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    Claudia Alencar revela estupro durante a ditadura e 25 anos de assédio na Globo

    16 de maio de 2017 /

    A atriz Claudia Alencar fez um longo desabafo numa entrevista com o UOL, em que revelou a parte negativa de sua trajetória, com diversos abusos sofridos. Ainda pequena, ela apanhava do pai, e quando virou estudante na Escola de Comunicação e Artes da USP, a jovem aspirante a atriz foi estuprada. “Eu fazia teatro de protesto na rua, nas universidades e alguns espaços públicos (…) Fui muito violentada nos Anos de Chumbo, na Ditadura Militar. Depois disso, achava que nenhum assédio poderia mais me abalar, poderia me derrubar. Me enganei. Foram dez anos dizendo ‘não’ a diretores e produtores porque eu queria um papel bom sem barganhar uma noite de sexo”, conta a atriz. Na entrevista, ela nomeia apenas uma pessoa, mas de forma positiva. Claudia já tinha feito filmes e novelas na rede Bandeirantes quando conseguiu um papel na novela “Roda de Fogo” (1986), apoiada pelo seu professor universitário, autor da trama, Lauro César Muniz, a quem é grata. Depois disso, toda a participação em projetos da Globo passou a prever algo mais. “Fui chamada várias vezes para fazer testes e eles até começavam mesmo com as leituras de texto, mas terminavam com uma proposta de um jantar ou de um encontro em um lugar mais reservado. Cada vez que isso acontecia, eu saía arrasada, frustrada e me sentindo violentada porque eu tinha certeza que era boa atriz com condições para entrar e ficar entre as estrelas da casa”, desabafou. Interpretando papeis sensuais, Claudia conta que o assédio aumentou. “Era diretor, ator, produtor, apresentador e empresário que vinham com aquele joguinho de sedução. Tive um colega de cena que me perturbou meses e, quando um dia eu cansei do cerco e dei um fora definitivo, ele passou a me perseguir, me humilhar na frente dos outros colegas. Ninguém me defendeu. Daí eu percebi que se eu quisesse continuar trabalhando, teria que fingir que nada acontecia e foi o que eu fiz durante uns 25 anos.”, declarou a atriz. Após ver a repercussão recente de denúncias de assédio no meio artístico, ela diz não se surpreender. “Sei de muitas profissionais que passaram o pão que o diabo amassou. Acho corajoso essas meninas falarem, darem os nomes, apontarem os dedos. É heroico, é encorajador e um alerta também para os homens: atitudes machistas estão com os dias contados. Não fiz lá atrás por medo, mas apoio incondicionalmente quem faz isso agora”, finalizou Claudia. Hoje com 56 anos, ela continua fazendo filmes, como “Um Suburbano Sortudo” (2015) e o vindouro “Talvez Uma História de Amor”, e fez uma participação recente na novela “Rock Story”, ainda sexy no papel de uma “predadora”.

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    Figurinista que denunciou José Mayer diz que agora é assediada por boatos e pede respeito

