Spell: Terror com astro da série Power ganha trailer
A Paramount divulgou o pôster e o trailer de “Spell”, terror estrelado por Omari Hardwick, protagonista da série “Power”. A trama acompanha o personagem de Hardwick, que sofre um acidente de avião com sua família, enquanto voa para o funeral de seu pai na zona rural dos EUA. Ele acorda ferido, sozinho e preso no sótão de uma senhora idosa, que afirma que pode cuidar dele com o Boogity, uma figura Hoodoo que ela fez de seu sangue e pele. Mas a magia negra poderosa também é capaz de quebrar seu corpo e impedi-lo de salvar sua família de um ritual sinistro, que os moradores da região pretendem realizar na mudança de lua. O filme foi escrito por Kurt Wimmer (“Vingador do Futuro”), dirigido por Mark Tonderai (“Locke & Key”) e seu elenco também inclui Loretta Devine (“Grey’s Anatomy”), John Beasley (“Everwood”) e Lorraine Burroughs (“Hard Sun”). O lançamento vai acontecer em PVOD (locação digital premium) em 30 de outubro nos EUA.
Thomas Jefferson Byrd (1941 – 2020)
O cineasta Spike Lee anunciou a morte de Thomas Jefferson Byrd em seu Instagram. Em sua postagem, Lee compartilhou uma foto de Thomas como o personagem Errol Barnes em seu filme “Irmãos de Sangue” (1995). Segundo o diretor, o ator foi assassinado na noite de sábado (3/10) em Atlanta, na Geórgia. “Estou tão triste em anunciar o assassinato trágico de nosso amado irmão Thomas Jefferson Byrd na noite passada”, Lee escreveu. “Tom era meu cara.” O Departamento de Polícia de Atlanta confirmaram a morte de Byrd à revista The Hollywood Reporter. Em comunicado, informou que policiais foram despachados por volta de 1h45 no sábado para a Avenida Belvedere, 2.257, após relatos de um ferido. “Na chegada, as unidades localizaram um homem deitado sem resposta no local”. Ele foi encontrado morto com vários tiros nas costas. “A vítima foi posteriormente identificada como Thomas Byrd”, confirmou o departamento. Byrd estrelou uma variedade de filmes de Spike Lee, começando por “Irmãos de Sangue” (1995) e seguindo até os trabalhos mais recentes do diretor. Ele participou de “Garota 6” (1996), “Todos a Bordo” (1996), “Jogada Decisiva” (1998), “A Hora do Show” (2000), “Verão em Red Hook” (2012), “A Doce Sede de Sangue” (2014), “Chi-Raq” (2015) e até da série “Ela Quer Tudo” (2017-2019), que Lee realizou na Netflix. A filmografia do ator também inclui produções famosas de outros cineastas, como “Até as Últimas Consequências” (1996), de F. Gary Gray, “Politicamente Incorreto” (1998), de Warren Beatty, “Ray” (2004), de Taylor Hackford e “Atraídos Pelo Crime” (2009), de Antoine Fuqua. Seu último trabalho foi uma participação em “Freedom’s Path”, western passado na Guerra Civil e ainda inédito, que marcará a estreia do premiado curta-metragista Brett Smith no comando de um longa. Mas além do cinema, Byrd ainda teve uma carreira destacada no teatro, chegando a ser indicado ao prêmio Tony de Melhor Ator em 2003 por seu papel na montagem de “Ma Rainey’s Black Bottom”, peça que agora vai virar filme na Netflix com o último desempenho da vida de Chadwick Boseman. A morte de Byrd está atualmente sob investigação no Departamento de Polícia de Atlanta. Ver essa foto no Instagram I’m So Sad To Announce The Tragic Murder Of Our Beloved Brother Thomas Jefferson Byrd Last Night In Atlanta,Georgia. Tom Is My Guy,Here Below You See Him As The Frightening Character Errol Barnes In CLOCKERS. Brother Byrd Also Did His Thang In My Joints- CHI-RAQ,SWEET BLOOD OF JESUS, RED HOOK SUMMER,BAMBOOZLED,HE GOT GAME,GET ON THE BUS,GIRL 6 And CLOCKERS. May We All Wish Condolences And Blessings To His Family. Rest In Peace Brother Byrd.🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜 Uma publicação compartilhada por Spike Lee (@officialspikelee) em 4 de Out, 2020 às 10:40 PDT
