Clint Eastwood negocia dirigir resgate heróico de ativista humanitária
Aos 86 anos, Clint Eastwood não quer saber de descansar. Enquanto seu novo filme, “Sully – O Herói do Rio Hudson”, impressiona nas bilheterias norte-americanas, o cineasta já está em negociações com a Warner Bros para comandar seu próximo longa-metragem. Segundo o site da revista Variety, será “Impossible Odds”, novamente baseado numa história verídica como “Sully” e “Sniper Americano” (2014), seus dois últimos e consecutivos sucessos. “Impossible Odds” contará a história real da ativista humanitária americana Jessica Buchanan e do dinamarquês Poul Hagen Thisted, que foram sequestrados em 2012 por piratas somalis enquanto trabalhavam num projeto de desarmamento de campos minados na África. Exigindo um resgate milionário, os piratas os mantiveram presos por 93 dias, até que um ataque preciso de um time SEAL, a tropa de elite da Marinha americana, exterminou os sequestradores e os resgatou. Detalhe: a unidade que realizou a operação foi a famosa SEAL Team Six, a mesma que matou Osama Bin Laden no Paquistão, façanha que rendeu o filme premiado “A Hora Mais Escura” (2012) O roteiro está sendo escrito por Brian Helgeland (“Robin Hoood”) e ainda não há previsão para o começo das filmagens. Enquanto isso, “Sully”, que chegou a liderar as bilheterias norte-americanas por duas semanas, tem previsão de chegar ao Brasil apenas em 1 de dezembro.
O Vendedor de Sonhos: Trailer dramático anuncia overdose de frases de autoajuda
A Warner divulgou o pôster e o trailer de “O Vendedor de Sonhos”, drama baseado no best-seller homônimo de Augusto Cury. A prévia começa como o clássico “A Felicidade Não se Compra” (1946), com um homem à beira do abismo, prestes a se suicidar, quando ouve uma voz que lhe convida a dar uma segunda chance para a vida. A diferença é que não se trata de um anjo, mas um sem-teto que, ao longo do trailer, despeja uma coleção de frases-feitas de livros de autoajuda, ensinando que – adivinhe – a felicidade não se compra. Se isso é a prévia, imagina-se a overdose de “ensinamentos” do longa-metragem. Cury é um expert em autoajuda. Já ajudou a si mesmo a vender mais de 25 milhões de exemplares de diversos livros. Só “O Vendedor de Sonhos”, lançado em 2008, vendeu mais de 2,5 milhões de exemplares no Brasil e ainda virou trilogia. Outros títulos de seu repertório de lições de vida incluem “Você É Insubstituível”, “Dez Leis para Ser Feliz”, “Seja Líder de Si Mesmo”, “Nunca Desista de Seus Sonhos”, além de obras religiosas, conselhos para a família, dicas de como criar um filho e até manuais para suportar a prisão. Dirigido por Jayme Monjardim (de “Olga” e “O Tempo e o Vento”), o filme traz Dan Stulbach (“Onde Está a Felicidade?”) como o psicólogo suicida, que vai encontrar nas frases-feitas do guru uruguaio César Troncoso (também de “O Tempo e o Vento”) mais sentido para a vida do que nos ensinamentos da disciplina de Freud. Mas o personagem misterioso também tem um segredo. A estreia está marcada para dezembro.
