Animação Batman Lego ganha primeiro trailer
A Warner Bros. divulgou o pôster e o primeiro trailer da animação “Lego Batman – O Filme”, spin-off de “Uma Aventura Lego” (2014). A prévia zoa da seriedade de Batman, com uma introdução do herói fazendo beatbox, além de mostrá-lo de cueca e máscara. Ainda sem legenda ou dublagem nacional, o vídeo traz a voz marcante de Will Arnett, que dublou Batman no filme anterior, de volta ao papel do herói dos quadrinhos. Além dele, o elenco original destaca Michael Cera (“Scott Pilgrim contra o Mundo”) como a voz de Robin, Rosario Dawson (série “Demolidor”) como Batgirl, Ralph Fiennes (“O Grande Hotel Budapeste”) como Alfred, Zach Galifianakis (“Se Beber, Não Case”) como o Coringa e a cantora Mariah Carey (“O Mordomo da Casa Branca”) como a Prefeita de Gotham City. O roteiro foi escrito por Seth Grahame-Smith (“Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros”) e a direção está a cargo de Chris McKay (série “Frango Robô”), que trabalhou como supervisor de animação do filme original. “Batman Lego” tem estreia marcada para 9 de fevereiro de 2017 no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Zootopia marca evolução da Disney sob influência da Pixar
“Zootopia – Essa Cidade é o Bicho” não é só uma animação bastante ousada. Ela diz respeito ao futuro da Disney Animation. É o ponto de chegada de uma longa evolução iniciada há uma década, desde que a Disney comprou os estúdios Pixar em 2006. É nítida a ambição por trás de sua produção, que vai além da concepção da cidade dos animais falantes, que já existia na Disney desde Patópolis. Ela brinca com os filmes policiais hollywoodianos, clássicos noir e até mesmo com as famosas produções de horror de Val Lewton. O apuro do estúdio na adaptação dos bichos, que são apresentados ao longo da trama, também salta aos olhos. Ao ganharem características antropomórficas, eles não perdem suas dimensões e natureza originais. Assim, quando o filme mostra a coelha policial Judy em meio a um bando de rinocerontes, o público logo percebe o quão pequenina ela é naquele espaço de brutamontes. Há, ainda, uma questão curiosa envolvendo o Prefeito, que é um leão, e a Vice-Prefeita, uma ovelha. A situação é mais que delicada do ponto de vista político, servindo de metáfora de fácil identificação. Assim como é clara a analogia feita entre os serviços públicos e a participação de Flecha, o simpático bicho-preguiça que trabalha numa espécie de DETRAN de Zootopia. Uma pena que esta cena tenha sido antecipada, praticamente de forma integral, pelos trailers e vídeos de divulgação, prejudicando, assim, a sequência mais engraçada do filme. O fato é que a riqueza de detalhes chama, inicialmente, mais atenção que a própria trama central, focada na investigação do desaparecimento de alguns habitantes de Zootopia. Mas isso logo muda, conforme a policial Judy e seu assistente relutante, o raposo malandro Nick, descobrem o destino dos desaparecidos, permitindo vislumbrar o quanto a trama é audaciosa. Só que demora um pouco para que Judy e Nick, antes inimigos, depois amigos, descubram o tal segredo, e isso prejudica o andamento da narrativa. O ritmo fica a reboque do relacionamento da dupla de protagonistas, com o objetivo de privilegiar sua aproximação. Mas é criativa a forma como o roteiro consegue torná-los até mesmo mais do que simples amigos. De fato, “Zootopia”, dos diretores Byron Howard (“Bolt: Supercão”) e Rich Moore (“Detona Ralph”), não é uma obra qualquer dentro da filmografia de animações da Disney. Dentro do contexto histórico do estúdio, ela parece mais uma produção da Pixar do que os desenhos de animais falantes que deram fama ao estúdio do Mickey Mouse. Apesar do fenômeno popular de “Frozen – Uma Aventura Congelante” (2013) provar a consistência da fórmula clássica dos contos de fadas com princesas e canções, não é de hoje que a Disney cobiça o estilo da Pixar, o pequeno estúdio de efeitos digitais que Steve Jobs ajudou a transformar numa revolução