Abbas Kiarostami (1940 – 2016)
Morreu o cineasta iraniano Abbas Kiarostami, vencedor da Palma de Ouro em Cannes por “Gosto de Cereja” (1997). Ele faleceu aos 76 anos em Paris, onde tratava um câncer, informou nesta segunda-feira (4/7) a agência de notícias oficial do Irã, ISNA. O diretor já tinha passado por uma série de cirurgias e estava em Paris para completar o tratamento. Kiarostami era considerado um dos mais influentes diretores de seu país. Nascido em Teerã, em 22 de junho de 1940, fez faculdade de belas-artes e começou seu envolvimento com o cinema em 1969, quando foi nomeado diretor do departamento de cinema do Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Jovens e Adultos do Irã (Kanoon, na sigla original). Nesse período no Kanoon, no qual se manteve mesmo após a revolução islâmica, o cineasta se tornou uma das figuras mais proeminentes da new wave iraniana – equivalente à nouvelle vague francesa – , dirigindo diversos filmes de ficção e documentários a partir de meados dos anos 1970. Ele passou a chamar atenção internacional com “Onde Fica a Casa do Meu Amigo?” (1987), que lhe rendeu o Leopardo de Bronze em Locarno. O filme abriu uma trilogia, constituída ainda por “E a Vida Continua” (1992) e “Através das Oliveiras” (1994), que lidavam com os problemas da infância. Ambos foram premiados na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, evento que o tornou conhecido no país e que o homenageou com uma retrospectiva em 2004. A Palma de Ouro por “Gosto de Cereja” o consagrou definitivamente como autor, ao contar a história surreal de um homem em busca de alguém para enterrá-lo depois que ele se matar. Seu filme seguinte, “O Vento Nos Levará” (1999), foi premiado no Festival de Veneza. E a fama conquistada lhe permitiu avançar em projetos diversificados, indo filmar no exterior, pela primeira vez, para o documentário “ABC África”, um olhar contundente sobre a expansão da AIDS em Uganda. Também enquadrou a condição feminina, tema pouco explorado no cinema iraniano, no drama “Dez” (2002), centrada numa jovem mãe divorciada. Kiarostami também se tornou conhecido por incentivar outros cineastas de seu país. Ele escreveu os roteiros de “O Balão Branco” (1995) e “Ouro Carmim” (2003), que projetaram a carreira de seu ex-assistente Jafar Panahi com prêmios em Cannes – respectivamente, Melhor Filme de Estreia e Melhor Filme da Mostra Um Certo Olhar – , além de “Willow and Wind” (2000), dirigido por Mohammad-Ali Talebi, “Desert Station” (2002), de Alireza Raisian, “Men at Work” (2006), de Mani Haghighi, e “Meeting Leila” (2011), de Adel Yaraghi. Ele também realizou um filme que registrava apenas as expressões do público sentado no cinema, diante de uma projeção que ninguém mais vê. “Shirin” (2008) representou a materialização de sua ideia de que todo filme é uma obra inacabada, que só se completa com a ajuda do olhar do público. “Enquanto cineasta, eu conto com a intervenção criativa do público, caso contrário, filme e espectador desaparecerão juntos. No próximo século de cinema, o respeito ao espectador enquanto elemento inteligente e construtivo é inevitável. Para alcançá-lo, é preciso talvez se distanciar da ideia segundo a qual o cineasta é o mestre absoluto. É preciso que o cineasta também seja espectador de seu filme”, afirmou Kiarostami, na ocasião. Nos últimos anos, vinha filmando no exterior, num exílio autoimposto, em decorrência do recrudescimento político que, entre outras coisas, levou à prisão seu amigo Jafar Panahi, proibido pelo governo de dirigir por duas décadas. Seus últimos longas foram “Tickets” (2005), rodado num trem rumo à Roma na companhia de outros dois mestres, o britânico Ken Loach e o italiano Ermanno Olmi, “Cópia Fiel” (2010) na região da Toscana, com a estrela francesa Juliette Binoche, e “Um Alguém Apaixonado” (2012) feito no Japão. Sua morte emocionou outro amigo, Ashgar Farhadi, cineasta premiado com o Oscar por “A Separação” (2011), que comendou a perda para o jornal britânico The Guardian: “Kiarostami não foi só um cineasta, foi um místico moderno, tanto no seu cinema como na sua vida privada. Ele abriu caminho a outros e influenciou inúmeras pessoas. O mundo inteiro, não apenas o mundo do cinema, perdeu um grande homem.”