    5 de maio de 2017 /

    Susllem Tonani, ex-figurinista da Rede Globo que sofreu assédio de José Mayer, publicou um novo texto no blog #AgoraÉQueSãoElas, do jornal Folha de S.Paulo, nesta sexta-feira (5/5), para acabar com os inúmeros boatos sobre sua vida pessoal, que surgiram após sua denúncia de assédio sexual contra o veterano galã de novelas. “Eu fui vítima de assédio sexual. E agora estou sendo vítima novamente. Das especulações que colocam dúvidas sobre a minha dor. E me fazem revivê-la”, declarou. Ela começa o texto desmentindo a fofoca de que já foi amante do ator, espalhada de forma irresponsável por um fofoqueiro profissional, revela que não fez acordo com ninguém, não recebeu dinheiro, não foi demitida da Globo, apenas terminou o trabalho ao chegar ao fim do contrato, e explica que não prestou queixa crime por já estar satisfeita, mas, como está sendo criticada pela decisão, pede que a deixem seguir a vida em paz. “Estimulo sim, todas as mulheres a levarem seus casos às autoridades, demandarem a devida atenção e buscarem a aplicação da lei. Mas acredito que obtive a justiça que queria e me sinto contemplada”, afirmou. “Senti que tive a justiça que desejava. Pouco creio que a punição criminal para o meu caso tenha alcance maior que já tivemos”, escreveu, referindo-se ao pedido de desculpas da Rede Globo e à carta de confissão de José Mayer, “ambos lidos no Jornal Nacional”. A figurinista argumenta que alcançou o objetivo desejado de “sair da invisibilidade, romper o silenciamento imposto, transcender este lugar de vítima que me era insuportável”. Em relação ao silêncio que manteve após o seu relato, ela declarou ter optado por ficar reservada. “Por que incomodou tanto o meu silêncio pós-relato? Talvez porque eu não tenha cumprido o papel da oportunista exibicionista que o patriarcado esperava. Talvez porque não tenha sido a liderança, o exemplo que queriam que eu fosse. Desculpe desapontar estas e estes”, afirmou. “Quantas vezes terei de pedir para respeitarem o meu não? O silêncio. É o que eu quero. Não o silenciamento coercitivo. O silêncio que eu escolho. A minha vida de volta”, declarou. Ela ainda faz uma balanço das mudanças que sua denúncia causou para se declarar “vitoriosa” com o fim de uma batalha. “Empresas começaram a repensar os protocolos nos casos de assédio. Homens descobriram que o mundo mudou. Falamos de assédio em espaços de poder antes impermeáveis a este debate”. E, ao fim do texto, pede que respeitem sua decisão de sair dos holofotes. “Reservo a mim o direito de encerrar esse assunto. Chego ao final da minha jornada. Estou no limite da minha capacidade emocional de seguir na linha de frente dessa luta. Peço que respeitem os meus limites, violados anteriormente, quando tudo isso começou. Outras podem assumir a frente dessa luta. E eu me comprometo a sempre apoiá-las, assim como fui apoiada por tantas”, diz.

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    Figurinista da Globo resolve não fazer queixa criminal contra José Mayer por assédio

    27 de abril de 2017 /

    A figurinista Susllem Tonani não quer levar adiante o inquérito contra José Mayer, após acusar o ator de assédio sexual nos bastidores da novela “A Lei do Amor”. Ela esteve na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro na quarta (26/4) e pediu para que as investigações não continuassem. A figurinista recebeu três convites para ir de forma espontânea à 32ª Delegacia Policial, no Rio. Como não compareceu, foi intimada para abertura de um inquérito policial, já que a denúncia foi pública. O delegado Rodolfo Waldeck, que seria responsável pela investigação, confirmou que o caso será encerrado, pois não houve uma representação da vítima. “Ela tinha esse direito de não levar a diante essa acusação. Não quis fazer uma representação, não quis dar prosseguimento ao inquérito policial e aí não temos um crime. As investigações serão encerradas”, disse ao portal UOL. Susllem Tonani, de 28 anos, fez a denúncia em um texto publicado num blog do jornal Folha de S. Paulo, no final de março. Ela relatou vários episódios em que foi vítima de comportamento inadequado do ator – em um deles, em fevereiro deste ano, Mayer teria colocado a mão esquerda na genitália dela. Em carta aberta, José Mayer, de 67 anos, admitiu “ter passado dos limites”. A revelação do assédio mobilizou atrizes e funcionárias da emissora e, após apurar o caso, a rede Globo tomou a decisão de suspender o ator por tempo indeterminado. O caso teve repercussão internacional, rendendo artigo até no jornal The New York Times.

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    Denúncia de assédio contra José Mayer ganha repercussão internacional

    13 de abril de 2017 /

    A denúncia da figurinista Susllem Totani por assédio contra José Mayer ganhou o mundo. O jornal americano The New York Times publicou um longo artigo nesta quinta (13/4) que repercute a punição recebida pelo ator, afastado indefinitivamente das produções da rede Globo. “Uma vitória contra o machismo no Brasil: Uma estrela de novelas é punida por assédio”, diz o título da publicação. O texto compara a situação vivida pela figurinista de 28 anos à trama de uma novela. “Pode não ter sido exatamente o final feliz que encerra os melodramas da Globo, mas foi aplaudido por um movimento feminista cada vez maior.” Apesar de chamar atenção, o artigo do New York Times não foi o primeiro publicado num jornal estrangeiro sobre o caso. Na semana passada, o Washington Post já havia comentado o assunto. O jornal de Washington deu destaque ao pedido de desculpas de Mayer e observou que o ator tem mulher e filha. Além destes, o Daily Mail, do Reino Unido também noticiou o pedido de desculpas do ator, enquanto o canadense The Globe and Mail relatou a “grande agitação” causada pela denúncia de assédio.

