Jean-Luc Godard, ícone da nouvelle vague, morre aos 91 anos
O cineasta Jean-Luc Godard, maior nome da nouvelle vague e lenda do cinema francês, morreu nessa terça (13/9) aos 91 anos por suicídio assistido. Dono de uma carreira longeva e repleta de experimentações, Godard dirigiu mais de 130 obras, incluindo longas-metragens, curtas, séries de TV e documentários. Seus títulos mais conhecidos são também aqueles que ajudaram a revolucionar o cinema francês, como “Acossado” (1960), “Viver a Vida” (1962) e “O Demônio das Onze Horas” (1965). Nascido em Paris em 1930, Godard era filho de pais protestantes que viviam entre a França e a Suíça. Após terminar o ensino médio, ele se matriculou na universidade Sorbonne, em Paris, mas logo abandonou as aulas para frequentar os cinemas e cineclubes – onde encontrou outros colegas cinéfilos, como François Truffaut e Jacques Rivette. Os três, junto com Claude Chabrol e Maurice Scherer (mais conhecido como Eric Rohmer) começaram a escrever críticas e, em 1952, Godard publicou os seus primeiros artigos na revista Cahiers du Cinéma, fundada no ano anterior. Godard acabou expulso da revista depois de roubar o dinheiro do caixa e fugir para a Suíça, onde com a verba dirigiu o curta-documentário “Operação Beton” (1955). O roubo, de todo modo, não foi um caso isolado. Godard era conhecido por ser cleptomaníaco. Ele voltou para Paris em 1956, depois de trabalhar na TV suíça e passar um tempo em um hospital psiquiátrico. Ele começou a trabalhar como publicitário, escrevendo materiais promocionais para o estúdio 20th Century Fox, e conseguiu até voltar a escrever para a Cahiers du Cinéma. Neste período, dirigiu três curtas: “Charlotte e Seu Namorado” (1958), “Todos os rapazes se chamam Patrick” (1959) e “Uma História d’Água” (1961), co-dirigido com Truffaut. Com esta experiência, ele decidiu dirigir seu primeiro longa-metragem, que se tornou responsável por catapultar a sua carreira e por chamar atenção para um novo estilo de filmar, que foi batizado como “nouvelle vague” – ou, a nova onda do cinema francês. “Acossado” (1960) contava a história de um ladrão de carros (Jean-Paul Belmondo, que havia trabalhado com Godard no curta “Charlotte e Seu Namorado”) que usa seu charme para seduzir Jean Seberg embora fosse procurado por ter matado um policial. O filme é uma homenagem ao cinema clássico hollywoodiano, ao mesmo tempo que traz personagens sexualmente liberados e propõe a desconstrução da narrativa convencional, colocando câmeras onde escolas de cinema diziam para nunca colocar e fazendo uma edição de cenas que os mestres considerariam errada. Só que essa era a ideia da nova onda. Godard também empregou um estilo de montagem muito mais ágil, fazendo diferentes experimentos com imagens e sons dessincronizados, e chamando a atenção para a artificialidade do cinema – o oposto do que o naturalismo da montagem clássica pretendia. A novidade jogou os manuais de cinema no lixo. Mas foi um sucesso. “Acossado” venceu o Urso de Prata no Festival de Berlim e deu origem aos filmes totalmente autorais. Depois disso, Godard começou a fazer um filme atrás do outro, sempre empregando doses de experimentalismo visual. Seus melhores trabalhos na década de 1960 foram: “Uma Mulher É Uma Mulher” (1961), “Viver a Vida” (1962), “Alphaville” (1965) e “O Demônio das Onze Horas” (1965), clássicos existencialistas. Mas paralelamente também desenvolveu uma fase maoísta, mais evidente em “A Chinesa” (1967), que se acirrou após os protestos estudantis de maio de 1968 e o viu perder adeptos. Ironicamente, também foi a fase em que filmou o documentário “Sympathy for the Devil” (One + One, 1968) com os Rolling Stones. Muitos destes primeiros filmes foram estrelados pela atriz e modelo dinamarquesa Anna Karina, que se casou com o diretor em 1961. Os dois tiveram um relacionamento tumultuado, que acabou em 1965. Godard chegou a adaptar esse relacionamento para o cinema no filme “O Desprezo” (1963), em que escalou ninguém menos que Brigitte Bardot como a versão ficcional de Karina. Em 1967, Godard se casou com a atriz Anne Wiazemsky, que também começou a atuar nos seus filmes. Este casamento durou até 1979. Na década de 1970, ele se juntou a um grupo de ativistas e cineastas de esquerda para formar o “Grupo Dziga Vertov”, nomeado em homenagem ao famoso cineasta russo. O grupo comandou diversos filmes, como “Tudo Vai Bem” (1972) e “Letter to Jane: An Investigation About a Still” (1972), ambos estrelado por Jane Fonda. Em 1977, Godard voltou para a Suíça e passou a morar com a cineasta Anne-Marie Miéville. Foi o relacionamento mais duradouro da vida do diretor, que persistiu até o final da sua vida. Abrindo uma nova fase, ele dirigiu em 1980 “Salve-se Quem Puder (A Vida)”, uma obra que se propôs a examinar os relacionamentos sexuais acompanhando três protagonistas que interagem entre si. O filme foi exibido no Festival de Cannes e saudado como o grande retorno do cineasta. Foi também um