
Divulgação/Marvel
Guia da Pipoca: Estreias de streaming destacam Marvel, terror e ação
Nova série da Marvel e o prólogo de "Sexta-Feira 13" estão entre as 10 melhores novidades da semana
O Guia da Pipoca apresenta os 10 principais títulos que chegam ao streaming nos próximos dias. A lista da semana inclui lançamentos de todas as plataformas grandes: Netflix, Prime Video, HBO Max, Disney+, Globoplay, Paramount+, Universal+ e MGM+. Os destaques são séries, incluindo uma nova produção da Marvel, “VisionQuest”, um prólogo de “Sexta-Feira 13”, “Crystal Lake”, a estreia de ação “Kill Jackie” e a volta de “A Diplomata”.
HOJE
📺 A ILHA DO TESOURO | MGM+
O clássico de aventuras de Robert Louis Stevenson, publicado em 1883 e adaptado inúmeras vezes para o cinema e a televisão, ganha uma nova versão em seis episódios que amplia a dimensão política da história de piratas. Ambientada em 1788, a produção britânica reúne David Oyelowo (“Selma”) como o célebre Long John Silver, Hayley Atwell (“Capitão América: O Primeiro Vingador”) como a mãe do protagonista e Tom Sweet (“O Que Ficou Para Trás”) como Jim Hawkins. A adaptação é assinada por Robert Murphy (“Vera”).
O jovem Jim e sua mãe Bess encontram um mapa que revela a localização do tesouro escondido pelo lendário Capitão Flint. A descoberta coloca os dois no caminho de criminosos e aventureiros que disputam a fortuna. Entre eles estão Silver, um pirata de intenções ambíguas, e Aaron Graham, um revolucionário interpretado por Jack Huston (“Boardwalk Empire”), que pretende utilizar o ouro para combater o poder colonial. A viagem pelo Atlântico se transforma numa sucessão de alianças instáveis, traições e disputas de autoridade, enquanto Jim descobre que seus companheiros de jornada são tão perigosos quanto os inimigos declarados.
A principal atualização está na maneira como a aventura incorpora questões de raça, escravidão e colonialismo, além de ampliar a participação de personagens secundários do romance. Oyelowo assume um papel tradicionalmente associado a atores brancos e acrescenta uma dimensão histórica à representação dos piratas negros. Ao transformar a busca por riquezas numa disputa também ideológica, a minissérie procura dar maior complexidade aos arquétipos do livro sem abandonar seus elementos centrais: a sedução da aventura, a ambição e a perda da inocência.
🎞️ UM DIA DAQUELES | Prime Video
As comédias americanas de bairro, que transformaram “Sexta-Feira em Apuros” num clássico dos anos 1990, ganham uma versão feminina protagonizada por Keke Palmer (“Não! Não Olhe!”) e pela cantora SZA, em sua estreia no cinema. Produzido por Issa Rae (“Insecure”) e dirigido por Lawrence Lamont, o filme recupera a tradição de acompanhar personagens comuns durante um único dia de desventuras, com humor físico, diálogos rápidos e uma sucessão de situações absurdas.
Dreux (Palmer) e Alyssa (SZA) são melhores amigas e dividem um apartamento em Los Angeles. Quando descobrem que o namorado de Alyssa gastou todo o dinheiro reservado para o aluguel, as duas precisam conseguir a quantia antes de serem despejadas. A jornada envolve tentativas desesperadas de ganhar dinheiro, encontros com figuras excêntricas e desentendimentos que colocam à prova uma amizade já abalada pelas diferenças entre as protagonistas. Janelle James (“Abbott Elementary”), Katt Williams (“Sexta-Feira em Apuros 2”) e Maude Apatow (“Euphoria”) completam o elenco.
O roteiro de Syreeta Singleton combina a estrutura de uma corrida contra o relógio com observações sobre precariedade financeira, amizade e a vida nas comunidades negras de Los Angeles. A principal força está na química entre Palmer, mais expansiva, e SZA, que contrapõe a ela uma personalidade despreocupada. A comédia alcançou 94% de aprovação no Rotten Tomatoes, resultado expressivo para um gênero que perdeu espaço nos grandes lançamentos de Hollywood. Seu humor não depende de reinventar a fórmula, mas de recuperar a energia das comédias populares centradas em personagens e situações cotidianas.
QUARTA
📺 VISIONQUEST | Disney Plus
A Marvel encerra a trilogia televisiva iniciada por “WandaVision” e continuada em “Agatha Desde Sempre” com uma história centrada em Visão, o androide interpretado por Paul Bettany desde o segundo filme dos Vingadores. A nova série acompanha sua tentativa de reconstruir uma identidade depois de ter sido morto em “Vingadores: Guerra Infinita” e posteriormente recriado como uma figura inteiramente branca, sem as experiências emocionais que o haviam transformado em alguém capaz de amar. Terry Matalas (“Star Trek: Picard”) comanda a produção, que coloca questões de consciência artificial e paternidade no centro da narrativa.
