Estreias de Sonic: O Filme e O Grito são bons motivos para ir ao cinema… (re)ver Parasita
Sem empolgar, a programação de estreias desta quinta (13/2) serve de desculpa para rever ou – para quem ainda não viu – conhecer “Parasita”, que vai dobrar sua ocupação de salas após vencer o Oscar no domingo passado (9/2). Quando estreou no território nacional, em novembro passado, o filme de Bong Joon Ho recebeu distribuição limitada em apenas 60 salas, mas, graças ao boca-a-boca e conquista ininterrupta de prêmios, já tinha atingido 137 salas no fim de semana passado. A partir de agora, a oferta aumenta para 248 salas em todo o país. A distribuição ampla torna “Parasita” a melhor alternativa aos lançamentos dos cinemas de shopping center, que recebem a produção infantil “Sonic: O Filme” e o terror “O Grito”. “Sonic: O Filme” teve um desenvolvimento conturbado, precisando refazer seus efeitos após o visual humanizado do personagem-título, um ícone dos videogames, ter sido amplamente rejeitado pelo público. Infelizmente, não deu para refazer o filme inteiro, cujas críticas estão sendo escondidas dos espectadores. Apesar de estrear na sexta nos EUA, as primeiras análises foram derrubadas na internet por intervenção do estúdio Paramount. Fato: o Google indexou várias resenhas, inclusive nacionais, que levam a páginas com erro 404. A maioria tinha teor negativo. Por outro lado, exaltações de comentaristas obscuros estão liberadas no Twitter. Ao esconder as críticas profissionais, o estúdio aposta na curiosidade dos fãs do game para fazer a maior bilheteria de abertura possível, antes da constatação de sua qualidade. Fica a dica. “O Grito”, por outro lado, já é constatadamente ruim. Como o filme estreou em janeiro na América do Norte, a péssima recepção já se encontra disseminada. Não apenas entre a crítica, que lhe deu só 21% de aprovação (podre) no Rotten Tomatoes, mas também entre o público, com direito à pior nota CinemaScore possível, F, votada pelos espectadores na saída das sessões de cinema dos EUA. No circuito limitado, o título que ocupa mais telas é “O Preço da Verdade”, um drama jurídico ao estilo de “Conduta de Risco” (2007), em que Mark Ruffalo (o Hulk) vive um advogado de grandes corporações. Inspirado em história real, o longa mostra como ele sofre uma crise de consciência ao perceber que um de seus maiores clientes está poluindo sua cidadezinha natal, matando o gado e envenenando a população – inclusive sua família. É quando decide usar tudo o que sabe sobre litígio empresarial para enfrentar seus colegas de trabalho e (ex)patrão. Com 89% no Rotten Tomatoes, o drama tem direção do premiado Todd Haynes (“Carol”) e ainda traz no elenco Anne Hathaway (“As Trapaceiras”). Já a distinção de melhor lançamento inédito do fim de semana cabe ao elogiadíssimo “Antologia da Cidade Fantasma”, considerado o ponto alto da carreira do canadense Denis Côté (“Vic+Flo Viram um Urso”). Apesar da premissa de terror sobrenatural, a história é apresentada como um drama. Numa cidadezinha em que nada acontece, um acidente de carro fatal inicia um ciclo de perturbações. Pessoas estranhas começam a aparecer ao redor da cidade, observando os moradores à distância, em cada vez maior número, e o tempo parece não passar como deveria. Altamente atmosférico, conquistou 95% de aprovação no Rotten Tomatoes. A programação se completa com “Dilili em Paris”, mais recente animação de Michel Ancelot, premiada no César de 2019 – mas sem a qualidade de “Kiriku e a Feiticeira” (1999) e “Príncipes e Princesas” (2000) – , o drama sérvio “Cicatizes”, em que mãe justiceira enfrenta complô de rapto de bebês, e o documentário musical “Inaudito”, dedicado à carreira do guitarrista Lenny Gordin, cujos acordes eletrificaram a Tropicália. Confira abaixo os detalhes, com todos os títulos, sinopses e trailers das estreias da semana. Sonic: O Filme | EUA | Infantil Sonic tenta se adaptar à sua nova vida na Terra com seu recém-descoberto