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    Zac Efron vira o serial killer Ted Bundy em fotos de filme indie

    29 de novembro de 2018 /

    O drama indie “Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile” revelou 22 fotos da sua produção, que traz o ator Zac Efron (“Baywatch”) como Ted Bundy, um dos serial killers mais famosos dos Estados Unidos. Além de mostrá-lo caracterizado no papel, as imagens também revelam os visuais de Kaya Scodelario (“Maze Runner: A Cura Mortal”), irreconhecível de óculos e cabelos curtos, Lily Collins (“O Mínimo para Viver”), John Malkovich (“Horizonte Profundo: Desastre no Golfo”), Jim Parsons (série “Big Bang Theory”), Angela Sarafyan (“Westworld”), Grace Victoria Cox (“Under the Dome”) e destacam o clima dos bastidores com o diretor Joe Berlinger. O cineasta é conhecido por realizar a trilogia de documentários “Paradise Lost”, que acabou ajudando a libertar três jovens presos injustamente após um assassinato ritual de crianças em West Memphis. O caso rendeu comoção nacional, porque eles foram condenados por serem fãs de heavy metal. Berlinger dirigiu apenas um filme de ficção e há 18 anos, o terror “A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras” (2000), que, em retrospectiva e comparado ao novo “Bruxa de Blair” (2016), não era tão ruim assim. O roteiro é de Michael Werwie (do vindouro suspense “Lost Girls”, com Sarah Paulson) e o elenco também inclui Terry Kinney (série “Billions”), Haley Joel Osment (o menino agora crescido de “O Sexto Sentido”), Dylan Baker (série “The Good Wife”) e o cantor do Metallica James Hetfield, em sua estreia como ator. “Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile” fará sua estreia mundial no Festival de Sundance 2019, em janeiro, e ainda não tem distribuidora para seu lançamento comercial.

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    Infiltrado na Klan enfrenta o racismo através da história

    27 de novembro de 2018 /

    Spike Lee entende o poder político desempenhado pelo cinema e em “Infiltrado na Klan” ele usa este poder para abordar questões atemporais na história americana (e mundial). A trama se passa no final da década de 1970 e conta a trajetória verídica de Ron Stallworth (John David Washington, da série “Ballers”), um novato na polícia do Colorado que, por telefone, consegue se infiltrar na filial local da Ku Klux Klan. Além de ter a sua própria carteirinha de membro, Stallworth faz contato com algumas das principais lideranças da Klan, como David Duke (Topher Grace, de “Homem-Aranha 3”), um ambicioso político americano que ficou conhecido pelo seu extremismo. Nos encontros presenciais, Stallworth é substituído por Flip Zimmerman (Adam Driver, de “Star Wars: Os Últimos Jedi”), um detetive judeu que se passa por ele e investiga as possíveis ações terroristas da organização. Por mais que Flip não concorde com muitos dos questionamentos levantados por Ron, tal discordância nunca é vista como inimizade, servindo, em vez disso, para fortalecer a relação dos dois. Além do mais, o contato próximo com a Klan obriga Zimmerman a reavaliar sua própria crença, uma vez que a religião nunca havia sido uma “questão” na sua vida – ela não é algo visível, como a cor da pele, o que permitia que ele passasse despercebido entre os grupos preconceituosos. E a expressividade de Adam Driver permite que percebamos todas as nuances do seu personagem e todas mudanças pelas quais ele está passando. Porém, nessa troca John David Washington sai perdendo, visto que seu protagonista não ganha tanta atenção quanto o colega coadjuvante. Dono de um estilo de direção bastante característico, Spike Lee faz com que seus personagens apareçam em muitos momentos posando para câmera, como quando eles escutam o discurso de um líder dos Panteras Negras, ilustrando como aquele discurso atinge a todos de maneira igual. Ao contrário disso, o diretor destaca as diferenças dos grupos raciais por meio da montagem. Enquanto os militantes estudantis escutam com atenção e respeito as palavras de um homem idoso que conta um caso trágico que ele presenciou, envolvendo o espancamento e morte de um jovem negro, os membros do Klan reagem de forma histérica à exibição do filme racista “O Nascimento de uma Nação”, enxergando ali o que o presidente americano Woodrow Wilson um dia declarou como sendo a “história escrita com relâmpagos”. Aliás, não é por acaso que a obra de D.W. Griffith aparece com tanta frequência aqui. Vale lembrar que o filme foi responsável por revitalizar a Ku Klux Klan, mostrando os seus membros como heróis da Guerra Civil americana e presenteando-lhes com aquele que se tornou o seu símbolo mais icônico: a cruz flamejante. Porém, em vez de ficar referenciando apenas o passado, Spike Lee usa esse tema para falar sobre o presente, especialmente para criticar o atual governo do presidente Donald Trump. E ele não é nada sutil nessa sua crítica. As referências a Trump são constantes, desde a aparição de Alec Baldwin (intérprete de Trump no programa Saturday Night Live) num pequeno papel, passando pela repetição de frases icônicas da campanha presidencial (como “fazer a América grande de novo”), pelo descrédito em relação à história (em certo momento um personagem fala que o Holocausto foi uma farsa criada pelos judeus), até a menção de que esse extremismo um dia pode chegar na Casa Branca, sem esquecer da montagem final, com confrontos recentes contra supremacistas brancos acompanhados por discurso complacente de Trump. Assim, além de um excelente filme, “Infiltrado na Klan” serve para mostrar que, embora o cinema tenha ajudado a propagar ideais racistas ao longo dos anos, o poder dessa mídia também pode ser usado como forma de resistência.

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    Bernardo Bertolucci (1941 – 2018)

