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Saiba quais ex-BBBs apoiam Lula e Flávio no 2º turno
Ana Paula Renault, Thelma Assis, Jonas Sulzbach e Munik Nunes estão entre ex-participantes que se posicionaram nas redes sobre a disputa presidencial
Ex-BBBs entram na disputa presidencial
O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 provocou uma onda de declarações políticas entre ex-participantes do BBB. Desde a votação de domingo (4/10), antigos integrantes do reality da Globo passaram a revelar suas preferências entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que disputam a Presidência em 25 de outubro. A mobilização colocou em campos opostos até antigos aliados de confinamento, como Ana Paula Renault e Munik Nunes, que participaram juntas do BBB 16.
Quem declarou voto em Lula?
Campeã do BBB 26, Ana Paula Renault anunciou seu voto em Lula na quinta-feira (8/10), após cobranças de seguidores. A jornalista publicou um vídeo dirigido especialmente aos eleitores que rejeitam ambos os candidatos. Ao defender o petista, afirmou: “Se você quer votar em outros candidatos em 2030, a melhor saída agora é votar no Lula. E nem é uma escolha muito difícil”.
Alane Dias, do BBB 24, também declarou seu apoio e relatou ataques de bolsonaristas após a publicação. “Como mulher amazônida, que vive do próprio trabalho, e que acredito na educação, na cultura, nas políticas públicas, na voz das mulheres e na soberania desse país. Pra quem ainda está na dúvida: tudo é política. No segundo turno meu voto é 13”, escreveu. Ela também convocou as mulheres a comparecerem às urnas: “Não deixem de votar, não deixem de exercer o nosso poder de democracia. Todos os votos são importantes. Mulheres, VOTEM!”
Thelma relembra mortes na pandemia para alertar eleitores
A médica Thelma Assis, campeã do BBB 20, publicou um dos depoimentos mais extensos sobre a eleição, ao recordar o que classificou como o “momento mais difícil” de sua vida profissional: a crise de oxigênio em Manaus, em 2021. Voluntária no atendimento a pacientes com Covid-19, ela descreveu o colapso do sistema de saúde, com pessoas desesperadas tentando deixar a cidade e ambulâncias acumuladas diante dos hospitais, sem conseguir vagas para os doentes.
Thelma trabalhou numa UTI improvisada, onde, segundo seu relato, “ninguém tava saindo dali vivo”. Além da falta de oxigênio e medicamentos, havia um calhamaço de fichas de pacientes que aguardavam atendimento no pronto-socorro. Diante da quantidade de pessoas à espera, era preciso decidir quais pacientes tentar salvar.
Depois de recordar histórias de pessoas que atendeu, a médica relacionou sua experiência ao número de vítimas da pandemia. “Essas são as histórias que eu vi”, afirmou, antes de pedir que os seguidores imaginassem a dimensão da tragédia, diante de mais de 700 mil mortes registradas no Brasil, “que a gente sabe que o número foi bem maior”.
Thelma responsabilizou a condução da pandemia pelo governo de Jair Bolsonaro, atribuindo a quantidade de mortes ao “negacionismo, por conta de uma gestão incompetente, negligente, que ficava disseminando fake news”.
Campeã do BBB 20 também alerta para crise ambiental
A ex-BBB ainda relacionou a postura do mesmo grupo político à negação das mudanças climáticas. Ela recordou que trabalhou nos abrigos das vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, onde presenciou casos de piolho, tuberculose, leptospirose, crises de asma e violência contra mulheres. “E tem muito político que tá negando” a crise ambiental, frisou.
O depoimento terminou com um apelo à participação no 2º turno, especialmente para quem não compareceu às urnas na primeira votação. “Se não for para pensar de forma coletiva, tenta então pensar de forma individual”, afirmou, lembrando que as decisões políticas afetam diferentes aspectos da vida cotidiana, desde o acesso a medicamentos da Farmácia Popular até a segurança das mulheres.
