragens e documentários, exibidos no exterior. O anúncio do fim do veto acompanha uma série de medidas liberalizantes do governo saudita e faz parte de um ambicioso plano de reformas do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, que busca promover espetáculos e eventos de entretenimento, apesar da oposição dos círculos conservadores. O conservadorismo na Arábia Saudita afeta, em especial, as mulheres, cujos direitos começam a ser reconhecidos no movimento modernizador do governo. Riad anunciou em outubro que, a partir de 2018, permitiria a elas participar de eventos esportivos em três estádios e a dirigir. Ainda assim, as sauditas continuam a enfrentar diversas restrições. Apesar de tanta proibição, o nome mais conhecido da produção cinematográfica saudita é uma mulher: Haifaa Al-Mansour, diretora e roteirista do premiado “O Sonho de Wadjda” (2012), sobre uma menina que quer uma bicicleta. O filme fez tanto sucesso que lhe permitiu iniciar carreira em Hollywood com “Mary Shelley”, previsto para julho, em que Elle Fanning vive a escritora de “Frankenstein”.
Filmes com crianças extraordinárias são os destaques da semana nos cinemas
As melhores estreias de cinema da semana são histórias que trazem crianças com problemas de relacionamento. Enquanto uma delas é o lançamento mais amplo desta quinta (7/12), a outra, premiadíssima, chega em circuito limitado. A programação também entra em clima natalino com a continuação menos engraçada de um comédia do ano passado, despede-se de um ator genial e apresenta três novidades brasileiras. Clique nos títulos dos filmes abaixo para ver os trailers de cada um dos lançamentos. “Extraordinário” leva a mais de 500 telas a elogiada adaptação do best-seller infantil homônimo de RJ Palacio sobre o menino Auggie Pullman, que nasceu com uma deformidade facial e estudou em casa a maior parte da vida, até a família decidir matriculá-lo numa escola regular para que convivesse com outras crianças da sua idade. Dirigido por Stephen Chbosky (“As Vantagens de Ser Invisível”), o filme tem uma mensagem anti-bullying tocante, que supera a fórmula do melodrama, e é estrelado por Jacob Tremblay, o ator-mirim de “O Quarto de Jack” (2015), irreconhecível sob a maquiagem da produção. Ele vive o filho deformado de Julia Roberts (“Jogo do Dinheiro”) e Owen Wilson (“Zoolander”), e neto da brasileira Sonia Braga (“Aquarius”). Sucesso nos cinemas americanos, enfrentou “Liga da Justiça” e “Viva – A Vida É uma Festa” sem se assustar, com 85% de aprovação no site Rotten Tomatoes. “Verão 1993” é o destaque do circuito limitado. Candidato da Espanha a uma indicação no Oscar 2018, acompanha Frida, uma menina de seis anos que vai viver com os tios no campo, após a morte súbita da mãe, mas não consegue se adaptar à nova vida e família. O longa de Carla Simón venceu o troféu de Melhor Filme de Estreia no Festival de Berlim 2017, além de se consagrar no circuito dos festivais. Para completar, tem impressionantes 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. “Perfeita É a Mãe 2” é basicamente a versão feminina de “Pai em Dose Dupla 2” (já em cartaz): uma continuação em que as mães da história original recebem a visita das próprias mães para o Natal. A falta de boas ideias confirma que foi feito a toque de caixa para aproveitar o sucesso do primeiro filme, lançado no ano passado. O resultado foi uma bilheteria abaixo da expectativa e execração da crítica – 27%. Há mais três estreias do cinema americano. Enquanto duas refletem a inquietação que se espera de cineastas indies iniciantes, a terceira é assinada por um diretor famoso e clichê de doer. “Lucky” foi o último filme estrelado por Harry Dean Staton, que morreu em setembro aos 91 anos. Sua carreira foi marcada por papéis fantásticos. E o personagem-título de “Lucky” é um deles: um ateu espirituoso que precisa lidar com a própria mortalidade diante da idade avançada. Staton dá um show de interpretação, numa despedida emocionante do cinema sob aplausos da crítica – 98% no Rotten Tomatoes. Como curiosidade, o longa também marca a estreia na direção do ator John Carroll Lynch, intérprete do palhaço assassino Twisty na série “American Horror Story”. “Em Busca de Fellini” é uma história real em tom de fábula, de uma jovem que cresceu confinada por uma mãe superprotetora e descobre o mundo por meio dos filmes de Fellini. Instigada, ela decide conhecer a Itália e ver de perto as imagens que a encantaram no cinema. Embora pareça uma criação de cinéfilo, o filme é baseado na vida de Nancy Cartwright, a dubladora de Bart Simpson nos Estados Unidos. Ela própria assina o roteiro, que tem 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. “Apenas um Garoto em Nova York” marca a volta de Marc Webb às comédias românticas, após o fracasso espetacular de seus filmes do Homem-Aranha. Mas o resultado é muito diferente do cultuado “(500) Dias com Ela” (2009). O roteiro foi escrito por Allan Loeb (“Rock of Ages: O Filme”) e é centrado em um jovem que descobre que seu pai está tendo um caso. O filho tenta impedir que isso aconteça, mas no processo acaba se envolvendo com a mulher. Callum Turner (“Assassin’s Creed”) é o protagonista, Pierce Brosnan (“November Man: Um Espião Nunca Morre”) vive seu pai e Kate Beckinsale (“Anjos da Noite: Guerras de Sangue”) interpreta a amante. O triângulo tão velho quando Édipo Rei implodiu nas bilheterias norte-americanas, com apenas US$ 624 mil e uma péssima cotação – 33%. Três filmes brasileiros completam a programação. “Altas Expectativas” se diferencia das histórias de ricos instantâneos e vigaristas que marcam os besteiróis nacionais por usar suas piadas para contar uma “fábula” de superação e romance. Roteiro e direção da dupla Pedro Antônio (“Tô Ryca!”) e Alvaro Campos (“Leo & Carol”) contam o dilema de um treinador de cavalos anão que se apaixona por uma barista, mas sua baixa autoestima lhe impede de se declarar. Cansado de ser humilhado pela estatura, ele acaba revidando um comediante que o ridiculariza durante uma apresentação de stand-up e impressiona pelo humor autodepreciativo, iniciando uma nova carreira. E um dia faz a jovem melancólica, que ele adora, rir pela primeira vez em muito tempo, abrindo as portas para seu coração. O príncipe encantado incompreendido é Leonardo Reis, conhecido em shows de stand-up como Leo Gigante. A bela da história é interpretada por Camila Márdila, que dividiu com Regina Casé o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Sundance 2015 por “Que Horas Ela Volta?”. E não falta sequer o indefectível rival-vilão (o Gaston da vez), vivido pelo canalha favorito do cinema brasileiro, Milhem Cortaz (“O Lobo Atrás da Porta”). “Encantados” assume mais claramente o tom fantasioso de sua narrativa, ao materializar uma versão tupiniquim dos romances adolescentes sobrenaturais que foram tendência em Hollywood há meia década atrás. De fato, o filme é de 2014, mas só “desencantou” nos cinemas agora – trazendo consigo o “exilado” José Mayer. Na trama, a filha de um influente político paraense tem visões de um índio bonitão nas águas da Ilha de Marajó. Se o samba-enredo parece conhecido é porque a combinação de folclore, rios místicos e clichês da literatura tem sido a base de sucessos noveleiros como “Pantanal” (1990) e “Velho Chico” (2016) – sem esquecer que já há uma versão adulta similar, “Ele, o Boto” (1987). A direção é de Tizuka Yamasaki, que chegou a ser apontada como diretora promissora nos anos 1980, antes de se especializar em filmes da Xuxa. A menor distribuição cabe ao documentário da semana, “Corpo Delito”, sobre um preso que vai para o regime aberto com uma “tartaruga” no tornozelo. A gíria prisional é a novidade da história.
