Disney Channel prepara musical de zumbis adolescentes
O Disney Channel também vai entrar na onda dos zumbis. E a ideia é trash. O canal infantil da Disney está preparando um telefilme que vai juntar cheerleaders e zumbis. Claro que não vai ter violência, sanguinolência, nem nada do tipo. Em vez disso, haverá músicas e danças. Afinal, é para crianças. Mas musical zumbi é trash mesmo. Intitulado “Zombies”, o filme vai se passar numa cidadezinha suburbana, que tem orgulho de sua escola de Ensino Médio, a ponto de integrar a comunidade nas festas do time de futebol e nos bailes da high school. Os problemas começam quando chegam novos estudantes, transferidos de uma cidade suspeitamente chamada Zombietown. Logo, o time de futebol passa a ter como principal estrela um zumbi adolescente. A produção será estrelada por Meg Donnelly (série “American Housewife”) e Milo Manheim (série “Ghost Whisperer”). O roteiro foi escrito por David Light e Joseph Raso originalmente para uma série de TV do mesmo canal, intitulada “Zombies and Cheerleaders”. O piloto chegou a ser produzido e recusado em 2011. A Disney foi buscar a trama literalmente no lixo, e contratou Josh Cagan (“High School Band” e “Duff”) para reciclar como telefilme. A direção está a cargo de Jeffrey Hornaday, que também vai assinar as coreografias em parceria com Christopher Scott. Ambos trabalharam juntos no hit da Disney “Teen Beach Movie” (2013) e em sua continuação de 2015. “Estamos entusiasmados por trabalhar com Jeffrey Hornaday novamente para dar vida a este novo mundo de zumbis e cheerleaders”, disse Adam Bonnett, executivo de programação original do Disney Channel. “Jeffrey e Chris Scott entregaram algumas de nossas seqüências musicais mais memoráveis no Disney Channel e estamos empolgados em realizar esta história inspiradora sobre tolerância, inclusão, individualidade e convicção – temas importantes para os nossos telespectadores.” A Disney tem tradição de sucesso com seus musicais televisivos, que renderam franquias como a mencionada “Teen Beach Movie”, “High School Musical” e “Os Descendentes”. Por sinal, o mesmo diretor de “Zombies” está preparando “High School Musical 4”. E “Os Descendentes 2” já estreia em 21 de julho. “Zombies” ainda não tem previsão de estreia
Anya Taylor-Joy e Maisie Williams são confirmadas no elenco dos Novos Mutantes
É oficial. Confirmando rumores de negociações, a americana Anya Taylor-Joy (“Fragmentado”) e a inglesa Maisie Williams (série “Game of Thrones”) assinaram contrato para estrelar o filme de super-heróis “Os Novos Mutantes”. Elas vão viver, respectivamente, Magia (Magik, em inglês) e Lupina (Wolfsbane), os papéis que os fãs idealizavam numa espécie de elenco de sonhos. Maisie, que em “Game of Thrones” tem um lobo gigante, dará vida a uma espécie de lobisomem, enquanto Anya, destaque de “A Bruxa”, será uma feiticeira mutante que, nos quadrinhos, escapa de uma dimensão similar ao inferno. O nome civil de Lupina é Rahne Sinclair. Ela é uma adolescente escocesa que possui a habilidade de se transformar num lobo ou num estado intermediário, entre lobo e ser humano, mas tem dificuldades para controlar seus instintos quando vira fera. A personagem surgiu na primeira história dos Novos Mutantes nos quadrinhos, uma graphic novel escrita por Chris Claremont e desenhada por Bob McLeod em 1982, e foi integrante fixa do grupo até a Marvel decidir expandir o universo mutante e criar vários outros times de heróis, dos quais ela acabou participando. Atualmente, ela faz parte do X-Force. Magia é Illyana Nikolievna Rasputin, uma jovem russa que foi introduzida muitos anos antes dos Novos Mutantes, como irmã caçula do X-Men conhecido como Colossus. Sua estreia aconteceu em 1975, como uma criança, mas seus poderes só vieram à tona em 1982 após uma reinvenção da personagem. Ela simplesmente envelheceu sete anos de uma só vez, aparecendo como adolescente superpoderosa numa história dos X-Men. A explicação foi esmiuçada numa minissérie escrita por Chris Claremont em 1983. A menina tinha