Trailer mostra transformação de Jessica Chastain para viver televangelista famosa
A Searchlight Pictures divulgou o primeiro trailer de “The Eyes of Tammy Faye”, que mostra a impressionante transformação física de Jessica Chastain (“It: Parte 2”) para viver a televangelista americana Tammy Faye Bakker. O filme se dedica a contar a história de Tammy Faye e seu marido Jim Bakker, vivido por Andrew Garfield (“O Espetacular Homem-Aranha”), com quem construiu um império de entretenimento evangélico nos EUA nas décadas de 1970 e 80, até o marido ser preso por vários crimes de fraude e conspiração criminal em 1989. Durante sua carreira, Tammy Faye ficou conhecida pela personalidade excêntrica e glamourosa. Mas embora parecesse desconectada da realidade ao encarnar o materialismo da “teologia da riqueza”, ela também é lembrada por defender pontos de vista éticos, que divergiam dos televangelistas tradicionais, particularmente na aceitação da comunidade LGBTQIAP+ e apoio aos pacientes com HIV no auge da epidemia de AIDS. Além de Chastain e Garfield, o elenco da biografia inclui Vincent D’Onofrio (“Demolidor”), Cherry Jones (“Transparent”), Sam Jaeger (“The Handmaid’s Tale”) e Fredric Lehne (“Supernatural”). Escrito por Abe Sylvia (roteirista das séries “Disque Amiga para Matar” e “Nurse Jackie”) e dirigido por Michael Showalter (criador de “Search Party” e “Wet Hot American Summer”), “The Eyes of Tammy Faye” tem estreia marcada para 17 de setembro nos EUA e ainda não possui previsão de lançamento no Brasil.
Próximo Homem-Aranha vai revelar conexões entre Marvel e filmes dos vilões do herói
O presidente da Sony Pictures, Sanford Panitch, revelou que as conexões entre o MCU (Universo Cinematográfico Marvel) e os filmes derivados do Homem-Aranha começarão a ficar mais claras com a estreia de “Spider-Man: No Way Home”, o terceiro filme do Homem-Aranha de Tom Holland. “Temos tudo planejado”, garantiu Panitch, em entrevista à Variety. “Acredito que nossos objetivos estão ficando mais claros para o público, e quando ‘No Way Home’ estrear, ainda mais detalhes serão revelados.” A afirmação acontece após a Sony anunciar que Aaron Taylor-Johnson (o Pietro de “Vingadores: Era de Ultron”) será Kraven, o Caçador, num filme solo do vilão. Esta produção vai se juntar à “Venon” e sua continuação, e ao vindouro filme de “Morbius”, estrelado por Jared Leto, que envolvem personagens dos quadrinhos do Homem-Aranha produzidos pela Sony até aqui fora do MCU. “Spider-Man: No Way Home”, ainda sem título oficial no Brasil, estreia em dezembro e é cercado por muita expectativa, graças a boatos alimentados pelas participações de vilões das fases em que o herói era interpretado por Tobey Maguire e Andrew Garfield. O terceiro filme da fase protagonizada por Tom Holland trará de volta Alfred Molina, de “Homem-Aranha 2”, como o Doutor Octopus e Jamie Foxx, de “O Espetacular Homem-Aranha 2”, novamente no papel do vilão Electro. Isto tem gerado especulações (e muitos clickbaits) sobre as presenças dos próprios Maguire e Garfield na produção – além de Kirsten Dunst (Mary Jane) e Emma Stone (Gwen Stacy).
