The Jesus Rolls: Filme derivado de O Grande Lebowski ganha primeiro teaser
A Screen Media Films divulgou o pôster e o primeiro teaser de “The Jesus Rolls”, filme em que John Torturro retoma o personagem Jesus Quintana do clássico “O Grande Lebowski” (1998). A prévia revela apenas que, 22 anos depois do filme original dos irmãos Coen, Jesus continua jogando boliche. Turturro falava há anos sobre seu interesse em um spin-off sobre Jesus Quintana, o jogador de boliche machista, egocêntrico e pervertido de “O Grande Lebowski”. De tanto pedir, ganhou a benção dos Coen para escrever, dirigir e logicamente estrelar um filme sobre o personagem. A produção foi rodada em 2016, quando estava sendo chamada de “Going Places”. Desde aquela época, falava-se que a trama era, na verdade, um remake de “Corações Loucos” (Les Valseuses, 1974), de Bertrand Blier, longa francês que o célebre crítico Roger Ebert chamou de “o filme mais misógino que consigo lembrar”. No filme francês, dois criminosos abobalhados se envolviam com uma mulher sexualmente insatisfeita. A sinopse oficial confirma a história: “Jesus Quintana (Torturro) se junta a outros desajustados, Petey (Bobby Cannavale) e Marie (Aubrey Tautou), e embarca em uma viagem sem destino cheia de crimes e romance”. O elenco da produção também inclui Susan Sarandon (“A Intrometida”), Christopher Walken (“Sete Psicopatas e um Shih Tzu”), Pete Davidson (do humorístico “Saturday Night Live”), John Hamm (“Em Ritmo de Fuga”) e a brasileira Sonia Braga (“Bacurau”). O filme já foi lançado na Itália, após ser exibido no Festival de Roma no ano passado com críticas negativas. A estreia nos EUA está marcada para 28 de fevereiro e ainda não há previsão para o lançamento no Brasil.
César 2020: Novo filme de Polanski lidera lista de indicados ao “Oscar francês”
A Academia francesa ignorou a polêmica em torno do cineasta Roman Polanski para consagrar seu novo filme, “O Oficial e o Espião” (J’accuse), na lista de indicados ao César, o equivalente francês ao Oscar. O longa de Polanski sobre o julgamento histórico do militar judeu Alfred Dreyfus foi o que mais recebeu indicações ao prêmio, aparecendo 12 vezes na relação oficial. Com isso, superou “Os Miseráveis”, que disputa o Oscar de Melhor Filme Internacional, e outro favorito, “La Belle Époque”, de Nicolas Bedos. Ambos atingiram 11 indicações cada. “O Oficial e o Espião” teve sua estreia marcada por protestos feministas na França, após o surgimento de mais uma acusação de estupro contra o diretor, que, como as demais, teria acontecido há várias décadas. Polanski chegou a ser expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA em 2018, quando o movimento #MeToo relembrou seu caso e disparou acusações antigas. Na ocasião, o diretor chamou a atitude de hipocrisia, já que sua condenação por abuso de menor era pública desde os anos 1970, e isso não impediu a Academia americana de lhe consagrar com um Oscar, por “O Pianista” (2002). Contrariando a nova posição dos organizadores do Oscar, o presidente da Academia Francesa, Alain Terzian, disse que o César “não deve adotar posições morais”, ao anunciar os indicados nesta quarta-feira. “Se eu não estiver equivocado, 1,5 milhão de franceses assistiram ao filme”, completou. De fato, a estreia de “O Oficial e o Espião” foi a mais bem-sucedida da carreira de Polanski, batendo o recorde de público de sua trajetória como cineasta, apesar de enfrentar uma ameaça de boicote, depois que a fotógrafa Valentine Monnier disse à imprensa que Polanski a violentara em 1975, quando ela tinha 18 anos. O diretor negou a acusação por meio de seu advogado. Polanski é considerado foragido da Justiça dos Estados Unidos, onde em 1977 foi condenado de estuprar uma menor de 13 anos. Além das indicações ao César, “O Oficial e o Espião” também concorreu ao prêmio da Academia Europeia, mas perdeu. Em compensação, venceu o Grande Prêmio do Júri do Festival de Veneza no ano passado. O filme finalmente teve sua estreia no Brasil confirmada. “O Oficial e o Espião” chega por aqui em 13 de março. Já a cerimônia do César 2020 acontecerá em 28 de fevereiro, em Paris.
