O Bebê de Bridget Jones: Ellie Goulding lança primeiro clipe da trilha sonora
A cantora Ellie Goulding divulgou o clipe de “Still Falling For You”, música que está na trilha de “O Bebê de Bridget Jones”. O vídeo mostra diversas cenas do filme, algumas ainda inéditas, enquanto Goulding faz cara de sofredora e agita as mãos em estúdio, cantando diante de uma tela de cinema. A música é a balada típica de filme, dramática e melosa, composta e produzida por um desses produtores-compositores que assinam quase todos os hits da música pop atual. O sueco Shellback, responsável pela baladinha da vez, também fez, para citar apens seus trabalhos de cinema, músicas de Justin Timberlake no vindouro filme “Trolls” e Pink em “Alice Através dos Espelhos”. E isto só em 2016. Não é por acaso que os artistas do pop atual soam absolutamente iguais, intercambiáveis e descartáveis, sem a menor característica individual. A trilha sonora será lançada no Reino Unido no dia 16 de setembro e ainda conta com músicas gravadas por Ed Sheeran e Lily Allen. A estreia do filme no Brasil está programada para 29 de setembro.
Ministro da Cultura elogia Aquarius, Sonia Braga e Kleber Mendonça Filho
O Ministro da Cultura Marcelo Calero rasgou vários elogios ao filme “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, exibido na abertura do Festival de Gramado, na noite de sexta (26/8). “Gostei muito”, ele disse ao jornal Folha de S. Paulo. “Para começar, porque a Sonia Braga fez um excelente trabalho. E Kleber Mendonça Filho demonstrou grande sensibilidade. O filme é um grande exemplo da qualidade do cinema brasileiro.” Calero, que esteva presente no festival, foi vaiado pelo público e ouviu gritos de “golpista” assim que as luzes se apagaram para o começo da cerimônia. Também ouviu “manda nudes”, para se ter ideia, além de um coro de “Fora Temer”, mas nenhum “Fica Dilma”, absolutamente nenhum. Segundo o jornal, o Ministro não quis comentar as vaias nem a classificação etária de 18 anos que “Aquarius” recebeu do Ministério da Justiça. Além de Calero, estiveram na sessão Alfredo Bertini, secretário do Audiovisual, e Marcos Petrucelli, crítico que integra a comissão que definirá qual filme irá representar o Brasil na busca por uma vaga na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2017. Petrucelli é o crítico que está sendo atacado por Filho e diversos outros cineastas, por ter considerado uma “palhaçada” a photo-op da equipe de “Aquarius” durante do Festival de Cannes, ocasião em que o diretor e seu elenco exibiram cartazes afirmando que “O Brasil não é mais uma democracia” devido a um “golpe de estado”. Curiosamente, três meses depois, o mesmo Filho faz questão de dizer que não abre mão de participar das “regras democráticas” para tentar eleger “Aquarius” como o representante do Brasil (aquele país que tinha sofrido golpe e deixado de ser democracia) no Oscar. Caso isso venha a acontecer, o protesto no país do caviar se tornará ainda mais folclórico que já é.
Documentário de Anna Muylaert inspira petistas a atuar de forma agressiva no Senado
Um espetáculo de baixo nível política é o atual sucesso da TV Senado. Trata-se do processo de Impeachment de Dilma Rousseff, que vem registrando destempero assustador da parte dos representantes eleitos do povo. Mas, segundo apurou a Folha de S. Paulo, os bate-bocas protagonizados por petistas no Congresso Nacional não visam a TV e sim o cinema. Dez entre dez senadores da situação atribuem a beligerância e a catimba praticada pelos defensores de Dilma no plenário do Senado ao documentário que está sendo filmado por Anna Muylaert (“Que Horas Ela Volta?”) sobre o processo de impeachment. Os senadores alinhados ao governo dizem que os petistas estão “atuando”, fizeram a Casa “de palco de teatro” e “andam com script debaixo do braço” para cada fala. “Não estão preocupados com o processo. Estão preocupados em como serão mostrados no filme para o futuro”, disse um senador do DEM ao jornal. Muylaert participou ativamente de atos pró-Dilma e contra o “golpe”, e nesta semana retirou seu filme “Mãe Só Há Uma” da disputa da vaga brasileira ao Oscar 2017 como forma de pressão política contra a comissão do Ministério da Cultura.
