Trailer de terror com Leandra Leal não parece produção brasileira
A Imagem Filmes divulgou o um novo trailer de “O Rastro”, terror estrelado por Rafael Cardoso (novela “Sol Nascente”) e Leandra Leal (“O Lobo Atrás da Porta”). A prévia não parece produção brasileira. Pela iluminação, filtros, sustos e trilha parece remake americano de terror japonês. O filme, na verdade, é uma coprodução entre o Brasil (Lupa Filmes) e os Estados Unidos (Orion Pictures, da MGM), escrita por André Pereira (“Mato Sem Cachorro”) e a estreante Beatrice Manela e também marca a estreia de João Caetano Feyer (assistente de “Filme de Amor”) na direção de longa-metragem. A trama envolve o fechamento de um hospital público no Rio e acompanha o médico responsável por coordenar a transferência dos pacientes durante a noite. Quando uma paciente jovem desaparece, ele tenta localizá-la e acaba gradualmente engolido pelo prédio em condições precárias. O elenco ainda conta com Felipe Camargo (“Ponte Aérea”), Alice Wegmann (“Tamo Junto”), Claudia Abreu (novela “A Lei do Amor”) e Jonas Bloch (série “#MeChamaDeBruna”). Originalmente marcada para 30 de março, a estreia foi adiada para 18 de maio.
A Bela e a Fera estreia em mais de mil cinemas no Brasil
Maior estreia da semana, “A Bela e a Fera” chega em 1,2 mil salas brasileiras nesta quinta-feira (16/3), 70% delas em 3D. O filme ocupa ainda 35 salas com 4D (movimento de cadeiras) e todas as 12 telas IMAX. Ao contrário de outros esforços da própria Disney, que inseriram diversas novidades nas adaptações com atores, é a mais fiel das versões com atores das animações do estúdio, tanto que parece um remake do filme de 1991, com direito até às mesmas músicas – e mais três inéditas. As poucas mudanças refletem o espírito independente da Bela vivida por Emma Watson (franquia “Harry Potter”) e a percepção da sexualidade de Lefou, que passaria incólume pelos vovozinhos conservadores, não tivesse o diretor alertado sobre isso. Vale observar que a crítica americana gostou, mas não se apaixonou, com 68% de aprovação na média do site Rotten Tomatoes. A chegada de “A Bela e a Fera” também confirma que a temporada de blockbusters começou mais cedo em 2017 – imediatamente após a entrega do Oscar, com os lançamentos consecutivos de “Logan” e “Kong – A Ilha da Caveira”. E, graças à concentração destes filmes no circuito, apenas outro filme tem distribuição em mais de 100 salas nesta semana: a comédia “Tinha que Ser Ele?”, em que Bryan Cranston (série “Breaking Bad”) descobre que será sogro de James Franco (“A Entrevista”). A disputa entre sogro e noivo já rendeu até franquias, como “Entrando Numa Fria”, e quando as piadas são velhas, o sorriso é amarelo. 40% de aprovação no RT. Longe dos shoppings, o circuito limitado recebe nada menos que oito filmes brasileiros, metade deles documentários. Os destaques são duas obras de ficção, a comédia “La Vingança” e o drama “Era o Hotel Cambridge”. “La Vingança” surpreende por ser realmente divertido. Uma comédia brasileira que faz rir deve ser exaltada como uma novidade muito bem-vinda. Infelizmente, não parece ser o que o mercado quer. Enquanto qualquer besteirol estreia em mais de 500 salas, “La Vingança” está sendo exilada em 20 salas. E este é o maior lançamento nacional da semana! Vai ver, é porque faltam atores de novelas. Só há Leandra Leal (“O Lobo Atrás da Porta”), que tem um pequeno papel. A história do ator Jiddu Pinheiro (“O Uivo da Gaita”), Thiago Dottori (“Vips”) e Pedro Aguilera (criador da série “3%”) gira em torno do personagem de Felipe Rocha (“Nise: O Coração da Loucura”), que após flagrar a traição da mulher (não muito Leal) com um argentino, resolve se vingar indo com seu melhor amigo até o país vizinho para transar com argentinas. A tradicional rivalidade rende boas piadas e marca a estreia na direção do produtor Fernando Fraiha (“Reza a Lenda”). “Era o Hotel Cambridge” tem clima completamente diferente. O filme de Eliane Caffé (“O Sol do Meio Dia”) se passa num prédio de São Paulo invadido por sem-tetos, destaca histórias de imigrantes, a organização interna dos moradores e a luta contra a reintegração de posse, com direito à tropa de choque. Socialmente relevante e muito bem realizado, venceu o Prêmio do Público no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo. Mas