melhor amigo humano Tom Wachowski, e os dois unem forças para tentar impedir que o vilão Dr. Robotnik capture Sonic e use seus poderes para dominar o mundo. O Grito | EUA | Terror Em uma casa, uma maldição nasce após uma pessoa morrer em um momento de terrível terror e tristeza. Voraz, a entidade maligna não perdoa ninguém, fazendo vítima atrás de vítima e passando a maldição adiante. O Preço da Verdade | EUA | Drama Robert Bilott (Mark Ruffalo) é um advogado de defesa corporativo que ganhou prestígio trabalhando em casos de grandes empresas de químicos. Quando fazendeiros de sua cidade chamam sua atenção para mortes que podem estar ligadas a lixo tóxico de uma grande corporação, ele embarca em uma luta pela verdade, em um processo judicial que dura anos e põe em risco sua carreira, sua família e seu futuro em geral. Antologia da Cidade Fantasma | Canadá | Drama Em uma pequena e distante cidade do interior do Canadá, um homem morre em um acidente de carro sob circunstâncias misteriosas. Enquanto os poucos habitantes do local permanecem relutantes em debater as possíveis causas da tragédia, a família do falecido e o prefeito Smallwood começam a perceber estranhos e atípicos eventos que mudam suas concepções de realidade. Dilili em Paris | França | Animação Com a ajuda do seu amigo, um entregador, Dilili, uma jovem Kanak, investiga uma série de sequestros misteriosos a jovens garotas que está assolando a Paris da Belle Epoque. Encontrando uma série de personagens misteriosos, cada um deles com pistas que vão ajudar na sua busca. Cicatrizes | Sérvia | Drama Há 20 anos, Ana sofre de uma dor implacável. Ela passou todo esse tempo convicta de que seu filho, alegado natimorto pelo hospital, na realidade teria sido vendido para um esquema de adoção ilegal que vigora até os dias atuais na Sérvia. Com uma nova pista e o relato de outras dezenas de mulheres que acreditam ter passado pela mesma situação, Ana vê motivos para recuperar as esperanças. Inaudito | Brasil | Documentário Nascido na China, Lanny Gordin fez carreira como músico no Brasil durante as décadas de 1960 e 1970. Neste período, trabalhou em discos e shows de Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Erasmo Carlos, Jards Macalé e outros ícones da música popular brasileira. O ostracismo veio no final da década de 1970, associado ao desenvolvimento de esquizofrenia. Aos 65 anos, Lanny relata sua chegada ao país e revela seus pensamentos sobre a vida e, especialmente, sua relação com a música.
The Iron Mask: Jackie Chan e Arnold Schwarzenegger brigam em trailer de fantasia russa
A Signature Entertainment divulgou o trailer americano de “The Iron Mask”, filme russo que conta com Jackie Chan e Arnold Schwarzenegger em seu elenco. A prévia traz Schwarzenegger e Chan brigando no interior da Torre de Londres. E logo fica claro que todas as participações dos dois astros acontecem na mesma cena, picotada e estendida ao longo do vídeo. Isto porque o filme, na verdade, é continuação de “Império Proibido” e estrelado pelo inglês Jason Flemyng (“X-Men: Primeira Classe”), que volta ao papel do cartógrafo do século 18 Jonathan Green. Depois de mapear a Transilvânia no primeiro longa – maior bilheteria russa de 2014 – , o personagem recebe do czar Pedro, o Grande, a missão de mapear o Leste da Rússia, junto ao território chinês, onde encontra criaturas bizarras, princesas e mestres de artes marciais. Jackie Chan e Arnold Schwarzenegger fazem apenas uma pequena participação no longa, que ainda inclui no elenco Yao Xingtong (“Operação Zodíaco”), Charles Dance (série “Game of Thrones”) e o falecido Rutger Hauer (do “Blade Runner” original) num de seus últimos trabalhos. Com direção de Oleg Stepchenko (de “Império Proibido”), o filme estreou em setembro passado na Rússia e na China com o título de “Journey to China: The Mystery of Iron Mask”. O lançamento está marcado para abril nos EUA e ainda não há previsão para o Brasil.