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    Figurinista que acusa José Mayer de assédio é chamada a depor na polícia

    10 de abril de 2017 /

    A figurinista Susllem Tonani foi chamada a depor na delegacia para falar do assédio sexual que ela denunciou na mídia, praticado pelo ator José Mayer nos estúdios de gravação da Globo, durante a produção da novela “A Lei do Amor”. “Convoquei Susllem Tonani e estou aguardando a sua presença. Tudo vai depender do depoimento dela para que eu possa chamar ou não o ator José Mayer para também falar sobre o caso”, disse Rodolfo Waldeck, titular da 32ª Delegacia Policial do Rio de Janeiro (Taquara), nesta segunda-feira (10/4). O delegado não revelou a data do depoimento da figurinista, mas ele deve acontecer nos próximos dias. Em texto publicado num blog do jornal Folha de S.Paulo, no dia 31 de março, a figurinista acusou o ator José Mayer de assédio sexual. Ela contou que o assédio começou há oito meses durante gravações da novela “A Lei do Amor”, com elogios, que evoluíram para cantadas até chegar ao abuso, com o ator tocando suas partes íntimas sem o consentimento dela. No mesmo dia, aconteceu no Projac um protesto de atrizes e funcionárias da emissora contra o assédio. A TV Globo noticiou no “Jornal Hoje” e no “Jornal Nacional” a manifestação e confirmou a suspensão por tempo indeterminado de José Mayer. Por enquanto o caso é tratado como assédio e depende da denúncia da vítima. Caso Susllem Totani preencha um boletim de ocorrência, a acusação dará início a um inquérito policial, que pode vir a penalizar criminalmente o ator.

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    Letícia Sabatella revela também ter sido assediada por José Mayer

    8 de abril de 2017 /

    A atriz Letícia Sabatella foi uma das primeiras atrizes da Globo a se manifestar em defesa da figurinista Su Tonani após sua denúncia contra o assédio de José Mayer. Agora, em entrevista à revista Veja Rio, ela explicou porque escreveu nas redes sociais: “José Mayer não se emenda, hein? Su Tonani, sinta-se apoiada em sua denúncia”. Ela revelou ter passado por algo parecido, há alguns anos, com o próprio ator, que só agora foi afastado das produções da Globo por conta de seu comportamento. “Quando li o relato da Su, que não conheço, eu me compadeci imediatamente. Senti o que ela sentiu, e sabia que ela não estava mentindo. Também já tinha passado por uma experiência parecida com o Zé Mayer, que foi alertado de maneira amigável”, ela afirmou. Ao mesmo tempo, ela disse ter se comovido com o pedido de desculpas do ator. “Eu, sinceramente, me comovi com o pedido de desculpas dele. Sei o grande artista que ele é, sensível, capaz de uma transformação”, ela acrescentou. Mas as desculpas de José Mayer foram redigidas por uma assessoria contratada para lidar com o escândalo. Relevando este detalhe, ela acredita que José Mayer possa servir de exemplo positivo. “Não estou querendo endeusar nem demonizar ninguém, mas podemos fazer do limão uma limonada”, avaliou a atriz, que contracenou com o ator em “Agosto” (1993) e “Páginas da Vida” (2006).

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    Atriz brasileira de Jane the Virgin processa bilionário por assédio sexual

