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    Tony Burton (1937 – 2016)

    26 de fevereiro de 2016 /

    Morreu Tony Burton, que interpretou o treinador de Apollo Creed e Rocky Balboa nos filmes da franquia “Rocky”. Ele faleceu na quinta (25/2), aos 78 anos, de doença prolongada, após ter sido repetidamente hospitalizado durante um ano sem nunca ter recebido um diagnóstico oficial. Nascido na cidade de Flint, no Michigan, Burton não era apenas coadjuvante de filmes de boxe. Ele próprio foi um campeão de boxe amador, vencendo dois torneios municipais e um estadual, de 1955 a 1957, na categoria de médio-pesados. Ele tentou seguir carreira como lutador profissional, mas acabou derrotado por nocaute em 1959, o que fez sua trajetória mudar. Durante uma entrevista de 1988, ele revelou que, após um período sem rumo na vida, cumpriu uma pena de prisão de três anos e meio na Califórnia por roubo, mas durante esse período conheceu algumas pessoas que lhe deram a oportunidade de virar ator. Seu primeiro trabalho como ator foi no filme “blaxploitation” “The Black Godfather” (“O poderoso chefão negro”, em tradução literal), de 1974, mesmo ano em que apareceu pela primeira vez numa série, “Kojak”. Em ambas ocasiões, viveu tipos criminosos. A situação se repetiu em um de seus melhores papéis, como um prisioneiro que se alia à polícia para defender uma delegacia de Los Angeles sitiada por gangues, no cultuadíssimo “Assalto à 13ª DP” (1976), de John Carpenter (“Fuga de Nova York”). Sua filmografia ainda incluiu pequenas aparições no terror “O Iluminado” (1980), cortada na maioria dos países em que o filme foi exibido, no drama “Bar Max” (1980), nas comédias “Loucos de Dar Nó” (1980) e “Armados e Perigosos” (1986) e no thriller de ação “Missão de Justiça” (1992). Entre as diversas séries de que participou, destacam-se “O Incrível Hulk”, “Esquadrão Classe A”, “Duro na Queda”, “Águia de Fogo”, “Nova York Contra o Crime”, “A Gata e o Rato” e “Twin Peaks”. Mas seu grande papel foi mesmo “Duke” Evers, o treinador de Apollo Creed, o adversário de Rocky Balboa em “Rocky: Um Lutador” (1976) e “Rocky II: A Revanche” (1979). Nos filmes seguintes, Duke passou a treinar o próprio Rocky, aparecendo em todo a franquia até o sexto longa-metragem, “Rocky Balboa”, lançado em 2006. Infelizmente, já doente, ele não pôde participar nem chegou a ver “Creed – Nascido para Lutar” (2015), que rendeu a Sylvester Stallone uma indicação ao Oscar. Entretanto, seu personagem também pode ser visto nesse filme, homenageado numa cena de flashback. Pelo Twitter, o ator Carl Weathers, intérprete de Apollo Creed, despediu-se do companheiro de cena lembrando que “sua intensidade e talento ajudaram a tornar os filmes ‘Rocky’ um sucesso”

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    Douglas Slocombe (1913 – 2016)

