Barbara Shelley (1932 – 2021)
Barbara Shelley, uma das maiores estrelas do terror britânico dos anos 1960, morreu nesta segunda-feira (4/1) aos 88 anos, após contrair covid-19. A atriz inglesa começou sua filmografia em produções italianas, aparecendo, entre outras, no drama “Luna Nova” (1955), ao lado de Virna Lisi, e em duas comédias de Totó, “Totó, Chefe de Estação” (1955) e “Totó Fora da Lei” (1956). Sua carreira mudou de rumo quando ela voltou ao Reino Unido e se transformou na mulher-gato do título de “Cat Girl” (1957), uma versão britânica do clássico de terror “A Marca da Pantera” (Cat People, 1942). Ela emendou esse papel com um primeiros filmes do revival gótico britânico, “Sangue de Vampiro” (1958), produção independente (do Artistes Alliance) escrita por Jimmy Sangster, que se tornaria um dos mais importantes autores do gênero. E em seguida estrelou a cultuadíssima sci-fi de terror “A Aldeia dos Amaldiçoados” (1960), como uma das mães das crianças paranormais do filme, considerado um dos mais influentes de sua época. Mas sua especialização só veio mesmo após estrear na principal produtora de horror do Reino Unido, a Hammer Films, como protagonista de “A Sombra do Gato” (1961), “O Segredo da Ilha de Sangue” (1965) e várias outras produções, que lhe renderam o apelido de Rainha da Hammer. Shelley contracenou com a maior estrela do estúdio, Christopher Lee, nada menos que três vezes: em “A Górgona” (1964), “Drácula, o Príncipe das Trevas” (1966, também assinado por Sangster) e “Rasputin: O Monge Louco” (1966). E finalizou sua passagem pela Hammer com uma das obras mais cultuadas do estúdio, “Uma Sepultura na Eternidade” (1967), sobre a descoberta de um artefato nas escavações do metrô de Londres capaz de influenciar o comportamento das pessoas. Depois disso, atriz só fez mais um longa, o terror independente “Ghost Story” (1974), ao lado da cantora Marianne Faithfull, mas teve uma longa carreira televisiva. Ela apareceu em várias séries que marcaram época, especialmente nos gêneros de ação, mistério e fantasia, como “Danger Man”, “O Santo”, “Os Vingadores”, “O Agente da UNCLE”, “Blake’s 7” e “Doctor Who”, onde teve um arco de quatro episódios em 1984. Seu último trabalho foi na minissérie de mistério “The Dark Angel”, estrelada por Peter O’Toole, em 1989. No entanto, os fãs de terror nunca a esqueceram. Barbara Shelley foi celebrada e entrevistada por Mark Gatiss, co-criador de “Sherlock” e do recente “Drácula”, da Netflix, na série documental inglesa “A History of Horror with Mark Gatiss”, em 2010.
Veja o trailer emocionante de drama premiado da diretora de Mamma Mia!
A Amazon divulgou o pôster e o trailer do drama “Herself”, novo filme de Phyllida Lloyd, diretora de “Mamma Mia!” (2008) e “A Dama de Ferro” (2011). A produção britânica conta uma história de superação e empoderamento, ao acompanhar uma mãe que luta contra a pobreza e o ex-marido para construir – literalmente – um lar para morar com suas filhas. As dificuldades que ela encontra em sua jornada, vislumbradas na prévia, são de encher os olhos de lágrimas. A história foi escrita pela atriz principal, Clara Dunne, que tem diante das câmeras seu primeiro papel de protagonista após aparecer quase como figurante em “Homem-Aranha: Longe de Casa” (2019). Ela também canta duas músicas da trilha sonora. Exibido no Festival de Sundance sob críticas elogiosas, algumas incluídas no trailer, o filme atingiu 91% de aprovação no Rotten Tomatoes e ainda venceu dois troféus no Festival de Dublin, inclusive o de Revelação para Dunne. A estreia está marcada para 30 de dezembro em circuito limitado nos EUA, e 8 de janeiro em streaming mundial.
