Isao Takahata (1935 – 2018)
Morreu o diretor de animação japonês Isao Takahata, que ficou conhecido pelo filme “Túmulo dos Vaga-lumes”, uma anime clássica. Ele faleceu aos 82 anos, anunciou seu estúdio nesta sexta-feira (6/4), sem revelar as causas. Segundo a rede NHK, Takahta morreu em um hospital de Tóquio. Com longa-carreira, ele lançou seu primeiro longa em 1968, “Horus: O Príncipe do Sol”, além de ter feito vários trabalhos com a personagem “Heidi” nos anos 1970. Takahata também foi cofundador em 1985 do mítico estúdio japonês de animação Ghibli com seu discípulo, parceiro e em algumas ocasiões rival, Hayao Miyazaki. Ele conquistou fama mundial com uma das primeiras produções do Ghibli, “Túmulo dos Vaga-lumes”, de 1988, uma comovente história de dois órfãos durante a guerra, que muitos consideram seu melhor trabalho. Mais recentemente, fez a animação de “O Conto da Princesa Kaguya”, releitura de um clássico do repertório japonês que lhe valeu uma indicação à categoria de Melhor Filme de Animação no Oscar de 2015. E, em 2016, produziu “A Tartaruga Vermelha”, uma coprodução francesa, que também concorreu ao Oscar de Animação.
Diego Luna e Gael García Bernal lançam nova produtora de filmes e séries
Os atores mexicanos Diego Luna (“Rogue One”) e Gael García Bernal (“Neruda”) anunciaram a criação de uma nova produtora de cinema e TV chamada La Corriente del Golfo. A notícia foi oficializada uma semana após os dois romperem seus vínculos com a Canana, produtora de cinema que haviam criado 14 anos atrás e que continua funcionando, encabeçada por terceiros. Os dois são amigos desde a adolescência, quando trabalharam na mesma novela, “Vovô e Eu” (1992). A amizade foi solidificada nas filmagens de “E Sua Mãe Também” (2001), de Alfonso Cuarón. Os primeiros projetos da nova companhia serão o filme “Chicuarotes” e a série “Aquí en la Tierra”. “Chicuarotes” é o segundo longa-metragem dirigido por García Bernal, e teve sua filmagem concluída em janeiro. Com roteiro de Augusto Mendoza e filmado em espanhol, o filme está atualmente em processo de pós-produção. Já “Aquí en la Tierra” é a única série latino-americana incluída na primeira edição do Canneseries, o Festival Internacional de Séries de Cannes, dedicado exclusivamente ao formato. Os dois também continuam envolvidos com o Ambulante, festival criado em 2005 e dedicado a apoiar os filmes de documentários.
Filme que consumiu duas décadas da vida de Terry Gilliam ganha seu primeiro trailer
“The Man Who Killed Don Quixote” (O Homem que Matou Dom Quixote), o filme que consumiu duas décadas da vida de Terry Gilliam, ganhou seu primeiro pôster e trailer. E a prévia é vibrante, surreal e psicodélica como os melhores trabalhos do cineasta, que volta a lidar com as fronteiras da realidade e da imaginação febril, ao acompanhar um publicitário, que é confundido com Sancho Pança por um maluco que acredita ser Dom Quixote. A pré-produção deste projeto começou em 1998 e as primeiras filmagens aconteceram em 2000, com Johnny Depp (“Piratas do Caribe”) no papel principal, e foram tantos problemas, incluindo inundações, interferências das forças armadas espanholas e uma hérnia sofrida pelo astro, que a produção precisou ser interrompida e o filme abandonado. Todas as dificuldades enfrentadas pelo projeto foram registradas num documentário premiado, “Lost in La Mancha” (2002). Uma década depois, em 2010, Gilliam voltou a ficar perto de realizar seu projeto, chegando a filmar Ewan McGregor (“O Escritor Fantasma”) como protagonista e Robert Duvall (“O Juiz”) no papel de Dom Quixote, mas as filmagens foram novamente interrompidas, desta vez por problemas financeiros. Em 2015, ele chegou a anunciar uma nova tentativa, agora estrelada por Jack O’Connell (“Invencível”) e John Hurt (“O Espião que Sabia Demais”), mas a briga com um produtor português adiou o projeto e Hurt acabou morrendo em janeiro de 2017, precisando ser substituído em nova filmagem, desta vez definitiva. Assim, quem acabou filmando os papéis principais foram Adam Driver (“Star Wars: O Despertar da Força”) e Jonathan Pryce (série “Game of Thrones”). O elenco final também inclui Olga Kurylenko (“Oblivion”), Stellan Skarsgård (“Ninfomaníaca”), Óscar Jaenada (“Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas”), Jordi Mollà (“Riddick”), Sergi López (“Faces de uma Mulher”), Jason Watkins (série “Taboo”) e Rossy de Palma (“Madame”). Inspirado no clássico de Miguel de Cervantes, o filme gira em torno de um cansado diretor de comerciais que viaja para a Espanha para uma gravação, mas acaba embarcando numa jornada bizarra de volta no tempo, onde encontra Dom Quixote, que imediatamente o confunde com Sancho Pança e o arrasta para uma série de aventuras catastróficas. O filme ainda não tem previsão de estreia, porque o produtor português anteriormente mencionado entrou com um processo contra Gilliam por ter rodado o longa sem sua autorização. O caso será julgado em Paris em 15 de junho.
