
Instagram/Rico Melquiades
Rico Melquíades se retrata após virar alvo de ação de R$ 5 milhões por assédio eleitoral
Influenciador pediu desculpas e defendeu voto livre após ameaçar demitir mulher que declarou apoio ao PT
Rico pede desculpas após ação
Rico Melquíades publicou uma retratação após virar alvo de uma ação civil pública de R$ 5 milhões por suposto assédio eleitoral. O influenciador pediu desculpas aos trabalhadores e afirmou que empregadores não podem pressionar funcionários por suas escolhas políticas, depois de aparecer em um vídeo ameaçando demitir uma mulher que declarou voto no PT. O processo foi apresentado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) de Alagoas.
O que Rico disse na retratação?
“Na condição de influenciador, tenho a plena consciência da minha responsabilidade com o público e do meu compromisso com as leis trabalhistas e também eleitorais”, afirmou. Em seguida, pediu desculpas: “Hoje, eu quero vir a público pedir desculpas a todos os brasileiros e aos trabalhadores. Nenhum funcionário deverá sofrer qualquer tipo de coação ou imposição por parte de seu empregador”.
Rico também defendeu a liberdade política no ambiente profissional. “O respeito no ambiente de trabalho deve ser mútuo, garantindo a liberdade de expressão, de opinião política e o direito do voto livre e secreto. Vivemos em uma democracia e precisamos respeitar uns aos outros, sem jamais ultrapassar os limites previstos pela Constituição”, declarou.
Vídeo ameaçava demissão por voto
A retratação veio depois da repercussão de um vídeo publicado em 12 de setembro. Na gravação, intitulada “Minha casa, minhas regras”, Rico questionava quatro mulheres sobre quem pagava seus salários e suas preferências políticas. Depois que uma delas manifestou apoio ao PT, ele afirmou: “Não quero petista aqui” e anunciou sua demissão.
O influenciador agora afirma que as quatro mulheres são integrantes de sua própria família — mãe, irmã, tia e prima — e que todas concordaram em participar da gravação. O argumento, porém, não encerrou as apurações abertas a partir do conteúdo publicado nas redes.
MPT pede R$ 5 milhões
O MPT acusa Rico de assédio eleitoral e pede R$ 5 milhões em indenização por danos morais coletivos. Segundo os procuradores, ele teria misturado relações de trabalho e disputa política, além de expor as mulheres nas redes para produzir conteúdo e engajamento. A ação tramita na 11ª Vara do Trabalho de Maceió com pedido de urgência.
O órgão também apresentou 18 obrigações. Entre elas estão a proibição de exigir alinhamento partidário dos trabalhadores, condicionar emprego, salário, folgas ou benefícios à preferência eleitoral, pressionar funcionários a participar de atos políticos e impedir represálias relacionadas ao voto.
O MPT pediu ainda a retirada de publicações que exponham dados íntimos, humilhações ou exigências ideológicas ligadas aos trabalhadores e uma retratação pública esclarecendo que a escolha política não pode ser usada como critério para contratação ou demissão.
Caso também está com a Polícia Federal
A frente trabalhista não é a única aberta. O Ministério Público Eleitoral de Alagoas instaurou procedimento para apurar possível coação eleitoral e encaminhou o caso à Polícia Federal para análise na esfera criminal. A investigação considera a possível incidência do artigo 301 do Código Eleitoral, que trata do uso de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido.
A retratação publicada por Rico não encerra os processos ou investigações. Caberá à Justiça do Trabalho decidir sobre os pedidos apresentados pelo MPT, enquanto a apuração eleitoral e criminal segue em outra frente.
Aberto para posicionamentos
O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.