Invasão de Privacidade: Pierce Brosnan enfrenta hacker em trailer legendado que conta o filme inteiro
A Imagem Filmes divulgou o trailer legendado de “Invasão de Privacidade” (I.T.), thriller estrelado por Pierce Brosnan. O vídeo é mais um daqueles que contam o filme inteiro, das reviravoltas ao confronto final. Considerando que se trata de um suspense, pouco sobra para manter o interesse. A premissa até começa interessante, antes de se tornar um thriller genérico dos anos 1990. Conforme a prévia mostra, após impressionar o patrão vivido por Brosnan, um técnico de informática é convidado a dar uma geral na casa inteligente do chefe. Por acaso, o personagem de James Frecheville (“A Entrega”) logo diz que costumava trabalhar na NSA (o serviço de inteligência dos EUA, responsável pelo monitoramento das comunicações online) e aos poucos revela mais sobre seu caráter. Invejoso e com tendências sociopatas, ele se mostra um hacker maldoso, que passa a mirar a família e os negócios do bilionário, para destruí-lo. O trailer podia acabar aí. Mas não se contenta e mostra como o filme piora até o fim. Na verdade, o hacker é um vilão psicopata de segunda categoria, que rapta esposa e filha do super-empresário para que tudo acabe num confronto final, ao estilo de “Atração Fatal” (1987). Um último detalhe é que a bela casa asséptica do começo do trailer se transforma num cenário destruído no desfecho, servindo de metáfora para o estrago causado pelo inimigo íntimo. Tudo isso está no trailer. E no roteiro de Dan Kay (“Regresso do Mal”), com direção de John Moore (“Duro de Matar: Um Bom Dia para Morrer”). O filme passou em branco nos cinemas americanos – viram o trailer – e estreia em 10 de novembro no Brasil.
The Flash: Vídeos destacam a estreia de Tom Felton na série
A rede americana CW divulgou dois novos vídeos da 3ª temporada de “The Flash”, que destacam a estreia do ator Tom Felton (franquia “Harry Potter”) na série. Um deles traz os atores do elenco central assumindo-se fãs, após crescerem vendo Felton em “Harry Potter”, enquanto cenas de sua participação são mostradas, e o outro é uma cena completa, dedicada à dificuldade de interação entre seu personagem e Barry Allen (Grant Gustin). Felton vai interpretar Julian Albert, um técnico forense que trabalha com Allen no departamento de polícia. Os dois não se dão bem. Mas para piorar a convivência, Allen/The Flash não lembra como eles se conheceram, graças às mudanças causadas na linha do tempo por suas idas e vindas ao passado. O nome do episódio, por sinal, é Paradox (paradoxo). Um “x” a mais no final e seria outra coisa – um supervilão da DC Comics. Mas o título se refere mesmo ao fato de o Flash não ter conseguido “consertar” completamente a linha temporal e precisar lidar com pequenos efeitos borboleta. A temporada começou na terça passada (4/10) nos EUA com um episódio chamado “Flashpoint”, o mesmo nome de uma importante história em quadrinhos do personagem, que lida justamente com o “efeito borboleta” de uma viagem no tempo. O próximo episódio vai ao ar nesta terça (11/10) na rede americana CW. No Brasil, a série é exibida pelo canal pago Warner.
Halt and Catch Fire é renovada para sua 4ª e última temporada
A série “Halt and Catch Fire”, que traça a explosão digital do começo da era da informática nos anos 1980, foi renovada para sua 4ª e última temporada pelo canal pago AMC. Os episódios finais vão ao ar em 2017. Em comunicado, o AMC confirma que a temporada final terá dez episódios concebidos para dar uma conclusão justa à história. Criada por Christopher Cantwell e Christopher C. Rogers, a história começou focada no grupo de geeks de computação por trás do surgimento do computador pessoal, mas, na 2ª temporada, a inovação já ficou por conta da invenção da internet. Apesar dos personagens serem fictícios, a reconstituição dos fatos que os cerca é bastante realista na evocação da tecnologia e dos acontecimentos que criaram o mundo digital atual. Além disso, o elenco é fenomenal, com Lee Pace (“Guardiões da Galáxia”), Scoot McNairy (“Batman vs. Superman”), Kerry Bish (“Argo”) e a grande revelação da série Mackenzie Davis (“Perdido em Marte”). Adorada pela crítica, a série não reflete seu culto com boa audiência. A linguagem técnica se provou uma barreira que impediu “Halt and Catch Fire” de atingir o grande público. Mesmo assim, a qualidade é tão elevada que o AMC segurou a série no ar por quatro anos. “Estamos muito orgulhosos da série e agradecidos pela crítica e pelos fãs que abraçaram este programa tão único. É um grande prazer renovar este projeto para uma 4ª e última temporada, para que possamos ver Cameron, Donna e o restante da turma transformar Swap Meet em eBay, Amazon ou Facebook.” No Brasil, a AMC ainda vai estrear a 3ª temporada, e exibe atualmente a 2ª. Nos EUA, a season finale do terceiro ano vai ao ar nesta terça-feira (11/10).
