Rocketman é a melhor estreia de cinema da semana
Das oito estreias desta quinta (30/5), três chegam um dia antes do lançamento nos Estados Unidos. E vêm ocupar um circuito já saturado de blockbusters. Cinebiografia do cantor Elton John, “Rocketman” é disparada a melhor opção da programação. Muito diferente de “Bohemian Rhapsody”, ainda que compartilhe o diretor (Dexter Fletcher foi quem salvou o filme do Queen após a demissão de Bryan Singer), é mais musical e, mesmo com seus arroubos de fantasia poética, fiel à realidade. Taron Egerton, praticamente um menino em “Kingsman: Serviço Secreto” (2014), surpreende no papel principal. E, claro, não faltam hits. O detalhe é que o próprio ator canta os sucessos, sem fazer dublagem – ao contrário, novamente, de “Bohemian Rhapsody”. Já “Godzilla II: Rei dos Monstros” é um desastre literalmente monstruoso. Filme escuro e confuso, prova que não basta aumentar os efeitos visuais para justificar uma continuação. Sem história coerente (o diretor e roteirista Michael Dougherty assinou os roteiros fracos de “Superman, o Retorno” e “X-Men: Apocalipse”), acabou pisoteado pela crítica nos EUA, com 45% de aprovação na média do Rotten Tomatoes após a avaliação de 83 resenhas. Em menos salas, o suspense “Ma” traz Octavia Spencer, vencedora do Oscar por “Histórias Cruzadas” (2011), como uma tiazinha aterrorizadora. O diretor Tate Taylor é o mesmo de “Histórias Cruzadas”. Mas não leva sua premissa ao extremo – o que rendeu 65% no Rotten Tomatoes, em 43 resenhas apuradas. No circuito limitado, os dois destaques têm temáticas similares. Uma das boas surpresas americanas do ano passado (80% no RT), “Anos 90” é um drama indie com skatistas, que marca a estreia do ator Jonah Hill (“Anjos da Lei”) como roteirista e diretor. O brasileiro “Dias Vazios” também acompanha jovens oprimidos com desejo de liberdade, e da mesma forma representa a estreia do roteirista e diretor Robney Bruno Almeida. Confira abaixo mais detalhes, como os trailers e as sinopses, de todas as estreias da semana. Rocketman | EUA | Cinebiografia Musical A trajetória de como o tímido Reginald Dwight (Taron Egerton) se transformou em Elton John, ícone da música pop. Desde a infância complicada, fruto do descaso do pai pela família, sua história de vida é contada através da releitura das músicas do superstar, incluindo a relação do cantor com o compositor e parceiro profissional Bernie Taupin (Jamie Bell) e o empresário e o ex-amante John Reid (Richard Madden). Godzilla II: Rei dos Monstros | EUA | Fantasia Nesta continuação que se passa cinco anos após “Godzilla” (2014), os integrantes da agência Monarch precisam lidar com a súbita aparição de vários monstros, incluindo Mothra, Rodan e Ghidorah. Enquanto buscam uma aliança com o próprio Godzilla a fim de garantir o equilíbrio da Terra, os humanos acabam fazendo parte de uma grande disputa por poder protagonizada por titãs. Ma | EUA | Suspense Maggie (Diana Silvers) e seus amigos, todos menores de idade, estão tentando descolar bebidas alcóolicas em um mercado quando conhecem Sue Ann (Octavia Spencer), uma mulher adulta que usa sua identidade para ajudá-los. Além de comprar as bebidas, ela decide oferecer sua casa para que eles organizem uma festa com o pessoal do colégio. Os eventos acabam se tornando uma rotina do grupo, até que os jovens começam a identificar um comportamento estranho da dona da casa, que se torna cada vez mais controladora e obsessiva. Anos 90 | EUA | Drama Aos 13 anos, Stevie (Sunny Suljic) é um garoto de Los Angeles tentando curtir o início da adolescência enquanto tenta relevar o relacionamento abusivo com o irmão mais velho. Em plena década de 1990, ele descobre o skate e aprende lições de vida com o seu novo grupo de amigos. Dias Vazios | Brasil | Drama Silvânia, interior de Goiás. Jean (Vinícius Queiroz) é um jovem revoltado, que não suporta a cidade onde vive. Ele namora Fabiana (Nayara Tavares) e vive contestando a freira (Carla Ribas) que coordena a escola em que estuda. Dois anos após o desaparecimento do casal, outro aluno da mesma escola decide escrever um livro sobre o assunto. Trata-se de Daniel (Arthur Ávila), também pessimista, que conversa apenas com a namorada, Alanis (Natália Dantas). Obcecado pela história de Jean e Fabiana, Daniel busca por pistas sobre o que aconteceu com eles, de forma que possa concluir seu livro. Compra-me um Revólver | México | Drama Em um mundo cheio de violência, onde as mulheres se prostituem e são mortas, uma garota usa uma máscara do Hulk e uma corrente no tornozelo para esconder seu gênero, e ajuda o pai, um viciado atormentado, a cuidar de um campo de beisebol abandonado, onde os traficantes jogam. Um dia, o pai da menina é chamado para tocar em uma festa organizada por um traficante e ele não tem escolha senão levar sua filha junto. No dia seguinte, Hulk acorda cercada pelo caos e pela morte e precisa lutar por sua liberdade. Zaatari – Memórias do Labirinto | Brasil, Argentina | Documentário No deserto de Mafrak, localizado na fronteira entre a Síria e a Jordânia, se desenvolve um dos maiores campos de refugiados do mundo, onde uma nova cartografia é estabelecida. Milhares de Famílias se arriscam diariamente para chegar no local, buscando abrigo no meio do caos de uma guerra civil que já matou mais de 400 mil pessoas. Rindo à Toa – Humor sem Limites | Brasil | Documentário Desde que a política brasileira foi considerada oficialmente reaberta em 1988, uma nova vertente do humor nacional começou a surgir. Utilizando-se de artifícios que por muitos anos foram proibidos, os humoristas da década de 1980 foram inspirados por ídolos que precisaram enfrentar a censura e cumpriram o difícil desafio de realizar humor em um país cuja criatividade era cerceada.
