A Espiã Vermelha simplifica questões profundas com romantismo de época
Quando se fala de espionagem, a ideia imediatamente associada a ela é a de traição. Traição a seu país, à sua causa política, aos seus companheiros de trabalho ou militância, a seus amores, amigos, familiares. Mas o mundo é complexo e muitos elementos entram nessa equação. Por exemplo, num tempo de guerra, há alianças. Será correto que um país aliado esconda informações essenciais do outro? A lealdade a um país não poderia ser um entrave ao equilíbrio necessário para reconquistar a paz mundial? No terreno das relações pessoais, como amar e se dedicar a alguém que professa teses arriscadas, que soam parciais ou manipuladas? Enfim, é possível e desejável dormir com o inimigo? É justo excluir amigos e familiares de informações que podem colocá-los em risco? Por outro lado, deixá-los na ignorância pode ser uma forma de protegê-los? E aos companheiros de militância política ou científica é possível omitir ou compartilhar dados sigilosos? Em que medida e com que objetivo? Todas essas questões perpassam a leitura do romance “A Espiã Vermelha” (Red Joan), de Jennie Rooney, uma criação inspirada em fatos e personagens reais da história, no Reino Unido, no período que antecedeu a 2ª Guerra Mundial, passou por toda a conflagração e continuou após a bomba atômica, em Hiroshima, e a vitória dos aliados ocidentais e da União Soviética. A personagem da espiã Joan Stanley é complexa e cheia de nuances, sentimentos, valores, lealdades pessoais e políticas. É inspirada livremente na espiã britânica Melita Norwood, que agiu municiando a União Soviética de informações sigilosas. Só foi descoberta 50 anos após, quando já contava com 87 anos de idade, levando uma vida calma e tranquila nos subúrbios londrinos, viúva e com um filho advogado. O filme homônimo, de Trevor Nunn, adapta essa história surpreendente e atraente, respeitando a proposta do livro, mas reduzindo significativamente o impacto político e a força que esse envolvimento tem na vida da personagem principal e de seus contatos mais importantes. O comunismo como ideia-força dessa juventude retratada, o papel heroico e ambíguo de Stalin na guerra (haja visto o pacto de não-agressão firmado com Hitler), a opressão que se seguiu, assim como o papel do Reino Unido como aliado preferencial dos norte-americanos, porém, reticente em relação aos soviéticos, o rompimento do que restava do pacto civilizatório com o ataque brutal da bomba em Hiroshima e Nagasaki e o desequilíbrio do mundo com a emergência da superpotência dos Estados Unidos, tiveram um papel de fundamental relevo na trama. Isto é claro no livro, mas tímido no filme. Os elementos românticos da narrativa são mais explorados pelo filme do que talvez fosse necessário. Parece que houve uma preocupação de tornar mais palatável ao grande público uma trama que deixasse a contextualização política num plano mais geral, sem entrar em muitos detalhes. No entanto, a espionagem em si é apenas um elemento do sentimento político reinante naquele período da história. Não é o centro dela, embora seja o elemento detonador que une o presente ao passado. Evidentemente, o nome da grande atriz inglesa Judi Dench, que faz Joan idosa nos dias atuais, vai atrair o público aos cinemas. Seu papel, porém, é relativamente pequeno, já que o maior tempo é dedicado ao relembrar do passado que está sub judice da Joan jovem, papel de Sophie Cookson, que está bem, mas não passa a densidade política que a personagem precisaria ter. O elenco como conjunto é muito bom, a produção é bem cuidada, a caracterização de época é ótima, oferecendo um programa cinematográfico de boa qualidade. Mas o livro que inspirou o filme, lançado pela editora Record, aprofunda questões que “A Espiã Vermelha”, no cinema, não conseguiu explorar suficientemente.
