Doutor Sono tenta equilibrar os irreconciliáveis Stephen King e Stanley Kubrick
Terá sido uma escolha feliz de Mike Flanagan aceitar a missão de fazer uma continuação de “O Iluminado” (1980), de Stanley Kubrick? Como “Doutor Sono” (2019) é a adaptação de um novo livro de Stephen King, que dá seguimento à vida, agora adulta, do garoto iluminado Dan Torrence (Ewan McGregor), parece haver uma tentativa de agradar tanto ao romancista – que não gosta do filme de Kubrick – quanto aos fãs do filme. As duas visões, porém, são irreconciliáveis. Até então, Flanagan só havia trabalhado em produções mais modestas, mas de qualidade, que lhe renderam acólitos como um dos melhores cineastas novos do terror. Filmes como “Absentia” (2011), “O Espelho” (2013), “Hush – A Morte Ouve” (2016), “O Sono da Morte” (2016), “Ouija – Origem do Mal” (2016) e “Jogo Perigoso” (2017) têm uma elegância formal admirável, além de uma obsessão por lidar com questões familiares, que apresentam um autor respeitável. Um autor que fez a sua obra-prima em formato de minissérie, “A Maldição da Residência Hill” (2018), que conta histórias de pessoas de uma mesma família tendo que lidar com traumas do passado, numa trama narrada em três eixos temporais. Diante desse currículo admirável, “Doutor Sono” acaba decepcionando quem esperava que fosse o grande terror do ano, ainda que os problemas pareçam ter mais relação com a origem literária – uma história muito confusa – do que com a adaptação. Por isso, Flanagan talvez tivesse feito melhor se recusasse a oferta tentadora de dirigir uma produção com tanta visibilidade e com tantas cascas de banana. O lançamento fracassou nas bilheterias. Mas nem tudo é ruim em “Doutor Sono”. Na verdade, há grandes qualidades que merecem ser ressaltadas. Temos dois filmes em um: o que pretende ser a continuação direta de “O Iluminado” e o que parece algo totalmente novo, apresentando um grupo de vampiros de energia, liderados por uma elegante Rebecca Ferguson. Essas histórias se entrecruzam, já que esse grupo de vampiros tem um interesse especial nos iluminados. Uma das primeiras cenas do filme mostra Rose Cartola, a personagem de Ferguson, seduzindo uma garotinha para matá-la. Algumas cenas de assassinato desses iluminados, inclusive, são bem violentas e perturbadoras, já que esses vampiros vão se alimentando da dor e do medo. E isso é um ponto positivo do filme. Para muitos, porém, o momento mais interessante de “Doutor Sono” talvez seja o retorno de Dan ao famoso hotel em que se passa “O Iluminado”, com direito a reinterpretações de cenas do primeiro filme com atores diferentes – outra solução questionável e que torna este trabalho de Flanagan/King ainda mais bizarro. Devido a tantos problemas, as qualidades e a elegância na direção de Flanagan têm pouco espaço para se sobressaírem. Uma pena. Mas “Doutor Sono” vai ganhar uma segunda versão, com cerca de 30 minutos a mais, totalmente reeditada por Flanagan para o lançamento em Bluray. Quem sabe, assim, resulte num filme mais iluminado, capaz de resolver os conflitos de sua concepção.
