Kiss vai ganhar filme biográfico da Netflix
A Netflix adquiriu os direitos de “Shout It Out Loud”, cinebiografia da banda Kiss que será dirigida por Joachim Rønning, o cineasta norueguês de “Malévola: Dona do Mal” e “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”. O roteiro foi escrito por Ole Sanders (também conhecido como Traktor), diretor do clipe “Die Another Day”, de Madonna, a partir de um esboço concebido por William Blake Herron (“A Identidade Bourne”). O filme vai se concentrar na amizade entre Gene Simmons e Paul Stanley, que surgiu ainda na adolescência, quando eram apenas dois garotos desajustados do Queens, em Nova York, que resolvem formar uma banda inspirada em heróis de quadrinhos após recrutarem o guitarrista Ace Frehley e o baterista Peter Criss. Totalmente maquiados, eles foram considerados uma piada até que ligaram seus instrumentos em amplificadores decentes e deixaram todos “boquiabertos”, de acordo com Simmons. Dos porões do rock nova-iorquino às turnês de estádios lotados, Kiss bateu recorde de venda de ingressos, vendeu mais de 100 milhões de discos e deixou sua marca na História do Rock. Atualmente, a banda está no meio de sua “End of the Road Tour”, turnê de despedida que tinha sido interrompida pela pandemia. Mas há todos os motivos para imaginar que a aposentadoria será adiada mais uma vez para aproveitar a sinergia do lançamento do filme biográfico, que deverá chegar ao streaming em 2023, a tempo de comemorar os 50 anos dos primeiros shows da banda em Nova York. “Shout It Out Loud” será a segunda cinebiografia de rock da Netflix, após o lançamento de “The Dirt – Confissões do Mötley Crüe”, em 2019.
“The Resident” se despede de personagem após quatro temporadas
O episódio mais recente da série “The Resident”, exibido na noite de terça-feira (20/4) nos EUA, marcou a despedida da integrante do elenco original Shaunette Renée Wilson. A atriz anunciou a despedida em seu Twitter, antes mesmo do episódio ir ao ar. “Depois de uma reflexão profunda, eu abordei os produtores pedindo para deixar a série e eles concordaram – e deram ao meu personagem uma despedida maravilhosa”, escreveu a atriz. “Eu agradeço a eles por me permitirem incorporar uma alma tão bela como a Dra. Mina Okafor. Eu também gostaria de agradecer ao estúdio, rede, elenco, equipe e, acima de tudo, aos fãs maravilhosamente dedicados de ‘The Resident’ por seu apoio nas últimas quatro temporadas”, completou. Na trama, Mina Okafor (a médica vivida por Wilson), que trabalha no Chastain Park Memorial Hospital de Atlanta, sai da cidade para retornar à sua Nigéria natal. Desenvolvida por três “veteranos” de séries médicas, Amy Holden Jones (criadora de “Black Box”), Hayley Schore e Roshan Sethi (roteiristas de “Code Black”), “The Resident” gira em torno do personagem do título, um médico residente vivido por Matt Czuchry (série “The Good Wife”), que tenta inspirar estudantes recém-chegados com um estilo de orientação hardcore. O elenco também inclui Bruce Greenwood (“Star Trek”), Manish Dayal (“A 100 Passos de um Sonho”) e Emily VanCamp (“Falcão e o Soldado Invernal”). Originalmente exibida na rede americana Fox, a série chega ao Brasil pelo canal pago Star Life. #TheResident pic.twitter.com/TzJ5wPM9Af — Shaunette 'kiss my black ass joy' Renée Wilson (@shauneywood) April 21, 2021
Tempest Storm (1928–2021)
A pin-up Tempest Storm, ícone do teatro burlesco americano, conhecida por seus cabelos de fogo e por ter estrelado filmes de Russ Meyer e Irving Klaw, morreu na terça (20/4) em seu apartamento em Las Vegas aos 93 anos. A artista sofria de demência e recentemente foi submetida a uma cirurgia no quadril. Nascida Annie Blanche Banks em Eastman, Geórgia, ela se mudou para Hollywood aos 20 anos, já divorciada duas vezes. O dinheiro como garçonete não pagava as contas e, assim, virou stripper no Follies Theatre, adotando o nome artístico Tempest Storm no final dos anos 1940. Suas apresentações burlescas a tornaram amiga de várias celebridades de Hollywood, desde a vizinha Marilyn Monroe até Frank Sinatra. Mas foi o diretor e produtor Russ Meyer quem teve a ideia de levá-la ao cinema, escalando-a em seus primeiros documentários de exploitation (exploração sexual), que registravam espetáculos de striptease e alimentavam o fetiche de mulheres de seios grandes. Sua estreia foi no curta “The French Peep Show” (1949), de Meyer, logo seguida pelos longas “Strip Strip Hooray” (1950), “Striptease Girl” (1952), “A Night in Hollywood” (1953) e muitos outros. Em 1955, ela chegou a dividir a tela com outra pin-up icônica, Bettie Page, no clássico “Teaserama” de Irving Klaw. Ela também estrelou “Buxom Beauties” (1956), de Klaw, no ano em que, de acordo com Review-Journal, tornou-se a artista burlesca mais bem pago da história, com um contrato de US$ 100 mil por 10 anos com a produtora burlesca Bryan-Engels. Em 1957, Storm começou a se apresentar em espetáculos exclusivos no Dunes Hotel and Casino, em Las Vegas, mantendo-se como uma das atrações principais da Cidade do Pecado até o final dos anos 1980. Dois anos após a estreia no Dunes, ela se casou com Herb Jeffries, um cantor de jazz da Orquestra de Duke Ellington. Mais tarde, disse que o casamento lhe custou um empresário e uma carreira no cinema porque Jeffries era negro. Sua lista de amantes conhecidos – ou pelo menos muito comentados – também inclui Elvis Presley, Mickey Rooney, Louis Armstrong, Sammy Davis Jr., o gangster Mickey Cohen e até o presidente John F. Kennedy. Em uma entrevista deste século, ela lembrou uma piada que Frank Sinatra costumava contar quando a apresentava ao público durante participações em seus shows. Ele a introduzia dizendo: “Ela me ensinou a me vestir”. E quando a multidão aplaudia, Sinatra acrescentava: “Vocês pensaram que eu ia dizer que ela me ensinou a me despir!” Embora tenha feito consideravelmente muitos filmes, Storm atuou pouco, pois a maior parte de sua filmografia foram registros documentais. Mesmo assim, participou de filmes de ficção, todos de títulos sugestivos, como “Paris After Midnight” (1951), “Paris Topless” (1966) e “Mundo Depravados” (1967). Nos anos 1970, Storm mudou de público, virando musa do rock. Em 1973, chegou a compartilhar uma turnê com a banda James Gang, que incluiu uma parada no Carnegie Hall de Nova York. “Essa foi a melhor apresentação”, ela disse mais tarde. “Que emoção.” Sua última apresentação ao vivo aconteceu em junho de 2010 durante um show de ícones do Burlesque Hall of Fame. Naquela noite, ela fraturou o quadril esquerdo, encerrando suas aparições no palco. Mas ela continuou aparecendo na mídia. Em 2011, foi entrevistada pelo roqueiro Jack White para um álbum chamado “Interview With Tempest Storm”, lançado pela própria empresa do guitarrista. E em 2016 sua vida foi tema de um documentário, “Tempest Storm: Burlesque Queen”, dirigido pela cineasta canadense Nimisha Mukerji e premiado no festival Hot Docs. O trailer do filme pode ser visto abaixo.
Disney+ vai lançar prólogo do filme animado Soul
A Disney+ anunciou que vai lançar um curta inédito de animação da Pixar baseado nos personagens de “Soul”, indicado ao Oscar 2021 de Melhor Animação. E já na semana que vem, no dia 30 de abril. Intitulado “22 vs. Earth”, o curta será um prólogo centrado na alma cética 22, que voltará a ter a voz de Tina Fey. A história vai se passar muito antes de 22 conhecer o protagonista de “Soul”, Joe Gardner (dublado por Jamie Foxx). A direção é assinada por Kevin Nolting, editor de “Soul”, que no fim de semana passado venceu o Eddie Award, troféu do Sindicato dos Editores, e o Annie Award, considerado o “Oscar da animação”, por seu trabalho no longa da Pixar. Ele também editou outros dois filmes do mesmo diretor, Pete Docter – “Up: Altas Aventuras” (2009) e “Divertida Mente” (2015), ambos vencedores do Oscar. “Enquanto fazíamos ‘Soul’, conversamos sobre o porquê de uma nova alma não querer viver na Terra, mas, em última análise, isso não fazia parte daquele filme”, disse Nolting em comunicado. “’22 vs. Earth’ é uma chance de explorar algumas das perguntas sem respostas que tínhamos sobre o que levou 22 a ser tão cínica. Como sou, eu mesmo, uma pessoa bastante cínica, me pareceu um material perfeito para dirigir.” O curta vai mostrar 22 desafiando as regras do Grande Antes e se recusar a ir para a Terra, alistando cinco outras almas novas em sua tentativa de rebelião.
