
X/Montagem
Menina com Constituição desarma garoto bolsonarista em viral das eleições
Comparação entre crianças de manifestações políticas se espalha e ganha versão de IA, em que menino abandona arma e recebe abraço
Imagens ganham vida com inteligência artificial
A comparação entre uma menina erguendo a Constituição brasileira numa manifestação de Luiz Inácio Lula da Silva e um menino empunhando uma arma numa comemoração de apoiadores de Flávio Bolsonaro viralizou no fim de semana e ganhou uma versão emocionante neste domingo (11/10). Um vídeo criado por inteligência artificial mostra o garoto abandonando a arma. Ele começa a chorar e recebe um abraço da menina.
De onde vieram as imagens?
A fotografia da menina foi registrada no sábado (10/10), durante um ato de campanha de Lula no bairro do Alecrim, em Natal, no Rio Grande do Norte. Vestida de branco e posicionada acima da multidão, ela aparece com um exemplar da Constituição erguido sobre a cabeça, cercada por manifestantes.
O registro do menino é anterior. Em 4 de outubro, após o resultado do 1º turno das eleições presidenciais, uma criança de 9 anos apareceu sobre o teto de um carro, com uma camiseta amarela da seleção brasileira e uma arma em punho, durante uma comemoração bolsonarista em Parnamirim, na Grande Natal. O vídeo teve grande repercussão e provocou uma investigação policial sobre a exposição do garoto.
As imagens começaram a ser compartilhadas lado a lado ainda no sábado, poucas horas após o registro da menina. O contraste entre a Constituição e a arma virou uma representação visual das diferenças entre as campanhas presidenciais. O UOL publicou uma reportagem sobre a comparação naquela tarde, quando apoiadores de Lula já exploravam a oposição entre as duas cenas.
A circulação cresceu neste domingo, com montagens, memes e novas interpretações. Em algumas publicações, os registros originais foram transformados em composições mais elaboradas, com ajuda de ferramentas de inteligência artificial. O contraste deixou de depender apenas das fotografias para ganhar uma narrativa própria.
Uma das criações levou a história para o encontro imaginário. A sequência substitui o confronto simbólico por uma cena de reconciliação, na qual a criança associada ao armamento abandona a violência e encontra acolhimento na personagem que representa a Constituição.
Janja leva comparação à Avenida Paulista
A repercussão chegou ao ato de campanha de Lula na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo. Durante seu discurso, a primeira-dama Janja ergueu a Constituição e fez referência direta às duas crianças.
“Eu sei que a imagem que mais chocou ao final do 1º turno foi ver novamente uma criança levantando uma arma. Isso chocou muito as mães do Brasil. Eu tenho certeza de que é essa Constituição que as mães querem ver as crianças levantando”, declarou.
A primeira-dama também afirmou que “não vai ter ninguém que vai passar por cima dela”, numa referência à Constituição. O documento ganhou destaque na disputa eleitoral depois que Flávio Bolsonaro declarou que pretende modificar a Carta Magna para “redemocratizar o país”, caso vença a eleição.
O que aconteceu com o menino?
A repercussão do vídeo original teve consequências para a família do garoto. Sua mãe, que é separada do pai da criança, descobriu pelas redes sociais que o filho havia participado da manifestação. Segundo a conselheira tutelar Amanda Melo, em entrevista ao jornalista Carlos Madeiro, do UOL, ela procurou a Justiça para regulamentar a guarda e impediu temporariamente que o pai levasse o menino para passear.
O pai afirmou que a arma era de brinquedo, informação ainda não confirmada pela investigação. O caso foi encaminhado à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente e ao Ministério Público do Rio Grande do Norte.
A exposição também afetou a criança. Conforme relato da mãe ao Conselho Tutelar, o menino ficou envergonhado com a repercussão e chorou bastante após voltar para casa. A família recebeu orientação para acompanhamento psicológico. Amanda Melo, que se identifica como apoiadora de Flávio Bolsonaro, condenou a atitude do pai: “Eu sou de direita, mas não concordo com isso. Ali foi excesso, um erro do pai.”
Essas duas imagens que viralizaram nas redes sociais nos últimos dias aconteceram no mesmo estado: Rio Grande do Norte.
O do menino na manifestação bolsonarista com uma arma de fogo aconteceu em Parnamirim. E a da menina com uma cópia da Constituição Federal aconteceu em Natal.
Não é uma escolha difícil.
— Jurunense (@o_jurunense) October 11, 2026
Essa vai para o TikTok, Kwai, Facebook, status do WhatsApp e tudo quanto é lugar. VAMOS LÁ!
#LULANAPAULISTA https://t.co/cTaB5qbLbn
— Janaine (@janaine) October 11, 2026