Fergie celebra as M.I.L.F.s em clipe com as tops brasileiras Isabeli Fontana e Alessandra Ambrosio
A cantora Fergie lançou seu novo clipe, “M.I.L.F. $” (que se pronuncia “Milf Money”). O vídeo é uma celebração do tipo de beldade que antes da pornografia era chamada de balzaquiana. Fergie justifica o uso da expressão Milf ao mudar o significado da última letra da sigla – “moms I’d like to follow” (mães que eu gostaria de seguir), em vez de “f” outra coisa. “Mudar a sigla para ‘mães que gostaria de seguir’ é algo para empoderar as mulheres que fazem tudo. Elas têm uma carreira, uma família e ainda têm tempo de cuidarem delas mesmas e se sentirem sensuais”, ela justificou ao site da revista Entertainment Weekly. Na prática, porém, o vídeo registra clichês de fantasia pornográfica com mulheres maduras, num dos paradoxos do empoderamento feminino. O diretor Colin Tilley é o mesmo que celebrou o traseiro de Nicki Minaj no clipe de “Anaconda”. E a coleção de belas da tarde que fazem o modelo/ator espanhol Jon Kortajarena (“Direito de Amar”) suspirar, em seu uniforme de leiteiro, reúne as mães-celebridades Kim Kardashian, Chrissy Teigen, Angela Lindvall, Gemma Ward, a cantora Ciara, as atrizes Devon Aoki (“Sin City”) e Amber Valletta (série “Revenge”) e até as modelos brasileiras Isabeli Fontana e Alessandra Ambrosio (“As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras”). “M.I.L.F. $” é o primeiro single do próximo disco de Fergie, “Double Duchess”, sucessor de “The Duchess” (2006), que ainda não teve a data de lançamento divulgada.
Ghost Team: Trailer mostra Caça-Fantasmas indie
O que aconteceria se “Os Caça-Fantasmas” (1984) fossem refilmados com mulheres? Uma forte reação negativa dos fãs dos filmes originais. Ok, mas e se fizessem uma versão indie rebatizada de “Ghost Team”? O trailer e o pôster dessa hipótese podem ser conferidos abaixo, com piadas ainda menos engraçadas que as mostradas no odiado trailer das “Caça-Fantasmas” da Sony. Escrito e dirigido por Oliver Irving (“Uma Vida sem Regras”), “Ghost Team” gira em torno de um balconista que decide juntar os amigos fracassados num grupo de caça-fantasmas para filmar uma casa supostamente assombrada e “fazer alguma coisa” com suas vidas. O time é formado por Jon Heder (“Napoleon Dinamite”), David Krumholtz (série “Numb3rs”), Justin Long (“Amor à Distância”), Melonie Diaz (“Trocando os Pés”), Paul W. Downs (série “Broad City”) e Amy Sedaris (“Garota Infernal”). Claro que não parece nenhum pouco com “Os Caça-Fantasmas”. Na verdade, a ideia dos caça-fantasmas amadores lembra mais criações de episódios de séries como “Supernatural” e “Haven”. De todo modo, a estreia está marcada para 12 de agosto nos EUA e não há previsão de lançamento no Brasil.
American Gods: Gillian Anderson divulga primeira foto da nova série sobrenatural
Gillian Anderson (“Arquivo X”) divulgou no Twitter a primeira imagem de sua nova série, “American Gods”, baseada no livro “Deuses Americanos” de Neil Gaiman. A foto não revela muito, mostrando a atriz fora de foco, atrás de um controle remoto, mas remete à sua identidade na produção. Anderson vai interpretar Media (mídia, em português), uma das mais visíveis faces dos Novos Deuses, o grupo de entidades contemporâneas que confrontam os Velhos Deuses na trama. Media se fortalece a partir da devoção do público às telas, telefones e laptops. Ela sempre toma forma de figuras públicas e celebridades. No livro, uma das formas mais famosas que a deusa assume é a da comediante clássica Lucille Ball, que, por sinal, Anderson já encarnou num ensaio fotográfico. Na produção, a atriz vai repetir sua parceria com Bryan Fuller, com quem trabalhou na série “Hannibal”. Em desenvolvimento para o canal pago americano Starz, a série acompanha Shadow Moon, um ex-condenado que é libertado mais cedo da prisão quando a sua esposa e o seu melhor amigo morrem num acidente. Completamente só e falido, ele aceita trabalhar como guarda-costas para um vigarista misterioso chamado Mr. Wednesday, que parece saber mais sobre a sua vida do que deixa transparecer. Isto porque Wednesday é a encarnação do deus Odin, que está percorrendo a Terra para reunir todos os deuses antigos e iniciar uma batalha contra os novos deuses que controlam a humanidade atual: internet, televisão, cartão de crédito, etc. O ótimo elenco também inclui Ricky Whittle (Lincoln em “The 100”) como Shadow Moon, Ian McShane (série “Deadwood”) como Mr. Wednesday, além de Peter Stormare (série “Prison Break”), Emily Browning (“Sucker Punch”), Pablo Schreiber (série “Orange Is the New Black”), Jonathan Tucker (série “Justified”) e a veterana Cloris Leachman (“Como Sobreviver a um Ataque Zumbi”). Criada por Bryan Fuller (criador da série “Hannibal”) e Michael Green (roteirista do filme do “Lanterna Verde”), a série terá uma 1ª temporada de oito episódios com estreia prevista para 2017.