cultural, e que foi incorporado ao império do Mickey por US$ 7,4 bilhões. Desde pelo menos “A Família do Futuro” (2007), o velho estúdio dá passos firmes para adotar a computação gráfica de animação tridimensional, em substituição aos desenhos tradicionais de duas dimensões que fizeram sua fama. E a cada nova tentativa tem aperfeiçoado esse projeto, passando por “Bolt: Supercão” (2008), “Detona Ralph” (2012) e o vencedor do Oscar “Operação Big Hero” (2014), que deu o impulso definitivo nessa arrancada. O que estes filmes tem em comum, além da computação gráfica, é o nome de seu produtor executivo. “A Família do Futuro” foi o primeiro lançamento da Disney sob supervisão do novo chefe do departamento de animação do estúdio, John Lasseter, o diretor de “Toy Story” (1995), por sua vez primeiro sucesso da Pixar. Com a incorporação da empresa de Steve Jobs, Lasseter virou o executivo-chefe da Disney Animation. E sua influência tem ajudado a deixar o estúdio clássico cada vez mais parecido com a Pixar. A outra via também tem sido observada, por meio de lançamentos como “Valente” (2012) e “O Bom Dinossauro”, produções com mais cara de Mickey do que “Toy Story”. Claro que os executivos têm todo o direito de tentar mudar e experimentar. E devem mesmo progredir, para que não fiquem presos no tempo. Mas até que ponto essa modernização pode custar a identidade de uma marca tão forte quanto a Disney Animation? O sucesso de “Zootopia” pode representar o fim de uma era, aumentando os argumentos em prol da sinergia entre os dois estúdios. Trata-se do maior indício já visto de uma nova entidade cinematográfica em desenvolvimento, com cabeça computadorizada e garras de rato animado. Se isto é bom ou ruim, só o futuro dirá.
Coelho psicótico de Pets: A Vida Secreta dos Bichos estrela vídeo em clima de Páscoa
A Universal Pictures divulgou um vídeo de “Pets: A Vida Secreta dos Bichos”, que destaca o coelho psicótico da trama, em clima de Páscoa. A prévia chama atenção para o público não confundi-lo com o Coelho da Páscoa nem os cocozinhos dele com ovinhos de chocolate. Na trama, Bola de Neve apenas parece um coelho fofinho. Dublado em inglês por Kevin James (“Pixels”), ele esconde, por trás de sua aparência meiga, uma personalidade explosiva e provavelmente insana, além de ser o líder de uma rebelião subterrânea de animais. A animação mostra o que acontece quando os humanos saem para o trabalho ou a escola, e os animais de estimação ficam sozinhos. O elenco de vozes originais inclui ainda os comediantes Louis CK (série “Louie”), Eric Stonestreet (série “Modern Family”), Kevin Hart (“Ajuste de Contas”), Ellie Kemper (série “Unbreakable Kimmy Schmidt”), Lake Bell (série “Childrens Hospital”), Bobby Moynihan (humorístico “Saturday Night Live”), Hannibal Buress (série “Broad City”) e Albert Brooks (“O Ano Mais Violento”). O filme tem direção de Chris Renaud, um dos diretores da franquia “Meu Malvado Favorito”, em parceria com Yarrow Cheney, desenhista de produção de “Meu Malvado Favorito”. O roteiro é de Brian Lynch, de “O Gato de Botas” (2011), e Cinco Paul e Ken Daurio, também de “Meu Malvado Favorito”. A estreia está marcada para 8 de julho nos EUA, mas apenas em 25 de agosto no Brasil.
Angry Birds: Veja o trailer dublado da animação baseada no game
A Sony Pictures divulgou a versão nacional, dublada e legendada, do novo trailer da animação “Angry Birds: O Filme”, que explica a trama. A prévia revela, para quem não conhece o game em que o filme se baseia, o que fez os passarinhos do título original ficarem tão raivosos, motivando sua guerra contra o porcos verdes. A dublagem brasileira destaca o comediante Marcelo Adnet (“Os Penetras”) como voz de Red, cuja voz original foi feita por Jason Sudeikis (“Familia do Bagulho”). O filme tem direção dos estreantes Clay Kaytis (animador de “Frozen”) e Fergal Reilly (artista de storyboards de “Hotel Transilvânia”), e chega aos cinemas brasileiros em 12 de maio, oito dias antes do lançamento nos EUA (em 20/5).