Renee Zellweger é Judy Garland em trailer de cinebiografia
A Roadside Attractions divulgou o pôster, novas fotos e o primeiro trailer de “Judy”, cinebiografia da lendária atriz Judy Garland. A prévia mostra diversas cenas da vida da estrela, com ênfase em seus últimos anos, quando é encarnada por Renee Zellweger. E a interpretação é tão convincente que os letreiros chegam a afirmar que “Renee Zellweger é Judy Garland”. Situado em 1968, o filme mostrará a chegada da atriz em Londres para uma série de apresentações. 30 anos depois de dar a vida a Dorothy, em “O Mágico de Oz”, ela enfrenta problemas de uma grande estrela: brigas com empresários, relacionamentos com músicos, fãs e amigos, além do romance com seu quinto marido, Mickey Dean. Judy Garland faleceu poucos meses depois, ainda em Londres, de overdose aos 47 anos de idade. O filme tem roteiro de Tom Edge (da série “The Crown”), direção do inglês Rupert Goold (“A História Verdadeira”) e seu elenco ainda inclui Rufus Sewell (“The Man in the High Castle”), Bella Ramsey (“Game of Thrones”), Michael Gambon (“Harry Potter e as Relíquias da Morte”), Finn Wittrock (“American Horror Story”), Jessie Buckley (“Chernobyl”), Gemma-Leah Devereux (“The Tudors”) como Lisa Minnelli e Darci Shaw (“The Bay”) como a versão jovem de Judy. A estreia está marcada para 27 de setembro nos Estados Unidos e ainda não há previsão de lançamento no Brasil.
Nadja Regin (1931 – 2019)
A atriz Nadja Regin, que apareceu em dois filmes da franquia “007”, morreu aos 87 anos. A notícia foi confirmada pela conta oficial da saga James Bond no Twitter, que postou uma homenagem à atriz sérvia, sem dar maiores detalhes sobre sua morte. Ela começou a carreira em 1959 em filmes da então Iugoslávia, usando seu nome completo: Nadja Poderegin. Fez oito produções elogiadíssimas, antes de cruzar a Cortina de Ferro para trabalhar na Alemanha Ocidental e no Reino Unido, onde a qualidade das obras desabou, mas lhe deu maior visibilidade. Os dois filmes de James Bond foram os únicos trabalhos de sua filmografia lançados no Brasil. Em “Moscou Contra 007” (1963), estrelado por Sean Connery, Regin viveu a amante do personagem Karim Bey (Pedro Armendáriz), chefe da “estação T” do Serviço Secreto Britânico em Istambul (Turquia). Sua segunda aparição, em “007 Contra Goldfinger” (1964), teve mais destaque. Novamente ao lado de Connery, ela aparece como a personagem Bonita, uma dançarina sedutora que tenta enganar o espião. Regin continuou atuando durante os anos 1960, aparecendo em séries britânicas como “Danger Man”, “The Third Man” (O Terceiro Homem) e “The Saint” (O Santo). Até se aposentar em 1968, fundando a editora literária Honeyglen Publishing com sua irmã, Jelena.
The Souvenir: Trailer do filme vencedor do Festival de Sundance destaca filha de Tilda Swinton
A A24 divulgou o pôster e o trailer de “The Souvenir”, drama britânico que venceu a mostra competitiva internacional do Festival de Sundance deste ano. A prévia mostra um relacionamento destrutivo, em que um homem manipula uma mulher apaixonada. Mas o destaque principal está na relação entre as intérpretes de mãe e filha. “The Souvenir” marca o primeiro papel de destaque de Honor Swinton Byrne, que contracena com sua mãe de verdade nas cenas, a atriz Tilda Swinton. As duas já tinham trabalhado juntas há dez anos, no único filme anterior de Honor, feito quando ela ainda era criança – “Um Sonho de Amor” (2009). O terceiro nome do elenco é o ator Tom Burke (o Athos da série “The Musketeers” e o Comoran Strike de “Strike”). Tendo como pano de fundo a indústria cinematográfica, “The Souvenir” acompanha uma estudante de cinema (Swinton Byrne) que conhece um homem misterioso (Burke). Em poucos dias, os dois se envolvem num caso de amor sério, mesmo ignorando as preocupações da mãe (Swinton) da jovem e de seus amigos. A estudante passa a tomar grandes quantias de dinheiro de seus pais, entregando-se ao relacionamento e às necessidades de seu novo amor. Por curiosidade, o título se refere a uma pintura de Jean-Honoré Fragonard, feita em 1778, que é vista na cena final da prévia. O filme tem roteiro e direção de Joanna Hogg, diretora de “Aquipélogo” (2010) e “Exibição” (2013), que se baseou numa experiência de sua vida, e deu tanto o que falar durante sua passagem por Sundance que vai ganhar continuação, atualmente em desenvolvimento. Entre os produtores executivos do longa, ainda tem destaque o nome do diretor Martin Scorsese. “The Souvenir” chega aos cinemas americanos em 17 de maio e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