só chega em 12 salas. As outras duas ficções são a animação “História Antes de uma História”, uma experiência de metalinguagem para o público infantil, e o drama “Com os Punhos Cerrados”, uma experiência de metalinguagem para universitários, realizada pelo coletivo Alumbramento. Entre os documentários, “Jonas e o Circo sem Lona” tem a distribuição mais ampla, em 20 salas. Exibido em festivais pelo mundo, o filme de Paula Gomes foca um menino que enfrenta o desafio de amadurecer enquanto sonha com o picadeiro. Os demais são “Pedro Osmar, Prá Liberdade que se Conquista”, um manifesto político-musical sobre o músico Pedro Oscar, “Por um Punhado de Dólares – Os Novos Emigrados”, sobre imigrantes nos EUA, e “Estopô Balaio”, que retrata uma região degradada de São Paulo. A programação também inclui três títulos franceses. Indicado a quatro prêmios César (o Oscar francês), “Os Cowboys” é uma espécie de versão moderna de “Rastros de Ódio” (1965), em que um pai parte à cavalo em busca da filha desaparecida por territórios inóspitos. O filme marcou a estreia na direção de Thomas Bidegain, roteirista dos melhores filmes de Jacques Audiard, “O Profeta” (2009), “Ferrugem e Osso” (2012) e o vencedor da Palma de Ouro “Dheepan: O Refúgio” (2014). Mais tradicional, “O Filho de Joseph” acompanha um adolescente em busca do pai que nunca conheceu, numa história que vai do drama ao humor – e ainda evoca um tema bíblico – , escrita e dirigida por Eugène Green (“A Religiosa Portuguesa”). Já “Fatima”, do marroquino Philippe Faucon (“Samia”), lembra “Que Horas Ela Volta?” (2015) ao acompanhar uma mãe pobre e imigrante, que trabalha como faxineira e luta para manter as filhas na escola. Enquanto a mais nova vive sua rebelião adolescente, sem respeito pela mãe “burra” que mal fala francês, a mulher do título sacrifica a própria saúde para dar à filha mais velha a chance de cursar a faculdade. Mais premiado dos filmes da semana, venceu o César 2016 de Melhor Filme, Roteiro e Atriz Revelação. Fecha a programação o sul-africano “Eles Só Usam Black Tie”, que já pelo pôster demonstra como o título nacional é equivocado. Mas o original “Necktie Youth” (juventude engravatada, em tradução literal) também é problemático para nomear um retrato em preto e branco da juventude ostentação da África do Sul (que só usa tênis e jeans). Elogiadíssimo pela crítica internacional, é uma viagem por sexo, drogas e trilha jazzy que rendeu alguns prêmios em festivais internacionais. Clique nos títulos dos filmes destacados para ver os trailers de todas as estreias da semana.
Marjorie Estiano vai encarar sexo a três em seu próximo filme
Marjorie Estiano vai estrelar o filme “Jamais Estive Tão Segura de Mim Mesma”, dirigido por Monique Gardenberg (“Ó Paí, Ó”). E o título da produção já é indício do que vem por aí. Segundo o jornal Extra, a atriz fará cenas de sexo a três com os personagens de Lee Taylor (o Martim da novela “Velho Chico”) e Hermila Guedes (“Era uma Vez Eu, Veronica”). Apesar do relacionamento moderninho, a temática do longa é o universo da música brega. A produção já começou a ser filmada em São Paulo. Por curiosidade, Marjorie Estiano acaba de filmar “Todo Clichê do Amor”, em que vive uma garota de programa sadomasoquista.
Chico Díaz e Caio Castro são pai e filho distantes no trailer e duas cenas do drama Travessia
A O2 divulgou o pôster, o trailer e duas cenas de “Travessia”, drama nacional estrelado por Chico Díaz (“Em Nome da Lei”) e Caio Castro (“A Grande Vitória”). Desentendimentos após a morte da mãe levaram Júlio (Castro), filho único, a se distanciar do pai Roberto (Díaz). Ambos buscam novos caminhos, movidos por seus desejos. Júlio decide sair de casa e se sustenta com tráfico de drogas sintéticas em festas noturnas de Salvador. Mas um acidente de trânsito que pode levar Roberto para a prisão também se torna uma oportunidade para que se unam novamente. O elenco ainda inclui Camilla Camargo (novela “Carinha de Anjo”) e Cyria Coentro (novela “Velho Chico”). Primeiro longa escrito e dirigido por João Gabriel, “Travessia” teve sua première na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e recebeu os prêmios de Melhor Filme, Melhor Ator (Chico Diaz) e Melhor Montagem no 10° FestAruanda. A estreia comercial acontece em 23 de março.
