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O diretor Martin Scorsese levantou a possibilidade de "O Irlandês" se tornar seu último filme, durante entrevista ao jornal The Guardian."Eu não sei mais quantos filmes eu posso fazer — talvez esse seja o fim. Talvez seja o último. Então, a minha ideia durante a produção foi simplesmente finalizar o filme e saber se ele poderia passar, mesmo que fosse por um único dia, nos cinemas", comentou.O cineasta de 77 anos não falou em aposentadoria, mas pareceu preocupado com sua idade. Por isso, aceitou fazer "O Irlandês" para a Netflix, mesmo sabendo que a plataforma deixaria o filme nos cinemas por apenas uma semana - o que, confessou, foi um sacrifício."Eu sabia quais eram as condições quando fiz o filme para eles. Eu sabia que 'O Irlandês' seria visto principalmente no streaming, e não nos cinemas. Mas, naquele ponto, nós só precisávamos do financiamento, e da liberdade criativa", explicou."Minha única preocupação era que os atores estariam bem com essa condição, e que a Academia aceitaria o filme. Não por mim. Eu sei que estou no fim da minha estrada, que foi bem longa. Eu só queria que 'O Irlandês' fosse abraçado, junto com esta nova maneira de assistir filmes", acrescentou.Durante a conversa, Scorsese voltou às suas críticas aos filmes de super-heróis, que na verdade se manifestam como crítica à distribuição de filmes e à cultura do blockbuster. "Estamos em uma situação em que os grandes cinemas têm 12 telas, e 11 delas estão passando os últimos filmes de heróis. Se você gosta deles, ótimo, mas você precisa de 11 telas?", disse.Ele ainda rebateu a ideia de que esteja defendendo um cinema mais elitista. "Um filme ser comercial não significa que ele não pode ser arte. O que têm invadido os cinemas hoje em dia são produtos. Produtos são feitos para serem consumidos e jogados fora. Em contraste, olhe para 'Cantando na Chuva'. É um filme comercial, mas você pode ver muitas vezes sem se cansar".Só para lembrar: também é assim como "Vingadores: Ultimato", um dos filmes mais vistos de todos os tempos.Apesar do temor de não conseguir dar sequência à carreira, Scorsese tem um novo documentário musical e um filme dramático encaminhados. Ele e o ator Leonardo DiCaprio chegaram a considerar três projetos diferentes, antes de escolher "Killers of the Flower Moon", baseado no livro homônimo de David Grann (autor de "Z: A Cidade Perdida"). A obra, que foi lançada no Brasil com o título "Assassinos da Lua das Flores", envolve um dos crimes mais chocantes da história americana, a morte de quase todos os membros da tribo Osage, que ocorreu pouco depois da descoberta de petróleo em suas terras nos anos 1920. O caso gerou uma das primeiras grandes investigações da história do FBI, fundado em 1908.Paralelamente, o diretor prepara um documentário sobre a cena musical de Nova York nos anos 1970, que deu origem ao punk rock, à new wave, à disco music, ao rap, ao hip-hop e ao garage house, quase que de forma simultânea. Período e local são os mesmos que inspiraram Scorsese a fazer a série "Vinyl", da HBO, com Mick Jagger.

Filme|20 de dezembro de 2019

Martin Scorsese acredita que O Irlandês pode se tornar seu último filme

O diretor Martin Scorsese levantou a possibilidade de “O Irlandês” se tornar seu último filme, durante entrevista ao jornal The Guardian.

“Eu não sei mais quantos filmes eu posso fazer — talvez esse seja o fim. Talvez seja o último. Então, a minha ideia durante a produção foi simplesmente finalizar o filme e saber se ele poderia passar, mesmo que fosse por um único dia, nos cinemas”, comentou.

O cineasta de 77 anos não falou em aposentadoria, mas pareceu preocupado com sua idade. Por isso, aceitou fazer “O Irlandês” para a Netflix, mesmo sabendo que a plataforma deixaria o filme nos cinemas por apenas uma semana – o que, confessou, foi um sacrifício.

“Eu sabia quais eram as condições quando fiz o filme para eles. Eu sabia que ‘O Irlandês’ seria visto principalmente no streaming, e não nos cinemas. Mas, naquele ponto, nós só precisávamos do financiamento, e da liberdade criativa”, explicou.

“Minha única preocupação era que os atores estariam bem com essa condição, e que a Academia aceitaria o filme. Não por mim. Eu sei que estou no fim da minha estrada, que foi bem longa. Eu só queria que ‘O Irlandês’ fosse abraçado, junto com esta nova maneira de assistir filmes”, acrescentou.

Durante a conversa, Scorsese voltou às suas críticas aos filmes de super-heróis, que na verdade se manifestam como crítica à distribuição de filmes e à cultura do blockbuster. “Estamos em uma situação em que os grandes cinemas têm 12 telas, e 11 delas estão passando os últimos filmes de heróis. Se você gosta deles, ótimo, mas você precisa de 11 telas?”, disse.

Ele ainda rebateu a ideia de que esteja defendendo um cinema mais elitista. “Um filme ser comercial não significa que ele não pode ser arte. O que têm invadido os cinemas hoje em dia são produtos. Produtos são feitos para serem consumidos e jogados fora. Em contraste, olhe para ‘Cantando na Chuva’. É um filme comercial, mas você pode ver muitas vezes sem se cansar”.

Só para lembrar: também é assim como “Vingadores: Ultimato”, um dos filmes mais vistos de todos os tempos.

Apesar do temor de não conseguir dar sequência à carreira, Scorsese tem um novo documentário musical e um filme dramático encaminhados. Ele e o ator Leonardo DiCaprio chegaram a considerar três projetos diferentes, antes de escolher “Killers of the Flower Moon”, baseado no livro homônimo de David Grann (autor de “Z: A Cidade Perdida”). A obra, que foi lançada no Brasil com o título “Assassinos da Lua das Flores”, envolve um dos crimes mais chocantes da história americana, a morte de quase todos os membros da tribo Osage, que ocorreu pouco depois da descoberta de petróleo em suas terras nos anos 1920. O caso gerou uma das primeiras grandes investigações da história do FBI, fundado em 1908.

Paralelamente, o diretor prepara um documentário sobre a cena musical de Nova York nos anos 1970, que deu origem ao punk rock, à new wave, à disco music, ao rap, ao hip-hop e ao garage house, quase que de forma simultânea. Período e local são os mesmos que inspiraram Scorsese a fazer a série “Vinyl”, da HBO, com Mick Jagger.

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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