David Bowie viu Zoom, gostou e mandou liberar uma música para o filme de Pedro Morelli
O cantor David Bowie deu seu aval para o filme “Zoom”, de Pedro Morelli (“Entre Nós”). Durante encontro com jornalistas em São Paulo, o diretor revelou que Bowie assistiu ao filme, gostou e mandou liberar “Oh! You Pretty Things” para a trilha sonora do longa-metragem, que é uma coprodução brasileira e canadense. Morelli contou que preço dos direitos da música era cinco vezes maior que o orçamento disponível. “Não tínhamos o dinheiro que queriam, mas um dia recebemos um telefonema que Bowie tinha assistido, gostado muito e liberado pela verba que tínhamos”, revelou o diretor. Ao ouvir a história pela primeira vez na coletiva, Marianna Ximenes não escondeu sua surpresa. “Gente, eu não sabia disso. Estou aqui imaginando o Bowie vendo o filme. Sou muito fã”, exclamou, admirada. O que inspirou o diretor a dizer: “Fiquei com essa cara que você esta fazendo por uma semana”. A trama de “Zoom” acompanha três histórias distintas, misturando animação e atores reais, num formato de looping que lembra ouroboros – a serpente que engole a própria cauda. A sinopse pode ser resumida como a história de uma artista (Alison Pill, de “Expresso do Amanhã”), que desenha uma história em quadrinhos sobre um diretor sexy de cinema (Gael García Bernal, em versão animada), que planeja filmar um drama sobre uma modelo brasileira (Mariana Ximenes, de “Os Penetras”), que, por sua vez, quer escrever um livro sobre uma artista de quadrinhos que desenha um diretor, etc. O elenco coadjuvante também inclui Jason Priestley (da série clássica “Barrados no Baile”), Tyler Labine (série “Reaper”) e Claudia Ohana (“A Novela das 8”), que vive um affair com Ximenes no filme. Foram 26 dias de filmagens para o longa todo. Priestley disse que, graças a “Zoom”, pôde conhecer duas versões muito diferentes do Brasil. “Primeiro conheci Trindade, no Rio de Janeiro, para as filmagens, e agora São Paulo. Estou tendo uma experiência brasileira bem autêntica”, declarou, contando que tomou “algumas caipirinhas” durante sua passagem pelo país. “Zoom” estreia dia 31 nos cinemas. Ouça/veja abaixo David Bowie tocando “Oh! You Pretty Things”, a música liberada para o filme.
Yu-Gi-Oh!: Veja dois trailers do filme que comemora os 20 anos da franquia animada
4K Media divulgou o pôster e dois trailer (um para o Japão e outro para os EUA) de “Yu-Gi-Oh! – The Dark Side of Dimensons”, longa japonês de animação que continua a história da série animada e do mangá “Yu-Gi-Oh!”, que está completando 20 anos. Quem assina a história é Kazuki Takahashi, o próprio criador de “Yu-Gi-Oh!”. Na trama, ameaçados por uma força misteriosa, os eternos rivais Yugi Mutou e Seto Kaiba decidem testar suas forças em mais um duelo de cartas de monstros. Como também foi anunciado que os quadrinhos de “Yu-Gi-Oh!” voltarão a ser publicados, após um hiato de 12 anos, é possível que o filme seja o início de uma nova saga com os personagens. Por sinal, o jogo de cartas colecionáveis de “Yu-Gi-Oh!” nunca parou de receber novas expansões. E até a Konami já confirmou que lançará um novo game de “Yu-Gi-Oh!” para o 3DS este ano. “Yu-Gi-Oh! – The Dark Side of Dimensons” será o quarto longa da franquia, seis anos após o último lançamento nos cinemas, com estreia marcada para 23 de abril no Japão. Ainda não há previsão para seu lançamento no Brasil.