    26 de novembro de 2018 /

    O cineasta italiano Bernardo Bertolucci morreu nesta segunda-feira (26/11), aos 77 anos. Celebrado por clássicos como “O Último Tango em Paris” (1972) e “O Último Imperador” (1987), ele lutou por anos contra um câncer, mas não resistiu. Com a saúde deteriorada, locomovia-se com uma cadeira de rodas há cerca de uma década, porém nem isso o impediu de realizar um último filme recentemente. Bertolucci foi um dos maiores nomes do cinema italiano e mundial, o mais novo e último remanescente de uma geração que contava com Fellini, Antonioni, Pasolini e Visconti, cuja obra autoral marcou gerações. Vencedor do Oscar de Melhor Direção por “O Último Imperador” – filme que conquistou ao todo nove troféus da Academia – , ele também foi homenageado com a Palma de Ouro, do Festival de Cannes, pelo conjunto da obra. E que obra. Filho de Attilio Bertolucci, um famoso poeta italiano, ele costumava acompanhar seu pai ao cinema em Parma, a cidade onde ele nasceu e cresceu, e começou a fazer filmes de 16mm aos 16 anos de idade. Conheceu o poeta Pier Paolo Pasolini através de seu pai, e quando Pasolini dirigiu seu primeiro filme, “Accattone – Desajuste Social” (1961), Bernardo foi contratado como assistente de produção. Um ano depois, ele dirigiu seu primeiro longa-metragem, “A Morte” (1962), baseado em um esboço de cinco páginas de Pasolini. Rodado quando ele tinha 22 anos de idade, o filme investigava o mistério de um assassinato por meio de flashbacks e diferentes perspectivas de testemunhas, que narravam o que viram ao investigador do caso, um figura invisível para os espectadores. O estilo era diferente e ousado já naquela época, resultado, segundo ele, de quem “tinha visto muitos e muitos filmes”. “Antes da Revolução” (1964) foi um trabalho muito mais pessoal, explorando os problemas de um jovem egoísta de classe média que se vê dividido entre política radical e conformidade, e entre um caso apaixonado com sua jovem tia e seu casamento burguês. Ele opta por respeitabilidade em ambos os casos. Vagamente baseado no romance “A Cartuxa de Parma”, de Stendhal, o filme chamou atenção por ser tecnicamente impressionante e pela capacidade de Bertolucci de articular temas, como o pai traidor e a conexão da libido com a política, que ele exploraria ao longo da carreira. Em “Partner”, ele adaptou “O Duplo” de Dostoiévski, atualizando a trama para a Roma de 1968 e incluindo uma homenagem à novelle vague, ao mostrar o protagonista, interpretado por Pierre Clémenti, falando francês, enquanto todos os demais falam italiano. No mesmo ano, Bertolucci assinou o roteiro do filme que passou a ser celebrado como auge do gênero spaghetti western, “Era uma Vez no Oeste”, de Sergio Leone, em que manifestou pela primeira vez suas aspirações épicas. Sua carreira estourou na década seguinte, após dar ao operador de câmera de “Antes da Revolução” o status de diretor de fotografia. A parceria com Vittorio Storaro marcou época. Fizeram oito filmes juntos, sendo o primeiro “A Estratégia da Aranha” (1970), que transpôs a história de Jorge Luis Borges da Irlanda para a Itália, mudando o contexto político para um retrato do fascismo dos anos 1930, ao mostrar que o pai, que o protagonista considerava um herói, era realmente um traidor. Um de seus maiores clássicos foi rodado quase ao mesmo tempo. “O Conformista” (1970) juntou as preocupações freudianas e políticas de Bertolucci em um estudo da Itália fascista, que procurava captar o pensamento da extrema direita por meio de um protagonista reprimido. Um homossexual que se recusava a se assumir, vivido por Jean-Louis Trintignant, e que por isso optava por valores burgueses e pela violência, recebendo do partido fascista a missão de assassinar seu ex-professor. O roteiro adaptado da obra de Alberto Moldavia rendeu ao cineasta sua primeira indicação ao Oscar. Impressionante, por ser um “filme falado em língua estrangeira”. O longa também se destacou pelo florescimento do estilo cinematográfico de Bertolucci, com tomadas elaboradas, ângulos de câmera barrocos, cores opulentas, cenografia repleta de ornamentos e um intrincado jogo de luz e sombra, que quase transformavam o filme em 3D só pelo impacto visual. Mas nenhum filme marcou mais sua carreira, para o bem e para o mal, que o que veio em seguida. “O Último Tango em Paris” se tornou um clássico do cinema erótico, por seu retrato de um relacionamento anti-romântico, baseado apenas em sexo, entre uma ninfeta e um homem bem mais velho, vividos por Maria Schneider, então com 19 anos, e Marlon Brando, de 48, que não querem saber nada um do outro, nem mesmo o nome. Altamente sensual, mas também violento, o filme provocou muitas discussões na época e rende assunto até hoje. Na ocasião, o cineasta foi indiciado por um tribunal em Bolonha por fazer um filme pornográfico. Embora tenha sido absolvido, perdeu seus direitos civis (incluindo seu direito de voto) por cinco anos e os tribunais italianos ordenaram que todas as cópias do filme fossem destruídas. Mas a obra estourou no exterior, lotou cinemas, gerou frisson e rendeu a segunda indicação ao Oscar para Bertolucci, desta vez como Melhor Diretor. Muito já se falou sobre a cena da manteiga, usada para simular lubrificação numa simulação de estupro. Uma violação não consentida que, na trama, levava a jovem protagonista a encerrar o relacionamento, algo que o homem não consegue entender. Maria Schneider denunciou Bertolucci e Brando, anos depois em sua autobiografia, pela violência da encenação. Mesmo que o estupro fosse simulado, ela se disse vítima de agressão, já que o uso da manteiga não estava no roteiro ou tinha sido combinado, e foi resultado de um ato violento, com Brando jogando-a no chão e tocando sua partes íntimas. Em uma entrevista de 2007, quatro anos antes de morrer, Schneider disse que suas “lágrimas eram verdadeiras” no filme. Em dezembro de 2016, a polêmica voltou à tona, quando uma entrevista antiga de Bertolucci ressurgiu nas redes sociais. Nela, Bertulucci assumia: “A sequência da manteiga foi uma ideia que eu tive com Marlon na véspera da filmagem. Eu queria que Maria reagisse, que ela fosse