Kong – A Ilha da Caveira é o único lançamento gigante em semana de 14 estreias
A semana registra 14 lançamentos de cinema, mas a maioria em circuito limitado. A única estreia de tamanho gigante é “Kong – A Ilha da Caveira”, o novo filme de King Kong, que chega em quase mil salas, ocupando todas as telas IMAX. Desembarca nos trópicos precedido por críticas entusiasmadas nos EUA a seus efeitos visuais, apesar das inconsistências em sua trama e erros de continuidade dignos de Ed Wood. A ação se passa nos anos 1970 e acompanha uma equipe militar perdida na ilha que dá título à produção – e que apareceu em todas as versões da origem de King Kong. Ao privilegiar o “prólogo” clássico, o filme resgata a tradição pulp das histórias de dinossauros no mundo contemporâneo e remixa este conceito centenário – de clássicos de Edgar Rice Burroughs (“A Terra que o Tempo Esqueceu”) e Arthur Conan Doyle (“O Mundo Perdido”) – com o delírio de “Apocalypse Now” (1979). Mais quatro filmes falados em inglês entram em cartaz. Todos de tom dramático e que tiveram desempenho de chorar nas bilheterias norte-americanas. Dois deles são dramas de tribunal. “Versões de um Crime” puxa mais para o suspense, com Keanu Reeves defendendo o filho de uma antiga conhecida da acusação de assassinato do próprio pai, numa história de reviravoltas previsíveis. Já o britânico “Negação” é quase um docudrama, que questiona a existência do Holocausto num julgamento midiático, com Rachel Weisz tendo que provar que os crimes nazistas não foram apenas propaganda judaica. Os outros dois lançamentos foram concebidos de olho no nicho dos filmes de prestígio, mas se frustraram ao não conseguir indicações ao Oscar 2017. “Fome de Poder” conta a história polêmica da origem da rede McDonald’s, com Michael Keaton no papel de Ray Kroc, o empresário visionário e vigarista que se apropriou do negócio dos irmãos que batizam as lanchonetes. E “Silêncio” é o épico que Martin Scorsese levou décadas para tirar do papel. O filme sobre padres jesuítas, martirizados ao tentar levar o evangelho ao Japão do século 17, lhe permitiu fazer as pazes com o Vaticano, superando as polêmicas de “A Última Tentação de Cristo” (1988). O catolicismo também é o tema central de “Papa Francisco, Conquistando Corações”, cinebiografia do atual Papa, que, ao contrário do esperado, não carrega na pregação ou edulcora a religião, mostrando um retrato humano do religioso desde sua juventude até sua sagração. Chama atenção ainda o fato de a obra não evitar temas polêmicos, como a ditadura argentina e os escândalos de pedofilia entre padres. Duas produções brasileiras lutam por espaço onde não há. O documentário “Olhar Instigado” aborda um tema urgente: a arte de rua em São Paulo. Bem fotografado, o filme acompanha grafiteiros e pichadores pela noite paulistana, e chega às telas em momento de tensão política, após a Prefeitura considerar as latas de spray tão perigosas quanto armas nas mãos de bandidos. Mesmo assim, não faz distinção entre arte e vandalismo, não leva a discussão onde ela já está. O drama policial “O Crime da Gávea” também rende debate, devido à disputa de bastidores entre o roteirista e o diretor para definir quem foi seu “autor”. O roteirista Marcílio Moraes vem do mundo das novelas, que define como autor quem escreve o texto. Mas cinema é outra coisa. E com o diretor André Warwar escanteado na pós-produção, a premissa noir, do marido suspeito que tenta desvendar o assassinato da esposa, em meio ao contexto da boemia moderninha carioca, implode num acabamento (voice-overs, por exemplo) que não combina com o que foi filmado. Tanto ego rendeu uma estreia em cinco míseras salas. Para quem sentir falta de besteirol, a semana reserva a comédia italiana “Paro Quando Quero”. Por um lado, a trama embute uma crítica adequada à crise econômica europeia, que reduz universitários formados a trabalhadores braçais. Por outro, é descarada sua apropriação de “Breaking Bad” num contexto de enriquecimento rápido digno de “Até que a Sorte nos Separe”. A trama gira em torno de um grupo de sub-empregados que