Retrato de uma Jovem em Chamas é uma história de amor tão romântica quanto política
A relação que temos com alguns filmes é semelhante a uma história de amor: queremos que o filme fique um pouco mais com a gente, que aqueles sentimentos experienciados durante a sessão permaneçam não só na memória afetiva, mas também em nosso próprio corpo. “Retrato de uma Jovem em Chamas”, de Céline Sciamma (“Tomboy”), narra de maneira lenta e gradual a história de amor de duas jovens mulheres. Uma delas, Marianne (Noémie Merlant, de “Curiosa”), é a pintora e chega a uma ilha afastada para pintar o retrato de uma mulher recém-saída de um convento para o noivado com um desconhecido italiano. A outra, que dá título ao filme, é Héloïse (Adèle Haenel, de “Amor à Primeira Briga”), e, a princípio, o sentimento que mais passa no olhar e nos gestos dessa jovem é de raiva. Casar com um homem que sequer viu na vida não lhe parece algo muito agradável. A missão de Marianne é acompanhar Héloïse em caminhadas e, a partir da observação atenta de artista, ir formando a memória do rosto e do corpo da retratada. Isto porque não pode revelar que está pintando um retrato, pois a jovem se recusaria, como já fez anteriormente. Apresentada como dama de companhia, o olhar íntimo de Marianne é prontamente aceito. E logo acaba se tornando um olhar de desejo. Como o filme não deixa claro os pensamentos de cada uma, grande parte dessa expressão se dá por meio de gestos. E é curioso como esses gestos são verbalizados pelas duas protagonistas em determinada cena, quando elas passam a se conhecer melhor. Essa verbalização também é um ponto crucial para a criação de uma das cenas mais lindas do filme: em que as duas falam da memória de sua história de amor vivida. Compartilhar essas experiências é um privilégio que poucos casais têm. E eis o motivo de tal cena, tão impregnada de melancolia, ser também um momento de alegria. Um detalhe importante neste trabalho da cineasta francesa Céline Sciamma, que venceu o troféu de Melhor Roteiro no Festival de Cannes, é que praticamente não há homens em sua narrativa. Nem mesmo o sujeito que engravida a empregada (Luàna Bajrami, de “O Professor Substituto”) aparece em cena. Aquele espaço é das mulheres, e por isso há tantas situações em que elas compartilham alegria (jogando cartas, ouvindo um coral ao redor de uma fogueira etc) e também dor, como na cena do aborto. Aliás, essa cena foi construída de tal maneira para que expressasse uma dor muito além da dor física. A diretora de fotografia, Claire Maton, que contribui muito para a criação de texturas belíssimas, semelhantes a pinturas, é a mesma de “Um Estranho no Lago” e “Atlantique”, para citar dois filmes consagrados pela crítica. Quanto ao envolvimento afetivo das duas mulheres, cada plano é de fundamental importância, por mais que as duas, lá no final, digam ter perdido tempo, ao demorarem em sua aproximação. Essa verbalização serve mais para deixar claro o sentimento mencionado no primeiro parágrafo: a vontade de querer mais tempo ao lado de quem se ama. Como um filme escrito e dirigido por uma mulher e também como um exemplar deste momento de conscientização mais clara a respeito do papel da mulher na sociedade, “Retrato de uma Jovem em Chamas” é uma das obras mais importantes do cinema recente, conseguindo ser tanto uma história de amor impossível (e por isso tão bela quanto as mais belas tragédias clássicas) quanto um manifesto político.
Spcine Play disponibiliza MyFrenchFilmFestival de graça em streaming
A Spcine Play, plataforma de streaming da Spcine, disponibilizou gratuitamente nesta quinta (16/1) nada menos que 26 filmes do MyFrenchFilmFestival, um dos mais conhecidos festivais de cinema francês do mundo. Atualmente presidida pela cineasta Laís Bodanzky (“Como Nossos Pais”), a empresa paulistana de cinema tem fechado parcerias importantes com vários festivais para oferecer um menu variado de produções gratuitas. O evento francês é a mais nova inclusão nessa lista de curadoria refinada. O festival, que está chegando a sua 10ª edição, foi fundado em 2011 pela UniFrance e oferece todos os anos, entre janeiro e fevereiro, uma apanhado do cinema francês contemporâneo. Mas com uma particularidade: o My French Film Festival é totalmente virtual, só podendo ser visto online. Entre os longas que estão sendo disponibilizados na Spcine Play estão “Les Fauves” (As Feras), do diretor Vincent Mariette, que é estrelado por Lily-Rose Depp, a filha do astro Johnny Depp, e o documentário “La Grand-Messe” (A Grande Missa) de Méryl Fortunat-Rossi e Valéry Rosier, vencedor do Festival de Trento. A programação também inclui curtas, como “Diversion” (Diversão), de Mathieu Mégemont, vencedor do Festival de Gérardmer. A programação da Spcine Play pode ser acessada em todo o Brasil pelo site www.spcineplay.com.br, sem necessidade de cadastro. Os filmes da 10ª edição do MyFrenchFilmFestival estão disponíveis apenas entre os dias 16 de janeiro e 16 de fevereiro de 2020. Apenas um deles não é inédito no Brasil: “Jessica Forever”, sci-fi que chegou aos cinemas brasileiros em outubro passado. Confira abaixo