Trailer legendado de Johnny English 3.0 revela nova paródia da franquia 007
A Universal divulgou o trailer de “Johnny English 3.0”, terceiro filme em que Rowan Atkinson vive o espião mais atrapalhado do Reino Unido. A franquia satiriza os filmes de 007 e desta vez chega a incluir uma autêntica Bond Girl, a ucraniana Olga Kurylenko, estrela de “007 – Quantum of Solace” (2008), que é fatal demais para o eterno Mr. Bean. Apesar do humor físico da prévia seguir mais de perto o estilo dos filmes da “Pantera Cor-de-Rosa”, Johnny English é o único dos personagens inspirados por James Bond que foi criado por roteiristas oficiais da franquia 007 – Neal Purvis e Robert Wade escreveram todos os seis últimos filmes do agente secreto. A nova aventura, por sinal, repete a premissa de “007 – Operação Skyfall”, quando um ataque cibernético revela a identidade de todos os agentes ativos infiltrados na Grã-Bretanha, deixando Johnny English como a última esperança do serviço secreto. Apesar de estar aposentado, English é convocado para encontrar o hacker que está por trás do ataque. Com poucas habilidades e métodos analógicos, seu maior desafio será entender a tecnologia moderna, como a realidade virtual, para tornar a missão bem-sucedida. O filme marca a estreia do diretor de séries David Kerr (“Fresh Meat”) no cinema, e ainda inclui no elenco Emma Thompson (“O Bebê de Bridget Jones”), Ben Miller (“Johnny English”) e Jake Lacy (“Armas na Mesa”). A estreia está marcada para 4 de outubro no Brasil, uma semana antes da estreia no Reino Unido.
Filme com Penélope Cruz que vai abrir o Festival de Cannes ganha primeiro trailer
Recém-anunciado como filme de abertura do Festival de Cannes 2018, “Todos lo Saben” ganhou seu primeiro trailer. E o clima é de suspense intenso, novamente envolvendo segredos do passado dos personagens, uma característica da filmografia de Asghar Farhadi. A principal novidade da obra em relação aos trabalhos anteriores do cineasta iraniano, vencedor de dois Oscars, é a escolha de uma cultura e uma língua estrangeiras para contar a história, que ele próprio escreveu. Mesmo quando visitou a França em “O Passado”, Farhadi manteve-se nos limites da cultura islâmica, mas, desta vez, abandona totalmente a conexão com suas raízes, filmando personagens latinos. A trama é estrelada pelo casal espanhol Penélope Cruz (“Assassinato no Expresso do Oriente”) e Javier Bardem (“Mãe!”), além do argentino Ricardo Darín (“Truman”), e gira em torno da personagem de Cruz, que retorna a sua cidadezinha natal durante um período festivo, apenas para testemunhar uma série de eventos inesperados trazer vários segredos a público. “Todos lo Saben” abre o Festival de Cannes em 8 de maio e no dia seguinte chega aos cinemas franceses. Mas ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
Novo filme do diretor de A Separação vai abrir o Festival de Cannes 2018
O novo filme do cineasta iraniano Asghar Farhadi, vencedor de dois Oscars de Melhor Filme em Língua Estrangeira, foi selecionado para abrir o Festival de Cannes 2018. Falado em espanhol, o filme é um thriller psicológico intitulado “Todos lo Saben” (“Todos sabem”, em tradução literal) e estrelado pelo casal espanhol Penélope Cruz e Javier Bardem, além do argentino Ricardo Darín. “Todos lo Saben” será apenas o segundo filme de língua espanhola a abrir o tradicional festival francês, após “Má Educação” de Pedro Almodóvar, em 2004. O longa também marca o desembarque do terceiro filme consecutivo de Farhadi em Cannes, após as premières de “O Passado” (2013) e “O Apartamento” (2016). Este último acabou vencendo o Oscar 2017. O diretor também conquistou o Leão de Ouro no Festival de Berlim com “A Separação”, seu filme mais conhecido, que também foi premiado no Oscar 2012. Escrito por Farhadi, “Todos lo Saben” conta a história de Laura (Penelope Cruz) em uma viagem com a família de Buenos Aires para sua cidade natal na Espanha. A reunião familiar, no entanto, é interrompida por eventos que mudam o curso das vidas dos personagens. O filme será lançado em 9 de maio na França — um dia depois da premiére em Cannes – , mas ainda não tem previsão de estreia no Brasil.