    23 de fevereiro de 2016 /

    Morreu o diretor de fotografia Douglas Slocombe, que filmou dezenas de clássicos, deixando sua marca em obras reverenciadas como “A Dança dos Vampiros”, de Roman Polanski, “O Grande Gasby”, estrelado por Robert Redford, e a trilogia original de “Indiana Jones”. Ele faleceu na segunda-feira (22/2) aos 103 anos de idade, em um hospital de Londres, onde era tratado desde janeiro em decorrência de uma queda. Nascido em Londres, em 10 de fevereiro de 1913, Douglas Slocombe começou a demonstrar seu talento para captar imagens como fotojornalista. Ele fotografou para as famosas revistas Life e Paris-Match nos anos 1930, até que, no início da 2ª Guerra Mundial, trocou a máquina fotográfica pela câmera de cinema, interessado em documentar com urgência momentos históricos, como a invasão da Polônia pelas tropas nazistas em 1939. Essas suas primeiras filmagens integraram o célebre documentário “Lights out in Europe” (1940), realizado por Herbert Kline. Ao fim do conflito europeu, ingressou na indústria do cinema britânico. Contratado pelo Ealing Studios, começou sua carreira profissional como operador de câmera do cineasta Charles Crichton em “For Those in Peril” (1944), drama de guerra que mesclou técnicas de filmagem de documentário para criar cenas realistas. Mas foram seus trabalhos na antologia de terror “Na Solidão da Noite” (1945), no segmento dirigido por Alberto Cavalcanti, e em “Grito de Indignação” (1947), a primeira comédia do estúdio, novamente com Crichton, que o tornaram requisitado. As comédias se provaram tão populares para o Ealing que Slocombe praticamente se especializou em filmes do gênero estrelados por Alec Guinness, como “As Oito Vítimas” (1949), “O Mistério da Torre” (1951), “O Homem do Terno Branco” (1951) e “Todos ao Mar!” (1957). Mas entre esses sucessos de bilheteria, ele também aperfeiçoou a construção de atmosferas sinistras em preto e branco, trabalhando com mestres do gênero noir como Basil Dearden em “Do Amor ao Ódio” (1950) e Gordon Parry em “A Tentação e a Mulher” (1958) Sua transição para o cinema colorido veio carregada de vermelho, com o cultuado terror “Circo dos Horrores” (1960), de Sidney Hayers, seguido por um legítimo terror da Hammer, “Grito de Pavor” (1961). Mesmo assim, Slocombe demorou a largar a predileção pelo preto e branco, do qual ainda se valeu para rodar importantes filmes dramáticos como “A Marca do Cárcere” (1961), em que Stuart Whitman viveu um pedófilo, “Freud – Além da Alma” (1962), cinebiografia do pai da psicanálise estrelada por Montgomery Clift, o drama feminista “A Mulher que Pecou” (1962), em que Leslie Caron viveu uma solteira grávida, e principalmente “O Criado” (1963), obra pioneira do homoerotismo, dirigida por Joseph Losey, que lhe rendeu o BAFTA (o Oscar britânico) de Melhor Cinegrafia em Preto e Branco. A repercussão desses filmes o colocou em outro patamar, tornando-o disputado por diretores de blockbusters. Slocombe viu-se obrigado a abandonar o preto e branco definitivamente, ao embarcar nas aventuras “Os Rifles de Batasi” (1964), “Vendaval em Jamaica” (1965), “Crepúsculo das Águias” (1966) e “A Espiã que Veio do Céu” (1967). Aos poucos, porém, começou a selecionar melhor as ofertas de trabalho, o que lhe permitiu encontrar o equilíbrio entre o sucesso comercial e o culto cinéfilo, a partir da comédia de terror “A Dança dos Vampiros” (1967), de Roman Polanski, em que usou locações cobertas de neve para ressaltar, mesmo em cores vibrantes, os contrastes do cinema expressionista. E continua sua série de cults com o suspense “O Homem que Veio de Longe” (1968), de Joseph Losey, o drama de época “O Leão no Inverno” (1968), de Anthony Harvey, o thriller “Um Golpe à Italiana” (1969), de Peter Collinson, a cinebiografia de Tchaikovsky “Delírio de Amor” (1970), de Ken Russell, e o drama de guerra “Seu Último Combate” (1971), de Peter Yates. A sequência impressionante de filmes de alto nível o levou a ser procurado por um mestre da velha Hollywood, George Cukor. Apesar de ser filmada em Londres com Maggie Smith e outros atores britânicos, a comédia “Viagens com a Minha Tia” (1972), de Cukor, acabou se tornando o passaporte de Slocombe para o sonho americano, ao lhe render sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Diretor de Fotografia. A partir daí, ele passou a alternar Londres e Hollywood, acumulando trabalhos nos dois lados do Atlântico, como as produções americanas “Jesus Cristo Superstar” (1973) e “O Grande Gatsby” (1974), que lhe rendeu seu segundo BAFTA, seguidas por “As Criadas” (1975) e “A Vida Pitoresca de Tom Jones” (1976) no Reino Unido. A cinebiografia “Júlia” (1977), em que Jane Fonda viveu a escritora Lillian Hellman, rendeu-lhe sua segunda indicação ao Oscar, além do terceira BAFTA, mas um trabalho menor, realizado no mesmo ano, provou-se mais importante para o futuro de sua carreira. Slocombe conheceu Steven Spielberg na função de quebra-galho, para filmar uma pequena sequência, rodada na Índia, de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977), pois o diretor de fotografia titular da produção não poderia fazer a viagem. O resultado impressionou o jovem diretor, que convidou o cinematógrafo veterano, então com 70 anos de idade, para trabalhar em “Os Caçadores da Arca Perdida” (1981). Slocombe conquistou sua terceira e última indicação ao Oscar pelo primeiro filme de Indiana Jones. Mas o reconhecimento foi além da Academia. Ao captar e atualizar a sensação de perigo constante e as inúmeras reviravoltas dos velhos seriados de aventura, Slocombe materializou sequências antológicas, que entraram para a história do cinema, ampliando ainda mais seu legado e influência com os filmes seguintes da franquia, “Indiana Jones e o Templo da Perdição” (1984) e “Indiana Jones e a Última Cruzada” (1989). Ele ainda filmou “007 – Nunca Mais Outra Vez” (1983), a volta de Sean Connery ao papel de James Bond, e o drama de época “Lady Jane” (1986), com Helena Bonham Carter, antes de se aposentar após o terceiro Indiana Jones, com 75 anos de idade. “Harrison Ford foi Indiana Jones na frente das cameras, mas Dougie foi o meu herói atrás das câmeras”, declarou Spielberg, ao se despedir do velho parceiro.

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  • Série

    Atrizes de Once Upon a Time vão se reencontrar em série de terror

    19 de fevereiro de 2016 /

    Duas atrizes que participaram da fase “Frozen” de “Once Upon a Time”, Elizabeth Mitchell (mais lembrada por “Lost”) e Elizabeth Lail, vão estrelar a nova série dos roteiristas-produtores Adam Horowitz e Edward Kitsis, não por acaso criadores de “Once Upon a Time”. Trata-se de uma produção de terror, “Dead of Summer”, passada em um acampamento de férias de verão no final dos anos 1980. A sinopse serviria para um filme da franquia “Sexta-Feira 13” ou similares, como “Acampamento Sinistro” (1983) e “Chamas da Morte” (1981). A trama se desenvolve em Camp Clearwater, um acampamento de férias de verão do meio-oeste americano, onde jovens dos anos 1980 vão experimentar seus primeiros amores, seus primeiros beijos – e também suas primeiras mortes, graças a um antigo e sombrio mito da região. Elizabeth Mitchell, a Rainha do Gelo de “Once Upon a Time”, vai viver Deb, a nova proprietária de Camp Clearwater. Ex-frequentadora do lugar, ela quer trazer de volta a magia do acampamento de verão que ela amava, mas parece valorizar o seu controle sobre o campo por um motivo muito mais obscuro. Já Elizabeth Lail, a princesa Anna de “Once Upon a Time”, será Amy, um conselheira inteligente recém-chegada no camping, que se esforça para se enturmar com a equipe, e se torna a primeira a descobrir as pistas de que algo perturbador está acontecendo em Camp Clearwater. O elenco também vai inclui Zelda Williams (série “Teen Wolf”), Mark Indelicato (série “Ugly Betty”), Alberto Frezza (“Resgate Impossível”), Eli Goree (série “The 100”), Ronen Rubenstein (série “Orange Is the New Black”) e Paulina Singer (“Gotham”) A 1ª temporada foi aprovada sem precisar passar por fase de piloto, apenas pela força de seu roteiro. Mesmo assim, ainda não há previsão de lançamento.