Barbara Windsor (1937 – 2020)
A atriz britânica Barbara Windsor, bastante popular no Reino Unido por estrelar mais de 1,5 mil episódios da longeva novela “EastEnders” e os filmes da franquia “Carry on”, como “Manda Ver, Doutor” (1967) e “Fuzarca no Acampamento” (1969), morreu na última quinta-feira (10/12), aos 83 anos, de causas não reveladas. Ela teria morrido “em paz” na casa de repouso que vivia em Londres, ao lado do marido, Scott Mitchell. “Eu perdi minha mulher, minha melhor amiga e minha alma gêmea. Meu coração e minha vida nunca mais serão os mesmos sem você”, disse o viúvo. Acompanhada pelo marido, Barbara lidou em seus últimos sete anos com o Alzheimer. “Sempre serei imensamente orgulhoso da coragem, dignidade e generosidade com que Barbara lidou com sua doença, enquanto ainda tentava ajudar outros, sensibilizando enquanto pôde”, explicou Mitchell. Nascida no condado de Londres, Barbara começou sua carreira no teatro aos 13 anos. Seu primeiro filme foi a comédia colegial “The Belles of St. Trinian’s” (1954), quando tinha 17. No total, ela fez 31 longas-metragens, nove deles da franquia cômica britânica “Carry On”, lançados entre as décadas de 1960 e 1970. Outros títulos de destaque em sua filmografia incluem a comédia “Ela Era Irresistível” (1960), com Jayne Mansfield, o drama racial “Lá Fora Ruge o Ódio” (1961), o cultuado “Névoas do Terror” (1965), em que Sherlock Holmes investiga os crimes de Jack, o Estripador, a fantasia musical “O Calhambeque Mágico” (1968), com Dick Van Dyke, e a comédia “O Namoradinho” (1971), com Twiggy. Seu papel mais conhecido no Reino Unido foi o de Peggy Mitchell, a proprietária do pub The Queen Victoria na novela “EastEnders”, da BBC. Barbara entrou no elenco em 1994 e logo popularizou o bordão “Saiam do meu pub!”. Apesar de ter sido diagnosticada com Alzheimer em 2014, ela continuou trabalhando na atração até 2016. Depois de se afastar da TV, Barbara foi condecorada dama pela familia real britânica, por sua contribuição para o entretenimento e para a filantropia do país. Apesar de lutar contra os sintomas da doença, no ano passado encontrou-se com o primeiro-ministro Boris Johnson para aumentar a conscientização sobre o mal de Alzheimer.
Trailer traz John Boyega como policial em novo filme de Steve McQueen
A Amazon divulgou um novo trailer da antologia “Small Axe”, uma coleção de cinco filmes dirigidos por Steve McQueen, o cineasta de “12 Anos de Escravidão”. O vídeo representa o terceiro longa do projeto, “Red, White and Blue”, que destaca John Boyega (“Star Wars: O Despertar da Força”) como um policial que precisa enfrentar o racismo dentro da polícia. Todos os cinco filmes são escritos e dirigidos por McQueen e reproduzem a luta pela igualdade racial no Reino Unido, abordando pessoas e fatos reais que aconteceram entre os anos 1960 e 1980, muitas vezes contando com os mesmos personagens. O primeiro lançamento foi “Mangrove”, sobre protestos antirracistas que uniram comunidades oprimidas em Londres em agosto de 1970, e o segundo foi “Lovers Rock”, sobre uma festa que descambou em violência nos anos 1980. Embora tenham estreado neste mês no exterior, nenhum dos dois ainda foi disponibilizado na versão brasileira da Amazon Prime Video. A expressão que batiza o projeto é derivada de um provérbio africano usado em todo o Caribe, e que ficou famoso ao ser cantado por Bob Marley em 1973: “Se você é a árvore grande, nós somos o machado pequeno” (small axe). “Red, White and Blue” será lançado no dia 4 de dezembro em streaming nos EUA e no Reino Unido.
