
YouTube/CazéTV
YouTube sofre maior queda de audiência após Copa do Mundo
Participação cai de 23,2% para 21,7% em agosto, enquanto TV linear recupera 1,1 ponto após três meses de recuo
Plataforma interrompe sequência de altas
O YouTube sofreu em agosto sua maior queda mensal de 2026 no Brasil, logo após atingir o pico do ano durante a Copa do Mundo. A participação da plataforma no consumo total de vídeo caiu de 23,2% em julho para 21,7%, perda de 1,5 ponto percentual. Os dados do Kantar Ibope Media, obtidos pelo NaTelinha, consideram televisores, celulares, computadores e outros dispositivos em 15 regiões metropolitanas.
O que mudou depois da Copa?
A queda interrompe quatro meses consecutivos de crescimento. O YouTube havia atingido seu menor índice do ano em março, com 20,9%, antes de subir para 21,3% em abril, 21,5% em maio e 22,8% em junho. O avanço coincidiu com o início da Copa do Mundo, em 11 de junho. Em julho, mês que concentrou toda a fase decisiva do torneio até a final do dia 19, a participação chegou ao recorde anual de 23,2%.
O levantamento não separa a audiência por conteúdo e, portanto, não permite atribuir estatisticamente a queda de agosto apenas ao fim da Copa. O peso do Mundial no crescimento anterior, entretanto, aparece nos números da CazéTV.
Único canal a transmitir gratuitamente os 104 jogos pelo YouTube no Brasil, o projeto de Casimiro Miguel transformou partidas da competição nas maiores lives já registradas pela plataforma, e também “encolheu” de forma clara após o evento.
h2>CazéTV levou YouTube a recordes
A semifinal entre França e Espanha, em 14 de julho, chegou a 24,2 milhões de aparelhos conectados simultaneamente e estabeleceu o recorde mundial de uma transmissão ao vivo no YouTube. Ao final da Copa, a CazéTV ocupava 29 das 30 primeiras posições entre as maiores lives da história da plataforma.
O impacto foi além dos picos de partidas específicas. Segundo dados divulgados pelo próprio YouTube, a CazéTV alcançou mais de 130 milhões de pessoas no Brasil durante a Copa. Mais de 70% do tempo de exibição das transmissões do canal aconteceu em TVs conectadas, mostrando que o consumo digital concorreu diretamente pela principal tela das residências.
A retração apareceu imediatamente depois do torneio. Levantamento publicado anteriormente pela Pipoca Moderna mostrou que o melhor desempenho da CazéTV no primeiro mês pós-Copa foi Corinthians x Athletico-PR, com cerca de 2,4 milhões de aparelhos simultâneos. O resultado representou aproximadamente um décimo do pico de França x Espanha. O canal, entretanto, manteve os 41,2 milhões de inscritos acumulados após conquistar mais de 13 milhões durante o Mundial.
TV recupera espaço em agosto
A queda do YouTube coincidiu com a recuperação da televisão linear. Depois de três meses consecutivos de retração, sua participação no consumo de vídeo avançou de 61,7% em julho para 62,8% em agosto. A TV aberta passou de 55% para 55,5%, enquanto a TV paga apresentou a maior recuperação, de 6,7% para 7,4%.
O movimento praticamente inverteu o registrado em julho, quando a reta final da Copa levou o consumo de vídeo online de 37% para 38,3% e derrubou a televisão linear em 1,3 ponto. Em agosto, o online recuou na mesma proporção, para 37,2%.
Netflix cresce na contramão
A perda não atingiu todas as plataformas digitais. A Netflix avançou de 5,3% para 5,5% e foi uma das poucas a crescer em agosto. O TikTok caiu ligeiramente, de 5,4% para 5,3%.
A Globoplay permaneceu em 1,5%, seu menor índice de 2026, e a Prime Video manteve 1,1%. Disney+ e HBO Max também ficaram estáveis, respectivamente com 0,5% e 0,4%.
Mesmo após perder 1,5 ponto, o YouTube permaneceu isoladamente como a maior plataforma de vídeo online na medição do Kantar Ibope, com participação quase quatro vezes superior à da Netflix.