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Filme

Oscar muda regras e abre caminho para mais filmes brasileiros

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  • Etc,  Filme

    Oscar 2020 pode consagrar reacionarismo ou surpreender radicalmente

    9 de fevereiro de 2020 /

    A premiação ao Oscar 2020, que acontece neste domingo (9/2), tende a consagrar um momento de conservadorismo histórico da indústria cinematográfica americana. Mas não está descartada uma surpresa radical. Os detalhes desses resultados alternativos envolvem políticas de bastidores e as próprias regras da votação. Como não há possibilidade de prêmios fora da lista de indicados, já está registrado um grande retrocesso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, ao privilegiar majoritariamente histórias de homens brancos heterossexuais, após o esforço de diversificação da organização ter rendido um número recorde de mulheres premiadas e grande representatividade racial e sexual em 2019. Vale comparar. Na lista de concorrentes de Melhor Filme no Oscar 2019 estavam “Pantera Negra”, “Infiltrado na Klan”, “A Favorita”, “Roma”, “Nasce Uma Estrela”, “Bohemian Rhapsody”, “Vice” e “Green Book”. Apenas um desses filmes representava uma história de homem branco heterossexual: “Vice”, apropriadamente sobre um político de direita dos EUA. Neste ano, as tramas sobre brancos heterossexuais totalizam seis títulos, de um total de nove indicados ao Oscar de Melhor Filme: “Ford x Ferrari”, “O Irlandês”, “Jojo Rabbit”, “Coringa”, “1917” e “Era uma Vez em Hollywood”. Extremamente masculinos, filmes como “O Irlandês” e “1917” chegam a relegar mulheres a papéis de figuração. “1917” tem uma desculpa narrativa, já que mulheres não lutaram no front da 1ª Guerra Mundial. Mas “O Irlandês”, que projeta décadas de desenvolvimento de personagens, não tem qualquer justificativa para dar a sua principal atriz menos de uma página de diálogos. Apenas uma obra indicada ao Oscar de Melhor Filme é focada em personagens femininas: “Adoráveis Mulheres”, como deixa claro o título. E apenas uma tem personagens não brancos: “Parasita”, que é estrangeiro, realizado na Coreia do Sul. Por que o Emmmy consagra séries como “Fleabag”, “A Maravilhosa Sra. Meisel” e “Killing Eve” e o Oscar não consegue reconhecer tramas femininas? Como é possível ignorar o que o Spirit Awards, premiação do cinema independente americano, reconheceu há menos de 24 horas atrás, com a consagração de “A Despedida” (The Farewell), de Lulu Wang, como Melhor Filme do ano? Note-se: uma obra-prima com protagonistas femininas, escrito e dirigido por um mulher e com elenco inteiramente asiático. E que não recebeu uma mísera indicação ao Oscar. Para contrabalançar o fato de que prevaleceram histórias de homens, um comunicado dos organizadores buscou inverter a perspectiva ao destacar que 62 mulheres foram indicadas, compondo quase um terço dos candidatos ao Oscar deste ano. Nenhuma cineasta, porém, vai disputar o prêmio 100% masculino de Melhor Diretor. Greta Gerwig, que comandou “Adoráveis Mulheres”, conseguiu, ao menos, ser lembrada na vaga de Melhor Roteiro Adaptado. Mas vale comparar novamente: o Spirit Awards destacou três mulheres cineastas em sua premiação de Melhor Direção e ainda consagrou a (agora) cineasta Olivia Wilde como Revelação do ano, por “Fora de Série”. Por que tamanha diferença? É fácil encontrar explicação, bastando observar o momento de ruptura, em que o Oscar deixou de ser ousado. A premiação de “Moonlight”, de diretor negro, com elenco negro e temática homossexual, como Melhor Filme de 2017 deu início a uma pressão brutal da rede ABC, responsável pela transmissão da cerimônia nos EUA, por filmes mais convencionais. Com a justificativa supostamente não racista e não homofóbica de que dramas indies não têm apelo comercial para atrair audiência, o canal exigiu mudanças na premiação, desde a duração do evento até a “qualidade” dos indicados, com força econômica e contratual para forçar a Academia a se submeter. Vale lembrar que foi nesta época que a organização chegou a propor um prêmio para Filme Popular, que rendeu polêmica e acabou abortado. O Oscar 2020 se apresenta como resultado final dessa pressão. Nada mais é, portanto, que uma disputa entre filmes populares, reunindo a maior competição de blockbusters por estatuetas em décadas, quiçá de toda a História da premiação. “Coringa”, filme com maior número de indicações, fez mais de US$ 1 bilhão nas bilheterias. Outros filmes de grande orçamento, como “Ford x Ferrari” e “1917”, também passaram pelo topo das bilheterias, e “Era uma Vez em Hollywood”, que fetichiza a Hollywood de antigamente, consagrou-se como um dos maiores sucessos da carreira do diretor Quentin Tarantino. Ainda por cima, todos os indicados são produções de grandes estúdios. Não há um longa independente sequer, quando a regra do século 21 era, até “Moonlight”, o contrário. O problema do Oscar também se estende aos consensos de comadres que resultam na consagração dos mais simpáticos e bonitos e não dos melhores atores, uma vez que se trata de uma votação entre colegas. Tanto que é possível garantir as premiações dos quatro nomes que disputam os prêmios de melhores intérpretes brancos deste ano: Joaquin Phoenix, Renée Zellweger, Brad Pitt e Laura Dern. Os dois primeiros seriam favoritos, de qualquer forma. Mas o quarteto inteiro? Por coincidência, são vitórias que deixam o Oscar já pouco diversificado com um tom mais loiro. Sam Mendes é outra barbada na categoria de Melhor Direção por “1917”? Está mais para seu Diretor de Fotografia, o veterano Roger Deakins. Nem dá para cravar que “1917” já pode ser considerado vencedor, horas antes da abertura do envelope de Melhor Filme. O Oscar mudou recentemente a forma como contabiliza os votos de sua categoria principal, criando a possibilidade de o vencedor não ser aquele mais votado como Melhor, e sim aquele que mais vezes aparecer nas células de votação – citado entre os melhores. Se, por exemplo, “Era uma Vez em Hollywood” (provável) ou “Parasita” (incrível) aparecer como segundo ou terceiro filme na preferência da maioria dos eleitores, pode acumular mais pontos, caso “1917” não seja eleito por unanimidade. Vale considerar que “1917”, apesar da narrativa convencional, é ousado tecnicamente, uma maravilha visual e o melhor filme de Sam Mendes desde sua estreia com “Beleza Americana”, quando venceu o Oscar pela primeira vez, há 20 anos, enquanto “Era uma Vez em Hollywood” representa seu oposto. A narrativa é anti-convencional, mas passa longe de ser o melhor trabalho de Quentin Tarantino, além de ser marginalmente racista e repetir a reviravolta subversiva de “Bastardos Inglórios” – é quase como se Tarantino virasse um sub-Tarantino, copiando a si mesmo. Só que a indústria cinematográfica adora se congratular e este filme tem até Hollywood em seu título. Uma vitória de “Parasita”, por outro lado, representaria algo completamente diferente, por abalar conceitos estabelecidos, como, por exemplo, o fato de o Oscar ser uma premiação de filmes americanos e não um troféu internacional. A vitória do francês “O Artista” em 2012 já tinha aberto uma brecha para o mundo. Mesmo assim, tratava-se de uma produção sem idioma estrangeiro (era cinema mudo) e uma homenagem a Hollywood (mais uma). “Roma” ensaiou assustar em 2019. Mas uma vitória de “Parasita”, com atores não brancos, equipe estrangeira e em língua não inglesa, seria um grande choque. Um novo paradigma. E sabe-se lá com que consequências. E o Oscar brasileiro? “Democracia em Vertigem” deveria ser o grande azarão da premiação. A disputa contra filmes premiadíssimos – e uma produção de Barack Obama – parecia encaminhar o fato de que sua vitória se resumia à própria indicação. Mas o documentário de Petra Costa ganhou grande impulso na reta final da votação, graças ao governo Bolsonaro, que o promoveu no mundo inteiro com ataques oficiais. Considerado vilão ambiental e inimigo da classe artística, por seus ataques pessoais ao “queridinho” Leonardo DiCaprio, Bolsonaro pode ter consagrado o longa com a mais inesperada vitória (ou a segunda, na possível chance de “Parasita” vencer como Melhor Filme) do Oscar 2020. A conferir, a partir das 22h, com transmissão ao vivo pelo canal pago TNT, pelo portal G1 e pela plataforma Globoplay. Mais canais de transmissão podem ser conferidos aqui.