o trailer oficial do evento virtual e a lista completa das obras disponíveis. Jessica Forever (Jessica Forever) – 2018 Les Confins Du Monde (Os Confis do Mundo) – 2018 Exfiltres (Resgatados) – 2019 L’Aventura Atomique (Aventura Atômica) – 2019 Le Vent Tourne (O Vento Muda) – 2018 Plein Ouest (Pleno Oeste) – 2019 Une SŒUR (Uma Irmã) – 2018 Les Météorites (Os Meteoritos) – 2018 Le Chant D’Ahmed (O Canto de Ahmed) – 2019 Gronde Marmaille (Ralha-Criançada) – 1997 MA 6-T VA CRACK-ER (Meu bairro vai rachar) – 1997 La Nuit Des Sacs Plastiques (A Noite dos sacos plásticos) – 2018 After The Rain (Depois da chuva) – 2018 Le Rêve de Sam (O Sonho de Sam) – 2019 Stuffed (Stuffed) – 2019 Le Tigre Sans Rayures (O Tigre sem riscas) – 2018 Turbopéra (Turbopéra) – 2018 Le Discours D’acceptation Glorieux de Nicolas Chauvin (O Discurso glorioso de aceitação de Nicolas Chauvin) – 2018 Perdrix (Perdrix) – 2019 Pile Poil (Pelo Menos) – 2019 La Traction Des Poles (A Tração dos Polos) – 2019 Fais Croquer (Abocanhar) – 2012 Les Fauves (As Feras) – 2018 Diversion (Diversão) – 2018 Duelles (Instinto Materno) – 2018 La Grande Messe (A Grande Missa) – 2018
Diretor da animação O Espanta Tubarão é preso sob acusação de estupro
O diretor francês de animações Eric “Bibo” Bergeron foi preso e indiciado por uma acusação de estupro nesta quinta-feira (16/1). Ele dirigiu animações de sucesso como “O Caminho para El Dorado” (2002), “O Espanta Tubarões” (2004) e “Um Monstro em Paris” (2011). E foi na produção da última que ocorreu o caso que o levou à prisão. Uma integrante da equipe acusou o cineasta de abuso durante a produção do desenho, em 2007, e recentemente cometeu suicídio. A defesa de Bergeron disse, em comunicado à imprensa, que o diretor nega as acusações. “O Sr. Bergeron pretende restaurar a sua honra e a justiça, que foram manchadas por estas denúncias sérias contra ele. Ele gostaria de desfrutar, como todo acusado, da presunção de inocência”, disse seu advogado em comunicado. O cineasta estava trabalhando no longa “Charlotte”, uma biografia animada da pintora Charlotte Salomon, vítima do nazismo, que deve chegar aos cinemas ainda em 2020. A produtora do filme anunciou que os diretores Éric Warin (“A Bailarina”) e Tahir Rana (“O Edifício Wayne”) vão completar o trabalho. A detenção de Bergeron aconteceu apenas dois dias após a prisão de Christophe Ruggia, outro diretor de cinema francês acusado de abusos sexuais. Ruggia foi denunciado pela atriz Adele Haenel, uma das principais estrelas da nova geração do cinema do país (atualmente em cartaz no Brasil com o filme “Retrato de uma Mulher em Chamas”), de assédio e avanços quando ela era menor de idade.
Diretor francês é preso após denúncia de abuso da atriz Adele Haenel
O diretor francês Christophe Ruggia foi preso nesta terça-feira (14/1), após investigações das denúncias de abuso sexual feitas por Adele Haenel, uma das principais atrizes da nova geração do cinema do país, atualmente em cartaz no Brasil com o filme “Retrato de uma Mulher em Chamas”. O advogado de Ruggia, Jean-Pierre Versini-Campinchi, nega qualquer má conduta do cineasta. Originalmente, Haenel tinha feito a denúncia numa entrevista, mas o caso ganhou grande repercussão e ela se viu pressionada por vários artistas e até integrantes do próprio governo da França a prestar queixa criminal. A vencedora do César (o Oscar francês) de Melhor Atriz por “Amor à Primeira Briga” (2014) disse ter decidido acusar o diretor em público depois de ver o documentário “Deixando Neverland”, da HBO, com acusações similares sobre Michael Jackson. Mas acreditava que “a justiça ignora” as vítimas em sua situação. Após Nicole Belloubet, ministra da Justiça, prometer que isso não ocorreria, porque os tempos mudaram, Haenel formalizou sua denúncia três semanas depois junto à polícia de Paris. Na extensa reportagem do site de jornalismo investigativo Mediapart, publicada em novembro passado, a atriz afirmou que Ruggia começou a assediá-la quando ela foi escalada em seu primeiro filme, “Les Diables” (2002), que ele dirigiu. Haenel disse que os avanços ocorreram em várias ocasiões, desde seus 12 anos e continuaram até ela completar 15 anos. A publicação também obteve documentos que corroboram a acusação da atriz, que hoje tem 31 anos, incluindo cartas de amor enviadas pelo cineasta à então menor de idade. Assim que o caso veio à tona, Ruggia foi expulso das Société des Réalisteurs de Films (SRT), espécie de sindicato dos cineastas franceses, que criou e organiza a famosa mostra Quinzena dos Realizadores, uma das seções paralelas de maior prestígio do Festival de Cannes. Foi a primeira vez em 50 anos de história que a associação expulsou um de seus membros. A prisão de Ruggia aconteceu dias depois de procuradores franceses iniciarem outra investigação de alegações de abuso de uma adolescente que provocou ondas de choque nos círculos culturais do país. Em um livro publicado neste mês, Vanessa Springora, hoje com 47 anos e chefe da prestigiosa editora francesa Julliard, alegou ter sofrido abuso sexual de Gabriel Matzneff, um autor proeminente de 83 anos, quando tinha 14 anos.