decidem unir seus conhecimentos acadêmicos para lançar uma nova droga no mercado, surtando quando o negócio os torna milionários. Para completar, a programação vai receber nada menos que cinco filmes franceses. Esse fenômeno resulta da supervalorização do cinema francófono entre as distribuidoras nacionais, reflexo de uma era longínqua em que produtos do país eram ícones de status social e cultural – a palavra “chique” é um galicismo do século 19. Com melhor distribuição entre os lançamentos franceses, “Personal Shopper” volta a juntar a atriz americana Kristen Stewart com o diretor Olivier Assayas, após a bem-sucedida parceria em “Acima das Nuvens” (2014). Levou o troféu de Melhor Direção no Festival de Cannes, mas é a ótima performance de atriz que prende o espectador em sua história de fantasmas, de clara inspiração hitchcockiana. “Souvenir” também deve sua distribuição à fama de sua estrela, a atriz Isabelle Huppert, indicada ao Oscar 2017 por “Elle”. Desta vez, porém, ela estrela um romance leve, francamente comercial, como uma cantora que flertou com o sucesso nos anos 1970 e, inspirada pela paixão de um jovem que a reconhece no trabalho, tenta retomar a carreira. Na mesma linha, “Insubstituível” traz François Cluzet como um médico do interior que treina, relutantemente, uma substituta mais jovem. Sem ligação com esse cinema descartável, “Fátima” lembra “Que Horas Ela Volta?” ao acompanhar uma mãe pobre e imigrante, que trabalha como faxineira e luta para manter as filhas na escola. Enquanto a mais nova vive sua rebelião adolescente, sem respeito pela mãe “burra” que mal fala francês, a mulher do título sacrifica a própria saúde para dar à filha mais velha a chance de cursar a faculdade. A produção usa o recurso de uma carta, escrita pela mãe, para amarrar a história, que venceu o César 2016 (o Oscar francês) de Melhor Filme, Roteiro e Atriz Revelação. Mesmo assim, há quem ache que o cinema francês decaiu muito desde a nouvelle vague. E para estes o circuito reserva a chance de conferir o relançamento, em cópia restaurada, do clássico “Hiroshima Meu Amor” (1959), de Alain Resnais, uma das primeiras obras-primas do movimento e que destaca a recém-falecida Emmanuelle Riva no papel principal. Clique nos títulos dos filmes destacados para ver os trailers de todas as estreias da semana.
Galã dos anos 1980, Mário Gomes hoje vende sanduíches na praia
Um dos maiores galãs da Globo da década de 1980, Mário Gomes hoje depende da venda de sanduíches numa barraca de praia na Zona Sul do Rio de Janeiro para conseguir pagar suas despesas. O ator atuou em cerca de 30 novelas, como “Gabriela”, “O Pulo do Gato”, “Guerra dos Sexos”, “Vereda Tropical”, “O Sexo dos Anjos”, “Sex Appeal”, etc. E também esteve em clássicos do cinema brasileiro, como “O Cortiço” (1978), “Tabu” (1982) e “O Escorpião Escarlate” (1990). “Estou fazendo uma experiência. Me preparando para investir em food truck”, disse ele, que tem a companhia do filho, João, que toca violão para os clientes. “Fico bebendo minha cachaça e vendo esse visual da praia”, contou ele ao jornal Extra. Sua última novela foi “Pecado Mortal”, na Record, em 2013. Na época, o ator já enfrentava problemas financeiros. “Construí ao longo da minha carreira um patrimônio que me mantém. Obviamente tenho minhas dificuldades, mas sempre tem um coco pra gente vender. Estou aí para o que der e vier. Estou de pé. Não tenho nada contra ninguém, não sou saudosista. Mas tenho consciência da minha trajetória e da força do meu nome. Já fui o Neymar da televisão”, ressalta. Apesar dos sanduíches – e batatas fritas – ele não abandonou a atuação. Aos 65 anos, voltou a fazer filmes, aparecendo em “TOC: Transtornada Obsessiva Compulsiva”, lançado em fevereiro – seu primeiro longa em mais de duas décadas. E integra o elenco da série “Magnífica 70”, que vai para a 3ª temporada no canal pago HBO. Para completar, ainda faz um trabalho voluntário no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, onde criou uma horta com os moradores de lá. “Recebi até ligação de Fernanda Montenegro me parabenizando”.