Após o confronto com sua versão anterior em “WandaVision”, o novo Visão recuperou as memórias do passado, mas continua sem compreender plenamente quem é. Sua jornada envolve o reencontro com Tommy Maximoff (Ruaridh Mollica), um dos filhos que Wanda criou magicamente, e o retorno de Ultron, inteligência artificial responsável por sua origem, novamente interpretado por James Spader (“The Blacklist”). O elenco inclui ainda Emily Hampshire (“Schitt’s Creek”), Diane Morgan (“After Life”) e James D’Arcy (“Agent Carter”), que volta ao universo Marvel como a inteligência artificial J.A.R.V.I.S.
O projeto retoma uma das questões mais interessantes apresentadas pelo estúdio: se uma máquina possui lembranças humanas, sentimentos e relações familiares, até que ponto continua sendo apenas uma máquina? A presença de Ultron estabelece um confronto entre duas concepções de inteligência artificial, enquanto a busca por Tommy incorpora uma dimensão afetiva à discussão. Depois de anos de séries voltadas principalmente à preparação de novos filmes, a Marvel encontra no personagem a oportunidade de desenvolver um conflito psicológico que não depende apenas de ameaças cósmicas ou batalhas entre superpoderosos.
QUINTA
📺 A DIPLOMATA (4ª TEMPORADA) | Netflix
Uma das séries políticas mais bem-sucedidas da Netflix retorna com uma crise capaz de colocar os Estados Unidos em guerra. Criada por Debora Cahn, roteirista de “The West Wing” e “Homeland”, a produção acompanha Kate Wyler (Keri Russell, de “The Americans”), uma diplomata americana que precisa administrar conflitos internacionais enquanto seu casamento com Hal Wyler (Rufus Sewell, de “O Homem do Castelo Alto”) sofre com as consequências das ambições políticas do marido. Na temporada anterior, a ascensão de Grace Penn (Allison Janney) à Presidência e a chegada de Hal à vice-presidência transformaram os relacionamentos pessoais num elemento decisivo da política americana.
A nova crise começa quando um acontecimento catastrófico destrói o frágil acordo de paz negociado por Kate entre os Estados Unidos e o Reino Unido. Ao investigar o desastre, ela descobre que Grace e Hal conspiram para roubar uma poderosa arma russa, operação capaz de arrastar os americanos para um conflito militar. Enquanto os dois governantes formam uma aliança perigosa, Kate precisa trabalhar com Todd Penn (Bradley Whitford, de “The West Wing”), marido da presidente, para impedir uma escalada internacional. A ameaça aproxima personagens que mal conseguem manter seus próprios casamentos.
O diferencial da série continua sendo a maneira como transforma relações conjugais em extensões das disputas pelo poder. Manipulações, traições e alianças temporárias reproduzem, na intimidade, os mesmos mecanismos utilizados nas negociações entre governos. Russell sustenta esse equilíbrio com uma personagem que domina as estratégias diplomáticas, mas frequentemente perde o controle sobre a própria vida. A nova temporada amplia o alcance das intrigas sem abandonar a combinação de suspense geopolítico e conflitos pessoais que distingue a produção de outros dramas ambientados nos bastidores de Washington.
📺 THE PAPER 2 | HBO Max
O universo de “The Office” encontrou um novo ambiente de trabalho igualmente disfuncional: uma redação de jornal ameaçado de desaparecer. Criada por Greg Daniels, responsável pela versão americana da comédia original, e Michael Koman, a série utiliza o mesmo formato de falso documentário para acompanhar os funcionários do Toledo Truth-Teller, um periódico decadente que tenta recuperar sua relevância. Domhnall Gleeson (“Ex Machina”) interpreta Ned Sampson, editor idealista que acredita no valor do jornalismo impresso, enquanto Sabrina Impacciatore (“The White Lotus”) vive Esmeralda Grand, uma funcionária interessada sobretudo em sua própria importância.
Depois de conquistar prêmios jornalísticos no encerramento da 1ª temporada, a equipe enfrenta o desafio de transformar o reconhecimento em resultados concretos. Ned decide investigar um clube privado influente da cidade, iniciativa que ameaça a sobrevivência do jornal e aprofunda seus conflitos com a direção. Paralelamente, tenta entender seu relacionamento com a repórter Mare (Chelsea Frei), enquanto Esmeralda busca recuperar espaço dentro da redação. Oscar Nuñez retoma o personagem Oscar Martinez, de “The Office”, numa ligação direta entre as duas produções.