John Fraser (1931 – 2020)
O ator escocês John Fraser, que se destacou no cinema britânico dos anos 1960, morreu em 7 de novembro após uma longa batalha contra o câncer, aos 89 anos de idade. Fraser tinha decidido que não faria quimioterapia e foi encontrado já inconsciente por sua parceira, a artista Rodney Pienaar, mas a família só tornou sua morte pública nesta quarta (11/11). Com mais de 70 créditos como ator ao longo da carreira, ele começou como figurante no clássico de guerra “Ratos do Deserto” (1954), de Robert Wise, e progrediu nos anos seguintes para pequenos papéis em outros exemplares famoso do gênero, vivendo aviadores em “Labaredas do Inferno” (1955), de Michael Anderson, e “O Vento Não Sabe Ler” (1958), de Ralph Thomas. Sua carreira deu um salto de qualidade em 1960, após encarnar Bosie (Lord Alfred Douglas, filho do Marquês de Queensberry) no filme “Os Crimes de Oscar Wilde”, de Ken Hughes, em que contracenou com Peter Finch (que foi o vencedor do BAFTA daquele ano pelo papel do célebre dramaturgo irlandês). Poucos meses depois, voltou a se destacar como um oficial em outro drama de guerra, “Glória Sem Mácula” (1960), de Ronald Neame, ao lado dos monumentais Alec Guinness e John Mills (que venceu a Copa Volpi de Melhor Ator no Festival de Veneza pelo filme). Sua carreira de coadjuvante ilustre se estendeu a outros filmes marcantes da época, como a aventura “El Cid” (1961), de Anthony Mann, a comédia “A Valsa dos Toureadores” (1962), de John Guillermin, que foi estrelada por Peter Sellers, e o icônico thriller “Repulsa ao Sexo” (1965), de Roman Polanski. Em 1965, teve seu maior destaque cinematográfico em “Névoas do Terror” (1965), considerado um dos melhores filmes do famoso detetive Sherlock Holmes, no papel de Lord Carfax, o aristocrata britânico que seria Jack, o Estripador. Em seguida, voltou a trabalhar com Michael Anderson em novo thriller de guerra, “Operação Crossbow” (1965), juntando-se a Sophia Loren e George Peppard. Também teve proeminência em “Isadora” (1968), como o secretário para quem a dançarina Isadora Duncan, vivida por Vanessa Redgrave, ditava suas memórias (e a trama). Mas a partir daí passou a aparecer mais na TV que no cinema, com participações na atração americana “Columbo” (em 1972) e num arco de três episódios de “Doctor Who” (em 1981). Sua ligação com Sherlock Holmes também foi explorada em outros projetos, como a série “The Rivals of Sherlock Holmes” (em 1971) e a minissérie “Young Sherlock: The Mystery of the Manor House” (1982). O ator ainda participou de “Scarlett”, minissérie de 1994 que continuava a famosa história de “…E o Vento Levou”, antes de abandonar as telas em 1996, após um episódio da antologia “Screen One”.
Geoffrey Palmer (1927 – 2020)
O ator britânico Geoffrey Palmer, conhecido pela longa série “As Time Goes By”, exibida de 1992 a 2005 na rede BBC, morreu na quinta-feira (5/11) em sua casa, enquanto dormia, aos 93 anos. Ele começou a carreira como coadjuvante de séries britânicas em 1955, interpretando personagens severos, geralmente figuras de autoridade e representantes de retidão moral, mas só foi ganhar proeminência no Reino Unido a partir dos anos 1970, graças a três produções de comédia bastante populares. Além de “As Time Goes By”, elas incluem “The Fall and Rise of Reginald Perrin” (1976-1979) e “Butterflies” (1978-1983). Esta última chegou a ganhar um especial de reencontro em 2000. Palmer estrelou sua série mais duradoura, “As Time Goes By”, ao lado de Judi Dench, e os dois chegaram a contracenar no cinema durante a auge da produção, em “007 – O Amanhã Nunca Morre” e “Sua Majestade, Mrs. Brown”, filmes que fizeram sucesso em 1997, época da 6ª temporada da atração da BBC. O ator também apareceu em várias outras séries icônicas, como os thrillers de ação “O Santo” e “Os Vingadores” nos anos 1960, além de “Colditz”, “Fawlty Towers” e “Doctor Who” nos 1970. Recentemente, voltou a aparecer em “Doctor Who”, como um novo personagem em 2007, e ainda pôde ser visto em “Ashes to Ashes” e “Rev.”. No cinema, seus papéis notáveis incluem participações em “Um Homem de Sorte” (1973), “O Cônsul Honorário” (1983), “Um Peixe Chamado Wanda” (1988), “As Loucuras do Rei George” (1994), “Anna e o Rei” (1999), “A Pantera Cor de Rosa 2” (2009), “W.E.: O Romance do Século” (2011) e “As Aventuras de Paddington” (2014). Sua último trabalho foi em “An Unquiet Life”, cinebiografia do escritor Roald Dahl, atualmente em pós-produção.
