Drama esportivo Marcação Cerrada vai virar série
O drama esportivo “Marcação Cerrada” (Varsity Blues, 1999) vai seguir os passos de “Tudo Pela Vitória” (Friday Night Lights, 2004) e virar série. O canal pago americano CMT planeja expandir sua oferta de séries originais com uma adaptação do longa, que foi precursor da mescla de drama teen e futebol americano colegial no cinema. O filme foi estrelado por James Van Der Beek (durante sua fase mais popular na série “Dawson’s Creek”), no papel de um quaterback reserva de um time colegial do Texas, que sai do banco após o titular se machucar com a obrigação de levar a equipe à vitória. A premissa foi posteriormente evocada pelo próprio “Tudo Pela Vitória” (2004) e reapresentada na TV na excepcional série “Friday Night Lights”. Além de Van Der Beek, o elenco de “Marcação Cerrada” incluía os jovens Paul Walker e Ron Lester, precocemente falecidos. O CMT é uma espécie de MTV da música country, e começou a enveredar para o mercado das séries dramáticas com o resgate de “Nashville”, que tinha sido cancelada pela rede ABC em maio. A adaptação, que manterá o título “Varsity Blues”, será feita pelo roteirista W. Peter Iliff, que escreveu o longa original, com produção da Paramount TV.
Diretor de Aquarius ataca crítico escolhido para integrar comissão que escolherá candidato brasileiro ao Oscar 2017
O diretor Kleber Mendonça Filho publicou uma carta aberta no jornal Folha de S. Paulo e no Facebook nesta sexta (19/8) para, com a justificativa de defender seu filme “Aquarius” como candidato brasileiro ao Oscar 2017, atacar um crítico de cinema. O problema estaria no fato de Marcos Petrucelli, que discorda publicamente de suas posições políticas, ter sido convidado a participar da comissão do Ministério da Cultura que definirá o filme escolhido para representar o Brasil na busca de uma vaga na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Mesmo dizendo que “tecnicamente” o jornalista “seria um nome adequado” para compôr a comissão, Mendonça ataca o posicionamento “estridente” de Petrucelli contra seu “protesto democrático” no Festival de Cannes. Ele se refere, obviamente, ao fato de ter levantado, junto a integrantes de sua equipe, placas em inglês e francês que afirmavam que “Um golpe ocorreu no Brasil”, “O Brasil não é mais uma democracia” e “O mundo não pode aceitar esse governo ilegítimo”, enquanto estava no tapete vermelho do festival francês. Segundo o cineasta, o comportamento do jornalista “faz da sua participação nesta comissão algo constrangedor”, dizendo que a questão se tornava ainda mais “séria”, porque “alguns desses ataques sugerem publicamente mentiras sobre a equipe de mais de 30 profissionais de ‘Aquarius’ ter ido a Cannes ‘de férias'”, com suas estadias “pagas pelo dinheiro público”. “É triste ter que corrigir com fatos, puros e simples, o tipo de mentira destrutiva que um comunicador tem espalhado de forma tão irresponsável. E essa pessoa está numa comissão que deveria defender os interesses do país, para julgar um filme que ele mesmo vem caluniando da forma mais torpe imaginável”, ele completa. A polêmica merece algumas considerações. Na verdade, Petrucelli escreveu no Facebook: “Vergonha é o mínimo que se pode dizer sobre a equipe e o elenco de ‘Aquarius’, filme que está em Cannes esse ano. Ao passar pelo tapete vermelho, os brasileiros protestaram contra o impeachment com cartazes que diziam ‘O Brasil não é mais uma democracia’. Ah não? Qual regime é esse, então, que permitiu ao diretor do filme levar 30 pessoas da equipe para tirar férias na Riviera Francesa? Nem blockbuster de Hollywood comparece a Cannes com tantas pessoas”. A comparação do contraste entre os protestos pela falta de democracia e a existência de liberdade para a equipe do filme ir à Cannes em peso, tratada ironicamente como “férias