Yesterday: Trailer legendado de comédia imagina um mundo que nunca ouviu os Beatles
A Universal divulgou o pôster e dois trailers diferentes de “Yesterday” – um deles para o mercado americano e outro internacional, legendado em português para o lançamento no Brasil. Por sinal, o filme não terá seu título traduzido por aqui, porque até os brasileiros mais desligados conhecem a música dos Beatles que inspirou seu nome. Quem são os Beatles? A prévia faz esta pergunta inusitada, ao imaginar um mundo em que ninguém nunca ouviu falar da maior banda de rock de todos os tempos, exceto um músico aspirante, que sofreu um acidente no momento do apagão musical sem precedentes, conseguindo reter na memória os grandes hits de Paul, John, George e até de Ringo. Ao tocar “Yesterday” ao vilão para os amigos, ele se surpreende quando todos acreditam que ele compôs a canção. E logo se torna o artista mais popular do mundo, tocando apenas covers dos Beatles, que ninguém mais consegue lembrar. Essa premissa de realidade alternativa foi roteirizada pelo rei das comédias românticas britânicas, Richard Curtis (de “Quatro Casamentos e um Funeral”, “Um Lugar Chamado Notting Hill” e “Simplesmente Amor”), e dirigida por Danny Boyle (de “Trainspotting” e “Quem Quer Ser um Milionário?”). Estrelado por Himesh Patel (da série “Damned”) em seu primeiro papel no cinema, o filme também destaca em seu elenco Lily James (“Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo”), Ana de Armas (“Blade Runner 2049”), Kate McKinnon (“Caça-Fantasmas”), Lamorne Morris (“New Girl”), Joel Fry (“Requiem”) e o cantor Ed Sheeran (“The Bastard Executioner”) como ele mesmo. A estreia está marcada para 28 de junho no Reino Unido e nos Estados Unidos, mas ainda não há previsão de lançamento para o Brasil.
BAFTA 2019: Roma vence o “Oscar britânico”
“Roma”, de Alfonso Cuarón, foi o grande vencedor do BAFTA Awards 2019, a premiação da Academia Britânica de Artes Cinematográficas e Televisivas (BAFTA, na sigla em inglês). A produção mexicana em preto e branco da Netflix venceu quatro troféus, incluindo o principal, de Melhor Filme do ano. Os demais foram os troféus de Melhor Direção, Fotografia e Filme em Língua Não Inglesa, todos eles conquistados por Cuarón, como diretor, cinematógrafo e produtor do longa. O “Oscar britânico” também consagrou a produção local “A Favorita”, de Yorgos Lanthimos, que conquistou até mais prêmios: sete ao todo, inclusive Melhor Atriz para Olivia Colman e Atriz Coadjuvante para Rachel Weisz. Entre os atores, os premiados foram Rami Malek, por seu desempenho como Freddie Mercury em “Bohemian Rhapsody”, e Mahershala Ali, como coadjuvante em “Green Book”. A vitória no BAFTA cacifa ainda mais “Roma” na disputa do Oscar 2019. Nesta década, 55,5% dos vencedores da Academia britânica (cinco de nove) também conquistaram o prêmio da Academia americana. A premiação também rendeu um troféu para Lady Gaga, pela trilha de “Nasce uma Estrela”, para Spike Lee, pelo roteiro de “Infiltrado na Klan” e para a produção de “Homem-Aranha no Aranhaverso”, como Melhor Animação. Para completar, em votação aberta ao público, Letitia Wright, a Princesa Shuri de “Pantera Negra”, foi eleita a Revelação do ano. Confira abaixo a lista completa dos vencedores. Melhor Filme “Roma” Melhor Filme Britânico “A Favorita” Melhor Filme de Língua Não-Inglesa “Roma” Melhor Documentário “Free Solo” Melhor Animação “Homem-Aranha no Aranhaverso” Melhor Direção Alfonso Cuarón (“Roma”) Melhor Roteiro Original Deborah Davis e Tony McNamara (“A Favorita”) Melhor Roteiro Adaptado Spike Lee, David Rabinowitz, Charlie Wachtel e Kevin Willmott (“Infiltrado na Klan”) Melhor Atriz Olivia