Chris Pratt revela detalhes da “festa” dos bastidores de Vingadores: Guerra Infinita
O ator Chris Pratt, intérprete de Peter Quill, o Senhor das Estrelas nos filmes da Marvel, participou de um evento com fãs na noite de quarta-feira (5/4), no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Diante de mais de 800 pessoas, ele respondeu perguntas do público e falou um pouco sobre sua participação no filme “Vingadores: Guerra Infinita”, que estreia no Brasil em 26 de abril. Ele também fez algumas confissões, mostrando sempre seu bom humor. Por exemplo, quando terminou de filmar o primeiro “Guardiões da Galáxia” (2014), ficou com medo de se tornar o responsável pelo fracasso da produção. “Filmar a primeira cena de ‘Guardiões’ foi muito divertido. A música estava tocando alto no set, gravamos em um ou dois dias e, no final, eu não conseguia tirá-la da cabeça”, contou, sobre a cena em que Peter Quill dança entre ruínas, chutando pequenos aliens ao som de “Come and Get Your Love”, de Redbone. “Mas quando acabaram as filmagens, eu comecei a ficar muito nervoso. Eu só me via dançando e pensava: ‘estraguei o filme!’. Só fiquei tranquilo quando comecei a ver a reação das pessoas, elas realmente curtiram aquilo. Quem faz um filme não tem uma ideia muito precisa do seu desempenho nele”, completou, rindo. “Guardiões da Galáxia” foi a aposta mais inusitada da Marvel. Filmar um grupo de super-heróis espaciais que quase ninguém conhecia – nem mesmo os leitores de quadrinhos – com um diretor de terrores trash parecia a receita certa para um fracasso. Entretanto, a produção faturou US$ 773,3 milhões nas bilheterias de todo o mundo, rendeu uma sequência ainda mais bem-sucedida e agora seus personagens vão se encontrar com os Vingadores, num crossover para entrar para a História do Cinema. Em retrospecto, Chris Pratt agora celebra o fato de ter sido escalado para viver um personagem obscuro, em vez do Homem-Aranha como o “coitado do Tom Holland”. “As pessoas não sabiam quem era Peter Quill antes do primeiro filme dos ‘Guardiões’. Era um time menor de heróis dos quadrinhos, não tinha muita gente que lia e quem lia podia nem conhecer a encarnação dos personagens que incluía o Senhor das Estrelas. Isso teva algumas vantagens. O público não tinha expectativas nem versões anteriores com quem me comparar. A responsabilidade do coitado do Tom Holland, por exemplo, é bem maior, porque o Homem-Aranha teve encarnações ótimas antes. Com Peter Quill, as expectativas não eram muito altas, e acho que nos saímos bem. Agora as pessoas já o conhecem, sabem qual é a sua personalidade, e podemos brincar com isso”, disse o ator. Agora que o personagem está estabelecido, ele está mais a vontade para interagir com outros heróis mais famosos, o que acontece o tempo inteiro em “Guerra Infinita”. E o resultado, ele garante, é muito engraçado. “Não tem nada mais engraçado do que uma pessoa com um ego enorme encontrar outra que também tem um ego enorme. É um ótimo material para comédia”. Pratt não se intimidou e nomeou os outros heróis egocêntricos. “O Homem de Ferro, o Doutor Estranho e Peter Quill têm egos enormes. Os personagens, não os atores, não existem atores egocêntricos”, brincou, arrancando risos do público. “Então essa era uma questão que entrava em jogo. Mas nada melhor do que um inimigo em comum para unir as pessoas mais opostas. E Thanos representa isso, é um psicopata assassino megapoderoso”, afirmou. Ele ainda revelou alguns detalhes dos bastidores das filmagens, revelando que, embora possa parecer uma dificuldade reunir tantos astros famosos numa mesma produção, a realidade da