
Divulgação/Festival do Rio
Guia da Pipoca: Estreias de cinema incluem tubarões e Carolina Dieckmann
"Águas Mortais", do mesmo diretor de "No Fundo do Mar", e "Pequenas Criaturas", vencedor do Festival do Rio, são os principais lançamentos
Os cinemas recebem um novo filme de tubarão do diretor de “Do Fundo do Mar”, uma adaptação de quadrinhos belgas e quatro lançamentos brasileiros, incluindo os vencedores dos festivais do Rio, com Carolina Dieckmann, e de Brasília, com Zé Maria Pescador. Confira a lista completa.
🎞️ ÁGUAS MORTAIS
Renny Harlin volta aos tubarões quase três décadas depois de “Do Fundo do Mar”, mas troca o laboratório submerso por um desastre aéreo. Em “Águas Mortais”, um voo comercial entre Los Angeles e Xangai cai no Oceano Pacífico, deixando os sobreviventes dentro dos destroços da aeronave enquanto predadores se aproximam.
Aaron Eckhart (“Invasão a Casa Branca”) e Ben Kingsley (“Magnum”) interpretam os pilotos, que precisam retirar os passageiros do avião e organizar uma saída em alto-mar. O acidente limita os recursos e transforma cada tentativa de resgate em risco, já que os predadores marinhos são atraídos pela movimentação ao redor da fuselagem.
Harlin construiu parte da carreira em obras que combinam desastres e thriller de ação, de “Duro de Matar 2” a “Risco Total”, e ainda mostra desenvoltura em seu habitat natural, sem se afogar nos clichês do gênero cada vez mais saturado dos filmes de tubarão.
🎞️ MARSUPILAMI – CONFUSÃO A BORDO
Criado pelo quadrinista belga André Franquin em 1952, o Marsupilami volta ao cinema numa comédia dirigida e protagonizada por Philippe Lacheau (“Alibi.com”). Ele interpreta David, funcionário de um zoológico que aceita buscar um pacote misterioso na América do Sul para não perder o emprego.
David embarca num cruzeiro com a ex-companheira, o filho e um colega encarregado de carregar a encomenda. Quando o pacote é aberto por acidente, surge um filhote de Marsupilami. A tentativa de esconder o animal transforma a viagem numa sequência de perseguições e acidentes, ao mesmo tempo que força o protagonista a se reaproximar da família.
A produção é o segundo filme live-action do personagem de pelagem amarela e cauda desproporcional. E também pode ser considerada uma continuação indireta, já que Jamel Debbouze retorna ao papel de Pablito Camaron, que desempenhou em “Na Pista do Marsupilami”, de 2012. Por curiosidade, o personagem não existe nos quadrinhos originais, que mostram o Marsupilami protegendo sua família na floresta.
🎞️ PEQUENAS CRIATURAS
O drama estrelado por Carolina Dieckmann (“Vale Tudo”) se passa em Brasília em 1986, menos de um ano após o fim da ditadura militar. A personagem da atriz, Helena, chega à capital com o marido e os dois filhos, mas fica sozinha quando ele parte para uma viagem de trabalho pouco depois da mudança.
Enquanto Helena questiona as decisões que a levaram até uma cidade desconhecida, o filho adolescente reage ao isolamento e vive seu primeiro envolvimento amoroso. Já o caçula transforma os espaços vazios de Brasília em território de brincadeira, encontrando companhia onde os adultos enxergam apenas distância.
A diretora Anne Pinheiro Guimarães (“Transe”) usa as avenidas e os edifícios monumentais para reduzir visualmente a família dentro da nova cidade. O trabalho venceu os prêmios de melhor Filme e Direção de Arte no Festival do Rio.
🎞️ FUTURO FUTURO
A sci-fi nacional imagina uma cidade brasileira onde a popularização da inteligência artificial coincide com uma síndrome que apaga a memória. K, homem de 40 anos incapaz de recordar a própria história, é acolhido por um trabalhador digital mais velho na região empobrecida da cidade.
A busca por tratamento leva K a um curso destinado às pessoas afetadas pela doença. Lá, ele entra em contato com um dispositivo de inteligência artificial que causa dependência e oferece uma possível reconstrução de identidade. O recurso tecnológico, porém, passa a determinar sua relação com o mundo.
Davi Pretto escreveu e dirigiu o longa, rodado em 16 dias em Porto Alegre. As filmagens foram interrompidas pelas enchentes de 2024, situação que aproximou a produção de baixo orçamento do cenário distópico que tentava construir. “Futuro Futuro” venceu os prêmios de Melhor Filme, Roteiro e Montagem no Festival de Brasília, além de render menção honrosa a Zé Maria Pescador, intérprete de K.
🎞️ MIL LUAS
Aos 80 anos, a imigrante italiana Chiara se afasta do restaurante que comandou durante décadas e precisa descobrir como viver sem a rotina de trabalho que definiu sua vida.