Christoph Waltz negocia estrelar a adaptação do mangá Battle Angel Alita
O ator austríaco Christoph Waltz está negociando estrelar a adaptação americana do mangá “Battle Angel Alita”, que será dirigida por Robert Rodriguez (“Machete”). Segundo o site The Hollywood Reporter, o malvado de “007 Contra Spectre” e “A Lenda de Tarzan”, pode viver o principal papel masculino da trama, o Dr Daisuke Ido, um cientista cibernético que resgata o corpo semidestruído da robótica Alita de um lixão. Após recuperá-la, ele descobre que, mesmo sem memórias, ela demonstra ser uma expert em artes marciais, e epassa treiná-la para virar uma caçadora de recompensas. O personagem terá um nome americanizado na adaptação, Dyson Ido, o que deverá, novamente, gerar reclamações dos fãs da obra original. Não bastasse a reação à escalação de Scarlett Johanson como Motoko Kusanagi, na versão americana de “Ghost in the Shell”, Hollywood já corre para demonstrar que adora cair na mesma cilada, repetidamente. Caso a negociação seja bem sucedida, Waltz vai se juntar à atriz Rosa Salazar (“Maze Runner: Prova de Fogo”), que viverá o papel-título. Claro que se trata de outra intérprete não japonesa. A escolha da atriz é ainda mais inusitada pois, apesar da aparência juvenil, ela já tem 30 anos, enquanto a personagem é uma ciborgue adolescente. Como o desenvolvimento desse projeto se arrasta há anos, sabe-se lá o que isso pode representar caso o filme vire franquia. De todo modo, a escalação confirma a preferência de Rodriguez em trabalhar com atores latinos. Criada por Yukito Kishiro em 1990, a trama de “Battle Angel Alita” foi adaptada pelo cineasta James Cameron (“Avatar”), que escreveu a primeira versão do roteiro na década passada. Ele próprio pretendia dirigir o filme, mas perdeu o ímpeto ao mergulhar na megalomania das sequências de “Avatar”, até hoje em processo interminável de desenvolvimento. Cameron também vai produzir o filme, que acabou ganhando um título ligeiramente diferente do mangá original: “Alita: Battle Angel”. As filmagens serão financiadas pelo estúdio 20th Century Fox, com orçamento típico de filme de Cameron (entre US$ 175 e 200 milhões), mas ainda vão demorar muito para começarem. O início da produção está marcado apenas para 2017 e o longa recebeu previsão de lançamento para o dia 20 de julho de 2018.
Manchester By the Sea: Casey Affleck mostra talento dramático em trailer repleto de críticas elogiosas
A Roadside Attractions divulgou quatro fotos e o primeiro trailer de “Manchester By the Sea”, drama do diretor e roteirista Kenneth Lonergan (autor do roteiro de “Gangues de Nova York”). A trama mostra Casey Affleck (“Interestelar”) sendo obrigado a cuidar do sobrinho após a morte do pai do garoto, além de muitos trechos de críticas elogiosas, a ponto de “Obra-prima” parecer o slogan da produção. O elenco de “Manchester By the Sea” ainda inclui Michelle Williams (“Oz, Mágico e Poderoso”), Lucas Hedges (“O Teorema Zero”), Kyle Chandler (série “Bloodline”), Matthew Broderick (“Roubo nas Alturas”), Gretchen Mol (série “Boardwalk Empire”), e C.J. Wilson (“Um Senhor Estagiário”). O filme fez muito barulho no Festival de Sundance, mas não chegou a vencer nada. Mesmo assim, o marketing do estúdio já ensaia a possibilidade de Casey Affleck ser indicado pela primeira vez à estatueta de Melhor Ator, posicionando sua estreia na época das premiações de fim de ano. A estreia está marcada para 18 de novembro nos EUA e apenas em 12 de janeiro no Brasil.
Animação dos Angry Birds vai ganhar sequência
A animação “Angry Birds – O Filme” vai ganhar uma continuação. O anúncio foi feito por Kati Levoranta, CEO da Rovio, empresa que produz os videogames dos passarinhos. Com um orçamento de US$ 73 milhões, a animação da Sony faturou US$ 107 milhões nos EUA, chegando a um total de US$ 346 milhões na arrecadação mundial. Ainda que massacrado pela crítica, o filme teve uma boa recepção em home video, figurado em 1º lugar em locações no iTunes e com boas vendas em DVD e Blu-ray.
