O Regresso é o grande vencedor do BAFTA, o Oscar britânico
O filme “O Regresso”, de Alejandro González Iñárritu, foi o grande vencedor do BAFTA Awards 2016, premiação da Academia Britânica de Cinema, equivalente ao Oscar no Reino Unido. Foram, ao todo, cinco prêmios conquistados na cerimônia que aconteceu na noite de domingo (14/2) em Londres: Melhor Filme, Direção, Ator (Leonardo DiCaprio), Fotografia (Emmanuel Lubezki) e Som. “Mad Max: A Estrada da Fúria”, de George Miller, foi o segundo longa mais premiado, com quatro vitórias em categorias mais técnicas: Edição, Design de Produção, Figurino e Maquiagem. E não houve nenhuma outra unanimidade. Assim, os demais troféus pulverizaram sete filmes diferentes. A maior parte da premiação ecoou tendências dos sindicatos de Hollywood, como as vitórias dos roteiristas de “Spotlight” e “A Grande Aposta”, premiados horas antes no WGA Awards. Alejandro Iñarritu também venceu o DGA Awards, enquanto DiCaprio e Brie Larson (premiada por “O Quarto de Jack”) tinham comemorado o SAG Awards. As diferenças ficaram por conta dos coadjuvantes. Os ingleses Mark Rylance (por “Ponte dos Espiões”) e Kate Winslet (por “Steve Jobs”) superaram os candidatos americanos. A cerimônia do BAFTA ainda rendeu um troféu para “Brooklyn” como Melhor Filme Britânico do ano, além de premiar o documentário “Amy”, sobre a cantora Amy Winehouse, a animação “Divertida Mente” e, entre os estrangeiros, o filme argentino “Relatos Selvagens”. VENCEDORES DOS BAFTA AWARDS 2016 Melhor Filme O Regresso Melhor Direção Alejandro González Iñárritu – O Regresso Melhor Ator Leonardo Dicaprio – O Regresso Melhor Atriz Brie Larson – O Quarto de Jack Melhor Ator Coadjuvante Mark Rylance – Ponte dos Espiões Melhor Atriz Coadjuvante Kate Winslet – Steve Jobs Melhor Roteiro Original Tom Mccarthy e Josh Singer – Spotlight Melhor Roteiro Adaptado Adam McKay e Charles Randolph – A Grande Aposta Melhor Fotografia Emmanuel Lubezki – O Regresso Melhor Animação Divertida Mente Melhor Documentário Amy Melhor Filme em Língua Estrangeira Relatos Selvagens (Argentina) Melhor Filme Britânico Brooklyn Melhor Trilha Sonora Original Ennio Morricone – Os Oito Odiados Melhor Edição Margaret Sixel – Mad Max: Estrada da Fúria Melhor Design de Produção Colin Gibson e Lisa Thompson – Mad Max: Estrada da Fúria Melhor Figurino Jenny Beavan – Mad Max: Estrada da Fúria Melhor Maquiagem Lesley Vanderwalt e Damian Martin – Mad Max: Estrada da Fúria Melhores Efeitos Visuais Chris Corbould, Roger Guyett, Paul Kavanagh e Neal Scanlan – Star Wars: O Despertar da Força Melhor Som Lon Bender, Chris Duesterdiek, Martin Hernandez, Frank A. Montaño, Jon Taylor e Randy Thom – O Regresso Melhor Estreia de Cineasta Britânico Naji Abu Nowar – Theeb Melhor Ator em Ascensão (votado pelo público) John Boyega – Star Wars: O Despertar da Força Melhor Curta Britânico Operator Melhor Curta Animado Britânico Edmond
Spotlight e A Grande Aposta vencem prêmio do Sindicato dos Roteiristas de Hollywood
O Sindicato dos Roteiristas dos EUA (WGA, na sigla em inglês) considerou as histórias do drama “Spotlight” e da comédia “A Grande Aposta” as melhores do cinema em 2015. Os dois filmes foram vitoriosos nas categorias de Melhor Roteiro Original e Melhor Roteiro Adaptado, respectivamente, na premiação anual WGA Awards. Realizado na noite de sábado (13/2), o evento destacou dois filmes que também disputam prêmios equivalentes no Oscar 2016. O troféu de Melhor Roteiro de Documentário foi para “Going Clear: Scientology and the Prison of Belief”, filme