Thaia Perez (“Cidade Invisível”) interpreta a protagonista, que resiste ao lugar passivo reservado socialmente às mulheres idosas. A convivência com a filha adulta expõe visões diferentes sobre autonomia, enquanto novas amizades oferecem à personagem a possibilidade de viver sem transformar o passado em única referência.
“Mil Luas” marca a estreia de Carina Bini na direção de um longa de ficção. O projeto foi desenvolvido por meio de uma cooperação entre Brasil e Itália, ligação que também aparece na origem da protagonista. Beta Rangel (“Rio de Sangue”) interpreta a filha de Chiara, e o sumido Nuno Leal Maia (“Duas Caras”) vive um dos amigos que participam de sua reorganização pessoal.
🎞️ ECOS DO TEATRO EXPERIMENTAL DO NEGRO
O documentário começou a ser produzido em meio às comemorações dos 80 anos do Teatro Experimental do Negro (TEN), instituição decisiva para a profissionalização de atores que não encontravam espaço no circuito teatral tradicional. Fundado por Abdias Nascimento em 1944, o TEN surgiu numa época em que atores brancos pintavam o rosto para interpretar personagens negros, enquanto profissionais negros permaneciam afastados dos principais papéis. O movimento que reivindicou protagonismo formou intérpretes, encenou autores negros e transformou o teatro em espaço de organização política.
O filme de Daniel Solá Santiago recupera essa história por meio de depoimentos e encenações de peças apresentadas pelo grupo. A estrutura permite observar como o TEN alterou a representação no teatro brasileiro e como seu trabalho alcançou posteriormente o cinema e a televisão.
🎞️ A VIDA DE MARIE
Antes de se tornar popular por meio de realities em Portugal, Maria Manuela ganhou projeção na internet ainda adolescente com o perfil La Vie de Marie. Seus vídeos transformavam roupas, objetos e espaços cotidianos em extensões de uma identidade artística criada numa comunidade rural do norte do país.
João Marques, amigo da protagonista, acompanhou quatro anos de sua vida. O documentário registra a passagem para a idade adulta e a tentativa de conciliar a pessoa privada com a personagem que se tornou conhecida nas redes sociais. A proximidade entre diretor e personagem permite que a câmera permaneça presente durante crises pessoais e períodos de afastamento da exposição pública.
Marques também assina a fotografia e divide o roteiro com a cineasta Cláudia Varejão. Em vez de organizar a história como perfil de celebridade digital, “A Vida de Marie” observa como a criação artística serviu de proteção e linguagem para uma jovem que recusava os padrões do ambiente onde cresceu.
🎞️ SIA: NOSTALGIC FOR THE PRESENT
O documentário musical registra apresentação realizada pela cantora Sia no Festival Coachella em 2016. O espetáculo serviu de modelo para a turnê posterior, que reproduziu no palco a coreografia e as imagens registradas para a apresentação original.
Sia permanece fora do centro visual e entrega a narrativa aos bailarinos e às projeções cinematográficas. Maddie Ziegler assume a principal presença física, enquanto Kristen Wiig e Paul Dano aparecem em segmentos previamente filmados. A separação entre voz e imagem retoma a estratégia adotada pela cantora após decidir esconder o rosto em aparições públicas.
Dirigido por Daniel Askill, que fez vários clipes da cantora, e pela própria Sia, o registro reúne músicas do álbum “This Is Acting” e sucessos anteriores. O material foi remasterizado para marcar seu 10º aniversário e chegar ao cinema.
🎞️ BACKROOMS: UM NÃO-LUGAR – VERSÃO ESTENDIDA
“Backrooms” retorna aos cinemas menos de dois meses depois de transformar uma lenda da internet no maior sucesso comercial da história da A24. O filme arrecadou mais de US$ 384 milhões mundialmente e levou mais de 1 milhão de espectadores às salas brasileiras nas primeiras semanas. A versão estendida acrescenta 15 minutos de material inédito ao corte original.
A trama acompanha Clark, proprietário de uma loja de móveis que encontra no porão do estabelecimento uma passagem para um labirinto de escritórios vazios. Quando ele desaparece dentro dessa dimensão, sua terapeuta entra no local para procurá-lo. Os corredores reproduzem espaços familiares, mas alteram suas proporções e parecem esconder uma presença.
Chiwetel Ejiofor (“Doutor Estranho”) interpreta Clark, enquanto Renate Reinsve (“Valor Sentimental”) vive a terapeuta Mary Kline. O filme marca a estreia em longa-metragem de Kane Parsons, que criou “Backrooms” numa websérie publicada no YouTube quando ainda era adolescente. O diretor de 21 anos faz parte de uma nova leva de cineastas da geração Z que chegam ao cinema após experiências no YouTube, juntando-se a Curry Barker (“Obsessão”) e Mark Fischbach (“Iron Lungs”) como fenômenos inesperados nas bilheterias mundiais.