Evan Green é astronauta no trailer legendado de A Jornada
A Paris Filmes divulgou o trailer legendado de “A Jornada” (Proxima), drama espacial europeu estrelado por Eva Green (“Dumbo”). Escrito e dirigido pela cineasta francesa Alice Winocour (“Cinco Graças”), o filme traz Green como uma astronauta que se prepara para embarcar numa viagem a Marte, mas encontra dificuldades em equilibrar a vida de mãe solteira – de uma criança muito carente – com o árduo treinamento da Agência Espacial Europeia. O elenco conta ainda com o americano Matt Dillon (“A Casa que Jack Construiu”) e a alemã Sandra Hüller (“Toni Erdmann”). Premiado nos festivais de Toronto (Canadá) e San Sebastian (Espanha), “A Jornada” estreou em novembro passado na França e tem 79% de aprovação no site Rotten Tomatoes. O lançamento no Brasil está marcado apenas para 19 de março.
Ethan Hawke tem Catherine Deneuve como sogra em trailer de comédia dramática
A IFC Films divulgou o pôster e o trailer americanos da comédia dramática “The Truth” (La Verité), primeiro filme ocidental do premiado cineasta japonês Hirokazu Koreeda, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2018 com “Assunto de Família”. A prévia mostra o encontro do personagem do americano Ethan Hawke com sua sogra francesa venenosa, vivida por Catherine Deneuve. Curiosamente, os dois também interpretam atores na trama. Apresentada como uma diva, Deneuve tem uma relação conflituosa com a filha, que ganha vida por meio de outra grande estrela francesa, Juliette Binoche. Paralelamente ao enredo central, o longa ainda presta uma homenagem à carreira de Deneuve, ao longo de várias reminiscências. “The Truth” teve première em agosto no Festival de Veneza e estreia comercialmente em 20 de março nos EUA. Por enquanto, não há previsão para seu lançamento no Brasil.
Bolsonaro estabelece novas – últimas? – Cotas de Tela do cinema brasileiro
Um decreto publicado na terça-feira (24) pelo presidente Jair Bolsonaro estabelece as novas cotas obrigatórias de exibição de filmes brasileiros nos cinemas do país em 2020. A regulamentação era aguardada pelo setor audiovisual, por conta da ocupação predatória de “Vingadores: Ultimato” (80% de todas as salas) em 2019, enquanto “De Pernas pro Ar 3” ainda lotava sessões. O setor passou 2019 inteiro sem regulamentação. Desde que Bolsonaro assumiu o governo, há um ano, a política para o audiovisual foi sobretudo de desmontagem do que existia até então. Apesar de finalmente agir sobre o assunto, o governo pretende extinguir o mecanismo no próximo ano, quando ele deveria ser renovado para um novo período. Em agosto, o ministro da Cidadania Osmar Terra, então à frente da Cultura, revelou com todas as letras os planos federais. “É uma lei que até ano que vem tem cota. Depois tem que rever isso”, disse, relacionando a reserva obrigatória para filmes brasileiros com salas de cinemas vazias. A primeira versão da Cota de Tela foi criada nos anos 1930, no governo de Getúlio Vargas. Atualmente, o tema é regulado por Medida Provisória assinada em 2001 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. O mecanismo determina que, até 2021, as salas brasileiras são obrigadas a exibir filmes brasileiros por um número mínimo de dias. A cada ano, este número deve ser definido por meio de um decreto. O descumprimento implica uma multa de 5% da receita bruta média diária do cinema, multiplicada pelos dias em que as cotas não forem respeitadas. O número de filmes brasileiros que devem ser exibidos varia de acordo com o tamanho das empresas exibidoras. Pelo novo decreto, uma empresa que tiver apenas uma sala é obrigada a exibir por 27 dias até três filmes brasileiros em sua programação de 2020. Já empresas que tenham a partir de 201 salas devem dedicar 57 dias de sua programação ao cinema nacional, com pelo menos 24 títulos diferentes. Salas que optarem por programar voluntariamente filmes brasileiros a partir das 17h poderão reduzir em 20% a cota obrigatória. A proteção defendida por FHC, o presidente sociólogo que entendia de economia (veja-se o plano Real), foi estabelecida durante a multiplicação das salas multiplex, que substituíram os antigos cinemas de rua com programações de grandes redes, cujas sedes encontram-se no exterior. As redes programam em bloco, uniformizando a exibição de filmes em todo o país a partir do modelo de distribuição americano. Um dos motivos para a revolução cinematográfica em curso em vários países asiáticos, como a China e a Coreia do Sul, por exemplo, deve-se a Cotas de Tela que desagradam aos EUA, restringindo a quantidade e a ocupação de filmes hollywoodianos em seus mercados. É famosa a foto em que o cineasta Park Chan-wook protesta, em 2006, segurando um cartaz em que se lê “Sem Cota de Telas não haveria ‘Oldboy'”, numa reação dos cineastas do país à pressão dos EUA para diminuir as cotas. Na ocasião, a reserva foi reduzida e ainda assim os cinemas coreanos permaneceram obrigados a exibir 76 dias completos de programação nacional. Em 2012, o cinema local registrou um “market share” de 52,9% e, em 2019, venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes pela primeira vez, com “Parasita”, de Bong Joon Ho. A China já chegou a restringir a entrada de filmes americanos a 20 por ano. Aos poucos, aumentou esse número, mas sobretaxa a produção estrangeira, usando um imposto similar ao Condecine brasileiro para reverter os dólares de Hollywood em incentivo ao seu cinema nacional. Graças a esses mecanismos, tornou-se o segundo maior e mais rico mercado cinematográfico do mundo. A União Europeia trata a situação de forma diferente, oferecendo incentivos financeiros aos países que reservem 50% de suas telas para produções do continente. Na França, o “market share” atingiu 41,6% neste século, e o país ainda promove seu cinema com eventos no exterior – como o Festival Varilux de Cinema Francês, que acontece anualmente no Brasil. Na Espanha, além do incentivo da UE, ainda existe uma reserva de 25% de toda a programação de cinema para filmes nacionais. Mesmo com a Cota de Tela, produções brasileiras ocuparam apenas 14,4% do parque exibidor nacional em 2018, de acordo com relatório da Ancine. Como ficaria sem ela? Segundo Paula Barreto, da LCBarreto — uma das maiores produtoras de cinema do Brasil —, a bilheteria nacional do cinema deste ano, comparada ao mesmo período do ano passado, ficou 40% mais fraca. A diferença? Bolsonaro não assinou a Cota de Tela em 2019.