controvertido, que denuncia perigos da seita da Cientologia. Nas categorias televisivas, o WGA Awards mostrou-se mais conservador, premiando produções veteranas, como “Mad Men” em Drama e “Veep” como Comédia. Destaque do ano, a série “Mr. Robot” foi considerada como Melhor Série Estreante. Vencedores do WGA Awards 2016 CINEMA Melhor Roteiro Original Spotlight: Segredos Revelados – Josh Singer e Tom McCarthy Melhor Roteiro Adaptado A Grande Aposta – Charles Randolph e Adam McKay Melhor Roteiro de Documentário Going Clear: Scientology and the Prison of Belief – Alex Gibney TELEVISÃO Melhores Roteiros de Série de Drama Mad Men – Lisa Albert, Semi Chellas, Jonathan Igla, Janet Leahy, Erin Levy, Tom Smuts, Robert Towne, Matthew Weiner e Carly Wray Melhores Roteiros de Série de Comédia Veep – Simon Blackwell, Jon Brown, Kevin Cecil, Roger Drew, Peter Fellows, Neil Gibbons, Rob Gibbons, Sean Gray, Callie Hersheway, Armando Iannucci, Sean Love, Ian Martin, Georgia Pritchett, David Quantick, Andy Riley, Tony Roche e Will Smith Melhores Roteiros de Série Nova Mr. Robot – Kyle Bradstreet, Kate Erickson, Sam Esmail, David Iserson, Randolph Leon, Adam Penn e Matt Pyken Melhores Roteiros de Minissérie Original Saints & Strangers – Seth Fisher, Walon Green, Chip Johannessen e Eric Overmyer Melhores Roteiros de Minissérie Adaptada Fargo – Steve Blackman, Bob DeLaurentis, Noah Hawley, Ben Nedivi e Matt Wolpert Melhor Roteiro de Episódio de Série de Drama Better Call Saul, episódio “Uno” – Vince Gilligan e Peter Gould Melhor Roteiro de Episódio de Série de Comédia Silicon Valley, episódio “Sand Hill Shuffle” – Clay Tarver Melhor Roteiro de Episódio de Série Animada Bob’s Burgers, episódio “Housetrap” – Dan Fybel Melhor Roteiro de Episódio de Série Animada Bob’s Burgers, episódio “Housetrap” – Dan Fybel Melhor Roteiro de Episódio de Série Infantil Gortimer Gibbon’s Life on Normal Street, episódio “Endless Night” – Gretchen Enders e Aminta Goyel Melhor Roteiro de Especial Infantil Descendentes – Josann McGibbon e Sara Parriott Melhores Roteiros de Programa Humorístico Inside Amy Schumer – Jessi Klein,Hallie Cantor, Kim Caramele, Kyle Dunnigan, Jon Glaser, Kurt Metzger, Christine Nangle, Dan Powell, Tami Sagher e Amy Schumer
Mother’s Day: Comédia com Julia Roberts e Jennifer Aniston ganha primeiro trailer
A Open Road divulgou o primeiro trailer de “Mother’s Day”, terceira comédia romântica com título de feriado do diretor Garry Marshall, que se especializou no subgênero ao comemorar anteriormente a “Noite de Ano Novo” (2011) e o Dia dos Namorados, que os tradutores brasileiros tiraram do calendário ao batizarem de “Idas e Vindas do Amor” (2010). A fórmula é praticamente a mesma, com uma porção de atores famosos reunidos em histórias paralelas. Desta vez, porém, algumas dessas tramas se entrelaçam. Será a quarta vez que Marshall dirige Julia Roberts (“Álbum de Família”), que ele lançou ao estrelato em “Uma Linda Mulher” (1990). O resto do elenco estrelado inclui Jennifer Aniston (“Família do Bagulho”), Kate Hudson (“Pronta Para Amar”), Jason Sudeikis (“Quero Matar Meu Chefe”), Britt Robertson (“Tomorrowland”), Timothy Olyphant (série “Justified”), Shay Mitchell (série “Pretty Little Liars”), Sarah Chalke (série “Scrubs”), Margo Martindale (série “The Americans”), Jon Lovitz (“The Ridiculous 6”) e Aasif Mandvi (“Os Estagiários”). O roteiro de “Mother’s Day” foi escrito por Anya Kochoff (“A Sogra”) e a estreante Lily Hollander, a estreia está marcada para 28 de abril, próximo ao Dia das Mães, é claro.