convivência fora de cena foi muito prazerosa. “Foi como uma festa na semana em que gravamos as cenas com todos os heróis, nós tiramos uma foto conjunta com dezenas e dezenas de personagens da Marvel e tinha uma tenda fora do set de filmagens com sofás, bar, onde todo mundo ficava conversando e foi bem mais legal do que eu imaginava”, comentou o ator. Para completar, Pratt comentou sobre alguns dos atores com quem contracenou no filme. “Lenda”, ele definiu Robert Downey Jr., que interpreta o Homem de Ferro. E quando perguntado sobre Tom Holland, o Homem-Aranha, ele respondeu “futuro”, sugerindo que o personagem terá importância na próxima fase de filmes da Marvel – ainda há dois filmes solos previstos para o Homem-Aranha. Antes da exibição de uma cena inédita do novo longa, o ator deixou o palco com a bandeira brasileira e ainda surpreendeu três fãs durante gravação de um vídeo sobre o filme.
Principal estreia da semana é o melhor terror do ano
O melhor terror de 2018 – até o momento – é a principal estreia da programação de cinema nesta quinta (5/4), mas também há outros filmes bem recomendados. Clique nos títulos abaixo para ver os trailers de todos os 11 lançamentos – três são brasileiros. “Um Lugar Silencioso” chega aos cinemas em estreia simultânea com os Estados Unidos. O filme é escrito, dirigido e estrelado pelo ator John Krasinski (“Detroit em Rebelião”) e marca sua primeira parceria com Emily Blunt (“A Garota no Trem”), sua esposa na vida real. Os dois vivem os pais de uma família em fuga, que se afasta da civilização para viver no mais completo silêncio, numa fazenda isolada. O motivo do silêncio são criaturas terríveis, que invadiram o planeta e reagem ferozmente ao menor barulho. O terror é o terceiro filme dirigido por Krasinski, após as comédia indies “Brief Interviews with Hideous Men” (2009) e “Família Hollar” (2016), e teve sua première no Festival SXSW, nos Estados Unidos, ocasião em que foi aplaudido de pé e conquistou 100% de aprovação da crítica, segundo o site Rotten Tomatoes. Num gênero conhecido por seus clichês, o filme surpreende pela originalidade e entrega tensão do começo ao fim. “Com Amor, Simon” entrou em cartaz há três semanas e já virou cult nos Estados Unidos. Comédia adolescente elogiadíssima (92% de aprovação), marca a volta do produtor Greg Berlanti (criador das séries de super-heróis da DC Comics) ao cinema, num clima que chega a lembrar os clássicos de John Hughes – embora trata-se de uma adaptação de best-seller atual, “Simon vs. A Agenda Homo Sapiens”, de Becky Albertalli. Mas o que na superfície parece um filme teen típico, com romance, festas, amizades e família, tem uma diferença em relação às Sessões da Tarde de outrora: seu jovem protagonista procura encontrar coragem para revelar que é gay. “O Homem das Cavernas” é a nova animação de massinhas de Nick Park, criador de “Wallace e Gromit”, “Shaun: O Carneiro” e diretor do divertido “A Fuga das Galinhas”. O filme acompanha, como diz o título nacional, as aventuras de Dug, guerreiro da última tribo das cavernas, mas subverte as expectativas por não se passar na Idade da Pedra e sim muitos séculos depois, na Era do Bronze. Na trama, os homens pré-históricos vão enfrentar o exército “moderno” do tirano Lord Nooth. Dono de um castelo e elefantes encouraçados, ele expulsa a tribo, mas, numa tentativa de retomar suas terras, Dug o desafia para uma partida pré-histórica de futebol. Dublado em inglês por Eddie Redmayne (“Animais Fantásticos e Onde Habitam”), o protagonista ganhou voz de Marco Luque (“Altas Horas”) para o lançamento no Brasil. “Covil de Ladrões” acrescenta