humilhada. Eu não queria que ela interpretasse a raiva, eu queria que ela sentisse raiva e humilhação”. A confissão ultrajou feministas. “A todos que gostaram do filme, vocês estão vendo uma jovem de 19 anos sendo violentada por um homem de 48 anos. O diretor planejou a agressão. Isso me dá nojo”, tuitou a atriz Jessica Chastain, que, depois, tomaria a frente do movimento Time’s Up, contra abusos e discriminação contra as mulheres em Hollywood. Essa discussão demorou décadas para assumir contornos mais negativos, o que levou Bertolucci a passar seus últimos anos se defendendo. Entretanto, ele também se beneficiou bastante da controvérsia. O interesse gerado pelas reputação de “O Último Tango em Paris” ajudou Bertolucci a obter o financiamento necessário para embarcar em seu projeto mais ambicioso, “1900”. O filme de 1977 foi o primeiro grande épico de sua carreira como diretor, com uma duração de nada menos de cinco horas, além de consumir um dos maiores orçamentos do cinema italiano. O diretor ainda quis aproximar duas escolas rivais de cinema, as grandes produções hollywoodianas e o realismo socialista do cinema russo dos anos 1930, para narrar a história da Itália sob o ponto de vista da luta de classes, representado pelos dois protagonistas: Olmo (Gérard Depardieu), o filho de uma camponesa, e Alfredo (Robert De Niro), o filho do dono da fazenda (Burt Lancaster), ambos nascidos no mesmo dia, 27 de janeiro de 1901. Imponente, mas também didático, o filme atinge o ápice em seus últimos 30 minutos, para encerrar seu painel histórico no Dia da Libertação da Itália pelos aliados, em 25 de abril de 1945. Ao buscar a grandiosidade, Bertolucci se afastou da introspecção que marcava seus trabalhos anteriores. E “1900” acabou considerado uma anomalia em sua filmografia. Suas obras seguintes voltaram aos temas psicológicos e políticos, em mergulhos na sexualidade e na relação paternal. “La Luna” (1979) foi a história de um relacionamento apaixonado, quase incestuoso, entre mãe e filho, rodado com simbolismos edipianos e virtuosismo cinematográfico. E “A Tragédia de um Homem Ridículo” (1981) representou o reverso de “A Estratégia da Aranha”, com um pai investigando a vida do filho, sequestrado misteriosamente e acusado de conspirar com a extrema esquerda. A ambiguidade das obras não agradaram público e crítica. Mas suas inclinações políticas de esquerda lhe permitiram ser bem-recebido na China, onde retomou o cinema épico, atingindo o ápice artístico de sua carreira. “O Último Imperador” foi o primeiro filme ocidental inteiramente rodado na China, e contou com participação oficial do governo do país, que lhe deu acesso à Cidade Proibida e outras locações imponentes, nunca antes registradas numa produção falada em inglês. O filme contava a história real de Pu Yi, o último imperador da China, que nasceu para governar e acabou como um jardineiro comum, após ser “reeducado” pelo regime maoísta, numa trajetória de 60 anos que cobria o período histórico mais controvertido da China. O filme era o equivalente chinês a “1900”, um novo retrato da luta de classes, mas muito mais suntuoso, ecoando o esplendor dourado do palácio na Cidade Proibida. As imagens deslumbrantes e a história inacreditável, mas real, impressionaram crítica e público em todo o mundo. Bertolucci venceu não um, mas dois Oscars, de Direção e Roteiro Adaptado, enquanto o longa colecionou 9 troféus, incluindo Melhor Filme e Fotografia (de Vittorio Storaro). “O Último Imperador” mudou os rumos da carreira de Bertolucci, que a seguir decidiu completar uma “trilogia oriental”, abrindo seu trabalho à temas existenciais e filosóficos por meio de “O Céu que nos Protege” (1990), filmado na Argélia e Marrocos, e “O Pequeno Buda” (1993), filmado no Butão e no Nepal. Mas embora fossem igualmente dispendiosos e exóticos, nenhum dos dois repetiu o êxito do longa chinês. Ele voltou para casa, descartou os excessos, retomou o cinema intimista e redescobriu o sexo com “Beleza Roubada” (1996), drama sobre o despertar sexual de uma adolescente americana (Liv Tyler) em uma vila na Toscana, habitada por artistas e boêmios, e “Assédio” (1998), ambientado em Roma, que se concentra na relação entre um pianista inglês recluso e sua jovem empregada africana (Thandie Newton). Com “Os Sonhadores” (2003), Bertolucci voltou a seus dias de juventude, tanto em termos de tema quanto de repercussão. Passado no ano de 1968, o filme juntava sexo e revolução, dois dos assuntos favoritos do diretor, usando a Primavera de Paris como pano de fundo para um relacionamento a três. Enquanto uma praia se revelava sob os paralelepípedos das ruas, os personagens se fechavam entre quatro paredes, como em “O Último Tango” passado na mesma Paris, para explorar sua paixão sexual e pelo cinema. O resultado se tornou a apoteose da cinefilia de Bertolucci e deslanchou a carreira dos jovens Louis Garrel, Michael Pitt e Eva Green, que fazia sua estreia nas telas. Foi um sucesso. Mas em vez de marcar um renascimento em sua carreira, foi quase uma despedida, pois logo em seguida ele passou a sofrer sérios problemas nas costas. Bertolucci se viu confinado a uma cadeira de rodas e não fez outro filme por nove anos. Foi buscar energia e vontade de filmar nos aplausos dos colegas, durante uma homenagem do Festival de Cannes, que lhe rendeu tributo pela carreira em 2011. Um ano depois, lançou “Eu e Você” (2012), seu primeiro filme italiano desde 1981 e último longa de sua filmografia. Foi um trabalho relativamente modesto com um pequeno elenco e, novamente, uma locação minimalista – um porão em que um adolescente se escondia com sua meia-irmã. Nos últimos anos, sua saúde deteriorou, acumulando um câncer. E, em vez de aplausos, Bertolucci precisou lidar com acusações de abusos cometidos num filme que ele dirigiu aos 31 anos de idade. Em sua derradeira manifestação pública, ele se defendeu: “Eu gostaria, pela última vez, de esclarecer um mal-entendido ridículo que continua a gerar reportagens sobre ‘O Último Tango em Paris’ em todo o mundo. Vários anos atrás, na Cinémathèque Française, alguém me perguntou detalhes sobre a famosa cena da manteiga....