Nicholas Hoult e Henry Cavill invadem o Iraque no trailer da estreia de Fernando Coimbra em inglês
A Netflix divulgou sete fotos e o trailer de “Castelo de Areia”, filme de guerra que marca a estreia em inglês de Fernando Coimbra (“O Lobo Atrás da Porta”). Primeiro longa do serviço de streaming assinado por um cineasta brasileiro, o filme se passa durante a segunda invasão dos Estados Unidos ao Iraque, em 2003. Traz Nicholas Hoult (o Fera dos filmes da franquia “X-Men”) como um soldado que se alistou para poder pagar a faculdade e só deseja cair fora da Guerra no Iraque. Mas, ao lado do seu batalhão, acaba cultivando um senso de moralidade e compaixão ao tentar cumprir a missão de consertar uma estação de distribuição d’água que beneficiará a população de uma vila — mesmo que parte da população local tente sabotar a reconstrução. O roteiro foi escrito pelo estreante Chris Roessner, que se inspirou na própria experiência durante a Guerra do Iraque para contar a história. A produção é do também americano Mark Gordon (“O Resgate do Soldado Ryan”, “Steve Jobs”) e o elenco traz diversos astros conhecidos, como Henry Cavill (“Batman vs Superman”), Glen Powell (“Estrelas Além do Tempo”), Logan Marshall-Green (“Prometheus”), Tommy Flanagan (série “Sons of Anarchy”) e Neil Brown Jr. (série “Dirk Gently’s Holistic Detective Agency”), que filmaram suas cenas na Jordânia, em 2015.
Logan é a principal estreia de cinema da semana – e talvez do ano
Principal estreia de cinema nesta quinta (2/3), “Logan” é o segundo filme de super-heróis da Marvel/Fox lançado para maiores de 16 anos no Brasil. O primeiro foi “Deadpool”, no ano passado, completamente diferente em tom. Enquanto o filme estrelado por Ryan Reynolds era insanamente divertido, o último longa de Hugh Jackman como Wolverine aposta na seriedade. Tendo em vista como as produções da DC Comics/Warner se equivocam ao se levar a sério, o acerto de “Logan” abre um novo caminho, deixando claro o que realmente faz diferença. E é bem simples. Desde sua concepção, o longa dirigido por James Mangold evitou se limitar ao mundinho dos fanboys adolescentes. O que a Warner esqueceu, ao buscar um tom mais sombrio para seus filmes, foi que a própria DC Comics buscou o público adulto quando promoveu sua grande guinada rumo a histórias sombrias nos anos 1980. Já faz 30 anos que os quadrinhos de super-heróis se sofisticaram, com o lançamento de graphic novels e o fim do código de ética, um selinho que garantia conteúdo infantil. “Logan” é a versão de cinema dessa revolução. Um filme de super-heróis maduro, influenciado pelo western e passado num mundo tão violento quanto os quadrinhos se tornaram. Não é que “Logan” se afasta dos quadrinhos para se tornar um filme para maiores. Ao contrário. Ele é o primeiro filme que realmente compreendeu o que aconteceu nos quadrinhos nas últimas três décadas. O filme mostrou sua carta de intenções ao fazer uma première num local inusitado: um festival de cinema europeu, em Berlim, onde produções sérias e dramáticas têm prioridade. E acabou sendo a obra mais aplaudida e comentada de todo o evento. A crítica mundial caiu para trás. Nos EUA, onde “Logan” estreia na sexta, os elogios renderam 93% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Nem “Deadpool”, que chegou a ganhar indicações a prêmios dos prestigiosos sindicatos de Hollywood, agradou tanto (84%). Tendo isso em vista, “Logan” ganha sua devida perspectiva. Não é apenas a principal estreia da semana. Pode ser o mais importante lançamento do ano. Seu sucesso ou fracasso influenciará inúmeras decisões sobre o futuro das adaptações de super-heróis em Hollywood. Por via das dúvidas, chega em 1,2 mil salas, num empurrão para virar blockbuster. Apenas mais duas estreias completam o circuito. Uma delas, inclusive, já estava em cartaz em circuito de “pré-estreias pagas”. Último longa americano do Oscar 2017 a estrear no Brasil, “Um Limite entre Nós” rendeu a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante a Viola Davis, um prêmio que ela vinha ensaiando vencer desde 2009. A atriz já tinha conquistado o equivalente teatral, o Tony Awards, pelo mesmo papel, como uma mãe sofredora nos anos 1950, casada com um lixeiro orgulhoso, numa família endurecida pelo racismo da época, que tenta ensinar a vida para o filho. Denzel Washingon é seu parceiro, indicado ao Oscar e favorito de muita gente ao prêmio – venceu o troféu do Sindicato dos Atores dos EUA (SAG Award). Ele também dirigiu o longa, adaptado postumamente para o cinema pelo autor da peça, August Wilson. O menor lançamento é “Waiting for B”, que, apesar do título, é um documentário nacional sobre a vinda de Beyoncé ao Brasil. O filme se foca no público, sua obsessão pela estrela e a dedicação que leva fãs a acampar diante de uma bilheteria dias antes da data marcada para o show. Foi exibido com sucesso em vários festivais internacionais.