na Riviera Francesa”, ultrajou Filho, que ignorou a pergunta “Que regime é esse” e transformou o verbo “permitir” (antônimo de proibir, como numa ditadura) em “financiar”, para justificar um ataque num jornal de grande circulação e repercussão nacional. Além disso, a publicação da Carta Aberta à Comissão Brasileira do Oscar, que detalha frases nunca ditas ou escritas por Petrucelli, conquistou apoio de vários outros cineastas e repercutiu com a complacência do silêncio da Abraccine (a suposta Associação dos Críticos de Cinema do Brasil). Vale observar que, embora o crítico não tenha escrito nem mesmo em seu Facebook pessoal que a viagem para o Festival de Cannes foi paga pelo governo, o filme “Aquarius” recebeu, sim, verba da Ancine para participar do evento, dentro do Programa de Apoio à Participação de Filmes Brasileiros em Festivais Internacionais e de Projetos de Obras Audiovisuais Brasileiras em Laboratórios e Workshops Internacionais, que prevê pagamento de passagens, hospedagem, transportes, alimentação e “despesas afins” para diretor, produtor e ator/atriz. Levando em conta que o cineasta gostaria de corrigir o que chama de calúnia, seria interessante, em nome da transparência, que os valores destas despesas financiadas fossem tornados públicos, evitando assim “mentiras destrutivas” com a apresentação de “fatos, puros e simples”, para encerrar de vez a mera retórica inflamada – e inflamatória. Também seria interessante, em nome do “processo democrático”, respeitar a opinião de quem lhe contesta. Não é a primeira vez que o diretor bate boca publicamente com quem discordou de sua photo-op em Cannes. Mas, assim como Kleber Mendonça Filho teve o direito democrático de realizar seu protesto de gala, as vozes contrárias têm o mesmo direito de se manifestarem. Qualquer outra atitude não passa de autoritarismo com disfarce politicamente correto. Leia a carta de Kleber Mendonça Filho na edição da Folha e também no Facebook oficial do filme “Aquarius”.
Black Mirror: Bryce Dallas Howard e Mackenzie Davis ilustram primeiras fotos da 3ª temporada
A 3ª temporada da serie de antologia sci-fi “Black Mirror” ganhou suas primeiras fotos. Até então produzida pelo Channel 4 britânico, a atração retorna pelo Netflix e com elenco cinematográfico, como demonstram as imagens. O material registra cenas de dois episódios: “Nosedive”, com Bryce Dallas Howard (“Jurassic World”) e celulares, sob direção de Joe Wright (“Peter Pan”), e “San Junipero”, com Gugu Mbatha-Raw (“Um Homem Entre Gigantes”) e Mackenzie Davis (“Perdido em Marte”) num visual retrô, dirigido por Owen Harris (“Kill Your Friends”). Criada por Charlie Brooker (também criador da série de zumbis “Dead Set”), a série apresenta histórias independentes que exploram o terror criado por novas tecnologias. O retorno de “Black Mirror” está marcado para 21 de outubro no Netflix e contará com 6 episódios, o dobro das duas primeiras temporadas.
American Horror Story: Novos teasers trazem ameaças alienígenas
O canal pago americano FX divulgou três novos teasers da 6ª temporada de “American Horror Story”, dois deles com referências a ameaças alienígenas. A série já abordou teorias de abdução em seu segundo ano, mas não há garantia que isso seja uma pista para o tema da nova temporada. Durante evento da TCA (Associação de Críticos de TV dos EUA), John Landgraf, presidente do FX, disse que a maioria dos teasers divulgados “servem apenas para desorientar”. “Pensamos que seria verdadeiramente divertido manter o mistério. E é isso que estamos fazendo”, ele explicou, sobre o fato de, pela primeira vez, a série iniciar sua divulgação sem revelar o subtítulo e o contexto da temporada. Tanto que seu marketing é definido apenas pelo número 6, seguido por uma interrogação. A única certeza é que a série retorna no dia 14 de setembro nos EUA.