Colman (“A Favorita”) Melhor Ator Rami Malek (“Bohemian Rhapsody”) Melhor Atriz Coadjuvante Rachel Weisz (“A Favorita”) Melhor Ator Coadjuvante Mahershala Ali (“Green Book: O Guia”) Melhor Estreia de Roteirista, Diretor ou Produtor “Beast” – Michael Pearce (Roteirista e Diretor) e Lauren Dark (Produtor) Melhor Trilha Sonora “Nasce Uma Estrela” Melhor Fotografia “Roma” Melhor Edição “Vice” Melhor Direção de Arte “A Favorita” Melhor Figurino “The Ballad of Buster Scruggs” “Bohemian Rhapsody” “A Favorita” “O Retorno de Mary Poppins” “Duas Rainhas” Melhor Cabelo e Maquiagem “A Favorita” Melhor Som “Bohemian Rhapsody” Melhores Efeitos Visuais “Pantera Negra” Melhor Curta-Metragem Animado Britânico “Roughhouse” Melhor Curta Britânico “73 Cows” Estrela em Ascenção Letitia Wright (“Pantera Negra”)
A Favorita diverte com show de interpretação e esquisitices
O cineasta grego Yorgos Lanthimos conseguiu projeção internacional pelo caráter único de seus filmes. Seu terceiro longa, “Dente Canino” (2009), foi a obra que deu início ao fascínio mundial por suas idiossincrasias, graças à indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Nesse filme já se percebia seu gosto tanto pelo bizarro quanto por um senso de humor muito particular. Afinal, por mais que alguém ache o filme um tanto perturbador em diversos aspectos, há ali tantos momentos desconcertantes que às vezes a única reação possível é rir. O gosto pelo surreal se aprofundou em “Alpes” (2011) e inundou seu primeiro filme em língua inglesa, “O Lagosta” (2015), que contou com Colin Farrell e Rachel Weisz. Trata-se de uma obra difícil de classificar, embora alguns possam imaginá-la como uma comédia romântica perversa e bizarra. Novamente com Farrell, “O Sacrifício do Cervo Sagrado” (2017) se encaminhou mais para o gênero horror, embora fuja dos clichês e seja igualmente estranho. Por isso, mesmo sem abrir mão de suas esquisitices, “A Favorita” é o filme mais acessível do diretor. E, como resultado, recebeu 10 indicações ao Oscar. Mesmo assim, ainda pega muitos espectadores desprevenidos, já que sua aparência superficial de drama de época britânico esconde, sob os espartilhos, uma sátira sáfica, que lida com o homoerotismo. Mas “A Favorita” é, antes de tudo, sobre os jogos do poder. E há tempos não vemos um trio de atrizes tão forte representando seus papéis com tanta desenvoltura, que até parece que a disputa por prestígio também acontece por trás das câmeras, no sentido de que Emma Stone, Rachel Weisz e Olivia Colman parecem competir por atenção e admiração. Não por acaso, as três foram indicadas ao Oscar. Na trama, Emma Stone é uma jovem plebeia que é recebida para trabalhar no palácio de Anne (Colman), Rainha da Inglaterra do início do século 18. Além de chegar toda suja, ela ainda é ridicularizada pela mulher que é o braço direito da rainha (Weisz, inspirada). O que a jovem descobre, graças à sua inteligência e luta pela sobrevivência naquele ninho de cobras, é que as personagens de Colman e Weisz também são amantes. É então que percebe o caminho para conquistar o seu lugar ao sol, através daquela rainha que na maioria das vezes mais parece uma criança mimada. Para contar essa história, Lanthimos usa lente grande angular, que destaca principalmente a grandeza dos interiores do palácio real. Há também cenas com utilização apenas de luz natural, o que alimenta comparações com o clássico “Barry Lyndon” (1975), de Stanley Kubrick. E não dá para ignorar a suntuosidade dos cenários e figurinos. Tanto capricho poderia distrair do enredo, não fosse ele tão divertido e tão bem encenado, com um show de interpretação das três atrizes. Fala-se muito de Oliva Colman, que se projetou internacionalmente com este filme, após uma carreira focada na TV britânica, mas a “coadjuvante” Stone aparece mais em cena que a própria intérprete da rainha. A cena em que tenta seduzir um dos nobres do castelo à base de porrada está entre os pontos altos da produção. Considerando-se a fragilidade dos demais filmes indicados à categoria principal do Oscar, “A Favorita” se engrandece ainda mais, atingindo status de obra-prima.
