Atriz da série Billions vai criar os monstros da adaptação do game Rampage
A atriz Malin Akerman, atualmente na série “Billions” e mais lembrada por “Watchmen” (2009), está em negociações para viver a vilã de “Rampage”, que será mais uma aposta de Hollywood numa adaptação de videogame. Até aqui, quase todas deram prejuízo, mas a indústria cinematográfica continua apostando… Lançado em 1986, o game acompanhava três monstros gigantes (o macaco George, o lagarto Lizzy e o lobisomem Ralph) que percorriam os EUA destruindo cidades e lutando contra os militares. Todas as criaturas já foram seres humanos, antes de participarem de uma experiência genética feita por um(a) cientista maluco(a). No filme, Akerman seria a responsável pela criação dos monstros. Mas eles não tem chances, porque Dwayne Johnson (franquia “Velozes e Furiosos”) vai enfrentá-los e ele raramente perde uma luta. Os demais atores confirmados são Naomie Harris (“Moonlight”), Joe Manganiello (“Magic Mike”), Marley Shelton (“Planeta Terror”) e Jake Lacy (“Carol”). A adaptação foi escrita pelos roteiristas Carlton Cuse e Ryan Condal (criadores da série “Colony”), marcando um reencontro entre Condal e Johnson após “Hércules” (2014). “Rampage”, por sinal, também reunirá o astro com o cineasta Brad Peyton, que o dirigiu em “Terremoto: A Falha de San Andreas” (2015) e “Viagem 2: A Ilha Misteriosa” (2012). As filmagens começam em abril para uma estreia agendada, exatamente um ano depois, em 20 de abril de 2018.
Kate Mara vai à guerra por seu cachorro em trailer dramático
O drama indie de guerra e pets, “Megan Leavey”, ganhou um pôster e o primeiro trailer. E a prévia indica que é bom levar um pacote de lencinhos para o cinema, apesar de, como parece ter virado praxe, o vídeo resumir praticamente o filme inteiro. O longa acompanha a fuzileira do título, que trabalha com um cachorro num pelotão de rastreadores de bombas no Iraque. Os dois salvam inúmeras vidas desativando minas, mas o cão também salva a jovem militar, até que um acidente os separa e, ao dar baixa, Megan Leavey apela a tudo para voltar a se reunir com o animal. Embora lembre um “Guerra ao Terror” (2008) feminino, combinado a um “Cavalo de Guerra” (2011) canino, a história é real. A luta de Megan Leavey para ficar com Rex aconteceu de verdade. No filme, ela é vivida por Kate Mara (“Quarteto Fantástico”). O elenco também inclui Tom Felton (série “The Flash”), Bradley Whitford (série “Trophy Wife”), Edie Falco (série “Nurse Jackie”), Will Patton (série “Falling Skies”), Geraldine James (série “Utopia”), Catherine Dyer (série “Stranger Things”) e o rapper Common (“Selma”). O filme tem roteiro de Annie Mumolo (“Joy – O Nome do Sucesso”) e Pamela Grey (“A Condenação”) e marca a estreia na ficção da cineasta Gabriela Cowperthwaite, que ganhou notoriedade pelo impactante documentário “Blackfish: Fúria Animal” (2013). A estreia acontece em 9 de junho nos EUA e não há previsão de lançamento no Brasil.
Clássico de terror A Mosca pode ganhar mais um remake
O terror de inspiração sci-fi “A Mosca” pode ganhar um novo remake. Segundo o site Deadline, o cineasta indie J.D. Dillard abriu negociações com a 20th Century Fox para dirigir e escrever uma nova versão. Ele dividiria a história com Alex Theurer, com quem desenvolveu o único longa-metragem de sua filmografia, “Sleight”, mistura de filme de super-herói e drama urbano, ao estilo da série “Luke Cage”, que teve première no último Festival de Sundance. A trama original envolvia um brilhante e excêntrico cientista, que, ao sofrer um acidente durante uma experiência com um aparelho de teletransporte, mistura seu DNA com o de uma mosca e se transforma numa espécie de inseto-humano. O primeiro filme é de 1958 e foi lançado no Brasil como “A Mosca da Cabeça Branca”. O primeiro remake foi feito três décadas depois por David Cronenberg. Como se passaram mais três décadas, Hollywood segue a tendência de forma inexorável. Todos os filmes anteriores tiveram sequências menos famosas, e para não perder o costume a Fox também planeja usar o novo remake para lançar uma potencial franquia. Ainda não há data prevista para o começo da produção.