A Forma da Água lidera indicações ao Critics Choice Awards 2018
O Critics Choice Awards, uma das mais importantes premiações anuais de cinema e TV da crítica americana, divulgou seus indicados aos prêmios de sua 23ª edição. E a fantasia “A Forma da Água”, de Guillermo del Toro, com estreia no Brasil prevista para janeiro, saiu na frente com 14 indicações, incluindo Melhor Filme. A vantagem do filme de Del Toro, que já venceu o Festival de Veneza, é bastante ampla em relação aos quatro títulos que aparecem empatados em segundo lugar, com oito indicações cada: “Me Chame pelo seu Nome”, de Luca Guadagnino, “Dunkirk”, de Christopher Nolan, “Lady Bird”, de Greta Gerwig, e “The Post”, de Steve Spielberg. Os outros indicados a Melhor Filme são: “Doentes de Amor”, “O Destino de uma Nação”, “Projeto Flórida”, “Corra!” e “Três Anúncios para um Crime”. Entre as produções de TV, a série limitada “Feud: Bette and Joan”, do canal pago FX, foi o programa com o maior número de indicações, com 6 menções, seguida de perto por “Big Little Lies”, da HBO, com 5 indicações. Já a Netflix foi o “canal” com o maior número de séries selecionadas, recebendo 20 indicações ao todo, divididas entre “Stranger Things”, “The Crown”, “American Vandal”, “Godless” e “BoJack Horseman”. A cerimônia de premiação do 23º Critics’ Choice Awards será realizada no dia 11 de janeiro, com transmissão pelo canal CW nos Estados Unidos. Ainda não há transmissão prevista da cerimônia para o Brasil. CINEMA MELHOR FILME “Doentes de Amor” “Me Chame por seu Nome” “O Destino de uma Nação” “Dunkirk” “Projeto Flórida” “Corra!” “Lady Bird” “The Post – A Guerra Secreta” “A Forma da Água” “Três Anúncios de um Crime” MELHOR DIRETOR Guillermo del Toro (“A Forma da Água”) Greta Gerwig (“Lady Bird”) Martin McDonagh (“Três Anúncios de um Crime”) Christopher Nolan (“Dunkirk”) Luca Guadagnino (“Call Me by Your Name”) Jordan Peele (“Corra!”) Steven Spielberg (“The Post”) MELHOR ATOR Timothée Chalamet (“Me Chame por seu Nome”) James Franco (“O Artista do Desastre”) Jake Gyllenhaal, “O Que te faz Mais Forte”) Tom Hanks, “The Post”) Daniel Kaluuya, “Corra!”) Daniel Day-Lewis, “Trama Fantasma”) Gary Oldman (“O Destino de uma Nação”) MELHOR ATRIZ Jessica Chastain (“A Grande Jogada”) Sally Hawkins (“A Forma da Água”) Frances McDormand (“Três Anúncios de um Crime”) Margot Robbie (“I, Tonya”) Saoirse Ronan (“Lady Bird”) Meryl Streep (“The Post”) MELHOR ATOR EM COMÉDIA Steve Carell (“Guerra dos Sexos”) James Franco (“O Artista do Desastre”) Chris Hemsworth (“Thor: Ragnarok”) Kumail Nanjiani (“Doentes de Amor”) Adam Sandler (“Os Meyerowitz”) MELHOR ATRIZ EM COMÉDIA Tiffany Haddish (“Girls Trip”) Zoe Kazan (“Doentes de Amor”) Margot Robbie (“I, Tonya”) Saoirse Ronan (“Lady Bird”) Emma Stone (“Guerra dos Sexos”) MELHOR ATOR COADJUVANTE Willem Dafoe (“Projeto Flórida”) Armie Hammer (“Me Chame por seu Nome”) Richard Jenkins (“A Forma da Água”) Sam Rockwell (“Três Anúncios de um Crime”) Patrick Stewart (“Logan”) Michael Stuhlbarg (“Me Chame por seu Nome”) MELHOR ATRIZ COADJUVANTE Mary J. Blige (“Mudbound”) Hong Chau (“Pequena Grande Vida”) Tiffany Haddish (“Girls Trip”) Holly Hunter (“Doentes de Amor”) Allison Janney (“I, Tonya”) Laurie Metcalf (“Lady Bird”) Octavia Spencer (“A Forma da Água”) MELHOR REVELAÇÃO Mckenna Grace (“Gifted”) Dafne Keen (“Logan”) Brooklynn Prince (“Projeto Flórida”) Millicent Simmonds (“Sem Fôlego”) Jacob Tremblay (“Extraordinário” MELHOR ELENCO “Dunkirk” “Lady Bird” “Mudbound” “The Post – A Guerra Secreta” “Três Anúncios de um Crime” MELHOR ROTEIRO ADAPTADO James Ivory (“Me Chame pelo seu Nome”) Scott Neustadter e Michael H. Weber (“O Artista do Desastre”) Dee Rees e Virgil Williams (“Mudbound”) Aaron Sorkin (“A Grande Jogada”) Jack Thorne, Steve Conrad e Stephen Chbosky (“Extraordinário”) MELHOR ROTEIRO ORIGINAL Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani (“Doentes de Amor”) Jordan Peele (“Corra”) Greta Gerwig (“Lady Bird”) Liz Hannah e Josh Singer (“The Post”) Guillermo del Toro e Vanessa Taylor (“A Forma da Água”) Martin McDonagh (“Três Anúncios de um Crime”) MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA Roger Deakins “Blade Runner 2049”) Sayombhu Mukdeeprom (“Me Chame pelo Seu Nome”) Hoyte van Hoytema (“Dunkirk”) Rachel Morrison (“Mudbound”) Dan Lausten (“A Forma da Água”) MELHOR FIGURINO Jacqueline Durran (“A Bela e a Fera”) Renée April (“Blade Runner 2049”) Mark Bridges (“Trama Fantasma”) Luis Sequeira (“A Forma da Água”) Lindy Hemming (“Mulher-Maravilha”) MELHOR MONTAGEM Paul Machliss e Jonathan Amos (“Em Ritmo de Fuga”) Joe Walker (“Blade Runner 2049”) Lee Smith (“Dunkirk”) Michael Kahn e Sara Broshar (“The Post”) Sidney Wolinsky (“A Forma da Água”) MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO Sarah Greenwood e Katie Spencer (“A Bela e a Fera”) Dennis Gassner e Alessandra Querzola (“Blade Runner 2049”) Nathan Crowley e Gary Fettis (“Dunkirk”) Jim Clay e Rebecca Alleway (“O Assassinato no Expresso Oriente”) Mark Tildesley e Véronique Melery (“Trama Fantasma”) Paul Denham Austerberry, Shane Vieau e Jeff Melvin (“A Forma da Água”) MELHOR TRILHA SONORA Benjamin Wallfisch e Hans Zimmer (“Blade Runner 2049″) Dario Marianelli (“O Destino de uma Nação”) Jonny Greenwood (“Trama Fantasma”) John Williams (“The Post”) Alexandre Desplat (“A Forma da Água”) MELHOR CANÇÃO “Evermore” (“A