Trailer de cinebiografia lembra músicas e polêmicas da vida do cantor Wilson Simonal
A Downtown Filmes divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Simonal”, cinebiografia do cantor Wilson Simonal (1938-2000). A prévia destaca diversas músicas de sucesso, a interpretação carismática de Fabrício Boliveira no papel-título e a reviravolta polêmica na carreira do ídolo pop, que de uma hora para outro perdeu tudo e todos lhe viraram as costas, por suposta ligação com o DOPS, a gestapo da ditadura militar brasileira. Além de Fabrício Oliveira como Simonal, a prévia destaca Ísis Valverde como sua esposa Tereza. E, curiosamente, os dois atores já tinham vivido um casal no cinema, em “Faroeste Caboclo”, também baseado no pop nacional. O resto do elenco inclui Leandro Hassum (“Não Se Aceitam Devoluções”), Caco Ciocler (“Um Namorado para Minha Mulher”), Mariana Lima (“Real: O Plano por Trás da História”) e Bruce Gomlevsky (“Polícia Federal: A Lei é para Todos”). “Simonal” retrata o sucesso meteórico do cantor entre os anos 1960 e 1970, quando ele se tornou uma das personalidades mais populares do país para, em seguida, mergulhar no ostracismo. O longa tem roteiro de Geraldo Carneiro (“Eternamente Pagu”) e direção de Leonardo Domingues, que estreia na ficção após dirigir o documentário “A Pessoa É para o que Nasce” (2003) e editar a cinebiografia “Nise: O Coração da Loucura” (2015). A estreia vai acontecer em 8 de agosto, um ano após première nacional no Festival de Gramado de 2018, quando venceu três prêmios – Direção de Arte, Fotografia e Trilha, composta pelos filhos do cantor, Simoninha e Max de Castro.
Lady Francisco (1940 – 2019)
A atriz Lady Francisco, que soma quatro décadas de papéis em novelas da Globo, morreu neste sábado (25/5) no Rio de Janeiro, aos 84 anos. Ela estava internada na UTI do Hospital Unimed Barra desde o início de abril após sofrer uma fratura do fêmur enquanto passeava com seus dois cachorros no Parque Guinle, região onde morava. Ela foi operada, mas seu estado de saúde se complicou, vindo a falecer após falência múltipla de órgãos. Nascida Leyde Chuquer Volla Borelli de Bourboun em 1940, em Belo Horizonte, ela era filha de comerciantes bem-sucedidos, amigos de políticos importantes, e contava ter sofrido muito na adolescência por ser considerada mal-comportada, inclusive sendo submetida a choques elétricos por um psiquiatra, a pedido da própria família. Antes de virar atriz, ela venceu diversos concursos de beleza, foi aeromoça e radialista. E marcou casamento – aos 20 anos – com um engenheiro, apenas para descobrir horas antes da cerimônia que ele tinha outra família. O casamento foi proibido, mas os dois se juntaram assim mesmo e tiveram dois filhos. Ela inciou a trajetória artística em produções locais de rádio e TV. Sua estreia na televisão foi como garota-propaganda, anunciando produtos ao vivo na TV Itacolomi, de Belo Horizonte, no final dos anos 1960. Mas só foi deslanchar após se mudar para o Rio, o que levou ao fim de sua união. Nessa época, seu pai havia perdido quase toda a fortuna no jogo e Lady Francisco não teve apoio algum para seguir a carreira. Chegou a ser assaltada, perdendo o dinheiro que tinha trazido para tentar a sorte no Rio, e precisou viver de favores para persistir em sua tentativa de conseguir trabalho, ao aparecer diariamente na porta da TV Tupi. Um dia, ela foi chamada para compor o júri do programa de Flávio Cavalcanti. Em seguida, conseguiu participação na novela “Jerônimo – O Herói do Sertão” (1972). E nunca mais parou. A atriz acabou indo para a Globo em 1975, onde atingiu popularidade quase instantânea com dois papéis exuberantes: a ex-estrela de circo Elizabeth Pappalardo em “Cuca Legal” e Rose, a secretária gostosona de Carlão, personagem icônico de Francisco Cuoco em “Pecado Capital”. A fama de “gostosa” também lhe rendeu inúmeros trabalhos no cinema durante o auge da era da pornochanchada. Para se ter ideia, no mesmo ano em que fez duas novelas, Lady Francisco