Albert Finney (1936 – 2019)
O ator britânico Albert Finney, indicado cinco vezes ao Oscar, morreu nesta sexta-feira (8/2), aos 82 anos, após enfrentar “uma breve doença” e “cercado por seus entes queridos”, segundo comunicado de sua família. Lenda do cinema e do teatro britânico, Finney nasceu em 9 de maio de 1936, estudou na tradicional escola de Royal Academy of Dramatic Art, onde iniciou sua carreira interpretando principalmente personagens de William Shakespeare, chamando atenção do diretor Tony Richardson para integrar o filme “Vida de Solteiro”, em 1960. Ele se tornou um dos novos rostos da new wave britânica, ao representar outro jovem da classe trabalhadora em “Tudo Começou num Sábado” (1960), que lhe rendeu o prêmio BAFTA (da Academia Britânica) de Revelação do ano. Mas sua trajetória sofreu uma mudança abrupta quando trocou o realismo social dos dramas em preto e branco pela exuberância de “As Aventuras de Tom Jones” (1963). Dirigido pelo mesmo Tony Richardson que o tinha revelado em “Vida de Solteiro”, Finney levou seu protótipo de jovem independente ao cinema de época, tornando-se um Tom Jones irresistível. Filho bastardo de um aristocrata e incapaz de resistir aos impulsos sexuais, lutou por seus direitos e pelo amor na tela, levando as revoluções sociais e sexuais para o século 18. O resultado encantou o mundo, lotou cinemas e rendeu a primeira indicação do ator ao Oscar. O sucesso de “As Aventuras de Tom Jones” tornou Finney tão popular quanto os Beatles. E ele foi se arriscar em novos gêneros, como o drama de guerra de “Os Vitoriosos” (1963) e até viver um vilão, o psicopata de “A Noite Tudo Encobre” (1964), ao mesmo tempo em que decidiu fazer mais teatro, criando hiatos em sua filmografia. Quando ressurgiu, após três anos, foi como par romântico de Audrey Hepburn em “Um Caminho para Dois” (1967), de Stanley Donen, que abriu uma lista de dramas sobre relacionamentos em crise, como “Charlie Bubbles” (1968), “The Picasso Summer” (1969) e “Alpha Beta” (1974), entrecortadas pelas comédias “O Adorável Avarento” (1970), que lhe rendeu o Globo de Ouro, e “Gumshoe, Detetive Particular’ (1971), primeiro longa do diretor Stephen Frears. Em 1974, ele deu vida a outro papel marcante, o detetive Hercule Poirot na versão cinematográfica original de “Assassinato no Expresso Oriente”, dirigida por Sidney Lumet, e foi novamente indicado ao Oscar. E também aproveitou a exposição da indicação para retornar aos palcos, fazendo apenas mais um filme na década: “Os Duelistas” (1977), estreia do diretor Ridley Scott. “Quando trabalhei naqueles anos no National Theatre”, disse Finney ao The New York Times em 1983, “as pessoas sempre diziam que eu poderia estar em Hollywood ganhando essa ou aquela quantia de dinheiro. Mas você deve manter a capacidade de fazer o que quer. Eu não queria ser vítima da necessidade de viver um estilo de vida que exige salários enormes para ser bancado”. Ele voltou ao cinema como coadjuvante em filmes inesperados, como o terror social “Lobos” (1981), o thriller sic-fi “O Domínio do Olhar” (1981) e o musical infantil “Annie” (1982), antes de tomar seu devido lugar no centro das atenções em “O Fiel Camareiro” (1984). O papel de Sir, um tirânico e decadente ator shakespeareano, que só tem momentos felizes no contato com seu camareiro, responsável por prepará-lo para subir no palco, rendeu a terceira indicação de Finney ao Oscar. Mas, após o novo reconhecimento, ele não sumiu das telas. Foi viver o papa João Paulo II num telefilme e emendou outro papel impactante, o cônsul alcoólico Geoffrey Firmin em “A Sombra do Vulcão”, um dos últimos filmes do diretor John Huston (que também o dirigiu em “Annie”), resultando em sua quarta indicação ao prêmio da Academia. Sua capacidade intuitiva de detectar talentos emergentes atrás das câmeras o levou a continuar trabalhando em filmes de futuros