E Então Nós Dançamos reflete o impasse cultural entre tradição e modernidade
A Geórgia (ex-União Soviética) tem entre suas principais tradições a dança. Uma dança tradicional, com marcações fortes, firmes e intensas, que remetem a uma ideia de masculinidade. Ou a um conceito algo rígido e preconceituoso do que seja a masculinidade. O fato é que gestos leves, trejeitos, sorrisos de alegria e encantamento, são solenemente repreendidos, nos ensaios com os bailarinos, como se vê em algumas sequências de “E Então Nós Dançamos”. O filme roteirizado e dirigido por Levan Akin, georgiano radicado na Suécia há muito tempo, é uma retomada por parte dele da arte das tradições de seu país de origem. E representou a Suécia na indicação ao Oscar de Filme Internacional. Se é preciso respeitar e valorizar tradições, em especial expressões artísticas consagradas, também é preciso avançar e superar preconceitos. Do embate entre essas questões se alimenta o filme de Levan Akin. Na história, é pela ótica de um bailarino jovem, Merab, vivido por Levan Gelbakhiani, que temos acesso ao cotidiano de alguém que aspira a esse caminho artístico, enquanto faz trabalhos pesados e mal remunerados para tentar sobreviver. Acompanhamos seu esforço diário, sua paixão pela dança, conhecemos a jovem bailarina Mary (Ana Javakishvili), que é sua parceira constante nessa atividade, percebemos o que ela sente por ele, sem ser correspondida para além da dança. E o vemos conhecendo e se envolvendo com o bailarino Irakli (Bachi Valishvili), com quem aprende técnicas, rivaliza e acaba por desenvolver um desejo homoerótico. Na família, com um irmão prestes a se casar, ou na dança que cultiva, Merab percebe que não há espaço para o reconhecimento do seu desejo e torna-se bastante complicado compatibilizar as coisas. Por aí vai o drama que o filme explora, enquanto nos brinda com um musical, em que a dança tradicional georgiana se destaca. O diretor tem claramente a intenção de valorizar essa tradição da dança e outras mais. Por exemplo, nos mostra os rituais do casamento no país. Mas coloca em questão, também, a necessidade de questionar e superar os ranços autoritários e os preconceitos que ajudam a sustentar essas tradições. Até onde vale a pena ir na preservação da cultura local e quando é preciso mudá-la ou mesmo implodi-la, se for o caso? Como os jovens podem se inserir nesse contexto cultural pós-União Soviética, com os elementos da globalização, da cultura pop e das mudanças comportamentais que os distinguem da velha geração? O diretor fala, numa entrevista, da situação frágil da Geórgia e dos antigos países soviéticos, com suas singularidades, em contato com os valores da situação atual. Como preservar a identidade cultural, como a língua, o alfabeto, a cultura do vinho e da gastronomia, ao mesmo tempo em que é imperioso se abrir para o mundo novo, em constante transformação? E dá um exemplo importante. Quando trabalhava na concepção do filme, buscou a ajuda do famoso Balé Nacional da Geórgia, inclusive querendo contar com a participação de alguns de seus bailarinos. O que lhe foi negado peremptoriamente, alegando que não existia homossexualidade na dança, na Geórgia. E teve de conviver com uma grande sabotagem contra o trabalho que estava realizando. Não só isso. A première na Geórgia foi marcada por protestos e um grupo radical chegou a invadir um cinema para bater no público que havia comprado ingressos. Uma mulher foi parar no hospital e dois policiais que tentaram conter as hostilidades acabaram feridos. Uma atitude como essa é a demonstração mais cabal de que não se pode, simplesmente, ficar cultivando uma tradição cultural sem nunca colocá-la em questão ou em dúvida. Se é preciso negar a realidade para mantê-la como está, chegou a hora de revisá-la, reformá-la ou revolucioná-la. Assim como não faz sentido destruir tradições culturais importantes, também não faz sentido mantê-las a qualquer preço, gerando sofrimento inútil e desnecessário às pessoas.
Jane Fonda é presa um dia antes de completar 82 anos