apareceu em nada menos que seis filmes eróticos. Embora sua filmografia transborde produções de títulos sugestivos – “Os Maniacos Eróticos” (1975), “Viúvas Precisam de Consolo” (1979), “O Verdadeiro Amante Sexual” (1985), “Sexo Selvagem dos Filhos da Noite” (1987) etc – , Lady Francisco também fez filmes “sérios”, como “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” (1977), de Hector Babenco, grande marco do cinema brasileiro, e em especial “O Crime do Zé Bigorna” (1977), de Anselmo Duarte, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Brasília. Mas o grande foco de sua carreira foram mesmo as novelas. Ela participou de alguns dos maiores sucessos da história da rede Globo, entre eles “A Escrava Isaura” (1976), “Locomotivas” (1977), “O Pulo do Gato” (1978), “Marrom-Glacê” (1979), “Baila Comigo” (1981), “Louco Amor” (1983), “Barriga de Aluguel” (1990), “Explode Coração” (1995), “Alma Gêmea” (2005), “Duas Caras” (2007), “Cheias de Charme” (2012), “Totalmente Demais” (2015), até “Malhação: Vidas Brasileiras” (2018), seu último trabalho, em que interpretou a milionária Lorraine. Seus papeis costumavam ter imenso apelo popular, como a ingênua manicure Gisela na novela “Louco Amor”, de Gilberto Braga, graças a facilidade com que interpretava mulheres despachadas, fogosas e divertidas, da juventude à maior idade. Entretanto, a popularidade conquistada como símbolo sexual teve outro lado. Ela denunciou ter sido abusada sexualmente por um diretor de televisão, cujo nome jamais revelou. Também foi estuprada por quatro homens ao descer de um táxi na Barra da Tijuca. Um mês depois, descobriu que estava grávida e realizou um aborto. Após a decepção de seu primeiro noivado, Lady Francisco nunca se casou. Amor, ela só teve mais um na vida, o dramaturgo Dias Gomes, após ele ficar viúvo da novelista Janete Clair.
Diretores de Bacurau comentam ironia de prêmios ao cinema nacional em Cannes e cortes no Brasil
Os diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles falaram com a imprensa internacional, após seu filme “Bacurau” vencer o Prêmio do Júri do Festival de Cannes, ressaltando a importância da conquista para o momento atual do cinema brasileiro. Eles consideraram uma grande ironia o fato de produções brasileiras saírem premiadas de Cannes, no exato momento em que o governo decide cortar seu apoio ao cinema nacional. Embora tenha sido filmado antes da última eleição, “Bacurau” ressoa como uma obra de resistência ao governo conservador de Jair Bolsonaro, assim como o tema de “A Vida Secreta de Eurídice Gusmão”, de Karim Aïnouz, vencedor da mostra Um Certo Olhar (Un Certain Regard), principal seção paralela de Cannes. Como era inevitável, a dupla de diretores lamentou a atual política cultural do país, que se resume a cortes financeiros e desmontagem de programas de apoio. “Acho que este premio para ‘Bacurau’ é irônico: há um sentimento generalizado de que o cinema está sendo cortado por dentro”, , disse Mendonça na entrevista coletiva. “Temos uma construção, as coisas demoram, vimos essa construção com politicas públicas nos últimos 15 anos, mas que agora estão sendo cortadas”, completou o diretor. Seu colega na criação do longa, Juliano Dornelles, acrescentou: “É muito bom estar aqui, passar dez dias no festival, falar com pessoas ótimas, talentosas, perceber que o filme que desenvolvemos por quase dez anos ganhou essa enorme honra. Especialmente neste momento no Brasil, quando a cultura vem sendo ameaçada por esse homenzinho triste. Ontem tivemos a boa noticia, com Karim Aïnouz ganhando o Un Certain Regard. Vamos seguir fazendo filmes e enfrentar a realidade brasileira”. Um jornalista questionou e eles convidariam o presidente Bolsonaro para assistir ao longa, e Mendonça Filho considerou que essa era uma “ideia bonita”. “‘Bacurau’ é uma coprodução com a França, mas metade vem de dinheiro público brasileiro, usado com honestidade e muito trabalho. Bolsonaro tem todo direito de assistir ao filme. Pode até gostar.”