Whiskey Tango Foxtrot: Tina Fey e Margot Robbie vão à guerra em trailer de comédia
A Paramount Pictures divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Whiskey Tango Foxtrot”, comédia que coloca Tina Fey (“Irmãs”) e Margot Robbie (“Golpe Duplo”) na Guerra do Afeganistão. A prévia mostra o choque cultural que acompanha a chegada de uma jornalista americana (Fey) em Cabul, para escrever sobre as tropas dos EUA num dos países mais machistas do mundo. Robbie interpreta a única outra mulher no front, uma correspondente britânica. O humor acontece entre explosões e episódios de constrangimento com os costumes locais. O elenco também conta com Martin Freeman (“O Hobbit”), Alfred Molina (“O Amor É Estranho”) e Billy Bob Thornton (série “Fargo”). A trama é inspirado no livro de memórias da jornalista americana Kim Barker – que, na verdade, cobriu o Oriente Médio bem longe da guerra, em Nova Dheli, na Índia, e Islamabad, no Paquistão. O roteiro foi escrito por Robert Carlock, que já trabalhou com Tina Fey em “30 Rock”, e a direção é assinada pela dupla Glenn Ficarra e John Requa, que filmou Robbie em “Golpe Duplo” (2015). “Whiskey Tango Foxtrot” estreia em 4 de março nos EUA e apenas dois meses depois, em 5 de maio, no Brasil.
Deadpool supreende, quebra recordes e lidera bilheteria nos EUA
A estreia de “Deadpool” antecipou o verão nos EUA. Com números de blockbuster, o primeiro filme de super-herói de 2016 faturou US$ 132 milhões em seu primeiro fim de semana na América do Norte. O valor chega a US$ 152 milhões nas projeções que incluem o feriado de segunda-feira (15/2), em que se comemora o Dia do Presidente nos EUA. O valor é recorde entre todos os lançamentos de fevereiro nos EUA, superando com folga os US$ 85 milhões conquistados por “Cinquenta Tons de Cinza” no mesmo período do ano passado. Mas, principalmente, é a maior estreia de todos os tempos para um filme classificado com censura “R” (impróprio para menores de 17 anos). O sucesso pegou de surpresa a própria 20th Century Fox, que, após relutar muito com a ideia de lançar um filme de super-heróis para maiores, foi convencida de que o público aceitaria o projeto e deu liberdade para o time criativo da produção, encabeçado pelo ator-produtor Ryan Reynolds e o diretor estreante Tim Miller. Reynolds vestiu não só a camisa, mas o uniforme completo, fazendo uma verdadeira blitz de marketing (provavelmente passou mais tempo gravando vídeos de divulgação do que propriamente filmando o longa). Só na reta final o estúdio passou a considerar que a loucura daria certo, estimando uma abertura na casa dos US$ 65 milhões. Ninguém esperava que rendesse o dobro. Ou que seu êxito repercutisse no mercado internacional – foram mais US$ 120 milhões no exterior. Vale observar que o estúdio não quis investir muito na produção. Mas graças ao “baixo” orçamento de US$ 58 milhões, também considerou que não perderia muito com seu humor insano, repleto de palavrões, sexo e ultraviolência, deixando Reynolds à vontade, numa atitude bem diferente dos relatos associados aos bastidores de “Quarteto Fantástico”, que teria sofrido intervenção. A lição, aparentemente, foi aprendida. Agora, é ver qual o legado “Deadpool” deixará, além da encomenda confirmada de sua continuação. Afinal, até então, todos os filmes de super-heróis da Marvel foram lançados com censura “PG-13”, para maiores de 13 anos. “Deadpool” inaugura uma nova era. O mais importante é que o público adorou. A nota da pesquisa do CinemaScore foi A, a máxima. Até a crítica aplaudiu, com 85% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Bem ao contrário do que aconteceu com as outras duas estreias amplas da semana norte-americana. Os lançamentos das comédias “Como Ser Solteira” e “Zoolander 2” ficaram muito abaixo das pretensões de seus estúdios. O besteirol que junta Dakota Johnson (“Cinquenta Tons de Cinza”) e Rebel Wilson (“A Escolha Perfeita”) fez US$ 18,7 milhões, abrindo em 3º lugar, abaixo da animação “Kung Fu Panda 3”. Mas a grande decepção ficou por conta de “Zoolander 2”, que contou com quase tanto marketing quanto “Deadpool”. Com US$ 15,6 milhões, o filme de Ben Stiller (“A Vida Secreta de Walter Mitty”) não passou do 4º lugar, além de acumular as piores avaliações de público (C+) e crítica (23%) da semana. Em relação à semana passada, o que mais chama atenção é a queda de “Orgulho e Preconceito e Zumbis”, que após dez dias nem aparece mais no Top 10, desabando