Ricky Gervais estrela clipe musical com seu personagem da série The Office
A Entertainment One divulgou um vídeo musical do filme “David Brent: Life on the Road”, derivado da série britânica “The Office” (2001-2003). A prévia mostra o personagem David Brent, o chefe do escritório da série original, encenando um clipe de balada romântica, em que canta como se apaixonou por uma cigana. Apesar da afinação do ator Ricky Gervais, que criou “The Office”, os trejeitos, a encenação e a letra são completamente constrangedores – num dos trechos, ele pergunta à cigana se ela é uma prostituta e se o sexo é grátis. O filme foi concebido como um falso documentário, ao estilo de “The Office”, e vai acompanhar a nova carreira de Brent, que virou cantor-compositor e chegou a realizar uma turnê de verdade com sua banda fictícia, Foregone Conclusion, no ano passado. Trata-se de um mockumentary, que, ao estilo de “Borat” (2006), deve incorporar a reação de pessoas comuns às encenações. “David Brent: Life on the Road” estreia em 19 de agosto no Reino Unido e não tem previsão de lançamento no Brasil.
Lethal Weapon: Série baseada na franquia Máquina Mortífera ganha novo comercial
A rede americana Fox divulgou um novo comercial de “Lethal Weapon”, série baseada na franquia cinematográfica “Máquina Mortífera”. A prévia combina explosões e humor, como o filme original, e o elenco também se mostra bem selecionado e afinado. Deve se tornar um grande sucesso. Os personagens centrais e seu relacionamento volátil são os mesmos dos filmes. Clayne Crawford (série “Rectify”) vive Martin Riggs, que chega a Los Angeles buscando um recomeço, após a morte da mulher, mas age impulsivamente, colocando-se em perigo como reflexo de sua depressão. Damon Wayans (série “Eu, a Patroa e as Crianças”) vive seu parceiro Roger Murtaugh, que sofreu uma ataque cardíaco e deve evitar qualquer tipo de estresse. Os dois não poderiam ser mais diferentes. E esta é a graça da produção – e também do longa original de 1987, escrito por Shane Black, o diretor de “Homem de Ferro 3”. A adaptação foi desenvolvida pelo roteirista Matt Miller, criador da recém-cancelada “Forever”, e teve seu piloto dirigido pelo cineasta McG (“3 Dias Para Matar”). O elenco também conta com Kevin Rahm (série “Desperate Housewives”) como o Capitão Avery, chefe da dupla, Golden Brooks (série “Hart of Dixie”) como Trish Murtaugh, esposa do personagem de Wayans, e Jordana Brewster (uma das estrelas da franquia “Velozes e Furiosos”) no papel de uma personagem que não existia no filme, a Dra. Maureen “Mo” Cahill, negociadora de sequestros e terapeuta da polícia de Los Angeles. A série vai estrear na próxima temporada de outono, no dia 21 de setembro nos EUA.