Sul-coreano Bong Joon-ho vence a Palma de Ouro no Festival de Cannes
O filme “Parasite”, do sul-coreano Bong Joon-ho, foi o vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes 2019. Um dos favoritos da crítica, o longa é uma sátira de humor negro sobre a injustiça social e narra a história de uma família pobre, em um apartamento infestado por pragas, que forja um diploma para que um dos filhos arranje emprego. Ele vai trabalhar em uma luxuosa mansão, como professor particular de uma menina milionária, e passa a indicar seus parentes para trabalhos em outras funções na mansão – mesmo que, para isso, eles precisem prejudicar outras pessoas. O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, presidente do júri da mostra competitiva, afirmou que a premiação de “Parasite” foi unânime entre os votantes. A conquista representa uma reviravolta na trajetória do cineasta sul-coreano, que foi mal-recebido em sua passagem anterior pelo festival, simplesmente porque seu filme “Okja” (2017) era uma produção da Netflix. Desde então, o festival barrou produções de streaming em sua competição. Com a consagração de “Parasite”, feito sem participação do serviço de streaming, Cannes ressalta sua posição de que filmes da Netflix não são cinema – ou, ao menos, não são dignos de competir no festival. “Roma”, por exemplo, foi barrado na competição do ano passado – mas venceu o Festival de Veneza e três Oscars. O Grande Prêmio do Júri, considerado o 2º lugar da competição, foi para “Atlantique”, da franco-senegalesa Mati Diop. Drama sobre um casal de namorados do Senegal que se separa depois que o rapaz tenta a sorte em uma travessia a barco para a Europa, o filme foi o primeiro de uma diretora negra a competir pela Palma de Ouro. A cineasta é sobrinha de um dos diretores mais importantes do continente africano, Djibril Diop Mambéty (de “A Viagem da Hiena”, de 1973). O brasileiro “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, dividiu o Prêmio do Júri, equivalente ao 3º lugar, com “Les Misérables”, do francês Ladj Ly. Mais detalhes sobre a conquista da produção brasileira podem ser lidos aqui. Já “Les Misérables” também se destacou na competição por ter um diretor negro. O drama aborda criminalidade de menores e repressão violenta, a partir do ponto de vista de um policial novato. Nenhum dos três filmes que receberam os prêmios do júri tiveram a mesma receptividade de “Parasite”. Se não pertenciam à grande faixa de mediocridade da seleção do festival, tampouco estavam entre os favoritos da crítica a receber algum reconhecimento na competição. Dentre eles, “Bacurau” foi o que se saiu melhor na média apurada pelo site Rotten Tomatoes, com 88% de aprovação, seguido por “Atlantique”, com 87%, e “Les Misérables”, com 75%. Em termos de comparação, “Parasite” teve 96%. O prêmio de Melhor Direção ficou com os veteranos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne por “Le Jeune Ahmed” (o jovem Ahmed), sobre um jovem muçulmano que é seduzido pela radicalização islâmica. Por coincidência, o longa belga também teve pouca repercussão crítica. De fato, foi considerado um dos mais fracos de toda a competição, com apenas 54% de aprovação no Rotten Tomatoes. Neste caso, o prestígio dos Dardenne, que já venceram duas Palmas de Ouro – por “Rosetta”, em 1999, e por “A Criança”, em 2005 – , pode ter influenciado a decisão do júri. Outro veterano, o espanhol Antonio Banderas, venceu o prêmio de Melhor Ator por “Dor e Glória”, de Pedro Almodóvar. No filme, ele vive o alterego de Almodóvar, um cineasta deprimido que revisita trechos da própria vida, reencontrando antigos amores e relembrando a forte relação com sua mãe. A inglesa Emily Beecham (a Viúva da série “Into the Badlands”) ficou com o prêmio de Melhor Atriz por “Little Joe”, da austríaca Jessica Hausner. No longa, ela interpreta uma cientista que cria uma flor capaz de trazer felicidade às pessoas. Mas ao perceber que seu experimento pode ser perigoso, passa a questionar sua própria criação. “Dor e Glória” e “Little Joe” também não eram favoritos da crítica, com 88% e 71%, respectivamente. Para não dizer que a premiação foi uma decepção completa, o prêmio de Melhor Roteiro ficou com um dos filmes mais celebrados do festival: “Portrait de la Jeune Fille en Feu” (retrato da garota em fogo), da francesa Céline Sciamma, que também venceu a Palma Queer, de Melhor Filme LGBTQIA+ de Cannes. A trama se passa no século 18 e mostra como uma pintora, contratada por uma aristocrata para retratar sua filha, apaixona-se pelo seu “tema”. A produção francesa também apaixonou a crítica internacional e atingiu 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. Já o filme vencedor do Prêmio da Crítica – e que também tem 100% no RT – , “It Must Be Heaven”, do palestino Elia Suleiman, recebeu uma… Menção Especial. Entre os demais filmes que saíram sem reconhecimento, encontram-se “Era uma Vez em Hollywood”, de Quentin Tarantino, “O Traidor”, de Marco Bellocchio, e “Sorry We Missed You”, de Ken Loach. Por sinal, o filme de Tarantino chegou a receber 95% de aprovação no Rotten Tomatoes – mais que “Parasite”. O balanço inevitável da premiação leva a concluir que o Festival de Cannes 2019 foi mesmo fraquíssimo. Tivessem sido premiados os favoritos da crítica, o evento teria outro peso, ao apontar caminhos. Mas a verdade é que a seleção foi terrível, com muitos filmes medíocres, como o dos irmãos Dardenne, e até um título que conseguiu a façanha de sair do festival com 0% de aprovação, “Mektoub, My Love: Intermezzo”, de Abdellatif Kechiche – cineasta que já venceu a Palma de Ouro por “Azul É a Cor Mais Quente” (2013). O Festival de Cannes 2019 apostou no passado, com a inclusão de diversos diretores consagrados, mas pode ter prejudicado seu futuro ao subestimar obras mais contundentes de uma nova geração, representada por Suleiman e Sciamma. Claro que “Parasite” foi uma escolha esperta, mas as opções politicamente corretas e de prestígio de museu acabam pesando contra a relevância do festival. Em 2018, a mostra de Cannes já tinha ficado na sombra da seleção do Festival de Veneza. Este ano, corre risco de ser ultrapassada com folga.