Convergente não tira Zootopia da liderança das bilheterias dos EUA
Maior lançamento do fim de semana nos EUA, “A Saga Divergente: Convergente” não foi capaz de tirar “Zootopia – Essa Cidade É o Bicho” da liderança das bilheterias do país. A animação de bichos falantes da Disney fez mais US$ 38 milhões e se manteve como o filme mais visto da América do Norte pela terceira semana consecutiva. O sucesso de “Zootopia” tem surpreendido até a própria Disney. Com sua arrecadação atual, o filme já fez mais de US$ 200 milhões nos EUA e está a um dia de atingir US$ 600 milhões em todo o mundo. Para se ter ideia, “Frozen – Uma Aventura Congelante” levou uma semana a mais para chegar nesses números. Além de “Frozen”, apenas “Operação Big Hero” superou US$ 600 milhões em arrecadação, entre todos os lançamentos da história da Disney Animation. Por sua vez, “A Saga Divergente: Convergente” fez US$ 29 milhões, muito abaixo do desempenho dos dois filmes anteriores da franquia – “Divergente” fez US$ 54,6 milhões em 2014 e “Insurgente” rendeu US$ 52,2 milhões em 2015. Para piorar, foi também o título de pior recepção crítica entre as franquias distópicas que tem sido produzidas em série nos últimos anos, com apenas 10% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Até o público parece concordar, dando nota B na pesquisa do CinemaScore (contra notas A de “Divergente” e A- de “Insurgente”). A Lionsgate, porém, anteviu o problema e tomou iniciativas importantes. Primeiro, antecipou o lançamento no mercado internacional, evitando a contaminação das críticas negativas e o desempenho pífio nos EUA. Resultado disso é que, no Brasil, o filme liderou as bilheterias da semana passada, faturando R$ 10 milhões. A arrecadação brasileira só perdeu para a estreia na França, com US$ 8,1 milhão. Assim, a soma mundial do filme está agora em US$ 82,4 milhões. O problema é que “Convergente” custou, só em produção, US$ 110 milhões, e já é o segundo fiasco milionário do estúdio em 2016, após a implosão de “Deuses do Egito”. Neste contexto, os produtores foram rápidos em sua segunda iniciativa: demitir o diretor Robert Schwentke, que será substituído por Lee Toland Krieger (“A Incrível História de Adeline”) no último filme da “Série Divergente”, intitulado “Ascendente”, que continua previsto para 2017. O 3º lugar ficou com outro lançamento, “Milagres do Paraíso”. Distribuído em mais de 3 mil cinemas, fez US$ 18,5 milhões – uma arrecadação por sala relativamente baixa. Embora o baixo rendimento reflita uma certa descrença do público na atual onda de filmes sobre milagres religiosos contemporâneos, seu desempenho não é nem de longe um desastre de proporções bíblicas, já que custou apenas US$ 13 milhões e se pagará, a princípio, com uma bilheteria na casa dos US$ 35 milhões, algo que nem depende de muita fé para se tornar realidade. O Top 5 tem ainda “Rua Cloverfield, 10”, que chegou a US$ 45 milhões em dez dias nos EUA, e “Deadpool”, que aumentou seu recorde de arrecadação para US$ 340 milhões no mercado doméstico. Para se ter ideia, o filme de censura “R” (para maiores de 17 anos) agora só perde para quatro lançamentos PG-13 (para maiores de 13 anos) da Marvel: “Vingadores” (2012), “Vingadores: Era de Ultron” (2015) e “Homem de Ferro 3” (2013), além dos dois primeiros “Homem-Aranha” da Sony. Em todos os tempos. No mercado mundial, “Deadpool” chegou a impressionantes US$ 730 milhões, o que o deixa a apenas US$ 17 milhões de superar “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” (2014) e assumir a condição de filme de super-herói mais bem-sucedido do estúdio 20th Century Fox. Vale observar que ele também é o mais autoral e radical de todos esses filmes citados. BILHETERIA: TOP 10 EUA 1. Zootopia Fim de semana: US$ 38 milhões Total EUA: US$ 201,8 milhões Total Mundo: US$ 591,7 milhões 2. A Série Divergente: Convergente Fim de semana: US$ 29 milhões Total EUA: US$ 29 milhões Total Mundo: US$ 82,4 milhões 3. Milagres do Paraíso Fim de semana: US$ 18,5 milhões Total EUA: US$ 18,5 milhões Total Mundo: US$ 18,5 milhões 4. Rua Cloverfield, 10 Fim de semana: US$ 12,5 milhões Total EUA: US$ 45,1 milhões Total Mundo: US$ 52,3 milhões 5. 