Margaret Nolan (1943 – 2020)
A atriz Margaret Nolan, que ficou conhecida como mulher de ouro do filme “007 Contra Goldfinger”, morreu em 5 de outubro passado, aos 76 anos. Além de aparecer na abertura e no pôster de “Goldfinger”, ela também teve um papel no longa e se destacou em diversas comédias britânicas, participando até de um filme com os Beatles. Nolan começou sua carreira nas artes como modelo, adotando o pseudônimo de Vicky Kennedy no início dos anos 1960, mas retomou seu nome de nascimento assim que começou a atuar. Seu corpo cheio de curvas chamou atenção dos produtores do canal britânico ITV, que a lançaram em seu primeiro papel de garota sexy num episódio de 1963 da série clássica “O Santo” (The Saint), ao lado do futuro 007 Roger Moore. Ela chegou ao cinema no ano seguinte, em nada menos que cinco filmes. Nolan viveu uma candidata a miss na comédia “Um Corpo de Mulher”, teve uma cena em “Os Reis do Ié-Ié-Ié”, primeiro filme dos Beatles, juntou-se a outra banda de Liverpool, Gerry & The Pacemakers, em “Frenéticos do Ritmo”, e ainda apareceu em “Saturday Night Out”. Mas foi mesmo com “007 Contra Goldfinger” que atingiu status de ícone na Inglaterra. Embora tenha aparecido no filme como Dink, massageando James Bond (Sean Connery), seu desempenho mais lembrado acontece na famosa sequência de abertura, como a modelo pintada de ouro, que serve de tela para cenas da produção, projetadas sobre o corpo. O visual mod-psicodélico também foi evocado no pôster do filme, com Connery estampado sobre sua pele dourada. Esse trabalho lhe rendeu vários convites para voltar a ser modelo, inclusive uma sessão de fotos para a revista Playboy, mas ela não quis largar o cinema. Depois de filmar “Três Quartos em Manhattan” (1965) com o francês Marcel Carné, apareceu na sua primeira comédia besteirol da franquia “Carry On”, “Pra Frente, Vaqueiro” (1965), e encontrou seu nicho como comediante. Embora tenha aparecido no terror “O Caçador de Bruxas” (1968), com Vincent Price, ela transformou o papel de garota sexy numa bem-sucedida filmografia de humor, contracenando inclusive com os americanos Warren Beatty e Jerry Lewis, respectivamente em “A Deliciosa Viuvinha” (1966) e “Um Golpe das Arábias” (1968). Ao ser convidada para mais quatro filmes de “Carry On”, entre eles os sucessos “Manda Ver, Henry” (1971) e “Simplesmente Garotas” (1973), conseguiu manter sua popularidade até meados dos anos 1970. Nolan ainda atuou em diversos episódios de séries britânicas famosas, incluindo “Danger Man”, “Secret Agent”, “The Persuaders” e “Q”, e chegou a ser dirigida por Alfred Hitchcock em “Frenesi”, mas sua cena foi cortada na edição que chegou aos cinemas em 1972. Assim que as ofertas de trabalho diminuíram, no começo dos anos 1980, ela decidiu se reinventar. Mudou-se para a Espanha e passou a trabalhar com fotografia, realizando experiências visuais com fotomontagens. Suas obras foram aclamadas e exibidas em galerias de arte de Londres. Ela só voltou a atuar por insistência de um fã. O diretor Edgar Wright a escalou para um pequeno papel em seu próximo filme, “Last Night in Soho”, que ela completou antes de morrer. “Ela estava no meio de tudo que era cool nos anos 1960”, descreveu Wright em suas redes sociais, ao lamentar a morte da atriz. A atriz deixa dois filhos. Um deles, Oscar Deeks, deu sequência a duas paixões da mãe, virando diretor de fotografia de cinema. Não só isso: sua carreira começou como assistente de fotografia em “007 – Cassino Royale” (2006).