Após vencer o Oscar, Parasita chegará em mais salas de cinema no Brasil
Grande vencedor do Oscar 2020, “Parasita” vai multiplicar seu circuito de exibição no Brasil. A partir desta quinta-feira (13/2), o suspense de Bong Joon-ho será exibido em 248 salas por todo o país. Quando estreou no território nacional, em novembro passado, o filme recebeu distribuição em apenas 60 salas. Mas aí começou a ganhar diversos prêmios, atraindo curiosos ao cinema, que fizeram seu circuito ser ampliado de forma gradual. Até esta quarta, “Parasita” estava sendo exibido em 137 salas. Ao todo, a produção sul-coreana já foi vista por mais de 400 mil espectadores no Brasil. Primeiro longa de língua não inglesa a vencer o Oscar de Melhor Filme, a obra-prima de Bong Joon Ho também conquistou os troféus de Melhor Filme Internacional, Melhor Roteiro Original e Melhor Direção do ano, na cerimônia realizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas no último domingo (9/2) em Los Angeles. Antes disso, já tinha vencido o Festival de Cannes e se consagrado no Globo de Ouro, Critics Choice, SAG Awards, WGA Awards, BAFTA Awards, Spirit Awards e em muitas outras premiações internacionais.
Rick Moranis larga aposentaria por continuação de Querida, Encolhi as Crianças
O ator Rick Moranis vai abandonar a aposentadoria para voltar a atuar no novo filme da franquia “Querida, Encolhi as Crianças”. Assim como no longa clássico de 1989 e em suas continuações (de 1992 e 1997), ele vai interpretar o cientista Wayne Szalinski, que vive inventando tecnologias para “encolher” ou “esticar” objetos e causando confusões. A nova sequência vai girar em torno do filho do personagem de Moranis, que em sua versão adulta será interpretado por Josh Gad (“A Bela e a Fera”). Ele também se torna um cientista e, obcecado em repetir a experiência que o encolheu na infância, acaba repetindo o erro de seu pai e encolhe os próprios filhos. Recentemente, Moranis recusou convites para fazer participações em dois filmes derivados de outra franquia famosa de sua filmografia, a versão feminina de “Caça-Fantasmas” e a nova continuação, ainda inédita, que trará de volta os personagens originais. Ele se aposentou em 1997, logo após “Querida, Encolhi a Gente”, para cuidar das duas filhas após a morte da mulher, Ann Belsky, de câncer de mama. Desde então, fez apenas eventuais trabalhos de dublagem, como em “Irmão Urso” (2003), da Disney, e sua continuação para o mercado de home video, lançada em 2006. Intitulado apenas “Shrunk” (Encolhido, em português), o filme deverá ser dirigido pelo diretor do longa 1989, Joe Johnston, que hoje mais conhecido por “Capitão América: O Primeiro Vingador”. Ainda não há previsão de estreia para a produção.
Margot Robbie vai estrelar filme com Christian Bale
Batman e Arlequina juntos no cinema? Quase isso. Margot Robbie (a Arlequina) vai protagonizar o próximo filme do diretor David O. Russell ao lado de Christian Bale (o Batman da trilogia do “Cavaleiro das Trevas”), além de Michael B. Jordan (Erik Killmonger em “Pantera Negra”). Bale e Russell já tinham trabalhado juntos em “Trapaça” (2013), mas é a primeira vez que a estrela de “Aves de Rapina” e o vilão de “Pantera Negra” participarão de um filme do diretor. Ainda sem título oficial, mas chamado de “Amsterdam” durante seu desenvolvimento, o filme tem roteiro do próprio Russell e sua premissa está sendo mantida em sigilo pelo estúdio New Regency. O diretor não filmava desde “Joy: O Nome do Sucesso”, de 2015, tendo perdido tempo ao se envolver numa série da The Weinstein Company para a Amazon, que teve a produção interrompida e descartada após o estouro do escândalo sexual do produtor Harvey Weinstein. Com agenda lotada, Margot Robbie está atualmente em cartaz com “Aves de Rapina” e reprisará o papel de Arlequina em “Esquadrão Suicida 2”, atualmente em pós-produção. Além disso, está confirmada em mais três filmes, entre eles a versão live-action da boneca “Barbie”.