mais um título à filmografia de thrillers genéricos de Gerard Butler (“Tempestade: Planeta em Fúria”). O longa marca a estreia na direção de Christian Gudegast, roteirista de “Invasão a Londres” (2016), que já era um thriller genérico estrelado por Butler. A ação gira em torno de uma gangue de assaltantes de bancos, que passa a ser investigada pela equipe mais brutal e bem-sucedida da polícia, também referida maldosamente como “bandidos de distintivo”. Apesar das críticas negativas (41%), atraiu público suficiente para receber encomenda de continuação. Dramas europeus Principal opção cinéfila da semana, “1945”, do húngaro Ferenc Török, registra em preto e branco eventos pouco discutidos sobre as consequências da 2ª Guerra Mundial. Na trama, a chegada de dois judeus a sua cidadezinha húngara deixa o local em polvorosa, uma vez que todos foram cúmplices dos nazistas e se aproveitaram dos bens dos judeus deportados para campos de extermínio, vivendo em suas propriedades. O remorso e a culpa vêm à tona de forma dramática, assim como a ganância, expondo o pior da humanidade. Com 91% de aprovação no Rotten Tomatoes, o filme foi aplaudido no Festival de Berlim e venceu o Festival de Jerusalém. “Uma Temporada na França” também mergulha em deportações e drama pesado, mas reflete o mundo de hoje por meio da situação de um imigrante africano (Eriq Ebouaney, de “Atentado em Paris”), pai de duas crianças pequenas, que perde o direito de ficar na França – assim como a dignidade – e entra em desespero. A direção é de Mahamat-Saleh Haroun (do premiado “Um Homem que Grita”), natural do Chade, e o elenco inclui a veterana Sandrine Bonnaire (“Sob o Sol de Satã”). “Ella e John” tem direção do italiano Paolo Virzì (“A Primeira Coisa Bela”) e junta Donald Sutherland (“Jogos Vorazes”) e Helen Mirren (“A Dama Dourada”) num road movie da Terceira Idade. Eles vivem um casal idoso que decide embarcar numa última viagem em seu motor home pelo interior dos Estados Unidos, o mesmo veículo com o qual costumavam acampar com os filhos nos anos 1970. O que começa como uma comédia leve, porém, logo revela-se um melodrama, com a descoberta de que o homem está passando por uma situação médica complexa. Assim, o passeio cinematográfico conduz apenas aos lugares comuns – 33% de aprovação. Cinema brasileiro “Arábia” resulta da leitura do diário de um trabalhador chamado Cristiano (Aristides de Sousa), encontrado depois que ele sofre um acidente. E é importante saber que o personagem é inspirado na vida real de seu intérprete. Aos 15 anos, o rapaz já tinha sido internado cinco vezes na Fundação Casa e levado cinco tiros. Sua história, contada pelos diretores Affonso Uchôa (“A Vizinhança do Tigre”) e João Dumans (roteirista de “A Cidade onde Envelheço”), é um retrato da desigualdade brasileira, que expõe as angústias da classe baixa trabalhadora, sujeitos humildes, que trabalham em fábricas, plantações e vivem na periferia. Apesar do título, o filme fala de um Brasil 100% brasileiro, ainda que pouco abordado pelo cinema besteirol nacional. Tudo com uma poesia cinematográfica de tirar o fôlego – e premiada em diversos festivais internacionais, de Buenos Aires ao IndieLisboa. “Tropykaos” segue caminho oposto, afastando-se do naturalismo para abraçar o surreal. A trama segue um poeta em crise de criatividade num encontro com o realismo mágico. Sofrendo com o verão de Salvador, ele embarca numa odisseia em busca de um novo ar-condicionado, enquanto tem delírios de autocombustão, que advém do consumo de crack, mas também de muitas sessões de cinema marginal e tropicalismo. Foi premiado no