Shailene Woodley é liberada após fichamento na polícia
A atriz Shailene Woodley, protagonista dos filmes “Divergente” e “A Culpa É das Estrelas”, foi liberada pela polícia da Dakota do Norte, nos Estados Unidos, após ficar algumas horas detida numa delegacia na segunda-feira (10/10). A atriz e mais 100 manifestantes participaram de um protesto pacífico em uma área particular de Sioux County contra a construção de um oleoduto quando foram surpreendidos pela ação policial. Visando impedir a construção em território indígena, Shailene estava usando sua página do Facebook para transmitir o protesto ao vivo quando acabou registrando a sua própria prisão. Ela foi detida e algemada com mais 26 pessoas e encaminhada para o fichamento na delegacia, onde teve as impressões digitais colhidas, vestiu “Orange Is the New Black” e teve uma foto tirada para os arquivos da delegacia – esta aí em cima. “Shailene agradece o apoio, não só para ela, mas – e mais importante -, para a luta contínua contra a construção do oleoduto Dakota Access Pipeline”, disse um representante da atriz em comunicado para os veículos de imprensa.
Bilheterias mostram Kéfera Buchman mais popular que Porta dos Fundos nos cinemas
A youtuber Kéfera Buchman passou no teste de popularidade nos cinemas. Ele levou mais gente para ver seu filme de estreia que seus colegas mais famosos do YouTube, a trupe Porta dos Fundos. Os dados são da empresa especializada comScore. 368,5 mil pessoas pagaram para ver as caretas de Kéfera em “É Fada!”, que rendeu R$ 5 milhões em seus quatro primeiros dias. Foi o filme mais visto no fim de semana, mas não o de maior faturamento. Com lançamento em salas 3D e IMAX, “O Lar das Crianças Peculiares” manteve a liderança em arrecadação, tirando R$ 6,15 milhões de 362,9 mil de pagantes. Há duas semanas em cartaz, a fantasia de Tim Burton já soma 1 milhão de espectadores no Brasil. Já a versão de “Festa da Salsicha”, adaptada e dublada pela Porta dos Fundos, abriu apenas em 9º lugar, visto por 52,9 mil pessoas e rendendo 797,3 mil. Para servir de comparação, Kéfera bateu a Porta dos Fundos duas vezes. Além desse trabalho de adaptação, a estreia da trupe fez pouco mais da metade que a youtuber solo conquistou em seu primeiro filme. Vale lembrar: a comédia “Contrato Vitalício” abriu com R$ 2,7 milhões em 4º lugar no mês de julho.
Logan: Nova foto revela o vilão do terceiro filme de Wolverine
Aos poucos, o mistério vai sendo desvendado. Usando um método pouco usual para divulgar as informações sobre o filme, a produção de “Logan”, terceiro longa-metragem solo de Wolverine, vem despejando fotos em preto e branco de detalhes das filmagens, com legendas lacônicas e nenhum comentário, no perfil do Instagram wponx (uma referência ao programa militar secreto “Arma X”). As duas mais recentes podem ser vistas acima e foram disponibilizadas com as legendas “Motel” e “Pierce”. “Pierce” é uma imagem do ator Boyd Holbrook, que estrela a série “Narcos” como o agente Steve Murphy. Desde o começo tratado como vilão do filme, seu personagem ainda não tinha recebido nome e era descrito como o chefe de segurança de uma empresa global, um homem bem frio, calculista e intenso, que bate de frente com Logan/Wolverine, papel, claro, de Hugh Jackman. Mas Pierce é um nome bem conhecido dos quadrinhos dos X-Men. Criado por Chris Claremont, Donald Pierce é um bilionário megalomaníaco que passa a odiar os mutantes após um confronto com Cable lhe deixar mutilado. Ele usa sua fortuna para transformar a si mesmo e a um grupo de psicopatas, conhecidos como Carniceiros, em ciborgues, visando destruir os mutantes. Pierce também fez parte da sociedade de supervilões Clube do Inferno, mas visando traí-los com a intenção de destruir seus integrantes mutantes. A participação de Donald Pierce veio à tona em maio, em apuração do site Nerdist. Entretanto, a publicação disse que o possível intérprete do personagem seria Richard E. Grant, escalado em março como um “cientista maluco”. O roteiro de “Logan” é de Michael Green (“Lanterna Verde”) e do estreante David James Kelly, e a direção está mais uma vez a cargo de James Mangold, responsável pelo filme anterior do personagem, “Wolverine – Imortal” (2013). A estreia está marcada para 2 de março no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