Jane Fonda foi presa pela quinta vez na sexta-feira (20/12), durante os protestos semanais contra mudanças climáticas, que vem acontecendo no Capitólio, em Washington, capital dos EUA. A prisão aconteceu um dia antes da atriz vencedora do Oscar comemorar seu 82º aniversário. Quando ela foi algemada pela polícia do Capitólio, a multidão que acompanhava a manifestação cantou uma versão de “parabéns para você”, como pode ser visto no vídeo abaixo. A atriz já chegou a passar uma noite na prisão em novembro, por ser reincidente nos atos de desobediência civil. Os organizadores do protesto semanal não queriam que ela fosse presa novamente por causa da possibilidade de receber uma sentença mais longa e ser incapaz de liderar novas manifestações. Mas desta vez não teve jeito. Ela foi detida junto de outras 138 pessoas e, ao sair do tribunal, no dia seguinte, contou que uma de suas carcereiras lhe disse: “Deve haver uma maneira melhor de chamar a atenção para sua causa”. “Acho que ela está certa”, concordou Fonda. “Meus ossos de 82 anos estão doendo.” .@Janefonda was just arrested for the 5th time demanding #NoNewFossilFuels and a #GreenNewDeal with #FireDrillFriday 🔥 pic.twitter.com/xZfMPWhWQQ — Fire Drill Fridays (@FireDrillFriday) December 20, 2019
Malignant: James Wan anuncia final das filmagens de seu novo terror
O cineasta James Wan anunciou que terminou de filmar “Malignant”, seu próximo terror – e primeiro longa como diretor desde o sucesso do blockbuster “Aquaman” no ano passado. Mas o trabalho ainda está longe de ser encerrado, como ele mesmo lembrou na legenda do post. “Mal posso esperar para trabalhar na pós-produção”, escreveu. O filme é baseado em “Malignant Man”, quadrinhos criados pelo próprio Wan e publicados pela editora Boom! Studios em 2011. A história original gira em torno de Alex Gates, que está morrendo de uma doença terminal e resignado com seu destino. Até descobrir que seu tumor maligno é na verdade um misterioso parasita alienígena que lhe confere poderes incríveis e um propósito: lutar contra um exército secreto que se esconde entre a humanidade. Wan também assina o roteiro, em parceria com a atriz Ingrid Bisu (uma das freiras de “A Freira”), e fez uma mudança importante na adaptação, ao dar o protagonismo para a atriz Annabelle Wallis (de “A Múmia” e “Peaky Blinders”). O elenco também inclui Jake Abel (o terceiro irmão Winchester de “Supernatural”), Maddie Hasson (“Impulse”), George Young (“Containment”) e a citada Ingrid Bisu. “Malignant” tem estreia prevista para 13 de agosto no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos. Ver essa foto no Instagram So we wrapped principal photography on MALIGNANT over the weekend. Big THANK YOU to an amazing cast and crew!! You all worked hard and delivered something special! Can’t wait to get into post. Uma publicação compartilhada por James Wan (@creepypuppet) em 10 de Dez, 2019 às 2:20 PST
Aves de Rapina recebe classificação “R”, proibido para menores nos EUA
A produção de “Aves de Rapina” recebeu oficialmente a classificação “R” nos Estados Unidos. Trata-se do equivalente ao “proibido para menores”, embora não seja a classificação mais elevada. Um filme “R-Rated” é proibido para menores de 17 anos, mas pode ser visto por adolescentes que forem acompanhados por pais ou responsáveis. Já a classificação seguinte, “NC-17”, proíbe terminantemente a presença de menores, mesmo com o pai e a mãe. A razão para a faixa etária elevada, segundo a MPA (Associação do Cinema dos EUA), são “cenas fortes de violência, palavras de baixo calão e alguns materiais envolvendo sexo e drogas”. Com isso, “Aves de Rapina” se junta a “Kick-Ass”, “Kick-Ass 2”, “Deapool”, “Logan” e “Coringa” na lista de filmes de super-heróis/vilões de quadrinhos rotulados pela MPA com um “R”. Os quatro últimos foram lançados no Brasil com indicação para maiores de 16 anos, mas “Kick-Ass”, que veio antes (em 2010), acabou recebendo “censura” para 18 anos. Escrito por Christina Hodson (“Bumblebee”), dirigido pela chinesa Cathy Yan (“Dead Pigs”) e com um longo título oficial, “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa”, o filme vai juntar a Arlequina (vida por Margot Robbie) com novas “amiguinhas”: o grupo de heroínas conhecido como Aves de Rapina, formado por Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell, de “True Blood”), Caçadora (vivida por Mary Elizabeth Winstead, de “Rua Cloverfield, 10”), Cassandra Cain (Ella Jay Basco, da série “Teachers”) e até a policial Renee Montoya (Rosie Perez, de “O Conselheiro do Crime”) na versão do cinema. Para completar, ainda entram na história os vilões Máscara Negra (Ewan McGregor, de “Christopher Robin”) e Victor Zsasz (Chris Messina, de “The Mindy Project”). A estreia está prevista para 6 de fevereiro no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.