    7 de abril de 2017 /

    A atriz e top model brasileira Greice Santo, intérprete de Blanca na série americana “Jane the Virgin”, entrou com um processo contra o bilionário canadense Daryl Katz, por lhe oferecer papel em um filme em troca de sexo. Greice contou ao site da revista Variety que o bilionário a assediou com ofertas insistentes, oferecendo uma fortuna para vê-la quatro a seis vezes por mês e, mesmo diante das recusas, teria transferido US$ 35 mil para a sua conta. Segunda ela, o dinheiro foi doado para uma instituição de caridade. “Muitas mulheres têm medo de denunciar. Eu espero inspirar outras meninas a denunciarem também”, ela disse, afirmando que esse comportamento seria típico de Hollywood. A denúncia foi apresentada em uma corte de Nova York pelo marido de Greice, R.J. Cipriani. Em resposta, os advogados de Katz acusaram o casal de tentar extorquir US$ 3 milhões. Entretanto, ele não negou as acusações de Greice, dizendo que alguns elementos da história contada pela atriz foram mal interpretados. Além de proprietário de uma empresa de produção de cinema e TV, a Aquila Productions, Katz tem diversos negócios e propriedades, incluindo uma companhia de petróleo e um time de hóquei. O assédio começou em novembro de 2015 no Havaí, onde Greice foi participar de um ensaio fotográfico para a revista Viva Glam. Ela foi apresentada ao executivo canadense Michael Gelmon que sugeriu a ela conhecer seu primo, Daryl Katz, que estava no hotel. Greice teria ido encontrar o empresário em seu quarto e ele teria dito que a colocaria em um filme e depois mudou a proposta oferecendo apenas dinheiro. A atriz teria perguntado porque ele queria dar dinheiro a ela e ouviu como resposta: “Estou procurando companheirismo e sexo”. No processo, a atriz declarou que recusou a oferta e saiu. No dia seguinte, ela enviou uma mensagem ao CEO da Viva Glam relatando o ocorrido: “Me ofereceu dinheiro. Não me ofendi. Você tem que jogar o jogo”. O bilionário, no entanto, voltou a entrar em contato com ela e, após a atriz se recusar novamente, recebeu uma mensagem de Michael Gelmon dizendo: “Não faltam supermodelos querendo ficar com o meu primo. Mas ele é muito exigente (…) prefere você”. Após muita insistência e promessas de trabalho, Greice concordou em voltar a se encontrar com Katz, desde que o assunto fosse a carreira dela. Porém, após 30 minutos de conversa, o bilionário voltou a propor sexo em troca de dinheiro. “Eu não sou prostituta”, teria respondido Greice e ido embora. No ano passado, a atriz lançou a campanha “Glam with Greice” em que ajuda mulheres traumatizadas por violência doméstica. Na campanha, a atriz escolheu 12 mulheres vítimas de agressões e promoveu um banho de loja, além de cabelo e maquiagem, com o objetivo de melhorar a auto-estima delas.

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    Lady Francisco revela que foi estuprada por diretor da Globo

    6 de abril de 2017 /

    Após a denúncia de assédio de José Mayer a uma figurinista da Globo, a veterana atriz Lady Francisco resolveu confessar que foi vítima de dois estupros, uma vez por criminosos e outra por um diretor da Globo, há quase 50 anos. Ele a havia chamado para conversar sobre trabalho e a levou para um lugar distante. “Eu tinha acabado de chegar de Minas, era bobinha, ingênua”, contou, em entrevista ao blog de Paulo Sampaio, no portal UOL. A atriz de 82 anos não revela o nome do diretor, mas afirma que ele está “vivinho da silva” e o encontrou “muitas vezes” depois disso. “Inclusive na televisão. Mas ele nem lembrava de mim. Eu não era ninguém, não existia. Se lembrava, me ignorou. Continuou sendo o canalha que sempre foi”. Ela também comentou a denúncia feita pela figurinista Susllem Tonani. “Tenho muito orgulho de ver o quanto a mulher evoluiu na defesa da própria dignidade. No meu tempo, a gente era estuprada e tinha de ficar quieta; hoje, um assédio repercute de tal maneira que o agressor tem de reconhecer publicamente que errou.” Perguntada por que não denunciou o caso, Lady lembrou que os tempos eram outros. “Naquela época? Quem acreditaria em mim? Iam dizer: ‘Essa aí, mal chegou e já está aprontando’. Mas hoje eu faria um escândalo”.

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    Desculpas de José Mayer por assédio teriam sido escritas por assessoria

    5 de abril de 2017 /

    Muita gente elogiou a sinceridade da carta aberta de José Mayer, em que ele assumiu ter assediado a figurinista Sus Tonani nos bastidores da novela “A Lei do Amor”. Mas, segundo o colunista Léo Dias, do jornal O Dia, não foi o ator quem escreveu o texto. Após a união de funcionárias e atrizes da emissora, que vestiram a camisa do movimento “Mexeu Com Uma, Mexeu Com Todas”, amplamente compartilhado nas redes sociais, José Mayer procurou uma assessoria para limpar sua imagem e o primeiro passo, feito pelos profissionais com autorização do ator, teria sido a carta. “Eu errei. Errei no que fiz, no que falei, e no que pensava. A atitude correta é pedir desculpas. Mas isso só não basta. É preciso um reconhecimento público que faço agora”, afirma um trecho do texto atribuído ao artista. Só que, de acordo com Léo Dias, não foi ele quem se arrependeu, mas o funcionário contratado para dizer isso. No mesmo dia que o pedido de desculpas foi divulgado, o ator foi suspenso das produções de Globo por tempo indeterminado.