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  • Filme

    Oscar 2020: Saiba onde, como e quando ver a premiação deste domingo

    9 de fevereiro de 2020 /

    A cerimônia de premiação do Oscar 2020 acontece neste domingo (9/2) no palco do Dolby Theatre, em Los Angeles, na Califórnia (EUA). Como já é costume, a transmissão para o Brasil vai acontecer pelos canais Globo e TNT. Também foi preservado o hábito de a Globo menosprezar o evento e não exibir seu começo. Desta vez, porém, o telespectador do canal não perderá 15, 30 ou 40 minutos da premiação, mas cerca de 1h30. Isto porque a emissora carioca priorizou um jogo de futebol, que vai levar ao ar exatamente na hora do Oscar – uma partida do torneio Pré-Olímpico, que, até a semana passada, era exclusividade da TV paga. Para compensar o descaso cinéfilo, o canal abriu mão da exclusividade do sinal, liberando o evento ao vivo para o portal G1 e a plataforma Globoplay. Acabou sendo melhor, porque assim a transmissão será integral e com a equipe que faria o trabalho na Globo. Pelo terceiro ano consecutivo, a transmissão será comandada por Maria Beltrão com comentários do crítico Artur Xexéo e da atriz Dira Paes. O G1 começará a cobertura de acesso gratuito às 20h, com a transmissão do Tapete Vermelho, mesma hora em que a Globoplay exibirá um especial do humorístico “Fora de Hora” com o tema do Oscar. A transmissão do prêmio propriamente dito está marcada para as 22h nos dois veículos do grupo Globo. Enquanto isso, na TV Globo, o futebol segue firme até as 0h30. O Oscar entra ao vivo depois da partida – do ponto que estiver. E, após o anúncio do Melhor Filme, a cerimônia será reprisada integralmente no canal aberto. A TNT, por sua vez, começa sua cobertura às 20h30, no tapete vermelho do evento. O canal contará com Hugo Gloss e Carol Ribeiro no local, entrevistando celebridades na entrada do Dolby Theatre. Já a premiação das 22h terá apresentação de Aline Diniz e comentários de Michel Arouca. A reprise do evento está marcada para a segunda (10/2), na faixa da manhã. Esta será a primeira transmissão da TNT sem participação do veterano crítico Rubens Ewald Filho, falecido no ano passado. Em 2019, ele não foi ouvido na TV por conta da repercussão negativa de alguns comentários polêmicos proferidos no ano anterior, mesmo assim participou da cobertura oficial da emissora pela internet. Fora dos veículos televisivos oficiais do Oscar no Brasil, o destaque da programação é a famosa cobertura do tapete vermelho do canal pago E!, ao vivo, a partir das 20h. Vários youtubers também preparam programação especial com seus próprios comentários sobre Oscar, em tempo real. Por sinal, o Oscar possui um canal oficial no YouTube, com vídeos sobre premiação. Vale a pena ficar atento para algum conteúdo especial. Twitter, Facebook e Instagram também terão material especial, desenvolvido em parceria com a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, responsável pelo prêmio. O Facebook, por exemplo, programou streaming da chegada das celebridades. Mas o Instagram é que deve concentrar o material mais interessante, como fotos dos bastidores. Nos EUA, a transmissão oficial é da rede ABC, e não adianta usar VPN para tentar acompanhar pelo site oficial da emissora na internet, porque o acesso é via login de provedor americano de TV. Já a PlutoTV, que traz a cobertura do canal ET, aceita VPN. Para completar, ainda há o streaming da Ustvgo, liberado a todos. Mas com o G1 jogando a íntegra do Oscar na internet, qualquer outra alternativa se torna pura redundância.