Todos Estão Falando Sobre Jamie: Musical LGBTQIA+ ganha trailer legendado
A 20th Century Studios divulgou o pôster internacional e o trailer legendado de “Todos Estão Falando Sobre Jamie” (Everybody’s Talking About Jamie), adaptação do musical de mesmo nome sobre um adolescente de Sheffield, na Inglaterra, que quer ser drag queen. Para desespero de seu pai conservador e surpresa de seus colegas de classe, Jamie, um adolescente desajustado de 16 anos, tem como objetivo de vida de se tornar uma drag queen. E quer começar a seguir esse sonho no baile de formatura, com um vestido maravilhoso. A mensagem é empoderadora. Apoiado pela mãe amorosa e alguns amigos incríveis, o jovem supera o preconceito, derrota os valentões e sai da escuridão para os holofotes. A história evoca o sucesso “Billy Elliot” e tem fundo real, apesar de se basear no musical de Jenny Popplewell, com músicas do roqueiro inglês Dan Gillespie Sells (da banda The Feeling) e letras do dramaturgo Tom MacRae. O diretor e coreógrafo de teatro Jonathan Butterell faz sua estreia na direção com o filme, que destaca em seu elenco Sharon Horgan (“Catastrophe”), Richard E. Grant (“Poderia Me Perdoar?”), Ralph Ineson (“A Bruxa”), Sarah Lancashire (“Yesterday”) e o estreante Max Harwood como Jamie New. A estreia está marcada para 21 de janeiro no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Magnatas do Crime vai virar primeira série de Guy Ritchie
O filme “Magnatas do Crime” (The Gentleman) será transformado numa série pelo cineasta Guy Ritchie, que escreveu e dirigiu o longa original, lançado em janeiro nos EUA. A encomenda da série fecha um círculo para produção, já que “Magnatas do Crime” foi inicialmente concebido como um projeto de TV, antes de ser refeito para o cinema. O projeto será produzido pela Miramax, que sob a nova chefia de Marc Helwig tem priorizado adaptar sua extensa biblioteca de filmes em séries. A produção de “The Gentlemen” (título original) junta-se à recentemente anunciada adaptação de “Mutação” (Mimic, 1997), terror do estúdio que vai virar série produzida e dirigida por Paul WS Anderson (“Resident Evil”). “A Miramax Television está entusiasmada em abrir novos caminhos criativos em nossa parceria com Guy Ritchie com ‘The Gentlemen’”, disse Helwig. “Com um dos cineastas mais distintos e prolíficos da atualidade e alguém cuja criatividade admiro há muitos anos, não poderíamos estar mais animados para trazer a jornada cinematográfica de ‘The Gentlemen’ para o mundo da televisão premium global”. Elogiado pela crítica internacional (73% de aprovação no Rotten Tomatoes), “Magnatas do Crime” marcou a volta do diretor do blockbuster “Aladdin” (2019) às tramas de gângsteres do começo de sua carreira. No clima de “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (1998) e “Snatch: Porcos e Diamantes” (2000), a trama gira em torno da sucessão de um chefão americano do crime, interpretado por Matthew McConaughey (“Interestelar”), que construiu um império de drogas no Reino Unido. Quando rumores começam a circular sobre sua aposentadoria, todos os outros criminosos de Londres criam seus próprios esquemas para tomar o lugar dele. O elenco do filme ainda incluiu Charlie Hunnam (Rei Arthur: A Lenda da Espada”), Henry Golding (“Podres de Ricos”), Michelle Dockery (“Downton Abbey”), Jeremy Strong (“Succession”), Eddie Marsan (“Ray Donovan”), Colin Farrell (“Dumbo”) e Hugh Grant (“Florence: Quem é Essa Mulher?”). A produção da Miramax vai virar a primeira série criada por Guy Ritchie, depois da Sony adaptar “Snatch” num seriado de streaming para sua plataforma Crackle. Ritchie não participou dessa produção, que durou duas temporadas entre 2017 e 2018 e acabou renovada para um terceiro ano nunca gravado, porque a Sony desistiu da Crackle – tornando-se, dois anos depois, o único grande estúdio de Hollywood sem plataforma própria de streaming. Veja abaixo o trailer legendado de “Magnatas do Crime”.