Andrew Garfield nega boato e diz que nem foi convidado pro novo Homem-Aranha
O ator Andrew Garfield, que viveu o Homem-Aranha em dois filmes, negou que vai voltar ao papel no próximo longa do personagem. Um dos rumores mais desmentidos dos últimos anos é a participação de Garfield e Tobey Maguire, o primeiro Aranha do cinema, em “Spider-Man: No Way Home”. Apesar das negativas, ninguém acredita que eles não estejam no longa. Em entrevista ao podcast Happy Sad Confused, de Josh Horowitz, ele finalmente contou o que acha desses rumores. “Cara, isso tudo é hilário para mim porque eu tenho uma conta no Twitter e vejo o quão frequente é ver o Homem-Aranha nos assuntos mais comentados. As pessoas surtam sobre isso, e eu só queria poder dizer para todo mundo: ‘Relaxem'”, brincou. Garfield afirmou que não faz parte do filme. Ele jura que nem sequer foi procurado para participar da produção. “Olha, eu não posso falar por ninguém além de mim. Pode ser que eles estejam fazendo algo [com Maguire], mas eu não recebi nenhuma ligação. Eu já deveria ter recebido a ligação de alguém neste momento”, acrescentou. Sem convencer ninguém, diga-se de passagem. O boato sobre o encontro de três versões diferentes do Homem-Aranha começou a circular no ano passado e nunca deixou de ser alimentado por blogueiros, mesmo com vários desmentidos. A origem da boataria foram as participações confirmadas de Alfred Molina e Jamie Foxx, que retornarão para reviver antagonistas de versões anteriores do herói, respectivamente como o Doutor Octopus e Electro, vistos em “Homem-Aranha 2” (com Maguire) e “O Espetacular Homem-Aranha 2” (estrelado por Garfield). Além dos vilões, estão confirmados apenas os retornos de Tom Holland (o atual Peter Parker/Homem-Aranha), Zendaya (MJ), Marisa Tomei (Tia May), Jacob Batatalon (Ned Leeds), Tony Revolori (Flash Thompson), Angourie Rice (Betty Brant), J.K. Simmons (J.J. Jameson) e Benedict Cumberbatch, que terá participação importante no filme como o herói Doutor Estranho. Novamente dirigido por Jon Watts, o fecho da nova trilogia do Homem-Aranha tem lançamento previsto para dezembro deste ano.
Andrew Garfield vira YouTuber famoso em trailer de drama indie
A IFC Films divulgou o trailer de “Mainstream”, drama indie estrelado por Andrew Garfield (“O Espetacular Homem-Aranha”) e Maya Hawke (“Stranger Things”). Há alguns anos, a prévia poderia sugerir o trailer de um episódio de “Black Mirror”. Mas em 2021 é um retrato do estado atual das mídias sociais. No filme, Garfield interpreta uma celebridade da internet que explode por se definir como “ninguém em especial” em vídeos sobre situações cotidianas, com hashtags sem nenhuma mensagem. Embora ser uma estrela do YouTube/Tik Tok tenha suas vantagens, sua parceira/diretora de vídeos/namorada (Hawke) logo percebe o lado negro que acompanha seu status de celebridade. O elenco também conta com Nat Wolff (“Death Note”) como o melhor amigo e roteirista dos vídeos de “Ninguém em Especial”, além de Jason Schwartzman (“Fargo”), Johnny Knoxville (“Jackass”), Alexa Demie (“Euphoria”) e Colleen Camp (“O Mistério do Relógio na Parede”). O filme foi co-escrito e dirigido por Gia Coppola, neta do cineasta Francis Ford Coppola ( “O Poderoso Chefão” e “Apocalypse Now”) e sobrinha da também diretora Sofia Coppola (“Maria Antonieta”, “O Estranho que Nós Amamos”). “Mainstream” é seu segundo longa, após estrear com o cultuado “Palo Alto” em 2013. Seu première mundial no Festival de Veneza do ano passado dividiu a crítica, e agora o filme chega aos cinemas em 7 de maio nos EUA.