sido raptada por um demônio e vivido sete anos numa dimensão paralela chamada limbo, onde o tempo passa de forma mais lenta. Lá, ela aprendeu feitiçaria, conjurou uma espada mística e desenvolveu a capacidade de abrir portais. E foi graças a um desses portais que conseguiu escapar de volta à Terra, segundos após ser vista pela última vez ainda criança. Logo após este pesadelo traumático, ela foi incorporada nos Novos Mutantes. Desde então, voltou a ser criança, morreu, ressuscitou, virou adulta e entrou nos X-Men. As duas personagens confirmam que o filme terá a formação clássica dos quadrinhos escritos por Claremont, autor também das histórias que viraram os filmes “Wolverine – Imortal” (2013), “X-Men: Dias de um Passado Esquecido” (2014) e o vindouro “X-Men: Fênix Negra” (2018). Nos quadrinhos, os Novos Mutantes foram o primeiro spin-off dos X-Men, abrindo caminho para a proliferação de inúmeras publicações e personagens mutantes, que o estúdio Fox agora está transformando em franquias. A ideia por trás do projeto original era voltar a mostrar mutantes adolescentes, já que àquela altura os X-Men não eram mais estudantes do Instituto Xavier. Na hora de definir quem seriam os novos personagens, Claremont ainda arriscou criar uma equipe mais diversa que a de Stan Lee, combinando diversas etnias: um americano caipira (Míssil), uma refugiada vietnamita (Karma), uma índia cheyenne (Miragem), uma escocesa lobisomem (Lupina) e até um herdeiro milionário brasileiro (Mancha Solar)! A primeira formação passou por várias reformulações, ganhando, entre outros, os reforços da irmã russa de Colossus (Magia), uma americana explosiva (Dinamite), um mexicano (Rictor), uma morlock (Skids), um alienígena (Warlock), outro nativo-americano (Apache), outra brasileira (Magma) – ou melhor, uma jovem criada numa cidade perdida da Amazônia – e um personagem que é mais lembrado por sua morte traumática (Cifra). O filme “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” chegou a mostrar dois Novos Mutantes, que apareceram lutando ao lado dos X-Men do futuro: Apache (vivido por Booboo Stewart) e o brasileiro Mancha Solar (Adan Canto), além de Blink (Fan Bingbing), que tem uma ligação com o grupo. Blink e Apache também aparecerão na vindoura série “The Gifted”, da Fox. Recentemente, o produtor Simon Kinberg adiantou que a continuidade do filme dentro do universo dos “X-Men” será garantida pela participação de Charles Xavier como professor do novo grupo. “Os Novos Mutantes” está dirigido por Josh Boone (“A Culpa É das Estrelas”) e deve trazer como vilão o Urso Místico. A estreia está marcada para 13 de abril de 2018.
Mulher-Maravilha ganha trailer legendado com muita ação e rock da banda Imagine Dragons
A Warner Bros. divulgou a versão legendada do último e melhor trailer do filme da “Mulher-Maravilha”. A prévia mostra desde a infância da princesa Diana até sua luta contra os soldados alemães na 2ª Guerra Mundial, destacando pela primeira vez a ameaça da Doutora Veneno, vivida pela espanhola Elena Anaya (“A Pele que Habito”), além de trombetear a massacrante música “Warriors”, da banda Imagine Dragons, entre as cenas de ação e efeitos visuais, que enfatizam a grandiosidade da produção estrelada por Gal Gadot. A principal diferença em relação às adaptações anteriores da DC Comics é que, desta vez, o roteiro é de dois autores de quadrinhos, Allan Heinberg (também criador da série “The Catch”) e Geoff Johns (criador da série “The Flash”). A direção é de Patty Jenkins (“Monster – Desejo Assassino”), primeira mulher a assinar um filme de super-heróis neste milênio, e a estreia está marcada para 1 de junho no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Novo pôster de Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar revela personagem de Paul McCartney