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  • Etc,  Filme

    Adam Sandler zoa o Oscar ao vencer o Spirit Awards em discurso aplaudidíssimo

    9 de fevereiro de 2020 /

    Premiado como Melhor Ator no Film Independent Spirit Awards 2020, Adam Sandler teve a vitória mais aplaudida da cerimônia, que aconteceu na noite de sábado (8/2) em Santa Mônica, na Califórnia. Ele também arrancou muitas gargalhadas ao contar piadas durante seu discurso de agradecimento pelo troféu por “Jóias Brutas”, aproveitando para manifestar seu “desprezo” pelos eleitores da Academia, que deixaram seu nome de fora da disputa do Oscar. Conforme o comediante engatou uma voz rouca e empostada de discurso, o público não parou de rir um segundo sequer. “Algumas semanas atrás, quando eu fui, entre aspas, “desprezado pela Academia”, me lembrei de quando eu cursava o ensino médio e fui excluído da cobiçada categoria superlativa de Mais Bonito no anuário escolar”, disse Sandler. “Essa honra coube a um babaca que vestia jaqueta jeans e penas no cabelo chamado Skipper Jenkins.” “Mas meus colegas de classe acabaram me homenageando com a designação supostamente menos prestigiosa de Melhor Personalidade”, continuou o ator premiado. “E hoje à noite, ao olhar em volta desta sala, percebo que o Independent Spirit Awards é o melhor prêmio de personalidade de Hollywood.” “Que todos aqueles filhos da mãe babacas de penas no cabelo ganhem o Oscar amanhã à noite. A boa aparência deles desaparecerá com o tempo, enquanto nossas personalidades independentes brilharão para sempre!”, Sandler completou, aplaudido pela multidão de colegas. Ele ainda brincou sobre como suas comédias sempre foram filmes indies de temáticas sociais. “Billy Madison, um Herdeiro Bobalhão”? “Uma abordagem destemida do sistema educacional americano sob a visão de um sociopata privilegiado chamado Billy f**ing Madison… “O Rei da Água”? “Minha exploração abrasadora do pebolim nas faculdades americanas e a manipulação de atletas socialmente incapazes como o Sr. Bobby Boucher”. “Sempre tentei vender minhas verdades com um espírito verdadeiramente independente e, ao mesmo tempo, recebi alguns cheques de pagamento realmente perturbadores. ” Veja abaixo a íntegra do discurso, em inglês sem legendas. E confira aqui a lista completa dos vencedores da premiação, considerada o “Oscar do cinema independente americano”.

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    Spirit Awards 2020: A Despedida e Adam Sandler vencem o “Oscar do cinema independente”