Michael Lonsdale (1931 – 2020)
O ator Michael Lonsdale, que ficou conhecido como o herói de “O Dia do Chacal” e o vilão de “007 Contra o Foguete da Morte”, morreu nesta segunda-feira (21/8) em sua casa em Paris aos 89 anos, após uma carreira de seis décadas. Filho de pai britânico e mãe francesa, Lonsdale cresceu em Londres e no Marrocos, onde descobriu o cinema de Hollywood em sessões com as tropas americanas durante a 2ª Guerra Mundial, mas só foi se dedicar às artes ao regressar a Paris em 1947, por influência de seu tio Marcel Arland, diretor da revista literária NRF. Ele estreou no teatro aos 24 anos e logo se mostrou interessado por experiências radicais, em adaptações de Eugène Ionesco e em parcerias com Marguerite Duras. A estreia no cinema aconteceu em 1956, sob o nome Michel Lonsdale. Ele participou de várias produções francesas até sofrer sua metamorfose, virando Michael ao ser escalado por Orson Welles em “O Processo” (1962), adaptação do célebre texto de Kafka rodada na França com Anthony Perkins e Jeanne Moreau. Dois anos depois, voltou a ser dirigido na França por outro mestre de Hollywood, Fred Zinnemann, no drama de guerra “A Voz do Sangue” (1964). Mas apesar da experiência com dois dos maiores cineastas hollywoodianos, decidiu retomar o nome Michel e mergulhar no cinema de arte francês, atuando em clássicos da nouvelle vague como “A Noiva Estava de Preto” (1968) e “Beijos Proibidos” (1968), ambos de François Truffaut, “Sopro no Coração” (1971), de Louis Malle, e “Não me Toque” (1971) e “Out 1: Spectre” (1972), os dois de Jacques Rivette. Entretanto, Fred Zinnemann não o esqueceu e se tornou responsável por introduzi-lo no cinema britânico, ao lhe dar um papel de destaque na adaptação do thriller “O Dia do Chacal” (1973), como o obstinado detetive Lebel, que enfrentou o vilão Carlos Chacal. Ele chegou a ser indicado ao BAFTA (o Oscar britânico), mas não foi desta vez que voltou a ser Michael, permanecendo no cinema francês com papéis em “Deslizamentos Progressivos do Prazer” (1974), de Alain Robbe-Grillet, e “O Fantasma da Liberdade” (1974), de Luis Buñuel, onde chegou a mostrar seu traseiro em cenas sadomasoquistas, pelo “amor à arte”. Paralelamente, aprofundou sua relação com a escritora Marguerite Duras, estrelando quatro filmes que ela dirigiu: “Destruir, Disse Ela” (1969), “Amarelo o Sol” (1971) e “India Song” (1975), onde se destacou como um vice-cônsul torturado, repetindo o papel em “Son Nom de Venise dans Calcutta Désert” (1976). No mesmo ano de “India Song”, que o projetou como protagonista, Lonsdale estrelou o clássico “Sessão Especial de Justiça” (1975), de Costa-Gravas, cuja denúncia do sistema penal à serviço de governos corruptos (no caso, da França ocupada por nazistas) rendeu discussões acaloradas – assim como censura – em vários países. A repercussão do filme de Costa-Gravas o projetou para além da França, levando-o a trabalhar com o inglês Joseph Losey (“Galileu”, “A Inglesa Romântica” e “Cidadão Klein”) e o austríaco Peter Handke (“A Mulher Canhota”), o que o colocou no radar dos produtores da franquia “007”. Em “007 Contra o Foguete da Morte” (1979), Lonsdale viveu o diabólico Drax, um industrial bilionário e pianista, que pretendia envenenar a população da Terra e, em seguida, repovoar o planeta com alguns escolhidos, que ele selecionou para viver em sua estação espacial. O ator comparou seu personagem a Hitler em uma entrevista de 2012. “Ele queria destruir todo mundo e fazer surgir uma nova ordem de jovens muito atléticos… ele estava completamente louco.” Para enfrentar o James Bond vivido por Roger Moore, Lonsdale decidiu voltar a ser Michael e assim foi “adotado” pelo cinema britânico, aparecendo em seguida num dos filmes ingleses mais bem-sucedidos de todos os tempos, “Carruagens de Fogo” (1981). Lonsdale também participou do blockbuster “O Nome da Rosa” (1986) e de vários filmes notáveis dos anos seguintes, firmando parceria com o mestre do drama de época britânico James Ivory nos clássicos “Vestígios do Dia” (1993) e “Jefferson em Paris” (1995), no qual interpretou o imperador Luis XVI. Apesar do sucesso em inglês, ele nunca filmou nos EUA, mas trabalhou em mais três thrillers de diretores americanos famosos. Dois desses filmes foram dirigidos na Inglaterra por John Frankenheimer: “O