5. Deadpool Fim de semana: US$ 8 milhões Total EUA: US$ 340,9 milhões Total Mundo: US$ 730,6 milhões 6. Invasão a Londres Fim de semana: US$ 6,8 milhões Total EUA: US$ 50 milhões Total Mundo: US$ 50 milhões 7. Uma Repórter em Apuros Fim de semana: US$ 2,8 milhões Total EUA: US$ 19,2 milhões Total Mundo: US$ 19,2 milhões 8. The Perfect Match Fim de semana: US$ 1,9 milhão Total EUA: US$ 7,3 milhões Total Mundo: US$ 7,3 milhões 9. 5. Irmão de Espião Fim de semana: US$ 1,4 milhão Total EUA: US$ 5,9 milhões Total Mundo: US$ 22,6 milhões 10. O Regresso Fim de semana: US$ 1,2 milhão Total EUA: US$ 181,1 milhões Total Mundo: US$ 483,1 milhões
Zootopia é a maior e melhor estreia em semana repleta de bons lançamentos no cinema
Numa semana repleta de bons lançamentos, o mais amplo é “Zootopia – Essa Cidade É o Bicho”, nova animação da Disney, que chega em 950 salas (600 em 3D e 12 em Imax). O estúdio de Walt Disney, que tem como símbolo um animal falante que se veste como gente, trouxe a premissa antropomórfica à sua maturidade com “Zootopia”, uma obra repleta de intertexto, capaz de lidar com preconceitos e estereótipos, e trazer uma mensagem relevante de inclusão, enquanto diverte como poucas. Não só a coelha Judy Hopps e o raposo Nick Wilde são ótimos personagens, mas o ambiente elaborado em que vivem, repletos de coadjuvantes hilários, vira do avesso a história dos desenhos antropomórficos, gênero que, no passado, serviu para perpetuar inúmeros preconceitos raciais. Ágil, esperta, vibrante e bastante engraçada, a produção é simplesmente a melhor animação de bicho falante da Disney desde que os curtas do Mickey Mouse se tornaram falados. Não há como elogiá-la mais que isso. O épico “Ressurreição” tem a segunda maior distribuição da semana, ocupando 470 salas no vácuo do sucesso de “Os 10 Mandamentos”. Entretanto, apesar de sua narrativa estar fortemente ligada à origem do cristianismo, a produção é menos estridente em sua pregação religiosa. Na verdade, opta pela abordagem oblíqua, como “O Manto Sagrado” (1953), “Ben-Hur” (1959) e “Barrabás” (1961), clássicos do gênero sandália e espada que incluem histórias de Jesus. Na trama, Joseph Fiennes (que já foi “Lutero”) vive um centurião romano cético, que tem a missão de averiguar a ressurreição de Jesus e desmentir o boato do milagre. O resultado é uma aventura bem melhor que o esperado, com direito a um Jesus finalmente retratado como (Yeshua) um homem de pele mais escura e sem olhos azuis (o maori Cliff Curtis, da série “Fear the Walking Dead”). Em 86 salas, o suspense brasileiro “Mundo Cão” marca o reencontro do diretor Marcos Jorge com o roteirista Lusa Silvestre, que fizeram juntos o ótimo “Estômago” (2007). Mas os clichês de gênero e a dificuldade com que o clima tenso se encaixa no início mais leve e cômico deixam o filme nas mãos do elenco, que impressiona por sua capacidade de fazer o espectador embarcar na sua história de vingança setentista, sobre um homem violento, em busca de justiça pela morte de seu cachorro nas mãos de um funcionário do Departamento de Controle de Zoonoses (a popular carrocinha). Lázaro Ramos (“O Vendedor de Passados”) e Babu Santana (“Tim Maia”) estão ótimos como protagonistas, Adriana Esteves (“Real Beleza”) perfeita como a esposa evangélica, mas a surpresa fica por conta da jovem Thainá Duarte, em sua estreia no cinema, poucos meses após debutar como atriz na novela “I Love Paraisópolis” (2015). O circuito limitado destaca mais dois filmes brasileiros, ambos documentários. “Eu Sou Carlos Imperial” resgata uma figura histórica, fomentador da Jovem Guarda e cafajeste assumido, que escreveu hits, estrelou pornochanchadas e foi jurado de calouros do Programa Sílvio Santos. Repleto de imagens de arquivo e entrevistas exclusivas com Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Eduardo Araújo, Tony Tornado, Dudu França, Mário Gomes e Paulo Silvino, o filme tem direção da dupla Renato Terra e Ricardo Calil, que já havia realizado um ótimo resgate da história musical