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  • Série

    Damon Wayans entra no piloto da série baseada no filme Máquina Mortífera

    18 de fevereiro de 2016 /

    O ator Damon Wayans (série “Eu, a Patroa e as Crianças”) entrou no elenco do piloto de uma série baseada no filme “Máquina Mortífera”, sucesso dos anos 1980 estrelado por Mel Gibson e Danny Glover. Segundo o site The Hollywood Reporter, ele viverá Murtaugh, o personagem interpretado por Danny Glover em quatro filmes da franquia. Batizada com o título original do filme, “Lethal Wheapon” foi desenvolvida pelo roteirista Matt Miller, criador da recém-cancelada “Forever”, e acompanha a convivência entre o destemido (e suicida) policial Martin Riggs e o detetive Roger Murtaugh, que acaba de completar 50 anos e é “muito velho para isso”. Na série, Murtaugh ainda sofrerá um ataque cardíaco, que o obriga a evitar estresse, enquanto Riggs se joga em missões perigosas, achando que não tem nada a perder após a morte de sua família. O piloto será dirigido pelo cineasta McG (“3 Dias Para Matar”), que compensa seus fracassos como diretor de cinema com a produção de séries bem-sucedidas, como “Supernatural” e a recente “Shadowhunters”. Ainda não há cronograma de gravação para o piloto, que precisa ser aprovado pelos executivos da rede Fox antes de virar série.

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    Andrzej Zulawski (1940 – 2016)

    18 de fevereiro de 2016 /

    Morreu o diretor polonês Andrzej Zulawski, dos cultuados “O Importante É Amar” (1975) e “Possessão” (1981). Ele faleceu em consequência de um câncer, aos 75 anos de idade, informou seu filho, o também cineasta Xawery Zulawski, pelo Facebook. Zulawski nasceu em 1940 na cidade polonesa de Lwów – que após a 2ª Guerra Mundial foi rebatizada de Lviv e anexada à Ucrânia. Ele estudou cinema em França no final dos anos 1950 e iniciou a carreira como diretor assistente do célebre cineasta polonês Andrzej Wajda, trabalhando no potente drama do holocausto “Samson, a Força Contra o Ódio” (1961), na antologia romântica “O Amor aos 20 Anos” (1962) e no épico napoleônico “Cinzas e Diamantes” (1965). A qualidade de seu trabalho acabou chamando atenção do ucraniano Anatole Litvak, já estabelecido em Hollywood, que o convidou a auxilia-lo nas filmagens do clássico de guerra “A Noite dos Generais”, filmado na Polônia com muitos astros ingleses, como Peter O’Toole, Tom Courtenay e Donald Pleasence, além do egípcio Omar Shariff, em papeis de militares nazistas. Com a experiência adquirida, dirigiu seu primeiro longa-metragem em 1971, “A Terça Parte da Noite”, passado durante a ocupação nazista da Polônia, mas com tom bem diferente das obras em que foi assistente. A perseguição de um homem fugitivo, que tem a família exterminada, assumia com Zulawski contornos de terror, com direito a visões alucinógenas. O tema da descida à loucura repetiu-se em “O Diabo” (1972), passado durante a invasão da Polônia pela Prússia no final do século 18. Mas a violência do protagonista, que disfarçava uma metáfora sobre como a Polônia vinha sendo tratada por invasores ao longo dos séculos, fez o filme ser proibido pelas autoridades comunistas. A proibição levou o cineasta a buscar exílio na França, onde realizou, em 1975, aquela que é considerada a sua obra-prima, “O Importante É Amar”, melodrama estrelado pela austríaca Romy Schneider. História de um triângulo amoroso, o longa mostra uma atriz no ponto mais baixo da sua carreira, filmando obras eróticas, quando um fotógrafo apaixonado resolve lhe ajudar, financiando, com dinheiro de agiotas, uma produção teatral para ela estrelar. O gesto a comove, mas ela é casada e se vê dividida. Romy Schneider, que venceu o César (O Oscar francês) pelo papel, dizia que “O Importante É Amar” foi o melhor filme de sua carreira, repleta de clássicos. Depois das performances à beira da histeria de “O Importante É Amar”, Zulawski buscou novos excessos com seu filme seguinte, “Possessão” (1981). Novamente demandando uma grande performance de sua protagonista, o diretor filmou Isabelle Adjani entre cenas grotescas e escatológicas. Na trama, após pedir divórcio de seu marido, o comportamento da sua personagem se torna cada vez mais errático. Até que as suspeitas de infidelidade revelam algo muito pior, com o clima alucinatório atingindo níveis apocalípticos. O terror contou também com uma coincidência importante: dois meses antes, o ator Sam Neill tinha interpretado Damien Thorne em “A Profecia 3”. Ele era o marido traído, mas também a besta apocalíptica do novo horror, que surgia inicialmente como um monstro amórfico, fazendo sexo com Adjani. A entrega da atriz às situações bizarras acabou recompensada com o César, além de um prêmio no Festival de Cannes. “Possessão” foi um filme nascido do aborto de outro. Consagrado com “O Importante É Amar”, Zulawski tentou voltar a filmar na Polônia em 1977. Mas a produção de “Globo de Prata” foi interrompida pelos comunistas e parte dos negativos se perdeu, levando o diretor a voltar à França para extrapolar em “Possessão”. Entretanto, Zulawski completaria aquele filme interrompido em 1988, usando narração em off para cobrir a ausência das cenas desaparecidas. Os filmes seguintes de Zulawski mantiveram-se fiel a seu estilo exagerado e controverso, atraindo sempre grandes atrizes dispostas a se arriscar, como Valérie Kaprisky, em “A Mulher Pública” (1984). Como um jovem atriz inexperiente, sua personagem é convidada a desempenhar um papel em um filme baseado em, claro, “Os Possessos”, de Dostoievski. Mas o diretor passa a tomar conta de sua vida pessoal, e em pouco tempo ela se torna incapaz de identificar a diferença entre o filme e a realidade. Logo após se casar com Sophie Marceau, Zulawski a escalou em “A Revolta do Amor” (1985), livremente adaptado de “O Idiota”, de Dostoievski, colocando-a como vértice de um triângulo amoroso estranho e trágico, que envolve seu namorado ladrão e o idiota que o segue por todo o lado. O casamento rendeu mais três filmes com a atriz, “Minhas Noites São Mais Belas que Seus Dias” (1989), “A Nota Azul” (1991) e “A Fidelidade” (2000). Este último lidava com a questão do amor e a fidelidade e, sintomaticamente, antecipou a separação do casal, que se divorciou no ano seguinte. Além de dar imagens a suas obsessões amorosas, Zulawski também era apaixonado pela arte, o que rendeu várias adaptações e referências a grandes autores – de Dostoievski a Andy Warhol, celebrado em “A Fidelidade”. Mas ele também filmou referências mais diretas, como “Boris Godounov” (1989), a gravação da famosa ópera de Modest Mussorgsky sobre os eventos trágicos do governo do czar Boris no século 17 – repleto de anacronismos para incluir críticas à União Soviética – e “A Nota Azul”, sobre os últimos dias de Chopin. Com o fim da União Soviética, ele fez uma nova tentativa de filmar na Polônia, trabalhando sobre um roteiro da escritora feminista Manuela Gretkowska. O título “Szamanka” (1996) significa xamã em polonês, e há a múmia de um xamã na história, mas a trama gira realmente em torno de uma jovem (a estreante Iwona Petry), conhecida apenas como “a italiana”, que exerce um fascínio irresistível sobre os homens. Totalmente amoral, ela faz o que lhe dá na telha e ninguém consegue recusá-la, especialmente o professor de antropologia que lhe aluga um quarto. Como de praxe, não faltam visões, que culminam num desfecho canibal. Mesmo após a queda do comunismo, o filme incomodou o governo polonês, que só permitiu exibições noturnas, enquanto a crítica local o taxou como “O Último Tanto em Varsóvia” pelo forte conteúdo sexual. Mas após lançar seu filme seguinte, “Fidelidade”, a separação de Marceau abalou seu processo criativo, fazendo-o se afastar do cinema por 15 anos, período em que se dedicou à literatura e expressou sua desilusão e desgosto pelo estado do cinema atual. “Fui o último aluno destes dinossauros que admirei, Bergman, Fellini, Kurosawa, Welles, Stroheim, Peckinpah… O cinema que queria fazer não existe mais, a voz extinguiu-se. A inteligência abandonou o argumento e a realização para se refugiar na tecnologia. Para mim, acabou”, ele escreveu em 2004. Apenas a proximidade da morte o fez retornar à ativa, com o lançamento de “Cosmos”, seu último filme, em 2015. Adaptação do romance homônimo de Witold Gombrowicz, “Cosmos” acompanhava dois amigos que chegavam numa casa de campo, onde encontram sinais misteriosos e assustadores. A obra rendeu a Zulawski o prêmio de Melhor Diretor do Festival de Locarno, o mais importante reconhecimento de sua carreira, com o qual se despediu, no exato momento em que o filme começa a ganhar “vida” no circuito exibidor.