Documento Holcroft” (1985), estrelado por Michael Caine, e “Ronin” (1998), em que contracenou com Robert De Niro. O terceiro foi “Munique” (2005), de Steven Spielberg, em cenas rodadas na França. Mesmo com essas experiências, ele nunca se interessou por Hollywood, preferindo trabalhar com cineastas europeus como Milos Forman (“Sombras de Goya”), François Ozon (“O Amor em 5 Tempos”), Catherine Breillat (“A Última Amante”), Ermanno Olmi (“A Aldeia de Cartão”), Xavier Beauvois (“Homens e Deuses”) e até o centenário cineasta português Manoel de Oliveira (no último longa do diretor, “O Gebo e a Sombra”). Ativo até 2016, quando se aposentou, Lonsdale só foi receber seu primeiro grande prêmio na véspera de seus 80 anos, o César (equivalente francês do Oscar) por seu papel coadjuvante como sacerdote livre e heroico em “Homens e Deuses” (2010). A consagração como homem de fé foi importante não apenas para a carreira de Lonsdale. Ele professava fé cristã pela influência de uma madrinha cega e, em 1987, ingressou na Renovação Carismática Católica antes de fundar o “Magnificat”, um grupo de oração para artistas. Solteiro e sem filhos, Lonsdale também foi pintor e emprestou sua voz inconfundível a inúmeros documentários e audiolivros.
Eternal Beauty: Comédia com atriz de A Forma da Água ganha primeiro trailer
A Samuel Goldwyn Films divulgou as fotos, o pôster e o trailer de “Eternal Beauty”, comédia britânica de humor negro estrelada por Sally Hawkins, indicada ao Oscar por “A Forma da Água” (2017). Escrito e dirigido pelo ator galês Craig Roberts, o filme conta uma história de amor incomum entre uma mulher esquizofrênica (interpretada por Hawkins) e um músico fracassado (David Thewlis, de “Mulher-Maravilha”). Este é o segundo trabalho de direção de Roberts, que é mais conhecido como a estrela da comédia cult de Richard Ayoade “Submarine”. Roberts também estrelou três temporadas da série original da Amazon “Red Oaks”. Co-estrelado por Billie Piper (“Doctor Who”), Alice Lowe (“Black Mirror: Bandersnatch”), Rita Bernard-Shaw (“Growin’ Pains”), Penelope Wilton (“Downton Abbey”), Morfydd Clark (“Dracula”) e Robert Aramayo (“Game of Thrones”), “Eternal Beauty” será lançado nos EUA em VOD a partir de 2 de outubro.
Small Axe: Série de filmes de Steve McQueen sobre luta racial ganha primeiro trailer
A Amazon divulgou o primeiro trailer de “Small Axe”, que apresenta a “série” como uma coleção de cinco filmes dirigidos por Steve McQueen, o cineasta de “12 Anos de Escravidão”. O vídeo foi divulgado no domingo (9/8), data em que se completou 50 anos do evento que ele retrata. Todos os filmes abordarão a luta racial no Reino Unido entre os anos 1960 e 1980, muitas vezes contando com os mesmos personagens. O primeiro vai se chamar “Mangrove”, sobre protestos antirracistas que uniram comunidades oprimidas em Londres em agosto de 1970. Naquele mês, negros e imigrantes sul-asiáticos marcharam juntos em direção a delegacias de polícia, denunciando a brutalidade dos oficiais contra as comunidades não-brancas britânicas. Nove dos líderes ativistas acabaram presos, incluindo os três sócios do restaurante Mangrove, cuja invasão pela polícia foi o estopim para os protestos. O julgamento marcou época. O elenco destaca Letitia Wright (a Shuri de “Pantera Negra”) como líder dos ativistas que protestam contra o racismo policial, além de Shaun Parkes (“Perdidos no Espaço”), Malachi Kirby (“Raízes”), Rochenda Sandall (“Line of Duty”), Jack Lowden (“Duas Rainhas”), Sam Spruell (“The Bastard Executioner”), Gershwyn Eustache Jr. (“Britannia”) e Gary Beadle (“No Coração do Mar”). Apropriadamente, o título do projeto deriva de um provérbio africano usado em todo o Caribe e que ficou famoso ao ser cantado por Bob Marley em 1973: “Se você é a árvore grande, nós somos o machado pequeno” (small axe). “Small Axe” é uma coprodução entre a Amazon e a ABC, e os outros filmes da coleção são intitulados “Lovers Rock”, “Alex Wheatle”, “Education” e “Red, White and Blue”, que é estrelado por John Boyega (“Star Wars: A Ascensão Skywalker”). “Mangrove” deveria ter sido exibido no cancelado Festival de Cannes. Agora vai abrir o Festival de Nova York, junto com “Lovers Rock” e “Red, White and Blue”, no dia 25 de setembro. A previsão é que eles sejam lançados logo em seguida na BBC e na Amazon.