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    Nicolas Roeg (1928 – 2018)

    24 de novembro de 2018 /

    Morreu o aclamado diretor inglês Nicolas Roeg, o homem que caiu no cinema com David Bowie e Mick Jagger. Ele faleceu em sua casa, em Londres, na madrugada de sexta (23/11), aos 90 anos de idade. Referenciado por seus clássicos dos anos 1970, Roeg dizia que só tinha ingressado na indústria cinematográfica porque havia um estúdio em frente à sua casa de infância em Marylebone, no centro oeste de Londres, onde conseguiu seu primeiro emprego em 1947. Ele começou como office boy e foi subindo de escalão aos poucos, passando para ajustador de foco, operador de câmera e finalmente assistente de fotografia nos anos 1960, quando comandou a segunda unidade de blockbusters como “Lawrence da Arábia” (1962) e “Doutor Jivago” (1965). Logo, assumiu a direção de fotografia de produções cultuadas como “A Orgia da Morte” (1964), “Fahrenheit 451” (1966), “Longe Deste Insensato Mundo” (1967) e “Petúlia, um Demônio de Mulher” (1968). Sua estreia na direção foi em “Performance” (1970), concebido como veículo promocional para o cantor Mick Jagger, mas que acabou se tornando uma obra tão experimental e complexa que o próprio estúdio relutou em fazer seu lançamento. O longa ficou dois anos guardado antes de chegar às telas, e mesmo após a estreia demorou a ser apreciado, tornando-se um dos primeiros exemplos do que se costuma chamar de “cult movie”. Seu filme seguinte também virou cult, “A Longa Caminhada” (1971), sobre duas crianças perdidas no outback australiano – uma deles, o próprio filho do diretor – , que são salvas por um jovem aborígene em meio a uma caminhada ritualista. O drama de sobrevivência, porém, quase foi proibido pela censura britânica, devido a uma cena de nu frontal da atriz Jenny Agutter, então com apenas 17 anos, que rendeu muita polêmica na época. Da mesma forma, “Inverno de Sangue em Veneza” (1973), suspense estrelado por Donald Sutherland, também enfrentou forte censura por uma cena de sexo entre os protagonistas e só foi ter maior reconhecimento após sair da sombra de “O Exorcista”, o grande lançamento de terror do ano, que o eclipsou completamente. Revisto, passou a ser considerado uma obra-prima por sua edição não convencional, que antecipou o padrão de cortes frenéticos que viriam a ser associados à montagem dos suspenses das décadas seguintes. Por mais celebrados que esses filmes tenham se tornado entre cinéfilos, nenhum atingiu a idolatria gerada pelo quarto longa de Roeg, “O Homem que Caiu na Terra” (1976), que marcou a estreia de David Bowie no cinema. O filme também ajudou a popularizar a persona do cantor como um alienígena disfarçado entre humanos, imagem idealizada pelo próprio Bowie dois anos antes, na época do hit “Ziggy Stardust”. Bowie embarcou tanto no projeto que adotou como nova identidade o visual do filme, incorporando um personagem que batizou de Thin White Duke, além de usar fotos do longa como capas de dois discos, “Station to Station” (1976) e “Low” (1977). Mesmo assim, o impacto de “O Homem que Caiu na Terra” foi maior em circuitos de arte do que como sucesso comercial. Roeg voltou a trabalhar com um “roqueiro”, Art Garfunkel, em “Bad Timing – Contratempo” (1980), filme que venceu o Festival de Toronto, e decidiu tentar o cinema comercial com a comédia “Malícia Atômica” (1985), sobre um suposto encontro entre Marilyn Monroe e Albert Einstein, mas seu filmes dos anos 1980 tiveram ainda menos bilheterias. Em compensação, afetivamente essa foi sua melhor fase, graças à parceria artística e romântica com a atriz Theresa Russell, sua Marilyn Monroe e estrela da maioria de seus filmes do período, com quem se casou em 1986. Por ironia, ele só foi conhecer o êxito financeiro quando sua filmografia começou a estagnar e no primeiro filme sem a participação de sua esposa, desde que começaram a trabalhar juntos. Com “Convenção das Bruxas” (1990), Roeg finalmente atingiu as massas que não o conheciam, ao mesmo tempo em que manteve sua principal característica, ao criar um novo cult. Combinação de aventura e terror infantil, o filme em que Anjelica Huston vive uma bruxa continua a ser reprisado na TV e com grande audiência até hoje. O sucesso, porém, foi efêmero, já que o cineasta fez apenas mais três longas cinematográficos na carreira. O terror “Desejo Selvagem” (1991) marcou o fim de seu casamento com Theresa Russell e os dois últimos nem foram lançados no Brasil, apesar de “Two Deaths” (1995) ter sido estrelado por Sonia Braga. O diretor ainda fez alguns trabalhos na TV, como o telefilme “A Maldição da Selva” (1993), a minissérie “Sansão e Dalila” (1996) e um episódio de “O Jovem Indiana Jones”, que foi considerado o melhor da série, antes de sair de cena com o terror “Puffball” (2007), fracasso de público e crítica. O fato de não ter estudado cinema, mas aprendido na prática, numa escalada de funções ligadas à fotografia, ajudou-o a criar uma linguagem cinematográfica própria, que o tornou um verdadeiro autor e inspiração para gerações seguintes. “Filmes não são roteiros – filmes são filmes”, costumava dizer, para demonstrar a importância das imagens – da colocação das câmeras à edição, passando pela direção de arte e de artistas. Essa capacidade autoral não foi tão reconhecida como merecia. Ao longo da carreira, Nicolas Roeg foi indicado a três prêmios BAFTA (da Academia britânica), competiu três vezes pela Palma de Ouro e uma pelo Urso de Ouro nos festivais de Cannes e Berlim, além de ter vencido Toronto em 1980. Ainda assim, nada do que fez foi suficiente para que a Academia, o Globo de Ouro e sindicatos dos Estados Unidos percebessem que ele existia. Roeg jamais foi apreciado por Hollywood. Mas impactou cinéfilos de todo o mundo, tendo ajudado a formar o olhar cinematográfico de Christopher Nolan, Paul Thomas Anderson, Steven Soderbergh e Danny Boyle, que mais de uma vez assumiram-se influenciados por sua arte. Um diretor, em especial, deve sua paixão pelo cinema literalmente a Roeg, iniciada ainda na infância, no dia em que ele conheceu um set pela primeira vez, ao visitar o pai nas filmagens de “O Homem que Caiu na Terra”. Trata-se do filho de David Bowie e hoje cineasta Duncan Jones, que publicou uma foto no Twitter em que aparece de pijamas e pirulito na mão, ao lado do pai e de Roeg. “Obrigado por fazer tantas escolhas corajosas, e dar a este estranho rapaz de pijama um amor permanente pelo cinema”, ele escreveu, como homenagem. Just heard another great storyteller, the inimitable Nicolas Roeg left us today. What an incredible body of work he’s left us with!All my love to his family.Thank you for making so many brave choices, & giving this strange little lad in pajamas an ongoing love of filmmaking. pic.twitter.com/QVg2znq3Rs — Duncan Jones (@ManMadeMoon) November 24, 2018

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  • Filme,  Música

    Documentário “perdido” de Aretha Franklin filmado por Sydney Pollack há 46 anos ganha primeiro trailer

    21 de novembro de 2018 /

    O falecimento de Aretha Franklin em agosto passado continua inspirando uma série de homenagens e projetos. E entre as produções, surge agora o primeiro trailer de um documentário inédito, mas lendário. “Amazing Grace” foi filmado em 1972 pelo famoso cineasta Sydney Pollack (1934–2008), responsável por clássicos de Hollywood como “A Noite dos Desesperados” (1969), “Mais Forte que a Vingança” (1972), “Três Dias do Condor” (1975), “Tootsie” (1982), “Entre Dois Amores” (1985) e muitos outros. O filme registra a célebre gravação do disco homônimo, que se tornou o maior campeão de vendas da história da música gospel. Pollack levou uma equipe de filmagens para registrar o show da cantora na Igreja Batista New Missionary, em Los Angeles, flagrando o fervor do público diante de uma Aretha divina, no auge de seu talento, aos 29 anos de idade. É o mesmo show que virou o disco “Amazing Grace”. Mas o filme não refletiu o êxito do lançamento musical, ficando no limbo por 46 anos, a ponto de ser considerado “perdido”, arquivado em lugar desconhecido, devido a uma série de problemas legais e técnicos. Redescoberto, teve sua primeira exibição pública na semana passada, durante o Festival AFI, em Los Angeles, e a reação de pública e crítica foi arrebatadora. A produção agora terá lançamento limitado, a partir da próxima sexta (23/11) na Califórnia, para se qualificar e buscar um indicação ao Oscar. Caso consiga, seria a oitava e primeira póstuma de Pollack, que venceu os Oscars de Melhor Filme e Melhor Direção por “Entre Dois Amores”.

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  • Filme

    Lucy Hale entra no elenco do filme baseado na série Ilha da Fantasia

    17 de novembro de 2018 /

    A atriz Lucy Hale (a Aria Montgomery de “Pretty Little Liars”) assinou contrato para participar do filme “Ilha da Fantasia”, adaptação da série clássica dos anos 1970. Ela viverá uma das convidadas a passar um fim de semana na ilha misteriosa onde as pessoas podem viver suas fantasias – por um preço. Uma fantasia comum da série era virar milionário, o que geralmente envolvia heranças, cassinos ou apostas de cavalos como as do apostagolos.com. Ainda não foi divulgada sinopse, mas ela vai se juntar no elenco a Michael Peña (“Homem-Formiga e a Vespa”), intérprete do anfitrião Sr. Roarke (papel de Ricardo Montalban na TV), além de Jimmy O. Yang (“Podres de Ricos”), Portia Doubleday (a Angela Moss de “Mr. Robot”) e Ryan Hansen (o Dick Casablancas de “Veronica Mars”). As filmagens marcarão um reencontro entre a jovem atriz e o diretor Jeff Wadlow, após trabalharem juntos em “Verdade ou Desafio”, lançado este ano. Feito por US$ 5 milhões, arrecadou US$ 100 milhões em todo o mundo. A produtora, por sinal, também é a mesma, a Blumhouse, especializada em horrores (“Corra!, “Fragmentado”, etc). Por conta disso, o filme vai explorar a temática sobrenatural de alguns episódios da série clássica. A série, que durou sete temporadas entre 1977 e 1984, muitas vezes lidava com temas sombrios e de terror. Para quem não lembra, “Ilha da Fantasia” mostrava hóspedes recém-chegados à ilha-resort do título para viver fantasias providenciadas pelo misterioso anfitrião, o Sr. Roarke, com a assistência do anão Tattoo (Hervé Villechaize, nos anos 1970). Mas para terem os prazeres que almejam, eles precisam passar por testes de caráter e desafios psicológicos. Além deste filme, a história da série clássica foi lembrada recentemente em “My Dinner with Hervé”, produção da HBO lançada em outubro, em que Peter Dinklage (série “Game of Thrones”) viveu Hervé Villechaize no final de sua vida. O ator teve dificuldades para encontrar emprego após o fim da “Ilha da Fantasia” e se matou dez anos depois do cancelamento da atração, em 1993. Já Montalbán morreu em 2009 por complicações da idade, aos 88 anos. O filme da “Ilha da Fantasia” ainda não tem previsão de estreia.