3%: Primeira série brasileira da Netflix ganha teaser, fotos e data de estreia
A Netflix divulgou as primeiras fotos e o teaser de “3%”, sua primeira série brasileira original, além de anunciar a data de estreia. “A notícia ruim: só 3% das pessoas vão merecer um lugar na sociedade perfeita que construímos. A notícia boa: o Processo já tem data para começar — 25 de novembro”, escreveu a empresa em sua conta no Facebook. Estrelada por Bianca Comparato (“Irmã Dulce”) e João Miguel (“Xingu”), “3%” é uma série de ficção científica, que segue o mesmo estilo das franquias distópicas juvenis que fizeram sucesso recente no cinema, como “Jogos vorazes”, “Divergente” e “Maze Runner”. Mas o piloto foi divulgado no YouTube em 2011, antes do gênero virar tendência. Já na época chamou atenção da Pipoca Moderna, que apontou seu potencial. “3%” retrata uma sociedade futurista dividida entre o progresso e a devastação. A história acompanha jovens que pertencem ao lado desfavorecido e querem tentar a sorte do outro lado, mas para isso precisam passar por um processo de seleção, e só 3% conseguem. No projeto original, isto embutia uma crítica ao vestibular e ao sistema de ensino. Mas a produção da série transformou o tema numa questão social mais ampla. Para a versão da Netflix, os episódios foram reescritos por Pedro Aguilera (“Os Homens São de Marte… E é pra Lá que Eu Vou!”), criador da série, e recriados com novo elenco. Os 400 mil fãs conquistados com o piloto poderão, finalmente, ver o que acontece após o início do Processo de seleção. Serão sete episódios ao todo, com direção do uruguaio Cesar Charlone (“Artigas, La Redota”), que foi indicado ao Oscar pela fotografia de “Cidade de Deus” (2002), rodados em Ultra HD 4K e disponíveis também no mercado internacional atendido pelo serviço de streaming.
Editorial: Traduções dos títulos de filmes no Brasil atingem níveis mais baixos da História
A atual fase de tradução de títulos de filmes internacionais no Brasil está tão ruim que já tem gente com saudades dos anos 1980, quanto todo filme de terror iniciava com “A Hora do” e a maioria dos suspenses era “Selvagem”. O público já se rebelou na internet contra “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, título que o quinto filme da franquia estrelada por Johnny Depp ganhará com exclusividade no Brasil – o original é “Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales”. Mas não fica nisso. Três décadas após os gênios da tradução nacional diferenciarem dois filmes da franquia “Evil Dead” com títulos diferentes – “A Hora do Demônio” (1981) e “Uma Noite Alucinante” (1987), fazendo com o terceiro longa fosse batizado como “Uma Noite Alucinante 3”! – , a esperteza, a ginga e a malemolência brasileira voltou a se manifestar em novas nomeações “criativas” dentro da mesma franquia. Após “Uma Noite de Terror” (2013) e “Uma Noite de Terror: Anarquia” (2014), o terceiro filme da franquia “Purge” (nome original) chegou nos cinemas brasileiros no fim de semana passado como “12 Horas Para Sobreviver: O Ano da Eleição”. E quem foi ao cinema achando que veria um filme original deveria pedir o dinheiro de volta, diante de tantas e constantes referências e participações de personagens do lançamentos anteriores. Não contentes, os brasileiros mais inteligentes que o resto da população decidiram também diferenciar “De Volta ao Jogo” (2014) de sua continuação, que será lançada no Brasil como “John Wick: Um Novo Dia Para Matar”. Impressionante? Se a força de uma franquia está na valorização da marca, que supostamente gera acúmulo de público, o que ganha um distribuidor nacional ao querer lançar um filme de franquia como produto individual? Promoção? Aumento? Bônus de Natal? E que tal títulos de filmes que não fazem parte de franquias? Quem acertar como “The Bye Bye Man” vai se chamar no Brasil tem grandes chances de acertar a sequência certa da mega-sena. O título original tem quatro palavras e nenhuma delas aparece na “tradução” nacional, “Nunca Diga seu Nome”. E aí vem os “gringos” da MPA-AL, divisão latino-americana da MPA (Associação do Cinema dos EUA), dizer que o maior problema do cinema no Brasil é a pirataria… Faz sentido. Afinal, este é o país em que “Truth” (verdade) vira “Conspiração e Poder”.
