
Instagram/Caetano Veloso
Ato de Caetano lota Copacabana após tentativas de proibição
Paulo Vieira criticou ofensiva judicial, e TSE rejeitou na véspera pedido do Novo para impedir apresentações artísticas
Lulacabana
O “Ato Musical pela Democracia” lotou a praia de Copacabana neste domingo (18/10), no Rio de Janeiro. A mobilização, convocada por Caetano Veloso e Paula Lavigne, ocupou cerca de 1 km da orla carioca, depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, na véspera, um pedido do Partido Novo para barrar os shows em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O que Paulo Vieira disse?
O humorista Paulo Vieira abriu o evento com críticas às tentativas judiciais de impedir a manifestação artística. “Tentaram impedir que esse evento acontecesse, mas não conseguiram”, declarou o apresentador, ao defender a liberdade de expressão. Vieira também rejeitou a classificação do encontro como propaganda eleitoral irregular: “Não é comício, não é showmício e não é ato de campanha.”
A declaração ocorreu depois de duas investidas judiciais contra a realização do encontro. A mais recente foi apresentada no sábado (17/10), quando o Partido Novo pediu ao TSE a suspensão de manifestações do movimento “Brasil nas Ruas”, especialmente em Copacabana, Salvador e Porto Alegre. A legenda alegou que apresentações musicais e trios elétricos seriam utilizados para promover a candidatura de Lula, numa configuração de showmício proibida pela legislação eleitoral.
Como o TSE avaliou o evento?
O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, rejeitou o pedido ainda no sábado. Na decisão divulgada oficialmente neste domingo, afirmou que não havia demonstração suficiente de que os encontros integrassem a programação oficial da campanha petista ou tivessem sido convocados por seus responsáveis. O magistrado distinguiu a proibição de shows destinados a animar comícios eleitorais do direito de artistas participarem de manifestações políticas organizadas pela sociedade civil.
A legislação eleitoral proíbe apresentações artísticas utilizadas para atrair público a comícios, mesmo quando gratuitas. Cueva, entretanto, considerou que a coincidência de posicionamento político entre organizadores e uma candidatura não transforma automaticamente uma manifestação independente em ato oficial de campanha. A decisão afastou a suspensão preventiva, sem impedir a apuração posterior de eventuais irregularidades.
A tentativa do Novo ocorreu depois de outra iniciativa judicial contra o evento. Na quinta-feira (15/10), o ministro André Mendonça extinguiu um processo apresentado por Leonardo Lau, candidato a deputado estadual, e pelo Instituto José do Patrocínio. Os autores também alegavam a existência de um showmício, mas o magistrado considerou que eles não tinham legitimidade para questionar propaganda referente à disputa presidencial. O processo terminou sem julgamento sobre a legalidade da manifestação.
Flávio Bolsonaro já havia acionado a Justiça
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também havia recorrido ao TSE contra apresentações artísticas em eventos de apoio a Lula, mas num processo anterior e referente a outra manifestação. A representação questionou o encontro “Cultura com Lula”, realizado em 23 de setembro, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro.
Em 2 de outubro, o ministro Nunes Marques atendeu parcialmente ao pedido e proibiu apresentações musicais ao vivo nos eventos oficiais da campanha petista até o encerramento da eleição. A decisão também determinou a retirada de registros audiovisuais do encontro. A atual manifestação, entretanto, não é evento da campanha nem conta com aparição de Lula.
Quem cantou em Copacabana?
O encontro reuniu diferentes gerações da música brasileira. Caetano Veloso e Djavan dividiram apresentações de “Sina”, “Lilás” e “Linha do Equador”. Ao lado de Marina Sena, Caetano também cantou “Gente” e “Cajuína”. João Bosco, Moacyr Luz, Ivan Lins, Simone e Fernanda Abreu integraram a programação artística.
A convocação incluiu ainda nomes como Chico César, Frejat, Duda Beat, Xamã, Rubel, Jota.Pê, Jorge Vercillo e Kleber Lucas. Entre os artistas presentes para acompanhar a manifestação estavam as atrizes Renata Sorrah, Leandra Leal e Cissa Guimarães. O público levou bandeiras, camisetas e adesivos de Lula, além de cartazes em defesa da democracia. O evento foi organizado pelo movimento 342 Artes e pela Mídia Ninja.
A concentração começou às 15h, no Posto 5, e as apresentações tiveram início às 16h10. A Folha de S.Paulo registrou pelo menos seis quarteirões ocupados no fim da tarde, enquanto a GloboNews informou que a multidão se estendia por sete quarteirões, com mais pessoas chegando ao local. A programação ultrapassou três horas no início da noite, sem horário oficial de encerramento divulgado.
Bloquinho 22 reúne 71,9 mil pessoas na Paulista
Enquanto artistas se apresentavam no Rio, Flávio Bolsonaro participou neste domingo do “Bloquinho 22”, manifestação de sua campanha na Avenida Paulista, em São Paulo. O evento, convocado com apoio do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), reuniu o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e outros aliados do candidato.
O Monitor do Debate Político, ligado à USP e ao Cebrap, e a organização More in Common Brasil calcularam a presença de 71,9 mil pessoas no horário de pico, às 12h20. A estimativa, produzida com imagens aéreas analisadas por inteligência artificial, tem margem de erro de 12%, equivalente a um intervalo entre 63,3 mil e 80,5 mil participantes.
O levantamento contrasta com a ausência de contagens independentes semelhantes nas grandes manifestações recentes de Lula. No domingo anterior (11/10), o presidente participou da “Marcha pela Democracia”, também na Avenida Paulista, mas os pesquisadores não conseguiram autorização para utilizar drones e realizar a medição. Segundo as entidades, foi a 4ª vez neste ano que uma contagem planejada para um evento com a presença do presidente deixou de ocorrer por falta de autorização.
Manifestação de Lula ocupou mais quarteirões
A diferença aparece também na extensão das duas mobilizações. Segundo levantamento do Poder360, o “Bloquinho 22” ocupou seis quarteirões da Avenida Paulista, enquanto a Folha chegou a registrar 12 quarteirões no ato petista, a partir de outro levantamento.
Por que atos pró-Lula não têm estimativas de público?
No ato da Paulista, não foram autorizados o sobrevoo de drones. A segurança presidencial é responsabilidade do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que estabelece restrições a drones em áreas com a presença do presidente.
Entretanto, a justificativa não esclarece a ausência de estimativas nos encontros realizados sem Lula, como o deste domingo, em que a GloboNews registrou sete quarteirões ocupados e a chegada de mais manifestantes no início da noite. Também não foram divulgadas estimativas independentes de público para manifestações anteriores em Copacabana, Recife, Salvador, Brasília e outras cidades, muitas delas mobilizadas por estudantes. Nesses casos, a restrição de segurança presidencial não explica o tratamento diferenciado.
No Rio de Janeiro, um ato na Praia de Copacabana, reúne apoiadores do presidente Lula neste domingo (18). A mobilização foi convocada pelo cantor e compositor Caetano Veloso e tem participação de outros artistas.
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— GloboNews (@GloboNews) October 18, 2026