Tinha que Ser Ele?: Trailer de comédia traz James Franco como genro de Bryan Cranston
A Fox divulgou o trailer legendado de “Tinha que Ser Ele?” (Why Him?), comédia estrelada por James Franco (“A Entrevista”) e Bryan Cranston (série “Breaking Bad”). A prévia mostra como o personagem de Cranston passa a odiar o de Franco, ao descobrir que ele está namorando sua filha (Zoey Deutch, de “Tirando o Atraso”). Milionário, desbocado e excêntrico, o papel de Franco é um pesadelo ambulante para qualquer pai. Mas, na trama, o rapaz está determinado a conquistar o sogrão e, sem mudar seu estilo de vida, conseguir sua benção para o casamento. Dirigido por John Hamburg (“Eu Te Amo, Cara”), “Tinha que Ser Ele?” também traz Megan Mullally (série “Will & Grace”) como a esposa de Cranston e conta com uma participação especial do youtuber brasileiro PC Siqueira. A estreia está marcada para o dia 22 de dezembro no Brasil, três dias antes do lançamento nos EUA.
Assassin’s Creed: Novo trailer leva Michael Fassbender para a Espanha medieval
A 20th Century Fox divulgou um novo trailer internacional de “Assassin’s Creed”. A prévia revela imagens belíssimas da Espanha medieval, influência de “Matrix” e como as tramas paralelas, estreladas por Michael Fassbender (“Macbeth: Ambição e Guerra”) no passado e no futuro, entrelaçam-se. Baseado no popular videogame da Ubisoft, o filme acompanha um assassino condenado à pena de morte, que, após sua suposta execução, é levada para um local secreto em que se vê forçado a reviver as memórias de um ancestral da Idade Média com objetivos obscuros. O elenco ainda inclui Marion Cotillard (também de “Macbeth”), Ariane Labed (“The Lobster”), Jeremy Irons (“Trem Noturno para Lisboa”), Brendan Gleeson (“O Guarda”) e Michael Kenneth Williams (série “Boardwalk Empire”). O filme marca o reencontro de Fassbender e Cotillard com o diretor Justin Kurzel, após a recente colaboração dos três em “Macbeth: Ambição e Guerra”. Atualmente em pós-produção, “Assassin’s Creed” tem sua estreia marcada para 21 de dezembro nos EUA e 5 de janeiro no Brasil.
Procurando Dory mantém liderança e vira segunda maior bilheteria de 2016 nos EUA
A animação “Procurando Dory” se manteve em 1º lugar pela terceira semana consecutiva na América do Norte. O filme da Disney/Pixar somou mais US$ 41,9 milhões para atingir US$ 372,2 milhões no mercado doméstico. Com isso, já se tornou a segunda maior bilheteria do ano nos EUA, atrás apenas de “Capitão América: Guerra Civil” (US$ 405,4 milhões), da própria Disney. No mundo inteiro, o filme soma US$ 538,2 milhões. O sucesso de “Dory” representou má notícia para os três lançamentos do fim de semana. Embora não tenha superado a animação, “A Lenda de Tarzan” foi quem chegou mais perto. O filme rendeu US$ 38,1 milhões, ocupando o 2º lugar e superando expectativas negativas do próprio estúdio. Entretanto, seu orçamento de US$ 180 milhões impede maiores comemorações. A nova versão da história do Homem-Macaco vai precisar de grande retorno internacional para se pagar. A estreia no Brasil está marcada apenas para 21 de julho. O terceiro filme da franquia “Uma Noite de Crime”, que, sem maiores explicações, recebeu o lamentável título de “12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição” no Brasil, fez US$ 30,8 milhões em 3º lugar. O resultado foi melhor que a estreia do longa anterior, “Uma Noite de Crime: Anarquia” em 2014, o que deve render encomenda de quarto filme. O lançamento nacional está agendado só para setembro. Por fim, “O Bom Gigante Amigo”, volta de Steven Spielberg à fantasia juvenil, amargou um inequívoco fracasso. Com apenas US$ 19,5 milhões, o longa orçado em US$ 140 milhões é o segundo fiasco da Disney em 2016, após “Alice Através do Espelho”. Apesar de bem avaliado pela crítica (71% de aprovação no Rotten Tomatoes), a produção deve amargar um dos maiores prejuízos do ano, que nem a distribuição internacional deve compensar – chega no Brasil em 28 de julho. Felizmente, o estúdio tem os lançamentos da Marvel, Pixar e LucasFilm para compensar. BILHETERIAS: TOP 10 EUA 1. Procurando Dory Fim de semana: US$ 41,9 milhões Total EUA: US$ 372,2 milhões Total Mundo: US$ 538,2 milhões 2. A Lenda de Tarzan Fim de semana: US$ 38,1 milhões Total EUA: US$ 38,1 milhões Total Mundo: US$ 56,9 milhões 3. 