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    George Gaynes (1917 – 2016)

    17 de fevereiro de 2016 /

    Morreu o ator George Gaynes, que será sempre lembrado como o comandante Lassard dos sete filmes da franquia “Loucademia de Polícia” e por viver o pai adotivo da pequena Punky na série dos anos 1980 “Punky: A Levada da Breca”. O ator faleceu na segunda-feira (15/2) aos 98 anos de idade, em Washington, nos Estados Unidos. Gaynes teve uma vasta carreira, de mais de 50 anos, na TV e no cinema. Seu currículo inclui aparições em séries como “Bonanza”, “Missão Impossível”, “Guerra, Sombra e Água Fresca” e “O Homem de Seis Milhões de Dólares”, e a lista dos cineastas com quem trabalhou forma um verdadeiro “quem é quem” de Hollywood. Mesmo assim, ele só foi se tornar mais conhecido na idade em que muitos já pensam na aposentadoria. Nascido em 1917 em Helsinki, na Finlândia, Gaynes era cantor de ópera, mas teve sua carreira interrompida pela 2ª Guerra Mundial, quando buscou refúgio nos Estados Unidos. Foi reencontrar o público na Broadway nos anos 1950, onde usou sua voz de barítono para estrelar diversos musicais. Sua estreia no cinema, curiosamente, foi numa produção francesa, “Jaula Amorosa” (1964), clássico de René Clément, em que contracenou com Jane Fonda e Alain Delon. Outros filmes cultuados de sua filmografia incluem “O Grupo” (1966), de Sydney Lumet, “Sem Rumo no Espaço” (1969), de John Sturges, “Nosso Amor de Ontem” (1973), de Sydney Pollack, e “Viagens Alucinantes” (1980), de Ken Russell, transitando do drama à fantasia fantástica. Sua predileção pelo humor só foi estabelecer a partir de “Dois Vigaristas em Nova York” (1976), de Mark Rydell. Gaynes começou a se especializar em comédias, dando sequência ao filão com “No Mundo do Cinema” (1976), de Peter Bognadonovich, “Cliente Morto Não Paga” (1982), de Carl Reiner, e o imensamente popular “Tootsie” (1982), de Sydney Pollack, no qual beijou Dustin Hoffman. Suas comédias eram geralmente sucessos de público, trazendo a marca de grandes diretores, de carreiras consagradas em Hollywood. No entanto, o filme que o tornou conhecido foi iniciativa de um novato da indústria, Tom Wilson, que escreveu e dirigiu “Loucademia de Polícia” (1984). O êxito da produção foi um verdadeiro fenômeno, tanto que rendeu sete sequências. A maioria dos atores originais abandonou as continuações, conforme o sucesso diminuía, mas Gaynes permaneceu firme como comandante da “Loucademia” até o último longa, lançado em 1994, e até na série derivada, que durou só uma temporada, entre 1997 e 1998. Seu grande hit televisivo, na verdade, veio com um papel bem diferente. Poucos meses após “Loucademia de Polícia” estourar nas bilheterias, Gaynes foi contratado para viver seu primeiro personagem fixo numa série de TV, estrelando “Punky: A Levada da Breca” em 1984, como o pai adotivo da pirralha interpretada por Soleil Moon Frye. A série infantil se tornou seu segundo êxito, sendo renovada por quatro temporadas e adaptada até como um desenho animado – que também contou com Gaynes e Frye como dubladores. A fama, porém, chegou tardiamente em sua carreira, quando o ator já tinha 67 anos de idade. Por isso, após os filmes da “Loucademia de Polícia”, ele não fez muitos outros papeis. Sua última década incluiu participações em “Tio Vanya em Nova York” (1994), de Louis Malle, “As Bruxas de Salém” (1996), de Nicholas Hytner, “Mera Coincidência” (1997), de Barry Levinson, e “Recém-Casados” (2003), de Shawn Levy, seu último trabalho, em que viveu o padre responsável por casar os personagens de Ashton Kutcher e da também já falecida Brittany Murphy. Gaynes era casado com a também atriz Allyn Ann McLerie e deixa uma filha, uma neta e duas bisnetas. Além de uma “filha da televisão”, Soleil Moon Frye, a intérprete da Punky, que se pronunciou sobre a morte do ator em seu Instagram. “Quando eu penso sobre os melhores momentos da minha vida, eles foram compartilhados com este homem incrível. O universo acaba de ganhar uma estrela gigante. Você estará para sempre no meu coração e na minha alma”, lamentou a atriz, que se despediu assinando como “sua pequena Punky”.