enorme sucesso de bilheteria no país. “Salve-se Quem Puder (A Vida)” deu um novo fôlego para a carreira de Godard, que passou a realizar vários filmes consagrados, como “Paixão” (1982), “Detetive” (1985) e principalmente “Eu Vos Saúdo Maria” (1985), que teve grande repercussão pelo tema: uma estudante universitária, que fica grávida sem ter relações sexuais. Considerado uma blasfêmia, foi proibido em vários países, inclusive no Brasil. A polêmica voltou a sacudir a carreira do infant terrible, que a partir daí radicalizou de vez. Seu filme “Rei Lear” (1987), estrelado por nomes como Woody Allen, Leos Carax, Julie Delpy e Burgess Meredith, dividiu a crítica. O Washington Post afirmou que se tratava de um “total desrespeito de Godard a uma apresentação sustentada e coerente das suas ideias”, enquanto o Los Angeles Times afirmou que se tratava de “obra de um gênio certificado.” Na década de 1990, Godard comandou filmes como “Nouvelle Vague” (1990), estrelado por Alain Delon, “Infelizmente Para Mim” (1993), com Gerard Depardieu, e “Para Sempre Mozart” (1996). Porém, o grande destaque desse período foi a série documental “Histoire(s) du cinéma”, iniciada em 1989 e finalizada em 1999. Com um total de 266 minutos e exibida pela emissora francesa Canal Plus, a série consistiu de entrevistas, cenas de filmes clássicos e imagens de arquivo para narrar um século da História do Cinema. Numa entrevista ao jornal francês Libération, publicada anos após o lançamento, Godard descreveu o projeto como “um pouco como meu álbum de fotos de família – mas também o de muitos outros, de todas as gerações que acreditaram no amanhecer. Só o cinema poderia reunir o ‘eu’ e o ‘nós’”. Com a chegada do novo século, Godard voltou a inovar em obras como “Filme Socialismo” (2010), “3x3D” (2013) e “Adeus à Linguagem” (2014), filmes que, como o último título sugere, rompiam de vez com a linguagem tradicional cinematográfica – algo que Godard já vinha fazendo, pouco a pouco, desde o início da sua carreira. Radicais, mantiveram a divisão crítica entre os que consideraram as obras geniais e os que não viram mais cinema nas realizações do cineasta, apenas instalações de arte. Seus últimos créditos como diretor foram o documentário “Imagem e Palavra”, basicamente uma colagem de imagens de arquivo e gravações aleatórias, e o curta “Spot of the 22nd Ji.hlava IDFF”, ambos de 2018. Nos seus últimos anos, Godard se tornou completamente recluso. Ele se recusava a dar entrevistas, não aceitava prêmios e não viajava para os festivais. Quando lhe foi oferecida a Ordem Nacional do Mérito da França, ele recusou, dizendo: “Não gosto de receber ordens e não tenho méritos”. E quando foi premiado com um Oscar honorário em 2010, ele se recusou a viajar para Los Angeles para aceitá-lo pessoalmente. Anne-Marie Miéville disse na época que Godard “não irá para a América, ele está ficando velho demais para esse tipo de coisa. Você faria todo esse caminho apenas por um pedaço de metal?” Ao longo da carreira, Godard colecionou mais de 50 “pedaços de metal”, incluindo prêmios nos principais festivais de cinema do mundo, como o Urso de Ouro no Festival de Berlim (que ele venceu por “Eu Vos Saúdo Maria”), no Festival de Cannes (por “Imagem e Palavra” e “Adeus à Linguagem”), entre muitos outros. Ao saber da morte do cineasta, o ex-ministro da Cultura da França, Jack Lang, disse à rádio France Info que Godard era “único, absolutamente único… Ele não era apenas cinema, era filosofia, poesia”. O presidente francês Emmanuel Macron também prestou a sua homenagem, chamando-o de “iconoclasta”. “Inventou uma arte decididamente moderna, intensamente livre. Nós perdemos um tesouro nacional, um olhar de gênio”, definiu o governante. Ce fut comme une apparition dans le cinéma français. Puis il en devint un maître. Jean-Luc Godard, le plus iconoclaste des cinéastes de la Nouvelle Vague, avait inventé un art résolument moderne, intensément libre. Nous perdons un trésor national, un regard de génie. pic.twitter.com/bQneeqp8on — Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) September 13, 2022
Depois do Universo: Primeiro filme de Giulia Be ganha data de estreia
A Netflix anunciou a data de estreia de “Depois do Universo”, primeiro filme da cantora Giulia Be e estreia brasileira de Henry Zaga. Apesar de ter nascido no Brasil, como comprova o nome de batismo Henrique Gonzaga, ele só tinha feito produções americanas, como as séries “Teen Wolf”, “13 Reasons Why”, “Quem É Você, Alasca?”, “Gatunas” e “The Stand”, além dos filmes “XOXO – A Vida é uma Festa” e “Os Novos Mutantes”, entre outros. O filme conta a história da talentosa pianista Nina (Be), que precisa superar os desafios de lidar com o lúpus, uma doença autoimune que pode atacar qualquer parte do corpo – o rim, no caso da jovem. Durante o tratamento, ela é surpreendida por uma forte conexão com Gabriel (Zaga), um dos médicos da equipe que a atende e que irá ajudá-la a superar suas inseguranças na luta para se apresentar nos palcos junto de uma grande orquestra de São Paulo. “Depois do Universo” tem roteiro e direção de Diego Freitas (“O Segredo de Davi”) e seu elenco também inclui os atores João Miguel, Othon Bastos, Rita Assemany, Leo Bahia, Viviane Araújo, Isabel Fillardis, Adriana Lessa, Denise Del Vecchio e João Côrtes. A estreia foi marcada para o dia 27 de outubro. Henrique Zaga e @giulia passando pra avisar que meu novo filme, Depois do Universo, chega dia 27 de outubro. Agora só falta divulgarem quantos lencinhos são necessários pra assistir ao filme. 🥹❤️🩹🤧 pic.twitter.com/4bxRCAf5B2 — netflixbrasil (@NetflixBrasil) September 12, 2022