    9 de fevereiro de 2020 /

    O Film Independent Spirit Awards, premiação anual mais badalada do cinema independente americano, entregou suas estatuetas aos melhores filmes e artistas de 2020 na noite deste sábado (8/2). E o resultado, evidenciado pela vitória de “A Despedida” (The Farewell) e o reconhecimento aos talentos responsáveis por “Jóias Brutas” (Uncut Gems), demonstra o quanto a produção autoral indie se distanciou da indústria cinematográfica mais tradicional, representada pelo Oscar. Em franco contraste com as polêmicas enfrentadas pelo Oscar em 2020, o Spirit Awards consagrou uma história feminina, dirigida por uma mulher, como Melhor Filme do ano. E reconheceu que atores não precisam ser exclusivamente brancos para merecer troféus – todas as cinco indicadas na categoria de Melhor Atriz eram mulheres “de cor”. Os poucos quilômetros que separam a praia de Santa Mônica, onde aconteceu a cerimônia do Spirit, e o Dolby Theatre, em Los Angeles, onde o Oscar será entregue em poucas horas, nunca pareceram tão distantes, na forma de festejar o que representa qualidade no cinema atual. Para dar noção do quão distantes, basta apontar que apenas três filmes americanos de ficção, “História de um Casamento”, “O Farol” e “Judy”, fazem intersecção entre os indicados das duas premiações. Ao optar por superproduções milionárias de estúdios tradicionais, o Oscar virou as costas para a criatividade indie, que a Academia costumava premiar até a fatídica noite de 2017 em que “Moonlight”, drama sobre um negro gay, venceu a estatueta de Melhor Filme e escandalizou os conservadores. As consequências dessa ruptura são claras. Os principais dramas adultos dos EUA, que geralmente ganhavam estreias nacionais nas semanas que antecediam o Oscar, não tiveram lançamento no Brasil em 2020. Pior: nem sequer têm previsão de chegar ao circuito nacional. Da lista de vencedores do Spirit Awards, o público brasileiro só conhece o que saiu pela Netflix, “Jóias Brutas” e “História de um Casamento”, a dupla que foi indicada ao Oscar, “Judy” e “O Farol”, e a comédia “Fora de Série”, que rendeu à atriz transformada em diretora Olivia Wilde o Spirit de Melhor Estreia indie. A grande consagração de “A Despedida”, na verdade, repara uma injustiça brutal do Oscar contra o filme de Lulu Wang, inédito no Brasil. Podendo indicar até 10 longas na disputa de Melhor Filme, a Academia nomeou apenas 9. E deixou de fora essa verdadeira obra-prima, que tem 98% de aprovação no Rotten Tomatoes. Além de Melhor Filme, o reconhecimento de “A Despedida” estendeu-se a Zhao Shuzhen, uma estrela veterana de novelas da China, como Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel de Nai Nai – a vovó doente que movimenta a trama. Ela não pôde comparecer à cerimônia, devido ao surto de coronavírus em seu país. O longa mais premiado, porém, foi “Jóias Brutas”, com três troféus: de Melhor Direção, conquistado pelos irmãos Benny Safdie & Josh Safdie, Melhor Edição e Melhor Ator para Adam Sandler. Sinal de apreciação do desempenho, o anúncio da vitória de Sandler rendeu aplausos demorados, mas, apesar dessa sonora unanimidade, a performance elogiadíssima do ator também acabou subestimada pelo Oscar. A premiação de intérpretes serviu inclusive como antítese do consenso de comadres, que se estende do SAG Awards ao Oscar, por romper com a previsibilidade no anúncio dos vencedores. Se Rennée Zellewegger, Melhor Atriz por “Judy”, manteve sua condição de barbada, os demais premiados nem sequer disputam o Oscar. Além de Sandler e Shuzhen, também é o caso de Willem Dafoe, Melhor Ator Coadjuvante por “O Farol”. “O Farol” ainda venceu o prêmio de Melhor Fotografia, para Jarin Blaschke, que é a categoria solitária que disputa no Oscar. Já o outro candidato americano da Academia consagrado pelo Spirit Awards, “História de um Casamento”, conquistou a estatueta de Roteiro para o cineasta Noah Baumbach e o troféu Robert Altman, que homenageia a melhor combinação de diretor e elenco. Para completar, na disputa de Melhor Filme Internacional, “O Parasita” confirmou sua condição de principal obra do ano, superando, entre outros, o brasileiro “Uma Vida Invisível” para aumentar a sua já vasta coleção de troféus. Confira abaixo a lista completa dos premiados. Melhor Filme – A Despedida (The Farewell) A Hidden Life Clemency História de Um Casamento Jóias Brutas Melhor Direção – Benny Safdie & Josh Safdie, por Jóias Brutas Robert Eggers, por O Farol Alma Har’el, por Honey Boy Lulius Onah, por Luce Lorene Scafaria, por As Golpistas Melhor Filme de Estreia – Fora de Série, de Olivia Wilde The Climb, de Michael Angelo Corvino A Vida de Diane, de Kent Jones The Last Black Man in San Francisco, de Joe Talbot Laure de Clermont-Tonnere, de The Mustang A Gente se Vê Ontem, de Stefon Bristol Melhor Atriz – Renée Zellweger, por Judy Karen Allen, por Colewell Hong Chau, por Driveways Elisabeth Moss, por Her Smell Mary Kay Place, por A Vida de Diane Alfre Woodard, por Clemency Melhor Ator – Adam Sandler, por Jóias Brutas Chris Galust, por Give Me Liberty Kelvin Harrison Jr., por Luce Robert Pattinson, por O Farol Matthias Schoenaerts, por The Mustang Melhor Atriz Coadjuvante – Zhao Shuzhen, por A Despedida Jennifer Lopez, por As Golpistas Taylor Russell, por Waves Lauren “Lolo” Spencer, por Give Me Liberty Octavia Spencer, por Luce Melhor Ator Coadjuvante – Willem Dafoe, por O Farol Noah Jupe, por Honey Boy Shia LaBeouf, por Honey Boy Jonathan Majors, por The Last Black Man in San Francisco Wendell Pierce, por Burning Cane Melhor Roteiro – Noah Baumbach, por História de um Casamento Jason Begue & Shawn Snyder, por Ao Pó Voltará Ronald Bronstein, Benny Safdie & Josh Safdie, por Uncut Gems Chinonye Chukwu, por Clemency Tarrell Alvin McCraney, por High Flying Bird Melhor Roteiro de Estreia – Fredrica Bailey & Stefon Bristol, por A Gente Se Vê Ontem Hannah Bos & Paul Thureen, por Driveways Bridget Savage Cole & Danielle Krudy, por Blow the Man Down Jocelyn Deboer & Dawn Luebbe, por Greener Grass James Montague & Craig W. Sanger, por The Vast of Night Melhor Filme Internacional – Parasita (Coreia do Sul) A Vida Invisível (Brasil) Os Miseráveis (França) Retrato de uma Jovem em Chamas (França) Retablo (Peru) The Souvenir (Reino Unido) Melhor Documentário – Indústria Americana Apollo 11 For Sama Honeyland Island of the Hungry Ghosts Melhor Fotografia – Jarin Blaschke, por O Farol Todd Banhazi, por As Golpistas Natasha Braier, por Honey Boy Chanarun Chotrungroi, por The Third Wife Pawel Pogorzelski, por Midsommar: O Mal Não Espera a Noite Melhor Edição – Ronald Bronstein & Benny Safdie, por Jóias Brutas Julie Béziau, por The Third Wife Tyler L. Cook, por Sword of Trust Louise Ford, por O Farol Kirill Mikhanovsky, por Give me Liberty John Cassavetes Award (para filmes feitos por menos de US$ 500 mil) – Give Me Liberty Burning Cane Colewell Premature Loucas Noites com Emily Melhor Cineasta Revelação – Ernesto Green, por Premature Ash Mayfair, por The Third Wife Joe Talbot, por The Last Black Man in San Francisco Melhor Produtor Revelação – Mollye Asher Krista Parris Ryan Zacarias Truer Than Fiction Award (revelação em documentário) – Nadia Shihab, por Jaddoland Khalik Allah, por Black Mother Davy Rothbart, por 17 Blocks Erick Stroll & Chase Whiteside, por América Bonnie Award (para cineastas mulheres) – Kelly Reichardt Marielle Heller Lulu Wang Robert Altman Award (Melhor combo de elenco e direção) – História de um Casamento

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    Framboesa de Ouro: Cats lidera indicações ao troféu dos piores do cinema