brasileira em “Uma Noite em 67” (2010). Chega em apenas três salas do Espaço Itaú, no Rio e em São Paulo. Por sua vez, “Abaixando a Máquina 2 – No Limite da Linha” é desdobramento de um documentário anterior sobre a ética do fotojornalismo, do “uruguaio carioca” Guillermo Planel. Com imagens muito potentes (de fato, sensacionais) e tom crítico, o filme mergulha nos protestos que se seguiram à grande manifestação de junho de 2013, questionando a cobertura da mídia tradicional, ao mesmo tempo em que abre espaço para a autoproclamada “mídia ninja”, buscando refletir o jornalismo na era das mídias sociais – que, entretanto, é tão ou até mais tendencioso. Desde que o filme foi editado, por sinal, aconteceram as maiores manifestações de rua do Brasil, que, além de historicamente mais importantes, politizaram o país com um debate que escapou da reflexão filmada – e que a tal “mídia ninja” faz de tudo para menosprezar. Será exibido em apenas uma sala, no Cine Odeon no Rio. Entre os filmes de arte que pingam nos cinemas, o que chega mais longe é “Cemitério do Esplendor”, nova obra climática do tailandês Apichatpong Weerasethakul, que venceu a Palma de Ouro em 2010 com “Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas”. Ocupa oito salas – quatro no Rio e as demais em Niterói, Maceió, Porto Alegre e São Paulo. A trama se desenvolve em torno de um hospital na Tailândia que recebe 27 soldados vítimas de uma estranha doença do sono. O drama francês “A Linguagem do Coração”, de Jean-Pierre Améris (“O Homem que Ri”) faz o público chorar em apenas seis salas (quatro em São Paulo, mais Porto Alegre e Campinas). Passada em 1885, mostra a dedicação de uma freira para ajudar uma menina nascida surda e cega a ter convívio social. A história é baseada em fatos reais. Por fim, a comédia dramática argentina “Papéis ao Vento” ocupa uma única sala, o Cine Belas Artes em Belo Horizonte. Trata-se da mais recente adaptação do escritor Eduardo Sacheri (“O Segredo dos Seus Olhos”), que a direção de Juan Taratuto (“Um Namorado para Minha Esposa”) transforma em filme sensível e envolvente, comprovando a qualidade atual do cinema argentino. A história gira em torno de três amigos que decidem recuperar o investimento do quarto integrante da turma, recém-falecido, que apostou tudo o que tinha num jogador de futebol decadente. Divertido e humanista, pena o lançamento ser invisível pra a maioria dos brasileiros, pois é questão vital aprender como o cinema de nuestros hermanos consegue ser popular e artístico simultaneamente. Estreias de cinema nos shoppings Estreias em circuito limitado
Comestíveis são devorados vivos em trailer “aterrorizante” de animação de Seth Rogen
A Sony Pictures divulgou o primeiro trailer, ainda sem legenda, da animação adulta “Sausage Party”, escrita pela dupla Seth Rogen e Evan Goldberg, os mesmos degenerados por trás de “É o Fim” (2013) e “A Entrevista”. As cenas de extrema “violência” – há personagens devorados vivos! – rendeu tarja vermelha (impróprio para menores) nos EUA. A prévia revela a trama, que, por sinal, só poderia vir de mentes perturbadas. Em suma, o filme revela o destino de salsichas e outros petiscos felizes, após serem comprados num supermercado. Achando que vão para uma festa, eles descobrem a terrível verdade ao chegarem na cozinha e verem uma batata ser “despelada” viva. O trauma aumenta mais, conforme cenouras são devoradas e outros amiguinhos sofrem tortura. É puro terror entre os comestíveis, que entram em completo desespero. O elenco de dubladores originais reúne toda a trupe de amigos famosos de Rogen, inclusive o próprio. A maioria deles também participou de “É o Fim”, como James Franco, Jonah Hill, Paul Rudd, Michael Cera, David Krumholtz, Danny McBride e Craig Robinson, além da inclusão de Kristen Wiig (“Caça-Fantasmas”), Bill Hader (“Descompensada”), Salma Hayek (“Gente Grande”) e Edward Norton (“Birdman”). Dirigido por Conrad Vernon (“Shrek”) e Greg Tiernan (série animada “Thomas e seus Amigos”), o filme chega aos cinemas brasileiros em 18 de agosto, seis dias após o lançamento nos EUA.