Comédia de George Clooney e Julia Roberts lidera bilheterias no Brasil
A comédia romântica “Ingresso para o Paraíso”, estrelada por George Clooney e Julia Roberts, foi o filme mais visto nos cinemas brasileiros neste fim de semana. O filme, que estreou na quinta-feira (8/9) teve 121 mil espectadores e uma bilheteria de R$ 2,85 milhões, segundo dados da Comscore. De volta às telas num relançamento estendido, “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” ficou em 2º lugar. Com 92 mil pagantes para ver alguns minutos de cenas extras, a produção da Sony/Marvel acrescentou R$ 1,76 milhão em sua contabilidade. O terror “Não! Não Olhe” fechou o Top 3 dos mais vistos. Ao todo, quase 488 mil espectadores pagaram ingressos neste fim de semana, superando o recorde negativa da semana passada, de 491 mil pessoas. Isto “consagrou” o fim de semana passado com o pior público de cinema de 2022 no Brasil. Não por acaso, as grandes redes vão promover a “Semana do Cinema” a partir de quinta-feira (14/9), oferecendo descontos em ingressos para tentar atrair o público. Veja o ranking dos títulos mais assistidos nos cinemas brasileiros. 1. “Ingresso para o Paraíso” 2. “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” 3. “Não! Não Olhe!” 4. “Minions 2: A Origem de Gru” 5. “Predestinado: Arigó e o Espírito do Dr. Fritz” 6. “O Lendário Cão Guerreiro” 7. “O Telefone Preto” 8. “Um Lugar Bem Longe Daqui” 9. “Thor: Amor e Trovão” 10. “Pinocchio – O Menino de Madeira”
Ator de “Euphoria” será Elvis Presley em filme de Sofia Coppola
A cineasta Sofia Coppola (“O Estranho que Nós Amamos”) vai dirigir o filme “Priscilla”, cinebiografia de Priscilla Beaulieu Presley, esposa do cantor Elvis Presley. Baseado no livro “Elvis and Me”, escrito pela própria Priscilla, o filme vai narrar a história da ascensão do Rei do Rock pela visão da esposa, abordando desde o primeiro encontro dos dois até o seu divórcio. “Priscilla” será estrelado por Cailee Spaeny (“Jovens Bruxas: Nova Irmandade”) e Jacob Elordi (“Euphoria”) nos papeis de Priscilla e Elvis, respectivamente. Elordi publicou uma foto de Elvis em uniforme do Exército em seu Instagram para comemorar a escalação, sem dar maiores detalhes. Coppola escreveu o roteiro da adaptação e também será produtora do filme, que será distribuído pelo estúdio indie A24. As filmagens começam nos próximos meses, mas ainda não há previsão de estreia. Essa será a terceira parceria entre a diretora e o estúdio, após os filmes “Bling Ring: A Gangue de Hollywood” (2013) e “On the Rocks” (2020). A história de Elvis e Priscilla Presley foi vista recentemente no filme “Elvis” (2022), dirigido por Baz Luhrmann, que trouxe os atores Austin Butler e Olivia DeJonge nos papéis do casal. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Jacob Elordi (@jacobelordi)
Carla Diaz revela fotos da continuação de “A Menina Que Matou os Pais”
A atriz Carla Diaz e a Galeria Distribuidora publicaram nesta segunda (12/9) nas redes sociais as primeiras fotos do novo filme em que vive a assassina Suzane von Richthofen. O longa também ganhou título oficial. Vai se chamar “A Menina Que Matou os Pais – A Confissão”, e acompanhará Suzane, Daniel e Cristian Cravinhos nos dias após o crime e a investigação que terminou na prisão dos responsáveis. “O filme vem para atender aos inúmeros pedidos do público em conhecer os passos dos três acusados após o crime, além dos bastidores da investigação que culminou na prisão dos envolvidos”, descreveu Carla na rede social. A informação de que haveria um terceiro filme, após o sucesso de “A Menina Que Matou os Pais” e “O Menino que Matou Meus Pais”, já era conhecida desde maio. As filmagens começaram há um mês, mas Carla só confirmou mesmo no último domingo (11/9), em uma entrevista ao podcast “PodDelas” no Rock in Rio. Dirigidas por Maurício Eça, as duas produções lançadas pela Amazon Prime Video foram estreladas por Carla Diaz como Suzane von Richtofen e Leonardo Bittencourt como Daniel Cravinhos. Os filmes contam como o casal se envolveu e planejou a morte dos pais dela em 2002, com a ajuda do irmão do rapaz, Cristian (Allan Souza Lima). Escrito por Ilana Casoy e Raphael Montes (de “Bom Dia, Verônica”), o roteiro foi baseado nos depoimentos dos réus durante o julgamento, em 2006. Cada um dos filmes trouxe o ponto de vista de um dos condenados. Sobre o novo longa-metragem, o diretor Mauricio Eça disse: “‘Confissão’ é um filme direto e cru, um thriller psicológico que você já sabe como acaba, mas não imagina como tudo aconteceu. Se passa durante oito dias muito intensos onde as verdades de cada personagem vão vindo à tona”. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Carla Diaz (@carladiaz) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Galeria Distribuidora (@galeriadistribuidora)