Roteirista revela novos detalhes sobre o resgate da franquia Matrix
O roteirista Zak Penn (cujo roteiro de “Os Vingadores” foi defenestrado por Joss Whedon) usou as redes sociais para revelar detalhes do projeto da Warner de retomar a franquia “Matrix” nos cinemas. A notícia, revelada no início da semana pela revista The Hollywood Reporter, deixou os fãs preocupados com o risco de um remake genérico da obra das irmãs Wachowski. Mas Penn, numa série de tuítes, garante que esses não são os planos. “Tudo o que posso dizer nesse momento é que ninguém poderia ou deveria REFILMAR ‘Matrix’. Quem conhece ‘Animatrix’ e os quadrinhos entende”, disse ele, referindo-se à série de curtas de animação inspirados no universo ‘Matrix’ lançados em 2003. “Não posso comentar a não ser para dizer que as palavras “reboot” e “remake” apareceram em um artigo. Vamos parar de reverberar notícias imprecisas”, continua. “Que tal relançar ‘Matrix’? Não refilme, não dá para fazer melhor.” Penn segue defendendo ainda o astro da trilogia original, dizendo que se precisasse reescalar o ator principal, escolheria Keanu Reeves novamente. Apesar de negar a intenção de refilmar o longa-metragem, ele destaca o interesse em criar novas histórias naquele universo. “Eu quero mais histórias no universo ‘Matrix’? Sim. Porque é uma ideia brilhante que gera muitas histórias. Veja o que estão fazendo com o universo dos ‘X-Men’. Entre ‘Logan’, ‘Legion’ e ‘Deadpool’, alguém quer que eles parem? Eu não.” Apesar de Penn ter ilustrado sua tese com os X-Men, o exemplo que vinha sendo citado como inspiração para o projeto da Warner era o universo “Star Wars” e os prólogos que a LucasFilm/Disney vem fazendo em torno de suas histórias, como “Rogue One” e o filme sobre o jovem Han Solo. Falou-se inclusive num prólogo centrado no jovem Morpheus, o personagem de Laurence Fishburne na franquia. Se a ideia for adiante, ainda não se sabe se as irmãs Wachowski participarão.
Melissa Leo é A Mulher Mais Odiada da América em trailer de drama baseado em crime real
A Netflix divulgou o trailer e 9 fotos de “A Mulher Mais Odiada da América”, mais um filme exclusivo da plataforma. Baseado numa história real, o drama traz Melissa Leo (“Snowden”) como Madalyn O’ Hair, que em 1964 ganhou a manchete da revista Life que dá título à produção. Tudo começou quando ela questionou a obrigatoriedade do Pai Nosso na escola de seu filho, levando o caso para a Suprema Corte americana, que considerou inconstitucional rezar e praticar a leitura da Bíblia nas escolas públicas dos EUA em 1963. Ateísta convicta, Madalyn O’ Hair levou adiante sua luta ao fundar uma organização para defender a separação completa do Estado e da Igreja. E cultivou o ódio de inúmeras associações cristãs em aparições na mídia, questionando a crença religiosa. Até que simplesmente desapareceu em 1995, junto do filho, da neta e de US$ 500 mil das contas de sua ONG. A polícia não se empenhou em investigar, acreditando numa nota deixada em sua residência comunicando que ela iria viajar. Mas a mulher mais odiada da América tinha sido sequestrada. Como os anos se passaram, a polícia retomou o caso e só foi descobrir que fim ela tinha levado em 2001. A produção é indie e de baixo orçamento, rodada em apenas 18 dias, e só saiu do papel porque a Netflix topou. Segundo o diretor e roteirista Tommy O’Haver ninguém queria financiar o projeto, tamanha é a rejeição do ateísmo nos EUA. Apesar de ter feito muito sucesso com a fábula cômica “Uma Garota Encantada” (2004), estrelada por Anne Hathaway, O’Haver não filmava há dez anos, desde que seu “Um Crime Americano” (2007) lembrou outra história real impactante, de uma jovem presa no porão de uma casa nos anos 1960, o caso verídico que inspirou diversos filmes de terror. O elenco de “A Mulher Mais Odiada da América” inclui ainda Juno Temple (série “Vinyl”), Adam Scott (série “Parks and Recreation”), Vincent Kartheiser (série “Mad Men”), Josh Lucas (série “Os Mistérios de Laura”), Michael Chernus (série “Orange Is the New Black”) e o veterano Peter Fonda (“Motoqueiro Fantasma”). A première aconteceu no Festival SXSW e a estreia está marcada para a próxima sexta (24/3) na plataforma de streaming.
