
Ilustração/Gemini
Cade aprova compra da Warner pela Paramount Skydance no Brasil
Parecer vê concorrência suficiente em cinema, streaming, TV, publicidade e games após fusão de US$ 110 bilhões
Superintendência do Cade aprova negócio
A Superintendência-Geral do Cade aprovou, sem restrições, a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance no Brasil. A operação, avaliada em US$ 110 bilhões, ainda não foi concluída de forma definitiva, mas recebeu aval da área técnica do órgão antitruste brasileiro.
Por que o Cade liberou a fusão?
No parecer, a Superintendência-Geral concluiu que a nova empresa reunirá marcas importantes do entretenimento, mas continuará enfrentando concorrência relevante no Brasil.
A análise cita a presença de grupos como Disney, Sony, Netflix, Globoplay e distribuidoras independentes. Para o Cade, esse cenário impede que a união entre Warner Bros. Discovery e Paramount Skydance gere domínio de mercado ou elimine a disputa por público, conteúdo e publicidade.
Quais mercados foram analisados?
A avaliação incluiu diferentes áreas de atuação das companhias. O Cade examinou distribuição de filmes para cinemas, produção e licenciamento de conteúdo audiovisual, streaming por assinatura, publicidade, licenciamento de propriedades intelectuais para produtos e desenvolvimento de videogames.
Em todos os segmentos, a conclusão foi de que ainda haverá concorrentes suficientes para manter a pressão competitiva sobre a empresa resultante da fusão.
Streaming não foi visto como risco dominante
No mercado de streaming, o Cade entendeu que a combinação entre a Paramount+ e a HBO Max não altera de forma decisiva o equilíbrio do setor.
Segundo o parecer, a participação conjunta das duas plataformas permanece abaixo do nível considerado dominante. A análise também levou em conta que o streaming por assinatura segue liderado pela Netflix e inclui concorrentes relevantes como Disney+, Globoplay, Prime Video, Apple TV e Claro TV+.
Cade avaliou impacto sobre cinemas
Outro ponto analisado foi a relação entre a distribuição de filmes e a rede UCI, ligada ao grupo Paramount Skydance. O Cade avaliou se a nova empresa poderia favorecer seus próprios cinemas ou dificultar o acesso de exibidores concorrentes aos lançamentos.
A Superintendência-Geral concluiu que o risco é baixo, devido à concorrência entre distribuidoras e redes de exibição.
Concorrentes manifestaram preocupação
Durante o processo, a Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas e a Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex pediram para participar da análise. As entidades argumentaram que a fusão poderia aumentar o poder de negociação da nova companhia e reduzir a capacidade de barganha das redes de cinema.
O Cade negou o pedido de ingresso no processo, mas afirmou que as preocupações foram consideradas na avaliação concorrencial.
Parecer cita transformação do audiovisual
O parecer do Cade destaca que o avanço do streaming mudou a dinâmica do mercado audiovisual. Por isso, a análise considerou a integração crescente entre cinema, televisão e plataformas digitais.
A leitura do órgão pode servir como referência para futuras operações envolvendo grandes grupos de mídia e entretenimento, especialmente em negócios que combinem estúdios, plataformas, canais e distribuição.
Grupo reunirá streaming, estúdios e esportes
A decisão ficará automaticamente confirmada se nenhum conselheiro do Cade pedir uma nova análise no prazo regimental de 15 dias. Se a aprovação for confirmada ao fim do prazo regimental, a empresa resultante passará a reunir alguns dos principais ativos do entretenimento mundial.
No Brasil, o grupo concentrará plataformas como a HBO Max e a Paramount+, além de direitos esportivos relevantes. Entre eles estão Libertadores, Copa Sul-Americana, Champions League e Campeonato Paulista.
A fusão também aproxima estúdios históricos, canais, catálogos e propriedades intelectuais com forte presença em cinema, televisão, streaming e produtos licenciados.
Operação ainda depende de outros países
A aprovação no Brasil não conclui a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance. A operação ainda depende de etapas regulatórias em outros mercados.
Nos Estados Unidos, autoridades estaduais ampliaram a pressão sobre o acordo, que aprovado pelo órgão regulador federal. Na Europa, a Comissão Europeia também analisa a fusão e avalia possíveis medidas para lidar com preocupações concorrenciais.