A Disney divulgou um novo pôster de “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, que revela pela primeira vez o visual do roqueiro Paul McCartney na produção, com barba e cabelos longos. O ex-Beatle faz apenas uma pequena participação no filme, encarnando um pirata carcereiro. Vale lembrar que, anteriormente, o guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, já tinha aparecido em dois filmes como o pai do capitão Jack Sparrow (o personagem de Johnny Depp) – em “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo” (2007) e “Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas” (2011). O quinto filme da franquia traz o personagem de Depp novamente às voltas com maldições e piratas fantasmas, e terá ligação com a trilogia original, por meio da presença de personagens que o público sentiu falta no longa anterior. O roteiro foi escrito por Jeff Nathanson (“Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”), a direção é dos cineastas noruegueses Joachim Rønning e Espen Sandberg (ambos de “Expedição Kon Tiki”) e a estreia está marcada para 25 de maio no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
American Gods é renovada para a 2ª temporada
O canal pago americano Starz anunciou a renovação da série “American Gods” para a 2ª temporada, após a exibição de apenas dois episódios. A série teve um começo promissor, com 975 mil telespectadores ao vivo. Parece pouco comparado à TV aberta, mas se trata de uma das maiores audiências do canal, no nível de “Outlander” e abaixo apenas de “Power”. Além disso, rendeu muita repercussão na mídia. A crítica se apaixonou pela produção de Bryan Fuller (criador da série “Hannibal”) e Michael Green (roteirista de “Logan”), que está avaliada com 95% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Adaptação do best-seller “Deuses Americanos”, de Neil Gaiman, a trama gira em torno de Shadow Moon, um ex-condenado que é libertado da prisão após sua esposa morrer num acidente. Completamente só e falido, ele aceita trabalhar como guarda-costas para um vigarista misterioso chamado Mr. Wednesday, que parece saber mais sobre a sua vida do que deixa transparecer. Isto porque Wednesday é a encarnação do deus Odin, que está percorrendo a Terra para reunir todos os deuses antigos e iniciar uma batalha contra os novos deuses que controlam a humanidade atual: internet, televisão, cartão de crédito, etc. O ótimo elenco inclui Ricky Whittle (Lincoln em “The 100”) como Shadow Moon, Ian McShane (série “Deadwood”) como Mr. Wednesday, além de Emily Browning (“Sucker Punch”), Gillian Anderson (“Arquivo X”), Crispin Glover (“Alice no País das Maravilhas”), Peter Stormare (série “Prison Break”), Pablo Schreiber (série “Orange Is the New Black”), Jonathan Tucker (série “Justified”), Dane Cook (“Tiros, Garotas e Trapaças”), Yetide Badaki (série “Sequestered”), Kristen Chenoweth (série “Glee”), Jeremy Davies (“Justified”), Orlando Jones (série “Sleepy Hollow”) e a veterana Cloris Leachman (“Como Sobreviver a um Ataque Zumbi”). No Brasil, a série é disponibilizada pelo serviço de streaming da Amazon, sempre um dia após cada exibição na TV americana.
Benedict Cumberbatch e Jake Gyllenhaal negociam estrelar filme passado no Rio de Janeiro
Os atores Benedict Cumberbatch (“Doutor Estranho”) e Jake Gyllenhaal (“Vida”) podem passar uma temporada no Rio de Janeiro em breve. Eles estão negociando estrelar um filme chamado, justamente, “Rio”, que será filmado na capital carioca. Segundo o site da revista Variety, Jake Gyllenhaal deve interpretar um jornalista que viaja ao Rio de Janeiro para visitar um amigo ricaço, interpretado por Benedict Cumberbatch, e acaba participando de um golpe para fingir a morte do tal amigo. O roteiro é do inglês Steven Knight (“Aliados”) e a direção está a cargo do italiano Luca Guadagnino (“Um Mergulho No Passado”), que atualmente trabalha na pós-produção do remake de “Suspiria”. As filmagens de “Rio” serão produzidas pelo estúdio francês Studiocanal, que planeja levar o projeto ao Festival de Cannes para comercializar os direitos de sua distribuição internacional. Além de atuar, Cumberbatch e Gyllenhaal devem entrar no projeto também como produtores. Caso as negociações derem certo, as filmagens acontecerão no começo de 2018.