Boato escala Zendaya como Mary Jane no novo filme do Homem-Aranha
E essa agora? Segundo o infame fofoqueiro geek Umberto Gonzales, agora no site The Wrap, o papel da estrela teen Zendaya no filme “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” seria simplesmente o de Mary Jane Watson. O boateiro profissional afirma ter obtido essa informação através de duas fontes próximas à produção, apesar de a personagem da atriz ter sido identificada no elenco como Michelle, uma colega de escola de Peter Parker. Mas não há nenhuma Michelle nos quadrinhos do Homem-Aranha e o nome estaria sendo usado apenas para despistar os curiosos e manter o sigilo sobre a história do filme. Caso a informação se confirme, “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” será a mais nova produção vítima do bizarro preconceito contra personagens ruivos dos quadrinhos, fenômeno que já irrita os fãs de séries da DC Comics. Nos últimos tempos, personagens como Wally West, Jimmy Olsen, Iris West e a vindoura Miss Marte ganharam atores negros como intérpretes. Para complicar a história, ainda há o caso dos recentes filmes de “O Espetacular Homem-Aranha”, que estabeleceram Gwen Stacy como o grande amor de Peter Parker, num contexto em que ainda não existia Mary Jane, seguindo mais de perto a trama dos quadrinhos originais. Vale lembrar que “O Espetacular Homem-Aranha 2” tem apenas dois anos e ainda está muito fresco na memória do público. Mary Jane, por sua vez, foi vista anteriormente na trilogia de Sam Raimi da década de 2000. Na época, a atriz Kirsten Dunst, que é loira natural, apareceu ruiva para preservar o famoso visual da personagem nos quadrinhos. Nem a Marvel Studios nem a Sony Pictures confirmaram essa informação, e não há outros detalhes, como o tamanho do papel de Zendaya em “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”, para servir de confirmação ou contestação do boato. No mês passado, a escalação da atriz Angourie Rice (“Dois Caras Legais”) também despertou boatos. Por ser a única loira do elenco, os fãs apostavam que ela poderia viver a nova Gwen Stacy. Por enquanto, os únicos papeis 100% confirmados são de personagens já apresentados em filmes anteriores do estúdio: Tom Holland como Peter Parker/Homem-Aranha, Robert Downey Jr. no papel de Tony Stark/Homem de Ferro e Marisa Tomei como a Tia May, todos vistos em “Capitão América: Guerra Civil” (2016). Com direção de Jon Watts (“A Viatura”) e roteiro de John Francis Daley e Jonathan Goldstein (do fraco reboot de “Férias Frustradas”), o novo “Homem-Aranha” tem estreia prevista para 6 de julho de 2017 no Brasil, um dia antes de seu lançamento nos EUA.
Will Ferrell e John C. Reilly farão comédia como Sherlock Holmes e Watson
Will Ferrell vai viver Sherlock Holmes numa comédia que voltará a reuni-lo com John C. Reilly e o diretor Etan Cohen. Segundo o site Deadline, o projeto estava sendo desenvolvido há algum tempo, até chegar na configuração atual e ganhar o sinal verde da Sony Pictures. Intitulado “Sherlock and Watson”, o filme se passará na Inglaterra vitoriana e terá Reilly como o Dr. John Watson, o fiel assistente de Holmes. Será a terceira comédia da dupla, que inaugurou a parceria há dez anos com “Ricky Bobby – A Toda Velocidade” (2006) e obteve grande sucesso com “Quase Irmãos” (2008). O roteiro foi escrito por Cohen, que dirigiu Ferrell na recente – e medíocre – comedia “O Durão” (2015). Sherlock Holmes já rendeu diversas comédias anteriormente, mas poucas marcaram época. Entre as melhores, estão “A Vida Íntima de Sherlock Holmes” (1970), do mestre Billy Wilder, “O Irmão mais Esperto de Sherlock Holmes” (1975), de Gene Wilder, e “Sherlock & Eu” (1988), com Michael Caine. Prestes a completar 130 anos, Sherlock Holmes continua popular até hoje, podendo ser visto atualmente em duas séries, a britânica “Sherlock” e a americana “Elementary”, e ainda deve ganhar um terceiro filme estrelado por Robert Downey Jr., cujo projeto está em desenvolvimento.
Metallica divulga novo clipe após oito anos. E é pancadaria pura
A banda Metallica voltou a fazer barulho com a divulgação de um novo clipe, “Hardwired”. Não há créditos de produção do vídeo, que mostra a banda em preto e branco, em closes que muitas vezes exibem apenas o nada, tamanha a velocidade da execução sonora. A música é pancadaria pura, uma das mais rápidas do repertório da banda, totalmente hardcore e impressionante pelo fato de Lar Ulrich, aos 53 anos, tocar com a disposição de um moleque punk. Robert Trujillo acompanha no baixo com se ainda estivesse em sua antiga banda, Suicidal Tendencies. Mas James Hatfield atesta que se trata de Metallica, com os riffs e a voz gutural mais marcantes do rock, apesar de Kirk Hammett brincar de guitar hero do Deep Purple num solo canastrão. “Hardwired” é a primeira música de “Hardwired… To Self-Destruct”, que, por sua vez, é apenas o terceiro disco da banda neste século, com lançamento previsto para novembro, após oito anos de hiato – desde “Death Magnetic” (2008). O disco será duplo, com 80 minutos divididos por 12 faixas, e produzido em parceria com Greg Fieldman, que já trabalhou com Slipknot, Slayer e com o próprio Metallica no álbum “Lulu”, feito com Lou Reed.