Trailer de terror estrelado por Emilia Clarke mostra bela fotografia e… o final do filme
Depois de diversas fotos, a Momentum Pictures finalmente divulgou o trailer do terror “Voice From the Stone”, estrelado pela atriz Emilia Clarke (série “Game of Thrones”). E a prévia é péssima. Além da falta absoluta de ritmo, sua montagem caótica entrega diversas reviravoltas e, aparentemente, até o final do filme. Um horror genuíno. O pior é que o filme não parece ruim, já que as imagens são belas, com direito a castelo enevoado, que confere à encenação um clima fantasmagórico. Por curiosidade, a direção de fotografia é de Peter Simonite, que foi assistente de cinematografia nos últimos filmes de Terrence Malick, de “A Árvore da Vida” (2011) ao vindouro “Song to Song” (2017). Na produção, ele explora a paisagem e a iluminação natural de Toscana, na Itália, onde o filme foi rodado há dois anos. A trama se passa nos anos 1950 e acompanha a chegada da personagem de Clarke, uma enfermeira contratada para cuidar de um garoto mudo e traumatizado, que deixou de falar após a morte de sua mãe. Aos poucos, ela vai percebendo que o lugar não é apenas um castelo isolado e que o menino tem seus motivos para não querer falar. “Voice From the Stone” marca a estreia na direção do ex-dublê Eric D. Howell, e ainda inclui em seu elenco os atores Marton Csokas (“O Protetor”), Caterina Murino (“007 – Cassino Royale”), Kate Linder (“O Maior Amor do Mundo”), o menino Edward Dring e a veterana Lisa Gastoni (“Roma, Convite ao Amor”). O lançamento está previsto para 28 de abril nos Estados Unidos, mas não há previsão para o Brasil.
Vida de refugiada síria que nadou na Olimpíada do Rio vai virar filme
A vida da atleta Yusra Mardini, refugiada síria que nadou na Olimpíada do Rio aos 18 anos de idade, será transformada num drama cinematográfico. Segundo o site da revista The Hollywood Reporter, o longa terá direção do inglês Stephen Daldry, diretor de “O Leitor” (2008) e da série “The Crown”, que deve filmar uma parte da trama no Brasil, três anos após a estreia de “Trash: A Esperança vem do Lixo” (2014), rodado justamente no Rio. Filha de um professor de natação, Yusra nada desde os três anos de idade. Em agosto de 2015, a jovem e sua irmã, Sarah, decidiram fugir da Síria devido à guerra. O destino era a Grécia e o transporte era um bote com capacidade para sete pessoas. No entanto, havia 20 no barco. Durante a travessia, o bote começou a encher de água. Ela e a irmã foram para o mar e nadaram, puxando a embarcação lotada por três horas, até chegarem à ilha de Lesbos, na Grécia. Na Olimpíada carioca, ela foi apenas a 41ª colocada e não conseguiu classificação nas eliminatórias dos 100 m borboleta, mas reação dela depois da prova não sugeria nada disso. “Eu me senti muito bem na água. Competir com grandes campeões é empolgante, e estar nos Jogos Olímpicos é tudo que eu quis na vida”, disse a atleta.
Intérprete de Lux Luther em Smallville terá papel “bem decente” em Guardiões da Galáxia Vol. 2
O ator Michael Rosenbaum, que viveu Lex Luthor na série “Smallville”, está no elenco de “Guardiões da Galáxia Vol. 2”, revelou o diretor James Gunn em entrevista ao podcast The Adam Carolla Show. A informação veio à tona enquanto Gunn comentava a participação de Sylvester Stallone no longa. “Temos alguns personagens muito importantes do universo Marvel que farão sua estréia em ‘Guardiões da Galáxia Vol. 2’ sem o público saber. Stallone é um deles. Meu amigo Michael Rosenbaum também tem um papel bem decente no filme e funciona junto com o de Sly.” Mas, apesar desse teaser apetitoso, ele não adiantou qual é o papel, somando mais um mistério à produção, da qual não se sabe nem sequer a história ainda. “Guardiões da Galáxia Vol. 2” estreia em 27 de abril no Brasil, uma semana antes do lançamento nos EUA.