Novo filme de Harry Styles é aplaudido de pé em Toronto
O drama “My Policeman”, em que o cantor Harry Styles vive seu primeiro personagem gay, foi aplaudido de pé no Festival de Toronto na noite de domingo (11/9). A reação só não foi maior porque Styles, o principal alvo da ovação, precisou sair logo em seguida para pegar um avião e continuar a sua turnê musical mundial. Antes disso, porém, Styles e o restante do elenco receberam um prêmio especial do Festival. O cantor/ator também teve a oportunidade de falar com a imprensa sobre o seu papel e sobre as temáticas abordadas no filme, como “amor e liberdade e a busca por essas coisas”. Na sessão de perguntas e respostas da première, Styles comentou que se sentiu “muito sortudo” por trabalhar com Emma Corrin (a princesa Diana de “The Crown”) e David Dawson (o rei Alfred de “The Last Kingdom”) nas sequências de intimidade e discussões. Ele revelou que os três se tornaram muito amigos fora das telas. “Ter uma base de amizade real fora dos personagens obviamente (ajuda) nas cenas de amizade: não requer muita atuação”, disse Styles. “E então, nas cenas mais intensas, há muita confiança e segurança. Tudo isso se beneficia de uma conexão real com as pessoas com quem você trabalha.” “Eu acho que a coisa mais bonita sobre essa história é que todos os personagens têm algumas qualidades muito boas, e eles também têm algumas falhas que esperamos não ter, mas, como humanos, todos nós temos”, disse ele. “E eu acho que, em diferentes pontos da história, você é capaz de ver pedaços de si mesmo e, às vezes, talvez não suas partes favoritas em diferentes personagens. E acho que é por isso que meio que ressoou tanto comigo.” Adaptação do romance homônimo de Bethan Roberts, o filme se passa no final dos anos 1990, quando a chegada do idoso inválido Patrick na casa do casal Marion e Tom desencadeia uma exploração de eventos de 40 anos atrás: a relação apaixonada entre Tom e Patrick em um momento em que a homossexualidade era ilegal no Reino Unido. Styles interpreta a versão jovem de Tom, durante os flashbacks da narrativa. “Para mim, a razão pela qual a história é tão devastadora é que, em última análise, toda a história é sobre perda de tempo, e acho que perda de tempo é a coisa mais devastadora”, disse ele. “Porque é a única coisa que não podemos controlar”, continuou ele. “É a única coisa que você não pode ter de volta. E acho que a única coisa que eu acho que importa – qualquer que seja o tipo de vida que você viveu – no final, quando você pensa no tempo que passou com as pessoas que ama.” Por sua vez, o diretor Michael Grandage (“O Mestre dos Gênios”), ele próprio um homem gay que cresceu na época em que o filme se passa, expressou a sua gratidão pelo progresso feito na luta pelos direitos LGBTQIAP+, mas também disse que “ainda há espaço para mais debate”, numa alusão às recentes ameaças contra o casamento gay e à implementação de uma legislação anti-trans nos EUA. “Eu espero que [o filme] alerte as pessoas, que até eduque as pessoas e, certamente, que lembre as pessoas de que, se você deixar isso se tornar frágil e deixar que isso retroceda, esse é o resultado. Você chega em um lugar onde as pessoas não podem ser elas mesmas e não podem ser livres”, disse ele. O elenco do filme ainda conta com Linus Roache (“Homeland”), Gina McKee (“Os Bórgias”) e Rupert Everett (“O Casamento do Meu Melhor Amigo”) como as versões maduras dos protagonistas. “My Policeman” terá lançamento limitado nos cinemas dos EUA antes de chegar em todo mundo pela plataforma Prime Video, da Amazon, em 4 de novembro. Veja os aplausos para o elenco e equipe do filme no Festival de Toronto. Harry Styles being introduced at TIFF during the premier of My Policeman#TIFF22 pic.twitter.com/z0zpeIBt9f — HSFilms (@hsfiImography) September 11, 2022
Alain Tanner, pioneiro do cinema engajado, morre aos 92 anos