Roteiristas de A Culpa É das Estrelas vão escrever filme dos Novos Mutantes
A 20th Century Fox contratou a dupla de roteiristas Scott Neustadter e Michael H. Weber para escrever o filme baseado nos quadrinhos dos heróis adolescentes “Os Novos Mutantes”. Os dois são considerados especialistas em filmes sobre adolescentes, tendo escrito os elogiados “(500) Dias com Ela” (2009), “O Maravilhoso Agora” (2013), “A Culpa é das Estrelas” (2014) e “Cidades de Papel” (2015). O projeto vai voltar a reuni-los com o diretor e roteirista Josh Boone, com quem trabalharam em “A Culpa É das Estrelas”. Boone irá dirigir o novo longa-metragem. Nos quadrinhos, os Novos Mutantes foram o segundo grupo de heróis mutantes da Marvel, criados em 1982 por Chris Claremont – o autor das histórias adaptados nos filmes “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” (2014) e “Wolverine – Imortal” (2013). A ideia por trás do projeto era voltar a mostrar mutantes adolescentes, já que àquela altura os X-Men não eram mais estudantes do Instituto Xavier. Na hora de definir quem seriam os novos personagens, Claremont ainda arriscou criar uma equipe mais diversa que a original, combinando diversas etnias: um americano caipira (Míssil), uma refugiada vietnamita (Karma), uma índia cheyenne (Miragem), uma escocesa lobisomem (Lupina) e até um herdeiro milionário brasileiro (Mancha Solar)! A formação original passou por várias reformulações, ganhando, entre outros, os reforços da irmã do X-Men russo Colossus (Magia), uma americana explosiva (Dinamite), um mexicano (Rictor), uma morlock (Skids), um alienígena (Warlock), outro nativo-americano (Apache), outra brasileira (Magma) – ou melhor, uma jovem criada numa cidade perdida da Amazônia – e um personagem que teve morte traumática (Cifra). O filme “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” chegou a mostrar dois Novos Mutantes, que apareceram lutando ao lado dos X-Men do futuro: Apache (vivido por Booboo Stewart) e o brasileiro Mancha Solar (Adan Canto), além de Blink (Fan Bingbing), que tem uma ligação com o grupo. Josh Boone vem publicando em seu Instagram algumas pistas sobre quais serão os jovens heróis que integrarão o longa e, recentemente, o produtor Simon Kinberg adiantou que a continuidade do filme dentro do universo dos “X-Men” será garantida pela participação de Charles Xavier como professor do novo grupo. Intitulado, em inglês, “X-Men: The New Mutants”, o filme ainda não tem data de estreia definida.
Bruno Barreto entra na comissão que indicará candidato brasileiro ao Oscar 2017
Diretor de um dos últimos longas nacionais a emplacar uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o cineasta Bruno Barreto entrou na comissão avaliadora do Ministério da Cultura, que determinará o candidato brasileiro a tentar uma vaga na categoria em 2017. A informação foi confirmada pelo Secretário do Audiovisual Alfredo Bertini, após publicação no jornal O Globo. Barreto concorreu ao Oscar com “O Que É Isso, Companheiro?”, em 1997, e assumirá o lugar originalmente oferecido ao produtor Guilherme Fiúza Zenha, que alegou motivos pessoais para não continuar no júri. Zenha se recusou a dar detalhes, mas a atriz Ingra Lyberato, que também pediu para sair, publicou um longo desabafo no Facebook, mencionando pressões extremas da “classe” para abandonar a comissão. O objetivo seria, segundo consta num texto publicado no Facebook pelo cineasta Roberto Berliner, tentar forçar a “retirada” de um membro da comissão, que desagrada a “classe” por sua postura mais crítica. Lyberato chegou a dar nome à vítima, em seu desabafo. “Estamos sendo extremamente pressionado por todas as notícias a ponto de ter gente pedindo para sair. Qual é o objetivo? Forçar o Petrucelli a sair? Forçar todos a sair?”, ela escreveu. O alvo é o crítico Marcos Petrucelli. Desde que seu nome foi incluído na comissão, o cineasta Kleber Mendonça Filho abriu uma frente de ataque à sua participação. Petrucelli não poderia participar da comissão, na visão