Fim de Festa: Vencedor do Festival do Rio ganha trailer
A Imovision divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Fim de Festa”, filme vencedor do Festival do Rio – que também ganhou o troféu Redentor de Melhor Roteiro. Segundo longa dirigido por Hilton Lacerda, “Filme de Festa” retoma a parceria de “Tatuagem” entre o cineasta e o ator Irandhir Santos – e que também inclui vários outros filmes roteirizados por Lacerda. O elenco ainda inclui Suzy Lopes (“Bacurau”), Ariclenes Barroso (“Me Chama de Bruna”) e Hermila Guedes (“Segunda Chamada”). Na trama, Irandhir vive um detetive de polícia que tenta desvendar um crime que aconteceu durante o Carnaval. Ao voltar antecipadamente de suas férias, ele passa a investigar a morte de uma jovem turista francesa e, durante o inquérito, depara-se com fatos que se confundem com sua própria história. O filme retrata situações do Brasil atual e é parcialmente inspirado no caso real da turista alemã Jennifer Kloker, assassinada em 2010 em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, a mando da própria sogra. “Fim de Festa” tem estreia marcada para o dia 5 de março.
Vídeo legendado de Sonic destaca desempenho de Jim Carrey como Robotnik
A Paramount divulgou um vídeo de bastidores de “Sonic: O Filme”, centrado no desempenho de Jim Carrey como o Dr. Ivo Robotnik (que foi rebatizado de Dr. Eggman nos games mais recentes), cientista maluco que é o grande inimigo de Sonic. A prévia traz cenas e depoimentos do ator, destacando sua canastrice no papel. Segundo a sinopse, um policial da cidade de Green Hills (James Marsden) ajudará o Sonic (voz original de Ben Schwartz) a fugir das autoridades – e Robotnik – que estão atrás dele. “Sonic: O Filme” marca a estreia de Jeff Fowler como diretor de longas, após disputar o Oscar de Melhor Curta Animado por “Gopher Broke” (2004), e conta com produção do diretor Tim Miller (de “Deadpool”), que roteirizou “Gopher Broke” com Fowler. O lançamento está marcado para esta quinta (13/2) no Brasil, um dia antes dos Estados Unidos.
The French Dispatch: Novo filme de Wes Anderson ganha primeiro trailer com muitos astros e estilo
A Searchlight Pictures já começou sua campanha para o Oscar 2021. Isto é, lançou o pôster e o primeiro trailer de “The French Dispatch”, novo filme do diretor Wes Anderson. A prévia exalta as características marcantes da filmografia do diretor, que incluem o elenco numeroso e repleto de famosos, as cenas estáticas, inclusive em momentos de ação, a fotografia em tons pastéis, a proporção de tela pré-widescreen, o figurino caprichado e a cenografia minunciosamente detalhista. Apesar de conter grande identificação com “O Grande Hotel Budapeste” (2014), primeira obra de Anderson passada na Europa – e seu último filme live-action – , o vídeo também sugere influência da animação stop-motion de “Ilha dos Cachorros” (2018), com personagens sem expressão facial, movimentos artificiais e a impressão de que os sets são maquetes. Trata-se, como sempre, de uma obra estilizadíssima. O trailer também revela que o filme é uma antologia, reunindo diferentes histórias como se fossem reportagens do jornal que batiza a produção. A trama gira em torno da apuração de jornalistas, considerados párias em seus países natais, para um jornal francês de expatriados, fundado pelo personagem de Bill Murray. As cenas também se alternam entre cores e preto-e-branco e sugerem uma colagem de diferentes épocas, mas principalmente o começo dos anos 1960 – o que é reforçado pela seleção musical da trilha. Além de Murray, o elenco estelar incluiu outros integrantes da trupe que acompanha Anderson na maioria de seus projetos, formada por Owen Wilson, Jason Schwartzman, Adrien Brody, Willem Dafoe, Tilda Swinton, Edward Norton, Bob Balaban, Anjelica Huston, Frances McDormand, os “novatos” Tony Revolori, Saoirse Ronan, Léa Seydoux, Mathieu Amalric, Fisher Stevens (que entraram na turma em “O Grande Hotel Budapeste”) e Liev Schreiber (em “Ilha dos Cachorros”), além de diversos estreantes no universo do diretor: Timothée Chalamet (“Me Chame pelo Seu Nome”), Benicio Del Toro (“Sicario”), Christoph Waltz (“Django Livre”), Jeffrey Wright (“Westworld”), Elisabeth Moss (“The Handmaid’s Tale”), Lyna Khoudri (“Papicha”), Cécile de France (“O Garoto da Bicicleta”), Rupert Friend (“Homeland”), Alex Lawther (“The End of the F***ing World”), Henry Winkler (“Barry”), Lois Smith (“Lady Bird”), Griffin Dunne (“This Is Us”), Guillaume Gallienne (“Yves Saint Laurent”), Stephen Park (“O Expresso do Amanhã”), Hippolyte Girardot (“Amar, Beber e Cantar”) e até Morgane Polanski (“Vikings”), filha do cineasta Roman Polanski. A estreia está marcada para 24 de julho nos EUA, muito cedo para o Oscar, mas dá para apostar numa première no Festival de Cannes como ponto de partida para suas pretensões. Desde “O Fantástico Sr. Raposo” (2009), os filmes de Anderson nunca faltam à premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA. Ainda não há previsão de lançamento para o Brasil.