Filme brasileiro Bacurau vence o Prêmio do Júri do Festival de Cannes
“Bacurau”, o representante brasileiro na disputa da Palma de Ouro em Cannes, venceu o Prêmio do Júri, equivalente ao 3º lugar da mostra competitiva. O Prêmio do Júri presidido pelo cineasta mexicano Alejandro G. Iñárritu (“O Regresso”) ainda foi compartilhado com o filme francês “Les Misérables”, de Ladj Ly. Com direção de Kleber Mendonça Filho (“Aquarius”) e Juliano Dornelles (“O Ateliê da Rua do Brum”), “Bacurau” mistura gêneros como terror, ficção científica e western. Os diretores descrevem a obra como um filme de aventura ambientado no Brasil “daqui a alguns anos”. A trama se passa em um pequeno povoado do sertão cuja tranquilidade é ameaçada após a morte, aos 94 anos, de Dona Carmelita, mulher forte e querida por quase todos. Dias depois, os moradores de Bacurau percebem que a comunidade não consta mais nos mapas. Os celulares param de funcionar, deixando os moradores isolados. Os assassinos têm carta branca para liquidar todo mundo, mas a comunidade se organiza para resistir. Ao contrário dos filmes premiados nas mostras paralelas, entre eles o brasileiro “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, “Bacurau” não foi unanimidade entre a crítica, atingindo 88% na média do Rotten Tomatoes. Admirado pela fotografia, interpretações e ambição, também recebeu comentários negativos por conta desta mesma ambição, com reclamações sobre problemas de roteiro. Estrelado por Sonia Braga (também de “Aquarius”), Barbara Colen (idem), Karine Teles (“Benzinho”) e pelo alemão Udo Kier (do clássico “Suspiria”), entre outros, “Bacurau” ainda não tem previsão de estreia comercial.
A Vida Invisível de Eurídice Gusmão vence a mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes
O filme brasileiro “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, do diretor Karim Aïnouz (“Praia do Futuro”), venceu a mostra paralela Um Certo Olhar (Un Certain Regard), do Festival de Cannes. É a primeira vez que um longa brasileiro conquista o troféu desta competição, dedicada a filmes mais arriscados que os da mostra principal. A obra de Karim Aïnouz foi recebida com quase 15 minutos de aplausos em sua première no festival, deixando claro como agradou ao público. Além disso, recebeu críticas elogiadíssimas da imprensa internacional. Definida como um “melodrama tropical”, a adaptação do livro best-seller de Martha Batalha acompanha Eurídice e Guida, duas irmãs jovens e inseparáveis que enfrentam os pais conservadores no Rio de Janeiro dos anos 1950 para realizar seus sonhos: Eurídice quer ser pianista na Áustria e Guida quer ir atrás de seu amor na Grécia. Nada sai como planejado. Mas as duas contam com o apoio de outras mulheres para sobreviver ao mundo machista. O elenco conta com Carol Duarte (“O Sétimo Guardião”) e Julia Stockler (série “Só Garotas”) como protagonistas, além de Gregório Duvivier (“Desculpe o Transtorno”), Nikolas Antunes (“Ilha de Ferro”), Flavio Bauraqui (“Impuros”) e Fernanda Montenegro (“Infância”) como a versão madura da personagem do título. O júri da mostra Um Certo Olhar, presidido pela cineasta Nadine Labaki (“Cafarnaum”), também premiou Kantemir Balagov (“Tesnosta”) como Melhor Diretor, por “Beanpole”, e a francesa Chiara Mastroianni (“3 Corações”), filha dos lendários Marcello Mastroianni e Catherine Deneuve, como Melhor Intérprete por “On a Magical Night”, além de distribuir prêmios especiais. No sábado, os organizadores premiarão os vencedores da mostra principal, que entrega a Palma de Ouro. Entre os que disputam o troféu estão o brasileiro “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e “O Traidor”, do italiano Marco Bellocchio, coproduzido pela produtora brasileira Gullane.