Elle vence o César 2017 e é o Melhor Filme francês do ano
O suspense “Elle” foi o grande vencedor do César 2017, a principal premiação do cinema francês, equivalente ao Oscar americano. Além de vencer como Melhor Filme do ano, o longa do holandês Paul Verhoeven rendeu o César de Melhor Atriz para sua estrela, Isabelle Huppert, em cerimônia realizada na noite desta sexta-feira (24), em Paris. Verhoeven, porém, não levou o troféu de Melhor Diretor. Ele foi superado pelo jovem canadense Xavier Dolan, que venceu por “É Apenas o Fim do Mundo”, drama que divide opiniões da crítica. O cineasta, por sinal, venceu dois César. O segundo foi pela edição do filme. “É Apenas o Fim do Mundo” também premiou o desempenho Gaspard Ulliel com o César de Melhor Ator. Outro filme que também recebeu três troféus foi “Divines”, distribuído pela Netflix: venceu na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante (Deborah Lukumuena), Revelação Feminina (Oulaya Amamra) e Melhor Filme de Estreia para a diretora Houda Benyamina, que já tinha sido premiada com a Câmera de Ouro (Melhor Filme de Estreia) no Festival de Cannes. Também repetindo Cannes, o Vencedor da Palma de Ouro, o britânico “Eu, Daniel Blake”, de Ken Loach, ficou com a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro, superando o brasileiro “Aquarius”. Favorito na premiação, o drama “Frantz”, de François Ozon, acabou decepcionando. Indicado a 11 troféus, o longa só venceu um: de Melhor Fotografia. Perdeu até como Roteiro Adaptado, categoria que foi vencida, de forma surpreendente, por “Minha Vida de Abobrinha”, premiada também como Melhor Animação. Confira abaixo a lista completa dos premiados. Vencedores do César 2017 Melhor Filme “Elle” Melhor Direção Xavier Dolan (“É Apenas o Fim do Mundo”) Melhor Atriz Isabelle Huppert (“Elle”) Melhor Ator Gaspard Ulliel (“É Apenas o Fim do Mundo”) Melhor Atriz Coadjuvante Déborah Lukumuena (“Divines”) Melhor Ator Coadjuvante James Thierrée “Chocolate” Melhor Revelação Feminina Oulaya Amamra (“Divines”) Melhor Revelação Masculina Niels Schneider (“Diamant Noir”) Melhor Roteiro Original Raoul Ruiz (“O Efeito Aquático”) Melhor Roteiro Adaptado Céline Sciamma (“Minha Vida de Abobrinha”) Melhor Filme Estrangeiro “Eu, Daniel Blake” (Reino Unido) Melhor Filme de Estreia “Divines” Melhor Animação “Minha Vida de Abobrinha” Melhor Trilha Sonora Ibrahim Maalouf (“Dans les Forêts de Sibérie”) Melhor Fotografia Pascal Marti (“Frantz”) Melhor Edição Xavier Dolan (“É Apenas o Fim do Mundo”) Melhor Figurino Anaïs Romand (“La Danseuse”) Melhor Cenografia Jérémie D. Lignol (“Chocolate”) Melhor Som Marc Engels, Fred Demolder, Sylvain Réty, Jean-Paul Hurier (“L’odyssée”) Melhor Documentário “Merci Patron”
Estreias destacam grande muralha de mediocridade na semana do Oscar
O fim de semana do Oscar é também o fim de semana do carnaval, e o bloco dos lançamentos não é dos mais animadores. A programação dos shopping centers é um samba enredo repetitivo de fracassos americanos e filmes nacionais de qualidade discutível. O projeto mais ambicioso ocupa mais salas. Coproduzido por americanos e chineses, “A Grande Muralha” traz Matt Damon perdido na China e numa obra que usa a experiência do veterano cineasta Zhang Yimou, responsável pela abertura da Olimpíada de Pequim, para evocar uma experiência “olímpica” nas telas, com coreografias ambiciosas, repletas de cores e figurantes. Mas a escala épica e os efeitos visuais se resumem a contar uma batalha de guerreiros medievais contra monstros genéricos. Sucesso espetacular na China, estreou no último fim de semana com um desempenho medíocre nos EUA e sob uma saraivada de flechas da crítica. Estreia em 828 salas, das quais 561 em 3D (68% do total), além de todo o circuito IMAX (12 salas). Ainda mais fraco, “Monster Trucks” ocupa 517 salas e outra boa fatia do circuito 3D. Espécie de “Transformers com monstrinhos”, baseada em (mais) um brinquedo da Mattel, é tão infantilóide que merece chegar aos cinemas dublado como um programa televisivo. Filmado em 2014, teve seu lançamento adiado várias vezes pela Paramount, a ponto de ser tratado como fracasso antes mesmo da estreia – a previsão é de US$ 100 milhões de prejuízo. “A Lei da Noite” é um caso à parte. Seu fiasco foi tão colossal que balança estruturas na Warner. Estrelado e dirigido por Ben Affleck, custou uma fortuna não revelada para render