Tenet ultrapassa US$ 300 milhões de bilheteria mundial
Maior lançamento desde a reabertura das salas de exibição durante a pandemia de coronavírus, “Tenet” acaba de superar os US$ 300 milhões de bilheteria mundial – atingiu, mais exatamente, US$ 307 milhões, graças ao desempenho na Ásia e na Europa. Mas a Warner não está comemorando. E não apenas porque o orçamento da produção é de US$ 205 milhões e, portanto, precisaria render o dobro do que já faturou para empatar os custos. O problema é de perspectiva. Em seis semanas, o longa da Warner só somou US$ 45,1 milhões no mercado norte-americano e deve encerrar sua trajetória nos EUA com no máximo US$ 55 milhões. Foram apenas US$ 2,7 milhões no fim de semana, porque não há fluxo de público. Quem queria ver, já viu. De fato, “Tenet” quase perdeu a liderança das bilheterias para um relançamento de “Abracadabra”, comédia infantil de bruxas da Disney de 1993, que faturou US$ 2 milhões. Antes visto como salvação do mercado por exibidores preocupados em ter um grande lançamento para a volta das sessões de cinema, “Tenet” passou a ser lamentado como encorajador de uma reabertura apressada do circuito, que desde sua estreia não recebe novos títulos de peso para atrair público. Este problema ajuda a explicar a decisão da rede Cineworld/Regal de fechar seus cinemas, poucos dias após o anúncio do adiamento de “007 – Sem Tempo para Morrer”, última superprodução live-action que ainda estava marcada para estrear antes do Natal. O encerramento das atividades da Cineworld/Regal deve piorar ainda mais a expectativa de rendimentos de “Tenet”, especialmente porque impacta os mercados de Los Angeles e Nova York, que ainda não reabriram. “Tenet” também não chegou ainda ao Brasil e outros países da América Latina, onde a pandemia segue firme. Por aqui, a estreia está marcada para a próxima semana, no dia 15 de outubro. Entretanto, as salas de cinemas ainda não abriram em São Paulo, maior mercado cinematográfico nacional, e não está descartado um novo anúncio de adiamento.
Uma Invenção de Natal: Fantasia natalina da Netflix ganha música e trailer dublado
A Netflix divulgou as fotos, o pôster nacional, uma música e o primeiro trailer do filme “Uma Invenção de Natal” (Jingle Jangle), em versão dublada em português. Escrito e dirigido por David E. Talbert, que já fez “Um Natal Quase Perfeito” (2016), o filme é uma fantasia musical, que contará com músicas originais de John Legend e Usher. A canção “This Day”, de Usher, pode ser ouvida abaixo. Na trama, Forest Whitaker (“Pantera Negra”) interpreta um lendário fabricante de brinquedos, cujas invenções fabulosas recebem muita admiração, até que seu antigo aprendiz, vivido por Keegan-Michael Key (“Meu Nome é Dolemite”), rouba sua criação mais valiosa e ele é pressionado a inventar algo revolucionário antes de falir. É quando sua neta descobre um brinquedo antigo que é pura magia, despertando novamente a cobiça do ex-aprendiz. O elenco ainda inclui Phylicia Rashad (“Creed”), Hugh Bonneville (“Downton Abbey”), Anika Noni Rose (“The Good Wife”), a estreante Madalen Mills como a neta do inventor e Ricky Martin, que dubla um boneco falante. A estreia está marcada para 13 de novembro no serviço de streaming. Veja abaixo o trailer nas versões faladas em português e em inglês (a única que tem Ricky Martin e as vozes originais), além dos demais conteúdos.