O cineasta Alain Tanner, pioneiro do cinema engajado e cineasta suíço mais premiado e reconhecido no exterior, morreu neste domingo (11/9) aos 92 anos. Contemporâneo da nouvelle vague francesa, Tanner é creditado como um dos principais responsáveis por lançar a new wave cinematográfica da Suíça. Ele começou a chamar atenção com seus curtas nos anos 1960 – um deles premiado no Festival de Veneza – antes de abalar estruturas com a estreia em longa-metragem, “O Último a Rir”, em 1969. História de um empresário que decide abandonar o capitalismo para viver à margem da sociedade, o filme venceu o Leopardo de Ouro no Festival de Locarno. Logo em seguida, foi premiado no Festival de Berlim com o triângulo de “A Salamandra” (1971), o mais próximo que chegou da nouvelle vague. Mas a partir daí sua obra se tornou cada vez mais politizada, numa ruptura que o alinhou a Costa-Gavras (“Z”) e ao Cinema Novo brasileiro. Em “Amantes no Meio do Mundo” (1974), questionou a xenofobia dos políticos suíços. E em “Jonas Que Terá Vinte e Cinco Anos no Ano 2000” (1976), possivelmente seu filme mais conhecido entre os cinéfilos nacionais, apresentou uma utopia imaginada por jovens contestadores. Ele conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes com “A Anos-Luz”, história metafórica sobre um homem que afirmava ter aprendido a voar com dicas dos pássaros. Então, em 1983 descobriu a “luz branca” que passou a definir a relação de Lisboa com o cinema, no clássico “A Cidade Branca”. Os portugueses adoram este filme, que venceu o César (o Oscar francês) de Melhor Filme Estrangeiro em Francês. Quinze anos depois, Tanner voltou a filmar Lisboa em “Réquiem – Um Encontro com Fernando Pessoa” (1998), baseado na obra do escritor italiano Antonio Tabucchi, em que busca entender o que constitui a identidade do povo português. Também retomou os personagens de “Jonas que Terá Vinte e Cinco Anos no Ano 2000” na sequência “Jonas e Lila, até Amanhã” (1999), em que o protagonista chega aos 25 na véspera do novo milênio, desiludido e sem os ideais de outrora. Depois de diversos filmes, encerrou a carreira em 2012 num pequeno filme para televisão, integrado numa série de obras comemorativas do aniversário de 300 anos de nascimento do filósofo Jean-Jacques Rousseau. Em 2010, recebeu um prêmio pelas realizações da carreira no Festival de Locarno, ocasião em que refletiu sobre sua trajetória, dizendo que chegara a hora de descansar, depois de tanto lutar.
Viola Davis arranca aplausos e 100% de aprovação com “A Mulher Rei”
A exibição de “A Mulher Rei” no Festival de Toronto foi marcada por aplausos e gritos de “Nós te amamos, Viola!” e “Obrigado, Viola”. A plateia irrompeu em aplausos desde a primeira vez que a atriz apareceu na tela, e esses aplausos continuaram em meio às sequências de ação, em que Davis e suas colegas de elenco, Lashana Lynch, Sheila Atim e Thuso Mbedu, brandiam facões e lanças. Refletindo sobre a reação do público e a dificuldade para convencer um estúdio a filmar “A Mulher Rei”, a diretora Gina Prince-Bythewood deixou subentendido o racismo dos executivos de Hollywood. “Me surpreende até hoje que este filme exista, por causa do que foi necessário para ser feito”, disse ela no encontro com a imprensa no TIFF Bell Lightbox. A cineasta contou que teve o projeto recusado por uma lista enorme de estúdios e produtoras. “Noventa e nove por cento das vezes são homens brancos sentados à sua frente e você precisa convencê-los de que sua história é digna”, disse Prince-Bythewood. “É esmagador ouvir ‘não’ após ‘não’, após ‘não entendemos assim’.” Para ela, filmar “A Mulher Rei” foi uma batalha na frente e atrás das câmeras. Mas, avalia: “colocar mulheres negras na tela é algo pelo qual vale a pena lutar”. A crítica norte-americana concordou que o esforço valeu a pena. Após os aplausos do público, o filme chegou ao agregador Rotten Tomatoes com 100% de aprovação. Todas as críticas foram unânimes em afirmar que se trata de um filme de ação empolgante e tecnicamente imponente. Até este fim de semana, Viola Davis disse que ainda não tinha conferido a repercussão. A estrela contou para a imprensa que parou de acompanhar as redes sociais após se aborrecer com alguns comentários. “Fiquei muito chateada, mas sabia que não poderia responder porque as pessoas saberiam que era eu”, disse, admitindo em seguida ter criado um perfil falso para reagir ao que considerava injusto. “Lili Washington xingou algumas pessoas”, revelou. Durante as perguntas e respostas feitas após a première, Davis foi questionada se esperava ser indicada a mais um Oscar pela performance. Ela respondeu que seu objetivo não é ser premiada, mas inspirar jovens negras. “Quero fazer pelas jovens negras o que a senhorita [Cecily] Tyson fez por mim quando eu tinha 7 anos”, explicou. “Ela foi a manifestação física do meu sonho, e veio até mim através de um aparelho de televisão quebrado em um apartamento em ruínas em Central Falls, Rhode Island. O que ela me entregou é algo que não pode ser quantificado em palavras.” Viola Davis também é produtora do filme, que ela chama de sua “magnum opus”. “Sinto que, durante toda a minha vida, me permiti ser definida por uma cultura. Eu me permiti ser definido pelos meus opositores”, disse Davis, dirigindo-se ao público do festival. “Muitas vezes você permite que outras pessoas o definam e, aos 56 anos, cheguei à conclusão de que eu mesma posso me definir.” Após esta declaração, o público irrompeu em mais aplausos, com mais gritos de “Viola!”, “Obrigado, Viola” e “Eu te amo, Viola!”. A vencedora do Oscar respondeu: “Eu também amo vocês”. “A lot of times you just allow other people to define you and at 56 years old I have come to the realization that I can define myself.” ❤️ Wise words from @violadavis at the World Premiere of Gina Prince-Bythewood’s (@GPBmadeit) THE WOMAN KING. #TIFF22 pic.twitter.com/VrDC8TSWP4 — TIFF (@TIFF_NET) September 10, 2022