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    Caio Blat revê postura após considerar assédio de José Mayer “brincadeira”

    5 de abril de 2017 /

    O ator Caio Blat tentou se explicar nas redes sociais, após a reação negativa causada por sua defesa de José Mayer, acusado de assédio por uma figurinista da Globo. A rejeição veio após ele tentar minimizar a situação do companheiro de emissora, dizendo não achar “certa” a decisão da Globo de afastar Mayer por tempo indefinido, elogiar o pedido de desculpas do ator e chamar o assédio de “uma brincadeira fora de tom”. Bastou para ser hostilizado. “Gostaria de deixar claro que sou totalmente contra qualquer tipo de assédio e provocação machista, e que apoio e admiro o movimento corajoso das mulheres contra essa covardia. Diferente do que alguns veículos publicaram, distorcendo minha declaração, jamais defendi ou relativizei a violência de uma assédio, apenas elogiei a capacidade de um acusado de se desculpar a assumir seu erro publicamente, que é a única atitude cabível. Espero que esse movimento traga uma nova consciência sobre os resquícios de machismo que ainda existem na nossa sociedade, e que ninguém mais seja constrangido em seu local de trabalho ou em qualquer ambiente”, disse o ator ao lado da imagem de uma obra de Barbara Kruger. A artista norte-americana Barbara Kruger é conhecida por trabalhos que questionam temas como o machismo em campanhas de publicidade. A imagem exibe a frase “Your body is a battleground” (“o seu corpo é um campo de batalha”, em português). Mulheres criticaram o ator na postagem. “Não cabe elogios ao Zé por ter assumido. Foi O MÍNIMO. E vc, casado com uma mulher inteligentíssima, ainda reproduz posições machistas como achar que assédio é uma brincadeira fora do tom”, disse uma seguidora. Blat chegou a ser questionado sobre o que pensaria se a situação tivesse ocorrido com a sua esposa, a também atriz Maria Ribeiro, e afirmou que isso faz parte da cultura e hierarquia. “A Maria passa por isso diversas vezes, me conta. Ainda faz parte da nossa cultura. Ainda mais quando existe uma relação hierárquica. Existe essa tomada de consciência e a mobilização de hoje foi importante. Uma brincadeira que talvez as pessoas estejam acostumadas porque sempre foi assim. A campanha foi muito legal, todo mundo se engajando. Existe essa questão de outras gerações”, completou. A denúncia da figurinista foi feita através de uma postagem num blog do jornal Folha de S.Paulo, em 31 de março, onde a profissional de 28 anos relatou a situação, que começou há oito meses, nos bastidores da novela “A Lei do Amor”. No primeiro momento, José Mayer negou as acusações, mas depois admitiu ter cometido o assédio e foi afastado pela Globo por tempo indeterminado. Gostaria de deixar claro que sou totalmente contra qualquer tipo de assédio e provocação machista, e que apóio e admiro o movimento corajoso das mulheres contra essa covardia. Diferente do que alguns veículos publicaram, distorcendo minha declaração, jamais defendi ou relativizei a violência de uma assédio , apenas elogiei a capacidade de um acusado de se desculpar a assumir seu erro publicamente, que é a única atitude cabível. Espero que esse movimento traga uma nova consciência sobre os resquícios de machismo que ainda existem na nossa sociedade, e que ninguem mais seja constrangido em seu local de trabalho ou em qualquer ambiente. Arte de Barbara Kruger. Uma publicação compartilhada por Caio Blat (@caio_blat) em Abr 5, 2017 às 8:29 PDT

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    Atores da Globo são criticados nas redes sociais por defenderem José Mayer