Jogo clássico de tabuleiro Detetive vai virar filme
O estúdio 20th Century Fox está desenvolvendo uma adaptação cinematográfica do jogo de tabuleiro “Clue”, conhecido no Brasil como “Detetive”. No jogo, os participantes precisam descobrir o assassino, a arma do crime e o aposento em que ocorreu o assassinato, analisando os suspeitos, que incluem seis personagens: o Coronel Mostarda, Dona Branca, Sr. Marinho, Dona Violeta, Srta. Rosa e Professor Black. Vale lembrar que “Detetive” já foi levado anteriormente aos cinemas, numa comédia de 1985, que no Brasil recebeu o título “Os 7 Suspeitos”, provavelmente batizado por alguém que nunca viu o tabuleiro do jogo. A Universal Pictures chegou a desenvolver outra versão cinematográfica em 2008, antes de desistir de filmar novos brinquedos da Hasbro, além das continuações de “Transformers” e “G.I. Joe”. Na ocasião, o roteiro estava sendo escrito por Burk Sharpless e Matt Sazama (a dupla de “Deuses do Egito” e “O Último Caçador de Bruxas”) e seria dirigido por Gore Verbinski (“Piratas do Caribe”). Ainda não há nomes associados ao novo projeto da Fox.
Ator de Jessica Jones negocia viver o herói Alvo Humano na 5ª temporada de Arrow
A série “Arrow” vai introduzir diversos novos personagens dos quadrinhos em sua 5ª temporada, com destaque para os vigilantes sem superpoderes. E, segundo o site TVLine, o Alvo Humano também está na lista. Mais que isso, a produção já estaria negociando com seu intérprete: o australiano Wil Traval, que recentemente interpretou o policial Will Simpson na série “Jessica Jones”. O Alvo Humano já foi interpretado por Mark Valley (série “Fringe”) em sua própria série individual, que teve duas temporadas na rede Fox, entre 2010 e 2011, e também pelo cantor Rick Springfield, numa série de 1992 que durou só sete episódios. Criado em 1972 por Len Wein (criador também de Wolverine e Monstro do Pântano) e pelo desenhista Carmine Infantino, o personagem é um detetive particular e guarda-costas profissional, chamado Christopher Chance, que usa o fato de ser um mestre de disfarces para se colocar no lugar de vítimas potenciais de assassinos. O Alvo Humano vai se juntar a uma lista notável de heróis secundários da DC Comics, previstos para aparecer nos próximos episódios de “Arrow”, como O Espantalho (Joe Dinicol, da série “Blindspot”), Cão Raivoso (Rick Gonzalez, da série “Reaper”), Artemis (Madison McLaughlin, vista em sua identidade de Evelyn Sharp na temporada passada), e o Vigilante (Josh Segarra, da série “Chicago P.D.”). A 5ª temporada de “Arrow” estreia em 5 de outubro na rede americana CW. No Brasil, a série é exibida pelo canal pago Warner.