“How I Met Your Mother” vai ganhar versão feminina com Hilary Duff
Depois de sete anos de tentativas frustradas na rede CBS, os criadores da popular comédia “How I Met Your Mother” conseguiram emplacar a versão feminina da série, “How I Met Your Father”, na plataforma de streaming Hulu. A nova versão será centrada numa personagem vivida por Hilary Duff (de “Lizzie McGuire” e “Younger”) que, como Ted Mosby (Josh Radnor) em “How I Met Your Mother”, vai contar aos filhos como conheceu os pais deles. A explicação de Mosby/Radnor durou 9 temporadas e, ao fim, frustrou todo o público que acompanhou a série. A versão de Duff tem ao menos dez capítulos garantidos em sua 1ª temporada. Na série, Sophie (Duff) vai aparecer no futuro, contando aos filhos como em 2021 a ideia de romance era marcada por “aplicativos de encontros e opções ilimitadas”, segundo os produtores, e foi assim que conheceu o pai deles. A ideia é a mesma que foi rejeitada pela primeira vez pela CBS em 2014, quando os criadores da série original, Craig Thomas e Carter Bays, chegaram a gravar um episódio piloto estrelado por Greta Gerwig (que depois foi indicada ao Oscar de Melhor Direção por “Lady Bird – A Hora de Voar” e assinou o remake de “Adoráveis Mulheres”). A dupla voltou a tentar novamente em 2016 e 2018, desta vez sem passar da pré-produção, até a Hulu demonstrar interesse. Desta vez, Thomas e Bays deixaram a história ser desenvolvida por novos roteiristas, mantendo-se como produtores. No comunicado do projeto, eles explicaram o projeto parafraseando seu roteiro original de “How I Met Your Mother”. “Crianças, vou contar uma história incrível: é a história de como dois escritores tiveram a sorte de fazer seu programa de TV dos sonhos por nove temporadas e agora passam a tocha para uma nova equipe criativa inspirada, com suas próprios histórias para contar, a história de ‘How I Met Your Father'”. Os responsáveis pelos rumos da nova história são Isaac Aptaker e Elizabeth Berger, roteiristas do filme “Com Amor, Simon” e criadores da série derivada, “Com Amor, Victor”, que é exibida justamente na plataforma Hulu. Eles também escreveram e produziram a série “This Is Us”, fenômeno dramático da rede americana NBC. “Estamos muito entusiasmados em trazer ‘How I Met Your Father’ para o Hulu”, disseram Aptaker e Berger no mesmo comunicado. “A icônica série original de Carter e Craig revolucionou o formato da sitcom de meia hora e estamos muito honrados em levar a tocha adiante para a próxima geração – e com nada menos que Hilary Duff! Mal podemos esperar para o público conhecer Sophie e sua turma, e vê-los se tornarem independentes e encontrarem o amor na moderna cidade de Nova York. E esperamos que ninguém ache estranho que Bob Saget esteja interpretando a voz da velha Hilary Duff”, brincaram, referindo-se ao narrador (versão mais velha de Ted) em “How I Met Your Mother”.
