
Agência Senado/Geraldo Magela
Rico Melquíades sofre ação de R$ 5 milhões após ameaçar demitir funcionária petista
MPT acusa influenciador de suposto assédio eleitoral após vídeo em que usa emprego para interferir no voto
MPT pede indenização milionária
Rico Melquíades virou alvo de uma ação civil pública do Ministério Público do Trabalho de Alagoas nesta sexta-feira (18/9), seis dias depois de publicar um vídeo em que ameaça demitir uma mulher apresentada como funcionária após ela declarar voto no PT. O órgão acusa o influenciador de assédio eleitoral e pede R$ 5 milhões por danos morais coletivos, além do cumprimento de 18 obrigações.
O que aconteceu no vídeo?
Na gravação intitulada “Minha casa, minhas regras”, Rico aparece com quatro mulheres e argumenta que, por pagar os salários, poderia decidir quem trabalharia em sua residência. Ao descobrir a preferência política de uma delas, afirma: “Não quero petista aqui”. Em seguida, dispara: “Tá demitida! Traga sua carteira”.
Segundo revelação da coluna de Carlos Madeiro no UOL, o MPT sustenta que o episódio não pode ser tratado apenas como conteúdo humorístico porque envolve uma relação de poder ligada ao trabalho. Rico teria condicionado emprego e benefícios à preferência política, exposto trabalhadoras nas redes e usado a situação para gerar engajamento e lucro.
O que o MPT quer proibir?
Além da indenização, os procuradores pedem que Rico seja proibido de exigir alinhamento partidário, pressionar funcionários a participar de atos políticos ou condicionar contratações, demissões, salários, folgas e benefícios ao voto dos empregados.
A ação também exige que ele garanta condições para que todos os funcionários votem no 1º e eventual 2º turno sem descontos ou represálias. Caso a Justiça conceda o pedido, publicações com dados íntimos, humilhações ou exigências ideológicas ligadas aos trabalhadores terão de ser retiradas em até 24 horas.
O MPT ainda quer uma retratação pública nas redes do influenciador, com destaque semelhante ao das postagens originais. O processo tramita na 11ª Vara do Trabalho de Maceió e aguardava análise do pedido de urgência.
Rico diz que mulheres são parentes
Em meio à repercussão, Rico publicou um vídeo de desculpas nesta sexta-feira. Ele afirmou que as mulheres mostradas na gravação são integrantes de sua família e que todas autorizaram a publicação do conteúdo.
A explicação não encerrou as apurações. O Ministério Público Eleitoral de Alagoas também analisa o caso sob a suspeita de coação eleitoral e encaminhou as informações à Polícia Federal para eventual investigação criminal. O órgão ressalta que a caracterização jurídica ainda depende da apuração e das decisões das autoridades competentes.
Aberto para posicionamentos
O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.