Andrzej Wajda (1926 – 2016)
Morreu Andrzej Wajda, um dos maiores cineastas da Polônia, vencedor da Palma de Ouro de Cannes e de um Oscar honorário pela carreira de fôlego, repleta de clássicos humanistas. Ele faleceu no domingo (9/10), aos 90 anos, em Varsóvia, após uma vida dedicada ao cinema, em que influenciou não apenas a arte, mas a própria História, ao ajudar a derrubar a cortina de ferro com filmes que desafiaram a censura e a repressão do regime comunista. Nascido em 6 de março de 1926 em Suwalki, no nordeste polonês, Wajda começou a estudar cinema após a 2ª Guerra Mundial, ingressando na recém-aberta escola de cinema de Lodz, onde também estudaram os diretores Roman Polanski e Krzysztof Kieslowski, e já chamou atenção em seu primeiro longa-metragem, “Geração” (1955), ao falar de amor e repressão na Polônia sob o regime nazista. Seu segundo longa, “Kanal” (1957), também usou a luta contra o nazismo como símbolo da defesa da liberdade, e abriu o caminho para sua consagração internacional, conquistando o prêmio do juri no Festival de Cannes. Com “Cinzas e Diamantes” (1958), que venceu o prêmio da crítica no Festival de Veneza, ponderou como pessoas de diferentes classes sociais e inclinações políticas tinham se aliado contra o nazismo, mas tornaram-se inimigas após o fim da guerra. Os três primeiros filmes eram praticamente uma trilogia temática, refletindo as ansiedades de sua geração, que tinha sobrevivido aos nazistas apenas para sofrerem com os soviéticos. Ele também filmou várias vezes o Holocausto, do ponto de vista da Polônia. Seu primeiro longa sobre o tema foi também o mais macabro, contando a história de um coveiro judeu empregado pelos nazistas para enterrar as vítimas do gueto de Varsóvia, em “Samson, a Força Contra o Ódio” (1961). Aos poucos, suas críticas foram deixando de ser veladas. Num novo filme batizado no Brasil com o mesmo título de seu terceiro longa, “Cinzas e Diamantes” (1965), lembrou como os poloneses se aliaram a Napoleão para enfrentar o império russo e recuperar sua soberania. A constância temática o colocou no radar do governo soviético. Mesmo com fundo histórico conhecido, “Cinzas e Diamantes” disparou alarmes. Aproveitando uma tragédia com um ator local famoso, Wajda lidou com a perigosa atenção de forma metalinguista em “Tudo à Venda” (1969), sobre um diretor chamado Andrzej, que tem uma filmagem interrompida pelo súbito desaparecimento de seu ator principal. Considerado muito intelectual e intrincado, o filme afastou o temor de que o realizador estivesse tentando passar mensagens para a população. Mas ele estava. Em “Paisagem Após a Batalha” (1970), o diretor voltou suas câmeras contra o regime, ao registrar o sentimento de júbilo dos judeus ao serem libertados dos campos de concentração no fim da guerra, apenas para sepultar suas esperanças ao conduzi-los a outros campos cercados por soldados diferentes – russos – , inspirando a revolta de um poeta que busca a verdadeira liberdade longe disso. Seus três longas seguintes evitaram maiores controvérsias, concentrando-se em dramas de família e romances de outras épocas, até que “Terra Prometida” (1975) rendeu efeito oposto, celebrado pelo regime a ponto de ser escolhido para representar o país no Oscar. E conquistou a indicação. Ironicamente, a obra que o tornou conhecido nos EUA foi a mais comunista de sua carreira. Apesar de sua obsessão temática pela liberdade, “Terra Prometida” deixava claro que Wajda não era defensor do capitalismo. O longa era uma denúncia visceral de como a revolução industrial tardia criara péssimas condições de trabalho para os operários poloneses, enquanto empresários enriqueciam às custas da desumanização na virada do século 20. Brutal, é considerado um dos maiores filmes do cinema polonês. Satisfeito com a consagração, Wajda manteve o tema em seus filmes seguintes, acompanhando a evolução da situação dos operários poloneses ao longo do século. Mas os resultados foram o avesso do que a União Soviética gostaria de ver nas telas. A