Dwayne Johnson zoa Zac Efron em cena legendada de Baywatch
A Paramount Pictures divulgou a primeira cena integral legendada de “Baywatch”, comédia inspirada na série “SOS Malibu”. A cena se passa num necrotério e já tinha aparecido nos trailers, enfatizando o tipo de interação existente entre os personagens de Dwayne Johnson (“Velozes e Furiosos 8”) e Zac Efron (“Vizinhos”). Na prévia, Efron vira alvo de uma pegadinha do fortão. Vale observar que a cena gira em torno de uma piada sobre genitais masculinos, o mesmo tipo de humor que já implodiu uma comédia baseada num série em 2017: “CHiPs”, fracasso de bilheteria nos EUA que teve lançamento adiado indefinidamente no Brasil. “Baywatch” também é estrelada por Alexandra Daddario (“Terremoto – A Falha de San Andreas”), Jon Bass (série “Big Time in Hollywood, FL”), Ilfenesh Hadera (série “Billions”), a modelo Kelly Rohrbach (série “Rizzoli & Isles”) e a indiana Priyanka Chopra (série “Quantico”), que vive a vilã. Escrita por Robert Ben Garant (“Uma Noite no Museu”) e Justin Malen (série “Trophy Wife”), e com direção de Seth Gordon (“Quero Matar Meu Chefe”), a comédia tem lançamento prevista para 15 de junho no Brasil, três semanas após a estreia nos EUA.
Mulher-Maravilha ganha novo pôster e cinco comerciais legendados
A Warner divulgou um novo pôster e cinco comerciais legendados do filme da “Mulher-Maravilha”, em que não faltam cenas de ação, mas também muito humor. O detalhe mais interessante é a revelação de como a Princesa Diana acabou se tornando conhecida como Diana Prince no mundo dos homens. Estrelado por Gal Gadot como a heroína do título e Chris Pine como o aviador Steve Trevor, o filme conta a origem da Mulher-Maravilha com algumas modificações em relação aos quadrinhos originais. A mais significativa é o fato de a trama se passar durante a 1ª Guerra Mundial. Já a história criada pelo psicólogo William Moulton Marston em 1941 refletia o período contemporâneo, época em que ocorria a 2ª Guerra Mundial. A direção é de Patty Jenkins (“Monster – Desejo Assassino”), primeira mulher a assinar um filme de super-heróis neste milênio, e a estreia está marcada para 1 de junho no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Antonio Banderas vai estrelar filme sobre o fabricante de carros Lamborghini
O ator espanhol Antonio Banderas vai estrelar a cinebiografia de Ferruccio Lamborghini, fundador da marca luxuosa de carros italiana Lamborghini. Intitulado “Lamborghini — The Legend”, o filme também trará Alec Baldwin (“Blue Jasmine”) como o grande rival do empresário, Enzo Ferrari. A direção está a cargo de Michael Radford, indicado ao Oscar por “O Carteiro e o Poeta” (1994), e o roteiro foi escrito por Bobby Moresco (“Crash: No Limite”), numa adaptação do livro “Ferruccio Lamborghini: La Storia Ufficiale”, escrito por seu filho Tonino. “Meu livro é o único que respeita perfeitamente a história de vida do meu pai. Realmente acredito que esse filme possa traduzir em imagens e palavras a grande humanidade de Ferruccio, e transmitir ao público a sua personalidade: um homem cheio de energia, carisma e paixão”, disse Tonino Lamborghini, em comunicado. A trama irá abordar toda a trajetória do empresário, falecido em 1993, desde o início da carreira, quando fazia montagem de tratores e veículos militares na 2ª Guerra Mundial até o lançamento da sua fábrica de carros de luxo em 1963. O projeto é uma produção do grupo Ambi Media e será apresentado a investidores no Festival de Cannes, que acontece de 17 a 28 de maio. O projeto coincide com o desenvolvimento de uma cinebiografia de Enzo Ferrari, que será dirigida por Michael Mann (“Hackers”) e estrelada por Hugh Jackman (“Logan”).