Daniel Day-Lewis ligou para elogiar Adam Sandler após ver Jóias Brutas
Considerado um dos maiores atores do cinema, o britânico Daniel Day-Lewis (“Lincoln”) ligou para cumprimentar Adam Sandler por seu desempenho em “Joias Brutas” (Uncut Gems). A revelação foi feita por Sandler, que vem realmente recebendo muitos elogios por seu desempenho no filme dos irmãos Benny e Josh Safdie (“Bom Comportamento”). “Estava comprando tênis num dia desses e olho o telefone e é Daniel Day-Lewis. Ele começou a falar que ficou se segurando na cadeira da frente [no cinema] e o quanto ele adorou o filme e todo mundo que está nele. Foi a melhor ligação da história”, contou Sandler, durante participação no The Bill Simmons Podcast. Day-Lewis é o único intérprete que já venceu três Oscars de Melhor Ator – por “Meu Pé Esquerdo” (1989), “Sangue Negro” (2007) e “Lincoln” (2012). Há outros atores com três Oscars, mas essa contagem inclui troféus de Coadjuvante. Sandler, por sua vez, é mais conhecido por comédias de gosto duvidoso, que lhe renderam alguns Framboesas de Ouro, troféu considerado o anti-Oscar, que elege os piores do ano. Apesar disso, já tinha demonstrado capacidade dramática em um par de produções indies bem-avaliadas. Em “Joias Brutas”, ele interpreta Howard Ratner, um joalheiro judeu trambiqueiro de Nova York metido em apostas esportivas de alto risco, que podem lhe render o maior lucro ou a maior dívida de sua vida. Este papel já rendeu indicação ao Spirit Awards, considerado o “Oscar indie”, e cria expectativa em torno de seu nome para a premiação oficial da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Produção indie do estúdio A24, “Joias Brutas” vai chegar ao Brasil em 31 de janeiro, diretamente no streaming da Netflix.
Eduardo e Mônica: Filme baseado na música do Legião Urbana ganha primeiro trailer
A Gávea Filmes divulgou o primeiro trailer de “Eduardo e Mônica”, romance estrelado por Alice Braga (“A Rainha do Sul”) e inspirado na famosa música da banda Legião Urbana. A prévia destaca a diferença cultural gritante entre o casal, que também pertence a gerações diferentes, além de fazer referências às descrições contidas na canção, escrita por Renato Russo. A música, escrita por Renato Russo, conta a história de amor entre dois jovens, um vestibulando de jornalismo e uma estudante de medicina, que eram tão diferentes um do outro que se completaram. Alice Braga vive a Mônica e Gabriel Leone (novela “Os Dias Eram Assim”) é o Eduardo A direção está a cargo de um “especialista” em Legião Urbana, René Sampaio, que já levou com sucesso outra música da banda para o cinema, “Faroeste Caboclo” (2013), e o elenco coadjuvante também inclui um integrante daquele filme, Fabricio Boliveira – além de Victor Lamoglia (“Socorro! Virei uma Garota”), Otávio Augusto (“Hebe”), Bruna Spinola (“Impuros”) e Ivan Mendes (“Me Chama de Bruna”). “Eduardo e Mônica” tem estreia marcada para 9 de abril.
Doutor Sono vai ganhar versão estendida com 3 horas de duração
O filme “Doutor Sono” vai ganhar uma versão estendida do diretor Mike Flanagan, com 180 minutos – isto é, três horas de duração! Isto representa quase meia hora a mais de filme, em relação ao que foi exibido no cinema. O anúncio foi feito pelo próprio Flanagan em seu Twitter, com a capa do lançamento. Veja abaixo. Chamada de “edição do diretor”, a nova versão será lançado apenas em vídeo e streaming. A versão digital estará disponível em 21 de janeiro nos Estados Unidos, enquanto o bluray sai em 4 de fevereiro, num box que também incluirá uma versão em 4K da edição dos cinemas. Continuação do clássico “O Iluminado” (1980), “Doutor Sono” foi um dos filmes de terror mais elogiados do ano, com 77% de aprovação da crítica no site Rotten Tomatoes. Agradou muito mais que as outras duas adaptações cinematográficas de obras do escritor Stephen King em 2019, “It: Capítulo 2” (63%) e “Cemitério Maldito” (57%). Entretanto, rendeu