apenas US$ 10 milhões nos EUA, empurrando a reputação do astro ladeira abaixo. A crise é tão grande que Affleck desistiu de dirigir o filme solo de Batman e já há rumores de que não quer viver mais o personagem, que estaria culpando pela fase negativa, após vencer o Oscar de Melhor Filme com “Argo” (2012). A desilusão é tanta que foi praticamente despejado em apenas 89 salas. Quem tiver curiosidade, vai encontrar um filme de gângster da lei seca estilizado. Os brasileiros que chegam aos shoppings são o besteirol “Internet – O Filme” e a animação “Bugigangue no Espaço”. O primeiro serve para demonstrar a teoria de Itararé: de onde nada se espera, nada vem mesmo. A coleção de vinhetas, estreladas por youtubers, lembra o pior do “Zorra Total”, com piadas preconceituosas e interpretações travadas no volume do histerismo, mas a distribuidora bota fé, como demonstram suas 406 salas. O segundo tenta usar referências nacionais numa história genérica de crianças que se aliam com ETs bonzinhos para enfrentar alienígenas malvados. Em 300 salas (10% delas em 3D), o resultado rende crianças brasileiras muito loiras e sexualizadas, com um “gostosa” disparado sobre a heroína mirim da trama. Felizmente, o fim de semana também tem Oscar e os cinemas recebem mais um candidato à premiação. Indicado em oito categorias, “Moonlight – Sob a Luz do Luar” leva a 59 salas um drama sensível, registrado de forma intimista, que acompanha o crescimento e a transformação de um menino num bairro violento de Miami. Vítima de bullying na infância, ele cresce para se tornar um traficante bem-sucedido, ao mesmo tempo em que busca compreender e aceitar sua homossexualidade, estimulado pelo relacionamento com seu melhor amigo. Um filme de machos, em vários sentidos. Com isso, apenas um destaque do Oscar permanece inédito, “Um Limite Entre Nós” (Fences). Oficialmente, o longa só estreia na semana que vem, mas, ainda que de forma tardia, a distribuidora percebeu o equívoco e programou “pré-estreias pagas” em 24 salas de seis cidades a partir desta quinta (23/2), dando oportunidade ao público saber porque deve torcer por Denzel Washington e Viola Davis na cerimônia da Academia. Dois filmes europeus completam a programação. “A Garota Desconhecida” é o mais recente trabalho dos irmãos Dardenne, que passou por uma reedição completa após ter decepcionado no Festival de Cannes passado. A própria passagem do tempo ajudou sua história a se tornar mais relevante, ao mostrar como a indiferença europeia pode ter consequências graves na vida de imigrantes pobres. Chega em apenas seis salas. Por fim, “A Jovem Rainha” conta em 11 salas a história da rainha Cristina da Suécia, a mulher mais letrada do século 17, que preferiu abdicar ao trono a se casar. O motivo, segundo o finlandês Mika Kaurismäki (irmão de Aki Kaurismäki), seria seu lesbianismo assumido. Não convenceu muito a crítica internacional. Clique nos títulos dos filmes em destaque para ver os trailers de todas as estreias da semana.
Como Nossos Pais, de Laís Bodanzky, fecha distribuição em 10 países
O novo filme de Laís Bodanzky, “Como Nossos Pais”, não foi premiado, mas aproveitou bem sua passagem pelo Festival de Berlim. Segundo o site Filme B, o drama estrelado por Maria Ribeiro (“Tropa de Elite”) foi adquirido por distribuidores de dez países, garantindo sua estreia na França, Espanha, Grécia, Turquia, Suíça, Polônia, Bélgica, Luxemburgo, Holanda e Tailândia. A distribuição internacional está a cargo da produtora francesa Wild Bunch, a mesma empresa que cuidou da carreira internacional de “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert. No Brasil, a distribuição é da Imovision, que ainda não marcou a data de estreia. A produção é da Gullane. O filme retrata uma mulher de classe média nos seus 40 anos que precisa lidar com as pressões de ser mãe, dona de casa e profissional, e recebeu críticas elogiosas dos sites The Hollywood Reporter, Screen e Variety. Este último também publicou uma entrevista com a diretora e a atriz. “Como Nossos Pais” é o quarto longa de ficção de Laís Bodanzky – depois dos premiados “Bicho de Sete Cabeças” (2000), “Chega de Saudade” (2007) e “As Melhores Coisas do Mundo” (2010). O roteiro é de Luiz Bolognesi, marido e parceiro habitual da cineasta, além de diretor da animação “Uma História de Amor e Fúria (2013), que venceu o Festival de Annecy, na França.