do diretor, por ter criticado a photo-op da equipe de “Aquarius” em Cannes, quando Filho e seus atores ergueram cartazes para denunciar, em inglês e francês, que “o Brasil não é mais uma democracia” após sofrer um “golpe de estado”. Ele não seria isento, portanto, para escolher o filme que representará o país no Oscar. Este discurso foi encampado por três outros diretores, que anunciaram a retirada de seus filmes da apreciação da comissão: “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, “Mãe Só Há Uma”, de Anna Muylaert, e “Para Minha Amada Morta”, de Aly Muritiba. Em comunicado sucinto, postado no Facebook, Muritiba resumiu a situação, ao afirmar, em nome da equipe de “Para Minha Amada Morta”, que “não reconhecemos a legitimidade da comissão constituída pela SaV (Secretaria do Audiovisual) para escolher o representante brasileiro na disputa do Oscar 2017”. Pela lógica de panelinha, portanto, qualquer crítico de cinema que tiver se manifestado, ainda mais por escrito, como é da profissão, sobre qualquer filme nacional, a favor ou contra, estaria automaticamente impedido de participar da comissão, eliminando assim uma classe inteira do processo. Seria a vingança final dos diretores contra os críticos? A Abraccine, que surgiu como uma espécie de sindicato dos críticos de cinema, não fez, até o momento, nenhum comentário a respeito da situação. Claro que, com Bruno Barreto, fica difícil continuar falando em falta de legitimidade. Ainda mais quando se lembra do filme de seu irmão Fábio, “Lula, o Filho do Brasil”, escolhido para representar o país no Oscar em 2010, durante o mandato de Lula, em votação unânime da comissão do Ministério da Cultura do governo do próprio Lula. Faz só seis anos, mas nossos cineastas democratas, que se mostram tão engajados contra a falta de transparência, legitimidade e ética, podem ter se esquecido, já que não se manifestaram na ocasião. Bruno Barreto, por sinal, foi quem entregou, na noite de sexta (26/8), o prêmio pela carreira para Sonia Braga, durante o Festival de Gramado. Os dois trabalharam juntos em “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976) e se reencontraram durante a projeção de “Aquarius” no festival. “Ela é a minha musa eterna”, disse o cineasta, abraçando a atriz. Será que nossos cineastas paladinos vão questionar a legitimidade de seu voto por essa manifestação pública da afeto para a estrela de “Aquarius”, na véspera da votação da comissão? Imagine só.
Para Minha Amada Morta abandona disputa à vaga no Oscar 2017
A pressão da panelinha aumenta. Após “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, e “Mãe Só Há Uma”, de Anna Muylaert, o filme “Para Minha Amada Morta”, de Aly Muritiba, também saiu da disputa à vaga brasileira para buscar indicação na categoria de Melhor Filme Estrangeiro do Oscar 2017. Em comunicado sucinto, postado no Facebook, Muritiba diz, em nome da equipe de “Para Minha Amada Morta”, que “não reconhecemos a legitimidade da comissão constituída pela SaV (Secretaria do Audiovisual) para escolher o representante brasileiro na disputa do Oscar 2017”. Quando anunciou sua desistência, Muylaert disse que “era o ano de ‘Aquarius'”, dando a entender a existência de um arranjo de bastidores para eleger o filme de Kleber Mendonça Filho à vaga. Visando se distanciar dessa polêmica, Muritiba ainda postou um esclarecimento na rede social: “Nós não retiramos nosso filme da disputa por filme A ou B. Nós retiramos por não reconhecer o modo como a comissão foi constituída. E acredito que os diretores que contestam a comissão deveriam fazer o mesmo”. Quem iniciou a contestação foi justamente Kleber Mendonça Filho, que atacou a participação do crítico Marcos Petrucelli na comissão. Petrucelli não poderia participar da comissão, na visão dos cineastas, por ter criticado a photo-op da equipe de “Aquarius” em Cannes, quando Filho e seus atores ergueram cartazes para denunciar, em inglês e francês, que “o Brasil não era mais uma democracia” após sofrer um “golpe de