Bela e a Fera”) “Mystery of Love” (“Me Chame pelo seu Nome”) “Remember Me” (“Viva – A Vida é uma Festa”) “Stand Up for Something” (“Marshall”) “This Is Me” (“O Rei do Show”) MELHORES EFEITOS VISUAIS “Blade Runner 2049” “Dunkirk” “A Forma da Água” “Thor: Ragnarok” “Planeta dos Macacos – A Guerra” “Mulher-Maravilha” MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADO “A Bela e a Fera” “O Destino de uma Nação” “I, Tonya” “A Forma da Água” “Extraordinário” MELHOR ANIMAÇÃO “The Breadwinner” “Viva – A Vida É uma Festa” “Meu Malvado Favorito 3” “Lego Batman – O Filme” “Com Amor, Vincent” MELHOR COMÉDIA “Doentes de Amor” “O Artista do Desastre” “Girls Trip” “I, Tonya” “Lady Bird” MELHOR FILME DE AÇÃO “Em Ritmo de Fuga” “Logan” “Thor: Ragnarok” “Planeta dos Macacos – A Guerra” “Mulher-Maravilha” MELHOR FILME DE TERROR OU SCI-FI “Blade Runner 2049” “Corra!” “It – A Coisa” “A Forma da Água” MELHOR FILME ESTRANGEIRO “120 Batimentos por Minuto” (França) “Uma Mulher Fantástica” (Chile) “First They Killed My Father” (Camboja) “In the Fade” (Alemanha) “The Square” (Suécia) “Thelma” (Noruega) TELEVISÃO MELHOR SÉRIE DE DRAMA “American Gods” “The Crown” “Game of Thrones” “The Handmaid’s Tale” “Stranger Things” “This Is Us” MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA Sterling K. Brown (“This Is Us”) Paul Giamatti (“Billions”) Freddie Highmore (“Bates Motel”) Ian McShane (“American Gods”) Bob Odenkirk (“Better Call Saul”) Liev Schreiber (“Ray Donovan”) MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA Caitriona Balfe (“Outlander”) Christine Baranski (“The Good Fight”) Claire Foy (“The Crown”) Tatiana Maslany (“Orphan Black”) Elisabeth Moss (“The Handmaid’s Tale”) Robin Wright (“House of Cards”) MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA Bobby Cannavale (“Mr. Robot”) Asia Kate Dillon (“Billions”) Peter Dinklage (“Game of Thrones”) David Harbour (“Stranger Things”) Delroy Lindo (“The Good Fight”) Michael McKean (“Better Call Saul”) MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA Gillian Anderson (“American Gods”) Emilia Clarke (“Game of Thrones”) Ann Dowd (“The Handmaid’s Tale”) Cush Jumbo (“The Good Fight”) Margo Martindale (“Sneaky Pete”) Chrissy Metz (“This Is Us”) MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA “The Big Bang Theory” “Black-ish” “GLOW” “The Marvelous Mrs. Maisel” “Modern Family” “Patriot” MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA Anthony Anderson (“Black-ish”) Aziz Ansari (“Master of None”) Hank Azaria (“Brockmire”) Ted Danson (“The Good Place”) Thomas Middleditch (“Silicon Valley”) Randall Park (“Fresh Off the Boat”) MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA Kristen Bell (“The Good Place”) Alison Brie (“GLOW”) Rachel Brosnahan (“The Marvelous Mrs. Maisel”) Sutton Foster (“Younger”) Ellie Kemper (“Unbreakable Kimmy Schmidt”) Constance Wu (“Fresh Off the Boat”) MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA Tituss Burgess (“Unbreakable Kimmy Schmidt”) Walton Goggins (“Vice Principals”) Sean Hayes (“Will & Grace”) Marc Maron (“GLOW”) Kumail Nanjiani (“Silicon Valley”) Ed O’Neill (“Modern Family”) MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA Mayim Bialik (“The Big Bang Theory”) Alex Borstein (“The Marvelous Mrs. Maisel”) Betty Gilpin (“GLOW”) Jenifer Lewis (“Black-ish”) Alessandra Mastronardi (“Master of None”) Rita Moreno (“One Day at a Time”) MELHOR SÉRIE LIMITADA “American Vandal” “Big Little Lies” “Fargo” “Feud: Bette and Joan” “Godless” “The Long Road Home” MELHOR TELEFILME “Flint” “I Am Elizabeth Smart” “The Immortal Life of Henrietta Lacks” “Sherlock: The Lying Detective” “The Wizard of Lies” MELHOR ATOR EM TELEFILME OU SÉRIE LIMITADA Jeff Daniels (“Godless”) Robert De Niro (“The Wizard of Lies”) Ewan McGregory (“Fargo”) Jack O’Connell (“Godless”) Evan Peters (“American Horror Story: Cult”) Bill Pullman (“The Sinner”) Jimmy Tatro (“American Vandal”) MELHOR ATRIZ EM TELEFILME OU SÉRIE LIMITADA Jessica Biel (“The Sinner”) Alana Boden (“I Am Elizabeth Smart”) Carrie Coon (“Fargo”) Nicole Kidman (“Big Little Lies”) Jessica Lange (“Feud: Bette and Joan”) Reese Witherspoon (“Big Little Lies”) MELHOR ATOR COADJUVANTE EM TELEFILME SÉRIE LIMITADA Johnny Flynn (“Genius”) Benito Martinez (“American Crime”) Alfred Molina (“Feud: Bette and Joan”) Alexander Skarsgård (“Big Little Lies”) David Thewlis (“Fargo”) Stanley Tucci (“Feud: Bette and Joan”) MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM TELEFILME SÉRIE LIMITADA Judy Davis (“Feud: Bette and Joan”) Laura Dern (“Big Little Lies”) Jackie Hoffman (“Feud: Bette and Joan”) Regina King (“American Crime”) Michelle Pfeiffer (“The Wizard of Lies”) Mary Elizabeth Winstead (“Fargo”) MELHOR SÉRIE ANIMADA “Archer” “Bob’s Burgers” “BoJack Horseman” “Danger & Eggs” “Rick and Morty” “The Simpsons” MELHOR TALK SHOW “Ellen” “Harry” “Jimmy Kimmel Live!” “The Late Late Show with James Corden” “The Tonight Show Starring Jimmy Fallon” “Watch What Happens Live with Andy Cohen” MELHOR REALITY SHOW DESESTRUTURADO “Born This Way” “Ice Road Truckers” “Intervention” “Live PD” “Ride with Norman Reedus” “Teen Mom” MELHOR REALITY SHOW ESTRUTURADO “The Carbonaro Effect” “Fixer Upper” “The Profit” “Shark Tank” “Undercover Boss” “Who Do You Think You Are?” MELHOR REALITY SHOW DE COMPETIÇÃO “America’s Got Talent” “Chopped” “Dancing with the Stars” “Project Runway” “RuPaul’s Drag Race” “The Voice” MELHOR APRESENTADOR DE REALITY SHOW Ted Allen (“Chopped”) Tyra Banks (“America’s Got Talent”) Tom Bergeron (“Dancing With the Stars”) Cat Deeley (“So You Think You Can Dance”) Joanna and Chip Gaines (“Fixer Upper”) RuPaul (RuPaul’s Drag Race”)