Ronda Rousey anuncia primeira gravidez
A atriz e lutadora Ronda Rousey, uma das principais responsáveis pela popularização do MMA feminino, anunciou nesta quarta-feira (21/4) que espera o primeiro filho. A novidade foi contada por meio de um vídeo publicado no canal do Youtube da ex-campeã do UFC. Rousey, que atualmente tem 34 anos, já está no quarto mês de gravidez. O bebê é fruto do casamento de Rousey e Travis Browne, juntos desde 2015 e casados desde agosto de 2017. Também lutador, o havaiano já possui outros dois filho de um relacionamento anterior. De acordo com a ex-campeã do UFC, seu primogênito deve vir ao mundo no mês de setembro. “Pow! Grávida de quatro meses? O quê? Vocês nem sabiam… os últimos quatro meses. Eu estou grávida desde janeiro. Woo, barriga de grávida. Eu não consigo escondê-la mais, então é hora de mostrá-la. Eu só queria compartilhar com vocês um pouco da jornada que nós estamos seguindo, e definitivamente tem mais que nós vamos contar depois, mas aqui vamos nós”, anunciou Ronda, num sofá ao lado de Browne. Campeã de judô e medalha de bronze nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, Ronda Rousey migrou de sua categoria para o MMA profissional três anos depois, sagrando-se campeã peso-galo do Strikeforce poucos meses depois, ao derrotar Miesha Tate, que viria a se tornar uma de suas principais rivais na carreira. Vitoriosa nos ringues e carismática diante das câmeras, ‘Rowdy’ chamou a atenção de Dana White, presidente do UFC, que até então negava qualquer interesse em criar categorias femininas na sua organização. Tudo isso mudou em novembro de 2012, quando o Ultimate anunciou a contratação de Ronda, primeira atleta mulher a assinar um contrato com a entidade. Credenciada pela passagem no Strikeforce, a americana já chegou na organização como campeã peso-galo, reinado que durou até novembro de 2015, quando foi nocauteada por Holly Holm, perdendo o cinturão e a invencibilidade na carreira. Ela abandonou as lutas de MMA profissional um ano depois, ao perder da brasileira Amanda Nunes, mas virou uma atriz bem-sucedida, com diversas participações em filmes (como “Os Mercenários 3”, “Velozes e Furiosos 7” e “22 Milhas”) e séries (um arco longo em “9-1-1”), além de se aventurar no pro wrestling (luta livre profissional), onde conquistou o título da liga WWE em 2018. O vídeo do anúncio, com direito a ultrassom do bebê, pode ser visto abaixo.
Monte Hellman (1929–2021)
O diretor Monte Hellman, que dirigiu os clássicos cultuados “O Tiro Certo” (The Shooting) e “Corrida Sem Fim” (Two-Lane Blacktop), morreu na terça-feira, uma semana após sofrer uma queda em casa, aos 91 anos. Chamado de o cineasta americano mais talentoso de sua geração pela influente revista francesa Cahiers du Cinema, Monte Himmelbaum (seu nome verdadeiro) começou sua carreira nos anos 1950, abrindo uma companhia de teatro em Los Angeles. Ninguém menos que Roger Corman, o rei dos filmes B, foi um de seus investidores e eles se juntaram na primeira montagem de “Esperando Godot”, de Samuel Beckett, na cidade. Quando foi expulso de seu espaço depois de um ano, Hellman foi encorajado pelo produtor a entrar no cinema e assim fez sua estreia em 1959, dirigindo o terror barato “A Besta da Caverna Assombrada” com produção de Corman. Ele também foi um dos envolvidos nas filmagens de “Sombras do Terror”, que aconteceu apenas para aproveitar dois dias de estúdio agendado com cenários góticos, numa sobra do cronograma da produção de “O Corvo”, em 1963. Após Corman filmar dois dias de cenas de Boris Karloff subindo e descendo escadas, andando por corredores e abrindo portas num castelo, vários diretores foram convocados para completar a produção com cenas ao ar livre, entre eles Hellman e Francis Ford Coppola. Foi nessa produção inusitada que Hellman conheceu Jack Nicholson, astro do filme – trajado no uniforme napoleônico de Marlon Brando, contrabandeado de “Désirée, o Amor de Napoleão” (1954). Os dois se tornaram parceiros em várias produções. Hellman e Nicholson rodaram dois filmes consecutivos nas Filipinas para Corman em 1964, “Flight to Fury” e “Guerrilheiros do Pacífico”. O diretor filmou o segundo enquanto editava o primeiro, e antes de terminar o ano ainda completou “Cordilheira”, o que dá ideia do ritmo insano das produções de Corman. Depois de mostrar serviço, Hellman procurou o produtor para financiar um faroeste escrito por uma amiga de Jack Nicholson, a estreante Carole Eastman (que depois escreveria outro clássico, “Cada