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  • Série

    Supergirl: Trailer e fotos do próximo episódio revelam adaptação de HQ clássica de Alan Moore

    5 de fevereiro de 2016 /

    O canal americano CBS divulgou o trailer e as fotos do próximo episódio de “Supergirl”, que irá recriar uma história clássica de Alan Moore (criador de “V de Vingança” e “Watchmen”). A alusão inclui o título, “For The Girl Who Has Everything”, que apenas troca o gênero da trama original dos quadrinhos. Escrita por Moore e desenhada por Dave Gibbons em 1985, antes da estreia de “Watchmen” (1986), “For The Man Who Has Everything” (lançada no Brasil como “Para o Homem que Tinha Tudo”) se passava durante um aniversário do Superman. Um de seus presentes era uma planta alienígena, “Clemência Negra”, que o fazia sofrer com alucinações, levando-o a imaginar como seria sua vida se Krypton nunca tivesse explodido e ele não fosse enviado para o planeta Terra quando criança. Considerada uma das melhores histórias já escritas do Superman, a trama lida com a perda que o herói sofreu com a destruição de Krypton, mostrando um lado atormentado pouco explorado do personagem e evidenciando um trauma implícito em sua origem, que até então nenhum escritor tinha abordado. A publicação chegou a concorrer ao Kirby Awards e ganhou inúmeras reedições, inclusive no Brasil. É tão boa que já havia sido adaptada antes em outra mídia, num episódio da animação “Liga da Justiça Sem Limites” em 2004. A prévia de “Supergirl” chega a copiar detalhes dos quadrinhos, como o design da planta criada por Gibbons. O vídeo mostra como ela aflige Supergirl, que tem visões de uma vida alternativa em Krypton, ao lado de sua família. É neste contexto que a série vai apresentar o jovem Kal-El vivido por Daniel DiMaggio (que também foi o jovem Michael Westen na série “Burn Notice”). O capítulo também introduzirá Cameron Chase, personagem importante dos quadrinhos da DC – que já teve, inclusive, revista própria – , interpretada por Emma Caulfield (a eterna Anya de “Buffy – A Caça-Vampiros”). 13º episódio da série, “For The Girl Who Has Everything” será exibido na segunda-feira (8/2) nos EUA. “Supergirl” passa no Brasil no canal pago Warner.

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  • Série

    MacGyver pode voltar à TV em série do diretor de Velozes & Furiosos 7

    3 de fevereiro de 2016 /

    O canal americano CBS encomendou a produção do piloto de um reboot de “MacGyver – Profissão Perigo”, que será dirigido por ninguém menos que James Wan (“Velozes e Furiosos 7”, “Invocação do Mal”). Segundo o site da revista Variety, caso o piloto seja aprovado, ele também servirá como produtor executivo da atração. Escrita pelo novato Paul Downs Colaizzo, o remake será focado nas origens do personagem vivido nos anos 1980 por Richard Dean Anderson, mostrando-o como o recruta de uma organização clandestina e aperfeiçoando suas habilidades para evitar desastres. Na série original, MacGyver era um agente secreto que conseguia se virar com poucos recursos, usando apenas seus conhecimentos científicos e um canivete suíço que sempre carrega, para safar nas mais difíceis situações. A atração durou sete temporadas e teve 139 episódios produzidos entre 1985 e 1992. O projeto reforça a tendência nostálgica da TV americana, que recentemente tem investido em revivals de séries clássicas, como “Heroes”, “Arquivo X”, “24 Horas” e “Três É Demais”.

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    Jacques Rivette (1928 – 2016)