Luca Guadagnino negocia dirigir minissérie baseada em Retorno a Brideshead
A BBC está negociando com Luca Guadagnino para que o cineasta de “Me Chame por Seu Nome” dirija sua segunda minissérie. A rede pública britânica quer que o italiano, recém-saído dos oitos episódios de “We Are Who We Are” na HBO, assuma a frente de uma nova adaptação do clássico romance “Brideshead Revisited”. Segundo o site Deadline, a negociação já se estende por dois anos, mas finalmente o acordo estaria prestes a ser concluído, devido às incertezas do mercado para projetos de cinema durante a pandemia. A produtora Mammoth está a frente do projeto e contatos com o elenco também estão em andamento. O jornal britânico Daily Mail citou alguns nomes envolvidos. São astros de Hollywood, como Ralph Fiennes, Cate Blanchett, Andrew Garfield, Rooney Mara e Joe Alwyn. A Mammoth também negocia parcerias com canais americanos – a HBO é favorita – para materializar o grande orçamento necessário para juntar estes astros e o cineasta renomado na adaptação da obra de Evelyn Waugh. Apesar de já ter sido transformado em minissérie anteriormente, o romance de 1945 só ganhou adaptação da BBC para o cinema. A versão televisiva foi produzida pela ITV em 1981, com Jeremy Irons num desempenho memorável como o protagonista Charles Ryder. A atração de 11 episódios ganhou exibição no Brasil com o título de “Memórias de Brideshead”. Já a versão em longa-metragem foi produzida pela BBC Films em 2008, com Matthew Goode, Ben Whishaw, Hailey Atwell e Emma Thompson, e com o título nacional de “Brideshead: Desejo e Poder”. Por sinal, é interessante reparar que os dois intérpretes de Ryder, Matthew Goode e Jeremy Irons, também compartilharam outro papel na carreira, como Ozymandias/Adrian Veidt em “Watchmen” – respectivamente, no filme de 2009 e na série de 2019. A nova versão traria Andrew Garfield (o Homem-Aranha de “O Espetacular Homem-Aranha”) no papel. “Brideshead Revisited” narra a história de Ryder e sua amizade com uma família aristocrática, os Flytes, que vivem no campo, no palaciano Castelo de Brideshead. Ryder viaja a Brideshead a convite de Sebastian Flyte, seu melhor amigo na Universidade de Oxford, e logo ao chegar se encanta com a irmã do rapaz, Julia Flyte. A relação se torna um triângulo ao longo de uma trama que explora temas de nostalgia aristocrática, catolicismo e homossexualidade. Veja abaixo os trailers das adaptações anteriores, que, apesar de terem o mesmo nome em inglês, chegaram ao Brasil com títulos diferentes até do lançamento literário, disponível nas livrarias brasileiras como “Retorno a Brideshead”.
Andrew Garfield encontra Uma Razão para Viver em trailer legendado de melodrama
A Diamond Films divulgaram o trailer legendado do melodrama “Breathe”, que chega ao Brasil como o quinto filme batizado de “Uma Razão para Viver” – sendo que o mais recente foi distribuído há dois anos. Drama de superação de doença, o filme traz Andrew Garfield (“Silêncio”) e Claire Foy (série “The Crown”) como marido e mulher e conta a história real de Robin (Garfield), um homem brilhante e aventureiro, até o dia em que fica com paralisia por conta da poliomielite. Apesar disso, ele e sua mulher Diana (Foy) se recusam a ficar se lamentando e ajudam a mudar a vida das pessoas a seu redor com entusiasmo e bom humor. O personagem é símbolo da luta dos deficientes e, após a première do filme no Festival de Toronto, atingiu 69% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Apesar disso, o tema e sua execução dramática foram encarados com cinismo, pois seria mais uma história de deficiente meticulosamente planejada para fazer chorar na época de definições dos indicados ao Oscar. Neste sentido, o título genérico que recebeu no Brasil lhe caberia como uma luva. O roteiro é de William Nicholson (indicado ao Oscar pro “Gladiador”) e a direção é do ator Andy Serkis, mais conhecido por suas interpretações digitais como o César da franquia “O Planeta dos Macacos” e o Gollum de “O Senhor dos Anéis”, em sua estreia atrás das câmeras. Ainda sem data de lançamento no Brasil, chega em 13 de outubro nos Estados Unidos.