Anna Karina (1940 – 2019)
A atriz Anna Karina, mais que musa, um ícone da nouvelle vague, morreu no sábado (14/12) em Paris, aos 79 anos, em decorrência de um câncer. “O cinema francês ficou órfão. Perdeu uma de suas lendas”, afirmou o ministro da Cultura da França, Franck Riester, no Twitter. Nascida na Dinamarca, a atriz de rosto pálido e grandes olhos azuis foi morar em Paris ainda menor de idade, pedindo carona com a ideia de se tornar atriz. Acabou virando modelo. E foi por sugestão de Coco Chanel que mudou seu nome verdadeiro, Hanne Karin Bayer, para Anna Karina. Jean-Luc Godard, que a dirigiu em nada menos do que sete filmes, a descobriu em um anúncio e propôs um pequeno papel em “Acossado” (1960) com Jean Seberg e Jean-Paul Belmondo. Mas, inicialmente, ela rejeitou sua proposta, chamando-o de atrevido por querer que ela filmasse sem roupas. O cineasta continuou insistindo, até que ela aceitou estrelar “O Pequeno Soldado”, um drama sobre a guerra da Argélia. Durante as filmagens, os dois começaram um romance que duraria vários anos. Mas, por causa do tema (terrorismo), o filme enfrentou censura e só foi lançado três anos depois, em 1963. Assim, a lenda de Anna Karina acabou se materializando nas telas em seu segundo filme com Godard, “Uma Mulher É Uma Mulher” (1961). E, de forma arrebatadora, o desempenho hipnotizante lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Berlim, com apenas 20 anos de idade. A dupla lançou mais clássicos absolutos, como o drama “Viver a Vida” (1962), que rendeu os closes mais lindos e tristes de Anna Karina, enquanto sua personagem decaía para a prostituição – e inventava o estilo de moda “street” – , a comédia criminal “Bando à Parte” (1964), em que ela protagonizou uma das danças mais charmosas da história do cinema, a influente sci-fi modernista “Alphaville” (1965), o thriller que virou pop art “O Demônio das Onze Horas” (1965), com Jean-Paul Belmondo, e a sátira “Made in U.S.A.” (1966). Cada um dos papéis era incrivelmente diferente um do outro, resultando numa das mais prolíficas e criativas parcerias entre um casal diante e atrás das câmeras – e que foi homenageada pelo cartaz do Festival de Cannes do ano passado. Além dos filmes de Godard, ela ainda abrilhantou outros títulos obrigatórios da nouvelle vague, como o feminista “Cléo das 5 às 7” (1962), de Agnès Varda, e o impactante “A Religiosa” (1966), de Jacques Rivette. Mas não filmou com Claude Chabrol nem com François Truffaut, outros mestres do movimento. “Era a mulher de Jean-Luc. Isso certamente lhes dava um pouco de medo”, ela chegou a comentar, em entrevista. O relacionamento com Godard, porém, foi marcado por uma tragédia, a perda de um filho que ela esperava, que a deixou estéril. Anna Karina também sofreu muito com o machismo do marido. A última vez que o casal se viu foi há cerca de 30 anos, quando um programa da TV francesa organizou um encontro sem avisá-la. Ela desabou em lágrimas diante das câmeras, sendo recriminada por Godard. Desde então, não houve mais contato. “Ele está na Suíça e não abre a porta”, ela disse em 2005. “Não, não fico triste. Afinal, é a vida dele”. Sem arrependimentos, o tsunami que ela causou na nouvelle vague a tornou cobiçada pelo cinema comercial, levando-a a estrelar o sucesso “A Ronda do Amor” (1965), de Roger Vadim, e até produções televisivas. De forma significativa, Anna Karina estrelou e batizou o primeiro telefilme colorido da TV francesa, “Anna”, escrito pelo cantor Serge Gainsbourg em 1967. Foi nessa época que também estourou como cantora, gravando o tema do telefilme, “Sous le Soleil Exactement”, de Gainsbourg. Logo, ela se tornou maior que o mercado local, iniciando uma carreira internacional com a obra-prima do neo-realismo italiano “Mulheres no Front” (1965), de Valerio Zurlini, seguida pelo clássico “O Estrangeiro” (1967), do grande Luchino Visconti, em que contracenou com outro mito da interpretação, Marcello Mastrioianni. Também enveredou por aventuras do cinema britânico – “Mago, O Falso Deus” (1968), com Michael Caine, e “Antes do Inverno Chegar” (1968), com David Niven – e pelo “novo cinema alemão” – “O Tirano da Aldeia” (1969), de Volker Schlöndorff, e “Roleta Chinesa” (1976), de Rainer Werner Fassbinder – , chegando a Hollywood com “Justine” (1969), curiosamente como coadjuvante de outra estrela da nouvelle vague, Anouk Aimée. Após trabalhar com tantos mestres do cinema, Anna decidiu dirigir seu primeiro filme, “Vivre Ensemble”, uma história de amor entre drogas e álcool, lançada em 1973, que ela definiu como “um retrato da minha juventude”. Depois disso, só voltou a comandar mais um longa, “Victoria”, já em 2003. Mas não abandonou a paixão por diretores, casando-se sucessivamente com mais