Estreias: Aladdin concorre com Hellboy, Brightburn e Tolkien nos cinemas
Dez estreias chegam nos cinemas nesta quinta (23/5). Metade são produções americanas, que enfatizam fantasia e efeitos visuais. Mas a verdade é que não impressionaram muito a crítica em seu país de origem. Com distribuição mais ampla, “Aladdin” é a segunda versão live-action de um desenho clássico da Disney neste ano – após “Dumbo”. Não é o desastre que os trailers insinuavam, muito por conta de Will Smith. Ele rouba as cenas como o Gênio da Lâmpada, conseguindo superar a sombra do saudoso Robin Williams, dublador do personagem em 1992. Mesmo assim, há momentos de musical genérico da Broadway, que fizeram a aprovação no Rotten Tomatoes ficar em 60%. As outras duas fantasias da programação são mais viscerais e violentas. A nova versão de “Hellboy” já foi enterrada nos Estados Unidos, com apenas 16% no Rotten Tomatoes e enorme prejuízo financeiro. Por isso, a melhor opção é “Brightburn – Filho das Trevas”, uma espécie de versão de terror da origem de Superman, produzida por James Gunn (o diretor de “Guardiões da Galáxia”). Saiu-se com 66% no RT. Outra opção em cartaz, a cinebiografia “Tolkien” é bem mais dramática, mas nem por isso deixa de ser fantasiosa – e não apenas por abordar o que inspirou o autor de “O Senhor dos Anéis”. Os herdeiros do escritor renegaram, o público americano não se interessou – estreou em 9º lugar – e a crítica deu de ombros – 50% no RT. Se a ficção delirante fracassou, o mesmo não aconteceu com o documentário “A Juíza”, que virou um dos grandes fenômenos do cinema americano em 2018. Lançado em 34 salas, o filme acabou se tornando a 24ª maior bilheteria de um documentário nos Estados Unidos em todos os tempos. Foi indicado a dois Oscars, venceu o Critics Choice e ainda atingiu 94% no RT. O motivo: a história de vida de Ruth Bader Ginsburg, uma advogada feminista que conseguiu mudar a jurisprudência e revolucionar os direitos das mulheres. Em reconhecimento às suas realizações, foi nomeada juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos e virou um improvável ícone da cultura pop, tanto que também ganhou um filme de ficção no ano passado – “Suprema”, estrelado por Felicity Jones. Entre os filmes não-americanos da semana, destacam-se o brasileiro “Inferninho”, grande evolução do cinema discursivo de Pedro Diogenes e Guto Parente, que evoca o universo queer brega de “Paraíso Perdido”, e o indiano “A Costureira de Sonhos”, um romance entre casal de diferentes classes sociais, que junta o novelão com observações sobre a sociedade da Índia moderna. Confira abaixo todos os lançamentos do fim de semana com seus respectivos trailers e sinopses. Aladdin | EUA | Fantasia Aladdin (Mena Massoud) é um jovem ladrão que vive de pequenos roubos em Agrabah. Um dia, ele ajuda uma jovem a recuperar um valioso bracelete, sem saber que ela na verdade é a princesa Jasmine (Naomi Scott). Aladdin logo fica interessado nela, que diz ser a criada da princesa. Ao visitá-la em pleno palácio e descobrir sua identidade, ele é capturado por Jafar (Marwan Kenzari), o grão-vizir do sultanato, que deseja que ele recupere uma lâmpada mágica, onde habita um gênio (Will Smith) capaz de conceder três desejos ao seu dono. Hellboy | EUA | Fantasia Ao chegar à Terra ainda criança, após ser invocado por um feiticeiro contratado pelo governo nazista, Hellboy (David Harbour) foi criado como um filho por Trevor Bruttenholm (Ian McShane), um professor que estava no local no momento em que emergiu do inferno. Já adulto, Hellboy se torna um aliado dos humanos na batalha contra monstros de todo tipo. Quando a poderosa feiticeira Nimue (Milla Jovovich), também conhecida com a Rainha Sangrenta, insinua seu retorno, ele logo é convocado para enfrentá-la. Brightburn – Filho das Trevas | EUA | Fantasia Quando uma criança alienígena cai no terreno de um casal na parte rural dos Estados Unidos, eles decidem criar o menino como seu filho. Porém, ao começar a descobrir seus poderes, ao invés de se tornar um herói para a humanidade, ele passa a aterrorizar a pequena cidade onde vive, se tornando uma força sombria na Terra. Tolkien | EUA | Drama Sarehole Mill, Inglaterra. Após o falecimento de sua mãe quando ainda era criança, J.R.R. Tolkien (Nicholas Hoult) e seu irmão são entregues aos cuidados do padre Francis (Colm Meaney). Vivendo com o dinheiro contado e precisando ajudar na casa em que vive, Tolkien faz amizade na escola com um grupo de jovens, que logo formam uma irmandade. Juntos, eles incentivam uns aos outros para que tenham a coragem necessária de realizar seus sonhos. Fascinado por línguas, Tolkien aos poucos desenvolve uma criada por ele mesmo, que usa como base para a criação de um universo fantástico situado na Terra Média. A Juíza | EUA | Documentário Um retrato íntimo da vida e da carreira de Ruth Bader Ginsburg, juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos que se tornou um improvável ícone da cultura pop. Além de sua trajetória, o documentários explora também suas primeiras batalhas jurídicas e como elas mudaram o mundo para as mulheres. Inferninho | Brasil | Drama Deusimar, a dona do Inferninho, um bar que é mais um refúgio, quer ir embora para um lugar distante. Jarbas, um marinheiro que acaba de chegar, quer ficar. Um amor começa a nascer entre os dois capaz de mudar tudo, desde suas vidas, ao bar e as pessoas em volta deles. A Costureira de Sonhos | Índia | Drama Ratna (Tillotama Shome) trabalha como empregada doméstica para Ashwin (Vivek Gomber), um homem rico que parece ter tudo, porém vive desesperançoso e perdido pela vida. Enquanto isso, Ratna, que parece ter nada, vive a vida determinada a alcançar seus sonhos. O Caravaggio Roubado | Itália | Drama Valeria (Micaela Ramazzotti) é a jovem secretária de um produtor de cinema, mora com a mãe e é escritora fantasma para um roteirista de sucesso. Quando ela recebe de presente de um estranho uma trama de filme com o nome de “A História Sem Nome”, contando a história do misterioso roubo da pintura Natività de Caravaggio, ela se vê imersa em uma implacável conspiração. Os Papéis de Aspern | Reino Unido | Drama Na Veneza de 1885, Morton Vint (Jonathan Rhys Meyers) é um ambicioso jovem escritor fascinado com o poeta Jeffrey Aspern (Jon Kortajarena). Sem ter certeza do que vai encontrar, ele decide ir atrás das cartas que Aspern escreveu para sua musa e amante Juliana Bordereau (Vanessa Redgrave). Histórias Estranhas | Brasil | Terror Uma coletânea de oito contos que apresentam as mais variadas abordagens do horror, do bizarro e do inexplicável, como bruxas, demônios e serial-killers. As histórias são: “Ninguém”, “A Mão”, “Mulher Ltda.”, “No Trovão, na Chuva ou na Tempestade”, “Os Enamorados”, “Invisível”, “Sete Minutos para a Meia-noite” e “Apóstolos”.