Andrew Garfield e Claire Foy ilustram pôsteres do melodrama Uma Razão para Viver
A STX e a Diamond Films divulgaram pôsteres do melodrama “Breathe”, que chega ao Brasil como o quinto filme batizado de “Uma Razão para Viver”, sendo que o mais recente foi distribuído há dois anos. A imagem mostra Andrew Garfield (“Silêncio”) e Claire Foy (série “The Crown”) no mesmo abraço terno, em montagens diferentes. Na trama, eles vivem marido e mulher. O filme conta a história real de Robin (Garfield), um homem brilhante e aventureiro, até o dia em que fica com paralisia por conta da poliomielite. Apesar disso, ele e sua mulher Diana (Foy) se recusam a ficar se lamentando e ajudam a mudar a vida das pessoas a seu redor com entusiasmo e bom humor. O personagem é símbolo da luta dos deficientes, mas a première do filme no Festival de Toronto dividiu a crítica, com apenas 45% de aprovação. O tema e sua execução dramática foram encarados com cinismo, pois seria mais uma história de deficiente meticulosamente planejada para fazer chorar na época de definições dos indicados ao Oscar. Neste sentido, o título genérico que recebeu no Brasil lhe caberia como uma luva. O roteiro é de William Nicholson (indicado ao Oscar pro “Gladiador”) e a direção é do ator Andy Serkis, mais conhecido por suas interpretações digitais como o César da franquia “O Planeta dos Macacos” e o Gollum de “O Senhor dos Anéis”, em sua estreia atrás das câmeras. A estreia no Brasil ainda não foi definida, mas o lançamento está previsto para 13 de outubro nos Estados Unidos.
Andrew Garfield luta contra a paralisia em trailer de drama de superação
A STX divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Breathe”, drama de superação dirigido por Andy Serkis (o César da franquia “Planeta dos Macacos”), que traz Andrew Garfield (“Silêncio”) lutando contra a paralisia com a ajuda da mulher, vivida por Claire Foy (série “The Crown”). O filme conta a história real de Robin Cavendish (Garfield), um homem brilhante e aventureiro, que fica paralisado do pescoço para baixo por conta da poliomielite. Diante de um diagnóstico sombrio, ele e sua mulher se recusam a aceitar o pouco tempo e os limites da vida que os médicos lhe prescrevem e, graças à sua determinação e entusiasmo, ajudam a revolucionar o tratamento da doença. O roteiro é de William Nicholson (indicado ao Oscar pro “Gladiador”) e a estreia está marcada para 27 de outubro no Reino Unido. Não há previsão de lançamento no Brasil
Andrew Garfield irá viver correspondente da guerra do Afeganistão
O ator Andrew Garfield vai dar sequência à sua fase dramática no cinema. Após protagonizar “Silêncio” e “Até o Último Homem”, ele interpretará um correspondente de guerra no Afeganistão, no drama baseado em fatos reais “Black Lion”. Segundo o site Deadline, o filme vai contar a história de Carlos Mavroleon, aristocrata britânico com uma herança estimada em US$ 100 milhões, que deixou sua vida tranquila para trabalhar como jornalista no conflito caótico no Afeganistão. “Black Lion” irá abordar sua última reportagem, criada para o programa “60 Minutes” (o “Fantástico” americano). Ele pretendia adentrar uma das tribos mais radicais do país, mas após descobrir as relações entre a Al-Qaeda e o Paquistão, foi encontrado morto em um quarto de hotel em Peshawar. Produção da Fox Searchlight, o filme tem roteiro de Alessandro Camon (“O Mensageiro”) e ainda não possui diretor definido.
Andrew Garfield e Claire Foy se abraçam na primeira foto de drama dirigido por Andy Serkis
Foi divulgada a primeira foto e o pôster de “Breathe”, drama edificante dirigido por Andy Serkis (o César da franquia “Planeta dos Macacos”). A imagem mostra Andrew Garfield (“Silêncio”) e Claire Foy (série “The Crown”) num abraço terno. Na trama, eles vivem marido e mulher. O filme conta a história real de Robin (Garfield), um homem brilhante e aventureiro, até o dia em que fica com paralisia por conta da poliomielite. Apesar disso, ele e sua mulher Diana (Claire Foy) se recusam a ficar se lamentando e ajudam a mudar a vida das pessoas a seu redor com entusiasmo e bom humor. O roteiro é de William Nicholson (indicado ao Oscar pro “Gladiador”) e a estreia está prevista para 27 de outubro no Reino Unido.