três: Pierre Fabre, Daniel Duval e o americano Dennis Berry, com quem viveu de 1982 até sua morte. Anna Karina teve presença constante nas telas até 1990, adorada pelos discípulos da nouvelle vague – entre outros, ela estrelou o primeiro longa de Benoît Jacquot, “The Musician Killer” (1976). Mas depois disso enfrentou dois grandes hiatos na carreira. Após cinco anos sem filmar, ela voltou a convite de seu colega de geração Jacques Rivette, para integrar o elenco do elogiadíssimo “Paris no Verão” (1995), emendando um longa do marido Dennis Berry, “Chloé” (1996), como uma prostituta veterana, ao lado da então ninfeta Marion Cotillard. Depois de um segundo espaçamento de meia década, vieram seus filmes finais: “O Segredo de Charlie” (2002), do americano Jonathan Demme, “Eu, César” (2003), nova parceria com o marido diretor, e “Victoria” (2008), sua despedida – escrita, dirigida e estrelada por ela própria.
Entre Facas e Segredos é a principal estreia de cinema da semana
A programação de cinema oferece boas opções entre as estreias desta quinta (12/12), a começar pelo lançamento mais amplo, a comédia de suspense “Entre Facas e Segredos”. Escrita e dirigida por Rian Johnson (“Star Wars: Os Últimos Jedi”), a produção resta uma homenagem aos velhos filmes de mistério do gênero “whodunit”, popularizado pelos livros de Agatha Christie, Ellery Queen e outros mestres do começo do século 20, que consistem em investigar suspeitos de um assassinato até descobrir “quem matou”. Os suspeitos da vez são de dar inveja no mais recente exemplar do gênero, “Assassinato no Expresso do Oriente” (2017). A trama gira em torno do assassinato de um escritor rico e famoso, morto durante a festa de seu aniversário por um de seus parentes. Daniel Craig (o James Bond) interpreta o detetive, Lakeith Stanfield (“Atlanta”) vive seu parceiro policial, Christopher Plummer (“Todo o Dinheiro do Mundo”) é a vítima e os suspeitos são nada menos que Chris Evans (o Capitão América), Michael Shannon (“A Forma da Água”), Jamie Lee Curtis (“Halloween”), Ana de Armas (“Blade Runner 2049”), Katherine Langford (“13 Reasons Why”), Toni Colette (“Hereditário”), Jaeden Martell (“It: A Coisa”) e Don Johnson (“Do Jeito que Elas Querem”). A crítica norte-americana amou. Não bastasse ter 97% de aprovação na média do Rotten Tomatoes, foi considerado um dos 10 melhores filmes americanos do ano pelo AFI (American Film Institute) e também emplacou indicações ao Critics Choice e ao Globo de Ouro. O suspense policial “Crime sem Saída”, por outro lado, dividiu a crítica – 50% de aprovação. A estreia nos cinemas da produtora AGBO, de Joe e Anthony Russo, os diretores de “Vingadores: Ultimato”, também foi fiasco nas bilheterias da América do Norte. A direção, porém, não é dos Russo, mas de Brian Kirk, que assinou episódios de “Game of Thrones”. No filme, Chadwick Boseman (o “Pantera Negra”) interpreta um detetive que perdeu seu pai, também policial, assassinado quando ele era apenas um garoto e, por conta disso, cultiva a reputação de ser “o cara que mata assassinos de policiais”. Quando um assalto rende a morte de oito policiais, ele é chamado para assumir a investigação e organiza um cerco aos criminosos foragidos, ordenando que as 21 pontes que ligam Manhattan ao resto de Nova York sejam fechadas, enquanto inicia uma caçada por toda a ilha pelos suspeitos. Ao mesmo tempo, ele desconfia que a história do crime não bate e começa uma investigação paralela que o coloca em choque com o comando policial. O bom elenco também conta com Sienna Miller (“Sniper Americano”), J.K. Simmons (“Liga da Justiça”), Stephan James (“Se a Rua Beale Falasse”), Taylor Kitsch (“True Detective”) e Keith David (“Morte no Funeral”). Pior estreia ampla, “Brincando com Fogo” tem apenas 22% de aprovação. A comédia que traz John Cena (“Bumblebee”) como bombeiro segue a cartilha dos filmes de fortões forçados a virar babás de crianças, fórmula que já rendeu “Um Tira no Jardim de Infância” (1999) e “O Fada do Dente” (2010). Felizmente, as opções europeias do circuito limitado são bem melhores, desde o franco-israelense “Synonymes”, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, a “Uma Mulher Alta”, representante da Rússia no Oscar 2020, e sem subestimar a comédia francesa “Finalmente Livres”, premiada na mostra Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes e indicada a 9 prêmios César (o Oscar francês). Destes três, “Uma Mulher Alta” é a obra mais premiada, inclusive com um importante prêmio de Melhor Direção, vencido pelo jovem Kantemir Balagov (de “Tesnota”) na mostra Um Certo Olhar, de Cannes. Além disso, tem a nota mais alta no Rotten Tomatoes: 93% de aprovação. Confira abaixo mais detalhes das estreias da semana com todos