para o 13º lugar. Segurando-se em 8º lugar, “A Escolha” também não tem muito a comemorar, demonstrando o pior desempenho de uma adaptação dos livros melosos de Nicholas Sparks. BILHETERIA: TOP 10 EUA 1. Deadpool Fim de semana: US$ 132 milhões Total EUA: US$ 152 milhões Total Mundo: US$ 284 milhões 2. Kung Fu Panda 3 Fim de semana: US$ 19,6 milhões Total EUA: US$ 93,9 milhões Total Mundo: US$ 225,3 milhões 3. Como Ser Solteira Fim de semana: US$ 18,7 milhões Total EUA: US$ 18,7 milhões Total Mundo: US$ 26,8 milhões 4. Zoolander 2 Fim de semana: US$ 15,6 milhões Total EUA: US$ 15,6 milhões Total Mundo: US$ 24,1 bilhões 5. O Regresso Fim de semana: US$ 6,9 milhões Total EUA: US$ 159,1 milhões Total Mundo: US$ 340,1 milhões 6. Ave, César Fim de semana: US$ 6,5 milhões Total EUA: US$ 21,3 milhão Total Mundo: US$ 21,3 milhão 7. Star Wars: O Despertar da Força Fim de semana: US$ 6,1 milhões Total EUA: US$ 914,8 milhões Total Mundo: US$ 2 bilhões 8. A Escolha Fim de semana: US$ 5,2 milhões Total EUA: US$ 13,2 milhões Total Mundo: US$ 13,2 milhões 9. Policial em Apuros 2 Fim de semana: US$ 4,1 milhões Total EUA: US$ 82,6 milhões Total Mundo: US$ 108,2 milhões 10. Boneco do Mal Fim de semana: US$ 2,9 milhões Total EUA: US$ 30,7 milhões Total Mundo: US$ 30,7 milhões
Os Dez Mandamentos atinge 5 milhões de ingressos vendidos em 15 dias
O filme “Os Dez Mandamentos” atingiu a marca recorde de público de 5 milhões após 15 dias nas salas de cinema do país. Com isso, a versão condensada da novela da Record já empata com “2 Filhos de Francisco” (2005) como a terceira maior bilheteria do cinema brasileiro pós-Retomada (anos 1990), ficando atrás apenas de “E Se Eu Fosse Você” (2006) e “Tropa de Elite 2” (2010). Para superar o primeiro colocado, será preciso vender mais que o dobro do que já foi arrecadado até agora. O fenômeno “Tropa de Elite 2” foi assistido por cerca de 11 milhões de espectadores. “Os Dez Mandamentos” condensa e resume mais de 170 capítulos da novela escrita por Vivian de Oliveira e dirigida por Alexandre Avancini, que registrou a maior audiência da história da Record. O filme também registra o maior lançamento do cinema brasileiro, em 1,1 mil salas (um terço de todo o parque exibidor nacional), e, após sair de cartaz, será exibido primeiro no Telecine, canal pago do conglomerado de comunicações rival da Record, a Globo.
Jake Gyllenhaal implode no trailer do novo drama do diretor de Clube de Compras Dallas
A Fox Searchlight Pictures divulgou o pôster e o segundo trailer do drama “Demolition”, do diretor canadense Jean-Marc Vallée (“Clube de Compras Dallas”), que traz Jake Gyllenhaal (“O Abutre”) como um viúvo com dificuldades de expressar a dor de sua perda. A prévia mostra o acidente que matou sua mulher (Heather Lind, da série “Turn”), os problemas de relacionamento com o sogro (Chris Cooper, de “Álbum de Família”), a passividade com que encarava a vida e sua reação emocional, ao decidir demolir a própria casa, atitude que serve como uma metáfora para sua autodestruição, mas também reconstrução – com a ajuda de uma desconhecida vivida por Naomi Watts (“O Impossível”) e seu filho (Judah Lewis, de “Caçadores de Emoção: Além do Limite”). Filme de abertura do Festival de Toronto do ano passado, “Demolition” chega aos cinemas americanos em 8 de abril e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
Mãe Só Há Uma: Veja uma cena e o pôster internacional do novo filme de Anna Muylaert
O pôster e a primeira cena de “Mãe Só Há Uma”, novo filme da diretora brasileira Anna Muylaert, foram divulgados para o mercado internacional, acompanhando a repercussão positiva da première no Festival de Berlim. Exibido na mostra Panorama, que no ano passado foi vencida por outra obra da cineasta, “Que Horas Ela Volta?”, o filme teve uma recepção entusiasmada do público e da crítica na Bienale. A trama segue a história de um adolescente, roubado ainda bebê numa maternidade, que é reintroduzido à sua família biológica, enquanto lida ainda com a definição de sua identidade sexual. O elenco destaca o estreante Naomi Nero (sobrinho de Alexandre Nero) no papel principal, a pouco conhecida Dani Nefusi em papel duplo, como a sequestradora e a mãe biológica, e Matheus Nachtergaele (“Trinta”) como o pai burguês e machista, que precisa lidar com a descoberta de um filho transgênero. “Mãe Só Há Uma”, que no mercado internacional se chama “Don’t Call Me Son”, ainda não tem previsão de estreia.