Thelma pediu aos seguidores que considerassem suas próprias histórias ao escolher um candidato. Ela citou sua origem periférica, a educação pública, as políticas afirmativas, sua identidade como mulher negra, a atuação na medicina e a valorização do SUS e da Anvisa. Também lembrou sua ligação com o samba, que definiu como uma expressão de resistência, e encerrou a manifestação com um pedido para que cada eleitor votasse em defesa da própria existência.
Ex-BBB relata mudança de posição política
Uma das manifestações mais pessoais veio de Marcela McGowan, do BBB 20. A tambem médica publicou um vídeo sobre sua transformação política desde a época em que apoiava o impeachment de Dilma Rousseff. “Eu não tinha senso crítico nenhum”, reconheceu ao recordar seu posicionamento anterior.
Marcela atribuiu a mudança à experiência profissional no SUS, que ampliou seu contato com as desigualdades sociais, e à ascensão do bolsonarismo. “Quando o bolsonarismo veio, para mim ficou impraticável sustentar qualquer pensamento de direita”, afirmou.
A relação de apoiadores de Lula também inclui Gleici Damasceno (BBB 18), Juliette Freire (BBB 21) e Amanda Meirelles (BBB 23). Gleici declarou voto na atual eleição e relacionou sua escolha à experiência com políticas sociais, enquanto Amanda criticou o negacionismo e o desastre causado pela falta de vacinação nas crianças. Juliette já havia anunciado voto em Lula em 2022, enquanto o levantamento mais recente registra seu posicionamento político, mas sem apresentar uma nova declaração nominal para o 2º turno.
Jessi pede voto sem exigir adesão ao PT
Jessilane Alves, a Jessi do BBB 22, também publicou um vídeo dirigido especialmente aos eleitores que não participaram do 1º turno ou escolheram candidatos derrotados. A professora explicou que pretende dialogar com pessoas que procuram alternativas políticas: “Porque eu acredito que essas pessoas não votaram no Lula, mas também não votaram no Flávio”.
A ex-BBB defendeu que a escolha no 2º turno não precisa representar uma adesão partidária. “Só que agora o que tá em risco é muito maior. Vc não precisa ser petista, não precisa gostar do Lula”, afirmou, antes de lembrar que o voto não impede críticas posteriores ao candidato eleito.
Jessi encerrou o apelo com uma reflexão sobre as consequências da eleição: “O país que sair das urnas em 25/10 ele também vai ser seu”, declarou, ao pedir que os seguidores considerassem a responsabilidade de sua escolha.
Mais nomes à esquerda
Entre os participantes do BBB 26, Chaiany Andrade anunciou: “Então, no 2º turno, É 13!”. A ex-sister explicou que mudou suas convicções ao conhecer outras realidades sociais. Juliano Floss adotou uma manifestação mais curta e publicou no X: “Se Flávio vence, você perde”, ao lado de uma fotografia na qual aparece fazendo o gesto do L com a mão.
Kerline Cardoso, do BBB 21, escreveu “E vamos de 13 em 2026”, enquanto Eva Pacheco, do BBB 25, anunciou que viajaria para votar: “Comprei a passagem para Fortaleza. Dia 25 meu voto é 13”.
Outros ex-participantes com manifestações favoráveis a Lula incluem Samira Sagr (BBB 26), Manu Gavassi (BBB 20), Bianca Andrade (BBB 20), Lucas Penteado (BBB 21) e Jean Wyllys (BBB 5), ex-deputado federal que integra o PT. Babu Santana (BBB 20 e 26) foi além e participou de uma mobilização audiovisual em apoio à candidatura, situação oposta a de Fernanda Bande (BBB 24), que deu “apoio” silencioso com repostagens após uma enxurrada de críticas e perda de seguidores por falta de definição.
Quem apoia Flávio Bolsonaro?
Munik Nunes, campeã do BBB 16, declarou apoio ao candidato do PL e comemorou os resultados de políticos de direita no 1º turno. Ao receber críticas, rebateu seguidores que questionaram suas posições sobre os direitos das mulheres. O posicionamento a colocou no lado oposto ao de Ana Paula Renault, com quem dividiu o confinamento em 2016.