12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição Fim de semana: US$ 30,8 milhões Total EUA: US$ 30,8 milhões Total Mundo: US$ 31 milhões 4. O Bom Amigo Gigante Fim de semana: US$ 19,5 milhões Total EUA: US$ 19,5 milhões Total Mundo: US$ 23,4 milhões 5. Independence Day: O Ressurgimento Fim de semana: US$ 16,5 milhões Total EUA: US$ 72,6 milhões Total Mundo: US$ 249,7 milhões 6. Um Espião e Meio Fim de semana: US$ 12,3 milhões Total EUA: US$ 91,7 milhões Total Mundo: US$ 122 milhões 7. Águas Rasas Fim de semana: US$ 9 milhões Total EUA: US$ 35,2 milhões Total Mundo: US$ 35,2 milhões 8. Free State of Jones Fim de semana: US$ 4,1 milhões Total EUA: US$ 15,1 milhões Total Mundo: US$ 15,1 milhões 9. Invocação do Mal 2 Fim de semana: US$ 3,8 milhões Total EUA: US$ 95,2 milhões Total Mundo: US$ 274 milhões 10. Truque de Mestre: O 2º Ato Fim de semana: US$ 2,9 milhões Total EUA: US$ 58,6 milhões Total Mundo: US$ 214,2 milhões
Michael Cimino (1939 – 2016)
Morreu o diretor Michael Cimino, que venceu o Oscar com o poderoso drama de guerra “O Franco Atirador” (1978) e logo em seguida quebrou um dos estúdios mais tradicionais de Hollywood. Ele morreu no sábado, aos 77 anos, em Los Angeles. Cimino nasceu e cresceu em Nova York, cidade em que também iniciou sua carreira como diretor de comerciais de TV. Em 1971, ele decidir ir para Los Angeles tentar fazer filmes, e impressionou Hollywood com seu primeiro trabalho como roteirista: a sci-fi ecológica “Corrida Silenciosa” (1972), um clássico estrelado por Bruce Dern (“Os Oito Odiados”), que ele co-escreveu com Deric Washburn (“Fronteiras da Violência”) e Steven Bochco (criador da série “Murder in the First”). Dirigido por Douglas Trumbull, mago dos efeitos especiais que trabalhou em “2001: Uma Odisseia no Espaço” (1968), “Corrida Silenciosa” acabou se tornando uma das influências de “Star Wars” (1977). Em seguida, trabalhou com John Milius (“Apocalipse Now”) no roteiro do segundo filme de Dirty Harry, “Magnum 44” (1973), estrelado por Clint Eastwood (“Gran Torino”). O sucesso desse lançamento rendeu nova parceria com Eastwood, “O Último Golpe”, que marcou a estreia de Cimino na direção. Também escrita pelo cineasta, a trama girava em torno de uma gangue de ladrões, liderada por Eastwood e seu parceiro irreverente, vivido pelo jovem Jeff Bridges (“O Doador de Memórias”), envolvidos num golpe mirabolante. Após esse começo convincente, Cimino recebeu várias ofertas de trabalho, mas deixou claro que só queria dirigir filmes que ele próprio escrevesse. Por isso, dispensou propostas comerciais para se dedicar à história de três amigos operários do interior dos EUA, que vão lutar na Guerra do Vietnã. Aprisionados pelos vietcongs, eles são submetidos a torturas físicas e psicológicas que os tornam marcados pelo resto da vida. Entre as cenas, a roleta russa entre os prisioneiros assombrou o público e a crítica, numa época em que as revelações do terror da guerra ainda eram incipientes em Hollywood – “Apocalypse Now”, por exemplo, só seria lançado no ano seguinte. “O Franco Atirador” capturou a imaginação dos EUA. Pessoas tinham crises de choro durante as sessões, veteranos do Vietnã faziam fila para assistir e o filme acabou indicado a nove Oscars, inclusive Melhor Roteiro para Cimino, Ator para Robert De Niro (“Joy”) e ainda rendeu a primeira nomeação da carreira de Meryl Streep (“Álbum de Família”), como Melhor Atriz Coadjuvante. Na cerimônia de premiação, levou cinco estatuetas, entre elas a de Melhor Ator Coadjuvante para Christopher Walken (“Jersey Boys”), Melhor Diretor para Cimino e Melhor Filme do ano. Coberto de glórias, Cimino embarcou em seu projeto mais ambicioso, “O Portal do Paraíso” (1980), western estrelado por Kris Kristofferson (“O Comboio”) no papel de um xerife, que tenta proteger fazendeiros pobres dos interesses de ricos criadores de gado. O resultado desse confronto é uma guerra civil, que aconteceu em 1890 no Wyoming. Conhecido por filmar em locações reais, que ele acreditava ajudar os atores a entrarem em seus papeis, Cimino decidiu construir uma cidade cenográfica no interior dos EUA. Preocupado com o realismo da produção, ele chegou a mandar demolir a rua principal inteira no primeiro dia de filmagem, porque “não parecia correta”, atrasando o cronograma logo de cara e deixando ocioso seu numeroso elenco, que incluía Christopher Walken, Jeff Bridges, John