Scorsese transcende e deixa o cinema mudo com Silêncio
Martin Scorsese sempre usou de forma deliberada o efeito do silêncio em seus filmes. Muito do que intriga até hoje em “Taxi Driver” (1976) são as cenas silenciosas de Robert De Niro dirigindo e observando Nova York. Famosos também são os silêncios de “Touro Indomável” (1980) – especialmente na cena em que um lutador adversário momentaneamente estuda Jake LaMotta antes de partir para cima dele e demoli-lo. Outra inesquecível acontece em “Os Infiltrados” (2006), no trecho em que Matt Damon descobre o número do celular de Leonardo DiCaprio e liga para checar se o outro se entrega pela voz. A cena dura uns 15 segundos, e ninguém fala ao telefone. Os dois ficam apenas sentindo a presença do outro, e esse pequeno branco na trilha ecoa por todo o filme. Scorsese é chegado nestas brincadeiras sensoriais, mas nunca trabalhou esse efeito de forma tão depurada como faz agora em “Silêncio”. Sequer há uma trilha sonora no filme. O protagonista, o padre Rodriguez (vivido por Andrew Garfield, de “Até o Último Homem”), é testemunha de tantas atrocidades em sua viagem clandestina para o Japão, que passa o filme inteiro pedindo a Deus um sinal de intervenção contra as barbaridades do mundo. E se tortura frente a falta de resposta. As três horas em que o personagem imerge neste conflito de dúvida e crise estão sendo vistas por muitos críticos como um calvário. Pode-se reclamar da autenticidade da cena, afinal os jesuítas portugueses falam o tempo todo em inglês, ou ainda da intolerância com que o Shogun no filme persegue os missionários, afinal a reação nipônica vai justamente contra o interesse europeu de usar os jesuítas para tentar colonizar o Japão. Mas não se trata de um filme com fronteiras bem definidas, a destacar as acusações de maniqueísmo (os japoneses sendo mostrados como algozes e os jesuítas como vítimas). Scorsese nunca trabalha personagens ou questões de forma redutora. É preciso quebrar a superfície das aparências para entender o que o diretor experimenta nesta adaptação do livro de Shusaku Endo. “Silêncio” é um filme de oposição. Evolui na direção exatamente inversa à da Hollywood contemporânea (não à toa, o filme foi ignorado na festa do Oscar). Por vezes, ele nos diz o quanto existe de crença em cada adulto. Outras, enfatiza o quanto pode haver de infantil na fé de cada um. E a medida que o filme evolui, e conforme Andrew Garfield se entrega de corpo e alma a esse estranho padre em que corpo e alma nunca coincidem, o filme passa a se particularizar. Vistos do alto, o bispo e dois jesuítas aparecem como três figuras diminutas, logo numa das primeiras cenas. Depois, o mesmo ocorre quando nos deparamos com os missionários dentro de um barco, sendo açoitados pelas águas do mar com um ponto de vista do céu. A pequenez humana instaura-se plenamente em dois cortes. O curioso é como Scorsese rompe essa estrutura nas cenas seguintes. Começa como uma ideia pequena, mas o diretor sugere que as mínimas dúvidas deste diminuto padre estão crescendo. E elas, de fato, aumentam até tomar um tamanho assombroso. Não são só dúvidas: o medo frente ao vazio e a morte abate o personagem de tal modo, que ele se acovarda e, à certa altura, deixa bem claro que está prestes a desistir da sua