Jonas Sulzbach (BBB 12 e 26) também revelou sua preferência por Flávio. O modelo aproveitou uma campanha do Globoplay na qual aparecia diante de uma casa com o número 22, utilizado pelo PL nas urnas, e escreveu: “Voto é secreto, hein”. Sua mãe, Marlene Verruck, tornou pública uma posição contrária ao bolsonarismo e compartilhou críticas ao candidato apoiado pelo filho.
Matteus Amaral (BBB 24), que disputou uma vaga de deputado federal pelo PP no Rio Grande do Sul, declarou apoio a Flávio ao lado do governador eleito Luciano Zucco (PL). Outro ex-BBB que participou diretamente das eleições foi Adrilles Jorge (BBB 15), vereador paulistano que concorreu a deputado federal pelo União Brasil e integrou o grupo bolsonarista do partido. Nenhum dos dois bolsonaristas foi eleito.
Marcos Harter é denunciado
Já Marcos Harter acabou envolvido numa nova polêmica judicial devido a sua preferência política. O Ministério Público Eleitoral (MPE) registrou uma denúncia na Justiça Eleitoral contra o médico e sua empresa no Mato Grosso, após ele excluir “petistas” de uma vaga de emprego. O anúncio de emprego, publicado em suas redes sociais na semana passada, continha expressamente o aviso eliminatório: “NÃO PODE SER PETISTA” em caixa alta e cor branca sobre tarja vermelha ao final da imagem.
“A ordenação jurídica constitucional e eleitoral veda categoricamente a utilização do poder patronal ou econômico para coagir ou discriminar trabalhadores e candidatos a emprego em razão de sua orientação político-partidária”, diz a ação do MPE.
Harter foi expulso do BBB 17 após a direção do programa concluir que ele havia agredido psicológica e fisicamente Emilly Araújo.
Outros participantes ligados à direita
O sertanejo Rodolffo Matthaus (BBB 21), que já havia apoiado Jair Bolsonaro em 2022, também manifestou voto no candidato do PL. Jake Leal (BBB 12) publicou um vídeo irônico contra os eleitores de Lula, no qual satiriza acusações dirigidas a Flávio Bolsonaro.
A campeã mais polêmica da história do reality, Paula von Sperling (BBB 19), também aparece entre os nomes alinhados à direita num levantamento do Central Reality. Jaquelline Grohalski, participante do BBB 18 e vencedora de “A Fazenda 15”, já foi garota propaganda de Bolsonaro, mas não se manifestou na atual eleição. Jordana Morais, por sua vez, comemorou as derrotas do PT no 1º turno, no qual não votou, e confirmou ser contra o partido. Embora a conclusão sobre seu favorito seja óbvia, ela negou ser bolsonarista.
Ex-BBBs que surpreenderam
A relação tem algumas surpresas em relação a quem o público considerava bolsonarista. Matheus Moreira, do BBB 26, contrariou a imagem política que havia construído durante os conflitos com Ana Paula Renault no confinamento. O ex-participante afirmou que não votará em Flávio Bolsonaro. “Eu não me vejo sentado em uma mesa com a Família Bolsonaro. Não consigo ver dar boa essa conversa. Ia dar B.O., ia dar merda”, declarou. Ele também criticou Lula e afirmou não esperar avanços significativos de nenhum dos candidatos.
Milena Lages, a Tia Milena, vice-campeã da mesma edição, também surpreendeu ao defender as políticas públicas do governo Lula, embora tenha curtido publicações bolsonaristas no passado. Ela pediu que os seguidores votassem conscientemente.
E os vencedores de A Fazenda?
Se a maioria do BBB vota em Lula, os últimos campeões de “A Fazenda” são majoritariamente bolsonaristas: Rafael Ilha, Jojo Todynho, Rico Melquiades, Jaquelline Grohalski e Dudu Camargo. As duas exceções identificadas à esquerda foram Bárbara Borges e Sacha Bali.
Rico Melquiades, vencedor de “A Fazenda 13”, foi além da identificação ideológica e declarou voto em Flávio Bolsonaro. Em um vídeo divulgado no sábado (10/10), escreveu na legenda: “Eu trago fatos e não narrativas, dia 25 é 22”.