partir daí, sua carreira nunca mais foi a mesma. Seus filmes deixaram de ser cinema para virarem registros históricos, penetrando nas camadas mais profundas da cultura como agentes e símbolos de uma época de transformação social. “O Homem de Mármore” (1977) encontrou as raízes do descontentamento dos trabalhadores da Polônia no auge do stalinismo dos anos 1950. O filme era uma metáfora da situação política do país e também usava de metalinguagem para tratar da censura que o próprio Wajda sofria. A trama acompanhava uma estudante de cinema que busca filmar um documentário sobre um antigo herói do proletariado, que acreditava na revolução comunista e na igualdade social, mas, ao ter acesso a antigas filmagens censuradas para sua pesquisa, ela descobre que foi exatamente isto que causou sua queda e súbito desaparecimento da história. Diante da descoberta polêmica, a jovem vê seu projeto de documentário proibido. A censura política voltou a ser enfocada em “Sem Anestesia” (1978), história de um jornalista polonês que demonstra profundo conhecimento político e social numa convenção internacional, o que o faz ser perseguido pelo regime, que cancela suas palestras, aulas e privilégios, culminando até no fim de seu casamento, para reduzir o homem inteligente num homem incapaz de se pronunciar. Após ser novamente indicado ao Oscar por um longa romântico, “As Senhoritas de Wilko” (1979), Wajda foi à luta com o filme mais importante de sua carreira. “O Homem de Ferro” (1981) era uma obra de ficção, mas podia muito bem ser um documentário sobre a ascensão do movimento sindicalista Solidariedade, que, anos depois, levaria à queda do comunismo na Polônia e, num efeito dominó, ao fim da União Soviética. A narrativa era amarrada por meio da reportagem de um jornalista enviado para levantar sujeiras dos sindicalistas do porto de Gdansk, que estavam causando problemas, como uma inusitada greve em pleno regime comunista. Ao fingir-se simpatizante da causa dos estivadores, ele ouve histórias que traçam a longa trajetória de repressão aos movimentos sindicais no país, acompanhadas pelo uso de imagens documentais. O filme chega a incluir em sua história o líder real do Solidariedade, Lech Walesa, que depois se tornou presidente da Polônia. Apesar da trajetória evidente do cineasta, o regime foi pego de surpresa por “O Homem de Ferro”, percebendo apenas o que ele representava após sua première mundial no Festival de Cannes, onde venceu a Palma de Ouro e causou repercussão internacional. Sem saber como lidar com a polêmica, o governo polonês sofreu pressão mundial para o longa ir ao Oscar, rendendo mais uma indicação a Wajda e um confronto político com a União Soviética, que exigiu que o filme fosse banido dos cinemas. Assim, “O Homem de Ferro” só foi exibido em sessões privadas em igrejas em seu país. Considerado “persona non grata” e sem condições de filmar na Polônia, que virara campo de batalha, com o envio de tropas e tanques russos para sufocar o movimento pela democracia despertado pelo Solidariedade, Wajda assumiu seu primeiro longa internacional estrelado por um grande astro europeu, Gerard Depardieu. O tema não podia ser mais provocativo: a revolução burguesa da França. Em “Danton – O Processo da Revolução” (1983), o diretor mostrou como uma revolução bem intencionada podia ser facilmente subvertida, engolindo seus próprios mentores numa onda de terrorismo de estado. A história lhe dava razão, afinal Robespierre mandou Danton para a guilhotina, antes dele próprio ser guilhotinado. E mesmo assim o filme causou comoção, acusado de “contrarrevolucionário” por socialistas e comunistas franceses, que enxergaram seus claros paralelos com a União Soviética. Ficaram falando sozinhos, pois Wajda ganhou o César (o Oscar francês) de Melhor Diretor do ano. Sua militância política acabou arrefecendo no cinema, trocada por romances e dramas de época, como “Um Amor na Alemanha” (1983), “Crônica de Acontecimentos Amorosos” (1986) e “Os Possessos” (1988), adaptação de