mestres, como os irmãos Coen, no excelente filme de gângster “Ajuste Final” (1990), Mike Figgis no drama “Nunca Te Amei” (1994), e principalmente Steven Soderbergh, que o escalou como o chefe de Julia Roberts em “Erin Brockovich” (2000), rendendo-lhe sua quinta e última nomeação ao Oscar, desta vez como Coadjuvante. Julia Roberts, vencedora do Oscar pelo mesmo filme, dedicou o prêmio ao britânico. E embora nunca tenha conquistado o Oscar, Finney ganhou o Emmy por sua interpretação de Winston Churchill no telefilme “O Homem que Mudou o Mundo”, de 2002, onde atuou ao lado de Vanessa Redgrave. O ator e Soderbergh repetiram a parceria em “Traffic” (2000) e “Doze Homens e Outro Segredo” (2004). Finney também trabalhou em dois filmes de Tim Burton, “Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas” (2003) e “A Noiva Cadáver” (2005), retomou a parceria com Ridley Scott em “Um Bom Ano” (2006) e fez o último longa do velho parceiro e grande mestre Sidney Lumet, “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto” (2007), entre muitas outras produções. Nos últimos anos, curiosamente, vinha se especializando em thrillers de ação e espionagem, novidades em sua vasta carreira. Mas, como não poderia deixar de ser, filmou justamente os melhores, “O Ultimato Bourne” (2007) e “O Legado Bourne” (2011), ambos dirigidos por Paul Greengrass, e “007 – Operação Skyfall” (2012), de Sam Mendes, com o qual encerrou sua filmografia. Em maio de 2011, o agente de Finney revelou que o ator estava enfrentando um câncer no rim.
Indicação ao Oscar de curta sobre assassinos de 10 anos de idade causa polêmica
A indicação de “Detainment” ao Oscar 2019 na categoria de Melhor Curta-Metragem está causando polêmica. O filme reproduz entrevistas da polícia feita com dois meninos de 10 anos condenados pelo assassinato de outra criança, de apenas dois anos de idade. O crime chocou tanto o Reino Unido em 1993, que acabou inspirando a redução da maioridade penal para 10 anos na região. E agora volta a virar notícia graças ao Oscar. A mãe de James Bulger, a vítima da atrocidade, se disse “enojada” com a indicação do filme, feito sem sua autorização. “Eu não consigo expressar como estou enojada e chocada por esse filme ter sido feito e agora indicado ao Oscar”, tuitou Denise Fergus, a mãe de James, após o anúncio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. “Uma coisa é fazer um filme como esse sem contatar ou pedir permissão à família de James e outra é ter uma criança encenando as últimas horas de vida dele, os momentos que antecederam o seu assassinato brutal, e fazer a mim e a minha família reviver tudo isso!”, criticou. O diretor irlandês Vincent Lambe, responsável pelo curta, divulgou um comunicado se desculpando por não ter avisado a Fergus sobre o filme e “por qualquer mal estar que o curta possa ter causado”. Segundo Lambe, o filme foi feito para tentar entender o que levou os dois garotos de 10 anos a cometer “um crime tão horrível”. “Porque eu acho que, se não entendermos a causa disso, é provável que algo parecido volte a ocorrer no futuro”, observou ele. Mas a briga de Denise Fergus com o diretor não começou nesta semana. Em entrevista ao programa de TV britânico “Loew Women”, da ITV, no mês passado, Fergus acusou Lambe de estar usando o caso para promover a carreira, conclamou que o filme fosse boicotado e pediu para que a Academia o tirasse da disputa do Oscar. “Eu quero muito tirar esse filme da lista (de indicados). Eu acho que ele (Lambe) não merece nenhum Oscar e que só está tentando promover sua carreira e se engrandecer usando o sofrimento de outra pessoa”, disse ela. “Eu estou pedindo que as pessoas boicotem (o curta-metragem) porque, em primeiro lugar, ele nem deveria ter sido feito, especialmente sem os pais de James terem sido consultados a respeito”, continuou. “Detainment” (Detenção, em tradução