Henry Cavill vai se juntar a Tom Cruise na próxima Missão Impossível
O ator Henry Cavill entrou no elenco da próxima “Missão Impossível”. O anúncio foi feito por meio de uma conversa encenada no Instagram do diretor do filme, Christopher McQuarrie, e continuada na rede social de Cavill. “Diga, @henrycavill. Tive uma ideia. Curioso se você estaria interessado em um papel no sexto filme de ‘Missão Impossível’. Sem pressão”, escreveu o diretor na legenda. E o ator respondeu: “Adoro um bom desafio. Como ficar agarrado num avião em movimento… ou segurar num penhasco apenas com os dedos… ou escalar um arranha-céu. Acho que terei que colocar meu treinamento em dia para me juntar na diversão da próxima ‘Missão Impossível’. Obrigado pelo convite, @ChristopherMcQuarrie”. O atual intérprete de Superman nos cinemas vai se juntar a Tom Cruise, que retorna ao papel de Ethan Hunt, e Vanessa Kirby, intérprete da Princesa Margaret na premiada série “The Crown”. A produção também deve trazer de volta Rebecca Ferguson, Simon Pegg, Ving Rhames e Jeremy Renner, mas eles ainda não foram oficialmente confirmados. A estreia está marcada para 27 de julho de 2018. Say, @henrycavill. Had a thought. Curious if you're interested in a role in the 6th installment of Mission: Impossible. No pressure. Uma publicação compartilhada por Christopher McQuarrie (@christophermcquarrie) em Mar 16, 2017 às 7:16 PDT I like a good challenge. Like hanging from a moving plane…or balancing from a cliff by my fingertips…or scaling a skyscraper. I guess I’ll just have to get my practice in and join the fun for the next Mission Impossible. Thanks for the invite, @ChristopherMcQuarrie. #MissionImpossible #MI6 Uma publicação compartilhada por Henry Cavill (@henrycavill) em Mar 17, 2017 às 8:32 PDT
Netflix imita os críticos Ebert e Siskel ao substituir classificação de estrelas por polegares
A Netflix anunciou na noite da última quinta-feira (16/3) que vai abandonar o sistema de avaliação com cinco estrelas usado atualmente no serviço de streaming em favor de opções de polegares: virado pra cima (“gostei”) e virado pra baixo (“não gostei”). Segundo a Netflix, o sistema foi testado com diversos usuários em 2016 e o crescimento de avaliações que usaram a classificação de polegares foi 200% maior que as tradicionais estrelas. De acordo com o vice-presidente de produção da plataforma, Todd Yellin, a mudança se fez necessária porque os usuários da Netflix classificam com 5 estrelas documentários e filmes premiados, e com 3 estrelas filmes “bobos” ou comédias populares. Ainda assim, estes últimos acabavam sendo muito mais assistidos que os primeiros. Para um usuário regular que se baseia nas estrelas, portanto, a medida foi deixando de fazer sentido. Assim, ao clicar no “gostei”, o algorítimo do serviço vai te recomendar filmes e séries baseados em recomendações de grupos de usuários com gostos parecidos. Vale lembrar que esse “sistema” de classificação de filmes não é uma novidade da era digital. Muito antes do Facebook, os já falecidos críticos de cinema Roger Ebert e Gene Siskel instituíram o uso do polegar para determinar se um filme era bom ou ruim há 30 anos, no programa de TV “Siskel & Ebert & the Movies”. As famílias dos dois críticos, inclusive, detém os direitos autorais da classificação de “dois polegares pra cima”, dada aos filmes classificados como ótimos.