Twin Peaks é o melhor “filme” do ano na lista da revista francesa Cahiers du Cinéma
A revista francesa Cahiers du Cinéma, ainda considerada importante por muitos críticos saudosos da nouvelle vague, divulgou sua lista dos melhores filmes do ano. E ela foi liderada por uma série: “Twin Peaks”. A menção seria ainda mais surpreendente se “Twin Peaks” já não tivesse aparecido em outra lista de publicação influente, no 2º lugar dos “melhores filmes” da britânica “Sight & Sound”, revista do British Film Institute. A publicação francesa não explicou porque achou uma série de TV melhor que os filmes lançados em 2017, mas “Twin Peaks” teve sua première mundial no Festival de Cannes, o mais importante evento cinematográfico da Europa, onde foi extremamente aplaudido. Além disso, “Twin Peaks” é uma obra autoral, que teve um único diretor comandando todos os seus episódios: David Lynch. A lista francesa também chama atenção pela pouca quantidade de títulos nacionais, que incluem apenas os novos filmes de Bruno Dumont e Philippe Garrel. Veja os títulos selecionados abaixo. Melhores do Ano: Revista Cahiers du Cinéma” 1. “Twin Peaks”, de David Lynch 2. “Jeannette: A Infância de Joana D’Arc”, de Bruno Dumont 3. “Certas Mulheres”, de Kelly Reichardt 4. “Corra!”, de Jordan Peele 5. “The Day After”, de Hong Sang-soo 6. “Lover for a Day”, de Philippe Garrel 7. “Bom Comportamento”, de Josh e Benny Safdie 8. “Fragmentado”, de M. “Night Shyamalan 9. “Jackie”, de Pablo Larraín 10. “A Longa Caminhada de Billy Lynn”, de Ang Lee
Academia revela filmes pré-selecionados para o Oscar de Melhores Efeitos Visuais
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos divulgou a lista dos filmes pré-selecionados para disputar a categoria de Melhores Efeitos Visuais do Oscar 2018. São 20 longas-metragens, que serão reduzidos a metade no fim de dezembro, antes da divulgação dos cinco finalistas. A lista é ampla e contempla os filmes utilizados com destaque no primeiro comercial do Oscar 2018. Nela, estão todos os lançamentos de super-heróis, a maioria das ficções científicas e as fantasias que se destacaram no ano. Alguns dos filmes, como “Star Wars: Os Últimos Jedi” e “Jumanji: Bem-Vindo à Selva”, ainda não estrearam nos cinemas. Confira abaixo, em ordem alfabética. Os cinco indicados ao Oscar serão anunciados em 23 de janeiro, quando a Academia revelar a lista completa de todos os concorrentes. A 90ª edição do prêmio mais importante da indústria americana do cinema acontecerá em 4 de março e será transmitida para 225 territórios, incluindo o Brasil – pelos canais Globo e TNT. “A Bela e a Fera” “A Forma da Água” “Alien: Covenant” “Blade Runner 2049” “Dunkirk” “Ghost in the Shell – A Vigilante do Amanhã” “Guardiões da Galáxia Vol. 2” “Homem-Aranha – De Volta ao Lar” “Jumanji: Bem-Vindo à Selva” “Logan” “Kong: Ilha da Caveira” “Liga da Justiça” “Mulher-Maravilha” “Okja” “Piratas do Caribe: A Maldição de Salazar” “Planeta dos Macacos: A Guerra” “Star Wars: Os Últimos Jedi” “Thor: Ragnarok” “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” “Vida”
Críticos de Los Angeles elegem Me Chame por Seu Nome como Melhor Filme do ano
A Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles divulgou os vencedores de sua premiação anual. E embora a temporada de distribuição de troféus mal tenha começado, a lista já assinala o surgimento das primeiras unanimidades. Assim como no Gotham Awards, a associação de Los Angeles considerou “Me Chame por Seu Nome” o Melhor Filme do Ano. Não só isso. O jovem Timothée Chalamet voltou a vencer como Melhor Ator. “Me Chame por Seu Nome”, que tem produção do brasileiro Rodrigo Teixeira, ainda rendeu reconhecimento para o diretor Luca Guadagnino. O cineasta italiano dividiu com o mexicano Guillermo del Toro, de “A Forma da Água”, o prêmio de Direção. O empate, na verdade, se estendeu ao número de prêmios dos dois filmes. “A Forma da Água” também conquistou três troféus. Os demais foram Melhor Fotografia, para Dan Laustsen, e Atriz, para Sally Hawkins. Os Melhores Coadjuvantes foram Laurie Metcalf (por “Lady Bird”) e Willem Dafoe (“Projeto Flórida”). Jordan Peele foi saudado como Melhor Roteirista por “Corra”. E Jonny Greenwood, da banda Radiohead, levou o prêmio de Trilha Sonora por “Trama Fantasma”, sua quarta parceria com o diretor Paul Thomas Anderson. Em resumo, prêmios para o cinema independente. Até uma produção indie venceu como Melhor Animação: “The Breadwinner”, desenho irlandês que desbancou “Viva – A Vida É uma Festa”. Apenas dois filmes de estúdio entraram na lista: o blockbuster “Dunkirk” e a sci-fi “Blade Runner 2049”, com vitórias em categorias técnicas. Para completar, a premiação também apontou convergência de opiniões em relação a Documentário e Filme em Língua Estrangeira. As produções francesas “Faces Places”, de Agnes Varda e JR, e “120 Batimentos por Minuto”, de Robin Campillo, são as que mais estão acumulando vitórias em suas categorias. Desta vez, o filme de Campillo empatou com o russo “Loveless”, de Andrey Zvyagintsev. São favoritos ao Oscar 