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    Felicity Jones luta pelos direitos das mulheres em novo trailer de Suprema

    14 de novembro de 2018 /

    A Focus Features divulgou um novo trailer de “Suprema” (On the Basis of Sex), filme traz a atriz inglesa Felicity Jones (“Rogue One: Uma História Star Wars”) como a versão jovem da juíza da Suprema Corte dos EUA Ruth Bader Ginsburg. E é curioso reparar como todos os trailers e até o clipe da música-tema terminam exatamente iguais, com o mesmíssimo diálogo. A personagem da cinebiografia é considerada um símbolo vivo da luta pelos direitos das mulheres na Justiça americana. Formada na Columbia Law School, Ruth Bader Ginsburg marcou época ao se tornar uma das primeiras professoras de Direito dos EUA nos anos 1960. Enfrentando forte preconceito ao longo de toda a carreira como advogada, integrou-se ao movimento pela igualdade de gêneros e passou a defender casos de discriminação sexual nos anos 1970, que criaram jurisprudência e mudaram as leis americanas. Em reconhecimento à sua atuação, o presidente Jimmy Carter a indicou a uma vaga de juiz na corte de apelações da capital dos EUA em 1980. E em 1993, o presidente Bill Clinton a promoveu ao ponto mais alto da justiça americana, como juíza da Suprema Corte. Ela se tornou a segunda mulher e a primeira judia a chegar na instituição máxima do judiciário do país. A prévia do filme ainda explora um detalhe relevante de sua biografia, que diferencia o longa de outras produções sobre lutas pelos direitos femininos. Ela teve apoio total em sua vida pessoal e profissional do marido, Martin D. Ginsburg, que era uma advogado renomado. Assim, a trama não vira uma história de ódio contra os homens, mas uma história sobre o devido reconhecimento dos direitos das mulheres. Na produção de Hollywood, o marido da futura juíza é vivido por Armie Hammer (“Me Chame pelo seu Nome”). O elenco também inclui Justin Theroux (série “The Leftovers”), Cailee Spaeny (“Círculo de Fogo: A Revolta”), Sam Waterson (“Law & Order”), Kathy Bates (“American Horror Story”), Stephen Root (“Barry”) e Jack Reynor (“Transformers: A Era da Extinção”). O roteiro foi escrito pelo estreante Daniel Stiepleman e a direção é da veterana Mimi Leder (“Impacto Profundo”), afastada do cinema há quase uma década, e que ultimamente vinha comandando as séries “The Leftovers” e “Shameless”. A estreia está marcada para 25 de dezembro nos Estados Unidos, data em que são lançados filmes para crianças ou potenciais candidatos ao Oscar. “On the Basis of Sex” não é a primeira opção. Já o lançamento no Brasil está marcado para 3 de janeiro. A produção também ganhou dois novos pôsteres internacionais, para os mercados britânico e francês, que podem ser conferidos abaixo.

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    Roma: Filme de Afonso Cuarón que venceu o Festival de Veneza ganha impactante trailer legendado

    13 de novembro de 2018 /

    A Netflix divulgou o pôster, quatro fotos e o segundo trailer legendado de “Roma”, filme vencedor do Festival de Veneza 2018. O título não diz respeito à cidade italiana, mas a um bairro de classe média da Cidade do México, onde trabalha a protagonista, uma empregada doméstica. A prévia impactante mostra uma evolução dramática de momentos intimistas para cenas épicas de revolta popular, ao acompanhar a doméstica Cleo (a estreante Yalitza Aparicio), que testemunha as mudanças sociais e políticas no México durante os anos 1970. A trama filmada em preto e branco é baseada nas lembranças de infância do diretor Alfonso Cuarón, em seu primeiro filme após vencer o Oscar por “Gravidade” (2013). A sinopse oficial define o longa como “uma homenagem de Cuarón às mulheres que o criaram” e como o seu “projeto mais pessoal até hoje”. Cuarón não fazia um filme situado no México há 17 anos, desde “E Sua Mãe Também” (2001). “Roma” terá uma estreia em circuito limitado de cinemas – regra para disputar o Oscar – antes de chegar no serviço de streaming em todo o mundo, no dia 14 de dezembro.

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    Stan Lee (1922 – 2018)