Antes o Tempo Não Acabava: Aplaudido em Berlim, filme brasileiro sobre índio urbano ganha trailer internacional
Junto da première no Festival de Berlim, foram divulgados um pôster, uma cena e o trailer para o mercado internacional de “Antes o Tempo Não Acabava”. Com o título em inglês de “Time Was Endless”, o filme acompanha um índio (Anderson Tikuna) nos limites da cultura nativa e o ambiente urbano, em que busca liberdade e melhores oportunidades. O trailer expõe este conflito com cenas que transitam entre a aldeia e a cidade, e entre as pinturas rituais e o batom da transexualidade. Por sua vez, o segundo vídeo ainda traz à tona o tratamento polêmico que as tribos dispensam às crianças doentes. Filmado no Amazonas pelos codiretores Sergio Andrade (“A Floresta de Jonathas”) e Fábio Baldo (que editou “A Floresta de Jonathas”), “Antes o Tempo Não Acabava” foi recebido com aplausos na Berlinale, mas ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
Berlim: Filme amazonense sobre índio urbano entusiasma festival
Depois de Anna Muylaert, novamente candidata ao prêmio do público da mostra Panorama com o seu “Mãe Só Há Uma”, foi a vez da dupla Fábio Baldo e Sérgio Andrade estrear sob aplausos. “Antes o Tempo Não Acabava” foi exibido numa sessão lotadíssima, onde a audiência não só aplaudiu como demonstrou bastante interesse em conversar com os diretores e o seu protagonista, Anderson Tikuna, ao final da sessão. Filmada no Amazonas, a história trata de um índio que circula nos limites da cultura da qual provém e o ambiente urbano para o qual segue em busca de liberdade e melhores oportunidades. Mas a abordagem não fornece facilidades para o espectador, desafiando-o através de uma narrativa contemplativa e simbólica, onde a busca por identidade (o tema central do filme) decorre inclusive através de uma ambiguidade sexual explícita. Para os alemães e público em geral, chama atenção a história do índio que desprezava as ONGs (retratada como ladrões no filme) e que perambula entre a ancestralidade por meio de rituais brutais, entre eles a prática de se eliminar crianças portadoras de problemas de saúde, que o fazem afirmar que “fazemos pior que os homens brancos”. Risos da audiência vieram quando a dupla explicou que demorou um mês para decidir pela inclusão de uma versão de “Radioactivity”, do Kraftwerk (um dos mais belos momentos do filme, diga-se) porque não queriam dar a ideia de estarem “puxando o saco dos alemães”. “Quando vim à Alemanha lançar meu longa anterior, ‘A Floresta de Jonathan’, comprei um CD no Museu Etnográfico com gravações de 1908 de manifestações indígenas. Era a simbologia da tradição nas minhas mãos. Mas, aos poucos, conforme o filme foi nascendo, Fábio e eu fomos nos abrindo para outras sonoridades e nos confrontando com algo mais moderno”, explicou o codiretor Sérgio Andrade.
Batman vs. Superman: Super-heróis trocam socos em novos cartazes
A Warner Bros divulgou dois novos pôsteres de “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça”, que mostram os heróis trocando socos. O filme vai mostrar, pela primeira vez no cinema, o encontro dos principais personagem da editora de quadrinhos DC Comics. Além de Ben Affleck (“Argo”) como Batman e Henry Cavill (“Homem de Aço”) como Superman, a produção também vai introduzir Gal Gadot como Mulher Maravilha. O roteiro foi escrito por David Goyer (“O Homem de Aço”) e revisado por Chris Terrio (“Argo”), e a direção é de Zack Snyder (“O Homem de Aço”). A estreia está marcada para 24 de março no Brasil, um dia antes do seu lançamento nos EUA.
