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Divulgação/Globo

TV|18 de agosto de 2026

Laura Cardoso morre aos 98 anos

Atriz deixa mais de 100 trabalhos em trajetória que percorreu rádio, televisão, teatro, cinema e dublagem


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Despedida aos 98 anos
2 Mais de 100 papéis na TV, teatro e cinema
3 Do rádio à televisão
4 Personagens atravessaram gerações
5 Cinema ampliou a carreira

Despedida aos 98 anos

A atriz Laura Cardoso morreu aos 98 anos na madrugada desta terça-feira (18/8), em sua casa, em São Paulo, de causas naturais. O falecimento foi confirmado pela família no perfil oficial da atriz no Instagram.

Mais de 100 papéis na TV, teatro e cinema

Ao longo de oito décadas de carreira, Laura acumulou mais de 100 papéis diferentes, incluindo participações em mais de 60 novelas. Entre suas personagens mais lembradas estão Isaura, mãe das gêmeas Ruth e Raquel em “Mulheres de Areia” (1993), e Guiomar em “A Viagem” (1994).

A atriz também marcou a dublagem brasileira como a voz de Betty em “Os Flintstones”, participou de dezenas de filmes, entre eles “Terra Estrangeira” (1995), e construiu uma longa carreira no teatro, com montagens como “A Megera Domada” (1965) e “Laranja Mecânica” (2002).

Do rádio à televisão

Laurinda de Jesus Cardoso nasceu em 13 de setembro de 1927, no Bixiga, em São Paulo, numa família de imigrantes portugueses. Ainda adolescente, decidiu seguir a carreira artística e começou no radioteatro. Na Rádio Tupi, conheceu o ator, diretor e roteirista Fernando Balleroni, com quem se casou em 1949. A união durou até a morte dele, em 1980.

A estreia na televisão ocorreu em 1952, na TV Tupi, com “Tribunal do Coração”. Laura permaneceu por cerca de 15 anos no elenco fixo dos teleteatros transmitidos ao vivo, atuando em atrações clássicas como “TV de Vanguarda”, “TV de Comédia” e “Grande Teatro Tupi”, que levavam adaptações de obras literárias para a televisão.

Depois de passagens por outras emissoras, fez uma sequência de novelas na Record, entre elas “As Pupilas do Senhor Reitor” (1970), e voltou à Tupi para produções como “Os Inocentes” (1974), “Ídolo de Pano” (1974), “Ovelha Negra” (1975) e “As Gaivotas” (1979). A chegada à Globo ocorreu em “Brilhante” (1981), de Gilberto Braga.

Personagens atravessaram gerações

Laura Cardoso participou de mais de 20 novelas da Globo. Além dos remakes de “Mulheres de Areia” e “A Viagem”, a atriz integrou produções como “Irmãos Coragem” (1995), “Explode Coração” (1995), “Chocolate com Pimenta” (2003) e “Caminho das Índias” (2009). Em 2005, retomou uma ligação com o universo do rádio ao assumir a narração de “Hoje É Dia de Maria”, minissérie dirigida por Luiz Fernando Carvalho.

Sua última novela foi “A Dona do Pedaço”, em 2019. Mesmo afastada da teledramaturgia nos anos seguintes, Laura mantinha contrato vitalício com a Globo. Em 2024, teve sua trajetória revisitada pelo programa “Tributo”. No ano seguinte, participou da gravação da vinheta de fim de ano da emissora, quando reencontrou Tony Ramos e Susana Vieira, e recebeu uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo.

Cinema ampliou a carreira

Sua carreira cinematográfica também foi longa e variada. Ela estreou na tela grande com “O Homem das Encrencas” (1965), de Geraldo Vietri, com quem voltou a trabalhar em “Tiradentes, O Mártir da Independência” (1977). Fez comedias picantes como “Já Não Se Faz Amor Como Antigamente” (1976), o cultuado terror “Ariella” (1980) e a adaptação machadiana “Quincas Borba” (1987).

Seus trabalhos mais lembrados foram em “Terra Estrangeira” (1995), de Walter Salles e Daniela Thomas, e “Através da Janela” (2000), de Tata Amaral. Também atuou em “O Outro Lado da Rua” (2004), de Marcos Bernstein, e nas comédias “Muita Calma Nessa Hora” (2010), “Muita Calma Nessa Hora 2” (2014) e “De Perto Ela Não é Normal” (2020). Seu trabalho mais recente foi o curta-metragem “Dona Rosinha” (2025), dirigido por Kk Araújo, no qual interpretou uma idosa abandonada pela filha em um ponto de ônibus.

Seu desempenho nas telas rendeu prêmios da APCA, o Troféu Oscarito do Festival de Gramado e outras homenagens pelo conjunto de sua obra. Em 2006, Laura recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Ordem do Mérito Cultural por sua contribuição à cultura brasileira.

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