
Ilustração/Gemini
RedeTV! rompe com Ibope após ficar um ano abaixo de 1 ponto de audiência
Frustrada com a medição, emissora de Amilcare Dallevo passa a buscar novas métricas a partir deste mês
Ruptura histórica
Pela primeira vez em sua história de 26 anos, a RedeTV! não saberá mais a audiência de seus programas pelo Ibope. Frustrada com a medição, que considera desatualizada e incompleta, a direção decidiu romper o contrato com o instituto.
O que disse a RedeTV?
O rompimento foi confirmado pela emissora: “A RedeTV! vem avaliando novas métricas de mensuração de audiência, capazes de refletir uma leitura mais completa de alcance e desempenho de seus conteúdos. Em razão disso, não foi possível, neste momento, chegar a um consenso para a renovação de contrato com o Ibope”.
O contexto explica em parte a decisão. A RedeTV! completou um ano inteiro sem registrar 1 ponto de média semanal no Painel Nacional de Televisão (PNT) do Ibope. A última vez que a emissora atingiu esse índice foi durante a semana de 14 a 20 de abril de 2025, quando o vespertino “A Tarde É Sua”, de Sonia Abrão, e “Operação de Risco II” fecharam suas participações semanais com exatamente 1,0 ponto na medição nacional.
O que motivou a decisão?
Segundo o site TV Pop, que primeiro noticiou o rompimento, a RedeTV! havia sinalizado ao Ibope que só renovaria o contrato mediante melhorias nos processos de medição, considerados desatualizados, pouco eficientes e até sucateados. O Ibope, por sua vez, decidiu aumentar o valor cobrado da emissora sem oferecer nenhuma contrapartida. A equipe de Amilcare Dallevo optou então por deixar de ser cliente.
Desde 1º de maio, a RedeTV! não tem mais acesso aos números em tempo real nem aos consolidados do dia seguinte. Como era feriado, a mudança foi sentida de fato apenas nesta segunda-feira (4). A direção já começa a esboçar uma nova métrica que considera desempenho no digital e até a conversão de ações de merchandising.
O TV Pop citou como exemplo que uma publicidade no vespertino “A Tarde É Sua”, de Sonia Abrão, pode ser mais produtiva para um anunciante do que um comercial no “Fofocalizando”, do SBT, apesar de a atração paulistana ter mais audiência — para o mercado, converter vendas interessa mais do que alcançar um número maior de espectadores sem interesse no produto.
Outras emissoras seguem no Ibope
Band, SBT e Record também já demonstraram insatisfação com os serviços do instituto, mas seguem assinando o contrato. Até a Globo, apesar de liderar com folga, incorporou recentemente dados digitais para encorpar seus números e se manter mais relevante para o mercado.
O monopólio do Ibope
Tentativas de estabelecer um concorrente para o Ibope nunca prosperaram no Brasil. A mais recente foi com a alemã GfK, que durou apenas dois anos e encerrou as operações em 2017. Antes disso, Silvio Santos (1930-2024) havia investido na Datanexus, que funcionou por cerca de um ano e meio no início do século, mas foi abandonada após os números se mostrarem similares aos do Ibope.
A Nielsen, que mede a audiência da TV norte-americana, também já namorou o mercado brasileiro em 1995 e em 2011, sem sucesso. O resultado é que o Ibope se consolidou como um monopólio no segmento — não por acaso, “ibope” virou sinônimo de audiência no país.