    8 de fevereiro de 2020 /

    A organização responsável pelo troféu Framboesa de Ouro, também conhecido como Razzies (diminutivo de raspberries/framboesas), divulgou a lista dos indicados a seu tradicional prêmio anual de piores do cinema. A seleção de ruindade de 2020 destaca entre os favoritos o musical “Cats”, que recebeu nove indicações e ainda emplacou quatro integrantes de seu elenco na lista da pramiação. Mas a disputa é acirrada com “Um Funeral em Família”, de Tyler Perry, e “Rambo: Até o Fim”, estrelado por Sylvester Stallone, que concorrem a oito troféus. “Cats”, “Funeral” e “Rambo” ainda competem pela consagração como Pior Filme do ano com o suspense “The Fanatic”, estrelado por John Travolta, e o terror “A Assombração de Sharon Tate”, variação trash de “Era uma Vez em Hollywood”, que traz Hilary Duff no papel interpretado por Margot Robbie no longa de Tarantino. Entre as desonras individuais, o destaque é Tyler Perry, que obteve cinco indicações por “Um Funeral em Família”, duas vezes como ator, uma como atriz, outra como roteirista e ainda outra (que cita seu nome três vezes) como “combo”, por contracenar consigo mesmo. Criado em 1980, o Framboesa de Ouro serve como antítese da cerimônia do Oscar, apontando que a indústria cinematográfica não produz só “obras de arte”. Recentemente, o prêmio também passou a reconhecer o esforço de atores que venceram o troféu e surpreenderam com demonstração de talento em filmes posteriores, de qualidade reconhecida. Em 2020, o favorito ao troféu Redenção é Adam Sandler, um vencedor contumaz do Framboesa de Ouro, que impressionou a crítica com seu desempenho em “Jóias Brutas”, tão bom que muitos gostariam de tê-lo visto reconhecido pelo Oscar. Eddie Murphy (por “Meu Nome É Dolemite”), Jennifer Lopez (“As Golpistas”), Will Smith (“Aladdin”) e até Keanu Reeves (“John Wick 3” e “Toy Story 4”) são seus concorrentes no único troféu positivo do evento, que este ano ainda não tem data determinada para ser entregue. A cerimônia dos Razzies normalmente acontece na noite anterior ao Oscar, mas devido à antecipação da data do 92º prêmio da Academia, os detalhes da entrega do Troféu Framboesa de Ouro de 2020 ainda não foram definidos. Veja a lista de indicados: Pior Filme “Cats” “A Assombração de Sharon Tate” “The Fanatic” “Um Funeral em Família” “Rambo: Até o Fim” Pior Ator James Franco – “Zeroville” David Harbour – “Hellboy” Matthew McConaughey – “Serenity” Sylvester Stallone – “Rambo: Até o Fim” John Travolta – “The Fanatic” e “Trading Paint” Pior Atriz Hilary Duff – “A Assombração de Sharon Tate” Anne Hathaway – “As Trapaceiras” e “Serenity” Francesca Hayward – “Cats” Tyler Perry – “Um Funeral em Família”, como Madea Rebel Wilson – “As Trapaceiras” Pior Atriz Coadjuvante Jessica Chastain – “X-Men: Fênix negra” Cassi Davis – “Um Funeral em Família” Judi Dench – “Cats” Fenessa Pineda – “Rambo: Até o Fim” Rebel Wilson – “Cats” Pior Ator Coadjuvante James Corden – “Cats” Tyler Perry – “Um Funeral em Família”, como Joe Tyler Perry – “Um Funeral em Família”, como rio Heathrow Seth Rogan – “Zeroville” Bruce Willis – “Vidro” Pior Direção Fred Durst – “The Fanatic” James Franco – “Zeroville” Adrian Grunberg – “Rambo: Até o Fim” Tom Hooper – “Cats” Neil Marshall – “Hellboy” Pior Roteiro “Cats” – Lee Hall e Tom Hooper “A Assombração de Sharon Tate” – Danial Farrands “Hellboy” – Andrew Cosby “Um Funeral em Família” – Tyler Perry “Rambo: Até o Fim” – Matthew Cirulnick e Sylvester Stallone Pior Combo Quaisquer par meio felino/meio humano de “Cats” Jason Derulo e seu “membro” esterilizado por computação, em “Cats” Tyler Perry e Tyler Perry (ou Tyler Perry) em qualquer cena de “Um Funeral em Família” Sylvester Stallone e sua raiva impotente em “Rambo: Até o Fim” John Travolta e qualquer roteiro que ele aceite Pior Remake ou Sequência “X-Men: Fênix Negra” “Godzilla II – Rei dos Monstros” “Hellboy” “Um Funeral em Família” “Rambo: Até o Fim” Pior Desrespeito à Propriedades e Vidas Humanas “Dragged Across Concrete” “A Assombração de Sharon Tate” “Hellboy” “Coringa” “Rambo: Até o Fim” Prêmio de Redenção Eddie Murphy – “Meu nome é Dolemite” Keanu Reeves – “John Wick 3” e “Toy Story 4” Adam Sandler – “Joias Brutas” Jennifer Lopez – “As Golpistas” Will Smith – “Aladdin”

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    1917 é um primor de técnica cinematográfica e destruição avassaladora

    8 de fevereiro de 2020 /

    Guerras não devem ser glorificadas ou romantizadas. Guerras geram apenas destruição. Destruição de arquiteturas, de fauna e de flora. Destruição de famílias, de amores e de amizades. Destruição de corpos e de vidas. É o que mostra o filme “1917”, dirigido por Sam Mendes (“007 Contra Spectre”) e mais forte candidato ao Oscar deste ano. Escrita pelo próprio cineasta em parceria com Krysty Wilson-Cairns (da série “Penny Dreadful”), a trama acompanha dois soldados britânicos que precisam ultrapassar as linhas inimigas no front francês da 1º Guerra Mundial. Sua missão é levar uma mensagem a um batalhão prestes a adentrar numa armadilha, do qual faz parte o irmão de um deles. A jornada tortuosa é repleta de armadilhas, dificuldades e perigos. E o diretor sabe explorá-los muito bem. Mendes opta por rodar todo o filme em um (falso) plano-sequência, recurso similar àquele utilizado por Alejandro G. Iñárritu em “Birdman” (2014). Porém, enquanto naquele caso a história era condensada em poucos ambientes, aqui vemos a enorme extensão do conflito enquanto os protagonistas atravessam trincheiras, túneis, campos abertos, cidades destruídas e muito mais. Conduzindo a movimentação dos atores com a precisão de um maestro, Mendes é criativo na maneira como ele contorna algumas das limitações causadas pela sua escolha. É notável, por exemplo, como opta por fazer os personagens mudarem suas posições em cena, devido à impossibilidade de filmar um diálogo em plano e contra plano. Mas sua escolha vai além de um preciosismo estético. Ao filmar toda a ação quase sem cortes, ele obriga o espectador a acompanhar cada passo da jornada dos protagonistas. No cinema clássico, cenas de duas pessoas caminhando tomariam pouco ou nenhum tempo de tela, mas em “1917” são o principal recurso da narrativa. Isto coloca o espectador lá, junto dos personagens, sentindo suas dificuldades de perto, uma vez que não há atalhos para a segurança dos cortes cinematográficos. E devido a esta proximidade com os personagens, acabamos conhecendo-os melhor. Enquanto Blake (Dean-Charles Chapman) é visto como um jovem ainda iludido com a noção romântica de heroísmo, Schofield (George MacKay, excelente) tem uma visão mais pragmática da guerra. Blake deseja entregar a mensagem para salvar o batalhão (e seu irmão). Schofield é movido pela possibilidade/necessidade de impedir mais destruição. Apesar da sua motivação altruísta, Schofield não é um herói convencional, pois “1917” não é uma obra convencional sobre heroísmo. Durante toda a jornada, os soldados só se deparam com cenários de destruição. Casas destruídas, árvores cortadas, pontes derrubadas, animais abatidos, etc. A morte cerca-os a cada passo. Até mesmo quando o longa esboça a ideia de enxergar a beleza naquelas imagens – como quando vemos pétalas de flores boiando num rio – , esta visão é logo substituída por uma cena de destruição – e corpos putrefatos substituem as flores na água. Tal proximidade entre beleza e destruição também é representada visualmente na ótima direção de fotografia de Roger Deakins (que já havia trabalhado com Mendes em “007: Operação Skyfall”). Investindo em tons amarelados e sépia, associando o filme aos registros da época representada, o veterano cinematógrafo faz as sombras dançarem, simbolizando a escuridão e a desesperança que tomou conta daquele ambiente. Aliás, tal desesperança é igualmente notável na conduta dos demais personagens. “Só há um jeito desta guerra acabar. Quando só sobrar um homem de pé”, diz um oficial interpretado por Benedict Cumberbatch em determinando momento, reforçando o tom de desilusão. Afinal, o ato dos protagonistas até pode surtir um efeito imediato, mas não permanente. Mesmo que consigam cumprir sua missão e salvar vidas, o próprio nome do filme, “1917”, sugere que o conflito, que durou até 1918, ainda guarda muita destruição pela frente.