Zootopia se mantém em 1º lugar nos EUA, mas Rua Cloverfield 10 impressiona
A animação “Zootopia – Essa Cidade É um Bicho” se manteve na liderança das bilheterias em sua segunda semana em cartaz na América do Norte. O longa resistiu a quatro lançamentos amplos e faturou mais US$ 50 milhões nos últimos três dias, comprovando seu sucesso. Já são US$ 142 milhões arrecadados só nos EUA e US$ 431 milhões em todo o mundo. Nada mal para um lançamento que ainda não chegou em muitos mercados importantes. No Brasil, a estreia vai acontecer na próxima quinta (17/3). A melhor estreia foi “Rua Cloverfield, 10”, espécie de continuação de “Cloverfield – Monstro” (2008), que rendeu metade do faturamento do líder, ou seja US$ 25 milhões. O filme, que chega por aqui somente em 7 de abril, fez ainda mais sucesso entre a crítica, com 90% de aprovação na métrica do site Rotten Tomatoes. A exceção ficou por conta de Amy Nicholson, da MTV, que o chamou de “burro”. Por outro lado, ela considerou “Deuses do Egito” “perfeito” – com 13% de aprovação no Rotten Tomatoes. Em comparação, Jeannette Catsoulis, do New York Times, usou o termo “aula de mestre” para se referir a seu suspense. Ficou curioso? Quer saber da história? Não queira. Todas as resenhas insistem para o público ir ao cinema sem saber nada sobre a trama. “Deadpool” fecha o pódio, com mais US$ 10,8 milhões. Com isso, o longa de super-herói da Fox atingiu US$ 328 milhões de arrecadação doméstica e US$ 708 milhões de bilheteria mundial, o que representa um lucro fenomenal para uma produção que custou “apenas” US$ 50 milhões. As demais estreias da semana tiveram desempenho pífio. A que se deu melhor abriu em 6º lugar, apesar de ocupar menos de mil salas. A historinha batida de “The Perfect Match” levou bola preta da crítica, mas o público adorou ver de novo um garanhão incorrigível encontrar a garota que o ensina a levar o romance a sério. A única atualização feita nessa mensagem da época de Cary Grant é o elenco inteiramente negro. E esse segmento demográfico prestigiou o lançamento em peso, rendendo a terceira maior média de público por sala da semana. Com distribuição muito mais ampla, o épico religioso “O Jovem Messias”, sobre a infância de Jesus, e a comédia “Irmão de Espião”, estrelada por Sacha Baron Cohen, implodiram nas bilheterias, arrecadando pouco mais de US$ 3 milhões. Trata-se, por sinal, do pior desempenho de uma comédia de Cohen, que já gerou histeria com “Borat” (2006), “Bruno” (2009) e “O Ditador” (2012). Jesus Cristo também costumava ser bem mais popular. BILHETERIA: TOP 10 EUA 1. Zootopia Fim de semana: US$ 50 milhões Total EUA: US$ 142,6 milhões Total Mundo: US$ 431,5 milhões 2. Rua Cloverfield, 10 Fim de semana: US$ 25,2 milhões Total EUA: US$ 25,2 milhões Total Mundo: US$ 26,7 milhões 3. Deadpool Fim de semana: US$ 10,8 milhões Total EUA: US$ 328 milhões Total Mundo: US$ 708,1 milhões 4. Invasão a Londres Fim de semana: US$ 10,6 milhões Total EUA: US$ 38,8 milhões Total Mundo: US$ 38,8 milhões 5. 5. Uma Repórter em Apuros Fim de semana: US$ 4,6 milhões Total EUA: US$ 14,5 milhões Total Mundo: US$ 14,5 milhões 6. The Perfect Match Fim de semana: US$ 4,1 milhões Total EUA: US$ 4,1 milhões Total Mundo: US$ 4,1 milhões 7. O Jovem Messias Fim de semana: US$ 3,4 milhões Total EUA: US$ 3,4 milhões Total Mundo: US$ 3,4 milhões 8. Irmão de Espião Fim de semana: US$ 3,1 milhões Total EUA: US$ 3,1 milhões Total Mundo: US$ 14,3 milhões 9. 5. Deuses do Egito Fim de semana: US$ 2,5 milhões Total EUA: US$ 27,3 milhões Total Mundo: US$ 76,4 milhões 10. Ressurreição Fim de semana: US$ 2,2 milhões Total EUA: US$ 32,3 milhões Total Mundo: US$ 33 milhões
Kubo e a Espada Mágica: Nova animação em stop-motion da Laika ganha trailer dublado
A Universal divulgou o trailer dublado de “Kubo e a Espada Mágica”, nova animação do estúdio Laika, que também ganhou três pôsteres internacionais de seus personagens. A produção preserva a técnica stop-motion, de animação de bonecos quadro-a-quadro, que marcou os ótimos filmes anteriores da Laika, “Coraline e o Mundo Secreto” (2009), “ParaNorman” (2012) e “Os Boxtrolls” (2014), além de compartilhar com eles uma temática mais sombria que a média da animação americana. Desta vez, ainda há influência dos animes, como a própria ambientação japonesa indica. E vale ainda destacar a citação musical que acompanha a prévia, uma versão orquestral de “While My Guitar Gently Weeps”, dos Beatles, que faz referência