muito menos nas bilheterias. Com apenas US$ 71 milhões de arrecadação mundial, “Doutor Sono” se tornou um dos grandes fracassos do cinema em 2019. Teorias para o fracasso incluem desde a saturação de adaptações de Stephen King – além das citadas, houve várias produções para streaming e até séries – , o título muito ruim e o fato de remeter a um filme com 39 anos, que a maioria dos frequentadores atuais de cinema não lembra ou nem sequer assistiu. Por isso, o lançamento de uma versão estendida chega a surpreender. Logicamente que a Warner não vai colocá-la no cinema após o desempenho original. Mas é interessante que tenha financiado mais tempo de pós-produção para um fracasso, em vez de conter o prejuízo. Assim, o diretor tem a chance de mostrar a verdadeira extensão de sua visão, cortada para acomodar um tempo de exibição mais rentável, dando ao público uma edição ainda melhor de um filme que já é muito bom. Para quem perdeu no cinema, o longa traz Ewan McGregor (“Trainspotting”) como a versão adulta de Danny Torrence, filho do personagem de Jack Nicholson no clássico de terror de 1980. E Mike Flanagan chega a recriar cenas do longa dirigido por Stanley Kubrick. Na trama, Danny cresceu traumatizado após seu pai enlouquecer e tentar matar a família no Overlook Hotel. Já adulto, enfrenta problemas com álcool, até que volta a manifestar poderes mediúnicos e entra em contato com uma garota (a estreante Kyliegh Curran) perseguida por um perigoso grupo de paranormais. O elenco ainda inclui Rebecca Ferguson (“Missão Impossível: Efeito Fallout”) como a vilã da história – Rose, a Cartola (no original, Rose the Hat) – , além de Emily Alyn Lind (“A Babá”), Jacob Tremblay (“O Quarto de Jack”), Cliff Curtis (“Fear the Walking Dead”), Bruce Greenwood (“Star Trek”), Zahn McClarnon (“Westworld”), Carel Struycken (“Twin Peaks”) e Carl Lumbly (“Supergirl”). The Director’s Cut of #DoctorSleep (TRT 180 mins) lands on Digital (4K streaming) 1/21, and on Blu-ray (with 4K UHD Theatrical Cut) on 2/4. Hope you enjoy! pic.twitter.com/3hxyr6kCEk — Mike Flanagan (@flanaganfilm) December 19, 2019
Respect: Jennifer Hudson é Aretha Franklin no primeiro teaser da cinebiografia
A MGM divulgou os primeiros teaser e pôster de “Respect”, cinebiografia da cantora Aretha Franklin (1942 – 2018). A prévia traz apenas o título do filme e a intérprete da Rainha do Soul, Jennifer Hudson, cantando a música que dá título à produção. Hudson já ganhou um Oscar ao viver uma cantora no cinema, no filme “Dreamgirls” (2006). Não há muita informação sobre a produção de “Respect”, mas a trama deverá ser ambientada nos anos 1960 e 1970, quando Aretha se consagra como uma das maiores artistas dos EUA, cantando clássicos imortais como “I Say a Little Prayer”, “Think”, “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman” e a faixa-título, além de viver um conturbado relacionamento com seu então marido Ted White. A equipe criativa é estreante no cinema. O roteiro foi escrito por Tracey Scott Wilson, da série “The Americans” e da recente telebiografia “Fosse/Verdon”, enquanto a direção está a cargo de Liesl Tommy, que anteriormente comandou episódios de “The Walking Dead”, “Jessica Jones” e “Mrs. Fletcher”. Por outro lado, a produção é comandada por Scott Bernstein, que recentemente fez outra cinebiografia musical de sucesso, “Straight Outta Compton” (2015), e pelo produtor musical Harvey Mason Jr., que trabalhou com Franklin e também no filme “Dreamgirls”, que consagrou Hudson. O elenco ainda destaca Forest Whitaker (“Pantera Negra”), Tate Donovan (“Rocketman”), Leroy McClain (“A Maravilhosa Sra. Meisel”), Marlon Wayans (“Seis Vezes Confusão”), Marc Maron (“GLOW”), Tituss Burgess (“Unbreakable Kimmy Schmidt”), Audra McDonald (“The Good Fight”) e a cantora Mary J. Blige (“Mudbound”). A estreia está marcada para 17 de setembro no Brasil, um mês após o lançamento nos EUA.