Hurt (“Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”), Joseph Cotten (“O 3º Homem”), Sam Waterston (série “Law and Order”), até a francesa Isabelle Huppert (“Amor”) e Willem Dafoe (“Anticristo”) em seu primeiro papel. Ele também mandou construir um sistema de irrigação para manter a relva sempre verdejante, querendo um impacto de cores nas cenas em que o sangue escorresse nas batalhas. Por conta do realismo, também comprou brigas com ONGs que acusaram a produção de crueldade contra os cavalos em cena. A obsessão pelos detalhes ainda o levou a filmar exaustivamente vários ângulos da mesma cena, gastando 220 horas e mais de 1,2 milhões de metros de filme, um recorde no período. “O Portal do Paraíso” rapidamente estourou seu cronograma e orçamento, e seu título virou sinônimo de produção fora de controle. Quando os executivos do estúdio United Artists viram a conta, entraram em desespero. Para completar, Cimino montou uma “cópia de trabalho” de 325 minutos. Pressionado a entregar uma versão “exibível” a tempo de concorrer ao Oscar, montou o filme com 219 minutos (3 horas e 39 minutos), o que exasperou os donos de cinema. A pá de cal foram as críticas negativas. Para tentar se salvar, após a première em Nova York, o estúdio cancelou o lançamento para produzir uma versão reeditada, de 149 minutos, que entretanto não se saiu melhor. O filme que custou US$ 44 milhões faturou apenas US$ 3,5 milhões. Como resultado, a United Artists, fundada em 1919 por D. W. Griffith, Charlie Chaplin, Mary Pickford e Douglas Fairbanks, quebrou. Atolada em dívidas, viu seus investidores tomarem o controle, e foi vendida para a MGM no ano seguinte. O impacto negativo foi tão grande que o gênero western se tornou maldito, afastando os estúdios de produções passadas no Velho Oeste por um longo tempo. A carreira de Cimino nunca se recuperou. Ele só voltou a assinar um novo filme cinco anos depois, o thriller noir “O Ano do Dragão” (1985), estrelado por Mickey Rourke (“O Lutador”). Mas a história de gangues asiáticas em Chinatown voltou a provocar polêmica, ao ser acusada de racismo contra os chineses que moravam nos EUA. A pressão foi tanta que levou o estúdio a incluir um aviso no início do filme, salientando que era uma obra de ficção, ao mesmo tempo em que a submissão demonstrava como ninguém defenderia Cimino após o fiasco da United Artists. O filme ainda foi indicado a cinco prêmios Framboesa de Ouro, incluindo Pior Roteiro e Diretor do ano, mas se tornou um dos favoritos de Quentin Tarantino. Cimino nunca mais escreveu seus próprios filmes. Ele ainda dirigiu “O Siciliano” (1987), drama de máfia baseado em livro de Mario Puzo (“O Poderoso Chefão”), e o remake “Horas de Desespero” (1990), com Mickey Rourke reprisando o papel de gângster interpretado por Humphrey Bogart em 1955. O primeiro fez US$ 5 milhões e o segundo US$ 3 milhões nas bilheterias, de modo que seu último longa, “Na Trilha do Sol” (1996), foi lançado direto em vídeo. Depois disso, encerrou a carreira com um curta na antologia “Cada Um com Seu Cinema” (2007), que reuniu três dezenas de mestres do cinema mundial. Em 2005, a MGM resolveu resgatar a produção que lhe deu de bandeja a prestigiosa filmografia da United Artists, relançando a versão de 219 minutos de “O Portal do Paraíso” numa sessão de gala no Museu de Arte de Nova York. E desta vez, 25 anos depois da histeria provocada pelo estouro de seu orçamento, o filme teve uma recepção muito diferente. Uma nova geração de críticos rasgou as opiniões de seus predecessores, passando a considerar o filme como uma obra-prima. O diretor sempre acusou o cronograma pouco realista da United Artists pela culpa do fracasso do filme. Dizia que não teve tempo suficiente para trabalhar na edição do longa. Pois em 2012, a produtora especializada em clássicos Criterion, em acerto com a MGM, deu-lhe todo o tempo que ele queria para produzir uma versão definitiva, com a sua visão, para o lançamento de “O Portal do Paraíso” em Blu-ray. Esta versão, de 216 minutos, foi exibida em primeira mão durante o Festival de Veneza, com a presença do diretor. Ao final da projeção, Cimino foi às lágrimas, ovacionado durante meia hora de palmas ininterruptas. “Sofri rejeição por 33 anos”, o diretor desabafou na ocasião, em entrevista ao jornal The New York Times. “Agora, posso descansar em paz”.