missão. É por isso que ele procura tão obsessivamente seu mestre desaparecido (vivido por Liam Neeson, de “Busca Implacável”) em Nagasaki. Em sua busca por uma resposta que não se materializa, nem pelo homem e nem por Deus, ele se afunda numa espécie de embriaguez, que cala cada vez mais fundo. Em estrutura, o filme lembra muito a viagem de Willard (Martin Sheen) na selva asiática de “Apocalypse Now” (1979), o que nos leva a deduzir que este talvez seja o “Coração das Trevas” de Scorsese. A ambição é grande, mas as semelhanças com a ópera de guerra de Francis Ford Coppola param por aí. Scorsese foge o tempo todo do espalhafatoso, da grandiloquência. Cada detalhe é depurado. O roteiro, a composição dos atores, a encenação. A forma como o diretor trabalha com os espaços intriga. Amplos, em princípio, gradativamente vão encolhendo no decorrer da projeção, até o personagem ficar encerrado numa cela diminuta. Há, aliás, os espaços físicos e, também, os psicológicos. De repente, o espectador precisa lidar com diversos ambientes ulteriores: espaços que repercutem em outros espaços; situações que invadem outras e mudam nossas percepções, situações anteriores e comportamentos que acreditávamos já entender ou conhecer por completo. De certo, olhando de longe há carrascos e vítimas em cena, mas aproximando-se um pouco mais, existe uma questão filosófica um pouco mais sutil sobre a dimensão do que é visto e do que transcende essa condição. É antes de tudo o mistério do ser e do crer que Scorsese consegue com êxito captar na sua complexidade. Cada um porta em si uma parte indefinível de luz e de sombra, a exemplo do personagem encarnado por um Andrew Garfield magistral: sua inocência, seu sofrimento, sua estupidez o tornam demasiado humano. Curioso também como as diferenças entre a cultura ocidental e oriental, que antes são mostradas como imensas, a certa altura se unem e quase parecem indistinguíveis. Antes de morrer, um velho japonês diz ao jesuíta que soube lhe estender a mão: “Eu estou em ti, tu estás em mim… Nós estamos juntos…” Em essência, no filme, a terra fica cada vez mais escura, o céu mais sombrio e os ditames políticos parecem cada vez mais opressivos, mas alguma coisa misteriosa, no íntimo, continua a ser partilhada por todos. Alguns podem enxergar consolo religioso nisso. Claro que não vou contar o que acontece, mas penso que Scorsese transcende a religião. O espectador fica a vontade para decidir e discutir.
Após fracassar nos EUA, novo filme de Martin Scorsese tem lançamento adiado no Brasil
O fracasso de “Silêncio”, o novo filme de Martin Scorsese, ecoou no Brasil. Após o filme emplacar apenas uma indicação ao Oscar 2017 (Melhor Fotografia) e implodir nas bilheterias norte-americanas, sua estreia foi adiada em um mês pela Imagem Filmes no Brasil. Previsto para ser lançado no dia 9 de fevereiro, a produção somente chegará às telas nacionais em 9 de março. Confira aqui o trailer da produção. Na dança das cadeiras, quem se deu bem foi “Toni Erdmann”. A comédia alemã, que é favorita a vencer o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira teve a estreia antecipada pela Sony e ocupará a data original de “Silêncio”, com uma estreia nos cinemas brasileiros no dia 9 de fevereiro. Veja o trailer deste filme aqui.
