Divulgação/Court TV

Produtora da Disney e ex-agente culpam Johnny Depp pelo fim da própria carreira

As mais recentes testemunhas da defesa de Amber Heard, no processo de difamação aberto por Johnny Depp no estado de Virginia, EUA, enterraram a tese principal do ator. A ex-agente de Depp e uma produtora da Disney afirmaram na quinta-feira (19/5) por meio de vídeos exibidos no tribunal de Fairfax, que o fracasso da carreira do ator não teria relação com o artigo escrito por sua ex-esposa no Washington Post sobre violência doméstica.

Depp justificou o pedido de US$ 50 milhões em indenização contra Heard afirmando ter perdido o papel de Jack Sparrow na franquia “Piratas do Caribe” devido à insinuação de que seria um agressor, embora sua ex-esposa não tenha mencionado seu nome no texto. Ele afirma que a publicação do artigo foi responsável por sua dificuldade em conseguir novos papéis no cinema.

Representante do ator por mais de 20 anos, Tracey Jacobs citou atrasos contínuos para filmagens e desconfiança geral da indústria do cinema sobre a capacidade de Depp ficar sóbrio como verdadeiro motivo do fim das ofertas.

“No início, as equipes amavam ele”, ela contou, lembrando que o ator já foi “a maior estrela do mundo”. Mas a situação já não era a mesma há alguns anos. “Ninguém gosta de ficar horas e horas esperando a estrela do filme aparecer”, relatou.

Segundo ela, na última década de sua parceria com Depp, encerrada em 2016, o astro se atrasava constantemente para as gravações e gritava até com ela algumas vezes. Tal comportamento, descrito como “não profissional”, criou uma fama tão ruim na indústria que passou a ser difícil conseguir trabalhos para ele. “As pessoas estavam falando. As dúvidas sobre o seu comportamento estavam circulando”, contou ela, que também notou um aumento no abuso de álcool e drogas por parte do ator.

Jacobs também revelou que precisou viajar até a Austrália duas vezes, onde “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” estava em produção, por causa de reclamações da Disney sobre os atrasos de Depp no ​​set. E afirmou que nunca recebeu sondagem do estúdio para que o ator estrelasse outra continuação, como ele alega que deveria filmar antes do artigo de Heard.

Seguindo este raciocínio, a executiva de produção da Disney Tina Newman testemunhou que produtores poderosos do estúdio, como Alan Horn, Alan Bergman e outros, circularam e-mails pela empresa no início de 2018 comentando artigos sobre as “travessuras” de Depp no ​​set de “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, além de detalhes de sua vida pessoal. As confusões criadas pelo ator, que atrasaram e encareceram as filmagens, tornaram-se públicas e teriam sido a gota d’agua para encerrar a tolerância com seu comportamento.

Perguntada diretamente se o artigo de Heard tinha influenciado de alguma forma a decisão da Disney de cortar Depp da franquia, Newman disse que “não estava ciente”.

A defesa também ouviu a agente de Heard, que tentou inverter a acusação de difamação. Jessica Kovacevic, testemunhou que sua cliente não teve o boom na carreira que se esperava após o sucesso de “Aquaman” e acusou tuites e declarações negativas do amigo e ex-advogado de Depp, Adam Waldman, de “adicionarem combustível neste fogo”.

“Porque normalmente, quando você tem uma atriz em um filme tão bem-sucedido quanto esse, como ‘Aquaman’ foi, a carreira muda totalmente… Você se torna mais atraente financeiramente”, disse Kovacevic. “Com ela, isso não aconteceu.”

“Ninguém pode afirmar com certeza que tiraram a possibilidade dela ascender na carreira por causa da má imprensa… mas não há outro motivo”, acrescentou a agente. Ela chegou a citar um filme da Amazon que Heard estrelaria, até os produtores, de uma hora para outra, demonstrarem não ter mais interesse em contratá-la.

Vale lembrar que, após ser processada pelo ex-marido, a atriz abriu seu próprio processo por difamação, afirmando que Depp estava destruindo sua carreira e pedindo uma indenização de US$ 100 milhões.

Todo o julgamento está sendo transmitido ao vivo pelo canal americano Court TV, disponível pela internet.

Veja abaixo o vídeo do depoimento de Tracey Jacobs.