Café Society: Nova comédia de Woody Allen terá lançamento antecipado no Brasil
A nova comédia dramática de Woody Allen, “Café Society”, teve sua estreia antecipada em dois meses no Brasil. O filme iria estrear no dia 27 de outubro deste ano, mas o lançamento foi adiantado para 25 de agosto. Ainda assim, chegará mais de um mês depois de passar pelos cinemas americanos, em 15 de julho. Filme de abertura do Festival de Cannes 2016, “Café Society” se passa entre os estúdios da era de ouro de Hollywood e a atmosfera boêmia dos cafés nova-iorquinos dos anos 1930. Na trama, Jesse Eisenberg (“Batman vs. Superman”) vai visitar os parentes em Los Angeles, entre eles um tio produtor de cinema (Steve Carell, de “A Grande Aposta”), que vive num mundo de festas frequentadas por celebridades. O elenco também destaca Kristen Stewart (“Acima das Nuvens”) como a assistente do tio produtor, encarregada de ciceronear o jovem turista, e Blake Lively (“A Incrível História de Adaline”) como uma bela fã de jazz que ele encontra ao retornar a Nova York.
Steven Spielberg revela novos projetos em parceria com Peter Jackson
Os diretores Peter Jackson (“O Hobbit”) e Steven Spielberg (“O Bom Gigante Amigo”) estão voltando a trabalhar juntos, cinco anos após “As Aventuras de Tintim” (2011), que Spielberg dirigiu e Jackson produziu. O lançamento de “Tintim” sempre levou em consideração uma sequência, em que os cineastas inverteriam seus papeis. Em entrevista à revista Time Out, da Nova Zelândia, Spielberg revelou que os dois retomaram os planos da continuação, mas antes farão outro projeto juntos. “Peter esteve tão ocupado com ‘O Hobbit’ que ele ficou longe de ‘Tintim'”, explicou Spielberg, para então revelar: “Ele está fazendo um novo filme para a minha empresa agora. É segredo, ninguém sabe. E, então, ele fará ‘Tintim'”. Ou seja, Jackson está envolvido num filme misterioso para a produtora Amblin Entertainment, e depois deve rodar a continuação de “As Aventuras de Tintim”, que será baseada na graphic novel “Os Prisioneiros do Sol”, conforme os planos originais.
Voyage of Time: Documentário de Terrence Malick sobre a história do universo ganha trailer
A rede Imax divulgou o pôster e o trailer de “Voyage of Time”, documentário de Terrence Malick sobre a “história do universo”, que tem narração de Brad Pitt. Os dois trabalharam juntos em “A Árvore da Vida” (2011), filme que incluiu temas metafísicos num drama de família típica americana. Assim como naquele e em outros trabalhos de Malick, uma direção de fotografia deslumbrante marca todas as cenas da prévia. As imagens foram captadas pelo cinematógrafo Paul Atkins, que comandou viagem cinematográfica similar para a Disney no documentário “Terra” (2007). A trilha sonora é do veterano Ennio Morricone, que venceu o Oscar 2016 por seu trabalho em “Os Oito Odiados” (2015). Já a narração pausada e cheia de frases feitas de Brad Pitt remete à sua infame participação num comercial do perfume Chanel nº 5, que rendeu inúmeras paródias e ridicularizações midiáticas. O filme estreia em 7 de outubro nos EUA, exclusivamente em Imax, e não tem previsão de lançamento no Brasil.