Matheus Nachtergaele pretende dirigir filme na Amazônia com elenco indígena
Matheus Nachtergaele (“Trinta”) prepara seu segundo filme como diretor. E novamente pretende filmar na Amazônia. O detalhe é que, desta vez, ele planeja trabalhar apenas com atores indígenas. As informações são do blog Sem Legendas, da Folha de São Paulo. O veterano e premiado ator brasileiro estreou como diretor de cinema em “A Festa da Menina Morta” (2008), rodado em Barcelos, no interior do Amazonas. Na ocasião, misturou atores locais com astros reconhecidos do cinema e da TV, como Daniel de Oliveira e Paulo José. Seu novo filme será uma adaptação da peça “Woyzeck”, do dramaturgo Georg Buchner, que Nachtergaele já encenou no teatro. A trama original acompanha Franz Woyzeck, um soldado que é humilhado pelo chefe no quartel, traído pela esposa e submetido a uma experiência científica bizarra pelo médico da sua vila: comer apenas ervilhas durante meses. “Não me sai da cabeça algo que vi na Amazônia: índios marchando como soldados. Tudo foi retirado deles e, ainda assim, eles têm que defender as fronteiras de um país que não é mais deles”, disse o ator, citado no blog. Não está claro se a adaptação fará uma transferência do enredo para o cotidiano de uma tribo indígena. E também não há informações sobre o início das filmagens. A produção será feita pela Bananeira Filmes, que produziu “A Festa da Menina Morta”. “Woyzeck” já foi levado aos cinemas em filmes marcantes do alemão Werner Herzog, em 1979, e do húngaro János Szász, em 1994.
Filme de Julia Murat é o único brasileiro premiado no Festival de Berlim
O filme brasileiro “Pendular”, de Julia Murat, venceu o prêmio da crítica no Festival de Berlim 2017. Ele foi eleito pela Federação Internacional dos Críticos de Cinema (Fripresci) como o melhor filme da mostra Panorama do festival alemão. Os críticos elogiaram a “excelente qualidade visual” e “força narrativa” do filme, que aborda o relacionamento entre uma dançarina e um escultor boêmios à beira da meia-idade. Ao receber o prêmio, Murat afirmou que, após dias falando sobre política – ela foi uma das cineastas que assinou a carta contra mudanças na política do audiovisual – , falaria sobre “afeto” e dedicou o troféu ao crítico José Carlos Avellar, morto em 2016. “Pendular” foi uma das 12 produções brasileiras selecionadas para o festival alemão este ano, incluindo oito longa-metragens, numa participação recorde. A maioria dos filmes estava concentrado na mostra Panorama, mas nenhuma outra produção nacional foi premiada. Todos os prêmios independentes já foram entregues, faltando apenas a disputa do Urso de Ouro. Além de “Pendular”, a crítica elegeu a história de amor húngara “On Body and Soul” como Melhor Filme da mostra Competitiva. O mesmo filme venceu um prêmio do público, conferido pelo jornal alemão Berliner Morgenpost, e o prêmio do juri ecumênico. Os vencedores da mostra Panorama, eleitos pelo público, foram “Insyriated”, um drama do diretor belga Philippe van Leeuw sobre uma casa sitiada durante a guerra civil síria, como Melhor Ficção, e “Eu Não Sou Seu Negro”, do haitiano Raoul Peck, já em cartaz no Brasil, como Melhor Documentário. O filme de Peck também concorre ao Oscar 2017 de sua categoria. O longa que venceu a mostra Forum foi “Mama Colonel”, de Georg Genoux, documentário sobre como os militares lidam com a situação dos refugiados no Congo, país dividido numa eterna guerra civil. “Butterfly Kisses”, estreia do polonês Rafael Kapelinski, venceu o Urso de Cristal como Melhor Filme da seção Geração, dedicada a filmes sobre a infância e a juventude. E, para completar, o chileno “Una Mujer Fantástica”, de Sebastían Lelio, saiu com o prêmio Teddy, que elege as melhores obras LGBTQ, e também recebeu menção especial do júri ecumênico.