O monstro de Alien Covenant não é o que se espera – e nem o filme
Embora a imprensa, no geral, esteja fazendo pouco caso, “Alien: Covenant” não é filme a se menosprezar. No gênero ficção científica, consegue o status de acima da média. Decepcionante sim é ele ser dirigido por Ridley Scott. Quando se trata de Scott, a expectativa sempre é grande. Não que ele mereça crédito de confiança, mas criou-se uma aura mítica em torno de seu nome, por conta de “Alien – O Oitavo Passageiro” (1979) e “Blade Runner” (1982), que talvez tenha colocado o diretor num patamar muito mais alto do que ele possa entregar. “Alien – O Oitavo Passageiro” e “Blade Runner” são dois filmes seminais, feitos um seguido do outro, e que trouxeram para o cinema dois pesadelos soturnos, contrapontos perfeitos a diversão e escapismo a que George Lucas e Steven Spielberg promoviam como tendência. Scott preferia o mistério, o estranhamento, e, mais que tudo, a desorientação do homem frente a um futuro complexo demais para entender. Os olhos do replicante no começo de “Blade Runner” tenta abarcar toda a extensão da Los Angeles de 2019, e se prostra frente ao mar de prédios, luzes e carros voadores. Essa perplexidade que nem o homem-máquina é capaz de processar, provoca um desconforto, uma aflição metafísica. A mesma razão leva os tripulantes da Nostromo, no primeiro “Alien”, a serem reticentes na busca e captura do visitante clandestino pelos corredores da nave, que, aliás, é escura e sinistra como uma caverna do principio dos tempos. Havia mesmo no Scott, daquela época, uma vontade de fazer filmes que escapassem ao controle da análise, e que revelassem a existência de uma realidade indizível do mundo. Parece viagem? Pois era a viagem do diretor, e ele não estava nem um pouco preocupado com o eco servil do poder financeiro do cinema. Mas isso tudo é passado. Os tempos mudaram e o mistério, o estranhamento por trás do “velho” “Alien” já não tem vez. “Alien: Covenant” é um filme que busca certezas. O espectador recebe uns chacoalhões, toma uns bons sustos, visita um planeta inóspito, enfrenta feras babonas e, no fundo, não quer escapar das convenções. Anseia por um terreno seguro. De olho na bilheteria e nas planilhas de sua produtora, a Scott Free, o diretor dá o que eles pedem. É tudo muito bem feito, com aquele apuro visual que o realizador aprendeu a vender como grife. Só falta uma trama bem amarrada e um desenvolvimento coerente e, se possível, inteligente. A inteligência dá as caras na abertura. Acena-se para uma reflexão filosófica sobre a natureza divina. Verdade que, para não correr riscos, o conceito será rapidamente abandonado. Mas está lá, desenvolvido enquanto o espectador se ajusta na poltrona e saboreia sua pipoca. O prólogo mostra o nascimento do personagem central de “Prometheus” (2012), o andróide David (Michael Fassbender). Ele abre os olhos e se vê, de pé, vestido de branco, em uma sala vasta e elegante, enquanto seu criador, Peter Weyland (Guy Pearce), provoca-o com perguntas oblíquas. O robô perceptivo já pode identificar uma estátua de Michelangelo, o mobiliário medieval em torno deles, e os acordes de um clássico de Richard Wagner. Ele foi programado para reconhecer e apreciar milhões de coisas, antes mesmo de tomar consciência da vida. Então a conversa se encaminha para um nó. Vida? O que é vida? Uma questão puxa a outra, num bombardeio de perguntas que só cessam quando David percebe a certeza única de sua existência. Ele sabe que o cientista o criou. Essa lógica, contudo, pertence ao mundo robótico. Mas quem criou o cientista? Em seguida, saltamos para 10 anos após os eventos de “Prometheus”, para a nave de colonização Covenant fazendo o seu trajeto através do espaço. Centenas de passageiros dormem numa viagem que levará sete anos até chegar em seu planeta