os títulos, suas sinopses e trailers. Entre Facas e Segredos | EUA | Comédia de Suspense Após comemorar 85 anos de idade, o famoso escritor de histórias policiais Harlan Thrombey (Christopher Plummer) é encontrado morto dentro de sua propriedade. Logo, o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) é contratado para investigar o caso e descobre que, entre os funcionários misteriosos e a família conflituosa de Harlan, todos podem ser considerados suspeitos do crime. Crime sem Saída | EUA | Thriller Policial Um detetive da polícia de Nova York recebe um complexo desafio no trabalho: ele precisa achar e prender assassinos de policiais que estão à solta na cidade. Realizar a prisão dos criminosos implicaria em recuperar a honra que ele perdeu durante algumas tarefas mal-executadas nos últimos anos. No entanto, quanto mais ele avança na investigação, mais ele percebe que os assassinatos se tratam de uma conspiração assombrosa entre criminosos e membros de sua própria categoria. Brincando com Fogo | EUA | Comédia Jake Carson (John Cena) é um bombeiro extremamente dedicado e rigoroso, que não aceita que algo ocorra fora das regras impostas pela corporação. Ao resgatarem as crianças Bryan (Brianna Hildebrand), Zoey (Finley Rose Slater) e Will (Christian Convery), Jake e seus companheiros de trabalho enfrentam um enorme desafio: como não conseguem localizar os pais do trio, precisam eles mesmos cuidar das crianças, mesmo sem ter o menor jeito para esta missão. Finalmente Livres | França | Comédia Yvonne (Adèle Haenel), uma jovem inspetora de polícia, descobre que seu marido, Capitão Santi (Vincent Elbaz), não era o policial corajoso e honesto que ela acreditava, mas uma verdadeira fraude. Determinada a reparar os erros cometidos por ele, ela cruza o caminho de Antoine (Pio Marmaï), preso injustamente por Santi e condenado a oito anos. Esse encontro inesperado e louco vai mudar a vida de ambos para sempre. Synonymes | França, Israel | Drama Yoav (Quentin Dolmaire) é um adolescente israelense que foge de seu país e parte para a França, onde vive em Paris enquanto esconde a sua identidade. Determinado a extinguir suas origens, seu principal companheiro é um dicionário de francês-hebreu. Uma Mulher Alta | Rússia | Drama Na Leningrado de 1945, Iya e Masha são duas jovens mulheres em busca de esperança e significado em meios aos destroços deixados na Rússia após a 2ª Guerra Mundial. O cerco de Leningrado, um dos mais brutais da história, chegou ao fim, mas reconstruir suas vidas permanece uma situação cercada de morte e trauma. Barrabás | Rússia | Religião A história de Jesus Cristo de Nazaré, sua crucificação, morte e ressurreição é contada pelo ponto de vista de Barrabás. Um bandido preso e condenado a morte na mesma época que Cristo, Barrabás é solto por conta da tradição da soltura de um preso na Festa da Libertação e acaba escapando da cruz.
Roman Polanski: “Há anos tentam fazer de mim um monstro”
O diretor Roman Polanski falou pela primeira vez sobre a mais recente denúncia de estupro de que foi acusado, apresentada pela francesa Valentine Monnier em novembro passado. Chamando a acusação de uma “história bizarra”, ele acabou atacando o produtor Harvey Weinstein, grande catalizador do ultraje que originou o movimento de denúncias #MeToo, como responsável pela onda de difamações que o acompanha nos últimos anos. Em entrevista à revista Paris Match, que chega às bancas na quinta-feira (12/12), trazendo Polanski na capa, o cineasta de 86 anos “nega absolutamente” tudo do que acusado, como já tinha feito há um mês através de seu advogado. Monnier disse ter sido agredida e estuprada por Polanski em 1975, na Suíça, quando tinha 18 anos. Ao declarar que se lembra dela “vagamente”, o diretor de cinema acrescentou que “evidentemente não guarda na memória o que ela conta, pois é falso”. Em um depoimento publicado no início de novembro pelo jornal francês Le Parisien, dias antes do lançamento do mais recente filme de Polanski, “An Officer and a Spy” (J’accuse), a fotógrafa e ex-modelo contou que, que quando foi esquiar em Gstaad (Suíça), junto com outra jovem, hospedou-se na casa do cineasta e que ele a “agrediu” e em seguida “a estuprou, fazendo-a sofrer todos os tipos de mazelas”. “Isso é uma loucura! (…) Toma como testemunhas três amigos meus presentes no chalé: meu assistente Hércules Bellville, Gérard Brach e sua esposa, Elizabeth. Os dois primeiros morreram – muito conveniente, pois já não podem confirmar ou refutar o que ela disse. Em relação à senhora Brach, o jornal não a encontrou”, prossegue o cineasta, que classifica essa história como “bizarra”. Valentine Monnier disse não ter feito uma denúncia porque o crime estava prescrito. Mas que havia