O que Ficou para Trás: Terror da Netflix ganha primeiro trailer
A Netflix divulgou o pôster, 12 fotos e o trailer de “O que Ficou para Trás” (His House), novo terror que a plataforma vai lançar neste mês de outubro, aproveitando o Halloween. A prévia mostra um casal de refugiados, que tenta construir uma nova vida na Inglaterra, mas precisa lidar com uma presença maligna na casa onde o governo britânico os acomodou. O ator inglês Sope Dirisu (“O Caçador e a Rainha do Gelo”) e a atriz nigeriana Wunmi Mosaku (“Lovecraft Country”) interpretam o casal protagonista, que, após uma fuga angustiante do Sudão do Sul, devastado pela guerra, luta para se ajustar à nova vida em uma pequena cidade inglesa, onde precisam conviver com outro tipo de perigo, desta vez sobrenatural. O elenco também destaca Matt Smith (“The Crown”) como representante do governo. Direção e roteiro são do estreante Remi Weekes, que venceu o prêmio NHZ de cineasta emergente no Festival de Sundance, em janeiro deste ano. O curioso é que a Netflix adquiriu os direitos do filme antes desta consagração – ou mesmo da materialização de 100% de aprovação do filme no Rotten Tomatoes. Bastou a premissa para despertar o interesse da plataforma. Em entrevista para a revista Entertainment Weekly, na época do festival, o diretor deu detalhes de como seu terror foi inspirado pelo mundo real. “É uma história de casa mal-assombrada sobre dois imigrantes que tentam construir uma nova vida em um país estrangeiro”, disse Weekes. “Ao contrário das histórias tradicionais de casas mal-assombradas em que o protagonista pode conseguir escapar, os nossos protagonistas — duas pessoas pedindo asilo em outro país — não têm o privilégio de simplesmente sair. Em vez disso, eles têm de sobreviver dentro de casa. É comum isso acontecer no Reino Unido, onde os requerentes de asilo têm que seguir regras pesadas quando recebem acomodação. Este também é frequentemente um caso que gira frequentes traumas — você está preso, tendo que encontrar maneiras de sobreviver ao seu luto e encontrar maneiras de se curar nessa prisão”. “O que Ficou para Trás” estreia no dia 30 de outubro em streaming.
Documentário brasileiro sobre saúde e direitos indígenas é premiado na França
O filme brasileiro “O Índio Cor de Rosa Contra a Fera Invisível: A Peleja de Noel Nutels”, de Tiago Carvalho, foi premiado na seção de documentários do 29º Festival Biarritz da América Latina, mostra francesa que celebra o cinema e a cultura latino-americanas. O documentário sobre as expedições do médico sanitarista Noel Nutels, que dedicou sua vida ao tratamento da saúde dos indígenas do Brasil, venceu o Prêmio do Público como Melhor Documentário, uma Menção Especial do júri da categoria e o Prêmio do IHEAL, Instituto de Altos Estudos da América Latina, parceiro do festival. “Índio Cor de Rosa” era o apelido de Nutels, que em suas viagens às aldeias indígenas, entre as décadas de 1940 e 1970, tornou-se um dos primeiros sanitaristas a denunciar o genocídio dos povos indígenas no Brasil. A produção usa imagens feitas pelo próprio médico, que produziu 21 documentários sobre os indígenas enquanto comandou ações de saúde com o SUSA (Serviço de Unidades Sanitárias Aéreas), e também momentos históricos da vida de Nutels, como sua participação na CPI do Índio na Câmara dos Deputados, em 1968, quando proferiu um discurso histórico, que infelizmente continua atual: “A essa hora alguém está matando um índio. É a cobiça da terra, é a cobiça do subsolo, é a cobiça das riquezas naturais. É um vício de estrutura econômica. Enquanto a terra for mercadoria e objeto de especulação, vai se matar índio. A quem interessa o crime?” O argentino “Ofrenda”, de Juan Mónaco Cagni, venceu o prêmio Abraço, o principal do festival, dedicado ao Melhor Longa-metragem de Ficção.
Monster Hunter: Milla Jovovich enfrenta monstros gigantes no primeiro teaser legendado
A Sony divulgou o primeiro teaser legendado de “Monster Hunter”, filme baseado no jogo de mesmo nome da Capcom. A prévia de apenas 16 segundos traz Milla Jovovich comandando um ataque contra um monstro gigante. Com orçamento de US$ 60 milhões, o filme foi rodado na África do Sul e volta a reunir Jovovich com o maridão, o diretor Paul W.S. Anderson, depois da parceria em “Resident Evil” e por coincidência em nova adaptação de videogame com monstros. O elenco também destaca Tony Jaa (“xXx: Reativado”), T.I. Harris (“Homem-Formiga e a Vespa”), Meagan Good (“Shazam!”), Ron Perlman (“Hellboy”), Diego Boneta (“Scream Queens”), Josh Helman (“Mad Max: Estrada da Fúria”), Jannik Schümann (“Submersão”) e a brasileira Nana Costa (“Entre Irmãs”) em sua estreia em Hollywood. De acordo com a sinopse oficial, o filme acompanha a tenente Artemis (Jovovich) e seus fieis soldados, que “são transportados do nosso mundo para um novo mundo” e “têm o choque da suas vidas”, quando se veem em uma “desesperada batalha de sobrevivência contra inimigos poderosos, enormes e imparáveis”. Neste combate, “eles se unirão a um homem misterioso que descobriu um jeito de lutar contra as criaturas”. A estreia está marcada para dezembro, mas o teaser nacional tem o cuidado de deixar a data de lançamento em aberto, avisando no vídeo que o filme será lançado em “breve nos cinemas”.