A Caçada: Universal lança novo trailer e retoma estreia do filme que Trump chamou de racista
A Universal divulgou um novo trailer, poster e data de estreia para “A Caçada” (The Hunt), filme que quase desistiu de lançar. O cartaz, inclusive, faz referência ao fato de que a produção estava originalmente prevista para setembro passado, mas agora chegará aos cinemas americanos em 13 de março. O thriller satírico foi adiado em meio a uma onda de atentados nos EUA e um dia após sofrer um ataque explícito do presidente Trump no Twitter. “A Hollywood liberal é racista no maior nível, com muita raiva e muito ódio”, escreveu Trump em agosto. “Eles gostam de se definir como ‘elite’, mas não são elite. Na verdade, são as pessoas às quais eles fazem oposição que são elite. O filme que está para sair foi feito para inflamar e causar o caos. Eles criam sua própria violência e tentam culpar os outros. Eles são os verdadeiros racistas, e muito ruins para o nosso país”, completou o presidente dos EUA. “A Caçada” mostra uma dúzia de integrantes da extrema direita americana que acordam em uma clareira e percebem que estão sendo caçados por milionários da esquerda liberal. Tramas de caçada humana por esporte fazem parte do DND de Hollywood desde o clássico “Zaroff, o Caçador de Vidas” (1932). Mas “A Caçada” injeta crítica social no contexto. Isto incomodou Trump que, vale lembrar, costuma usar o termo “racista” apenas para se referir a ataques contra pessoas brancas. Ele chamou Spike Lee de “racista” após o cineasta fazer um discurso político no Oscar 2019, e chegou a se referir à série “Black-ish”, sobre uma família negra, como “racismo no maior nível”. Por outro lado, quando precisou se manifestar a respeito do ataque de supremacistas brancos contra ativistas negros, que resultou numa morte, Trump preferiu dizer que havia pessoas de bem dos dois lados. O trailer e o pôster demonstram que, após ponderar, o estúdio resolveu transformar o ataque de Trump em marketing. Um letreiro no meio do vídeo afirma que “o filme mais falado do ano é um que ninguém ainda viu”, enquanto o cartaz destaca frases sensacionalistas contra a produção. Para completar, a prévia ainda destaca clichês e preconceitos odiosos, seja nas falas dos direitistas pobres, que sugerem que atores não são pessoas reais, seja nos diálogos dos esquerdistas ricos, que transformam correção política numa caricatura insensível. “A Caçada” foi escrita por Nick Cuse e Damon Lindelof, que estabeleceram sua parceria criativa na série “The Leftovers”, onde o primeiro atuou como roteirista da equipe comandada pelo segundo – um episódio escrito pelos dois foi indicado a prêmio do Sindicato dos Roteiristas. Lindelof ainda trabalhou famosamente com o pai de Nick, Carlton Cuse, na série “Lost”. A direção é de Craig Zobel, que também dirigiu episódios de “The Leftovers”, além dos filmes “Obediência” (2012) e “Os Últimos na Terra” (2015). A produção é de Jason Blum, que ainda produziu o “racista” (no sentido trumpiano da palavra) “Corra!” (2017), indicado ao Oscar de Melhor Filme. Já o elenco traz vários astros de séries, como Betty Gilpin (“GLOW”), Emma Roberts (“American Horror Story”), Justin Hartley (“This Is Us”), Ike Barinholtz (“The Mindy Project”), Glenn Howerton (“It’s Always Sunny in Philadelphia”) e Hilary Swank (“Trust”). Todos brancos, como destaca uma das falas do vídeo abaixo. Ainda não há previsão para a estreia no Brasil.