2018. Veja abaixo a lista completa dos favoritos da crítica de Los Angeles. Melhores de 2017: Los Angeles Film Critics Association Melhor Filme: “Me Chame por Seu Nome” 2º lugar: “Projeto Flórida” Melhor Direção: Guillermo del Toro (“A Forma da Água”) e Luca Guadagnino (“Me Chame por Seu Nome”) – empate Melhor Atriz: Sally Hawkins (“A Forma da Água”) 2º lugar: Frances McDormand (“Três Anúncios para um Crime”) Melhor Ator: Timothée Chalamet (“Me Chame por Seu Nome”) 2º lugar: James Franco (“O Artista do Desastre” Melhor Atriz Coadjuvante: Laurie Metcalf (“Lady Bird”) 2º lugar: Mary J. Blige (“Mudbound”) Melhor Ator Coadjuvante: Willem Dafoe (“Projeto Flórida”) 2º lugar: Sam Rockwell (“Três Anúncios para um Crime”) Melhor Animação: “The Breadwinner” 2º lugar: “Viva – A Vida É uma Festa” Melhor Filme em Língua Estrangeira: “120 Batimentos por Minuto” (França) e “Loveless” (Rússia) – empate Melhor Documentário: “Faces Places” 2º lugar: “Jane” Melhor Roteiro: Jordan Peele (“Corra”) 2º lugar: Martin McDonagh (“Três Anúncios Para um Crime”) Melhor Edição: Lee Smith (“Dunkirk”) 2º lugar: Tatiana S. Riegel (“I, Tonya”) Melhor Design de Produção: Dennis Gassner (“Blade Runner 2049”) 2º lugar: Paul D. Austerberry (“A Forma da Água”) Melhor Trilha Sonora: Jonny Greenwood (“A Trama Fantasma”) 2º lugar: Alexandre Desplat (“A Forma da Água”) Melhor Fotografia: Dan Laustsen (“A Forma da Água”) 2º lugar: Roger Deakins (“Blade Runner 2049”) Melhor Filme/Video Experimental: “Purge This Land” Prêmio pela Carreira: Max von Sydow
Ana Maria Nascimento e Silva (1952 – 2017)
Morreu a atriz Ana Maria Nascimento e Silva, que foi musa do cinema nacional, participou de novelas e minisséries de sucesso da Globo e era viúva do cineasta Paulo César Saraceni. Ela tinha 65 anos e faleceu na noite de quinta-feira (30/11), em decorrência de complicações geradas por um câncer de mama. Filha do grego Harry Anastassiadi, ex-presidente da Fox Film para a América Latina, Ana Maria nasceu no Rio de Janeiro em 12 de abril de 1952, formou-se em História da Arte e acumulou vários cursos de extensão na Europa, antes de estrear no cinema em 1976 no drama “Marcados para Viver”. No ano seguinte, fez sua primeira novela, “Nina”, de Walter Durst. Mas em vez de seguir carreira na TV, opção de maior visibilidade, ela optou pelo cinema, aparecendo em vários filmes dos anos 1970, entre eles o clássico “Ladrões de Cinema” (1977), de Fernando Cony Campos, e “Os Trombadinhas” (1979), de Anselmo Duarte, estrelado por Pelé. Sua beleza marcou o final da década, quando ela passou a atuar nos filmes da Boca do Lixo, durante o boom da pornochanchada. Fez diversos filmes do gênero, como “A Força do Sexo” (1978), “Desejo Violento” (1978), “A Mulher Sensual” (1981) e o hilário “Bem-Dotado – O Homem de Itu”, em que tentava seduzir o personagem-título, vivido por Nuno Leal Maia. A carreira teve uma grande virada nos anos 1980, após ela encontrar o cineasta Paulo César Saraceni, um dos criadores do Cinema Novo. Encantado por sua beleza, o diretor criou um filme especialmente para que ela protagonizasse, “Ao Sul do Meu Corpo” (1982). A atração virou casamento. E a partir daí Ana Maria passou a ter participação importante na obra de Saraceni, atuando em “Natal da Portela”, em 1988, e, sobretudo, virando sua grande parceira, ao assumir outro aspecto do trabalho cinematográfico: a produção. Paralelamente, passou a se focar na carreira televisiva. Seu retorno à Globo se deu na minissérie “Quem Ama Não Mata” (1982), uma das mais comentadas dos anos 1980, que questionava a justificativa machista dos crimes passionais. E emendou diversas novelas, como “Jogo do Amor” (1985), “Tudo ou Nada” (1986), “O Salvador da Pátria” (1989), “Gente Fina” (1990), “Quatro por Quatro” (1994) e “Zazá” (1997), nas quais ofuscou muitos protagonistas com seu sorriso largo, olhos azuis intensos e porte aristocrático que iluminavam os cenários. Ela também comandou um programa de entrevistas na CNT e fez parte do time de jurados de calouros do “Cassino do Chacrinha”. E se toda esta exposição televisiva a tornou mais conhecida, não a afastou de sua paixão cinematográfica. Ana Maria valorizou sua filmografia com três filmes do diretor Djalma Limongi Batista, “Asa Branca – Um Sonho Brasileiro” (1980), “Brasa Adormecida” (1987) e “Bocage – O Triunfo do Amor” (1997). Participou ainda de “A Terceira Margem do Rio” (1994), de Nelson Pereira dos Santos, e da co-produção Brasil/Portugal “Eternidade” (1995), de Quirino Simões. E, além de atuar, ajudou o marido a produzir seu projeto dos sonhos, “O Viajante” (1998), final de uma trilogia dedicada aos romances de Lúcio Cardoso (1912–1968), iniciada em 1963 com o clássico “Porto das Caixas”. Assinou ainda a produção de mais dois filmes de Saraceni: o documentário “Banda de Ipanema – Folia de Albino” (2003) e “O Gerente”, o último e mais belo filme do cineasta, que veio a falecer em 14 de abril de 2012. “O Gerente” marcou também a última aparição da atriz nas telas, que mergulhou num longo luto e se afastou definitivamente das câmeras. Sua passagem pelo cinema brasileiro deixa saudades pela paixão que dedicou à arte, chegando inclusive a idealizar um festival, o Paracine, primeira mostra cinematográfica realizada em Paraty, no litoral fluminense, em 2002 – evento que abriu caminho para um festival anual, realizado até hoje.