Estou Pensando em Acabar com Tudo é pesadelo psicológico e existencial
O roteirista Charlie Kaufman não é estranho à ideia de entrar na cabeça dos seus personagens com o intuito de exibir seus medos e angústias mais profundos. Ainda assim, em experiências anteriores, como “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” (2004) e “Adaptação” (2002), os limites entre realidade e ficção eram visíveis e, em sua maioria, identificáveis. Só que em “Estou Pensando em Acabar com Tudo” ele apaga essas fronteiras, apresentando uma obra complexa e ambiciosa – e um dos seus melhores trabalhos. Baseado no livro homônimo de Iain Reid, o filme parece acompanhar a jovem Lucy (Jessie Buckley) enquanto ela viaja com o namorado Jake (Jesse Plemons) para conhecer os sogros. Um sentimento de estranhamento é estabelecido logo de início. As roupas coloridas da personagem contrastam com a frieza do ambiente. Ela ensaia um sorriso, mas seu pensamento é invadido pela vontade de acabar com tudo. Quando eles chegam ao seu destino, conhecemos os pais de Jake (interpretados por David Thewlis e Toni Collette). O estranhamento perdura ao longo de toda essa sequência, a começar pelo fato de os pais demorarem uma eternidade para recebê-los. Além disso, eles parecem rejuvenescer em algumas cenas e envelhecer em outras. Mas existe uma explicação para essa temporalidade etérea – e aqui vamos entrar no terreno dos spoilers. De fato, não há como abordar a genialidade da história sem dar o maior spoiler de todos – a razão porque o filme é genial. Prossiga apenas se já tiver visto o filme para não perder o prazer de ser surpreendido. O verdadeiro protagonista da história é um homem idoso que trabalha como zelador em uma escola rural. Ele aparece em poucos momentos ao longo da obra, mas é a sua história que vemos ser contada. Ao mesmo tempo, nenhum dos demais personagens é real, embora Jake, interpretado por Jesse Plemons, seja próximo disso, uma lembrança (ou a imaginação) da juventude do protagonista real. Jake é a persona que ele escolheu para interpretar a si mesmo nessa viagem nostálgica e auto reflexiva. Já os demais personagens são uma mistura de memórias e manifestações do seu inconsciente. O diretor/roteirista é hábil ao dar essas “pistas” acerca da realidade da história por meio de segredos escondidos nos diálogos. Quando Lucy recita um recita um poema sobre solidão, por exemplo, Jake afirma: “parece que você escreveu sobre mim”. A fala é uma referência a sua situação atual, trabalhando de noite e voltando para uma casa vazia. O controle exercido por esse protagonista ausente fica explícito na maneira como o longa é apresentado para o público, especialmente no formato de tela utilizado. Além de limitar o mundo daqueles personagens, o formato em 4:3 (tela quadrada) é uma alusão à pequena TV que o zelador assiste na cozinha. Mas a relação cinematográfica ultrapassa o formato da tela. Kaufman – que também dirige o filme – ainda explora diferentes gêneros cinematográficos: há momentos de terror, suspense, drama, animação e até cenas musicais. Também existem referências a personalidades relacionadas ao cinema (como a crítica Pauline Kael) e a outros filmes (como o final, tirado de “Uma Mente Brilhante”). Tudo faz parte do imaginário de Jake – conforme sugerido na cena em que vemos o quarto. Mas Kaufman esconde esse protagonismo, direcionando sua câmera à atriz Jessie Buckley. E esta opção deixa a trama ainda mais complexa. Pois apesar de ela ser a narradora – o que a aproxima do público –, a personagem não é, necessariamente, uma pessoa real, mas a representação idealizada de todas as mulheres que causaram algum impacto na vida do protagonista. Não por acaso, o nome e profissão dela mudam ao longo de toda a narrativa. Toda essa confusão intencional tem o intuito de explorar a complexidade da vida humana e a impossibilidade de criar uma narrativa concisa acerca de um ser humano. Conforme é dito em um momento: “Às vezes o pensamento é mais próximo da realidade do que uma ação”. “Estou Pensando em Acabar com Tudo” é, portanto, uma (auto) avaliação da vida do protagonista. No que se manifesta como um fluxo de pensamento – as vezes confuso como um sonho ou pesadelo – , ele confronta suas memórias e tenta compreender o rumo da sua vida, cuja trajetória agora se aproxima do fim. Ao longo dessa viagem pessoal e derradeira, ele revisita traumas antigos e relacionamentos perdidos – reais ou imaginados. Até finalmente “aceitar tudo”, revelando a moral da história.