Festival de Tiradentes. O documentário “Em Nome da América” traça um painel inédito sobre a ação do Corpo da Paz no Brasil. O programa criado pelo Presidente John Kennedy nos anos 1960 tinha oficialmente a missão de ajudar nações subdesenvolvidas do continente americano, mas extra-oficialmente buscava evitar a criação de uma “nova Cuba”. O filme de Fernando Weller revela o choque cultural que marcou os jovens americanos idealistas que desembarcaram no Nordeste, encontrando uma região marcada por fome e violência, ao mesmo tempo em que se desenrolavam o golpe militar de 1964 no Brasil, a Guerra do Vietnã e a infiltração da CIA na América Latina. Circuito anime Apesar de ser um filme com atores, “Attack on Titan” entrou na programação alternativa de animes do Cinemark. O filme é baseado no mangá criado em 2009 por Hajime Isayama – e editado no Brasil como “Ataque dos Titãs”. A história já tinha sido adaptado numa anime cultuadíssima de 2013, dirigida por Tetsurō Araki (da série anime “Death Note”), e sua versão “live action” chegou aos cinemas japoneses em duas partes, lançadas de forma consecutiva em 2015. O lançamento atual é a primeira parte, que estreia no Brasil “apenas” com três anos de atraso. Ao menos, a segunda parte não vai demorar: a previsão é para maio. Fãs da anime podem se decepcionar com a versão com atores, pois até “Círculo de Fogo: A Revolta” “adaptou” melhor a premissa original. A direção de ambas as partes foi feita por Shinji Higuchi (do mais recente filme japonês de Godzilla), com roteiro de Yusuke Watanabe (“Dragon Ball Z: A Batalha dos Deus”) e um elenco que destaca Kiko Mizuhara (“Como na Canção dos Beatles: Norwegian Wood”), Satomi Ishihara (“A Invocação 3D”), Kanata Hongo (“Gantz”), Hiroki Hasegawa (“Por Que Você Não Vai Brincar no Inferno?”), Takahiro Miura (“Patrulha Estelar”) e o cantor de J-pop Haruma Miura (“Five Minutes to Tomorrow”).
Hollywood teve arrecadação recorde de US$ 40,6 bilhões em 2017
Com a saída de cartaz dos últimos filmes lançados em 2017, as bilheterias totalizaram o valor final de faturamento do ano passado. E é recorde. Ao todo, a indústria cinematográfica americana faturou US$ 40,6 bilhões, graças ao sucesso de blockbusters como “Star Wars: Os Últimos Jedi”, campeão de arrecadação do ano, “A Bela e a Fera” e “Mulher Maravilha”. Os números representam um aumento de 5% na arrecadação em relação a 2016, de acordo com o levantamento da Motion Picture Association of America (MPA). E contrariam preocupações com o declínio das receitas estrangeiras, que tinham sido registradas há dois anos. O recorde mundial de bilheteria foi impulsionado por um aumento de 7% nos mercados internacionais (29,5 bilhões de dólares), em grande parte devido à retomada do crescimento na China, que havia desacelerado em 2015. Japão, Grã-Bretanha, Índia e Coreia do Sul completam os cinco principais mercados internacionais. Isto compensou uma ligeira queda nas bilheterias dos Estados Unidos e Canadá – um mercado de 262 milhões de espectadores – , que foi de US$ 11,4 bilhões em 2015 para US$ 11,1 bilhões no ano passado. A faixa etária que mais foi ao cinema foram os pré-adolescentes e adolescentes entre 12 e 17 anos. Este público assistiu a uma média de 4,9 filmes. O segundo grupo etário que mais gastou em ingressos foi dos 18 a 24 anos. Uma curiosidade do relatório foi o registro de que o aumento da arrecadação aconteceu de forma paralela ao crescimento dos serviços de streaming, que oferecem filmes para serem assistidos em casa. Segundo o levantamento da MPA, os americanos gastaram 49% de seu tempo com plataformas digitais em 2017.