ao poder do garoto de fazer origamis ganharem vida com o toque de seu Shamisen – instrumento tradicional de três cordas, que ele toca apenas com duas. Ambientada no Japão feudal, a animação acompanha o personagem-título Kubo, um menino que vive em um pacato vilarejo com sua mãe, até que um espírito vingativo o encontra, trazendo à tona sua herança sobrenatural. Sua única chance de sobrevivência é encontrar uma armadura e uma espada mágica, que pertenceu a seu pai, um samurai. A direção é de Travis Knight, que estreia na função após trabalhar como animador principal dos três longas anteriores do estúdio. Já a dublagem original, que não será ouvida nos cinemas brasileiras, reúne um superelenco: Charlize Theron (“Mad Max: A Estrada da Fúria”) dubla o macaco, Matthew McConaughey (“Interestellar”) faz a voz do besouro, Rooney Mara (“Peter Pan”) é o espírito vingativo, o jovem Art Parkinson (“Terremoto: A Falha de San Andreas”) dá vida ao personagem-título, e ainda há papeis para Ralph Fiennes (franquia “Harry Potter”), George Takei (da série original “Jornada nas Estrelas”) e Brenda Vaccaro (“O Espelho Tem Duas Faces”). “Kubo and the Two Strings” estreia em 18 de agosto no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Kung Fu Panda 3 continua eterno aprendizado de Po
Uma fantasia oriental adaptada para crianças ocidentais, de acordo com o olhar de adultos ocidentais. Isso é (até aqui) a trilogia “Kung Fu Panda”, aquela em que você sempre acha que o protagonista virou mestre do kung fu, mas, a cada continuação, descobre que ele ainda não chegou lá e falta algo para aprender. “Kung Fu Panda 3” tenta amarrar toda a saga de Po, sacrificando a trama em nome desse objetivo. Perto do segundo longa alucinado, que tem ação do início ao fim, a terceira aventura é uma grande enrolação. Para segurar a onda, a solução é abusar do carisma do protagonista dublado por Jack Black (ou Lúcio Mauro Filho, que faz um ótimo trabalho no Brasil). O filme ainda inventa novas lições a serem aprendidas pelo personagem, apela para um vilão do além e apresenta dezenas de pandas que nunca terão seus nomes decorados pelo público. Tudo para evitar (em vão) um marasmo que só desaparece quando a animação se aproxima da tradicional luta decisiva no clímax. Tudo bem, a trilogia é concluída de forma satisfatória, mas vamos combinar que este é o filme mais fraco. E que chegou a hora de parar. Ainda que, certamente, Po tenha alguma nova lição para assimilar em “Kung Fu Panda 4”. Pois, até aqui, a franquia tem se demonstrado um arco que nunca se completa e se repete infinitamente. Um exemplo é o final de “Kung Fu Panda 2”, em que Po aceita seu pai adotivo. Fim de papo, certo? Errado. Trataram de apresentar seu pai biológico para o protagonista repensar sua origem (de novo) no “3”; uma desleixada regressão que comprova a falta de criatividade do roteiro. “Kung Fu Panda 3” serve mesmo para vender produtos relacionados à marca, porque, como progressão da franquia, não tem nada a acrescentar. Como exemplo, a moral de sua história ressalta que todo mundo é bom em alguma coisa e que o kung fu pode ser praticado por qualquer um. Legal, mas isso já não tinha sido concluído, quando Po descobriu que era o Dragão Guerreiro no final do “Kung Fu Panda” original?
Veja a primeira imagem da nova versão animada de DuckTales
O canal pago americano Disney XD divulgou a primeira imagem da nova versão animada de “DuckTales”, série clássica exibida originalmente entre 1987 e 1990. A arte revela a participação dos principais integrantes da Família Pato, Donald, Patinhas, os sobrinhos Huguinho, Zezinho, Luisinho e Margarida, e o clima de aventura da produção. Clique na imagem acima para ampliá-la. A atração ainda deve trazer outros personagens conhecidos do público, como o Professor Pardal, Capitão Bóing, Mac Mônei, Maga Patalójika e os Irmãos Metralha, entre outros. Vale lembrar que “DuckTales” foi inspirado nos quadrinhos clássicos de Carl Barks, o criador de Patópolis, que acompanhavam aventuras do Tio Patinhas e seus sobrinhos ao redor do mundo, entre os anos 1940 e 1960. Para quem não sabe, a sequência da pedra rolante de “Os Caçadores da Arca Perdida” (1981) foi inspirada numa história do Tio Patinhas criada por Barks. A foto indica que, para refletir os tempos atuais, a Margarida também vai embarcar na nova jornada. O reboot de “DuckTales” tem estreia agendada para 2017 no canal pago americano Disney XD.