A Prima Sofia explora liberdade feminina com atriz que viveu escândalo sexual
Alguns filmes que envolvem o público pela trama acabam por se tornar ainda mais interessantes por detalhes de seus bastidores. É o caso da escalação de Zahia Dehar em “A Prima Sofia”, novo drama de Rebecca Zlotowski, diretora do charmoso e torto “Além da Ilusão” (2016). A hiper-sexualização da personagem de Dehar, beirando o vulgar, é o elemento principal da forma como o filme registra a liberdade sexual feminina, a falta de pudor e a vontade amoral de se entregar aos prazeres. Ela escandaliza e mexe frontalmente com o machismo do público. Nisto lembra um filme de algumas décadas atrás, “A Mulher Pública” (1984), de Andrzej Zulawski. Mas a polêmica em torno do filme, ao menos na França, deu-se principalmente por Dehar ter se tornado bastante conhecida no país como garota de programa. Ela virou notícia em 2010 durante os escândalos que envolveram dois jogadores da seleção francesa de futebol, Franck Ribéry e Karim Benzema, que foram acusados de pagá-la por serviços sexuais quando ela ainda tinha 17 anos. Os jogadores se livraram de condenação por afirmar que não sabiam que ela era menor de idade. Mas ela não lamenta a exposição, que acabou ajudando sua carreira, transformando-a em modelo, designer e agora atriz no filme de Zlotowski. Seu papel em “A Prima Sofia” guarda muita similaridade com as páginas do noticiário de sua vida real, trazendo referências que são mais bem apreciadas por quem conhece os bastidores do caso. No filme, ela vive a prima do título, que surge na cidade de Cannes de surpresa para visitar a jovem Naïma (a estreante Mina Farid), de 16 anos, que a recebe com muita alegria e entusiasmo. Há algo nessa prima que veio de Paris que fascina Naïma, como seu sex appeal, sua tranquilidade em se expor de topless e também seu ar de liberdade, que ela expressa o tempo todo em seu desejo de aproveitar a vida – uma vontade tatuada acima do bumbum, com a frase em latim “Carpe diem”. Num determinado momento, quando as duas estão tomando sol na praia, dois rapazes surgem atraídos pelo corpo exuberante de Sofia. E a garota não se importa com a admiração. Ao contrário: chega a deixá-los desconfortáveis com sua sexualização, ao aproximar a mão de um deles de seu seios e falar como sua pele é macia, especialmente em outra parte de seu corpo. O comportamento da prima deixa Naïma escandalizada, mas aos poucos a jovem começa a olhá-la como um exemplo de vida. A prima Sofia é uma típica bad girl – em entrevista, Zahia Dehar disse adorar as bad girls, por serem mais fortes e mais livres que qualquer mulher – e a percepção da rejeição social a seu comportamento é muito clara no filme. Isto se manifesta em olhares e comentários toda vez que Sofia passa com seus trajes provocantes, seja um vestido totalmente transparente para a noite, seja um vestido leve e florido, como o que ela usa para ir a um palacete na Itália, com os rapazes que ela conhece. As cenas na Itália são deliciosas por lidarem com a questão do julgamento social – o preconceito. Em determinado momento, Sofia decide se manifestar num roda de pessoas ricas, dizendo que aquele lugar lhe fazia lembrar Marguerite Duras. Uma das mulheres (Clotilde Courau) ri e desconfia que aquela garota com jeito de prostituta não sabe nada da escritora, e decide perguntar quais seus livros preferidos de Duras. Mas o que enriquece a cena é outro detalhe de bastidores, já que Courau é casada com o Príncipe de Veneza e uma integrante real da elite italiana, em mais um acerto de casting de Zlotowski. “A Prima Sofia” é também um conto sobre a brutalidade masculina, ainda que narre isso de maneira relativamente leve – em comparação, por exemplo, a “20 Anos”, de Fernando Di Leo, que mostra a violência despertada pela liberdade sexual feminina de maneira infinitamente mais impactante. Entretanto, por mais que Sofia atraia as atenções, o filme é na verdade sobre Naïma, do quanto ela aprende naquele breve período de férias de verão, que aproveitará para sua vida, para o seu futuro. Nisto, encontram-se semelhanças com o clássico “A Colecionadora” (1967), de Éric Rohmer, que tem sido citado em algumas críticas. E tem mesmo tudo a ver.