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    Um Lindo Dia na Vizinhança vale por uma sessão de psicanálise

    8 de fevereiro de 2020 /

    Há filmes que, por uma razão ou outra, têm o poder de encontrar uma brecha e levar o espectador por caminhos emocionais que jamais imaginava seguir. É o caso de “Um Lindo Dia na Vizinhança”, de Marielle Heller, que foca Fred Rogers, lendário apresentador de um programa infantil americano que já foi objeto do ótimo documentário “Won’t You Be my Neighbor?” e que neste filme é interpretado por Tom Hanks, especialista na representação humana da bondade e da honestidade. Não há nenhum problema nisso, nessa escolha, e a interpretação de Hanks não é o que podemos chamar de uma imitação de Rogers. Mas a voz suave está lá. Tão suave e tão acolhedora que fala fundo a quem se permitir. Embora o filme seja capaz de ganhar o público desde o começo, com a proposta de emular o programa de Mr. Rogers, com a apresentação do próprio em tela quadrada, com um visual de VHS e com cenários antiquados (que foram usados pelo apresentador desde o fim dos anos 1960 até o início do novo milênio), e até a história do personagem principal, o jornalista Lloyd Vogel (Mathew Rhys), ser interessante e tocante, é na verdade um momento, em particular, que dispara a emoção e envolve a ponto de fazer chorar quase convulsivamente. (Quem ainda não viu o filme, não deve continuar lendo – aviso de spoiler) Trata-se do momento em que Mr. Rogers e Lloyd estão em um café. O jornalista já havia tirado sua carapaça mais cínica em relação a Rogers e já era considerado, diante de seu entrevistado, pertencente ao grupo das “broken people”, depois do que acabara de acontecer com seu pai e de seu longo período de mágoa. Mr. Rogers pede para que ele faça um pequeno exercício: dedique um minuto de silêncio para pensar em todas as pessoas que o amaram, que foram responsáveis por moldar seu caráter e sua personalidade. Como que por um passe de mágica, todos no café também ficam calados e reflexivos. As lágrimas vêm. E aquele exercício pedido por Mr. Rogers é também um exercício que pode ser feito pelo espectador. Não se trata, portanto, de apenas se solidarizar com o personagem, mas de se fundir a ele, de certa forma. E o resultado faz com que tudo o mais se torne pequeno, como se o amor recebido e o amor dado virem o que há de mais importante em nossas vidas e um imenso sentimento de gratidão, de compreensão da vida e de amor nos abraçasse. Claro que para chegar neste momento intenso, que acontece após uma hora de drama, é preciso acompanhar a trajetória do protagonista e também um pouco de seu encontro com esse homem tão especial, que é vegetariano, que faz orações diárias para pessoas com quem se importa, e que pede a pessoas que estão “mais próximas de Deus” que orem por ele. Isso, aliás, pode ser visto em uma determinada cena do filme, mas também podemos ler no artigo publicado na revista Esquire pelo jornalista – a entrevista apresentada no filme aconteceu de verdade. “Um Lindo Dia na Vizinhança” pode ser visto como uma obra sobre perdão – curiosamente, o filme anterior de Marielle Heller se chamava “Poderia Me Perdoar?” -, mas também mais do que isso, até mesmo ser uma obra capaz de resgatar a nossa esperança na humanidade, a fé em coisas que são possíveis de se fazer sem que machuquemos o outro ou a nós mesmos. A cena final que mostra Mr. Rogers ao piano demonstra o quanto ele se esforça para fazer isso, o quanto é também um ser imperfeito e necessitado de uma força imensa que, entretanto, parece possuir naturalmente. Claro que tudo isso pode ser deixado de lado para se considerar que o filme é uma grande bobagem sentimental, uma sucessão de clichês batidos de melodramas, filtrar tudo de maneira mais crítica. Afinal, há realmente um limite para o que se aceita ou não dentro de um drama que se utiliza de recursos emocionais mais intensos, e isso varia muito de pessoa para pessoa. Assim, a grande realização deste filme, que procura se moldar aos ensinamentos, sabedoria popular e até estilo à moda antiga de Mr. Rogers, é tirar o público da carapaça dura de autoproteção que deixa todos mais cínicos e distantes de quem foram um dia na infância, como se o cinema se transformasse em um consultório de psicanálise e confrontasse o espectador com seu lado mais fragilizado para torná-lo mais forte.