Filme do brasileiro Karim Aïnouz é aplaudido por quase 15 minutos em Cannes
Sete minutos de aplausos para “Era uma Vez em Hollywood”, de Quentin Tarantino, foi muito? Pois o brasileiro “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, do cineasta Karim Aïnouz, teve o dobro, quase 15 minutos de ovação em sua première no Festival do Cannes. Filme brasileiro mais bem-recebido no festival francês até agora – após a reação dividida a “Bacurau” – , o longa faz parte da programação da mostra paralela Um Certo Olhar e tem sido definido como um “melodrama tropical”. A adaptação do livro best-seller de Martha Batalha acompanha Eurídice e Guida, duas irmãs jovens e inseparáveis que enfrentam os pais conservadores no Rio de Janeiro dos anos 1950 para realizar seus sonhos: Eurídice quer ser pianista na Áustria e Guida quer ir atrás de seu amor na Grécia. Nada sai como planejado. Mas as duas contam com o apoio de outras mulheres para sobreviver ao mundo machista. O elenco conta com Carol Duarte (“O Sétimo Guardião”) e Julia Stockler (série “Só Garotas”) como protagonistas, além de Gregório Duvivier (“Desculpe o Transtorno”), Nikolas Antunes (“Ilha de Ferro”), Flavio Bauraqui (“Impuros”) e Fernanda Montenegro (“Infância”) como a versão madura da personagem do título. As primeiras críticas internacionais ao sétimo longa-metragem de ficção de Aïnouz foram bastante entusiasmadas. A revista Screen Daily usou expressões como “brilhante”, “vibrante” e “irrepreensível”, assumindo seu encantamento com a narrativa. “Aïnouz e seus roteiristas sabem muito bem que melodramas não se sustentam apenas em simpatia; eles precisam também da nossa raiva”. A revista The Hollywood Reporter adicionou “lindo” à descrição do filme, elogiando o trabalho da cinematógrafa francesa Helene Louvart. Ao final, define o trabalho como “um drama assombroso que celebra a resistência das mulheres, mesmo quando elas suportam as existências mais árduas. A alternância perfeita de tom de Ainouz assegura que o filme continue nos surpreendendo sempre com suas reviravoltas”. “Há muito o que se admirar”, acrescentou o atual responsável pelo site do renomado e falecido crítico Rober Ebert, embora esperasse um final mais potente. “A questão de como ‘A Vida Invisível de Eurídice Gusmão’ vai se resolver mantém o filme continuamente absorvente e cheio de suspense”.
Ayrton Senna vai ganhar cinebiografia em 2020
A vida de Ayrton Senna vai virar filme. Após inspirar um documentário bastante premiado, Senna ganhará uma cinebiografia com atores em 2020, quando comemoraria 60 anos de seu nascimento. O projeto foi anunciado durante o Festival de Cannes e será comandado pelo diretor e roteirista Luiz Bolognesi, de “Ex-Pajé” e “Uma História de Amor e Fúria”. O longa será uma parceria entre os produtores paulistas Caio e Fabiano Gullane e o Instituto Ayrton Senna, mas ainda não foram divulgados outros detalhes, como eventuais atores sondados para o papel do ídolo da Fórmula 1, morto em 1994. O projeto é antigo. Bianca Senna, diretora de Branding do Instituto Ayrton Senna e sobrinha do tricampeão da F1, mencionou a produção há três anos. Na época, estaria em fase de roteiro. Antes disso, a Warner também tentou desenvolver uma cinebiografia, que seria uma produção internacional e contaria com o espanhol Antonio Banderas no papel principal. A família de Senna vetou. O filme atual tem apoio dos familiares do piloto e já integra o calendário de futuros lançamentos da produtora Gullane. A produtora brasileira está em Cannes neste ano participando da competição da Palma de Ouro em Cannes. Seu filme é “O Traidor”, uma coprodução com países europeus dirigida pelo veterano cineasta italiano Marco Bellocchio, que relembra a trajetória de Tommaso Buscetta, ex-mafioso que se refugiou no Brasil após delatar seus antigos comparsas.
