Divulgação/HBO

Tony Sirico: Astro de “Família Soprano” morre aos 79 anos

O ator Tony Sirico, conhecido por interpretar o mafioso Paulie Walnuts em “Família Soprano” (The Sopranos), morreu nesta sexta-feira (8/7), de causa não revelada em Fort Lauderdale, Flórida, aos 79 anos. Ele sofria de demência há dois anos e estava num lar de idosos.

O personagem de Sirico era um dos mais divertidos da família de Tony Soprano (James Gandolfini), roubando as cenas da série desde seu começo. Em sua interpretação, o ator equilibrava um jeito ameaçador de gângster com um humor ridículo, caracterizado pela propensão para malapropismos (uso de palavras erradas), como chamar Sun Tzu de “Sun Tuh-Zoo” e chamar o mesmo filósofo de o “Matchabelli chinês” (querendo dizer Maquiavel).

Sirico apareceu em todas as seis temporadas de “Família Soprano”, exibidas de 1999 a 2007, mas a produção da HBO não foi a primeira a enxergá-lo como mafioso. De fato, essa associação rendeu muitos filmes e começou em sua vida real.

Nascido Gennaro Anthony Sirico Jr. em 24 de julho de 1942, ele veio de uma família italiana de Nova York e passou grande parte de sua infância tendo problemas com a lei. Associado à família mafiosa Colombo, acabou preso 28 vezes – a primeira aos sete anos de idade, depois de roubar moedas de uma banca de jornal. Ele chegou a ser condenado e ir para a prisão duas vezes, acusado de porte ilegal de arma e por assalto à mão armada.

Esta experiência foi seu maior aprendizado para se tornar ator. Desde sua estreia nas telas, como figurante no drama mafioso “Crazy Joe” (1974), Sirico se se especializou em viver gângsteres. E foi tão convincente que acabou entrando em alguns clássicos, como “Os Bons Companheiros” (1990), de Martin Scorcese, e “Cop Land: A Cidade dos Tiras” (1997), de James Mangold.

Ele também foi um mafioso em “Tiros na Broadway” (1994), de Woody Allen. E a participação gerou uma grande amizade, que levou o diretor o chamá-la para diferentes papéis em novas colaborações, quebrando o estereótipo em filmes como “Poderosa Afrodite” (1995), “Todos Dizem Eu Te Amo” (1996), “Desconstruindo Harry” (1997), “Celebridades” (1998), “Café Society” (2016) e “Roda Gigante” (2017).

Mas os papéis de mafioso foram persistentes, inclusive em produções de comédia, como “Mickey Olhos Azuis” (1999), no qual trabalhou com outro famoso mafioso do cinema, James Caan (“O Poderoso Chefão”), também falecido nesta semana.

Sirico foi mafioso até em séries animadas, vivendo o gângster Vinny em “Uma Família da Pesada” (Family Guy) e Enzo Perotti em dois episódios do desenho “American Dad”, ambos produzidos por
Seth MacFarlane.

Em um post no Instagram, seu colega Michael Imperioli fez uma homenagem emocionada ao colega de “Sopranos”: “Dói-me dizer que meu querido amigo, colega e parceiro no crime, o grande Tony Sirico faleceu hoje. Tony era como nenhum outro: mais durão, leal e generoso que qualquer um que eu já conheci. Eu estive ao seu lado durante muitas coisas: nos bons e maus momentos. Mas principalmente bons. E demos muitas risadas. Encontramos um balanço perfeito como Christopher e Paulie, e tenho orgulho de dizer que fiz meu melhor e mais divertido trabalho com meu querido amigo Tony. Vou sentir sua falta para sempre. Ele é realmente insubstituível. Eu envio amor para sua família, amigos e seus muitos fãs. Ele era amado e jamais será esquecido. De coração partido hoje.”