    31 de janeiro de 2016 /

    Morreu o cineasta francês Jacques Rivette, integrante original da nouvelle vague, que se especializou em filmes sobre teatro, mulheres e experimentalismo, criando uma filmografia cultuadíssima, que desafia a cinefilia. Ele faleceu na sexta (29/1) aos 87 anos de idade e, de acordo com a imprensa francesa, sofria do Mal de Alzheimer há alguns anos. Seu nome de batismo era Pierre Louis Rivette. Ele nasceu em 1928 em Rouen, Seine-Maritime, na França. Estudou brevemente literatura na universidade, até ler o livro de Jean Cocteau sobre as filmagens de “A Bela e a Fera” (1949), que lhe despertou o desejo de virar cineasta. Em 1949, ele rodou o seu primeiro curta-metragem, “Aux Quatre Coins”, em sua cidade natal. E no ano seguinte mudou-se para Paris para seguir sua paixão, passando a ser presença constante no Cine-Clube du Quartier Latin e na Cinémathèque Française. Foi na Cinémathèque, em 1950, que veio a conhecer os jovens Claude Chabrol, Jean-Luc Godard e François Truffaut, que devoravam filmes antigos na primeira fila da projeção, chamando atenção por participar ativamente de debates após as sessões. Naquele ano, ele também filmou seu segundo curta, “Le Quadrille”, produzido e estrelado por Godard, e no qual, segundo o próprio Rivette, “absolutamente nada acontece”. Quando o filme foi exibido no Ciné-Club du Quartier Latin, as pessoas começaram a sair, e, no final, os únicos que ficaram foram Godard e uma menina. Rivette começou a escrever críticas de cinema em 1950 para a Gazeta du Cinéma, co-fundada pelo cineasta Éric Rohmer, e foi contratado por André Bazin no ano seguinte para ajudar a lançar a Cahiers du Cinéma. Com ele, vieram todos os enfant terribles da Cinémathèque, mas Rivette foi quem chamou mais atenção por textos em que defendia diretores de Hollywood, como Howard Hawks, John Ford, Nicholas Ray, Alfred Hitchcock e Fritz Lang, ao mesmo tempo em que atacava o “cinema francês de qualidade”, de cineastas como Claude Autant-Lara, Henri-Georges Clouzot e Rene Clement, escrevendo que eles tinham medo de assumir riscos e tinham se corrompido por dinheiro. A colaboração entre o grupo era tão intensa que “O Truque do Pastor” (1956), novo curta de Rivette, foi escrito e produzido por Chabrol. O próprio Chabrol ainda aparecia em cena, com Godard e Truffaut, fazendo figuração. Rivette também ensaiou uma metragem maior, com “Le Divertissement” (1952), que durava 45 minutos. E, após entrevistar diversos cineastas famosos, considerou-se pronto para filmar seu primeiro longa-metragem. “Paris nos Pertence” (1961) levou três anos para ser filmado, devido ao desafio financeiro de se fazer cinema independente. A obra provocava já no título e estabeleceu os princípios da “experiência Rivette” de cinema, sempre à beira do fantástico e do delírio lúdico e noturno, e usando o teatro como metáfora da aventura humana. Na trama, um grupo de jovens atores ensaia para uma produção de Shakespeare que nunca estreia, enquanto fornecem uma mostra da vida boêmia de Paris no final dos anos 1950. Chabrol, Godard, Jacques Demy e Rivette aparecem em papéis menores. A demora em finalizar seu filme o deixou para trás, quando as estreias de Chabrol (“Nas Garras do Vício”, 1958), Truffaut (“Os Incompreendidos”, 1959) e Godard (“Acossado”, 1960) sacudiram os festivais de cinema, chamando atenção para o movimento nouvelle vague. Chabrol já estava no quarto longa quando “Paris nos Pertence” chegou às telas. E para complicar, assim como os primeiros filmes de Éric Rohmer, seu debut não obteve a mesma repercussão que os trabalhos dos colegas. A falta de uma estreia impactante manteve Rivette por mais tempo na Cahiers, onde se tornou editor, entre 1963 e 1965, levando a revista a adotar uma perspectiva semiótica e deixando-a à beira da falência. Em suas próprias palavras, ser crítico nunca foi seu objetivo, apenas “um bom exercício”. Para seu segundo longa-metragem, Rivette escolheu uma adaptação do romance “A Religiosa”, de Denis Diderot. Incapaz de conseguir financiamento para o projeto, ele dirigiu uma versão teatral, produzida por Godard e estrelada pela mulher dele, Anna Karina. Foi um fracasso completo, mas Karina, que depois também estrelou o filme, ganhou prêmios por sua interpretação. Isto inspirou o diretor a aprofundar o roteiro e buscar parceiros para a produção. A repercussão começou já no anúncio das filmagens, quando a Igreja Católica e integrantes do comitê responsável pela censura cinematográfica avisaram que o longa não passaria nos cinemas. Publicada em 1796, a obra de Diderot demonstrava a brutalidade da Igreja, que mantinha jovens confinadas em conventos contra a própria vontade, e se manifestava por meio de cartas de uma noviça pedindo ajuda para escapar daquela vida. Rivette conseguiu ganhar aprovação da censura, mas mesmo assim o filme foi banido por pressão da Igreja. Diversos jornalistas e cineastas protestaram, criando grande expectativa para sua première no Festival de Cannes, que acolheu a obra, juntando-se ao protesto. Com cenas de tortura psicológica, freiras lésbicas e monges libidinosos, “A Religiosa” foi recebido com palmas entusiasmadas. Diante dos elogios da crítica, a censura foi confrontada e o filme pôde chegar aos cinemas, tornando-se, graças à publicidade criada pela polêmica, o maior sucesso da carreira do cineasta. Sua fama de agitador atingiu o ápice na primavera de 1968, quando liderou um movimento contra o afastamento do diretor da Cinémathèque pelo Ministério da Cultura, que levou milhares às ruas e envolveu distribuidores de cinema ao redor do mundo. Sem se contentar com a vitória nesta batalha, aproveitou o ímpeto para exigir o fim da censura e a ingerência do governo no cinema francês, o que levou a uma histórica interrupção do Festival de Cannes em solidariedade. Era maio de 1968 e a imaginação acreditava que chegaria ao poder. Querendo manifestar essa efervescência em filme, Rivette buscou romper com os limites do cinema em seu trabalho seguinte, “L’Amour Fou” (1969). Dispensou o roteiro, a construção de cenas, as convenções e a estrutura de filmagem para realizar uma obra baseada na improvisação. O fiapo de trama acompanhava o ensaio de um grupo de teatro, por sua vez filmado por uma equipe de documentário, e complementado por um drama de bastidores entre o diretor teatral e sua esposa, que também é a atriz principal da peça dentro do filme. A atriz era Bulle Ogier, que se tornaria musa de Rivette, voltando em várias de suas obras. Outra curiosidade é que o longa misturava diferentes bitolas – as cenas do documentário foram filmadas em 16mm -, e terminava num longo take sem cortes da discussão do casal central, culminando na destruição do apartamento em que eles viviam. Entusiasmado com o resultado, o cineasta quis ampliar ainda mais a potencialidade dessa experiência e rodou 30 horas de um novo filme sem roteiro, baseando-se, mais uma vez, em ensaios teatrais e personagens boêmios. Ao editar o resultado em “Não me Toque” (Out 1, 1971), o filme registrou 12 horas e 40 minutos de duração, exibindo múltiplos personagens, vagamente conectados por histórias independentes, cujas tramas se entrelaçavam e revelavam novos personagens com suas próprias tramas paralelas. E tudo a partir da obsessão de um vigarista (Jean-Pierre Leaud), que dizia receber mensagens ocultas do conto “História dos Treze”, de Honoré de Balzac. Apesar da longa duração, ampliada por um ritmo narrativo lento, a ousadia de levar ao limite a estrutura de multiplots teve grande impacto no cinema autoral dos anos seguintes, influenciando Robert Altman, Krzysztof Kieślowski e até Alejandro González Iñárritu. Mas os cinemas não aceitaram a duração de “Não me Toque”, que teve uma première de gala na Casa da Cultura de Le Havre, na Normandia, assistida por 300 pessoas que viajaram de Paris especialmente para a sessão em setembro de 1971. E só. Rivette chegou a planejar exibir o trabalho em capítulos como uma série na TV. Nenhum canal se interessou. Com ajuda da roteirista Suzanne Schiffman, o diretor passou um ano editando uma versão condensada da obra, que batizou de “Out 1: Spectre”. Lançado em 1974, a síntese durava quatro horas e meia e se tornou a versão mais conhecida, até que, em 1989, o Festival de Roterdã resolveu resgatar a maratona original, inspirando a TV francesa a finalmente exibi-la. Depois disso, o filme só foi ganhar sua terceira exibição pública em 2006, como a obra que inaugurou o Museum of the Moving Image, em Nova York, ocasião em que esgotou todos os ingressos e ganhou a fama de ser “O Santo Graal” dos cinéfilos. Seu filme seguinte seguiu rota oposta, com um roteiro bastante estruturado. “Céline e Julie Vão de Barco” (1974) mergulhava na fantasia com referências a “Alice no País das Maravilhas”, mostrando duas desconhecidas: Julie (Dominique Labourier), que segue Céline (Juliet Berto) pelas ruas de Paris e, às vezes, troca de lugar com a outra, até que ambas se vêem transportadas para um drama de época (baseado em contos de Henry James), como se fosse um sonho compartilhado que elas podiam controlar, feito autoras de um livro mágico. Venceu o Prêmio do Júri do Festival de Locarno e influenciou toda a estética “onírica” do diretor David Lynch, mas seu impacto pode ser conferido mesmo no cinema comercial, na trama da comédia “Procura-se Susan Desesperadamente” (1985), estrelada por Madonna. As críticas positivas à forma como destacou a amizade das protagonistas levaram Rivette a planejar uma quadrilogia dedicada às mulheres, batizada de “Cenas da Vida Paralela”, em que cada filme combinaria romance e fantasia. Seu objetivo com esse projeto era aproximar o cinema da poesia. Ele chegou a filmar “Duelo” e “Noroeste” em 1976, opondo personagens fantasiosas, como a Rainha da Noite e a Rainha do Sol e duas piratas, mas sofreu um colapso nervoso durante a produção do terceiro filme, abandonando o projeto em seu começo, após “Duelo” receber críticas negativas e “Noroeste” ser considerado medíocre e ter sua distribuição recusada, causando problemas entre o diretor e seus produtores. Em baixa, Rivette aceitou filmar “Merry-Go-Round” em 1978 por sugestão dos produtores, porque Maria Schneider, a estrela de “O Último Tango em Paris” (1972), queria filmar com ele. O elenco também incluía Joe Dallesandro, muso dos filmes underground de Andy Warhol, numa história de crime de contexto surreal, em que a trilha sonora era tocada por músicos presentes na trama. O filme só chegou aos cinemas em 1981, mesmo ano em que o diretor rodou “Um Passeio por Paris”, considerado o final de uma trilogia sobre a Paris de sua geração – iniciada por “A Cidade Nos Pertence” e “Não Me Toque”. O elenco reunia Bulle Ogier e sua filha, Pascale, como duas mulheres que se encontram de forma aleatória e investigam um mistério estranho e surreal nas ruas da capital francesa, envolvendo vários personagens chamados Max. Como ensaio para esse longa, Rivette ainda dirigiu um curta, “Paris s’en Va”. De volta à filmagem de ensaios teatrais, “Amor por Terra” (1984) trazia Jane Birkin e Geraldine Chaplin como irmãs atrizes, que, após uma apresentação num pequeno apartamento, são convidadas a ensaiar o texto de outra peça numa mansão, baseada na vida do diretor, onde começam a ter visões de uma tragédia prestes a se repetir. Uma das curiosidades desse roteiro é que as irmãs eram Emily e Charlotte, como as irmãs Brontë, e o próximo filme de Rivette, em contraste com sua filmografia experimental, foi uma adaptação de “O Morro dos Ventos Uivantes” (1985), de Emily Brontë, transposta para o sul da França nos anos 1930. Insistente em seu tema, Rivette rodou “O Bando das Quatro” (1989) sobre quatro estudantes de teatro, cujas vidas se alternam entre as peças que ensaiavam e a vida real. Por ocasião da première no Festival de Berlim, ele explicou porque gostava tanto de filmar ensaios: “É muito mais interessante mostrar o trabalho de criação do que o resultado”. O diretor gostou tanto de trabalhar com as jovens atrizes de “O Bando das Quatro” que a experiência o motivou a voltar ao teatro, dirigindo duas peças com as protagonistas do filme. O período também o preparou para rodar o filme que muitos consideram sua obra-prima. Vagamente inspirado num conto de Honoré de Balzac, “A Bela Intrigante” (1991) mostrava como a chegada de uma jovem (Emmanuelle Béart) inspirava...