Queen & Slim é filme de denúncia e resistência importantes
Estreia na direção de longas-metragens da diretora de videoclipes Melina Matsoukas, “Queen & Slim” é um filme importante para o momento que estamos vivendo, embora aqui no Brasil tenha saído em VOD, sem muito alarde. A produção estreou nos Estados Unidos no final do ano passado e teve um bom desempenho nas bilheterias domésticas (US$ 43,8 milhões para um orçamento de US$ 18 milhões), em parte porque a dupla de atores ingleses que dá vida aos personagens do título é ótima – tanto Daniel Kaluuya, já indicado ao Oscar por “Corra!” (2017), quanto a ex-modelo Jodie Turner-Smith (da série “The Last Ship”). Mas além da bela atuação, o filme de Matsoukas se destaca pela valorização de uma estética afro-americana, seja na construção das imagens, muito bem cuidadas na fotografia de Tat Radcliffe, que traz um viés muito próprio para a beleza dos corpos negros, seja na trilha musical sensual e quente. Aliás, vale destacar que o diretor de fotografia também foi o responsável pelo primeiro episódio da nova série “Lovecraft Country”, que aborda o terror afro-americano na HBO. E é impressionante como ambos os trabalhos têm elementos em comum. Assim como a série passada nos anos 1950, o filme situado nos dias de hoje retrata os EUA como um país extremamente racista. O terror de ser abordado por um policial branco é o mesmo, 70 anos depois, demonstrando que, apesar da conquista de direitos, a repressão motivada pela cor da pele se mantém igual. Na trama, Queen e Slim se conhecem em um restaurante, após marcarem um encontro via Tinder. “Por que você escolheu este restaurante?”, ela pergunta. “O dono é negro”, ele responde. Isso já ajuda a demarcar o território e estabelecer o clima. Mas é na volta do encontro, em meio a uma conversa não muito animada, que o racismo se impõe, quando eles são parados pelo inevitável policial branco. A situação sai de controle e eles acabam se tornando fugitivos da lei. E, conforme fogem pelo vasto território americano, acabam ganhando fama de heróis, pois vem à tona que o policial que os confrontou já tinha matado um homem negro antes. Por mais que o filme caia em sua segunda metade, a trama acaba prendendo a atenção, tanto por suas cenas marcantes e várias qualidades, quanto pelas questões que levanta e representatividade que traz à tela – representatividade não apenas negra, mas também feminina/feminista, vislumbrada na força da personagem Queen e também pelo fato de ter uma diretora negra por trás das câmeras. E há também a beleza típica dos road movies, que costumam destacar as transformações por que passam os personagens ao longo da jornada. A arte segue sendo uma das formas mais eficazes e bonitas de resistência.