    12 de novembro de 2018 /

    Morreu Stan Lee, o lendário escritor, editor e publisher da Marvel Comics, cujas criações redefiniram os quadrinhos de super-heróis e influenciaram a indústria cultural de forma permanente, consagrando-se como blockbusters de Hollywood. Ele tinha 95 anos e morreu na manhã dessa segunda (12/11), no hospital Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles, após um período conturbado em sua vida. Nascido Stanley Martin Lieber em 28 de dezembro de 1922, filho de um imigrante romeno que se estabeleceu em Nova York, o futuro escritor conseguiu seu primeiro emprego aos 17 anos na empresa do tio, a Timely Comics, que se tornaria a Marvel, e escreveu sua primeira história em quadrinhos dois anos depois. Eram duas páginas apenas, usadas para preencher a terceira edição do “Capitão América”. Ao assinar o texto, virou pela primeira vez Stan Lee. Nesta mesma época, com 19 anos, foi nomeado diretor interino pelo fundador da Timely, o tio Martin Goodman, quando o editor anterior se demitiu. O trabalho foi interrompido brevemente em 1942, devido à guerra, após Stan se alistar no exército, onde escreveu manuais e filmes como parte de um grupo criativo que incluía o cineasta Frank Capra. Mas após o conflito mundial, ele retornou ao posto na Timely, permanecendo como editor por décadas, inclusive na transição da empresa para a Marvel. Sob seu comando, a editora retomou a publicação dos super-heróis, interrompida após a guerra, com a primeira criação importante de Stan Lee no gênero, o Quarteto Fantástico, em 1961. A editora também mudou o nome para Marvel, que era o título de uma publicação de super-heróis que a Timely lançara em 1939. Stan trabalhou com o veterano Jack Kirby, desenhista do maior herói da Timely, o Capitão América, para dar vida às primeiras criações da Marvel. Depois do Quarteto Fantástico, vieram o Hulk, Thor, Homem-Formiga, Homem de Ferro, X-Men, Pantera Negra, Surfista Prateado, cada um com sua própria publicação, o que demandava mais páginas que Jack Kirby dava conta de desenhar. E, assim, novos gênios foram incorporados ao time, como Steve Ditko, que desenhou o Homem-Aranha e Doutor Estranho, o veterano Bill Everett, criador do Príncipe Submarino, que assumiu o Demolidor, etc. Seguindo o exemplo da Liga da Justiça da DC Comics, a maioria dos heróis foi reunida numa única publicação: os Vingadores, em 1963, que também trouxe de volta o Capitão América, novamente desenhado por Kirby. Diferente dos heróis tradicionais dos quadrinhos, os personagens de Stan Lee eram defeituosos, fosse devido a um problema no coração, como o Homem de Ferro, fosse por causa de uma deformação física como o Coisa, do Quarteto Fantástico. Eram mal-compreendidos como os X-Men. Tinham crises de identidade, como o Capitão América que não entendia o mundo dos anos 1960. Mas, principalmente, podiam ser iguais a seus leitores adolescentes, como o Homem-Aranha, que sofria de coração partido, falta de dinheiro e gripe comum. Todos os personagens fizeram sucesso. Alguns mais que outros. E geralmente muito mais que os heróis da rival DC Comics. O que levou a disputas pelos créditos de suas autorias. Lee, Ditko e Kirby tiveram brigas amargas, mas, após anos de disputas judiciais, os desenhistas passaram a ser considerados tão criadores dos personagens quanto Lee. “Eu não quero que ninguém pense que eu tratei Kirby ou Ditko injustamente”, disse ele à revista Playboy em abril de 2014. “Acho que tivemos um relacionamento maravilhoso. O talento deles era incrível. Mas as coisas que eles queriam não estavam em meu poder para dar a eles.” Não estava em seu poder, por exemplo, retornar os desenhos originais para os artistas ou lhes pagar royalties. Nem o próprio Lee jamais recebeu direitos autorais pela exploração em filmes ou séries dos super-heróis que concebeu. Entretanto, como política da Marvel, ele tinha um salário vitalício, que os demais não recebiam. A importância de Stan Lee não se “limitou” à criação da era Marvel dos quadrinhos. Ele também ajudou a criar a comunidade geek, ao passar a publicar as cartas dos leitores nas páginas dos quadrinhos, interagindo com eles de forma como nunca tinha sido feita antes, discutindo enredos e fazendo pequenas revelações sobre os rumos das tramas e futuros projetos. Esse costume gerou uma de suas principais marcas, a exclamação “Excelsior”, com que costumava pontuar suas respostas. Sua influência foi além disto, ao se posicionar factualmente contra a censura aos quadrinhos e contra o preconceito de que eram apenas para crianças. Em 1971, ele cometeu a ousadia de publicar uma história sobre o vício em drogas. Na época, as revistas eram sujeitas à inclusão do selo do Código de Ética, que atestava que não possuíam conteúdo impróprio para menores de 13 anos. Revistas que não tivessem o código tinham dificuldades de distribuição, pois costumavam ser rejeitadas pelas bancas – foi o que levou a editora especialista em terror, EC Comics, à falência após a campanha conservadora que criou o Código duas décadas antes. Pois Stan Lee escreveu, editou e comprou briga para distribuir uma revista do Homem-Aranha em que o melhor amigo do herói, Harry Osborn, aparecia se drogando. A edição chegou às bandas sem o “selo de aprovação”, mas os jornaleiros não a devolveram, porque era do Homem-Aranha, e ela vendeu horrores, dando início a um movimento para “relaxar” as regras e, finalmente, na década seguinte, abolir completamente o Código de Ética que forçava quadrinhos a permanecerem infantis. Infelizmente, todo o esforço artístico de Stan Lee não lhe rendeu reconhecimento imediato. Quadrinhos foram considerados uma forma de expressão insignificante por muitas décadas. O que acabou proporcionando a maior surpresa da vida do escritor, como ele mesmo mencionava, quando o grande mestre do cinema italiano Federico Fellini o procurou em seu escritório, em Nova York, para elogiar suas obras e querer conversar sobre o Homem-Aranha. Em 1972, Lee foi nomeado publisher e passou as rédeas editoriais da Marvel para Roy Thomas, virando, a partir daí, uma espécie de garoto-propaganda da empresa. Ele se mudou para Los Angeles em 1980 para montar um estúdio de animação e construir relacionamentos em Hollywood para a Marvel, após a editora licenciar personagens para séries animadas e live action no passado. Lee também conseguiu sucesso nessa área, com diversas novas produções. Em 2009, a Walt Disney Company comprou a Marvel Entertainment por US$ 4 bilhões, transformando os personagens criados por Lee em blockbusters e dando ao artista uma nova atividade, como o figurante de Hollywood mais famoso de todos os tempos. Assim como fazia Alfred Hitchcock em seus filmes, Lee passou a aparecer compulsoriamente em todas as produções da Marvel, tanto no cinema quanto na TV. Os filmes da Marvel, liderados pelos bilhões arrecadados por “Os Vingadores”, finalmente deram a Stan Lee status de celebridade. Entretanto, quando deveria estar aproveitando as glórias, ele entrou no período mais confuso de sua vida. A partir de julho do ano passado, com a morte de sua esposa Joan, que foi sua companheira por 69 anos, o criador da Marvel se envolveu em vários processos contra antigos sócios e denúncias de abusos de idoso por parte das pessoas ao seu redor. Ele processou executivos da POW! Entertainment – uma empresa que fundou em 2001 para desenvolver propriedades de filmes, TV e videogames – buscando compensações de US$ 1 bilhão por fraude, apenas para desistir do processo abruptamente semanas depois. Também processou seu ex-empresário e entrou com uma ordem de restrição contra um homem que estava lidando com seus negócios, denunciou o desaparecimento misterioso de milhões de dólares de sua conta e, em junho de 2018, foi revelado que o Departamento de Polícia de Los Angeles investigava relatos de abuso de idosos a que ele teria sido submetido. “Stan Lee era tão extraordinário quanto os personagens que ele criou. Um super-herói autêntico para os fãs da Marvel ao redor do mundo, Stan tinha o poder de inspirar, entreter e conectar. A escala de sua imaginação só era superada pelo tamanho de seu coração”, disse o CEO da Disney, Bob Iger, em comunicado. Ele foi acompanhando por Kevin Feige, presidente dos estúdios de cinema da Marvel, que elogiou o legado de Lee. “Ninguém teve mais impacto na minha carreira e em tudo o que fazemos na Marvel Studios do que em Stan Lee. Stan deixa um legado extraordinário que sobreviverá a todos nós. Nossos pensamentos estão com sua filha, sua família e os milhões de fãs que foram tocados pela genialidade, carisma e coração. Excelsior!” Até o Twitter oficial da DC Comics se rendeu ao talento de Lee, evocado pela empresa de quem foi rival por muitas décadas. “Ele mudou a forma como olhamos os heróis e os quadrinhos modernos sempre terão sua marca indelével”, escreveu a DC. “Seu entusiasmo contagiante nos lembrava por que todos nós nos apaixonamos por essas histórias em primeiro lugar. Excelsior, Stan.”