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    Tom Cruise volta a planejar a continuação de Top Gun – Ases Indomáveis

    27 de janeiro de 2016 /

    O produtor Jerry Bruckheimer (“Piratas do Caribe” e franquia “CSI”) postou em seu Twitter uma foto ao lado de Tom Cruise, em que anunciou a retomada do projeto da continuação de “Top Gun – Ases Indomáveis” (1986), um dos maiores sucessos da carreira do astro. Ao lado da imagem (acima), ele escreveu: “Acabei de voltar de um fim de semana em Nova Orleans para ver meu velho amigo @TomCruise e conversar sobre Top Gun 2”. Já faz tempo que se fala em uma continuação de “Top Gun”, mas a ideia parecia ter esfriado depois da morte do diretor original, Tony Scott, em 2012. Dois dias antes de morrer, Scott tinha se encontrado com Cruise para verificar locações para as filmagens. Seu falecimento inesperado, taxado como suicídio, tirou “Top Gun 2” da lista de prioridades dos envolvidos. A última notícia que se tinha era do próprio Bruckheimer, que, em entrevista ao site Huffington Post no ano passado, manifestou vontade de aproveitar a ideia de Tony Scott para o filme. “O conceito é basicamente que os pilotos estão obsoletos em relação aos drones. Mas Cruise vai mostrar para eles que ele não é obsoleto”, afirmou o produtor. Além de Cruise, de volta ao papel de Maverick, quem também deve retornar na sequência é Val Kilmer, intérprete de Tom “Iceman” Kazansky. A atriz Kelly McGillis, par romântico de Maverick como a instrutora de voo Charlie Blackwood, chegou a expressar interesse em participar da nova produção, mas contou em uma entrevista não ter sido procurada por Bruckheimer. A equipe de roteiristas da continuação inclui Peter Craig (“Jogos Vorazes”) e a dupla Ashley Miller e Zack Stentz (“Thor” e “X-Men: Primeira Classe”), mas Brukheimer e Cruise ainda não definiram quem substituirá Tony Scott na direção.