Narciso em Férias é emocionante e essencial para a democracia
“Eu comecei a achar que a vida era aquilo ali. Só aquilo. E que a lembrança do apartamento, dos shows, da vida lá fora era uma espécie de sonho que eu tinha tido.” Essa é uma das falas de Caetano Veloso em “Narciso em Férias”, ao descrever o seu primeiro momento no cárcere, quando foi colocado, sem a menor explicação, em uma solitária escura. Só de pensar nisso, de ter essa sensação de deslocamento da realidade, já é aterrador. “Narciso em Férias” marca o retorno da dupla de cineastas Ricardo Calil e Renato Terra ao mundo da música popular brasileira, depois do ótimo “Uma Noite em 67” (2010). Desta vez, a opção de entrecortar as falas de Caetano Veloso com imagens de arquivo e depoimentos de outros entrevistados foi deixada de lado, e o filme fica muito mais poderoso apenas com as cenas da entrevista com o cantor, músico e compositor baiano. Há quem diga que apresentar única e exclusivamente a entrevista de uma pessoa à frente de uma câmera não é fazer cinema, mas isso é bobagem. Esquecem da grandeza de Eduardo Coutinho, mestre nesse formato. Em “Narciso em Férias”, os diretores optaram por esconder, sempre que possível, suas próprias vozes na condução da entrevista. E utilizam apenas três enquadramentos básicos: o close-up, um plano que mostra o corpo inteiro do cantor e um plano mais distante, que acentua a parede ao fundo. Tudo que ele conta já está em um capítulo do seu livro “Verdade Tropical”, justamente intitulado “Narciso em Férias”, e que agora se tornará um livro à parte, já em pré-venda. O termo foi tomado de empréstimo de um livro do romancista americano F. Scott Fitzgerald, e que também se refere ao fato de que, durante todo o período em que esteve preso, Caetano não se olhou no espelho – deu férias a seu lado narcisista, por assim dizer. Histórias narradas oralmente são a base da construção de nossa civilização e é bom ver que esse tipo de recurso ainda segue sendo incrivelmente poderoso, especialmente quando encontramos alguém que consegue nos colocar dentro da ação. Há momentos da fala de Caetano que conseguem fazer o público se sentir em seu lugar, com um detalhismo de carga dramática assombrosa. O documentário é cheio de momentos de bastante emoção, especialmente em seu terço final. O próprio Caetano Veloso parece ter se surpreendido com o próprio choro e pede para que os diretores parem a filmagem em determinado momento. E não é um momento em que ele fala de seu sofrimento, mas de quando comenta o sentimento de gratidão, que ele tem por um sargento que ficou com pena de sua situação, de ele ser o único que não podia receber a visita da esposa, e que o ajudou. E ele lamenta não ter procurado saber o nome desse homem. Sem dúvida um dos momentos mais bonitos e tocantes do documentário e que, muito provavelmente, perderia um bocado da força sem a voz e sem o olhar do cantor . Outro acerto de Calil e Terra foi o fato de trazerem canções para o documentário. Já começa com uma canção de Orlando Silva, “Súplica”, cuja importância é exposta ao longo do filme. Além disso, cada vez que “Hey Jude”, dos Beatles, tocava nos rádios – foi um grande sucesso da época, o final dos anos 1960 – trazia esperança para Caetano. Outras duas canções do próprio Caetano, inspiradas pela experiência do cárcere, também são citadas com emoção: “Irene” e “Terra”. Além de enfatizar a importância e a beleza do trabalho de um de nossos mais brilhantes músicos, “Narciso em Férias” também impacta por lembrar como os artistas brasileiros foram presos e exilados durante a ditadura militar, em um momento em que a extrema direita se apresenta como uma ameaça cada vez maior para a democracia do Brasil. E isso o torna um filme essencial.
Facebook reage ao documentário O Dilema das Redes
O Facebook decidiu responder ao documentário “O Dilema das Redes” (The Social Dilema), lançado pela Netflix há algumas semanas com grande repercussão. Em comunicado divulgado na sexta-feira (2/10), a empresa de Mark Zuckerberg listou sete “erros” do documentário para criticar o conteúdo do filme, acusando a produção de apresentar uma visão distorcida do funcionamento das redes sociais, de modo a “criar um conveniente bode expiatório para problemas sociais complexos”. No comunicado, o Facebook tenta desmentir a narrativa do documentário, apontando as iniciativas realizadas nos últimos anos para corrigir seus problemas. Vale mencionar que algumas dessas iniciativas só foram tomadas após muita pressão, inclusive do Congresso dos EUA, e depois da première do filme — que foi exibido em janeiro deste ano, no Festival de Sundance, quando virou assunto na mídia. Em sua defesa, a empresa afirma que não criou seus produtos para serem viciantes e sim para agregar valor, alegando que seus algoritmos não são “maus” e que eles funcionam para a plataforma continuar relevante e