literal) conta os detalhes do crime, a partir dos depoimentos dados pelos assassinos à polícia. James estava em um shopping center em Bootle, perto de Liverpool, com a mãe, quando foi raptado em 12 de fevereiro de 1993. Câmeras de segurança mostraram quando Robert Thompson e Jon Venables, que na época tinham 10 anos, atraíram e levaram o menino. Logo depois, eles o espancaram até a morte com tijolos e uma barra de ferro e deixaram o corpo em uma linha de trem. James foi encontrado pela polícia dois dias depois. Os assassinos, por sua vez, foram identificados após o programa da BBC “Crimewatch” exibir a gravação em que apareciam levando a criança do shopping. Eles foram condenados em novembro do mesmo ano e cumpriram 8 anos de detenção em um reformatório, tornando-se os condenados por assassinato mais jovens da História na Inglaterra. Fergus pressionou vários anos por sentenças mais longas para os assassinos do filho, mas eles foram libertados em 2001, receberam novas identidades e desde então vivem anonimamente. Depois que a indicação ao Oscar foi confirmada, o presidente da Irlanda, Michael D. Higgins, usou o Twitter para parabenizar os indicados irlandeses, incluindo a equipe por trás do curta-metragem. A cerimônia de premiação do Oscar 2019 será realizada no dia 24 de fevereiro, em Los Angeles, com transmissão no Brasil pelos canais Globo e TNT.
Oscar 2019: Roma atinge recorde de indicações para filme estrangeiro na premiação
As indicações ao Oscar 2019 refletem uma internacionalização da premiação do cinema americana, marcada pela inclusão de diversos filmes de línguas estrangeiras em categorias importantes. Falado em espanhol, “Roma” foi o filme com mais destaque na lista divulgada nesta terça (22/1) pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. Disputando prêmios em 10 categorias, igualou o recorde de “O Tigre e o Dragão”, primeiro filme estrangeiro a obter uma dezena de indicações ao Oscar – venceu quatro em 2001. Além de “Roma”, o polonês “Guerra Fria”, de Pawel Pawlikowski, destacou-se em três categorias, incluindo Direção e Fotografia, em que enfrentará o filme de Cuarón. Os dois ainda disputarão com o alemão “Never Look Away’, de Florian Henckel von Donnersmarck, o Oscar de Melhor Fotografia. Os três filmes ainda fazem parte da acirrada categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, que também inclui o drama libanês “Cafarnaum”, de Nadine Labaki, e o japonês “Assunto de Família”, de Hirokazu Kore-eda. Além destes, o filme japonês “Mirai” entrou na lista de Melhor Animação, a produção síria-alemã “Of Fathers and Sons” na disputa de Documentário, e o drama sueco “Border” na categoria de Melhor Maquiagem e Penteado. Para completar, a Academia indicou o grego Yorgos Lanthimos na disputa de Melhor Direção por “A Favorita”. Esta dramédia de época é, por sinal, uma produção britânica. E empatou com “Roma” em quantidade de nomeações ao Oscar 2019. Ambos são coproduções com os Estados Unidos, mas é relevante que um longa essencialmente mexicano e uma produção essencialmente britânica tenham dominando a premiação do cinema americana. E isto é sintomático da abertura cada vez maior da Academia para eleitores estrangeiros, privilegiando a visão de cineastas de vários cantos do mundo. Entretanto, com reflexos inesperados, já que os estrangeiros não valorizaram a produção independente americana. Vale reparar, por isso, que os filmes estrangeiros são os que possuem maior aprovação da crítica entre os títulos que disputam o Oscar 2019. E isto se dá pela ausência maciça de representantes do cinema de qualidade feito nos Estados Unidos. No lugar de filmes independentes premiados, o Oscar estendeu seu tapete vermelho para obras americanas mais convencionais, de sucesso comercial e apelo popular, como “Pantera Negra”, “Bohemian Rhapsody” e “Nasce uma Estrela”, conhecidas por todo mundo.