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    Joel Barcellos (1936 – 2018)

    11 de novembro de 2018 /

    Morreu o ator Joel Barcellos na madrugada deste sábado (10/11) em Rio das Ostras, na Região dos Lagos, no Rio. Conhecido do público televisivo como Chico Belo na segunda versão da novela “Mulheres de Areia” (1993), ele teve trabalhos muito mais relevantes no cinema, onde concentrou sua carreira com mais de 60 filmes. Nascido em Vitória, em 27 de novembro de 1936, Barcelos apareceu pela primeira vez em tela grande em 1955, no filme “Trabalhou Bem, Genival!”, na época das chanchadas, mas foi se destacar com o movimento cinematográfico mais importante da década seguinte, o Cinema Novo. Ele atuou na antologia “Cinco Vezes Favela” (1962), sob direção de Leon Hirszman, nos longas “Os Fuzis” (1964), clássico de Ruy Guerra, “O Desafio” (1966), de Paulo César Saraceni, “A Grande Cidade ou As Aventuras e Desventuras de Luzia e Seus 3 Amigos Chegados de Longe” (1966), de Cacá Diegues, e mais dois filmes de Leon Hirszman, “A Falecida” (1965) e “Garota de Ipanema” (1967), além de figurar no mítico “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha. Também estrelou “Trópico” (1968), do italiano Gianni Amico, o que lhe abriu as portas do mercado internacional, levando-o a trabalhar no clássico “O Conformista” (1970), de Bernardo Bertolucci, após ser exilado do Brasil durante o auge da repressão da ditadura militar. Fez ainda alguns papéis na TV italiana e a sci-fi francesa “France Société Anonyme” (1974), de Alain Corneau, antes de retornar em 1975, quando retomou a carreira no país como um dos atores mais ativos do cinema nacional. Fez filmes históricos como “Anchieta, José do Brasil” (1977), de Paulo César Saraceni, “Batalha dos Guararapes” (1978), de Paulo Thiago, “Agonia” (1978), de Julio Bressane, “Luz del Fuego”(1982), de David Neves, “Rio Babilônia” (1982), de Neville de Almeida, e “O Segredo da Múmia” (1982), de Ivan Cardoso. Foi também, além de ator, diretor e roteirista dos longas “O Rei dos Milagres” (1971) e “Paraíso no Inferno” (1977). Por isso, fez pouca televisão, atividade a que só foi se dedicar com mais afinco no período posterior ao fechamento da Embrafilme, quando a indústria cinematográfica nacional implodiu no desgoverno de Fernando Collor durante os anos 1990. A lista inclui as minisséries “Tereza Batista” (1992), “Memorial de Maria Moura” (1994), “Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados” (1995) e “A Justiceira” (1997), sem esquecer sua única novela, “Mulheres de Areia”, todas na Globo. Mas seus últimos trabalhos foram, como deveriam ser, filmes: “O Homem Nu” (1997), dirigido por Hugo Carvana, e “A Dama do Estácio” (2012), um média-metragem dirigido por Eduardo Ades. Nos últimos anos, o artista sofreu dois AVCs e estava bastante debilitado. Em 2012, após passar mal em um mergulho em Rio das Ostras, onde morava, alguns jornais chegaram a noticiar a sua morte erroneamente, desmentida no dia seguinte. Stephan Nercessian, que trabalhou com o ator em “Mulheres de Areia”, comentou a morte de Joel, a quem considerava um de seus grandes amigos. “Ele era um parceirão. Fizemos muita farra juntos. Ele foi um amigo, pai de família e artista fora do comum. Ele teve um trabalho marcante no cinema brasileiro. Que Deus o tenha, pescador Joel”, disse ao UOL.

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    Francis Lai (1932 – 2018)

    10 de novembro de 2018 /

    Morreu o célebre compositor Francis Lai, autor de várias trilhas de cinema, entre elas a de “Love Story”, que lhe rendeu um Oscar em 1971. Ele tinha 86 anos e faleceu na quarta (7/11) na cidade francesa de Nice, de causa desconhecida. Nascido em Nice, Francis Lai foi para Paris com pouco mais de 20 anos para tocar acordeon e integrar a vibrante cena musical do bairro de Montmartre. Em 1965, conheceu o jovem cineasta Claude Lelouch, que o convidou a desenvolver a trilha do filme “Um Homem, uma Mulher”, lançado no ano seguinte. O resultado da primeira trilha de Lai se tornou um marco do cinema. Com seu corinho “da-ba-da-ba-da”, a música-tema virou fenômeno internacional — e uma das gravações mais parodiadas de sua época. A trilha foi indicada ao Globo de Ouro, assim como a parceria seguinte de Lai e Lelouch, “Viver por Viver” (1967). Foi o começo de uma relação duradoura e bem-sucedida entre o cineasta e o compositor, que resultou numa profusão de trilhas que acompanharam a filmografia quase completa de Lelouch. “Francis Lai era o homem da minha vida, um anjo disfarçado de acordeonista”, disse na quarta Lelouch, em entrevista à rádio RTL. “Fizemos 35 filmes juntos e tivemos uma história de amor que durou 50 anos”. O alcance da trilha de “Um Homem, uma Mulher” também abriu as portas de Hollywood para o compositor francês, que no ano seguinte musicou seu primeiro filme falado em inglês, a comédia “Toureiro sem Sorte” (1967), com Peter Sellers e Britt Ekland. Seguiram-se mais comédias, filmes de guerra, suspenses e em pouco tempo Lai passou a dominar o mercado, assinando trilhas de nada menos que dez filmes apenas no ano de 1970 – entre eles, os clássicos “Passageiro da Chuva”, de René Clement, e “Love Story”, de Arthur Hiller, que o consagrou de vez. Ele seguiu em ritmo alucinado durante a década de 1970, bisando suas parcerias com Lelouch, Clement, mas também expandido sua conta bancária até com filmes eróticos, como “Emmanuelle 2” (1975) e o controvertido “Bilitis” (1977) – que ironicamente lhe rendeu a primeira de suas quatro indicações ao César (o Oscar francês). As parcerias com Lelouch foram pontos altos de sua filmografia nas décadas seguintes, rendendo clássicos como “Retratos da Vida” (1981), a continuação “Um Homem, uma Mulher: 20 Anos Depois” (1986), “Itinerário de um Aventureiro” (1988) e “Os Miseráveis” (1995), entre outros, mas também merece destaque o excelente “Olhos Negros (1987), de Nikita Mikhalkov. Ao morrer, Lai trabalhava na trilha de “Les Plus Belles Années”, a derradeira colaboração com seu primeiro e último parceiro de cinema, que Lelouch pretende lançar em 2019. Relembre abaixo alguns dos primeiros e mais famosos trabalhos do compositor.