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    Continuação de Blade Runner começará a ser filmada em julho

    26 de janeiro de 2016 /

    A aguardada continuação de “Blade Runner – O Caçador de Androides” (1982) está deixando de ser fantasia de fãs. A produção ganhou data para começar a ser filmada. Segundo a Alcon Entertainment – que adquiriu os direitos do filme em 2011 – , as filmagens começam em julho de 2016. Em comunicado, os diretores da Alcon, Andrew Kosove e Broderick Johnson, afirmaram que a Sony será a responsável por distribuir a produção. O longa original foi distribuído pela Warner Bros. “Nós estamos animados para trabalhar com Tom Rothman, Michael Lynton e todo o time da Sony nesse projeto muito especial, bem como continuar mantendo nosso relacionamento longo e importante com nossa parceira Warner Bros. Pictures”, disseram os executivos. O novo “Blade Runner” vai contar uma história nova, passada décadas após os eventos originais, mas terá elementos que o conectarão com o primeiro filme, inclusive com a aparição de Rick Decard, o personagem vivido por Harrison Ford em 1982. A trama foi escrita por Hampton Fancher, roteirista do filme original, em parceria com Ridley Scott, o diretor original, que também vai produzir a continuação, e o roteiro final foi assinado por Michael Green (“Lanterna Verde”). A direção, por sua vez, está a cargo de Denis Villeneuve (“Sicario – Terra de Ninguém”), e até o momento apenas o intérprete principal foi confirmado: Ryan Gosling (“A Grande Aposta”). A data de estreia ainda não foi divulgada.

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    Filme Labirinto, estrelado por David Bowie, vai ganhar nova versão

    23 de janeiro de 2016 /

    O estúdio Tri-Star, subsidiária da Sony Pictures, entrou em acordo com os herdeiros do diretor Jim Henson (criador dos “Muppets”) para produzir uma nova versão do último filme do cineasta, a fantasia “Labirinto – A Magia do Tempo”, estrelada por David Bowie e a jovem Jennifer Connelly em 1986. Segundo o site The Hollywood Reportar, a roteirista Nicole Perlman (“Guardiões da Galáxia”) será responsável por escrever a história. O filme original acompanhava a jornada da adolescente vivida por Connelly, que, cansada de ser babá do irmão mais novo, deseja que ele suma, sendo atendida pelo Rei dos Duendes, o papel de Bowie. Desesperada ao perceber o que fez, ela entra num mundo mágico, repleto de fantoches e pedras que soltam pum, para enfrentar a criatura Bowie e recuperar seu irmãozinho. Cultuado como clássico infantil, “Labirinto” contou com músicas de Bowie, roteiro de Terry Jones (dos Monty Python) e produção de George Lucas (criador de algo chamado “Star Wars”). Um supertime que, curiosamente, não impediu seu fracasso de bilheteria. A derrota financeira levou o diretor Jim Henson a entrar em depressão profunda. Ele nunca mais dirigiu nenhum filme até sua morte, quatro anos depois. O lançamento em vídeo e as exibições televisivas, porém, mudaram a percepção do público a respeito da obra. Muitos até acham que o filme foi um dos grandes sucessos dos anos 1980. A obra também foi valorizada pelo reconhecimento obtido por Connelly em seus filmes seguintes. A atriz acabou ganhando o Oscar por “Uma Mente Brilhante” em 2002. Já o projeto do remake/continuação coincide com os 30 anos de lançamento do original e a recente morte de Bowie, falecido no dia 10 de janeiro. Ainda não há previsão para o começo das filmagens ou data de lançamento.

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    Diretor de As Panteras vai comandar o filme do He-Man

    23 de janeiro de 2016 /

    O diretor McG, que não emplaca um sucesso nos cinemas desde “As Panteras” (2000) e “As Panteras Detonando” (2003), foi contratado pela Sony Pictures para comandar o filme “Mestres do Universo”, produção baseada nos brinquedos e desenhos animados de “He-Man”. A informação é do site The Hollywood Reporter. O estúdio, porém, ainda não está contente com o roteiro atual e pretende encomendar um novo candidato para sua coleção de scripts recusados. A pilha começou em 2009 e já deixou cair no lixo, entre outros, textos de Terry Rossio (“O Cavaleiro Solitário”), Alex Litvak (“Predadores”) e Michael Finch (“Hitman: Agente 47”). A versão mais recente da história foi escrita por Jeff Wadlow (“Kick-Ass 2”), que, por sinal, tinha a pretensão de dirigir o longa. Além de Wadlow, o diretor Jon M. Chu (“G.I. Joe – Reataliação”) também esteve de olho na produção, quando ela ainda tinha o título provisório de “Greyskull”. A dificuldade em encontrar o tom se deve à frustração com o primeiro e único filme da franquia, lançado em 1987 com Dolph Lundgren (“Os Mercenários”) no papel de He-Man e Frank Langella (“Frost/Nixon”) como o vilão Esqueleto. Com efeitos precários e resultado discutível, o filme é mais lembrado por ter lançado a carreira da atriz Courteney Cox (séries “Friends” e “Cougar Town”). Ao contrário daquela produção, o novo longa não irá se passar na Terra, preservando a inspiração dos desenhos e servindo como filme de origem. A história deve mostrar a transformação do príncipe Adam no guerreiro He-Man, que representa a última esperança da terra mágica chamada Eternia contra a ameaça do Esqueleto. McG, entretanto, não é exatamente um cineasta prestigiado. Sua filmografia, que inclui “O Exterminador do Futuro – A Salvação” (2009), “Guerra É Guerra!” (2012) e “3 Dias Para Matar” (2014), é uma lista de fracassos de bilheteria. Seu próximo lançamento será o terror “The Babysitter”, com Bella Thorne (“Juntos e Misturados”) e Robbie Amell (série “The Flash”), ainda sem previsão de estreia.

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