estado”. Nenhum deles enxerga ironia no ato de defender o direito de Filho protestar contra o que quiser, enquanto atacam a liberdade de expressão de um crítico, no momento em que ele faz o que lhe é mais natural em sua profissão: criticar. Ao exercer pressão para manipular a formação da comissão para “vetar” desafetos, os cineastas deixam claro que buscam o confronto, confundindo demonstração pública de intolerância e incapacidade de convivência democrática com ato libertário, num desvio nutrido pelo pior tipo de patrulhamento ideológico. Afinal, onde estava esta indignação seletiva quando, em 2010, “Lula, o Filho do Brasil” foi escolhido para representar o país no Oscar, em plena vigência do governo Lula? Em vez de protestos, Tata Amaral chegou a elogiar a politização da escolha, feita de forma unânime pela comissão da época, aparentemente mais ao gosto dos nossos cineastas democratas. Detalhe: o filme teve sua produção bancada pelas empreiteiras Odebrecht, Camargo Corrêa e OAS, todas suspeitas de propina e lavagem de dinheiro, que tiveram seus dirigentes detidos durante a Operação Lava Jato. “Lula, o Filho do Brasil”, que teria custado R$ 17 milhões, seria fruto de um projeto criminoso? Na pior das hipóteses, representou perfeitamente o Brasil de Lula e a “classe” para o mundo inteiro. Muritiba também defende que os diretores que contestam a comissão deveriam retirar seus filmes da disputa. Mas Kleber Mendonça Filho já anunciou que não pretende renunciar, uma vez que tudo o que está acontecendo é de seu interesse. “Tenho interesse em ver o processo se completar dentro das regras democráticas”, ele afirmou ao jornal Folha de S. Paulo. Além dos três cineastas desistentes, dois integrantes da comissão também pediram para sair. Embora o diretor e produtor mineiro Guilherme Fiúza Zenha tenha alegado “questões pessoais” e dito que não falaria com a imprensa, a atriz Ingra Lyberato fez um longo desabafo no Facebook, mencionando pressões extremas da “classe”. “Estamos sendo extremamente pressionado por todas as notícias a ponto de ter gente pedindo para sair. Qual é o objetivo? Forçar o Petrucelli a sair? Forçar todos a sair?”, ela escreveu. Aparentemente, o objetivo é este mesmo. Dar a indicação a “Aquarius” por W.O. Mas isso também reforça, como opção de repúdio à tática de panelinha, a candidatura alternativa de “Chatô, o Rei do Brasil”. “‘Chatô’ tem grandes qualidades e foi feito com muito esforço. Acho que meus técnicos e atores, que tanto se empenharam, merecem”, acredita o diretor Guilherme Fontes, ao contrário do que acham os diretores desistentes a respeito de seus próprios filmes.
Festival de Gramado confrontará Kleber Mendonça Filho e Marcos Petrucelli
O Festival de Gramado começa na noite desta sexta-feira (26/8) com a exibição de “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho. E o timing não podia ser midiático para o evento, que ainda homenageará a atriz do filme, Sonia Braga, com um troféu por sua belíssima carreira. No centro de uma ação política de “classe”, na definição usada pela atriz Ingra Lyberato, Kleber Mendonça Filho vem acusando o governo de persegui-lo. Provas disso seriam a classificação etária de “Aquarius” para maiores 18 anos (“Se, em 2016, um pênis ereto, filmado à distância, é motivo para ser 18 anos, eu entrego os pontos”) e o convite para o crítico Marcos Petrucelli participar da comissão que definirá o candidato brasileiro a uma vaga na categoria de Melhor Filme Estrangeiro do Oscar 2017. “Petrucelli nos caluniou ao dizer que fizemos o protesto em Cannes pagos pelo governo”, disse Filho à coluna Gente Boa, do jornal O Globo, durante a pré-estreia de “Aquarius” no Rio de Janeiro. Ele se refere a uma crítica à photo-op realizada durante o festival francês, quando a equipe de “Aquarius” levantou cartazes para denunciar que “O Brasil não é mais uma democracia” por ter sofrido um “golpe de estado”. Desde que seu nome apareceu na comissão, o crítico tem sido sistematicamente atacado por Kleber Mendonça