útil. Além disso, disse que, ao mudar seu feed de notícias em 2018, trocando a prioridade do algoritmo – de vídeos virais para “interações sociais significativas” com amigos e parentes – sofreu uma queda de 50 milhões de horas por dia de interações na plataforma. A empresa também garante ter feito mudanças para proteger mais efetivamente a privacidade de seus usuários – após escândalos de utilização desses dados por terceiros – e para combater conteúdos nocivos, que propagam preconceito e desinformação na plataforma. “Reconhecemos que cometemos erros em 2016. No entanto, o filme não considera o que temos feito desde então para construir fortes defesas a fim de impedir as pessoas de usarem o Facebook para interferir em eleições”, diz a empresa. Uma dessas iniciativas foi o desmantelamento de mais de 100 redes que agiam com “comportamento inautêntico coordenado”, entre elas uma rede brasileira com ligações à família do presidente Jair Bolsonaro. A companhia ainda argumenta que “polarização e populismo” existem há muito tempo — não nasceu com a internet e redes sociais. Também diz que a maioria do conteúdo visto lá não é polarizador nem político, e que tem ferramentas para diminuir o alcance de conteúdos sensacionalistas. Para completar, o Facebook inclui também críticas às conclusões do documentário. “Os criadores do filme não reconhecem – criticamente ou não – os esforços já realizados pelas empresas para resolver muitas das questões levantadas. Em vez disso, eles apresentam comentários de quem não está do lado de dentro [do negócio] há muitos anos”, afirma. O comunicado não aborda o fato de o Facebook ter hesitado mais do que qualquer outra rede social a identificar e até derrubar conteúdos de autoridades públicas que praticam desinformação sistemática (eufemismo para mentiras descaradas) na plataforma, às vezes até em desrespeito às políticas da empresa contra discursos de ódio. O próprio Zuckerberg defende que publicações de autoridades públicas merecem um tratamento diferente para serem julgadas pelos eleitores. Entretanto, isso acontece sem contexto em sua rede social. Além do Facebook, Zuckeberg também é dono do Instagram e do Whatsapp. Este último virou um instrumento perigoso de desinformação, especialmente durante a pandemia de covid-19, usado de forma ideológica numa campanha de lavagem cerebral, que chega a usar citação bíblica sobre “a verdade” para convencer usuários de que mentira é verdade e vice-versa – isto é, que os fatos jornalísticos apurados pelas grandes empresas de mídia não tem credibilidade, enquanto apenas os “zaps” de teorias de conspiração absurdas devem ser acreditados. O documentário “O Dilema das Redes” alerta para o risco de acreditar nas mentiras das redes sociais, além de detalhar como elas usam algoritmos para fazer com que os usuários permanecerem interagindo e se submetendo ao bombardeio de desinformação. Alguns usuários do Facebook chegaram a excluir sua conta na rede social depois de assistir ao filme.
Jamie Foxx confirma volta ao papel de Electro no próximo Homem-Aranha
O ator Jamie Foxx publicou e imediatamente apagou um comentário no Instagram em que confirmou sua volta ao papel de Electro no próximo filme do Homem-Aranha. Ao mencionar seu retorno, ele ainda adiantou que o personagem voltaria em nova versão, e que ele não apareceria azul novamente. “Super animado em fazer parte do próximo filme do Homem-Aranha. Mal posso esperar pra vocês verem esse novo. E eu não vou estar azul no próximo filme, mas sim 100% durão”, ele escreveu. Foxx interpretou o vilão Electro em “O Espetacular Homem-Aranha 2” (2014), estrelado por Andrew Garfield, e voltará ao papel no próximo filme do super-herói, que agora é vivido por Tom Holland. Para tornar essa escalação ainda mais curiosa, o filme coproduzido por Sony e Marvel Studios também deve trazer J.K. Simmons de volta ao papel de J. Jonah Jameson, que o ator interpretou na trilogia do Homem-Aranha estrelada por Tobey Maguire. Os detalhes da nova produção estão sendo mantidos em sigilo, mas a notícia da participação de Foxx já alimenta várias teorias de fãs sobre a inclusão do multiverso na trama. O conceito de realidades paralelas no MCU (Universo Cinematográfico da Marvel) foi introduzida em “Vingadores: Ultimato” (2019) e mencionada pelo vilão Mysterio (Jake Gyllenhaal) em “Homem-Aranha: Longe de Casa” (2019) – mas, neste caso, como parte de uma elaborada enganação. Além de Tom Holland, a maior parte do elenco dos dois filmes mais recentes do herói – incluindo Zendaya, Marisa Tomei, Jacob Batalon e Tony Revolori – deve retornar na continuação, que tem filmagens previstas para as próximas semanas em Atlanta, nos EUA. O filme também contará com direção de Jon Watts, responsável pelos bem-sucedidos “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” (2017) e “Homem-Aranha: Longe de Casa” (2019).