A Bela e a Fera representa o auge do “fan service” e da exploração da nostalgia em Hollywood
Sua reação ao assistir à adaptação live action de “A Bela e a Fera” vai depender do quanto você é fã do original. Quem ama o desenho de 1991, sabe cantar as músicas e chora em diversos momentos, incluindo a famosa cena da dança, vai sair do cinema achando que o filme foi feito sob encomenda. Mas quem nunca viu ou não gosta do clássico deve passar longe. É preciso entender – com seus prós e contras – que “A Bela e a Fera” representa o auge da fan service e da exploração da nostalgia em Hollywood. Sabendo disso, a Disney compreensivelmente optou por realizar quase uma filmagem literal do desenho com atores. Afinal, trata-se da única animação indicada ao Oscar de Melhor Filme quando essa categoria tinha somente cinco vagas. E ela mora nos corações de qualquer um que tem algo batendo no peito. Então, quem for ao cinema já vai para gostar do filme. Sem dúvida, é um prazer ver “A Bela e a Fera” de novo. Verdade que o filme traz algumas cenas inéditas, mas elas não acrescentam muito à magia. Por outro lado, também não atrapalham. É preciso considerar que a animação tinha cerca de 1h20 de duração e não dá para entregar um filme tão curto hoje em dia. Imagine também que a Disney poderia inventar mais alguma cena de dança entre a Bela e a Fera ou preencher tudo com músicas que soariam gratuitas, porém agradariam aos fanáticos. Mas não, isso não acontece. De resto, “A Bela e a Fera” reproduz quase que frame by frame toda obra original, como Zack Snyder fez com “300” (2006) e “Watchmen” (2009), os melhores filmes de um diretor fraco. Do mesmo modo, o diretor Bill Condon, que enganou todo mundo quando filmou o ótimo “Deuses e Monstros” (1998) e seguiu carreira rumo à mediocridade com dois filmes da saga “Crepúsculo”, tenta fazer apenas uma imitação. Sob total controle da Disney, Condon arrisca muito pouco, como na tímida insinuação gay de um personagem coadjuvante, e não se encarrega de atualizar detalhes que mereciam atenção maior. Pode-se argumentar que a trama é de filme de época, com seus valores antiquados e cheirando a mofo, porém alguns conceitos, que já incomodavam em 1991, envelheceram muito no século 21. Como uma Bela que se esforça para ser relevante, mas permanece 100% submetida ao universo masculino – a seu pai (Kevin Kline), ao vilão Gaston (Luke Evans) e à Fera (Dan Stevens). Por mais que Emma Watson tenha reiterado que trouxe uma visão feminista ao papel, a própria Disney foi mais empoderadora com “Valente”, “Frozen”, “Zootopia” e “Moana”. Também é estranho ver todos os atores, com exceção do casal principal, atuando como se estivessem em um desenho animado – e isso pode ser colocado na conta da direção, afinal são atores competentes. Sem falar nos efeitos visuais um tanto artificiais, como numa animação mesmo, porque o trabalho do elenco por trás de personagens digitais se restringe à dublagem. Se deu certo na animação, não quer dizer que o resultado será o mesmo em um filme de verdade. É um contraste gritante com o milagre que foi “Mogli”, adaptação da própria Disney para uma de suas animações, onde animais falantes e cantores eram realistas e perfeitamente plausíveis dentro da narrativa. A diferença é que Jon Favreau, diretor de “Mogli” (e da futura adaptação live action de “O Rei Leão”) conhece o caminho das pedras e está anos-luz à frente de Bill Condon. Favreau jamais deixa o CGI dominar seu filme – ironicamente, quase todo criado em computador – e o usa como ferramenta para se concentrar no principal, a história. Já na versão animada com atores de “A Bela e a Fera” salva-se, pelo menos, a própria Fera graças ao trabalho de Dan Stevens por trás dos pixels. Nem perto de ser um Andy Serkis, responsável pelo Gollum de “O Senhor dos Anéis” e o Cesar, de “Planeta dos Macacos”, ao menos aproxima-se de Sam Worthington e Zoe Saldana, que convenceram em “Avatar”. Como não dava para brigar em pé de igualdade com o encanto gerado pela versão clássica, esse “A Bela e a Fera” precisava, no mínimo, impressionar em outros quesitos. Emma Watson, por exemplo, não tem aquele brilho nos olhos que o papel exige nem fará qualquer espectador se apaixonar pela personagem. E é quase impossível não pensar em Hermione de vez em quando, o que pode gerar mais desconexões da plateia. Mas o fã de carteirinha nem vai ligar, porque vai chorar, cantar e assistir do início ao fim com um sorriso largo no rosto, como se estivesse reencontrando um velho conhecido muito querido. Alegria garantida, mas fortuita, já que o conhecido não tem nada de novo para contar desde o último encontro.