destino. Apenas um único tripulante está acordado, o andróide Walter, coincidentemente um robô da mesma série que David (Fassbender também interpreta o personagem). Passa-se uns 50 minutos, antes que esses dois andróides se encontrem num inóspito e misterioso planeta. O primeiro diálogo entre ambos é fabuloso, pela forma como se estudam. Outros encontros virão, e gradativamente os dois robôs se revelarão tão competitivos quanto os humanos que eles criticam. Surpreende o fato que os aliens não são o prato principal do filme. Os técnicos de efeitos até concebem um monstro híbrido mais bizarro que o original, mas a criatura xenomorfa não causa mais grande impacto (seis filmes depois, o que poderia nos assustar?). “Prometheus” já tinha deixado claro que esse bicho papão não impressiona mais. Lá, Fassbender roubou a cena do monstro. Torna a dominar as atenções aqui, agora em papel duplo. O verdadeiro clímax de “Covenant” acontece do confronto desses dois androides. Um espelha o outro, e a briga obviamente é tão balanceada, que fica difícil prever quem sairá vencedor. A frustração do público advém dessa mudança de rumo inesperado. Pagaram esperando ver uma coisa e, pelas indecisões dos roteiristas e do diretor, estão vendo outra. Como se não bastasse, todo o resto do elenco, inclusive a nova mocinha guerreira, vivida por Katherine Waterston (a heroína de Animais Fantásticos e Onde Habitam), são pouco expressivos. Não passam de adereços em volta dos aliens e da dupla de robôs. Pra desculpar a falta de interesse de Scott por eles, somos constantemente lembrados que os tripulantes da Covenant não são soldados ou pessoas treinadas para lidar com emergências; ou seja, não passam de um bando de zé ninguém, que muitas vezes tentam ajudar e cometem trapalhadas. A maior patetada desta equipe ocorre quando aterrissam no planeta. Parece piada. Se a turma do 8º ano do meu filho fosse fazer uma exploração interplanetária, certamente que não se portaria de forma tão estúpida como os colonos. O quê, o nível de oxigênio está bom? Então vamos tirar os capacetes, certamente não existem agentes patogênicos no ar! Isso dá uma boa medida de como começará a contaminação desta vez. Pior em “Alien: Covenant” é constatar que o tempo de Ridley Scott também expirou. Ele será sempre um cineasta lembrado pelos dois filmes supracitados que dirigiu 40 anos atrás. Cabe uma pausa aqui. Um exame frio sobre a filmografia do cineasta, para recapitular o que de verdadeiramente relevante, ele realizou ao longo da carreira. Após “Alien” e “Blade Runner”, há um honroso “Thelma & Louise” (1991), seguido de meia dúzia de filmes medianos ou decepcionantes, e então “Gladiador” (2000) e “Falcão Negro em Perigo” (2001). Depois, meia dúzia de bombas e, então, “O Gângster” (2007). Finalmente, mais algumas bobagens e finalmente “Perdido em Marte” (2015). A filmografia de Scott parece o gráfico de um paciente terminal: de vez em quando, dá uns picos, gera certa animação, mas em seguida descamba. Um mito se desfaz aqui. É duro admitir, mas se havia alguma vitalidade criativa em Scott, a sobrevida artística está sendo mantida por máquinas. Ele se acomodou na função de artesão. Permanece o incrível bom gosto visual, mas é um diretor que perdeu o senso de ambição, um cineasta à mercê de um time de roteiristas inspirados. Quando encontra um, se sobressai. Como aconteceu em “Perdido em Marte”. Quando não encontra, temos no pior dos casos algo infame como “Êxodo: Deuses e Reis” (2014) ou, na sorte, algo passável como “Alien: Covenant”. A carpintaria bem feita e, quase toda digital, dá uma enganada, mas, no fim, o filme funciona de soquinho. Avança um pouquinho, para, avança outro, emperra… Resta torcer para que não haja a mesma filosofia por traz da aguardada sequência de “Blade Runner” que Scott produz.