Lady Bird é eleito melhor filme do ano pelos críticos de Nova York
A rodada das listas de melhores do ano da crítica americana teve sua segunda votação divulgada. Após o National Board of Review, é a vez do New York Film Critics Circle, Associação de Críticos de Cinema de Nova York, revelar seus favoritos. A votação divulgada nesta quinta-feira (30/11) elegeu “Lady Bird” o Melhor Filme de 2017 e confirmou que os filmes independentes são os grandes destaques da temporada. Primeiro longa dirigido pela atriz Greta Gerwig (de “Frances Ha”), “Lady Bird” encantou a crítica americana, conseguindo estabelecer um recorde de aprovação no site Rotten Tomatoes, como o filme mais elogiado de todo o site. Além de Melhor Filme, também rendeu o prêmio de Melhor Atriz para Saoirse Ronan. A trama é baseada na juventude de Gerwig e acompanha uma garota (Ronan) do Norte da Califórnia, que é tratada como ovelha negra da família pela própria mãe (Laurie Metcalf, a mãe de Sheldon na série “The Big Bang Theory”), mas ela própria se vê como uma joaninha (ladybird), querendo voar. Apesar de “Lady Bird” ser um filme estreante, curiosamente, o eleito como Melhor Diretor Estreante foi outro: Jordan Peele, de “Corra!”. O segundo filme mais votado foi “Projeto Flórida”, que rendeu os prêmios de Melhor Direção para Sean Baker e Melhor Ator para Willem Dafoe. Dafoe, por sinal, foi o único veterano a conquistar reconhecimento nas categorias de interpretação. Na eleição dos Melhores Coadjuvantes, Timothée Chalamet voltou a vencer um prêmio por “Me Chame por Seu Nome”, enquanto uma inesperada Tiffany Haddish surpreendeu ao ganhar pela comédia “Girls Trip”. Veja a lista completa dos favoritos da crítica nova-iorquina abaixo. Melhores de 2017: New York Film Critics Circle Melhor Filme: “Lady Bird” Melhor Direção: Sean Baker, de “Projeto Flórida” Melhor Ator: Timothée Chalamet, por “Me Chame por Seu Nome” Melhor Atriz: Saoirse Ronan, por “Lady Bird” Melhor Ator Coadjuvante: Willem Dafoe, por “Projeto Flórida” Melhor Atriz Coadjuvante: Tiffany Haddish, por “Girls Trip” Melhor Roteiro: Paul Thomas Anderson, por “A Trama Fantasma” Melhor Direção de Fotografia: Rachel Morrison, por “Mudbound” Melhor Filme Estrangeiro: “120 Batimentos por Minuto” (França), de Robin Campillo Melhor Documentário: “Faces Places” (França), de Agnès Varda Melhor Animação: “Viva: A Vida é uma Festa” Melhor Filme de Diretor Estreante: “Corra!”, de Jordan Peele Prêmio Especial: Molly Haskell (crítica de cinema do The New York Times)
Jogos Mortais: Jigsaw é a maior estreia em semana de horror nos cinemas
A volta da franquia de torturas “Jogos Mortais” é a maior estreia desta semana, marcada pelo horror nos cinemas. São quatro lançamentos do gênero, inclusive um brasileiro e outro que tenta vaga no Oscar 2018, entre as 14 novidades da programação. A maioria dos filmes da lista são produções nacionais e todos os trailers podem ser assistidos com cliques nos títulos dos filmes abaixo. Dirigido pelos irmãos gêmeos Michael e Peter Spierig (da elogiada sci-fi “O Predestinado”), “Jogos Mortais: Jigsaw” gira em torno de uma nova série de assassinatos brutais, com os mesmos requintes de tortura e sadismo associados ao serial killer John Kramer. Só que o homem conhecido como Jigsaw está morto há mais de uma década, como os fãs da franquia puderam testemunhar. A investigação sobre a identidade do assassino conduz a trama, que é basicamente a mesma de sempre. Tanto que, para a crítica americana, Jigsaw deveria ter ficado enterrado. As avaliações foram negativas, com 34% no Rotten Tomatoes. A classificação etária é para maiores de 18 anos. O grande circuito também destaca o suspense “Assassinato no Expresso do Oriente”, nova adaptação do famoso mistério de Agatha Christie sobre um assassinato cometido a bordo de um trem. Graças à conveniência literária/cinematográfica, também viaja neste mesmo trem aquele que se apresenta como “o maior detetive do mundo”, Hercule Poirot, que se propõe a responder à pergunta básica dos enredos do gênero: “quem matou”. E quem leu o livro original, publicado em 1934, ou viu a adaptação clássica de 1974, sabe que a resposta é a mais absurda dentre todos os textos da escritora. O detetive belga é vivido por Kenneth Branagh (“Operação Sombra: Jack Ryan”), que se divide em cena, atuando também atrás das câmeras como diretor do longa-metragem. E a impressionante lista de suspeitos inclui Johnny Depp (“Piratas do Caribe”), Michelle Pfeiffer (“Sombras da Noite”), Daisy Ridley (“Star Wars: O Despertar da Força”), Willem Dafoe (“Meu Amigo Hindu”), Penelope Cruz (“O Conselheiro do Crime”), Judi Dench (“007 – Operação Skyfall”), Josh Gad (“A Bela e a Fera”), Derek Jacobi (“Cinderela”), Olivia Colman (série “Broadchurch”) e Lucy Boynton (“Sing Street”). Entretanto, apesar deste elenco, o melhor do filme é a parte técnica, especialmente a direção de arte, que rendeu 58% de aprovação no Rotten Tomatoes – contra 91% da versão de 1974. Para o público infantil, a animação “A Estrela de Belém” mostra como animais falantes ajudaram José e Maria a dar a luz ao Natal. Na verdade, o desenho conta a velha história do nascimento de Jesus, com judeus malvados no encalço de José e Maria, os Reis Magos e a estrela D’alva – que é referenciada no título. Só que esta versão é narrada pelos bichos do presépio, que vivem inúmeras presepadas ignoradas pelo Novo Testamento. Com baixo orçamento, os bichos falantes chegam a lembrar personagens de outras produções, numa animação de aparência tosca, considerada medíocre com 51% no Rotten Tomatoes. O maior lançamento nacional é “Os Parças”, o besteirol da semana. Repleto de referências antigas – Fábio Júnior, É o Tchan – , que ajudam a definir seu humor como datado, é basicamente um quadro do programa “Zorra Total” antes da reformulação, em que um grupo de comediantes