MacGyver: Novo trailer mostra reboot da série clássica com direção de James Wan
A rede americana CBS divulgou um novo trailer e pôster da nova série “MacGyver”, reboot do grande sucesso dos anos 1980 “Profissão Perigo”. A prévia não aproveita nenhuma cena do primeiro vídeo divulgado em maio. Até o corte de cabelo do protagonista está diferente, mais parecido com o utilizado por Richard Dean Anderson há 30 anos. Isto porque o piloto foi inteiramente refilmado, com novo roteiro e direção do cineasta James Wan (“Velozes e Furiosos 7”). O roteiro do estreante Paul Downs Colaizzo, que desenvolveu o projeto, foi substituído por uma nova abordagem de Peter Lenkov (produtor-roteirista de “Havaii Five-0”). Além de explorar situações exageradas, resolvidas com improvisação e bom-humor, o reboot do reboot passou a incluir diversos coadjuvantes, que formam uma equipe de especialistas – inclusive o especialista em ser “o melhor amigo”. Ou seja, MacGyver não contará apenas com fita adesiva, chiclete e papel alumínio para enfrentar os perigos do século 21. O elenco traz Lucas Till (“X-Men: Apocalipse”) como a versão mais jovem de MacGyver, George Eads (série “CSI”) como o fortão e sniper da equipe, Tristin Mays (série “The Vampire Diaries”) como a hacker, Justin Hires (série “Rush Hour”) como o melhor amigo, e Sandrine Holt (série “Fear the Walking Dead”) como a chefe da agência secreta, que define as missões da equipe. A estreia está marcada para 23 de setembro nos EUA.
Com estreia em mais de mil salas, Ben-Hur tentará o milagre de lotar os cinemas
Apostando contra as previsões pessimistas, a estreia de “Ben-Hur” tem a chance de provar que Jesus Cristo é brasileiro em 1.139 salas de cinema, num dos maiores lançamentos do ano. A produção será a primeira obra de temática religiosa a ocupar a maioria das telas 3D (688) e todo circuito IMAX (12 salas) do país. Isto porque também é um filme de ação, que evoca, inclusive, o sucesso “O Gladiador” (2000) – por sua vez, inspirado no “Ben-Hur” de 1959. Mas enquanto o clássico venceu 11 Oscars e conta com 88% de aprovação no site Rotten Tomatoes, a terceira versão (há ainda um filme mudo de 1925) recebeu pedradas da crítica americana, com apenas 33% de sorrisos amarelos. Vale a curiosidade de conferir a participação de Rodrigo Santoro, que é pequena, mas mais incorporada à trama que nas versões anteriores, nas quais Jesus aparecia apenas como uma silhueta silenciosa. Após fazer sucesso nos EUA e já garantir uma sequência, o terror “Quando as Luzes se Apagam” chega a 269 salas, explorando o medo do escuro. A história, que combina diversos elementos tradicionais do terror – mulher-fantasma de cabelos longos, família amaldiçoada, criatura que vive nas sombras – tem produção de James Wan (“Invocação do Mal”), que cada vez mais se consagra como principal mestre do terror do século 21. Não é fácil para o gênero agradar a crítica, e “Quando as Luzes se Apagam” emplacou 77% de aprovação no Rotten Tomatoes. Nem todo filme mal distribuído apela preferencialmente aos cinéfilos. E o lançamento da animação “Barbie: Aventura nas Estrelas” em 44 salas, exclusiva nos cinemas da rede Cinépolis, serve para demonstrar que o circuito limitado não é sinônimo de “circuito de arte”. O filme mostra Barbie como uma princesa cósmica, que voa pelo universo num skate voador. Sério. Tanto que será lançado direto em DVD em países do Primeiro Mundo. Outra apelação comercial, a comédia “O Funcionário do Mês” traz um verniz de sátira social que pode até enganar o cinéfilo desavisado, interessado em conferir um dos maiores sucessos recentes do cinema italiano. Mas seu sucesso se deve ao humor televisivo do ator Checco Zalone, que além de estrelar o besteirol também assina o roteiro, repleto de situações que, no limite da caricatura, reforçam diversos preconceitos. No filme, ele é um funcionário público que se recusa a largar o emprego estável, quando o governo, querendo diminuir a máquina estatal, o força a assumir os piores trabalhos. Em 19 salas. Três filmes franceses integram a programação. Em 11 salas, a comédia dramática “Esperando Acordada” traz Isabelle Carré (“Românticos Anônimos”) envolvendo-se na vida do homem que, por acidente, deixou em coma. Em duas telas apenas em São Paulo, “Mercuriales” acompanha o cotidiano nonsense de duas recepcionistas do prédio parisiense que dá título à produção. E “Francofonia – Louvre sob Ocupação” mistura documentário e ficção para contar a história do famoso museu durante a ocupação nazista da França. A direção é do mestre russo Aleksander Sokurov (“Fausto”) e seu circuito não foi divulgado. O documentário brasileiro “82 minutos” completa a lista, com distribuição no Rio. Dirigido por Nelson Hoineff (“Cauby: Começaria Tudo Outra Vez”), o filme desvenda os bastidores do carnaval da Portela, desde a escolha do samba-enredo até a apuração das notas dos jurados. O título se refere ao tempo do desfile da Escola de Samba, em que “nada pode dar errado”, conforme completa seu subtítulo.