Filho, pelo atrevimento de ter usado o Facebook para chamar a manifestação na terra do caviar de “palhaçada”. Quando “Aquarius” saiu de mãos vazias do festival francês, o jornalista completou: “Então foi assim: filme feito com dinheiro público vai a Cannes representar o Brasil e não leva prêmio algum. Ou seja, a mentira sobre o suposto golpe no País por meio de frases em papel A4 no tapete vermelho não adiantou muito além de expor o Brasil ao ridículo.” Kleber diz que esse trecho é calunioso, embora seu filme tenha, sim, sido produzido com dinheiro público, via leis de incentivo, e a própria viagem de sua equipe à França foi bancada por um programa da Ancine de financiamento para a divulgação de filmes brasileiros em festivais internacionais, que prevê o pagamento de passagens, hospedagem, transportes, alimentação e “despesas afins” para diretor, produtor e ator/atriz. Calúnias, claro, se resolvem em processos civis, junto ao judiciário. Aparentemente, Mendonça não levou adiante a acusação. Em vez disso, lançou mão da retórica para buscar humilhar o crítico, formando uma panelinha para forçar sua expulsão da comissão, num ato de bullying explícito e de ataque xiita à liberdade de expressão no país. Nos dias que precederam a chegada do filme a Gramado, dois cineastas retiraram seus longa-metragens da apreciação da comissão do Oscar, em solidariedade a Filho: “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, e “Mãe Só Há Uma”, de Anna Muylaert. Mascaro chegou a assinar um comunicado de tom ultrajado, citando a “gravidade da situação” e questionando, no seu dizer, a “imparcialidade questionável” do processo seletivo. “É lamentável que o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual, endosse na comissão de seleção um membro que se comportou de forma irresponsável e pouco profissional ao fazer declarações, sem apresentação de provas, contra a equipe do filme ‘Aquarius’, após o seu protesto no tapete vermelho de Cannes”, resumiu, referindo-se ao aparentemente gravíssimo comentário já citado. E logo após Muylaert confirmar a intenção de fortalecer o filme de Filho (“Achamos que este é o ano de ‘Aquarius’. É o filme certo”) com sua desistência, dois integrantes da comissão também pediram para sair. Embora o diretor e produtor mineiro Guilherme Fiúza Zenha tenha alegado “questões pessoais” e dito que não falaria com a imprensa, a atriz Ingra Lyberato fez um longo desabafo no Facebook, mencionando pressões extremas da “classe”. “Estamos sendo extremamente pressionado por todas as notícias a ponto de ter gente pedindo para sair. Qual é o objetivo? Forçar o Petrucelli a sair? Forçar todos a sair?”, ela escreveu. O próximo round está programado para esta noite em Gramado, onde o crítico Marcos Petrucelli deve encontrar Kleber Mendonça Filho. O jornalista paulista já publicou uma foto em seu Facebook informando que estava a caminho.
Atriz Ingra Lyberato abandona comissão do Oscar após citar pressão extrema
A atriz Ingra Lyberato jogou mais lenha na fogueira, abandonando oficialmente a comissão que vai definir o indicado brasileiro para tentar uma vaga no Oscar 2017, após falar em “pressão” extrema. O anúncio foi feito pela própria atriz em seu Facebook, na manhã desta sexta (26/8), horas depois dela comentar na rede social a polêmica envolvendo o filme “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho. Lyberato diz que tomou a decisão depois que alguns “filmes preciosos” foram retirados da disputa por seus diretores, referindo-se a “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, e “Mãe Só Há Uma”, de Anna Muylaert. Antes dela, o diretor e produtor mineiro Guilherme Fiúza Zenha, convidado para a comissão do governo, também anunciou que não iria participar do comitê “por questões pessoais”. Ela aponta que, “como a comissão tem sua legitimidade questionada por grande parte de nossa classe, me retiro em respeito a minha própria tribo”. O questionamento se deve à inclusão na comissão do crítico Marcos Petrucelli, cuja