Pandemia levou Spielberg a fazer filme mais aplaudido do Festival de Toronto
Apesar de ser o diretor mais famoso do mundo em atividade, Steven Spielberg nunca tinha lançado um filme num festival de cinema até “Fabelmans”. Mesmo com Oscars e tendo presidido o Festival de Cannes, ele nunca foi convidado a competir numa mostra de cinema. Mas “Fabelmans” é um longa diferente, sua obra mais autoral, e Toronto também é um festival diferente, onde os vencedores são escolhidos pelo público. “Esse filme é tão pessoal que eu queria mostrá-lo para pessoas que amam cinema. Elas deveriam vê-lo primeiro”, Spielberg explicou sobre a decisão de finalmente estrear num festival. E as pessoas realmente amaram, com aplausos consagradores, críticas elogiosas e burburinho sobre favoritismo ao Oscar 2023. Baseado nas memórias de infância e adolescência de Spielberg, o filme foi visto não apenas pelo público e seu elenco, mas também pelas três irmãs do diretor, que são retratadas na tela, ainda que os nomes das personagens sejam diferentes. “Este filme é uma maneira de trazer minha mãe e meu pai de volta”, disse o cineasta. “E também trouxe minhas irmãs para mais perto de mim do que eu jamais pensei ser possível. Valeu a pena fazê-lo.” O público pareceu concordar. Os aplausos foram tão intensos e insistentes no cinema Princess of Wales que o CEO do festival, Cameron Bailey, teve que pedir a todos que parassem para que pudessem começar as perguntas e respostas com o diretor sobre o filme. Durante a exibição, as performances que arrancaram as maiores reações do público foram do veterano Judd Hirsch (“Numb3rs”) como um tio maluco e amante da arte, Gabriel LaBelle como o jovem Sammy Fabelman (uma versão de Spielberg adolescente) e o cineasta David Lynch num papel-surpresa. Emocionado com a reação à obra, Spielberg explicou o que o levou a recordar sua vida na tela. “Quando a covid chegou, tivemos muito tempo sem nada para fazer e muito medo. Acho que ninguém sabia em março ou abril de 2020 como seria o estado da arte ou o estado da vida após um ano disso. À medida que as coisas ficavam cada vez piores, senti que precisava resolver minhas questões sobre minha mãe, meu pai e minhas irmãs.” Spielberg acrescentou: “Isso era algo em que vinha pensando há muito tempo. Eu realmente não sabia quando eu ia começar a fazer isso. Mas isto não significa que eu vou me aposentar e este é o meu canto do cisne, eu prometo.” Com 92% de aprovação no Rotten Tomatoes após a première em Toronto, o filme só vai estrear no Brasil em 9 de fevereiro, três meses após o lançamento comercial nos EUA. Veja abaixo a reação do público do festival ao filme. Standing ovation for Steven Spielberg and the cast of THE FABELMANS ✨#TIFF22 @thefabelmans #TheFabelmans #Spielberg pic.twitter.com/fG56bKfmLF — Movie Lightbox (@movie_lightbox) September 11, 2022 A standing ovation for Steven Spielberg after the world premiere of #TheFabelmans. The longest one I’ve heard at #TIFF22 yet. pic.twitter.com/TwQB1Q3Y1g — Matt Neglia @TIFF (@NextBestPicture) September 11, 2022
Fabelmans: Filme da infância de Spielberg ganha belo trailer
A Universal Pictures divulgou o primeiro trailer de “Fabelmans”, novo filme de Steven Spielberg que arrancou elogios rasgados da crítica no Festival de Toronto. O filme é uma dramatização das memórias de infância e adolescência do diretor, que se inspirou em sua própria vida para contar uma história de amor pela família e pelo próprio cinema. A prévia mostra como os dois polos se juntam, via o impacto dos filmes na imaginação do pequeno ‘Fabelman’ e o incentivo de sua mãe para que virasse um cineasta. Também há cenas sobre as amizades e o preconceito que o jovem sofreu por ser judeu, além de uma fotografia linda de época. Spielberg co-escreveu o roteiro com Tony Kushner, com quem já trabalhou em “Munique”, “Lincoln” e no remake de “Amor, Sublime Amor”. O elenco destaca Michelle Williams (“Todo o Dinheiro do Mundo”) e Paul Dano (“Batman”) como os pais, Gabriel LaBelle (“Predador”) como a versão adolescente do protagonista, Seth Rogen (“Vizinhos”) como seu tio favorito e mais Chloe East (“Generation”), Julia Butters (“Bela, Recatada e do Lar”/American Housewife), Jeannie Berlin (“Café Society”), Gabriel Bateman (“Brinquedo Assassino”), Nicolas Cantu (“The Walking Dead: World Beyond”), o veterano Judd Hirsch (“Numb3rs”) e até o diretor David Lynch, conhecido por filmes como “Veludo Azul” e “Cidade dos Sonhos”. Aplaudidíssimo e com 92% de aprovação no Rotten Tomatoes após a première em Toronto, o filme só vai estrear no Brasil em 9 de fevereiro, três meses após o lançamento comercial nos EUA.