Festival do Rio premia Fim de Festa e diversidade do cinema brasileiro
O Festival do Rio, premiou “Fim de Festa” com o troféu Redentor de Melhor Filme de sua edição 2019. O encerramento do evento na noite de quinta (19/12) foi marcado por discursos politizados. Ao agradecer o prêmio, o pernambucano Hilton Lacerda exaltou a diversidade da produção nacional. “Em um momento tão crítico do audiovisual brasileiro, é importante celebrar produções vencedoras de outras partes do país”, disse o diretor. “Fim de Festa”, vencedor também do prêmio de Melhor Roteiro, retrata a quarta-feira de cinzas de um grupo de jovens em um apartamento, no Recife, diante da chegada do pai policial de um deles, que desperta diferentes reações. O filme retrata situações do Brasil atual e é parcialmente inspirado pelo caso real da turista alemã Jennifer Kloker, assassinada em 2010, em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, a mando da própria sogra. Já o público elegeu “M8 — Quando a Morte Socorre a Vida” como Melhor Filme. A obra aborda a história de um jovem negro que se intriga pelo passado de um cadáver que é objeto de estudo das suas aulas de Anatomia na faculdade de Medicina. Seu diretor, Jeferson De, foi um dos mais aplaudidos da noite, ao politizar a importância do prêmio para um cineasta negro. “Quando vocês veem alguém como eu por perto, pensam: ou vai me servir, ou vai me pedir ou vai me ameaçar. Por isso é tão relevante eu estar aqui em cima vencendo”. Os demais prêmios foram bastante pulverizados, demonstrando um equilíbrio na atual safra da produção nacional. “Breve Miragem de Sol”, de Eryk Rocha, foi o único a conquistar três prêmios, incluindo Melhor Ator para Fabrício Boliveira. Em meio a estas vitórias, Regina Casé, que recebeu o Redentor de Melhor Atriz por “Três Verões”, de Sandra Kogut, aproveitou para ressaltar o belo exemplo de representatividade dado pelo festival para crianças como seu filho Roque, também negro, que puderam ver várias pessoas de sua cor conquistando prêmios. Ganhador do Redentor de Melhor Ator Coadjuvante por “Acqua Movie”, de Lírio Ferreira, o ator Augusto Madeira acabou sendo o mais aplaudido, ao resumir a tragédia enfrentada pela Cultura no Brasil de 2019. “É muito importante estar aqui ganhando prêmio num festival que quase não rolou, num museu que deveria estar fechado e numa cidade que praticamente acabou”, discursou. Vale lembrar que a 21ª edição do Festival do Rio quase foi inviabilizada pelo governo de Jair Bolsonaro. O evento atrasou dois meses, ficou menor e teve de recorrer a financiamento coletivo para arrecadar fundos e ser realizado, após a perda de seus maiores patrocinadores, a Petrobras e o BNDES, proibidos de apoiar eventos culturais. O evento, que já chegou a ter 300 filmes estrangeiros em outras épocas, com a presença de grandes estrelas internacionais em seu tapete vermelho, teve neste ano cerca de 110 produções internacionais e apenas artistas trazidos com a ajuda das próprias produtoras. O governo Bolsonaro também não liberou a verba do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual) de 2019, paralisando o financiamento da indústria audiovisual e vários programas de apoio da Ancine, depois do próprio presidente ameaçar mandar “pro saco” obras com temas LGBTQIA+. “Apesar de todas as histórias de desmerecimento ao nosso trabalho como artistas, é uma coisa que se repete em todo o governo ditatorial, né? [A Cultura] é a primeira coisa que eles atacam, a gente já tá acostumado com isso”, disse Fabrício Boliveira, ao receber seu troféu. Para completar, o Redentor de Melhor Documentário foi para “Ressaca”, de Vincent Rimbaux e Patrizia Landi. O filme traça um panorama, em preto e branco, da crise que atinge o Theatro Municipal do Rio, mas sem deixar de exibir a força e a resistência dos funcionários. E assim segue o Cinema e a Cultura nacionais, resistindo ao desmanche e ataque de governos que vêem a Arte como inimigo a ser derrotado. Confira abaixo a lista completa dos vencedores. Prêmio Redentor Melhor Longa Ficção pelo Júri Oficial “Fim de Festa”, de Hilton Lacerda Melhor Longa Ficção pelo Voto Popular “M8 – Quando a morte socorre a vida”, de Jeferson De Melhor Longa Documentário pelo Júri Oficial “Ressaca”, de Vincent Rimbaux e Patrizia Landi