Charlotte Rampling será homenageada no Festival de Berlim 2019
A atriz britânica Charlotte Rampling será homenageada com um Urso de Ouro especial por sua carreira no Festival de Berlim de 2019. Ela venceu o Urso de Prata de Melhor Atriz em 2015 por seu desempenho em “45 Anos”, de Andrew Haigh, papel que também lhe rendeu uma indicação ao Oscar e seu segundo European Film Award de Melhor Atriz (o primeiro foi por “Swimming Pool – À Beira da Piscina”). Em homenagem a Rampling, o 69º Festival Internacional de Cinema de Berlim exibirá uma seleção dos filmes mais conhecidos da atriz, incluindo “Os Deuses Malditos” (1969), de Luchino Visconti, “Memórias” (1980), de Woody Allen, “O Veredito” (1982), de Sidney Lumet, “Sob a Areia” (2000) e “Swimming Pool” (2003), ambos de François Ozon. “Estou muito feliz que a homenagem deste ano seja dedicada à sublime atriz Charlotte Rampling”, disse Dieter Kosslick, diretor da Berlinale. “Ela é um ícone do cinema não convencional e excitante.” Além de aparecer várias vezes com filmes na Berlinale, Rampling também presidiu o júri internacional do festival em 2006. Rampling marcou época justamente por papéis pouco convencionais. A atriz, que estreou ainda adolescente como figurante no primeiro filme dos Beatles, “Os Reis do Ié-Ié-Ié” (1964), virou protagonista com “Georgy, a Feiticeira” (1966) e foi se tornar sex symbol com o polêmico “O Porteiro da Noite” (1974), como uma sobrevivente do Holocausto que passa a se relacionar com seu torturador. Ela também participou de várias séries televisivas, desde a clássica “Os Vingadores”, nos anos 1960, até atrações mais atuais, como “Dexter” e “Broadchurch”. Longe de se aposentar, a atriz de 72 anos continua a trabalhar em ritmo intenso. Só em 2018 ela estrelou três filmes em diferentes países, entre eles o thriller “Operação Red Sparrow”. Ela acaba de filmar “Valley of the Gods”, do polonês Lech Majewski, e está atualmente rodando “Benedetta”, do holandês Paul Verhoeven.
Shaun: O Carneiro é abduzido por aliens no teaser e no pôster de sua nova animação
A Aardman Animation divulgou o pôster e o primeiro trailer da continuação de “Shaun: O Carneiro” (2015). Com o subtítulo, em inglês, de “Farmageddon”, vídeo e cartaz mostram o carneiro sendo abduzido por alienígenas. A trama vai envolver justamente discos voadores e aliens à solta na pacata fazenda da trama. Realizado com a mesma técnica de animação por stop-motion de todas as produções da Aardman, o filme tem direção da dupla Will Becher e Richard Phelan. Eles estreiam em longa após trabalharem na série animada do personagem. Shaun apareceu pela primeira vez no curta “Wallace & Gromit: O Fio da Navalha” (1995), premiado com o Oscar, e, de coadjuvante, acabou virando protagonista ao ganhar uma série animada em 2007, exibida até hoje pela TV britânica. Um dos segredos de sua popularidade é que seus desenhos são mudos, já que os carneiros não falam, e portanto são facilmente entendidos em todo o mundo. O primeiro longa foi o grande vencedor da edição 2015 do Festival Anima Mundi e disputou o Oscar de Melhor Animação. A continuação tem estreia marcada para outubro no Reino Unido e ainda não possui previsão de lançamento no Brasil.
Gerald Butler luta por tesouro perdido em trailer de suspense britânico
A Saban Films divulgou o primeiro trailer de “The Vanishing”, suspense britânico estrelado por Gerard Butler (“Fúria em Alto Mar”). A trama gira em torno de três guardas de um farol em uma ilha remota, vividos por Butler, Peter Mullan (“Westworld”) e Connor Swindells (“Harlots”), que precisam sobreviver à ganância ao encontrar um baú cheio de ouro, abandonado na propriedade. O filme marca a estreia cinematográfica do diretor dinamarquês Kristoffer Nyholm (das séries “Taboo” e “Forbrydelsen”). Além de viver um dos protagonistas, Gerard Butler também é responsável pela produção, que estreia em março nos cinemas do Reino Unido. Ainda não há previsão para o lançamento no Brasil.