Novo filme de terror estreia em 1º lugar nas bilheterias dos EUA
O novo filme de terror “Barbarian” surpreendeu expectativas ao liderar as bilheterias dos EUA e Canadá no fim de semana, com US$ 10 milhões em vendas de ingressos. Cheio de reviravoltas, o filme de Zach Cregger (“Miss Março: A Garota da Capa”) segue uma jovem (Georgina Campbell) que chega tarde da noite à sua casa alugada num bairro decadente de Detroit apenas para encontrá-la ocupada por outro inquilino, interpretado por Bill Skarsgård (o Pennywise de “It: A Coisa”). A crítica adorou, com 92% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas o público deu apenas nota C+ na pesquisa do CinemaScore. Produção do 20th Century Studios, “Barbarian” não tem previsão de estreia no Brasil. Outra surpresa apareceu em 2º lugar: “Bramastra Part 1: Shiva”, um filme de Bollywood (a indústria indiana de cinema), que faturou US$ 4,4 milhões em 810 cinemas. Produção do Star Studios, da Disney, também recebeu o maior lançamento doméstico Imax de todos os tempos para um filme de Bollywood nos EUA. “Trem-Bala”, da Sony, aparece em 3º lugar em seu 7º fim de semana em cartaz, com US$ 3,25 milhões entre sexta e domingo (11/9) e um total doméstico de US$ 92,5 milhões. Mas “Top Gun: Maverick” não ficou muito atrás, somando mais US$ 3,17 milhões em seu 16º fim de semana, para chegar num total doméstico de US$ 705,7 milhões e US$ 1,45 milhão mundiais. A animação “DC Liga dos SuperPets” fecha o Top 5 com US$ 2,8 milhões em seu 6º fim de semana. Ao todo, a produção da Warner Bros. faturou US$ 85,4 milhões no mercado norte-americano e US$ 168 milhões globalmente. Veja abaixo o trailer tenso de “Barbarian”.
Marvel finaliza participação na D23 com entrevistas de astros e reações de fãs
A Marvel divulgou vídeos com entrevistas com os astros e as reações dos fãs às apresentações do estúdio durante o sábado (10/9) na D23 Expo, convenção anual da Disney que acontece até este domingo no Centro de Convenções de Anaheim, nas proximidades da Disneylândia da Califórnia. As maiores novidades nos trechos de entrevistas divulgados incluem Charlie Cox admitindo que se encontrou com os roteiristas da nova série do Demolidor pela primeira vez durante o evento – e cobrou pressa para gravar – , David Harbour revelando que o Guardião Vermelho terá um novo uniforme em “Thunderbolts”, Iman Velani contando que a família de Kamala Khan está no filme “As Marvels” e Gael Garcia Bernal avisando que as pessoas vão se assustar com “Lobisomem na Noite”. Também há conversas com astros de “Pantera Negra: Wakanda para Sempre”, “Guerra das Armaduras” (Armor Wars), “Eco” (Echo) e com o diretor de “Capitão América: Nova Ordem Mundial”. Confira abaixo.
Marsha Hunt, lenda de Hollywood, morre aos 104 anos
A atriz Marsha Hunt, estrela da era de ouro de Hollywood e primeira grande ativista do cinema, que teve a carreira prejudicada pela paranoia comunista e caça às bruxas do Congresso dos EUA, morreu na quarta-feira (7/9) de causas naturais em sua casa em Sherman Oaks, onde morava desde 1946. Ela tinha 104 anos. O anúncio foi feito no sábado (10/9) pelo diretor Roger C. Memos, que filmou um documentário sobre sua vida, “Marsha Hunt’s Sweet Adversity” (2015). Ex-modelo que assinou com a Paramount Pictures aos 17 anos, a atriz de Chicago estreou em 1935 nos cinemas, com um papel no drama jurídico “Cumpra-se a Lei”. Ela apareceu como uma ingênua e interesse amoroso em vários filmes – John Wayne a namorou em “Trunfos na Mesa” (1937) – , e ao fim de seu contrato em 1938 passou a atuar para a MGM, onde fez seu primeiro grande sucesso, como uma estudante suicida ao lado de Lana Turner em “Estas Grã-Finas de Hoje” (1939). No mesmo ano, chamou atenção em “Heroica Mentira”, em que interpretou a mesma personagem dos 16 aos 65 anos de idade. E em seguida viveu a irmã deselegante Mary Bennet numa versão de “Orgulho e Preconceito” (1940) em que Laurence Olivier viveu o arrogante Mr. Darcy. Hunt também trabalhou no noir “Um Assassino de Luvas” (1942), que foi o primeiro longa do diretor Fred Zinnemann nos Estados Unidos, e apareceu ao lado de Mickey Rooney em “A Comédia Humana” (1943), indicado ao Oscar de Melhor Filme. Entre seus últimos papéis dessa fase, ainda se destacam os clássicos noir “Desespero” (1947), em que saiu no tapa com Susan Heyward, e “Entre Dois Fogos” (1948), no qual interpretou a advogada mocinha que ajuda Dennis O’Keefe a sair da prisão e se livrar de uma cilada de Raymond Burr. Embora nunca tenha atingido o status de seus colegas de elenco, ela já tinha mais de 50 filmes na carreira quando se juntou com seu segundo marido, o roteirista Robert Presnell Jr., num movimento pró-liberdade de expressão que em 1947 questionou a legalidade do Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara, criado com a intenção de identificar e expulsar os comunistas da indústria