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    Adoráveis Mulheres rejuvenesce história clássica do século 19 com tom feminista

    8 de fevereiro de 2020 /

    A atriz, roteirista e diretora Greta Gerwig, que se projetou atrás das câmeras com “Lady Bird” (2017) há dois Oscars atrás, retorna à temporada de premiações com “Adoráveis Mulheres”. Diferente de seu primeiro voo solo, o novo longa da ainda jovem cineasta segue um estilo mais clássico-narrativo, talvez para se adequar melhor à adaptação do romance homônimo do século 19, embora uma coisa não tenha exatamente a ver com a outra. Mas é importante dizer que há, dentro desse registro mais tradicional, umas pequenas transgressões, brincadeiras com uso de metalinguagem, com a inteligente fusão da personagem Jo (Saoirse Ronan, como sempre ótima) com a autora do romance original, Louisa May Alcott. A adaptação não é perfeita, mas há tanta delicadeza e a personagem de Saoirse é tão querida, que se torna fácil amar a obra de Greta, por mais que a personagem de Emma Watson, Meg, não seja tão bem aproveitada. Quem também se destaca dentre as quatro irmãs é Florence Pugh, como Amy, a mais impulsiva da família e a principal rival de Jo, inclusive nas questões amorosas – ela ama o garoto que é apaixonado por Jo, Laurie (Timothée Chalamet). Para completar o quarteto de irmãs, temos a mais jovem Beth (Eliza Scanlen), que é responsável por uma das cenas mais emocionantes do filme. As quatro têm inclinações artísticas: Jo é escritora, apesar da dificuldade do mercado literário em aceitar obras de mulheres, Meg pensa em ser atriz, Amy é pintora e Beth é apaixonada por música. Jo também é a mais rebelde, até feminista. Não aceita o fato de, na época da Guerra Civil americana, a mulher teria apenas duas opções para evitar a pobreza: casar com alguém com dinheiro ou montar um bordel. Isso quem ensina é a tia March, vivida por Meryl Streep, que é solteira, mas afirma ser uma exceção por ser rica. A rebeldia de Jo e sua rejeição ao garoto rico Laurie, que ela considera apenas como um bom amigo, são os elementos que carregam as emoções do filme. Enquanto Meg, por ser o extremo oposto de Jo, aceita casar com um professor pobre e deixa de lado as pretensões de ser atriz para abraçar uma vida de família e filhos. Há também a presença de outro pretendente, vivido por Louis Garrel, mas seu personagem é pequeno e parece feito apenas para cobrir uma lacuna. Uma das características da adaptação de Greta Gerwig, diferente das versões anteriores, de George Cukor (1933), Mervyn LeRoy (1949) e Gillian Armstrong (1994), está na utilização de duas linhas temporais paralelas, numa montagem que apresenta dois momentos distintos das vidas das personagens. Às vezes, inclusive, é possível se confundir se o que estamos vendo faz parte do passado ou do presente das jovens. Esta é a principal novidade em relação às demais abordagens do livro de Alcott. Gerwig fecha seu filme com brilhantismo, ao brincar com os clichês de comédias românticas e do que se espera do destino das personagens femininas – morrer ou casar, como diz o editor vivido por Tracy Letts – e a rebeldia de Jo e sua vontade de se entregar à carreira de escritora acima de tudo. “Adoráveis Mulheres” foi indicado aos Oscar de Melhor Filme, Atriz (Ronan), Atriz Coadjuvante (Pugh), Roteiro Adaptado (Gerwig), Figurino e Trilha Sonora Original.

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    Açúcar é assombrado pelo conflito entre casa grande e senzala

    8 de fevereiro de 2020 /

    “Açúcar”, produção pernambucana dirigida por Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira (a diretora e o roteirista de “Amor, Plástico e Barulho”) vale-se do realismo fantástico para abordar o ancestral conflito entre a casa grande e a senzala. Por meio da personagem Maria Bethânia, vivida por Maeve Jinkings (“Boi Neon”) em grande atuação, um antigo e abandonado engenho de açúcar da família Wanderley volta à cena. Herdeira da família, ela resolve retomar a velha e decadente casa grande, que ainda traz sinais do luxo e opulência do passado. Mas a situação agora é outra: parte das terras pertence aos antigos empregados que lá desenvolveram um centro popular de arte e resistência. E lá estão também as marcas indeléveis da escravidão, as opressões não reparadas, a reivindicação da terra, as contas a pagar, a necessidade de vingança, enfim, a luta de classes. Dos dois lados, como se diz, é preciso conhecer o inimigo. O clima é permanentemente tenso. O presente, o passado e o futuro estão sob ameaça. O fantástico aparece não só pela presença de criaturas e rituais estranhos, mas também pela entrada e saída de cena de um barco a vela, que “navega” entre as plantações, sem água. O contemporâneo e o ancestral, o moderno e o arcaico, convivem e se trombam num país predominantemente negro, que tinge os cabelos de louro, como a própria protagonista. Um país que não se reconhece, nega a própria história e identidade, está à beira do rompimento, da explosão. A impossível volta às origens pretendida por Bethânia e a necessidade de encarar a imensa desigualdade histórica e atual do país colocam uma espécie de dilema insolúvel para cada um e para todos, num momento extremamente difícil, que o filme, feito em 2017, não chegou a captar por inteiro, mas intuiu, de alguma forma.