careteiros e cheios de frases de efeito (que funcionam como bordões) tenta dar golpes em festas de casamento, conseguindo se mostrar mais incompetente que “Os Penetras”. Os “parças” do título são vividos pelo youtuber Whindersson Nunes (“Os Penetras 2”), Bruno de Luca (“Copa de Elite”), Tirullipa (filho de Tiririca) e Tom Cavalcante (do “Zorra Total”) em sua estreia no cinema. Estes trapalhões dão saudades dos Trapalhões, ao estrelarem a pior comédia do ano. Já o pior estrangeiro da semana é “Screamers”, um terror no estilo “found footage” (vídeos encontrados), que junta site de compartilhamento de vídeos, lenda urbana e gravações amadoras – e nem sequer foi lançado em seu próprio país, os Estados Unidos. “Patti Cake$” abre a parte boa da programação, com 82% de aprovação. A história da rapper aspirante Patricia Dombrowski, aka Patti Cake$, em sua busca inglória por reconhecimento na periferia de Nova Jersey, é um dos filmes que mais chamou atenção na cena independente americana em 2017, combinando história de superação, comédia e música. Lançado no Festival de Sundance, passou por Cannes, foi premiado em Seattle e está indicado ao Spirit Awards. A intérprete da personagem-título, Danielle Macdonald, é uma das revelações do ano. Coprodução da Polônia e do Reino Unido, “Com Amor, Van Gogh” é uma animação para adultos e um trabalho de beleza rara. Com direção da pintora e cineasta polonesa Dorota Kobiela (“The Flying Machine”) e do britânico Hugh Welchman (que venceu o Oscar em 2008 pelo curta animado “Pedro e o Lobo”), o filme tem cada um de seus frames pintados manualmente como se fossem quadros. Trata-se do primeiro desenho animado inteiramente pintado a mão, usando a técnica de pintura a óleo. Isto demandou o envolvimento de uma equipe com mais de cem pintores, que trabalham arduamente no projeto desde 2012. Todo esse esforço também tem função de metalinguagem, ao ser utilizado para contar a história do pintor holandês Vincent Van Gogh, utilizando suas próprias pinturas como cenários e personagens – numa cinebiografia completamente inusual. 81% no Rotten Tomatoes. Estreia com maior cotação da semana, “Thelma” conquistou 89% de aprovação no “tomatômetro”. Terror norueguês de temática lésbica, dirigido por Joaquim Trier com ecos de “Carrie, a Estranha” (1976), o filme mostra uma menina reprimida (Eili Harboe, de “A Onda”) que começa a manifestar poderes psíquicos destrutivos de forma inconsciente, ao sentir atração por uma colega de aula (a cantora Kaya Wilkins, mais conhecida pelo nome artístico de Okay Kaya). O clima é bastante sensual, graças à beleza da fotografia e das jovens, mas também muito tenso. Após três dramas sóbrios e realistas – “Começar de Novo” (2006), “Oslo, 31 de Agosto” (2011) e “Mais Forte que Bombas” (2015) – , a temática de “Thelma” surpreende na filmografia de Trier pelo apelo paranormal. Mas a qualidade permanece, já que foi selecionado como candidato da Noruega a uma vaga no Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira. A última das quatro estreias de terror é a produção maranhense “Lamparina da Aurora”. Premiado no Festival de Tiradentes, o longa tem direção de Frederico Machado, proprietário da Lume Filmes e também responsável por um festival no Nordeste, e enfatiza atmosfera e silêncios sobre a narrativa. Descrito como uma fábula existencial sobre o tempo, o corpo e a natureza, a trama acompanha um casal de idosos que recebe a visita de um jovem misterioso todas as noites na fazenda abandonada em que vivem. “Antes o Tempo Não Acabava” chega aos cinemas quase dois anos após iniciar sua trajetória internacional pelo Festival de Berlim de 2016. Rodado na Amazônia, o filme acompanha a história de um índio que enfrenta os líderes da sua comunidade e as tradições de seu povo para ir morar sozinho no centro de Manaus. Dividido entre rituais da tribo e a noite gay da capital do Amazonas, ele busca encontrar sua identidade como cidadão – seu “nome de branco”. “Antes o Tempo Não Acabava” é o segundo longa do amazonense Sérgio Andrade, após o também premiado “A Floresta de Jonathas” (2012), e marca a estreia na direção de Fábio Baldo, que editou “A Floresta de Jonathas”. A temática LGBT+ lhe rendeu a vitória no Queer Lisboa 2016, Festival Internacional de Cinema Queer, realizado em Portugal. A luta por direitos da comunidade LGBT+ também tem destaque no documentário “Meu Corpo é Político”, que aborda o cotidiano de quatro militantes que vivem na periferia de São Paulo: Linn da Quebrada, artista e professora de teatro, Paula Beatriz, diretora de escola pública no Capão Redondo, Giu Nonato, jovem fotógrafa em fase de transição, e Fernando Ribeiro, estudante e operador de telemarketing. Em discussão, temas como representatividade social e identidade de gênero. Outro documentário, “Camara de Espelhos”, busca retratar a identidade feminina. Por meio de entrevistas realizadas com vários homens da Região Metropolitana de Recife, o filme visa mostrar como os homens enxergam o papel das mulheres na sociedade e reflete as violências sofridas pelas pessoas do sexo feminino no Brasil. A história africana é explorado na coprodução entre Brasil, Portugal e Moçambique “Yvone Kane”, drama de ficção estrelado por Irene Ravache (“Memórias que Me Contam”), que acompanha uma investigação jornalística sobre a trajetória de uma antiga guerrilheira, morta na luta pela independência moçambicana. A diretora Margarida Cardoso nasceu na antiga colônia portuguesa, onde também filmou sua estreia, “A Costa dos Murmúrios” (2004), mas não faz thriller político ao delinear a personagem do título, usando-a apenas como pano de fundo de uma história sobre perdas. A programação ainda tem o bem-intencionado, mas amador “Cromossomo 21”, história de amor de uma adolescente com Síndrome de Down. Totalmente independente, tem roteiro louvável.