decidido apresentar publicamente esta denúncia devido à estreia do novo filme do diretor, que faz referência a um famoso erro judicial francês, o caso Dreyfus, em que um inocente é injustamente condenado por um crime que não cometeu. Polanski já teceu comentários comparando o seu caso, em que foi julgado por estupro em 1977, com o de Dreyfus. Ela foi a sexta mulher a acusar Polanski de estupro. O cineasta é considerado foragido pela justiça dos Estados Unidos, após se exilar na França em meio ao julgamento de 1977 em que se declarou culpado de ter mantido relações sexuais com Samantha Geimer, então com 13 anos. Ela foi compensada financeiramente por Polanski e ainda escreveu um livro sobre sua história, e nos últimos anos vem defendendo o diretor por considerar que ele cumpriu sua pena – ficou preso alguns dias nos anos 1970 e novamente em 2009, além de ficar impedido de trabalhar em Hollywood mulheres surgiram com denúncias de abuso sexual de décadas atrás. As denúncias anteriores também relataram casos acontecidos nos anos 1970. A atriz alemã Renate Langer, vista em “Amor de Menina” (1983) e “A Armadilha de Vênus” (1988), relatou ter sido estuprada duas vezes em 1972, quando ela tinha 15 anos e Polanski 39, também na casa do cineasta em Gstaad, na Suíça. Logo após o primeiro ataque, Polanski teria convidado Langer para figurar em seu filme “Que?”, como pedido de desculpas. O segundo abuso teria acontecido durante as filmagens, em Roma. A atriz revelou que, para se defender, chegou a jogar uma garrafa de vinho e outra de perfume no diretor. Outras acusações partiram da atriz britânica Charlotte Lewis (“O Rapto do Menino Dourado”), que denunciou ter sido estuprada em 1983, quando ela tinha 16 anos, de uma mulher identificada apenas como Robin, que acusa o diretor de tê-la estuprado nos anos 1970, também quando tinha 16 anos, e de Marianne Barnard, atacada em 1975 aos 10 anos de idade, durante uma sessão de fotos em que Polanski lhe pediu que posasse usando apenas um casaco de pele em uma praia de Los Angeles. A maioria das denúncias só veio à tona recentemente, durante o auge do movimento #MeToo, que Polanski já chamou de “histeria coletiva” e “hipocrisia”. Por conta das novas denúncias, o cineasta foi expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, que lhe premiou com o Oscar de Melhor Direção por “O Pianista”, em 2003. Na conversa com a Paris Match, o cineasta francês culpou o produtor Harvey Weinstein, denunciado de abuso sexual por mais de 80 mulheres e catalizador do movimento #MeToo, pela perseguição que diz sofrer. Ele acusou Weinstein de ter “desenterrado” seu caso com Samantha Geimer, que “não interessava a ninguém”, durante a campanha do Oscar de 2003, para prejudicar o favoritismo de seu filme “O Pianista” – e que mesmo assim conquistou três estatuetas, inclusive uma para o próprio Polanski. “Seu assessor de imprensa foi o primeiro a me chamar de ‘estuprador de crianças'”, declarou o cineasta na entrevista, acrescentando que “há anos tentam fazer de mim um monstro”. A denúncia mais recente chegou a gerar piquetes de manifestantes femininas na frente de cinemas e campanhas de boicote ao novo filme do cineasta. Mesmo assim, “An Officer and a Spy” (J’accuse) liderou as bilheterias na França em sua primeira semana em cartaz. Com mais de 501 mil ingressos vendidos, a obra teve a “melhor estreia da carreira” do veterano diretor.
Retrato de uma Jovem em Chamas: Drama francês mais premiado do ano ganha trailer legendado
A Supo Mungam divulgou o trailer legendado de “Retrato de uma Jovem em Chamas”, o filme francês mais premiado de 2019. Escrito e dirigido pela francesa Céline Sciamma (“Tomboy”), que venceu o troféu de Melhor Roteiro no Festival de Cannes, o drama de época gira em torno de uma jovem pintora chamada Marianne (Noémie Merlant), contratada para pintar o retrato de casamento de Héloïse (Adèle Haenel), uma jovem que acabou de deixar o convento. Por ela ser uma noiva relutante, Marianne chega sob o disfarce de dama de companhia, observando Héloïse de dia e a pintando secretamente à noite. Conforme as duas se aproximam, a intimidade e a atração crescem, enquanto compartilham os primeiros e últimos momentos de liberdade de Héloïse, antes do casamento iminente. “Retrato de uma Jovem em Chamas” também venceu a Palma Queer no Festival de Cannes deste ano, o prêmio de Melhor Roteiro da Academia Europeia de Cinema, foi considerado o Melhor Filme nos festivais de Chicago, Hamburgo, Melbourne, etc, é destaque nas listas de fim de ano da crítica internacional e disputa o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Parte da programação do Festival do Rio, o filme tem estreia comercial no Brasil marcada para 9 de janeiro.