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    Vanessa Kirby revela que vai voltar à franquia Missão: Impossível

    8 de fevereiro de 2020 /

    A atriz Vanessa Kirby revelou que vai voltar ao papel de Alanna Mitsopolis/Viúva Branca na franquia “Missão: Impossível”. A personagem apareceu pela primeira vez no último filme, “Efeito Fallout”, de 2018. “Eu acabei de rodar um filme (‘Pieces of a Woman’) sobre um casal que perde um filho, com Shia LeBeouf, que agora é um dos meus melhores amigos. Foi muito intenso e sombrio, então começar a treinar para ‘Missão Impossível’ vai liberar tudo rapidamente”, disse a atriz para a versão britânica da Glamour, deixando escapar sua participação. O cineasta Christopher McQuarrie vai escrever e dirigir não um, mas dois novos filmes da franquia de ação da Paramount, que serão filmados consecutivamente para chegar aos cinemas com um ano de diferença. O sétimo filme da saga tem estreia programa para julho de 2021, enquanto o oitavo chega em agosto de 2022. As continuações também voltarão a contar com Tom Cruise, intérprete de Ethan Hunt, protagonista da franquia, além de Rebecca Ferguson e Simon Pegg, respectivamente como Ilsa Faust e Benji Dunn. Outro retorno confirmado é o de Henry Czerny (mais conhecido pelo papel de vilão da série “Revenge”), que viveu Eugene Kittridge, diretor da Força Missão: Impossível (IMF, na sigla em inglês) no primeiro longa, de 1996. Já as novidades incluem Nicholas Hoult (“X-Men: Fênix Negra”), Hayley Atwell (“Agent Carter”), Shea Whigham (também de “Agent Carter”) e Pom Klementieff (“Guardiões da Galáxia”).

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    Maggie Gyllenhaal será mãe de Elvis Presley na cinebiografia do cantor

    8 de fevereiro de 2020 /

    A atriz Maggie Gyllenhaal vai viver Gladys Presley, mãe de Elvis Presley, na cinebiografia do cantor que será dirigida por Baz Luhrmann (“O Grande Gatsby”). Interesse romântico de Batman em “Cavaleiro das Trevas”, Maggie também é irmã do ator Jake Gyllenhaal (“Homem-Aranha: Longe de Casa”) e estrela da série “The Deuce”, da HBO. Durante a carreira, Elvis falou diversas vezes sobre sua devoção à mãe, que caracterizava como “sua garota nº 1”. Quando o filho começou a passar mais tempo longe de casa para fazer turnês, gravar discos e filmes, Gladys enfrentou períodos de depressão. O elenco do filme destaca ainda Austin Butler (o Tex de “Era uma Vez em Hollywood”) como Elvis, Olivia DeJonge (a Ellie da série “The Society”) no papel de Priscilla e Tom Hanks como o empresário do cantor, Coronel Tom Parker. Além de dirigir, Luhrmann assina o roteiro do longa com Craig Pearce, seu parceiro em “O Grande Gatsby” e “Moulin Rouge”. Outra parceria dos dois filmes, Catherine Martin, servirá como designer de produção e figurinista. Ainda sem título, o filme tem previsão de estreia para outubro de 2021.

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    Roteirista da série Loki vai reescrever Doutor Estranho 2

    7 de fevereiro de 2020 /

    A Marvel resolveu recomeçar do zero a produção do próximo filme do Doutor Estranho. De acordo com o site da revista The Hollywood Reporter, o roteirista Michael Waldron, da animação “Rick e Morty”, foi escolhido para reescrever “Doctor Strange in the Multiverse of Madness” (Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura). Waldron concebeu o piloto da vindoura série “Loki”. E vale lembrar que Kevin Feige, chefão da Marvel Studios, disse em novembro passado que essa série teria ligação com o novo longa do “Doutor Estranho” A contratação reforça teorias sobre o significado do título do filme. Como a existência de Loki resulta de uma anomalia temporal, criada em “Vingadores: Ultimato”, faz sentido que sua presença perturbe a continuidade do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel) e precise ser enfrentada por um especialista no multiverso. Quem melhor do que aquele que viu 14,000,605 versões do futuro para descobrir como derrotar Thanos? Além de Michael Waldron, o cineasta Sam Raimi, que realizou a primeira trilogia do Homem-Aranha nos cinemas, negocia com a Marvel assumir a direção do filme, em substituição a Scott Derrickson, afastado por “diferenças criativas”. Além de dirigir, Derrickson assinou o roteiro do primeiro “Doutor Estranho” com C. Robert Cargill, seu parceiro na franquia de terror “A Entidade”, e Jon Spaihts (“A Múmia”). Até a saída de Derrickson, a iniciante Jade Halley Bartlett era a encarregada da história da continuação. Ela escreveu um dos rascunhos de “Os Órfãos”, terror recém-lançado que está sendo considerado um piores exemplares do gênero nos últimos anos. A inclusão de um novo diretor e um novo roteirista aponta uma reformulação bastante ampla na produção da Marvel. Entretanto, o prazo para isso é bastante escasso. O cronograma de produção prevê o início das filmagens para maio e o lançamento exatamente um ano depois, em maio de 2021. A data se encaixa num dominó de estreias, que inclui ainda a série “WandaVision”, em dezembro, e “Loki” no começo de 2021. Por sinal, a personagem Wanda, a Feiticeira Escarlate, está confirmada no filme do Doutor Estranho. O primeiro “Doutor Estranho” foi um sucesso comercial e de crítica quando estreou em 2016, arrecadando quase US$ 680 milhões nas bilheterias mundiais.

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    O Homem Invisível: Trailer transforma monstro clássico do cinema em machista aterrador

    7 de fevereiro de 2020 /

    A Universal divulgou novos pôster e trailer de “O Homem Invisível”, que apresenta a premissa criativa, mas também revela demais, inclusive alguns “sustos” que deveriam ser guardados para o cinema. No novo filme, a história do monstro imaginado pelo escritor H.G. Wells, que rendeu o clássico de 1933 da própria Universal, é transformada numa metáfora de relacionamento tóxico, em que um macho controlador se torna invisível para aterrorizar a ex-mulher, que todos consideram louca por denunciar a verdade. A adaptação foi feita pelo diretor-roteirista Leigh Whannell, que criou as franquias “Jogos Mortais” e “Supernatural”, e destaca no elenco Oliver Jackson-Cohen (da série “A Maldição da Residência Hill”) como o personagem-título e Elisabeth Moss (de “The Handmaid’s Tale”) como sua vítima – e verdadeira protagonista da trama. O resto do elenco inclui Aldis Hodge (“Straight Outta Compton”), Storm Reid (“Euphoria”), Harriet Dyer (“The InBetween”) e Benedict Hardie (“Secret City”). A estreia está marcada para 27 de fevereiro no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.

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