Berlim: Anna Muylaert retorna ao festival alemão sob aplausos
Um ano após ser premiada no Festival de Berlim por “Que Horas Ela Volta?”, a diretora brasileira Anna Muylaert voltou a receber aplausos efusivos do público alemão com a exibição de seu novo filme, “Mãe Só Há Uma”. Emocionada no reencontro, ela revelou que teve receios em retornar tão cedo à Berlinale, especialmente na mesma mostra, a Panorama, que ela venceu em 2015. “Depois que pisei aqui no ano passado, minha vida mudou”, ela discursou, durante a première. “Foram centenas de horas falando sobre os problemas sociais brasileiros e o machismo no cinema. Relutei em voltar, pensando que seria difícil vencer novamente e me sentir deprimida. Mas minha função não é fazer gols, é fazer flores. Esse filme é a minha mais nova flor. É sobre uma história muito conhecida que aconteceu no Brasil. É um filme que não foi feito para se sentir bem, mas para se sentir autêntico. Esta é uma flor autêntica”. A história conhecida a que ela se refere é a do menino Pedrinho, que foi roubado ainda bebê numa maternidade de Brasília, décadas atrás. Criado como filho pela sequestradora, Pedrinho vira Pierre no filme, interpretado pelo estreante Naomi Nero (sobrinho de Alexandre Nero), e para complicar essa história já complexa por si só, ele também busca sua identidade sexual, vestindo-se de mulher. Por isso, o reencontro com a família biológica vem junto de um turbilhão de sentimentos, especialmente na relação com o pai machista, vivido por Matheus Nachtergaele (“Trinta”). Em suma, “Mãe Só Há Uma” não é um “filme simples, sem pretensões”, como a diretora dizia em suas entrevistas pregressas, para evitar comparações com “Que Horas Ela Volta?”. Sem o maniqueísmo do filme anterior, é até mais complexo, cheio de nuances, com direito a algumas opções criativas, como a escolha da mesma atriz, Dani Nefusi, para interpretar a mãe sequestradora e a mãe biológica. Presente na sessão, o diretor Karin Aïnouz (“Praia do Futuro”) sintetizou perfeitamente a percepção da obra: “A Anna vai para o lado da loucura e se sai superbem”.
Berlim: Jeff Nichols revela que fantasia de Midnight Special exorciza trauma pessoal
O norte-americano Jeff Nichols dividiu a crítica e o público de Berlim com o seu “Midnight Special”, que pode decepcionar os fãs de sua carreira indie de sucesso – que inclui títulos como “O Abrigo” e “Amor Bandido”. O filme narra a bizarra história de um menino com superpoderes em fuga (do FBI e de uma sinistra organização religiosa) com o pai e não terá facilidade para convencer a audiência no seu lançamento comercial. Na entrevista coletiva, Nichols bem tentou dar uma explicação coerente, falando na óbvia influência de Steven Spielberg (filmes como “E.T.” e “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”) para que o público percebesse essa conexão por vezes bizarra que traz elementos dos quadrinhos (o menino os lê o tempo todo) e, claro, da ficção científica (as visitas extraterrestres). “O que eu acho que este tipo de filme faz especialmente bem é construir um senso de mistério, que leva a um maravilhamento”, disse o diretor. “É um sentimento positivo”, resumiu. Ele também explicou que a ideia para a trama surgiu de sua necessidade de superar o medo de perder seu próprio filho pequeno, quando uma crise de febre muito elevada o fez ter espasmos. “Eu corri com ele para o hospital e achei que estivesse morrendo”, contou o diretor. “Foi um momento muito assustador, em que eu percebi que não tinha controle da situação, e que se algo acontecesse com ele eu ficaria devastado”, ponderou. “Assim, ‘Midnight Special’ surgiu como uma forma para eu processar esse medo. Acho que a razão pela qual amamos tanto nossas crianças é por causa do medo de perdê-las e eu fiz um filme sobre isso”. Estrelado por Michael Shannon (“O Homem de Aço”), ator-fetiche do diretor, além de Kirsten Dunst (“Melancolia”), Adam Driver (“Star Wars: O Despertar da Força”), Joel Edgerton (“Aliança do Crime”) e o menino Jaeden Lieberher (“Um Santo Vizinho”), o filme estreia no Brasil em março e resta saber até que ponto a audiência vai se deixar embalar por seu enredo, cujas emoções vêm dos fortes laços familiares e afetivos entre os protagonistas, mas que, no âmbito da sci-fi, envereda por caminhos sinuosos e de difícil credibilidade.