A nova temporada amplia o espaço dedicado às reportagens e às relações entre os funcionários, numa tentativa de construir uma identidade própria para além da nostalgia da série original. A recepção crítica foi dividida, com elogios ao elenco e à evolução das situações cômicas, mas também questionamentos sobre a quantidade de romances e conflitos artificiais. Seu melhor argumento é o próprio cenário: a precariedade do jornalismo local, a disputa por audiência e o contraste entre idealismo profissional e sobrevivência econômica oferecem material para uma comédia sobre um setor em crise, sem necessidade de repetir indefinidamente as piadas de escritório.
📺 KILL JACKIE: ACERTO DE CONTAS | Globoplay
Catherine Zeta-Jones (“Wandinha”) assume o protagonismo de um thriller britânico de ação e humor negro que transforma uma traficante aposentada em alvo de assassinos profissionais. Adaptada do romance “The Price You Pay”, publicado por Nick Harkaway sob o pseudônimo Aidan Truhen, a minissérie de oito episódios foi desenvolvida por Tom Butterworth (“Gangs of London”) e conta com participação de profissionais ligados à franquia “John Wick”.
A produção marca o retorno da atriz a um papel principal que explora sua combinação de elegância, ironia e violência. Jackie Price abandonou o tráfico internacional de cocaína duas décadas antes e construiu uma vida cercada de luxo, viagens e negócios no mercado de arte. Sua tranquilidade termina quando descobre que os Sete Demônios, um grupo de assassinos de aluguel, receberam a missão de eliminá-la. Em vez de fugir, a ex-criminosa decide retomar seus antigos hábitos e matar os perseguidores antes que cumpram o contrato. A caçada atravessa diferentes países e revela conexões com um passado que Jackie tentou apagar. Ron Perlman (“Hellboy”) e Daniel Ings (“Magnatas do Crime”) integram o elenco.
A proposta inverte o modelo tradicional dos filmes de vingança, com uma protagonista que não precisa descobrir como sobreviver ao mundo do crime, mas recuperar a brutalidade que tentou abandonar. O humor nasce do contraste entre a sofisticação de sua vida atual e a violência necessária para preservá-la. Ao colocar uma mulher madura no centro desse tipo de espetáculo, a produção também se afasta do padrão masculino predominante nos thrillers de assassinos profissionais, embora permaneça próxima da fórmula de perseguições, confrontos e revelações familiares consolidada pelo cinema de ação contemporâneo.
SEXTA
🎞️ OS DOMINGOS | HBO Max
Vencedor da Concha de Ouro no Festival de San Sebastián e de cinco prêmios Goya, incluindo Melhor Filme, Direção e Roteiro, o drama espanhol de Alauda Ruiz de Azúa (“Cinco Lobitos”) transforma uma decisão religiosa numa investigação das relações familiares. A história acompanha Ainara (Blanca Soroa), uma adolescente de 17 anos que surpreende seus parentes ao anunciar que pretende abandonar os planos universitários para se tornar freira de clausura. Sua escolha desencadeia uma crise que expõe diferenças de valores, expectativas e formas de compreender a liberdade individual.
A jovem perdeu a mãe e cresceu entre o pai, Iñaki (Miguel Garcés), e outros familiares que participam de sua formação. A reação mais intensa parte da tia Maite (Patricia López Arnaiz), uma mulher ateia que interpreta a vocação religiosa da sobrinha como possível resultado de influência e submissão. O pai enfrenta dificuldades para lidar com o assunto, enquanto os demais parentes procuram entender uma decisão que pode afastar definitivamente a adolescente do convívio familiar. Nagore Aranburu interpreta uma religiosa ligada ao convento que passa a ocupar um papel importante na vida de Ainara.
A diretora evita transformar o conflito num confronto simplista entre religião e ateísmo. O filme questiona tanto as instituições que orientam as escolhas individuais quanto a tendência das famílias de aceitar a liberdade dos filhos apenas quando suas decisões correspondem às expectativas dos adultos. A narrativa encontra força nas conversas domésticas, nos silêncios e nas contradições dos personagens, sem impor uma resposta definitiva sobre a vocação da protagonista. O resultado é um drama sobre fé, autonomia e afeto que amplia a discussão religiosa para examinar os limites da tolerância dentro da própria família.
📺 TULSA KING 4 | Paramount Plus
Sylvester Stallone continua sua carreira televisiva como Dwight Manfredi, mafioso veterano que passou 25 anos na prisão e, ao recuperar a liberdade, foi enviado pelos antigos chefes de Nova York para construir um negócio criminoso em Tulsa, Oklahoma. Criada por Taylor Sheridan (“Yellowstone”), a série consolidou uma combinação de drama de máfia, ação e humor centrada na personalidade do protagonista. Depois de sobreviver a disputas com organizações rivais e autoridades federais, Dwight enfrenta agora o desafio de transformar seu império ilegal numa estrutura empresarial aparentemente legítima.