Runaways: Quadrinhos da Marvel vão virar série dos criadores de Gossip Girl
O serviço de streaming Hulu vai produzir sua primeira série de super-heróis. Trata-se de “Runaways”, adaptação dos quadrinhos da Marvel criados por Brian K. Vaughan (que também criou a série “Under the Dome”). Publicados no Brasil como “Fugitivos”, os quadrinhos contam a história de seis adolescentes que descobrem que seus pais são, na verdade, membros de uma sociedade secreta de supervilões, conhecida como Orgulho. Perturbados com a descoberta, eles fogem de casa e decidem usar seus poderes para impedir os planos malignos de suas famílias. Originalmente, a Marvel chegou a considerar transformar a história num filme. Em 2010, a produção chegou a ter um roteiro desenvolvido por Vaughan em parceria com Peter Sollet (“Nick e Norah – Uma Noite de Amor e Música”), que também seria responsável pela direção. Mas o projeto nunca saiu do papel. A nova adaptação, agora como série, é assinada por Josh Schwartz e Stephanie Savage, dupla responsável pelos sucessos adolescentes “Gossip Girl” e “The O.C.”. Recentemente, o Hulu tem buscado aumentar sua produção de séries para se posicionar como alternativa ao Netflix, que, por sinal, encontrou bastante sucesso em atrações baseadas nos quadrinhos da Marvel, como “Demolidor” e “Jessica Jones”.
Arthur Hiller (1923 – 2016)
Morreu o cineasta Arthur Hiller, que em sua longa carreira foi capaz de levar o público às lágrimas, com “Love Story – Uma História de Amor” (1970), e ao riso farto, com muitas e muitas comédias. Ele também presidiu a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas nos anos 1990, e veio a falecer nesta quarta-feira (17/8) de causas naturais aos 92 anos de idade. Nascido em 22 de novembro de 1923, em Edmonton, no Canadá, Hiller começou sua carreira de diretor com “Se a Mocidade Soubesse” (1957), um drama romântico moralista, sobre jovens de diferentes classes sociais que querem se casar após o primeiro encontro, estrelado pelo então adolescente Dean Stockwell. E, durante seus primeiros anos na profissão, alternou sua produção cinematográfica com a direção de múltiplos episódios de séries clássicas, como “Alfred Hitchcock Apresenta”, “Os Detetives”, “Cidade Nua”, “Rota 66”, “O Homem do Rifle”, “Gunsmoke”, “Perry Mason” e “A Família Addams”. A situação só foi mudar a partir do sucesso de suas primeiras comédias românticas, “Simpático, Rico e Feliz” (1963) e “Não Podes Comprar Meu Amor” (1964), ambas estreladas por James Garner. Após repetir as boas bilheterias com “A Deliciosa Viuvinha” (1965), com Warren Beatty, e “Os Prazeres de Penélope” (1966), com Natalie Wood, ele passou a se dedicar exclusivamente ao cinema. Hiller se especializou em comédias sobre casais atrapalhados, atingindo o auge com “Forasteiros em Nova York” (1970), escrito por Neil Simon, em que a mudança de Jack Lemmon e Sandy Dennis para Nova York dá hilariamente errada, mas também soube demonstrar desenvoltura em outros gêneros, enchendo de ação o clássico de guerra “Tobruk” (1967), com Rock Hudson e George Peppard, e, claro, fazendo chover lágrimas com “Love Story” (1970). “Love Story” foi um fenômeno digno de “Titanic” (1997), com filas, cinemas lotados e muito choro. A história do casal apaixonado, vivido por Ali MacGraw e Ryan O’Neal, é considerada uma das mais românticas do cinema (entrou no Top 10 do American Film Institute), mas também uma das mais trágicas. Opostos em tudo, O’Neal vivia Oliver, um estudante atlético e rico de Direito, enquanto MacGraw era Jenny, uma estudante de Música pobre. Os dois se conhecem na faculdade e conseguem ver, além das diferenças óbvias, tudo o que tinham em comum para compartilhar. Mas o casamento não é bem visto