    5 de abril de 2017 /

    Após a manifestação de atrizes e funcionárias da Globo contra o assédio sofrido pela figurinista Su Tonani, na última terça-feira (4/3), Caio Blat e Thiago Rodrigues resolveram defender o ator José Mayer e foram criticados nas redes sociais. A declaração mais polêmica veio de Caio Blat, que afirmou ao site Glamurama não achar “certa” a decisão da Globo de afastar o ator por tempo indefinido. “José Mayer é uma pessoa que a gente conhece. A declaração que ele deu hoje foi brilhante. A forma como ele se colocou foi perfeita. Ele não representa ameaça a ninguém. Fez uma brincadeira fora de tom, e na presença de outras pessoas. Não houve intimidação”. Bastou para Blat se tornar alvo de críticas. Em seu Instagram, vários internautas deixaram comentários afirmando que “assédio não é brincadeira”. Até sua mulher, a atriz Maria Riberio, foi cobrada no Twitter, fazendo-a se posicionar. “Estou do lado da Su, estou com as mulheres”, ela respondeu. O ator Thiago Rodrigues também foi criticado por reclamar da repercussão do caso. “Eu conheço o Zé. Eu gosto dele. Posso te garantir que ele está mal com tudo isso. Que ele pague se tiver que pagar. Apenas sou contra crucificação e ódio”, afirmou ele, nas redes sociais. Já a atriz Marcella Rica, que contracenou com Mayer em “A Lei do Amor”, disse que apoia o movimento “Mexeu com uma, mexeu com todas”, mas foi criticada por elogiar a resposta de Mayer à polêmica. “Fiquei muito triste quando soube de tudo, mas hoje lendo a carta do Zé e vendo toda essa manifestação latente, com tanta gente lutando por algo tão importante e fundamental, eu achei bonito. Não o que aconteceu, claro! Sou do time #MexeuComUmaMexeuComTodas, sempre. Mas o ato de reconhecer, se desculpar e buscar essa mudança. Que todos os muitos, que por pura cultura e costume, invadem e assediam – mesmo que através de leves piadas – em qualquer tipo de ambiente, comecem também a repensar e a lutar contra essa postura já natural. Que natural seja sempre o respeito. Obrigada, Su, pela coragem. E obrigada Zé, pela carta. Que ela provoque ainda mais mudanças”.

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    Figurinista assediada por José Mayer publica desabafo chocante