O “segredo” do sucesso de Parasita: apoio e incentivo do governo sul-coreano
A consagração do primeiro longa não falado em inglês no Oscar de Melhor Filme tem rendido – e ainda vai render – muitos debates em Hollywood e em todo o mundo. E o Brasil faria muito bem se prestasse atenção. Afinal, enquanto o governo brasileiro atacou seu único representante na disputa, o país de “Parasita” apoiou seu representante do começo ao fim. Agora, com o aval da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, a Coreia do Sul poderá colher a fartura, que representa a mudança de status comercial de sua indústria cinematográfica, traduzindo-se em mais exportações e divisas para a economia do país. O cinema sul-coreano penou durante 26 anos o sucateamento nas mãos de uma ditadura militar, após um golpe em 1961 instalar censura – ou “filtros” – para permitir apenas a produção de filmes nacionalistas e de apoio ideológico ao governo. Só que o público sul-coreano rejeitou esse modelo, levando a uma queda de 60% no consumo de cinema do país, entre 1969 e 1979. A reação da ditadura foi abrir o mercado para produções estrangeiras em 1986, preferencialmente de Hollywood, que voltaram a atrair espectadores, enquanto os filmes locais se notabilizavam como sinônimos de fracasso comercial. O fim da ditadura abriu ainda mais o mercado. Em 1988, todas as restrições foram derrubadas e os estúdios americanos começaram a se estabelecer no país. Poderia ter sido o fim completo do cinema local, desacreditado pelos temas impostos pela ditadura, mas o novo governo democrata acionou a política de cotas de exibição para produções nacionais, implantada pelos militares nos anos 1960, que foi gradativamente ampliada. Apesar disso, os filmes sul-coreanos ainda respondiam por apenas 16% das bilheterias do país até 1993. As cotas acabaram complementadas por incentivos e financiamento público em todas as etapas, da produção à exibição de filmes do país. Graças à política cultural, o governo atraiu grandes companhias, como a Samsung, que passaram a investir no cinema nacional. Estas mudanças possibilitaram o surgimento de uma nova geração de cineastas no final dos anos 1990, que começou a se apresentar para o mundo em festivais internacionais no final dos anos 1990. Diretores importantes iniciaram suas carreira nesse período, em meio ao movimento batizado pela mídia de “Novo Cinema Coreano”, como Park Chan-wook, Kim Jee-woon e até Bong Joon-Ho, diretor de “Parasita”. Desde seu filme de estreia, “Cão Que Ladra Não Morde” (2000), Bong Joon-Ho conta com apoio do governo, que em 1999 reformou o conselho de cinema do país, rebatizando-o e transformando-o em órgão de incentivo e fomento da produção cinematográfica local. O Korean Film Council (KOFIC, na sigla oficial) é equivalente à Ancine brasileira e faz tudo o que a Ancine poderia/deveria fazer – mas que deixou parcialmente de fazer sob o governo Bolsonaro – , desde financiar despesas de produção, estabelecer políticas de renúncia fiscal, organizar o mercado nacional e dar suporte financeiro para filmes sul-coreanos participarem de eventos internacionais, com autonomia em relação ao partido no poder. Graças ao KOFIC, em pouco tempo o cinema sul-coreano virou o jogo, passando a dominar as bilheterias do país e a vencer prêmios importantes nos maiores festivais de cinema do mundo. Tanto que, em 2006, os filmes nacionais já representavam 50% das bilheterias do país e o governo pôde diminuir a cota de tela sem causar qualquer efeito negativo no mercado. Mesmo com cota menor, a média de lançamento de filmes sul-coreanos manteve-se como uma das maiores do planeta, com pelo menos um título novo por semana. A força das produções locais ainda propiciou que mais empresas, como a Hyundai, passassem a investir nesse segmento. E assim as conversas sobre regulamentação atingiram outro patamar, em torno de apoio maior para os pequenos estúdios e menos incentivo para projetos mais comerciais e lucrativos – o oposto do que Osmar Terra, ministro da Cidadania, planejava para o futuro do cinema brasileiro, em discurso registrado no ano passado. Outras mudanças não tão óbvias também contribuíram para esse resultado, como a educação da população. O estudo de Cinema passou a ser incluído no currículo escolar. Cai no (equivalente ao) vestibular. Estudantes também têm direito à meia-entrada nas bilheterias. Além disso, o governo incentivou aberturas de cursos e escolas de Cinema, contribuindo para a formação de técnicos capazes de realizar trabalhos dignos de Hollywood, e patrocinou a criação de festivais, como o de Busan, que se tornou um dos mais importantes da Ásia. No Brasil, estatais do governo Bolsonaro cortaram o apoio a festivais e ameaçam despejar uma das escolas de cinema mais tradicionais. Para completar, esse apoio às artes foi estendido a várias outras áreas da cultura sul-coreana. E o sucesso mundial do K-Pop é outro grande exemplo da diferença que faz o apoio do Estado à cultura de um país.