Melhor Longa Documentário pelo Voto Popular “Favela é Moda”, de Emílio Domingos Melhor Direção em Longa de Ficção Maya Da-Rin, por “A Febre” Melhor Direção em Longa Documentário Vincent Rimbaux e Patrizia Landi, por “Ressaca” Melhor Atriz Regina Casé, por “Três Verões” Melhor Ator Fabricio Boliveira, por “Breve Miragem de Sol” Melhor Atriz Coadjuvante Gabriela Carneiro da Cunha, por “Anna” Melhor Ator Coadjuvante Augusto Madeira, por “Acqua Movie” Melhor Fotografia Miguel Vassy, por “Breve Miragem de Sol” Melhor Roteiro Hilton Lacerda, por “Fim de Festa” Melhor Montagem Renato Vallone, por “Breve Miragem de Sol” Prêmio Especial do Júri Som de “A Febre” Melhor Curta pelo Júri Oficial “A Mentira”, de Rafael Spínola e Klaus Diehl Melhor Curta pelo Voto Popular “Carne”, de Camila Kater Outros Prêmios Melhor Longa da Mostra Novos Rumos “Sete Anos em Maio”, de Affonso Uchôa Prêmio Especial do Júri da Mostra Novos Rumos “Chão”, de Camila Freitas Melhor Curta da Mostra Novos Rumos “Revoada”, de Victor Costa Lopes Melhor Filme da Mostra Geração “Alice Júnior”, de Gil Baroni Prêmio Felix de Melhor Longa de Ficção “Retrato de uma Jovem em Chamas”, Céline Sciamma Prêmio Felix de Melhor Longa Documentário “Lemebel, Um Artista Contra a Ditadura Chilena”, de Joanna Reposi Garibaldi Prêmio Felix de Melhor Longa Brasileiro “Alice Júnior”, de Gil Baroni Prêmio Especial do Júri do Prêmio Felix “Bicha-Bomba”, Renan de Cillo Prêmio Suzy Capó Bruna Linzmeyer
James Cameron tem “certeza” que Avatar retomará recorde de maior bilheteria do mundo
James Cameron acredita que a perda do recorde de maior bilheteria do mundo, que por uma década pertenceu a seu filme “Avatar” (2009), vai ser revertida. Em entrevista ao jornal USA Today, o diretor disse que a disputa com o novo recordista, “Vingadores: Ultimato”, ainda não acabou, revelando planos para um relançamento do filme nos cinemas, em antecipação à estreia de sua aguardada continuação em 2021. Questionado se o relançamento pode levar “Avatar” novamente ao topo da lista, ele nem titubeou: “Acho que isso é uma certeza”. Em seguida, jogou panos quentes na competição. “Mas vamos deixar este momento para ‘Ultimato’ e celebrar que pessoas ainda vão ao cinema”. “Vingadores: Ultimato” estabeleceu seu recorde ao acumular US$ 2.79 bilhões, superando “Avatar” em cerca de US$ 10 milhões apenas. Um relançamento bem marketado pode, realmente, pender novamente a balança para o lado do filme de Cameron. Na ocasião da quebra do recorde, em julho passado, o cineasta foi bastante elegante, parabenizando a Marvel pela façanha. Em mensagem postada no Twitter oficial da franquia “Avatar”, ele parabenizou “Vingadores: Ultimato” “por se tornar o novo rei da bilheteria”. Após a venda da Fox, os filmes do diretor agora fazem parte da mesma companhia que produziu “Vingadores: Ultimato” – a Disney. O diretor atualmente trabalha em novas sequências de “Avatar”, com participação de quase todo o elenco original do primeiro filme. A programação da Disney prevê lançar um novo “Avatar” a cada dois anos, até 2027.
Martin Scorsese acredita que O Irlandês pode se tornar seu último filme
O diretor Martin Scorsese levantou a possibilidade de “O Irlandês” se tornar seu último filme, durante entrevista ao jornal The Guardian. “Eu não sei mais quantos filmes eu posso fazer — talvez esse seja o fim. Talvez seja o último. Então, a minha ideia durante a produção foi simplesmente finalizar o filme e saber se ele poderia passar, mesmo que fosse por um único dia, nos cinemas”, comentou. O cineasta de 77 anos não falou em aposentadoria, mas pareceu preocupado com sua idade. Por isso, aceitou fazer “O Irlandês” para a Netflix, mesmo sabendo que a plataforma deixaria o filme nos cinemas por apenas uma semana – o que, confessou, foi um sacrifício. “Eu sabia quais eram as condições quando fiz o filme para eles. Eu sabia que ‘O Irlandês’ seria visto principalmente no streaming, e não nos cinemas. Mas, naquele ponto, nós só precisávamos do financiamento, e da liberdade criativa”, explicou. “Minha única preocupação era que os atores estariam bem com essa condição, e que a Academia aceitaria o filme. Não por mim. Eu sei que estou no fim da minha estrada, que foi bem longa. Eu só queria que ‘O Irlandês’ fosse abraçado, junto com