    5 de abril de 2017 /

    A figurinista Su Tonani, da TV Globo, publicou um desabafo chocante sobre o assédio sexual que sofreu em seu ambiente de trabalho, realizado repetidamente pelo ator José Mayer. A ação continuada e cada vez mais grave causou a suspensão do ator, por tempo indeterminado, das produções da emissora. A denúncia foi feita no blog #Agoraéquesãoelas, do jornal Folha de S.Paulo, na última sexta-feira (31/3), e chegou a ser tirada do ar, por conta da gravidade das acusações. Logo depois, foi republicado, com a resposta do ator. Na terça-feira (4/3), após ser afastado da emissora, Mayer admitiu o erro, através de uma carta aberta. “Eu errei. Errei no que fiz, no que falei, e no que pensava. A atitude correta é pedir desculpas. Mas isso só não basta. É preciso um reconhecimento público que faço agora”, ele disse em um trecho do texto. Abaixo, confira íntegra do texto feito pela figurinista, que recebeu o apoio de diversas colegas de emissora – entre elas, atrizes e apresentadoras que já contracenaram com Mayer – , cuja pressão ajudou a levar a Globo a afastar o ator. “Eu, Susllem Meneguzzi Tonani, fui assediada por José Mayer Drumond. Tenho 28 anos, sou uma mulher branca, bonita, alta. Há cinco anos vim morar no Rio de Janeiro, em busca do meu sonho: ser figurinista. Qual mulher nunca levou uma cantada? Qual mulher nunca foi oprimida a rotular a violência do assédio como “brincadeira”? A primeira “brincadeira” de José Mayer Drumond comigo foi há 8 meses. Ele era protagonista da primeira novela em que eu trabalhava como figurinista assistente. E essa história de violência se iniciou com o simples: “como você é bonita”. Trabalhando de segunda a sábado, lidar com José Mayer era rotineiro. E com ele vinham seus “elogios”. Do “como você se veste bem”, logo eu estava ouvindo: “como a sua cintura é fina”, “fico olhando a sua bundinha e imaginando seu peitinho”, “você nunca vai dar para mim?”. Quantas vezes tivemos e teremos que nos sentir despidas pelo olhar de um homem, e ainda assim – ou por isso mesmo – sentir medo de gritar e parecer loucas? Quantas vezes teremos que ouvir, inclusive de outras mulheres: “ai que exagero! Foi só uma piada”. Quantas vezes vamos deixar passar, constrangidas e enojadas, essas ações machistas, elitistas, sexistas e maldosas? Foram meses envergonhada, sem graça, de sorrisos encabulados. Disse a ele, com palavras exatas e claras, que não queria, que ele não podia me tocar, que se ele me encostasse a mão eu iria ao RH. Foram meses saindo de perto. Uma vez lhe disse: “você é mais velho que o meu pai. Você tem uma filha da minha idade. Você gostaria que alguém tratasse assim a sua filha?” A opressão é aquela que nos engana e naturaliza o absurdo. Transforma tudo em aceitável, em tolerável, em normal. A vaidade é aquela que faz o outro crer na falta de limite, no estrelato, no poder e na impunidade. Quantas vezes teremos que pedir para não sermos sexualizadas em nosso local de trabalho? Até quando teremos que ir às ruas, ao departamento de RH ou à ouvidoria pedir respeito? Em fevereiro de 2017, dentro do camarim da empresa, na presença de outras duas mulheres, esse ator, branco, rico, de 67 anos, que fez fama como garanhão, colocou a mão esquerda na minha genitália. Sim, ele colocou a mão na minha buceta e ainda disse que esse era seu desejo antigo. Elas? Elas, que poderiam estar no meu lugar, não ficaram constrangidas. Chegaram até a rir de sua “piada”. Eu? Eu me vi só, desprotegida, encurralada, ridicularizada, inferiorizada, invisível. Senti desespero, nojo, arrependimento de estar ali. Não havia cumplicidade, sororidade. Mas segui na engrenagem, no mecanismo subserviente. Nos próximos dias, fui trabalhar rezando para não encontrá-lo. Tentando driblar sua presença para poder seguir. O trabalho dos meus sonhos tinha virado um pesadelo. E para me segurar eu imaginava que, depois da mão na buceta, nada de pior poderia acontecer. Aquilo já era de longe a coisa mais distante da sanidade que eu tinha vivido. Até que nos vimos, ele e eu, num set de filmagem com 30 pessoas. Ele no centro, sob os refletores, no cenário, câmeras apontadas para si, prestes a dizer seu texto de protagonista. Neste momento, sem medo, ameaçou me tocar novamente se eu continuasse a não falar com ele. E eu não silenciei. “VACA”, ele gritou. Para quem quisesse ouvir. Não teve medo. E por que teria, mesmo? Chega. Acusei o santo, o milagre e a igreja. Procurei quem me colocou ali. Fui ao RH. Liguei para a ouvidoria. Fui ao departamento que cuida dos atores. Acessei todas as pessoas, todas as instâncias, contei sobre o assédio moral e sexual que há meses eu vinha sofrendo. Contei que tudo escalou e eu não conseguia encontrar mais motivos, forças para estar ali. A empresa reconheceu a gravidade do acontecimento e prometeu tomar as medidas necessárias. Me pergunto: quais serão as medidas? Que lei fará justiça e irá reger a punição? Que me protegerá e como? Sinto no peito uma culpa imensa por não ter tomado medidas sérias e árduas antes, sinto um arrependimento violento por ter me calado, me odeio por todas as vezes em que, constrangida, lidei com o assédio com um sorriso amarelo. E, principalmente, me sinto oprimida por não ter gritado só porque estava em meu local de trabalho. Dá medo, sabia? Porque a gente acha que o ator renomado, 30 e tantos papéis, garanhão da ficção com contrato assinado, vai seguir impassível, porque assim lhe permitem, produto de ouro, prata da casa. E eu, engrenagem, mulher, paga por obra, sou quem leva a fama de oportunista. E se acharem que eu dei mole? Será que vão me contratar outra vez? Tenho de repetir o mantra: a culpa não foi minha. A culpa nunca é da vítima. E me sentiria eternamente culpada se não falasse. Precisamos falar. Precisamos mudar a engrenagem. Não quero mais ser encurralada, não quero mais me sentir inferior, não quero me sentir mais bicho e muito menos uma “vaca”. Não quero ser invisível se não estiver atendendo aos desejos de um homem. Falo em meu nome e acuso o nome dele para que fique claro, que não haja dúvidas. Para que não seja mais fofoca. Que entendam que é abusivo, é antigo, não é brincadeira, é coronelismo, é machismo, é errado. É crime. Entendam que não irei me calar e me afastar por medo. Digo isso a ele e a todos e todas que, como ele, homem ou mulher, pensem diferente. Que entendam que não passarão. E o que o meu assédio não vai ser embrulho de peixe. Vai é embrulhar o estômago de todos vocês por muito, muito tempo.”