O Cidadão Ilustre usa humor negro para mostrar como o sucesso provoca inveja
Um escritor oriundo de uma pequena cidade argentina, Salas, se projeta como grande nome da literatura mundial, vivendo na Europa por três décadas, e conquista nada menos do que o Prêmio Nobel de Literatura. Esse personagem é Daniel Mantovani (Oscar Martínez). O início do filme “O Cidadão Ilustre” é a sua consagração na cerimônia de entrega do Nobel, em Estocolmo, e ali já se vê seu espírito crítico e a insubmissão que lhe são característicos. Se algum dia esse escritor, famoso mundialmente, resolver voltar para rever a pequena cidade natal de Salas, aproveitando um convite singelo para receber a medalha de Cidadão Ilustre da localidade, após cerca de 40 anos ausente, o que pode acontecer? Esta é a situação que o filme de Gastón Duprat e Mariano Cohn (mesma dupla de “O Homem ao Lado”) explora, na forma de uma comédia ácida, que lida com o efeito do sucesso cosmopolita sobre o mundo provinciano. De um lado, o orgulho do conterrâneo mal disfarça a inveja. De outro, uma espécie de entusiasmo patriótico é incapaz de ver o mundo para além das fronteiras nacionais. Há ambiguidade em ver sua pequena localidade também se tornar famosa, mas pelo que ela tem de pior. O desejo de usufruir das vantagens de ser o berço natal de um nome famoso no mundo vai de encontro à constatação da pequenez e mediocridade daquele espaço provinciano. A descoberta de que a grande literatura se alimentou das lembranças desse pequeno mundo limitado e opressor acaba por trazer à tona o que as pessoas têm de mais obscuro: a agressividade destruidora. Tom Jobim dizia que, no Brasil, o sucesso ofende as pessoas. Elas não podem suportá-lo. Quando esse sucesso revela sua face crítica, inevitável, aliás, muitos se sentem diminuídos, rejeitados, dispostos até a matar, por inveja. Isso não é um atributo brasileiro, ou argentino, é do ser humano frustrado, insatisfeito, que se sente rejeitado. De qualquer modo, essa visão da história não é necessariamente a única, nem precisa ser assim. É a visão do escritor, que a ela agrega fantasia, exageros, dramaticidade. O conflito existe, é real, mas pode adquirir diferentes configurações. Uma vez mais, se coloca o tema da verdade, o que ela é, como alcançá-la, se é que existe. E do que é factual e ficcional. O filme lida com isso também, embora de modo pouco original. No entanto, o conjunto do trabalho é muito bom. A atuação de Oscar Martínez (“Relatos Selvagens”), excelente, e o tom cáustico da comédia funciona muito bem. Além de tratar de um tema relevante. Não é nenhum besteirol, nem é nada apelativo. “O Cidadão Ilustre” foi escolhido para representar a Argentina na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro. É uma coprodução com a Espanha e levou o prêmio Goya de melhor filme ibero-americano.
Johnny Depp teria filmado bêbado o novo Piratas do Caribe
Uma reportagem da revista americana The Hollywood Reporter sobre as dívidas de Johnny Depp lançou luz sobre os bastidores de “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, revelando que ter os cães barrados na Austrália foi o menor dos problemas causados pelo ator durante as filmagens. Fontes ouvidas pela publicação afirmaram que o ator filmou a produção completamente bêbado. Como o personagem Jack Sparrow se porta de forma bêbada, poderia se argumentar que foi um caso e imersão no personagem – o famoso “Método” de interpretação. Mas o motivo teria sido bem diferente. Em 2015, quando começaram as filmagens, o ator já viva uma crise no casamento com Amber Heard, de quem se separaria no ano seguinte. Não está claro se ele bebia por causa disso, ou se era sua bebedeira que causava as brigas. Mas a atriz, em seu pedido de divórcio, mencionou que seu estado enebriado o tornava violento. Segundo apurou o THR, Depp chegava constantemente atrasado e bêbado no set, deixando a equipe inteira apreensiva. “Todos eram espectadores inocentes diante de um acidente de trem”, descreveu à revista, de maneira metafórica. O clima entre o ator e Amber, que viajou para a Austrália para acompanhá-lo, estaria péssimo, de acordo com as fontes, e as discussões faziam o ator chegar horas atrasado às filmagens. A situação chegou ao ponto de o orçamento ser usado para deslocar funcionários da equipe do filme para ficarem de plantão diante da moradia de Depp, para avisar aos outros quando ele aparecesse bem e desse indícios de que iria trabalhar. “Certamente, houve dias em que nossos planos foram desafiados”, assumiu o chefe de produção do filme, Sean Bailey, ao mesmo tempo em que tentou jogar panos quentes sobre o assunto, ressaltando o talento de Depp para dar vida ao amalucado Jack Sparrow, um pirata que anda e fala como se estivesse bêbado. Os bastidores da produção não geraram maior falatório graças ao esforço da Disney para conter a situação, tendo em vista que o filme tem um orçamento milionário e ainda não estreou. Mas, já no primeiro trailer, o estúdio tratou de anunciar que se tratava do capítulo final da franquia. Muitos acharam precipitado, pois o filme poderia se provar um blockbuster. A situação muda de figura diante dos problemas levantados pelo THR durante sua longa produção. Nem os tabloides imaginavam, tanto que pouco especularam, na época, sobre as causas de um acidente em que Depp machucou um dedo nas filmagens e precisou voar às pressas para operá-lo nos Estados Unidos. Oficialmente, fala-se que ele prendeu o dedo na porta do carro, mas não se diz em que estado ele estava quando isso aconteceu. Uma versão diferente só foi circular na época de seu divórcio, apontando que ele teria se ferido durante uma discussão mais acalorada com Amber Heard. Durante a separação, a atriz chegou a acusar Depp por violência doméstica, aparecendo com o rosto bastante machucado. Mas ela não deu prosseguimento na ação após conseguir um acordo de divórcio estimado em US$ 7 milhões. “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” estreia em duas semanas, no dia 25 de março no Brasil.