Dostoevsky que escreveu com a cineasta Agnieszka Holland. Em compensação, acirrou fora das telas. Ele assinou petições em prol de eleições diretas e participou de manifestações políticas, que levaram ao fim do comunismo na Polônia. As primeiras eleições diretas da história do país aconteceram em 1989, e Wajda se candidatou e foi eleito ao Senado. A atuação política fez mal à sua filmografia. Filmando menos e buscando um novo foco, seus longas dos anos 1990 não tiveram a mesma repercussão. Mas não deixavam de ser provocantes, como atesta “Senhorita Ninguém” (1996), sobre uma jovem católica devota, que acaba corrompida quando sua família se muda para a cidade grande, numa situação que evocava a decadência de valores do próprio país após o fim do comunismo. Por outro lado, seus filmes retratando o Holocausto – “As Duzentas Crianças do Dr. Korczak” (1990), sobre um professor que tenta proteger órfãos judeus no gueto de Varsóvia e morre nos campos de concentração, e “Semana Santa” (1995), evocando como a Polônia lidou com a revolta do gueto de Varsóvia em 1943 – receberam pouca atenção. O que o fez se retrair para o mercado doméstico, onde “Pan Tadeusz” (1999), baseado num poema épico polonês do século 19 sobre amor e intriga na nobreza, virou um sucesso. Durante duas décadas, Wajda sumiu dos festivais, onde sempre foi presença constante, conquistando prêmios, críticos e fãs. Mas estava apenas recarregando baterias, para retornar com tudo. Seu filme de 2007, “Katyn” se tornou uma verdadeira catarse nacional, quebrando o silêncio sobre uma tragédia que afetou milhares de famílias na Polônia: o massacre de 1940 na floresta de Katyn, em que cerca de 22 mil oficiais poloneses foram executados pela polícia secreta soviética. Quarta indicação ao Oscar de sua carreira, “Katyn” foi seu filme mais pessoal. Seu pai, um capitão da infantaria, estava entre as vítimas. Durante a divulgação do filme, o cineasta fez vários desabafos, ao constatar que jamais poderia ter feito “Katyn” sem que o comunismo tivesse acabado, uma vez que Moscou se recusava a admitir responsabilidade e o assunto era proibido sob o regime soviético. “Nunca achei que eu viveria para ver a Polônia como um país livre”, Wajda disse em 2007. “Achei que morreria naquele sistema.” Após acertar as contas com a história de seu pai, focou em outro momento importante de sua vida, ao retomar a trama de “Homem de Ferro” numa cinebiografia. Em “Walesa” (2013), mostrou como um operário simples se tornou o líder capaz de derrotar o comunismo na Polônia. Na ocasião, resumiu sua trajetória, dizendo: “Meus filmes poloneses sempre foram a imagem de um destino do qual eu mesmo havia participado”. Ao exibir “Walesa” no Festival de Veneza, Wajda já demonstrava a saúde fragilizada. Mas cinema era sua vida e ele encontrou forças para finalizar uma última obra, que ainda pode lhe render sua quinta indicação ao Oscar, já que foi selecionada para representar a Polônia na premiação da Academia. Seu último filme, “Afterimage” (2016), é a biografia de um artista de vanguarda, Wladyslaw Strzeminski, perseguido pelo regime de Stalin por se recusar a seguir a doutrina comunista. Um tema – a destruição de um indivíduo por um sistema totalitário – que sintetiza o cinema de Wajda, inclusive nos paralelos que permitem refletir o mundo atual, em que a liberdade artística sofre com o crescimento do conservadorismo. Com tantos filmes importantes, Andrzej Wajda ganhou vários prêmios por sua contribuição ao cinema mundial. Seu Oscar honorário, por exemplo, é de 2000, antes de “Katyn”, e o Festival de Veneza foi tão precipitado que precisou lhe homenagear duas vezes, em 1998 com um Leão de Ouro pela carreira e em 2013 com um “prêmio pessoal”. Há poucos dias, em setembro, ele ainda recebeu um prêmio especial do Festival de Cinema da Polônia. O diretor também é um dos homenageados da 40ª edição da Mostra de Cinema de São Paulo, que começa no dia 20 de outubro. A programação inclui uma retrospectiva com 17 longas do grande mestre polonês.