Eva Green é processada por dar prejuízo à produção de filme sci-fi
A atriz Eva Green (“Penny Dreadful”) está sendo processada na Suprema Corte de Londres por supostamente dar prejuízo à produtora de um thriller de ficção científica, chamado de “A Patriot”, que ela estrelaria ao lado de Helen Hunt e Charles Dance. Pelo contrato firmado em maio do ano passado, Green se comprometia a fazer o papel de Kate Jones, uma capitã de Fronteira de um estado autoritário futurista. Dan Pringle (“K-Shop”) deveria ter dirigido a partir de seu roteiro original. Green, que também era produtora executiva do projeto, iniciou no mês passado seu próprio processo judicial contra a produtora do filme, White Lantern (Britannica) Ltd. A atriz alegou que tinha um acordo de “filmar ou pagar”, que lhe dá direito a US$ 1,04 milhão caso o projeto fosse abandonado. Ela também quer que a produtora cinematográfica pague seus custos legais. Em fevereiro, Green foi informado de que a Sherborne Media Finance havia assumido o controle da White Lantern e “pretendia notificar a rescisão do contrato com o artista”. A empresa alegou em outubro passado que ela havia violado o acordo, então não era elegível para a taxa. Green diz que a empresa não forneceu informações sobre a violação relatada. Segundo o jornal britânico Evening Standard, que teve acesso ao processo, a White Lantern afirma que a atriz fez várias exigências que acarretaram no encarecimento da produção, originalmente orçada em US$ 5,22 milhões, e abandonou o papel, levando à inviabilização do filme. Ela teria exigido que uma equipe adicional fosse contratada, o que teria somado US$ 326 mil ao orçamento, embora tenha se oferecido para pagar o montante com parte de seus próprios honorários. A White Lantern alega que Green queria colocar o produtor Paul Sarony (“Juliet, Nua e Crua”) no filme, supostamente insistindo: “Precisamos absolutamente dele a bordo, caso contrário o navio afundará.” A produtora afirma ter dito à atriz que Sarony seria “incrivelmente caro” e bastante redundante no set. Também alega que Green tentou contratar o supervisor de efeitos visuais George Zwier, cujos créditos incluem “Star Wars: A Ascensão Skywalker” e “Artemis Fowl”, bem como sua própria equipe de assistentes pessoais, dizendo: “Eles não podem trabalhar por menos e não posso trabalhar sem eles.” Green também queria recrutar a supervisora de roteiro Jeanette McGrath (“Game of Thrones”, “Penny Dreadful”), falando: “Por favor, realmente precisamos da Jeanette a bordo para a qualidade do filme”. As filmagens deveriam durar sete semanas em Dublin, na Irlanda, a partir de agosto do ano passado, mas a produção foi adiada duas vezes, antes de ser abandonada. De acordo com a White Lantern, a produção foi forçada a se encerrar porque a atriz se afastou do projeto. Por conta do prejuízo com seu investimento inicial, a empresa agora cobra US$ 1,3 milhão de despesas criadas pela atriz e também busca uma compensação pelos “lucros que o filme teria gerado” – US$ 130 milhões na estimativa da produtora. O advogado da empresa, Max Mallin, disse no processo que Eva Green “se engajou em uma conduta que demonstrou que ela não tinha intenção e/ou desejo de concluir a produção do filme. [Suas] exigências eram irracionais… [Elas] criaram distrações, atrasos e custos adicionais significativos para a White Lantern.”