escolha foi atacada por Kleber Mendonça Filho porque teria se atrevido a escrever no Facebook que a photo-op da equipe de “Aquarius” no Festival de Cannes – com cartazes dizendo que “O Brasil não é mais uma democracia” após sofrer “um golpe de estado” – era uma “palhaçada”. Quando “Aquarius” saiu de mãos vazias do festival francês, o jornalista completou: “Então foi assim: filme feito com dinheiro público vai a Cannes representar o Brasil e não leva prêmio algum. Ou seja, a mentira sobre o suposto golpe no País por meio de frases em papel A4 no tapete vermelho não adiantou muito além de expor o Brasil ao ridículo.” Esta é, em suma, a justificativa para o protesto da “classe”, na expressão usada pela própria Lyberato, temperada ainda pela classificação etária elevada de “Aquarius” – um suposto ato de censura. Mas como esta última questão não é critério de seleção para o Oscar, todos os protestos buscam enquadrar Petrucelli. Aparentemente, há uma mentalidade de sindicato, estilo stalinista, nos bastidores da cultura brasileira, que trabalha ferozmente contra qualquer crítica, achando-se acima do bem e do mal. A ponto de a atriz escrever, num desabafo: “Estamos sendo extremamente pressionado por todas as notícias a ponto de ter gente pedindo para sair. Qual é o objetivo? Forçar o Petrucelli a sair? Forçar todos a sair?” “Diante da minha classe insatisfeita e clamando por justiça”, porém, ela própria pediu para sair. Curiosamente, na saída Lyberato se disse “contra o golpe da cena política atual”, comprovando a pluralidade de opiniões que marcava a comissão. Mas a pressão a que ela alude deixa clara a falta de capacidade para a convivência democrática da dita “classe”, que, como típica panelinha, trabalha no tom da intolerância, fazendo bullying contra um crítico de cinema por exercer a condição básica de sua profissão: criticar. Chama atenção que, antes de se submeter à pressão, Lyberato chegou a demonstrar confiança na comissão selecionada pelo Ministério da Cultura. “O único motivo do aceite foi querer prestar um serviço guiada pelo amor ao nosso cinema. Mas diante de tal reação contra atitudes do Ministério, o que devemos fazer? Vamos cruzar os braços e não mandar filme para o Oscar esse ano, porque o país foi tomado? Não me parece coerente, porque continuamos nossas produções já que esse é nosso trabalho. Escolher um filme também é nosso trabalho. Vamos nos unir contra qualquer tipo de manipulação e a gritaria tenta impedir que isso aconteça. Acho válido, mas já estão todos mais do que atentos e prontos para cobrar competência. Para fazer justiça onde sei, o Bertini só me fez um pedido: imparcialidade total”, escreveu, referindo-se a Alfredo Bertini, da Secretaria do Audiovisual, órgão responsável pela seleção. O desenrolar dessa novela, ao menos, traz às claras a ação de uma panelinha, que parece reagir quando seu jogo de cartas marcadas corre risco de dar resultado diferente do combinado previamente. “Achamos que este é o ano de ‘Aquarius’. É o filme certo”, disse Anna Muylaert ao jornal Folha de S. Paulo, justificando a retirada de “Mãe Há Sá Uma”. E, não por acaso, Kleber Mendonça Filho afirmou em seguida que, mesmo com a debandada, manterá “Aquarius” na disputa, pois é de seu “interesse”. Tudo indica que uma panelinha pode, sim, ter dominado todo o período recente em que o cinema brasileiro não foi capaz de emplacar nenhum representante na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Basta lembrar que, em 2010, a comissão do Ministério da Cultura escolheu “Lula, o Filho do Brasil” por unanimidade. Isto em pleno mandato de Lula, e não houve um protesto sequer, numa demonstração do quanto a “classe” preza a ética e decisões apolíticas. “Eu gostaria que a figura do Lula influenciasse a Academia. Nesse sentido, seria ótima a influência política da escolha”, defendeu a cineasta Tata Amaral, na época. O tempo ajuda a contar toda a História, aproveitando a luz da fogueira das vaidades para iluminar o que antes era só obscuridade.