Mistura de fé e carnificina de Até o Último Homem é a cara de Mel Gibson
Nos filmes de “Mad Max” (1979-1985), “Máquina Mortífera” (1987-1998), “Coração Valente” (1995) e “Sinais” (2002), Mel Gibson incorporava o herói enfrentando desafios impossíveis. E ainda que ele não esteja em nenhuma cena de “Até o Último Homem”, sua presença atrás das câmeras confere a esse drama de guerra a sua cara. Truculento, reacionário e movido por uma contraditória fé religiosa. Hollywood adora emoldurar histórias de reabilitação, e depois de todos os revezes que o velho Mad Max passou, porque não abraçá-lo novamente? E “Até o Último Homem” funciona perfeitamente como peça de redenção. O filme está longe de ser ótimo, mas é feito por um sujeito que entende como poucos a ala conservadora da meca do cinema norte-americano (o que explica, e muito, as seis indicações ao Oscar – inclusive de Melhor Filme e Direção – que acaba de conquistar). Em cena, há uma história verídica, a proeza de um certo Desmond T. Doss, um pacifista americano temente a Deus, que serviu como um médico de combate durante a 2ª Guerra Mundial e, pessoalmente, salvou 75 soldados feridos da batalha de Okinawa, tornando-se finalmente o primeiro adventista do sétimo dia a receber a Medalha de Honra do Exército. Como fez em “Coração Valente” e “A Paixão do Cristo” (2004), Mel Gibson equipara virtude espiritual com um infernal teste de resistência corpórea. Seu assunto favorito é o teste e a purificação do temperamento moral de um homem – uma meta que só pode ser alcançada através do sofrimento e de uma brutalidade repugnante e intransigente. O que difere esse herói de outros que Gibson promoveu, é o fato de Desmond entrar na guerra de mãos limpas. Ele não pega em armas, nem mesmo quando seu pelotão é vencido e centenas de soldados japoneses ameaçam acuá-lo. O filme sugere que os buracos mágicos que nessas horas aparecem para o personagem se esconder, talvez tenham mais a ver com uma benção divina do que propriamente com sorte. O melhor em cena é a ironia que o diretor enxerga no compromisso de não-violência de Doss. Tudo começa depois que o ainda jovem e animado religioso (interpretado na infância pelo estreante Darcy Bryce) quase mata o irmão com um tijolo. Esse acidente leva Desmond a um momento messiânico, que Gibson dramatiza com close angustiados, música inchada e uma referência pesada a Caim e Abel. Então a ação salta uma década e vemos um Doss crescido em 1942, com o esforço de guerra americano em pleno andamento. Ele é um homem mudado – literalmente, interpretado por aquele bom moço que já foi “O Espetacular Homem Aranha”, Andrew Garfield. Um adventista do sétimo dia que se recusa a carregar armas, Doss, no entanto, anseia por servir ao seu país e se alista no exército – embora não antes de se apaixonar por uma bela enfermeira, Dorothy (Teresa Palmer, de “Meu Namorado É um Zumbi”), que ele persegue com a mesma alegre teimosia que caracteriza cada uma de suas decisões. Sem dúvida, ele herdou parte da vontade de ferro de seu pai, Tom (Hugo Weaving, da trilogia “O Hobbit”), um veterano da 1ª Guerra Mundial, com cicatrizes e amarguras, que irrompe regularmente em ataques de abuso de bebedeiras. Uma vez levantado o esqueleto da trama, Gibson não ousa pisar fora das fronteiras do maniqueísmo. É tudo muito preto ou muito branco. Os homens que Doss encontra no campo de treinamento são uma mistura previsível de caras duros e de arquétipos cômicos, mas todos eles, num momento, ou em outro, são malvados com o recruta. Entre eles estão Vince Vaughn (“Os Estagiários”), como um sargento bonachão, e Sam Worthington (“Evereste”) como um capitão intransigente. Depois, na segunda parte, transfere-se a malvadeza para os japoneses. Nenhum inimigo é tratado com profundidade. São todos caricatos. E então, na hora de mostrar a batalha, Gibson mal se segura. Dá pra sentir o prazer com que ele encena a carnificina. Não há nenhuma eficiência limpa e cauterizada que caracterize as cenas de guerra. É um festival de balas rasgando a carne, de corpos sendo explodidos em dois, de membros sendo arrancados ou sendo queimados. Em nome de mais realismo, o diretor exerce seu gosto pelo virtuosismo sádico. Mas não é o que mais incomoda em “Até o Último Homem”. Há algo mais desconfortável no centro desse projeto. Uma ênfase de que foi a pureza da fé de Doss que salvou o dia, o que implica em dizer que os mortos e os derrotados não eram suficientemente puros. O Doss real, que morreu em 2006, aparece em uma breve e emocionante entrevista pouco antes do rolo de créditos, acrescentando mais um pouco de veracidade à interpretação de Gibson dos eventos. E uma das coisas mais ressonantes que ele diz é que ele ainda acredita que “ninguém deve ser forçado a agir contra suas convicções”. Mas esse conto de heroísmo na vida real parece menos uma celebração das convicções humanistas e mais uma declaração da superioridade moral dos fiéis sobre os infiéis.