do entretenimento. O grupo do protesto, que também incluía Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Danny Kaye, John Huston e outros liberais de Hollywood, fretou um avião para Washington para participar das audiências para apoiar 19 roteiristas que estavam sob escrutínio sob a suspeita de serem comunistas. Quando os conservadores reagiram ao movimento com a imposição da infame Lista Negra, que proibiu Hollywood de contratar supostos subversivos, todos os corajosos do movimento deram para trás, incluindo Bogart, que viveu inúmeros valentões na tela. Vieram à público dizer que foram enganados pelos comunistas e que sua viagem a Washington foi imprudente. Isso talvez tenha salvo suas carreiras, pois Marsha Hunt não se arrependeu nem se retratou, e teve o nome incluído na Lista Negra em junho de 1950, passando a ser proibida pelo panfleto de direita de trabalhar em Hollywood. “Sabe, eu nunca me interessei pelo comunismo”, disse ela em uma entrevista de 2004. “Eu estava muito interessada em minha indústria, meu país e meu governo. Mas fiquei chocada com o comportamento do meu governo e seus maus tratos à minha indústria. E então eu reclamei e protestei como todo mundo naquele voo. Mas então me disseram que eu não era uma ativista liberal, mas uma comunista e estava na Lista Negra. Era tudo sobre controle e poder”. “A maneira como se obtém o controle é fazer com que todos concordem com o que for apropriado no momento, o que for aceito. Não questione nada, não fale, não tenha suas próprias ideias, não questione, nunca seja eloquente, e se você for uma dessas coisas, você é controverso. E para eles isso era ruim, talvez pior do que ser comunista. Por isso me acusavam disso, pois você perdia sua carreira, seu bom nome, suas economias, provavelmente seu casamento e seus amigos se fosse considerada comunista. Foi terrível, simplesmente terrível.” Chamá-la de comunista era uma aberração enorme e típica da época da caça às bruxas, pois, quando não estava atuando, Hunt servia como anfitriã no famoso Hollywood Canteen para militares americanos. Prejudicada pelo governo dos EUA, sua carreira nunca mais foi a mesma. Sem trabalho, decidiu se dedicar a causas. Passou a viajar o mundo como ativista de esforços humanitários, fazendo aparições em nome das Nações Unidas e se tornando o que ela chamava de “patriota do planeta”. Aos poucos, a Lista Negra foi perdendo a eficácia, o que permitiu à atriz começar a aparecer, pouco a pouco, como estrela convidada em programas de TV, atuando em episódios da semana de séries como “Alfred Hitchcock Apresenta”, “Além da Imaginação” (The Twilight Zone), “Quinta Dimensão” (The Outer Limits), “Gunsmoke”, “Ben Casey” e “Têmpera de Aço” (Ironside). Retomou também o trabalho cinematográfico, mas em papéis bem menores do que estava acostumada – como a mãe do jovem Brandon De Wilde em “Blue Jeans – O Que os Pais Desconhecem” (1959) e a dona de um hotel no western “Os Destruidores” (1960). Anos depois, estrelou o marcante “Johnny Vai à Guerra” (1971), escrito e dirigido pelo famoso roteirista da Lista Negra Dalton Trumbo. Hunt interpretou a mãe do soldado amputado, vivido por Timothy Bottoms, num drama tão forte que transformava o protesto contra a Guerra do Vietnã numa obra de terror. Ela permaneceu ativa nas telas até os anos 1980, quando ainda pôde ser vista em algumas séries populares, como “Assassinato por Escrito”, “Matlock” e “Jornada nas Estrelas: A Nova Geração”. Mas logo a atuação se tornou secundária a seu trabalho no conselho do SAG (Sindicato dos Atores dos EUA), onde encabeçou vários comitês progressistas. Um deles passou a cobrar os estúdios para contratar atores minoritários em papéis que não fossem estereotipados. Não satisfeita, ela ainda se dedicava a ajudar os sem-teto de sua cidade, virando a prefeita honorária de Sherman Oaks. Mesmo com tantas funções, voltou às telas, de forma surpreendente, com 91 anos no elogiado filme indie “Chloe’s Prayer” (2006), de Maura Mackey, e ainda fez, dois anos mais tarde, participação no telefilme “Meurtres à l’Empire State Building”, que reuniu várias estrelas da velha Hollywood – inclusive seu antigo parceiro Mickey Rooney e Kirk Douglas, em seu último papel. Em abril de 2015, ela virou nome de prêmio, o Marsha Hunt for Humanity, criado por Kat Kramer, filha do célebre diretor e produtor Stanley Kramer, para reconhecer o esforço de artistas em prol da humanidade. Hunt foi “uma das primeiras grandes atrizes de Hollywood a dedicar sua vida a causas”, observou Kramer sobre a escolha de seu nome para representar o prêmio, “e abriu o caminho para Angelina Jolie, Sean Penn, Jane Fonda, Lily Tomlin, Patricia Arquette, Sharon Stone, George Clooney, Matt Damon, Don Cheadle, Tippi Hedren, Ed Begley Jr., Ed Asner e Martin Sheen – e todas as celebridades que usam sua fama para realizarem mudanças.”