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    Novo Halloween é homenagem relevante ao clássico de John Carpenter

    9 de novembro de 2018 /

    Passou da hora de muita gente admitir que terror é um gênero relevante. É verdade que, quando um filme de horror faz sucesso, a fórmula é desgastada até não dar mais com continuações infinitas e repetitivas. Mas quando inaugura tendências ou, pelo menos, comprova sua conexão com discussões importantes para a sociedade de sua época, o filme costuma marcar seu nome na história do cinema. Em 1978, por exemplo, o lendário cineasta John Carpenter lançou um filme que influenciaria para sempre a cultura pop, além de dezenas de imitações. O slasher movie de Carpenter gerou um subgênero inteiro de terror ao mostrar um psicopata mascarado solitário tocando o terror numa cidadezinha pacata, na década do assassino do zodíaco. Tamanho foi impacto que sem ele não haveria “Sexta-Feira 13”, “A Hora do Pesadelo” ou “Pânico”. E tem outra: Michael Myers adorava matar mulheres, crime que ainda pauta o cinema de hoje por, infelizmente, nunca ter deixado de refletir a nossa realidade. Atento a suas origens, o “Halloween” de 2018 segue relevante. Admirador da obra de John Carpenter, o diretor eclético David Gordon Green, que assinou “Segurando as Pontas”, não assumiu riscos e prestou uma homenagem, com referências que deixarão os fãs com sorrisos enormes. É um caminho seguro e válido, que opta por reverenciar o único filme da franquia que fez História, fingindo que nenhuma continuação existiu e dando sequência aos eventos do clássico. Além disso, toma a estrutura do roteiro original como base e retoma com saudosismo a trilha composta pelo próprio John Carpenter. Mas faz Michael Myers esfolar o dobro, talvez o triplo de pessoas que ele esfaqueou no primeiro, conduzindo ao inevitável confronto com Laurie Strode (novamente vivida por Jamie Lee Curtis), a babá que sobreviveu ao clássico e esperou quatro décadas para reviver o pesadelo. Mas o “Halloween” de 2018 é mais que uma simples continuação da história original. Mais que as mudanças trazidas pela técnica, a produção também atualiza os temas da obra. Trata-se de um legítimo slasher, com todos os prós e contras do gênero, mas também um exemplar da era #MeToo. Em cena, mulheres decididas, corajosas e influentes se destacam em oposição a homens babacas ou burros, com exceção do assassino mascarado, claro, que, apesar de demente, consegue ser o macho mais inteligente do filme, embora represente um agressor violento de mulheres por motivos óbvios. Tirando bebês (uma grata surpresa), Michael mata sem explicações tudo que encontra pela frente, embora mantenha sua preferência por mulheres, especialmente as tradicionais babás. Só que o filme não é do monstro, mas da atriz que deve sua carreira ao primeiro “Halloween”. Jamie Lee Curtis, filha dos astros Tony Curtis (“Quanto Mais Quente Melhor”) e Janet Leigh (“Psicose”), protagoniza aqui o filme de maior sucesso liderado por uma atriz de 60 anos muito bem vividos, e que merecia mais reconhecimento da Academia por “Um Peixe Chamado Wanda” (1988) e “True Lies” (1994). Sua presença em cena é tão hipnotizante que ameaça o apelo pop da imagem de Michael Myers. A estrutura do roteiro reflete tanto o “Halloween” de 1978 que deixou o esperado embate entre os dois personagens principais somente para os tensos minutos finais, exatamente como no original. A diferença é que, agora, o público anseia pelo confronto, enquanto há 40 anos ninguém tinha certeza se Laurie chegaria viva até o final. Como, desta vez, Laurie se diz pronta para a volta de Michael, o roteiro de Danny McBride (ele mesmo, o comediante de “Segurando as Pontas”) peca ao rechear o miolo do filme com personagens descartáveis que entram em cena somente para servir de guisado para o psicopata. Para provar que há um excesso de gente sem propósito, onde diabos foi parar o crush da neta de Laurie após a festa de Halloween? Não adianta dizer que a última cena entre os dois serviu apenas para isolar a menina pelas ruas como presa fácil para o monstro, porque foi criada uma expectativa e o personagem simplesmente desapareceu sem nem ao menos dar de cara com Michael Myers. Aliás, há um certo desperdício da neta (Andi Matichak) e a filha (Judy Greer) de Laurie durante toda a trama, embora elas se mostrem importantes na conclusão da história. Ao menos, as portas ficam abertas para mais uma sequência, que virá, graças ao sucesso do filme, e tem a obrigação de ser superior. Mas ficam duas certezas: não dá para fazer “Halloween” sem Jamie Lee Curtis e a volta Michael Myers embute a consequência de um revival da tendência que ele despertou há 40 anos. Hollywood já prepara a volta de Jason, de “Sexta-Feira 13”, e outros monstros da era slasher devem ressuscitar para o século 21, com a promessa de extirpar à facadas qualquer resquício de originalidade que sobreviver.

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    Raymond Chow (1927 – 2018)

    4 de novembro de 2018 /

    Morreu Raymond Chow, considerado o “padrinho” do cinema de ação de Hong Kong e que lançou as carreiras internacionais de Bruce Lee e Jackie Chan. O produtor, nascido em Hong Kong em 1927, tinha 91 anos e produziu mais de 170 filmes ao longo de sua carreira. Co-fundador dos estúdios Golden Harvest, em 1971, Chow obteve seu primeiro sucesso mundial com o lançamento de “O Dragão Chinês” (1971). O filme impulsionou a carreira do mestre das artes marciais Bruce Lee como ator de cinema e ainda lhe rendeu o apelido do título. O produtor também foi responsável pelos dois filmes seguintes de Bruce Lee, que estão entre seus trabalhos mais conhecidos: “O Voo do Dragão” (1972) e “Operação Dragão” (1973), além do póstumo “Jogo da Morte” (1978). “Obrigado Raymond por ter dado uma oportunidade ao jovem Bruce Lee e por tê-lo ajudado a realizar seu sonho. Descanse em paz, Raymond”, tuitou a filha do ator, Shannon Lee. Raymond Chow também teve papel importante na carreira do diretor John Woo, gênio do cinema de ação, lançando seus primeiros longa-metragens, como “Chacina em Pequim” (1974) e “O Domador de Dragões” (1975), além de ter impulsionado o sucesso de Jackie Chan, com quem trabalhou nos filmes “O Jovem Mestre do Kung Fu” (1980), “O Grande Lutador” (1980), “Projeto China” (1983), “Police Story” (1985), entre outros. O sucesso internacional de seus filmes acabou levando-o a Hollywood, onde firmou parcerias importantes e realizou filmes de sucesso com atores americanos, como o cultuadíssimo filme de guerra “Os Rapazes da Companhia C” (1978), de Sidney J. Furie, a comédia “Quem Não Corre, Voa” (1981), que juntou Burt Reynolds, Roger Moore e Jackie Chan, a franquia dos anos 1990 “As Tartarugas Ninjas” e até “Assassinato Sob Duas Bandeiras” (1990), dirigido pelo brasileiro Bruno Barreto. Ele continuou filmando sucessos de Jackie Chan até “Espião por Acidente” (2001), antes de se aposentar no mesmo ano. Mas seu nome estava relacionado ao remake de “Quem Não Corre, Voa”, atualmente em desenvolvimento, com direção de Doug Liman (“No Limite do Amanhã”). Em 2008, ele recebeu um prêmio pelas realizações da carreira numa homenagem da Academia do Cinema de Hong Kong, e três anos depois ganhou a mesma honra da Academia do Cinema Asiático.

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