Maldição de Dom Quixote impede estreia do filme em que Terry Gilliam trabalha há 20 anos
A maldição de Dom Quixote ainda não acabou. Depois de passar duas décadas tentando filmar “The Man Who Killed Don Quixote” (O Homem que Matou Dom Quixote) e finalmente concluir a produção no ano passado, o cineasta Terry Gilliam não pode lançar o filme. Ele foi impedido por um produtor português, que levou o caso à justiça francesa. O Tribunal de Apelação de Paris realizou nesta quarta-feira (4/4) uma audiência sobre o filme, que envolve o cineasta de 77 anos e o produtor Paulo Branco, que comprou os direitos do longa através de sua empresa Alfama Films, baseada na França. A decisão da justiça francesa foi marcada para 15 de junho, data em que se saberá qual será o destino do filme. Por sua parte, Gilliam alega que Branco tinha se comprometido, entre outras coisas, a manter a data da filmagem em outubro de 2016 e a respeitar suas decisões artísticas. Mas, durante a pré-produção, os muitos desacordos entre ambos levaram o produtor a suspender o início das filmagens. Gilliam então considerou a parceria desfeita e procurou a produtora espanhola Tornasol, e com ela filmou o longa-metragem entre março e junho de 2017, na Espanha e Portugal. Neste meio tempo, o produtor tentou impedir as filmagens, mas sua iniciativa foi rejeitada em maio do ano passado por um tribunal de Paris. “Branco emprega toda a sua energia e seu tempo em impedir que este filme seja visto”, lamentou nesta quarta-feira o cineasta numa entrevista coletiva. “Suas petições são ridículas… Tenta arrecadar o máximo com um filme que não produziu”, acrescentou Gilliam, afirmando que Branco é quem lhe pede dinheiro, uma compensação de 3,5 milhões de euros. “É absolutamente falso, as decisões que devem ser tomadas sobre as quantias serão definidas evidentemente em uma mesa de negociação”, rebateu o produtor, afirmando que o filme orçado em “17 milhões de euros foi filmado de forma ilegal”. A briga judicial apenas prolonga a via crucis de Gilliam, que começou a pré-produção de “The Man Who Killed Don Quixote” em 1998, há exatos 20 anos. A filmagem original teve início em 2000, com Johnny Depp (“Piratas do Caribe”) no papel principal, e foram tantos problemas, incluindo inundações, interferências das forças armadas espanholas e uma hérnia sofrida pelo astro, que a produção precisou ser interrompida e o filme abandonado. Todas as dificuldades enfrentadas pelo projeto foram registradas num documentário premiado, “Lost in La Mancha” (2002). Uma década depois, em 2010, Gilliam voltou a ficar perto de realizar seu projeto, chegando a filmar Ewan McGregor (“O Escritor Fantasma”) como protagonista e Robert Duvall (“O Juiz”) no papel de Dom Quixote, mas as filmagens foram novamente interrompidas, desta vez por problemas financeiros. Em 2015, ele chegou a anunciar uma nova tentativa, agora estrelada por Jack O’Connell (“Invencível”) e John Hurt (“O Espião que Sabia Demais”), mas a briga com o produtor português adiou o projeto e Hurt acabou morrendo em janeiro de 2017, precisando ser substituído em nova filmagem, desta vez definitiva. Assim, quem acabou filmando os papéis principais foram Adam Driver (“Star Wars: O Despertar da Força”) e Jonathan Pryce (série “Game of Thrones”). O elenco final também inclui Olga Kurylenko (“Oblivion”), Stellan Skarsgård (“Ninfomaníaca”), Óscar Jaenada (“Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas”), Jordi Mollà (“Riddick”), Sergi López (“Faces de uma Mulher”), Jason Watkins (série “Taboo”) e Rossy de Palma (“Madame”). Inspirado no clássico de Miguel de Cervantes, o filme gira em torno de um cansado diretor de comerciais que viaja para a Espanha para uma gravação, mas acaba embarcando numa jornada bizarra de volta no tempo, onde encontra Dom Quixote, que imediatamente o confunde com Sancho Pança e o arrasta para uma série de aventuras catastróficas. É importante apontar que a produção só foi concluída devido ao envolvimento de uma plataforma de streaming: a Amazon. Enquanto estúdios de cinema deixaram Gilliam com a câmera na mão e a cara no chão, a Amazon foi quem entrou com o financiamento para o cineasta concretizar seu sonho, tomando a frente do projeto nos Estados Unidos, em associação com pequenas companhias europeias. Mas a jornada ainda não terminou. Após as filmagens, “The Man Who Killed Don Quixote” entrou no limbo judicial e ainda não tem previsão de estreia.