pela família rica do noivo, que corta Oliver de sua herança, deixando o casal desamparado quando ele descobre que Jenny tem uma doença terminal – leuquemia. A popularidade do filme também rendeu reconhecimento a Hiller, que foi indicado ao Oscar de Melhor Direção. Mas ele não quis se envolver com o projeto da continuação, “A História de Oliver” (1978). Em vez disso, preferiu rir das histórias de doença em sua obra seguinte, “Hospital” (1971), que lhe rendeu o Prêmio Especial do Juri no Festival de Berlim. A comédia acabou vencendo o Oscar de Melhor Roteiro, escrito por Paddy Chayefsky, considerado um dos melhores roteiristas de Hollywood, com quem o diretor já tinha trabalhado no começo da carreira, em “Não Podes Comprar Meu Amor”. A melhor fase de sua carreira também contou com “Hotel das Ilusões” (1971), seu segundo longa escrito pelo dramaturgo Neil Simon, “O Homem de la Mancha” (1972), versão musical de “Dom Quixote”, com Peter O’Toole e Sofia Loren, e o polêmico drama “Um Homem na Caixa de Vidro” (1975), sobre um nazista procurado que se disfarça de judeu rico em Nova York – que rendeu indicação ao Oscar de Melhor Ator para o austríaco Maximilian Schell. Mas apesar dos desvios, comédias continuaram a ser seu gênero preferido. Ele chegou, por sinal, a lançar uma das mais bem-sucedidas duplas cômicas de Hollywood, juntando Gene Wilder e Richard Pryor em “O Expresso de Chicago” (1976). O cineasta voltou a dirigir a dupla em outro grande sucesso, a comédia “Cegos, Surdos e Loucos” (1989), e perfilou um verdadeiro “quem é quem” do humor em filmes como “Um Casamento de Alto Risco” (1979), com Peter Falk e Alan Arkin, “Uma Comédia Romântica” (1983), com Dudley Moore, “Rapaz Solitário” (1984), com Steve Martin, “Que Sorte Danada…” (1987), com Bette Midler, e “Milionário num Instante” (1990), com Jim Belushi. Hiller, que também dirigiu cinebiografias (“Frenesi de Glória”, em 1976, e “Ânsia de Viver”, em 1992) e até um filme de horror (“Terrores da Noite”, em 1979), deixou muitas marcas no cinema, inclusive em produções nem tão famosas. Exemplo disso é “Fazendo Amor” (1982), um dos primeiros filmes a mostrar de forma positiva um gay que sai do armário e termina seu casamento para procurar encontrar o amor com outros homens. Após dominar as bilheterias das décadas de 1970 e 1980, o diretor conheceu seus primeiros fracassos comerciais nos anos 1990. O período coincidiu com seu envolvimento com a organização sindical da indústria. Ele presidiu o Sindicato dos Diretores de 1989 a 1993 e a Academia de 1993 a 1997. E não foram poucos fracassos, a ponto de fazê-lo desistir de filmar. A situação tornou-se até tragicômica por conta de “Hollywood – Muito Além das Câmeras” (1997), longa sobre os bastidores de um filme ruim, que explorava a conhecida prática de Hollywood de creditar ao pseudônimo Alan Smithee qualquer filme renegado por seu diretor. Pois Hiller renegou o trabalho, escrito pelo infame Joe Eszterhas (“Showgirls”), que virou metalinguisticamente a última obra de Alan Smithee no cinema – depois disso, o Sindicato dos Diretores proibiu que a prática fosse mantida. Ele ganhou um prêmio humanitário da Academia em 2002, em reconhecimento a seu trabalho junto à indústria cinematográfica, e a volta à cerimônia do Oscar o animou a interromper sua já evidente aposentadoria para filmar um último longa-metragem, nove anos após seu último fracasso. Estrelado pelo roqueiro Jon Bon Jovi, “Pucked” (2006), infelizmente, não pôde ser creditado a Alan Smithee. Hiller teve uma vida longa e discreta, estrelando sua própria love story por 68 anos com a mesma mulher, Gwen Hiller, com quem teve dois filhos. Ela faleceu em junho. Ele morreu dois meses depois.