Festival Cine PE é adiado após saída de sete filmes em protesto
A saída de sete filmes da competição do festival Cine PE, em protesto contra as obras “alinhados à direita conservadora” da seleção oficial, causou um curto-circuito nos bastidores da organização, que decidiu adiar o evento. Marcado inicialmente para acontecer entre os dias 23 e 29 de maio, a 21ª edição do Cine PE, em Recife, vai refazer sua programação e só depois terá sua nova data anunciada. Em comunicado, a organização do festival lamenta a “surpresa por essa represália” em “tempo impróprio da pré-produção do evento”, que “proporcionou um ônus fora do planejamento”. Assinado pela diretora do Cine PE, Sandra Maria Ramos Bertini Bandeira, o texto aponta o histórico do festival, que jamais se pautou por priorizar uma linha política. “Com uma simples pesquisa sobre as edições passadas, facilmente será revelado que o Festival sempre se pautou em mostrar tendências, linguagens, estéticas e ideologias da forma mais coerente possível, por entender e evidenciar que o conceito da diversidade dever ser de todos e para todos”. Reiterando a confiança no trabalho da curadoria, ela explica que serão incluídos outros filmes que se inscreveram no evento, ressaltando o compromisso com “a liberdade de produzir e o sentimento de consideração pelas obras realizadas, na maioria das vezes, com enormes esforços”. O texto se encerra anunciando o adiamento. “Essa adequação da situação à nova grade de programação, por razões técnicas e burocráticas, demanda por um tempo superior ao prazo do período de realização agendado, de tal modo que, pelo dever da prudência que sempre inspirou o Festival, será necessária postergar a execução do evento, cuja nova data será divulgada oportunamente” Na quarta-feira (10/5), sete cineastas anunciaram a decisão de retirarem seus respectivos filmes da competição – cinco curtas e um longa-metragem. Em carta aberta, os dissidentes afirmam que a decisão foi tomada após a divulgação da programação na íntegra, quando foi revelada a presença de filmes que “favorecem um discurso partidário alinhado à direita conservadora e grupos que compactuaram e financiaram o golpe ao Estado democrático de direito ocorrido no Brasil em 2016”. Não foram apontados quais são os “filmes golpistas”, mas o Cine PE incluiu em sua mostra competitiva o documentário “O Jardim das Aflições”, sobre o astrólogo ultraconservador Olavo de Carvalho, que foi feito sem incentivo público, mas com cotas de patrocínio de uma editora que prepara uma biografia do deputado Jair Bolsonaro. Além disso, o festival anunciou a exibição fora da competição de “Real – O Plano por Trás da História”, de Rodrigo Bittencourt, que resgata a criação da moeda em 1993. Vale observar que “O Jardim das Aflições” foi recusado por vários festivais anteriormente. Em entrevista ao UOL, no ano passado, o diretor Josias Teófilo chegou a reclamar de censura. “Os critérios exclusivamente políticos se mesclam com julgamentos estéticos”, defendeu.