Warner muda título de Aves de Rapina após fracasso nas bilheterias
A Warner anunciou uma mudança no título do filme “Aves de Rapina”. O filme, que antes se chamava “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” passa agora a ser chamado oficialmente de “Harley Quinn: Birds of Prey” – ou “Arlequina: Aves de Rapina” – nos cinemas dos Estados Unidos. A alteração foi uma reação ao desempenho de bilheteria, considerado fraquíssimo no fim de semana de estreia. E comprova que a Warner não fez o dever de casa em relação ao filme. O título equivocado foi um dos tópicos levantados entre as avaliações pós-desastre do estúdio, diante da abertura de US$ 33,2 milhões no mercado americano – a pior estreia de um filme de super-heróis da DC Comics desde o fiasco de “Mulher-Gato” em 2004. Antes que alguém ligue o fato de “Aves de Rapina” e “Mulher-Gato” serem estrelados por mulheres como fator preponderante do fracasso – “Capitã Marvel” e “Mulher-Maravilha” enterraram essa tese – , há outros detalhes que aparecem em comum entre os dois filmes. Em ambos, as reclamações dos fãs sobre a escalação das intérpretes, que não refletem o perfil das personagens dos quadrinhos, jamais foram consideradas. A contratação de um(a) cineasta inexperiente só começou a ser tida como equivocada após os desempenhos negativos. Assim como o tom indeciso do roteiro, entre a comédia e a ação, que não agradou quem esperava mais de um ou de outro. O título, claro, era um dos problemas óbvios de “Aves de Rapina”. Afinal, porque o filme não se chamou “Arlequina”, se ela era a única conhecida? Parece que deu certo com “Coringa”. Mas agora, após uma fortuna gasta em marketing para divulgar “Aves de Rapina”, a Warner parece ter finalmente se dado conta do erro. Outro problema aparente teria sido a afobação do estúdio em construir um “universo cinematográfico”, que previa lançar uma franquia de “Aves de Rapina” paralela a novos filmes da Arlequina. Essa pressa resultou num segundo “Liga da Justiça” – que, em vez de lançar franquia, virou fim de linha. Ao contrário da Marvel, as adaptações da DC Comics tem sido bem-sucedidas quando não compartilham um “universo” de personagens. E, lógico, não há como entender a classificação etária “R” (para maiores nos EUA). “Esquadrão Suicida”, que lançou a Arlequina no cinema, foi exibido para menores (PG-13). E a própria Arlequina é uma personagem de desenho animado infantil. Além disso, ao contrário de “Coringa”, “Deadpool” ou “Logan”, “Aves de Rapina” não apresentou nenhuma cena especialmente violenta ou sexual, apenas linguagem imprópria – um ou outro palavrão – que a dublagem nacional tende até a esconder. A Warner também vacilou na data de estreia, marcada para o fim de semana do Oscar, quando o público ainda corria para ver os filmes indicados ao prêmio da Academia. Tanto é assim que o Top 10 do fim de semana resgatou até “Entre Facas e Segredos”, que já havia saído do topo do ranking – lançado em novembro passado! No mercado internacional, “Aves de Rapina” saiu-se um pouco melhor, elevando o total para US$ 81,2 milhões em todo o mundo. No Brasil, o longa liderou a bilheteria do último fim de semana. Mas como os cinemas chineses e de parte da Ásia estão fechados, devido ao coronavírus, o montante global não deve se tornar a “salvação” de sua balança comercial.