Os Cowboys revisita o western Rastros de Ódio na era do terrorismo islâmico
Uma das grandes surpresas do Festival Varilux de Cinema Francês deste ano foi o pouco badalado “Os Cowboys”, estreia do roteirista Thomas Bidegain (“O Profeta”, “Dheepan”) na direção e exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. O ideal é ver o filme sem saber nada do enredo, que é uma mistura bem dosada de “Rastros de Ódio” (1956), o clássico de John Ford, com “Homeland”, a série sobre ataques terroristas exibida no Brasil no canal pago Fox Action. O filme apresenta uma comunidade francesa que tem um carinho especial pela cultura americana e logo no início traz uma festa com várias bandeiras dos Estados Unidos, em que as pessoas cantam e dançam música country e se vestem como se estivessem no Velho Oeste selvagem. Há quem se vista de xerife, há quem se vista de índio. Mas não demora a surgir o que será o seu principal eixo dramático: o desaparecimento da filha mais velha de um casal, uma adolescente que teria fugido com um rapaz de origens árabes. A família está esfacelada, mas o pai (François Damiens, de “A Família Bélier”) tenta a todo o custo trazer a filha de volta, enfrentando vários obstáculos pelo caminho, pois o rapaz que a teria levado estaria envolvido com grupos extremistas. E trafegar pelos lugares onde ele possa ter ido é sempre um perigo, tanto para o pai quanto para o filho (Finnegan Oldfield, de Um Fim de Semana na Normandia”) que o acompanha por todo o caminho. O passar do tempo na narrativa é muito interessante, com o filme oferecendo sinais de maneira muito sutil, a partir de eventos que requerem um pouco mais de observação por parte do espectador, mas nada que seja muito difícil de acompanhar. É apenas uma maneira menos didática de contar uma história, respeitando a inteligência de quem vê o filme. A jornada de pai em busca da filha, que pode ter virado outra pessoa depois de conviver com os extremistas por anos, lembra bastante a trajetória do personagem de John Wayne no western de John Ford. Saem os índios, entram inimigos ainda mais perigosos, já que se sacrificam e se tornam invisíveis. Um acontecimento inesperado faz com que o filme se divida em duas partes, como um disco que contém um lado A e um lado B. A boa notícia é que, com a saída de cena de um ótimo personagem, a narrativa continua forte, já que muda um pouco mais de aspecto, passando a se confundir com um thriller moderno de espionagem, mas sem perder o foco dramático. Ao contrário, a busca pela garota se torna ainda mais desesperadora, levando em consideração um sentimento maior de desesperança. O elenco também inclui o americano John C. Reilly (“Kong – A Ilha da Caveira”) que dá um conselho precioso para o irmão da jovem desaparecida. E a situação de reencontro perto do final é de uma sensibilidade tão bonita quanto dolorosa. É sempre muito bom encontrar uma obra tão cheia de força, mesmo que essa força venha da dor da perda.
O Filho de Joseph busca a figura paterna num ambiente formal e erudito
A questão que move a narrativa de “O Filho de Joseph” é a da paternidade. Ausência e rejeição pesam muito e o mínimo de equilíbrio e o bom humor parecem estar condicionados ao encontro de figura paterna substituta. O personagem central é Vincent, um adolescente de 15 anos, vivendo bem com a mãe, mas insatisfeito por desconhecer o pai. Até que o descobre e a decepção só cresce. Desejos de vingança tomam corpo. No entanto, uma afetividade inesperada pode pôr as coisas no lugar. Dito assim, dá para imaginar um filme de fortes emoções. Mas não é o que acontece. Os diálogos soam cerebrais, artificiais. Os tempos de reação são demorados, estranhos. Evita-se o naturalismo e a expressão de grandes emoções. Elas estão lá, mas represadas ou enquadradas por um certo formalismo. Além de um tanto formal, o filme é todo erudito, se refere às diversas manifestações artísticas, como a pintura, a música, o cinema e a literatura. Histórias bíblicas inspiram a trama. Quem quiser buscar citações vai encontrá-las em todo lugar, o tempo todo. O diretor Eugène Green vai na mesma linha que adotou em “La Sapienza”, seu filme de 2014. O roteiro parte de uma temática bastante usual e conhecida, mas tem um refinamento artístico que lhe dá um ar sofisticado. Seu maior mérito, porém, está na evolução das situações e na solução que surpreende, pelo menos da forma como foi conduzida. Os desempenhos do elenco, que incluem os atores Fabrizio Rongione (“Dois Dias, uma Noite”), Mathieu Amalric (“O Grande Hotel Budapeste”) e Maria de Medeiros (“Frango com Ameixas”), soam estranhos, pelos já citados racionalismo e formalismo que o filme adota. Superado esse inconveniente, dá para curtir bem a proposta.