Guilherme Fontes pretende inscrever Chatô à vaga brasileira no Oscar
Enquanto alguns cineastas retiram as candidaturas de seus filmes, Guilherme Fontes anunciou que pretende inscrever “Chatô, o Rei do Brasil” na comissão que irá definir o candidato brasileiro ao Oscar 2017. E pode vencer, considerando a forma antipática que está tomando a tática de politização escolhida pelo diretor de “Aquarius”, Kleber Mendonça Filho, para conquistar a vaga. Colocando-se como vítima de retaliações, após denunciar que “O Brasil não é mais uma democracia”, com cartazes durante o Festival de Cannes, Filho passou a atacar um crítico escolhido para integrar a comissão, por ele ter se manifestado contra a photo-op francesa, e conseguiu engajar outros cineastas, culminando na desistência de “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, e “Mãe Há Só Uma”, de Anna Muylaert, em protesto solidário. Embora alguns imaginassem que ele próprio pudesse renunciar à candidatura de “Aquarius”, aumentando o tom de denúncia, Filho aproveitou para dizer que se mantém na disputa, agora sem dois rivais de peso. Só não contava com um filme mítico, surgindo das cinzas. “Assim como os concorrentes, ‘Chatô’ tem grandes qualidades e foi feito com muito esforço”, disse Fontes ao jornal Folha de S. Paulo. “São mais de 30 críticas excepcionais. Acho que meus técnicos e atores, que tanto se empenharam, merecem.” O diretor não quis comentar a polêmica envolvendo a comissão, mas considera que a conquista da vaga seria uma reviravolta completa da trajetória da produção. A cinebiografia de Assis Chateaubriand virou lenda na história do cinema nacional por ter demorado 20 anos para ser concluída, desde que Fontes começou a produzir o projeto, em 1995. O diretor foi acusado de irregularidade no uso de dinheiro público pela demora em concluir o filme, que a certa altura parecia não existir, chegando a ser multado em R$ 66,2 milhões. Mas a estreia no fim de 2015 mudou tudo. Elogiado pela crítica, isentado pelo Tribunal de Contas da União, uma eventual escolha de “Chatô” seria um epílogo digno da mitologia que cerca sua produção.
Kleber Mendonça Filho diz que manterá Aquarius na disputa por uma vaga ao Oscar
É oficial. O diretor Kleber Mendonça Filho disse que manterá a inscrição de “Aquarius” na disputa pela vaga brasileira no Oscar 2017. O cineasta pernambucano não vai aderir ao protesto que ele próprio incentivou, ao insinuar-se perseguido politicamente, e que culminou na desistência de dois de seus concorrentes, “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, e “Mãe Só Há Uma”, de Anna Muylaert. Mascaro e Muylaert anunciaram a retirada de seus filmes em solidariedade a Filho, que estaria sofrendo retaliações, após denunciar que “O Brasil não é mais uma democracia”, com placas contra um “golpe de estado” no país, durante o Festival de Cannes. Filho, porém, assumiu que não tem intenção de realizar o mesmo gesto. “Tenho interesse em ver o processo se completar dentro das regras democráticas”, ele afirmou ao jornal Folha de S. Paulo. Assim, se valerá da vantagem de não contar com dois de seus concorrentes mais destacados para tentar conquistar a vaga. E só não terá o caminho mais facilitado porque outros diretores optaram por não servir de tapete vermelho para seu “interesse”. Os três diretores e Roberto Berliner, que também mantém “Nise: No Coração da Loucura” na competição, protestam contra a inclusão do crítico Marcos Petrucelli na comissão que escolherá o candidato brasileiro ao Oscar. Para eles, é inadmissível que o jornalista tenha sido escolhido após emitir opinião contrária à manifestação de Filho e da equipe de “Aquarius” em Cannes, e assim decidiram denunciar a “imparcialidade questionável” da comissão, no dizer de Mascaro. É importante lembrar que os mesmos defensores da imparcialidade desta comissão do Ministério da Cultura, que perseguem e atacam um jornalista exclusivamente por conta de suas opiniões, não realizaram qualquer tipo de manifestação quando “Lula, o Filho do Brasil” foi vergonhosamente escolhido como representante do Brasil ao Oscar em 2010, em pleno governo Lula. Uma falta de ética como nunca se viu antes na história deste país. “Acho incrível o que [Mascaro e Muylaert] fizeram”, disse Filho à Folha de S. Paulo. “O governo interino não tem familiaridade com a área da cultura e com a forma como nós somos unidos.” Curiosamente, esta união parece ter limites, já que o incentivador não pretende pular no mesmo abismo, após ver a concorrência pular sozinha, de forma inocente e muito útil, por sinal. Por sua vez, o Ministério da Cultura emitiu um comunicado, reiterando sua “confiança na comissão de seleção do filme” e na “isenção do processo de escolha”. “A comissão é formada por nomes de reconhecida reputação e conhecimento técnico, que passaram, inclusive, pelo crivo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Destaca-se que a seleção do filme representante será feita à margem de critérios de natureza política, sendo inócua a criação de ambiente de pressão ou constrangimento com vistas a favorecer ou prejudicar qualquer produção. Passada a etapa de seleção, o Ministério estará engajado na torcida para que nosso filme figure entre os cinco finalistas.”