A 4ª temporada coloca o mafioso diante de políticos corruptos, novos adversários e uma perda pessoal que ameaça desestabilizar sua organização. A tentativa de proteger os aliados e preservar os negócios esbarra em interesses que ultrapassam o submundo do crime. Martin Starr (“Silicon Valley”), Dana Delany (“Desperate Housewives”) e McKenna Quigley Harrington retornam ao elenco, que recebe Gretchen Mol (“Boardwalk Empire”) como Amanda Clark, uma figura política envolvida nos novos conflitos.
A produção continua sustentada pelo carisma de Stallone e pelo contraste entre os métodos antiquados de Dwight e um ambiente criminoso cada vez mais condicionado por interesses políticos e empresariais. O personagem opera segundo códigos de lealdade e violência que pertencem a outra geração, mas recorre a eles para conquistar espaço no presente. A série explora essa contradição com uma mistura de brutalidade e humor, embora frequentemente dependa da capacidade quase ilimitada de seu protagonista de superar inimigos mais numerosos e estruturas de poder muito superiores à sua.
📺 CRYSTAL LAKE | Universal Plus
Quase meio século depois de “Sexta-Feira 13” estabelecer uma das franquias mais conhecidas do cinema de terror, a história retorna ao passado para investigar a origem de sua primeira assassina. Produzida pela A24 e desenvolvida por Brad Caleb Kane, a série apresenta Linda Cardellini (“Disque Amiga Para Matar”) como Pamela Voorhees, mãe de Jason, personagem que se tornaria o assassino mascarado dos filmes seguintes. Ambientada nos anos 1970, a produção recupera a tragédia que antecedeu os acontecimentos do longa original de 1980, deslocando o protagonismo do filho para a mulher cuja violência deu início à história.
Pamela trabalha num acampamento de verão e enfrenta as consequências psicológicas da morte de Jason, que se afogou quando criança. O trauma transforma sua relação com o local e com as pessoas que considera responsáveis pela tragédia. A chegada de novos personagens à região desencadeia acontecimentos que revelam aspectos desconhecidos de seu passado e aprofundam o processo de deterioração emocional da personagem. William Catlett (“Mil e Um”) integra o elenco, enquanto Callum Vinson (“O Agente Noturno”) interpreta Jason na infância.
A mudança de perspectiva é o principal diferencial da produção: em vez de repetir a fórmula do assassino mascarado que persegue jovens, a história procura examinar a formação de uma personagem que o público conhece sobretudo por seus crimes. A ambientação nos anos 1970 permite incorporar elementos do terror psicológico e da paranoia daquela década, enquanto a exploração do luto acrescenta uma motivação dramática à violência. O desafio da proposta está em equilibrar essa dimensão emocional com as expectativas de brutalidade de uma franquia identificada principalmente por suas mortes espetaculares.
🎞️ TENZING | Apple TV
A conquista do Monte Everest em 1953 ficou associada internacionalmente ao nome do neozelandês Edmund Hillary, mas a expedição histórica foi realizada ao lado do alpinista sherpa Tenzing Norgay, cuja contribuição recebeu menos atenção nos relatos ocidentais. A cinebiografia dirigida pela australiana Jennifer Peedom, documentarista responsável por “Sherpa”, procura corrigir esse desequilíbrio ao colocar Norgay no centro da história. Genden Phuntsok interpreta o montanhista, enquanto Tom Hiddleston (“Loki”) vive Hillary e Willem Dafoe (“Pobres Criaturas”) assume o papel do coronel John Hunt, responsável pela expedição britânica.
O filme acompanha a trajetória de Tenzing desde suas origens no Himalaia até a oportunidade de participar da escalada mais ambiciosa de sua época. Incentivado pela esposa Dawa (Thinley Lhamo) e apoiado por Jill Henderson (Caitríona Balfe, de “Outlander”), ele precisa convencer Hunt de que merece integrar a equipe como alpinista, não apenas trabalhar como auxiliar dos exploradores europeus. A jornada envolve condições extremas, tensões culturais e uma divisão hierárquica que coloca os conhecimentos dos sherpas numa posição subordinada, apesar de sua importância para a sobrevivência da expedição.
A experiência anterior de Peedom com documentários de montanhismo ajuda a produção a combinar a revisão histórica com o espetáculo visual da escalada. O Everest representa objetivos diferentes para seus protagonistas: para os britânicos, uma conquista geográfica e nacional; para Tenzing, a realização de um sonho pessoal ligado também ao significado espiritual da montanha. Ao recuperar a participação decisiva de um homem frequentemente relegado ao papel de acompanhante, a cinebiografia transforma uma aventura de superação física numa reflexão sobre o colonialismo.