A Grande Muralha: Matt Damon enfrenta monstros em novo trailer épico legendado
A Universal Pictures divulgou quatro pôsteres chineses de personagens e um novo trailer legendado de “A Grande Muralha”, superprodução épica estrelada por Matt Damon (“Jason Bourne”). Como a produção original é do estúdio Legendary, trata-se inevitavelmente de um filme de monstros, conforme tem sido a maioria de seus lançamentos (de “Godzilla” ao vindouro “Kong: Ilha da Caveira”). E como a Legendary foi adquirida por uma empresa chinesa, a ação se passa na China, tem coadjuvantes chineses e é dirigida por um mestre do cinema chinês, Zhang Yimou (“Flores do Oriente”). A prévia mostra Matt Damon e Pedro Pascal (série “Narcos”) em trajes medievais, descobrindo, ao serem detidos pelo exército chinês, a razão pela qual a Grande Muralha foi erguida na China: para proteger seus habitantes de monstros vorazes, é claro. Apesar da ênfase em efeitos visuais, o vídeo também explora a capacidade de Yimou para evocar a China feudal com uma fotografia deslumbrante, ao estilo de seus épicos de artes marciais “Herói” (2002) e “O Clã das Adagas Voadoras” (2004). Mas numa escala muito mais grandiosa, graças ao maior orçamento de sua carreira – estimado em US$ 150 milhões. O elenco também inclui Willem Dafoe (“Ninfomaníaca”), Andy Lau (“O Clã das Adagas Voadoras”), Tian Jing (“O Mestre dos Jogos”), Hanyu Zhang (“O Tomar da Montanha do Tigre”) e o cantor Han Lu (da boy band EXO). A estreia está marcada para 16 de fevereiro no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA e dois meses após a première na China.
O Contador: Ben Affleck vive perigosamente em 40 fotos e comercial legendado
A Warner Bros. divulgou 40 fotos e um comercial legendado do suspense “O Contador”, estrelado por Ben Affleck (“Batman vs. Superman: A Origem da Justiça”). A prévia destaca a clientela ameaçadora do personagem-título, enquanto as fotos registram o bom elenco da produção. A história de Bill Dubuque (“O Juiz”), que chegou a figurar na Black List, a lista dos melhores roteiros não filmados de Hollywood, gira em torno de um contador aparentemente pacato, que tem como cliente algumas das mais perigosas organizações criminosas do mundo. Ciente que está sendo vigiado pela polícia federal (chefiada por J.K. Simmons, de “Whiplash”), ele decide desviar a atenção, aceitando um cliente legítimo: uma empresa de robótica de última geração. O problema é que uma assistente de contabilidade da companhia (Anna Kendrick) descobre uma discrepância envolvendo milhões de dólares. Isto leva o contador a mergulhar nos registros, mas, conforme se aproxima da verdade, a contagem de corpos começa a subir. A direção é de Gavin O’Connor (“Guerreiro”) e o elenco ainda inclui Jon Bernthal (série “Demolidor”), Jeffrey Tambor (série “Transparent”), John Lithgow (“O Amor É Estranho”), Cynthia Addai-Robinson (série “Arrow”) e Alison Wright (série “The Americans”). A estreia está marcada para 20 de outubro no Brasil, uma semana após o lançamento nos EUA.