Semana da Black Friday tem grande queima de filmes ruins, com 15 estreias nos cinemas
Nada menos que 15 estreias chegam aos cinemas nesta semana. Quase metade desse total são lançamentos brasileiros e apenas duas produções vem de Hollywood. Apesar dessa proporção, os dois filmes americanos ocupam mais cinemas que todos os demais juntos. Eles são a framboesa dourada da programação: os piores títulos da lista, que exagera na oferta e economiza na qualidade. Com uma ou outra exceção, trata-se da maior queima de filmes ruins do ano, uma verdadeira Black Week. Lançamento mais amplo, a comédia “Pai em Dose Dupla 2” traz a continuação de uma história já encerrada, que não tem para onde ir. Como o conflito original dos personagens foi resolvido no primeiro filme, a trama opta pela fórmula estabelecida na franquia “Entrando Numa Fria” (2000), tornando a sequência “Maior Ainda” (2004) com a inclusão de mais parentes. Após se acertarem e ficarem amigos, o pai e o padrasto vividos por Mark Wahlberg e Will Ferrell terão que lidar com seus próprios pais, vividos, respectivamente, por Mel Gibson (“Herança de Sangue”) e John Lithgow (série “The Crown”). Claro que o primeiro é durão e o segundo amoroso em excesso, e todos terão que conviver durante um Natal em família. Pouco original, a comédia é também sem graça. 17% na avaliação do Rotten Tomatoes. Grande decepção do ano, “Boneco de Neve” tinha a expectativa de ser a primeira adaptação hollywoodiana de um romance de Jo Nesbø, o mestre do suspense nórdico. Com um elenco encabeçado por Michael Fassbender (“X-Men: Apocalipse”) e Rebecca Ferguson (“Missão: Impossível – Nação Secreta”), a trama gira em torno de um serial killer obcecado por degolar mulheres e usá-las em bonecos de neve mórbidos. Mas o que acontece em cena não faz sentido – além do trailer ter entregado todas as reviravoltas. O resultado é tão ruim que ficou com apenas 8% no Rotten Tomatoes e fez o diretor Tomas Alfredson (“O Espião que Sabia Demais”) confessar não ter conseguido filmar todo o roteiro no tempo estipulado pelo estúdio. Um desperdício completo. Assim, a melhor alternativa para acompanhar um pipocão de 2 litros vem da Coreia do Sul. De fato, “A Vilã” é o único filme recomendado pela Pipoca Moderna nesta semana, embora também seja pouco original. O thriller de ação acompanha uma jovem treinada para se tornar assassina profissional de uma agência secreta e é estrelado por Kim Ok-bin (“Sede de Sangue”), que estudou artes marciais antes de virar atriz e até então nunca tivera chance de mostrar suas habilidades. A premissa é realmente a mesma de “Nikita – Criada Para Matar” (1990), a melhor ideia da carreira de Luc Besson – que já tinha sido reciclada no mercado asiático em “Black Cat” (1991), a “versão” made in Hong Kong. O novo filme escapa das armadilhas genéricas graças ao ritmo frenético da direção de Jung Byung-gil (“Confissão de Assassinato”), que é de tirar o chapéu – ou aplaudir de pé, como aconteceu no Festival de Cannes deste ano. Tem 82% de aprovação no Rotten Tomatoes. Fãs da cultura oriental também podem ser tentados pela animação “Por Que Vivemos”. Mas apesar de explorar imagens de lutas marciais, não se trata de um anime de kung fu. Trata-se da adaptação do best-seller de auto-ajuda homônimo, que transforma questionamentos existenciais em espiritualismo didático, com a distração de samurais, kung fu e monges, num desenho muito amador em relação à reconhecida qualidade das animações japonesas. Em outras palavras: um caça-niqueis budista, que não se constrange ante sua contradição inerente. As inevitáveis exibições francófonas da semana são “Barreiras” e “Lola Pater”, que tem o mesmo destaque em comum: grandes divas francesas. O primeiro traz Isabella Huppert (“Elle”) como uma avó que criou a neta e precisa lidar com o retorno da filha, enquanto o segundo tem Fanny Ardant (a eterna “A Mulher do Lado”) como o pai que virou mulher e precisa lidar com o ressurgimento do filho. A distinção de “Lola Pater” é o fato de a família ser muçulmana, o que insere o tema LGBT+ numa cultura extremamente homofóbica. Há também um filme argentino e outro uruguaio, e ambos foram premiados em festivais brasileiros. “Ninguém Está Olhando”, de Julia Solomonoff (“O Último Verão de La Boyita”), foi o grande vencedor do Cine Ceará deste ano e acompanha um astro latino que tenta carreira nos Estados Unidos e não consegue deslanchar – muito loiro para viver latino, com sotaque para interpretar americano – , espelhando trajetórias que costumam se repetir. Já “Os Golfinhos Vão para o Leste” premiou a atriz e codiretora Verónica Perrotta no Festival de Gramado do ano passado. Na trama, ela visita o pai gay e ícone da noite de Punta Del Este, para contar que está grávida. No besteirol que se segue, ambos fingem que são uma família feliz com a novidade. As demais estreias são nacionais. Com maior repercussão, “Não Devore Meu Coração”, primeiro filme solo de Felipe Bragança (codiretor de “A Alegria”), foi exibido nos prestigiosos festivais de Sundance e Berlim, mas fracassou diante da crítica internacional (20% no Rotten Tomatoes), apesar da premissa instigante, bela fotografia e Cauã Raymond (“Alemão”) cada vez melhor em cena. Passado na fronteira entre Brasil e Paraguai, o filme acompanha a história de dois irmãos. Enquanto o mais velho (Reymond) integra uma gangue de motoqueiros em conflito com jovens guaranis, o mais novo se apaixona por uma menina paraguaia. A ambição do roteiro, que envereda pelo faroeste caboclo, nem sempre está à altura do desafio das tramas paralelas e da simbologia de antagonismos remanescentes do século 19. “Quando o Galo Cantar pela Terceira Vez Renegarás Tua Mãe” combina suspense, voyeurismo, esquizofrenia e drama homossexual, numa história sobre um porteiro que vive com uma mãe opressora e desenvolve uma obsessão doentia por um morador. Primeiro longa dirigido por Aaron Salles Torres, roteirista de comédias do Multishow, também é melhor no papel do que na tela. “A Filosofia na Alcova” adapta a obra homônima e perigosa do Marquês de Sade, com produção e encenação do grupo teatral Satyros, numa combinação de trajes de época, maquiagem de pó de arroz e cenários da São Paulo contemporânea. Entretanto, o que chama mais atenção são suas cenas de sexo, praticamente pornográficas, com direito à maior orgia já filmada no Brasil. Evocativo do cinema sexual dos anos 1970, pode chocar quem se acostumou à produção nacional assexuada do século 21, mas as raízes teatrais da encenação – Os Satyros já tinham encenado o texto no palco – mantém o sexo seguro na categoria “de arte”. Com um bônus: não se arrasta na tela, durando 78 minutos para atingir seu clímax na cara dos telespectadores. O besteirol nacional da semana, “Rúcula com Tomate Seco”, é um exemplo típico desse cinema assexuado que fala de sexo o tempo inteiro, atualmente em voga no Brasil. E consegue ser fraco mesmo entre os exemplares do gênero, feito série humorística do Multishow. Escrito, dirigido e estrelado por Arthur Vinciprova, que já tinha acumulado duas dessas funções em “Turbulência” (2016), é uma sucessão de esquetes que incluem a atriz de novela Juliana Paiva (“A Força do Querer”) na função de interesse sexual/romântico do autor/ator. Completam a programação três documentários. Mais convencional, “Lygia, Uma Escritora Brasileira” é uma produção da TV Cultura sobre a escritora Lygia Fagundes Telles, que combina imagens de arquivo e depoimentos. Mais instigante, “Gabeira” traz as opiniões contundentes do jornalista Fernando Gabeira, além de traçar sua história com imagens de arquivo, desde o combate à ditadura, a anistia e a famosa tanga, que escandalizou o Rio em sua volta do exílio, até sua decepção com o populismo petista. Mais cinematográfico, “Xingu Cariri Caruaru Carioca” foi o vencedor da mostra competitiva nacional do Festival In-Edit Brasil 2016 e acompanha o músico Carlos Malta a quatro pontos do Brasil em busca da história nacional das flautas, numa jornada que o leva a tribos indígenas e ao encontro de artistas importantes da tradição do pífano, como João do Pife e Dona Isabel Marques da Silva, a “Zabé da Loca”. Clique nos títulos dos filmes citados para assistir a todos os trailers das estreias da semana.