Paula Kelly (1943 – 2020)
A atriz, cantora e dançarina Paula Kelly, de clássicos como “Charity, Meu Amor” e “Aconteceu num Sábado”, morreu de problemas cardíacos no domingo (9/2) em Inglewood, na Califórnia, aos 76 anos. Filha de um músico de jazz, Kelly nasceu em Jacksonville, Flórida, e cresceu em Nova York, onde frequentou a High School of Music & Art e a prestigiosa academia Juilliard, de onde saiu para se tornar uma bailarina de companhias lideradas pelos célebres Martha Graham e Alvin Ailey. Kelly estreou na Broadway aos 21 anos, no musical “Something More!” (1964), chegou a dançar no Oscar em 1968 e no ano seguinte apareceu dançando nua na revista Playboy, o que a tornou bastante conhecida. Ela já tinha estrelado a montagem de “Sweet Charity” como a dançarina Helene, quando o famoso diretor-coreógrafo Bob Fosse assumiu o projeto de transformar o musical num filme, escalando-a no mesmo papel nas telas. Os dois tinham trabalhado juntos na Broadway e estrearam juntos no cinema. Na adaptação cinematográfica de 1969, batizada no Brasil de “Charity, Meu Amor”, Kelly atuou, cantou e dançou ao lado de Shirley MacLaine e Chita Rivera, brilhando nos números musicais de “Hey, Big Spender” e “There’s Gotta Be Something Better Than This”. O sucesso do filme, indicado a três Oscars, lançou-a ao estrelato e ela aproveitou a fama para se estabelecer como coreógrafa. A partir de 1970, passou a organizar coreografias de especiais de TV de artistas famosos, como Harry Belafonte, Gene Kelly e Sammy Davis Jr, além de coreografar os longas “Um Doido Genial” (1970), “Lost in the Stars” (1974) e “Peter Pan” (1976), dos quais também participou como atriz. Paralelamente, procurou se diversificar como atriz, aparecendo em clássicos da ficção científica, como “O Enigma de Andrômeda” (1971), adaptação de Michael Crichton (o autor de “Jurassic Park” e “Westworld”), e “No Mundo de 2020” (1973), com Charleton Heston, e principalmente em filmes icônicos da era blaxploitation, como “A Essência de um Roubo” (1972), com trilha de Salomon Burke, “O Terrível Mister T” (1972), musicado por Marvin Gaye, “The Spook Who Sat by the Door” (1973), com composições de Herbie Hacock, e “Aconteceu num Sábado” (1974), dirigido e estrelado por Sidney Poitier. O fim do ciclo original do cinema negro em Hollywood a levou para a televisão. Após papéis recorrentes nas séries “San Francisco Urgente” e “Police Woman”, acabou recebendo duas indicações ao Emmy: como Melhor Atriz Coadjuvante de Série de Comédia em 1984, pelo papel da defensora pública Liz Williams em “Night Court”, e Melhor Atriz de Minissérie em 1989, por “The Women of Brewster Place”. Ela ainda estrelou a comédia dramática “Nos Palcos da Vida” (1986), ao lado de Richard Pryor, e “Romance Arriscado” (1993), mas o resto de sua carreira nas telas foram papéis em séries. Alguns se destacaram, como a feroz senhora Ginger Jones em “Santa Barbara” (1984-85) e a governanta que teria lançado um feitiço vodu contra as “Super Gatas”, em um episódio de 1987. Kelly foi casada com o diretor britânico Donald Chaffey (“Meu Amigo, o Dragão”) de 1985 até a morte dele em 1990.
Raphael Coleman (1994 – 2020)
O ator britânico Raphael Coleman, que estreou no cinema aos 10 anos, em “Nanny McPhee, a Babá Encantada” (2005), morreu na sexta-feira passada (7/2), aos 25 anos. A informação foi confirmada pela mãe e o padrasto por meio de redes sociais. Eles explicaram que Raphael sofreu um colapso, no meio de uma viagem relacionada a sua luta em defesa do meio-ambiente e não conseguiu ser salvo. “Descanse em paz, meu querido filho Raphael Coleman”, escreveu a mãe, que afirmou que o filho não tinha não tinha problemas de saúde. “Ele morreu fazendo que amava, trabalhando pela causa mais nobre de todas. A sua família não podia estar mais orgulhosa. Vamos comemorar tudo o que ele conseguiu em sua curta vida e valorizar seu legado”, completou a mãe. Depois de viver uma das crianças sob os cuidados da “Nanny McPhee” (Emma Thompson), Coleman participou ainda de mais dois filmes: o terror “Anjo Maldito” e a sci-fi “Contatos de 4º grau”, ambos em 2009. Ele largou a atuação disso e se tornou ativista, viajando o mundo em defesa da preservação do meio ambiente.