Luiz Rosemberg Filho (1945 – 2019)
O cineasta Luiz Rosemberg Filho morreu na madrugada deste domingo (19/5), no Rio de Janeiro, aos 75 anos, em decorrência de complicações de uma cirurgia. Associado à produção do chamado cinema marginal — ou cinema de invenção, como chegou a ser redefinido – , Rosemberg foi responsável por clássicos como “Jardim das Espumas” (1971), “A$suntina das Amérikas” (1976) e “Crônicas de um Industrial” (1978), que foi proibido pela ditadura de representar o Brasil no Festival de Cannes. “Ele era um cara único no cinema brasileiro, os seus filmes eram muito diferentes de tudo que se vê. Sempre um cinema muito crítico em relação à sociedade, ao nosso Brasil, ao capitalismo, à TV. Talvez a principal característica dele como realizador e como pessoa fosse a liberdade. Seus filmes eram muito livres, tudo podia”, disse o produtor Cavi Borges, que trabalhou com Rosemberg em suas produções mais recentes, em entrevista ao jornal O Globo. Mesmo com a censura no período da ditadura e o desinteresse do circuito comercial em suas obras, o cineasta criou uma filmografia rica, numerosa e diversificada. Rosenberg fez ao todo 45 filmes, dos quais 11 foram longas e 34 curtas. Entretanto, a maioria enfrentou problemas para chegar ao público, e muitos só conseguiram ser exibidos pela primeira vez numa retrospectiva da carreira do cineasta em 2015, em comemoração aos seus 70 anos de idade. Na ocasião, o diretor refutou o rótulo de cineasta “marginal”. “É um nome malicioso para denegrir a imagem de quem lutou por um cinema não oficial”, declarou. Apesar disso, sua carreira ficou realmente à margem das salas de cinemas. Tanto que um de seus filmes chegou a ser considerado “perdido”. “Imagens” (1972), a obra mais radical da carreira do diretor, foi reencontrado apenas recentemente na França, comprovando sua coragem para atacar a repressão no auge da ditadura militar. Ironicamente, a abertura democrática apenas aumentou o distanciamento de seu estilo experimental dos interesses do mercado. Ele não lançava um longa desde “O Santo e a Vedete”, de 1982, um pouco antes da tal retrospectiva. Mas nos últimos anos viu seu nome tornar-se cultuado entre cinéfilos e isso alimentou seu desejo e lhe deu energia para voltar a filmar. Fez “Dois Casamentos” em 2014, “Guerra do Paraguay” em 2017, “Os Príncipes” em 2018, que até agora só foi exibido no Festival Cine PE, e ainda deixou um filme inédito, “O Bobo da Corte”, finalizado poucos dias antes de ser internado na Clínica São Vicente, onde veio a falecer.
HBO americana adquire a animação brasileira Lino
O canal pago americano HBO adquiriu os direitos de exibição do longa brasileiro de animação “Lino: Uma Aventura de Sete Vidas”. O filme, originalmente dublado por Selton Mello, até já ganhou um trailer com vozes em inglês para ser exibido nos Estados Unidos. “Lino” conta a história do rapaz mais azarado do mundo, que sofre o tempo inteiro, seja nos acidentes que acontecem em sua casa, seja no trabalho, como animador fantasiado de buffet infantil. Querendo mudar sua sorte, ele recorre a um suposto mago, que acaba complicando ainda mais sua vida, ao transformá-lo justamente na fantasia do gato gigante que serve de saco de pancadas das crianças. Lino vira um “monstro”, conforme ele próprio descreve. Lançado em setembro de 2017 no Brasil, o filme dirigido por Rafael Ribas se tornou a animação mais bem-sucedida do país, com mais de R$ 4,3 milhões de arrecadação. Mas o sucesso não se resumiu ao mercado nacional. “Lino” virou fenômeno no México, onde estreou em 400 salas, e teve tratamento de blockbuster na Rússia, com exibição em 1,2 mil salas. Lotou, ainda, cinemas na França, Alemanha, Espanha, Itália e Coréia do Sul, e agora também fechou distribuição mínima de 50 salas para o Canadá. Orçado em US$ 7 milhões, o que é considerado troco de boteco para os estúdios americanos de animação, “Lino” foi produzido pela Fox International Productions e pela produtora brasileira StartAnima. O trailer em inglês pode ser visto neste link.
Veja o trailer de A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, filme de Karim Aïnouz selecionado pelo Festival de Cannes
A agencia alemã The Match Factory divulgou o primeiro trailer de “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, drama de Karim Aïnouz, que faz parte da programação do Festival de Cannes. A prévia é extensa e conta boa parte da história, um melodrama de época sobre duas irmãs. A adaptação do livro best-seller de Martha Batalha acompanha Eurídice e Guida, duas irmãs jovens e inseparáveis que enfrentam os pais conservadores no Rio de Janeiro dos anos 1950 para realizar seus sonhos: Eurídice quer ser pianista na Áustria e Guida quer ir atrás de seu amor na Grécia. Nada sai como planejado. O elenco conta com Carol Duarte (“O Sétimo Guardião”) e Julia Stockler (série “Só Garotas”) como protagonistas, além de Gregório Duvivier (“Desculpe o Transtorno”), Nikolas Antunes (“Ilha de Ferro”), Flavio Bauraqui (“Impuros”) e Fernanda Montenegro (“Infância”) como a versão madura da personagem do título. Sétimo longa-metragem de ficção de Aïnouz, “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” tem estreia mundial no festival francês na próxima segunda (20/5), na tradicional mostra Un Certain Regard, a mesma que lançou, em 2001, “Madame Satã”, primeiro longa do diretor cearense.