Steven Spielberg considera possibilidade de transformar Indiana Jones em mulher
O diretor Steven Spielberg já considera continuar a franquia Indiana Jones com uma atriz no papel principal. Ele admitiu a possibilidade em entrevista ao jornal britânico The Sun, ao assumir que o próximo filme deverá encerrar a participação de Harrison Ford no lendário papel. Ford, que já tem 75 anos, voltará a interpretar o arqueólogo num vindouro quinto filme, que começará a ser filmado em abril de 2019. Mas Spielberg prevê que a franquia continuará depois disso. “Este será o último filme de Indiana Jones de Harrison Ford, tenho certeza disso, mas a franquia certamente continuará depois desse”, ela afirmou. E a continuação inevitavelmente conduzirá à escolha de um substituto para o protagonista. Que poderia ser uma mulher. “Seria preciso mudar o nome de Jones para Joan. E não teria nada de errado com isso”, opinou, considerando que o famoso explorador “deve adotar uma forma diferente” para continuar relevante. Por curiosidade, a atriz Anna Kendrick (“A Escolha Perfeita”) interpretou recentemente uma “Indiana Joan” numa esquete do “Red Nose Day”, programa humorístico beneficente, em sua edição de 2015. Veja abaixo.
Super-heróis de Vingadores: Guerra Infinita ilustram 22 pôsteres individuais
A Marvel divulgou nada menos de 22 pôsteres “Vingadores: Guerra Infinita”, que destacam individualmente os super-heróis da trama. Mas não todos. De forma marcante, Homem-Formiga (Paul Rudd), Vespa (Evangeline Lilly) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) estão sendo ignorados pela divulgação, enquanto personagens secundários, como Wong (Benedict Wong), ganham destaque. A produção marcará o primeiro encontro de diversos super-heróis, como os Vingadores e os Guardiões da Galáxia. Todos esses personagens do universo cinematográfico da Marvel se juntarão no terceiro longa dos Vingadores para enfrentar o supervilão Thanos (Josh Brolin), que ameaça destruir bilhões de vidas. Com direção dos irmãos Anthony e Joe Russo, “Vingadores: Guerra Infinita” estreia em 26 de abril no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.
Dwayne Johnson confirma briga com Vin Diesel e deixa no ar participação em Velozes e Furiosos 9
O ator Dwayne Johnson deu uma entrevista-bomba à revista Rolling Stone, em que finalmente confirmou as brigas nos bastidores de “Velozes e Furiosos 8” e deixou em aberto a possibilidade de continuar na franquia milionária. Ele assumiu o conflito com Vin Diesel, o grande astro da franquia, que já tinha sido ventilado em seu próprio Instagram durante as filmagens, e afirmou que as cenas em que os dois aparecem juntos foram “efeitos especiais” – montagens realizadas na edição final. “É correto. Não estivemos juntos em nenhuma cena”, ele declarou. Questionado sobre o atual status do relacionamento entre os dois, Johnson revelou que também foi verdadeira a notícia sobre conversas sérias entre os dois, na reta final da produção. “Vin e eu tivemos algumas discussões, incluindo uma cara a cara no meu trailer. E eu percebi que nós temos diferenças fundamentais na filosofia de como fazer filmes. Levou um certo tempo, mas sou grato por ter me iluminado. Independente se trabalharmos juntos ou não”, declarou. Pressionado para dizer se isso significa a saída dele de “Velozes e Furiosos”, ele saiu pela tangente. “Eu não tenho certeza”, disse, sobre sua participação em “Velozes e Furiosos 9”. “Mas eu desejo para ele tudo de bom, e eu não guardo nenhum rancor, por causa do esclarecimento que tivemos. [Risos] Na verdade, esquece essa parte do rancor; vamos ficar só com o esclarecimento”, completou. Apesar disso, o personagem de Dwayne Johnson em “Velozes e Furiosos” vai continuar no cinema. O policial Luke Hobbs vai ganhar um spin-off ao lado do criminoso Deckard Shaw, vivido por Jason Statham, com previsão de estreia para 2019, um ano antes do lançamento de “Velozes e Furiosos 9”. “Agora eu estou concentrado em fazer o melhor spin-off possível”, o astro comentou.