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    José Mayer é suspenso da Globo após atrizes se unirem em protesto contra assédio

    4 de abril de 2017 /

    A denúncia de assédio de uma figurinista da Globo, durante as gravações de “A Lei do Amor”, levou ao afastamento do ator José Mayer das próximas produções da emissora por tempo indeterminado. O caso veio à tona em relato de Susllen Tonani a um blog do jornal Folha de S. Paulo na semana passada. E, a princípio, a rede de TV soltou comunicado afirmando que iria apurar. Aguinaldo Silva chegou a confirmar o ator em sua próxima novela, “até segunda ordem”. Porém, atrizes da Globo se uniram em protesto, vestindo a camisa da rebelião. Literalmente. Uma camiseta branca, com os dizeres “Mexeu com uma, mexeu com todas” passou a ser usada por estrelas como Taís Araújo, Fernanda Lima, Tainá Müller, Bruna Marquezine, Fátima Bernardes, Sophie Charlotte, Drica Moraes, Tatá Werneck, Alice Wegmann, Bruna Linzmeyer, Luisa Arraes, Carla Salle, Julia Rabello e Cissa Guimarães, repercutindo uma campanha na web contra o assédio sexual. A hashtag #ChegadeAssédio também apareceu em posts de diversas outras atrizes da emissora. Como consequência, a Globo se solidarizou com o protesto e José Mayer, que vinha negando assédio, acabou confessando e pedindo desculpas. Leia abaixo a íntegra dos comunicados da emissora e do ator. “Em relação à denúncia de assédio envolvendo o ator José Mayer e a figurinista Susllen Tonani, a Globo reafirma o teor da nota divulgada na última sexta-feira, quando afirmou que o caso foi apurado e que as devidas providências estavam sendo tomadas. Naquela nota, a emissora enfatizou que repudia toda e qualquer forma de desrespeito, violência ou preconceito. E que zela para que as relações entre funcionários e colaboradores se deem em um ambiente de harmonia, de acordo com o Código de Ética e Conduta do Grupo Globo. Esta convicção da Globo foi reafirmada para um grupo de atrizes, diretoras e produtoras, reunidas no domingo à noite, quando a emissora informou que, apurado o caso, tomou a decisão de suspender o ator José Mayer de produções futuras dos Estúdios Globo por tempo indeterminado. O ator foi notificado na segunda-feira dessa decisão. Sobre a iniciativa de funcionários, colaboradores e executivos de usar hoje camisetas com os dizeres ‘Mexeu com uma, Mexeu com todas’, a Globo se solidariza com a manifestação, que expressa os valores da empresa. O ator José Mayer, de enorme talento e com grandes serviços prestados à Globo e às artes brasileiras, certamente terá oportunidade de expressar seus sentimentos em relação ao triste episódio e esclarecer que atitudes pretende tomar. A Globo lamenta que Susllen Tonani tenha vivido essa situação inaceitável num ambiente que a emissora se esforça cotidianamente para que seja de absoluto respeito e profissionalismo. E, por essa razão, pede a ela sinceras desculpas.” A carta de José Mayer: “Eu errei. Errei no que fiz, no que falei, e no que pensava. A atitude correta é pedir desculpas. Mas isso só não basta. É preciso um reconhecimento público que faço agora. Mesmo não tendo tido a intenção de ofender, agredir ou desrespeitar, admito que minhas brincadeiras de cunho machista ultrapassaram os limites do respeito com que devo tratar minhas colegas. Sou responsável pelo que faço. Tenho amigas, tenho mulher e filha, e asseguro que de forma alguma tenho a intenção de tratar qualquer mulher com desrespeito; não me sinto superior a ninguém, não sou. Tristemente, sou sim fruto de uma geração que aprendeu, erradamente, que atitudes machistas, invasivas e abusivas podem ser disfarçadas de brincadeiras ou piadas. Não podem. Não são. Aprendi nos últimos dias o que levei 60 anos sem aprender. O mundo mudou. E isso é bom. Eu preciso e quero mudar junto com ele. Este é o meu exercício. Este é o meu compromisso. Isso é o que eu aprendi. A única coisa que posso pedir a Susllen, às minhas colegas e a toda a sociedade é o entendimento deste meu movimento de mudança. Espero que este meu reconhecimento público sirva para alertar a tantas pessoas da mesma geração que eu, aos que pensavam da mesma forma que eu, aos que agiam da mesma forma que eu, que os leve a refletir e os incentive também a mudar. Eu estou vivendo a dolorosa necessidade desta mudança. Dolorosa, mas necessária. O que posso assegurar é que o José Mayer, homem, ator, pai, filho, marido, colega que surge hoje é, sem dúvida, muito melhor”.

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