esta nova maneira de assistir filmes”, acrescentou. Durante a conversa, Scorsese voltou às suas críticas aos filmes de super-heróis, que na verdade se manifestam como crítica à distribuição de filmes e à cultura do blockbuster. “Estamos em uma situação em que os grandes cinemas têm 12 telas, e 11 delas estão passando os últimos filmes de heróis. Se você gosta deles, ótimo, mas você precisa de 11 telas?”, disse. Ele ainda rebateu a ideia de que esteja defendendo um cinema mais elitista. “Um filme ser comercial não significa que ele não pode ser arte. O que têm invadido os cinemas hoje em dia são produtos. Produtos são feitos para serem consumidos e jogados fora. Em contraste, olhe para ‘Cantando na Chuva’. É um filme comercial, mas você pode ver muitas vezes sem se cansar”. Só para lembrar: também é assim como “Vingadores: Ultimato”, um dos filmes mais vistos de todos os tempos. Apesar do temor de não conseguir dar sequência à carreira, Scorsese tem um novo documentário musical e um filme dramático encaminhados. Ele e o ator Leonardo DiCaprio chegaram a considerar três projetos diferentes, antes de escolher “Killers of the Flower Moon”, baseado no livro homônimo de David Grann (autor de “Z: A Cidade Perdida”). A obra, que foi lançada no Brasil com o título “Assassinos da Lua das Flores”, envolve um dos crimes mais chocantes da história americana, a morte de quase todos os membros da tribo Osage, que ocorreu pouco depois da descoberta de petróleo em suas terras nos anos 1920. O caso gerou uma das primeiras grandes investigações da história do FBI, fundado em 1908. Paralelamente, o diretor prepara um documentário sobre a cena musical de Nova York nos anos 1970, que deu origem ao punk rock, à new wave, à disco music, ao rap, ao hip-hop e ao garage house, quase que de forma simultânea. Período e local são os mesmos que inspiraram Scorsese a fazer a série “Vinyl”, da HBO, com Mick Jagger.
Claudine Auger (1941 – 2019)
A atriz francesa Claudine Auger, que estrelou o filme “007 Contra a Chantagem Atômica” (1965), morreu na quinta-feira (19/12) aos 78 anos. Auger foi a primeira Bond girl francesa, ainda na época de Sean Connery como o agente secreto James Bond. Desde então, diferentes versões do espião viveram romances com Carole Bouquet (“007: Somente Para Seus Olhos”), Eva Green (“007: Cassino Royale”) e Léa Seydoux (“007 Contra Spectre” e “007: Sem Tempo para Morrer”). Consta, inclusive, que a atriz foi contra as recomendações do estúdio e dispensou dublês para as cenas de ação de sua personagem, a célebre Dominique “Domino” Derval. Nascida em Paris em 1941, Auger chamou atenção pela primeira vez ao ser vice-campeã do concurso Miss Mundo aos 17 anos. O sucesso a transformou em modelo e acabou levando-a ao cinema. Em seus primeiros papéis, chegou a participar do clássico “O Testamento de Orfeu” (1960), dirigida e estrelada por Jean Cocteau, e da coprodução hollywoodiana “Paris, Cidade das Ilusões” (1963), estrelada por Jean Seberg. Mas eram pequenas aparições. Tudo mudou após “007 Contra a Chantagem Atômica”. No ano seguinte, ela protagonizou nada menos que quatro filmes, entre eles dois novos thrillers de espionagem, “O Homem de Marrakesh” (1966), escrito e dirigido por Jacques Deray, e “Espionagem Internacional” (1966), do mesmo diretor do filme de 007, Terence Young. A projeção lhe abriu as portas do cinema europeu, com convites para filmar em vários países do continente. Ela acabou se especializando em produções italianas, que renderam à sua filmografia comédias de sucesso como “Operação San Genaro” (1966), de Dino Risi, “Os Amores de um Demônio” (1966), de Ettore Scola, e “As Doces Senhoras” (1968), de Luigi Zampa, em que contracenou com outra Bond girl famosa, Ursula Andress, além de giallos notórios, como “O Ventre Negro da Tarântula” (1971), de Paolo Cavara, e “Mansão da Morte” (1971), de Mario Bava. Auger também contracenou com a americana Goldie Hawn em “Viagem com Anita” (1979), de Mario Monicelli, e teve uma duradoura parceria com o cineasta francês Jacques Deray, que rendeu vários filmes e telefilmes entre 1966 e 1983. Um de seus últimos papéis importantes foi no drama romântico “A Pele do Desejo” (1992), do inglês Andrew Birkin, como a mãe da protagonista vivida por Greta Scacchi.