um Vive como Quer”). O produtor topou, desde que o mesmo orçamento rendesse dois westerns. O resultado foi “O Tiro Certo”, escrito por Eastman, e “A Vingança de um Pistoleiro”, com história concebida rapidamente por Nicholson. Os dois filmes marcaram época pelo uso das paisagens desertas e empoeiradas em Kanab, Utah, e levaram apenas três semanas para serem concluídos em 1966. “O Tiro Certo” também inaugurou a parceria do diretor com outro astro, Warren Oates (1928–1982), que Hellman passou a considerar seu alter ego no cinema. Na trama, o personagem de Oates era contratado para guiar uma mulher misteriosa (Millie Perkins) pelo deserto opressivamente quente, cuja agenda de vingança acaba incluindo um terceiro viajante, um pistoleiro habilidoso retratado por Nicholson. Já “A Vingança de um Pistoleiro” trazia Nicholson e mais dois cowboys em fuga, sendo caçados por vigilantes. “Achávamos que estávamos fazendo ‘Duelo ao Sol’”, Hellman disse uma vez ao LA Weekly sobre as filmagens, citando um western clássico dos anos 1940. Mas embora os dois longas tenham sido exibidos no Festival Cannes em 1966, nenhum recebeu distribuição nos cinemas dos Estados Unidos, porque a companhia europeia que os adquiriu no festival faliu. Eles só chegaram aos EUA na TV, onde estrearam dois anos depois. Por isso, a crítica cinematográfica demorou a descobri-los, o que só aconteceu na era do VHS, quando se tornaram cultuadíssimos e considerados pioneiros do western subversivo que revolucionou o gênero nos anos 1960. A decepção com o destino dos longas fez Hellman levar cinco anos para voltar a dirigir. Nesse meio tempo, trabalhou como editor em cult movies como “Os Anjos Selvagens” (1966) para Corman e “Os Monkees Estão de Volta” (Head, 1968) para Bob Rafelson. Mas quando decidiu que era hora de voltar ao cinema, trouxe ao mundo sua obra mais cultuada, “Corrida Sem Fim”, em 1971. O filme trazia o cantor James Taylor e o baterista dos Beach Boys, Dennis Wilson, como dois hot-rodders, que ganhavam a vida vencendo corridas de arrancada com seu Chevy One-Fifty de 1955 incrementado. Eles acabam desafiados pelo personagem de Warren Oates, proprietário de um novo Pontiac GTO, numa corrida pelas estradas do Arizona a Washington. As sessões de imprensa do longa chamaram atenção pelos aplausos, as primeiras críticas rasgaram elogios e o então chefe da Universal Pictures, Ned Tanen, chegou a dizer que “Corrida Sem Fim” era o melhor filme ao qual ele já tinha se associado. Infelizmente, seu chefe, Lew Wasserman, não compartilhou do mesmo entusiasmo. Ao contrário, achou que o filme era “subversivo”, segundo contava Hellman, e proibiu que o estúdio gastasse publicidade para promovê-lo, resultando num fracasso comercial. Hellman fez mais dois longas com Warren Oates, “Galo de Briga” (1974) e “A Volta do Pistoleiro” (1978), este último um spaghetti western rodado na Espanha. E passou muitos anos envolvido em projetos – mais de 50, segundo uma contagem – que acabaram nunca sendo realizados. Ele ainda trabalhou como editor de “Elite de Assassinos” (1975) para Sam Peckinpah e diretor de segunda unidade nas cenas de ação de “Agonia e Glória” (1980), de Samuel Fuller, e “RoboCop” (1987), de Paul Verhoeven. Além disso, como produtor executivo, ajudou a financiar “Cães de Aluguel” (1992), primeiro filme dirigido por Quentin Tarantino, enquanto pensava que poderia dirigir o roteiro do colega, que vislumbrava como um potencial clássico. Após seus últimos longas fracassarem – a aventura “Iguana: A Fera do Mar” (1988) e o terror “Noite do Silêncio” (1989), lançado direto em vídeo – o diretor só foi ressurgir mais de duas décadas depois, com “Caminho para o Nada” (2010), produzido por sua filha. Exibido no Festival de Veneza, o filme foi recebido com curiosidade, mas sua maior repercussão foi trazer de volta a lembrança de Monte Hellman para os cinéfilos de todo o mundo.
“Quem Matou Sara?” é a série mais vista da Netflix em 2021
A Netflix anunciou que o thriller mexicano “Quem Matou Sara?” foi a série mais popular de seu catálogo de streaming no primeiro trimestre de 2021, com uma estimativa de 55 milhões de visualizações de assinantes desde seu lançamento no mês passado. Criação de José Ignacio Valenzuela (“La Hija Prodiga”), “Quem Matou Sara?” gira em torno da vingança de um homem que passou 18 anos preso injustamente pelo assassinato da irmã. Ao ser libertado, Alex Guzmán (Manolo Cardona) decide se vingar da família Lazcano, que o culpou pelo crime, e descobrir quem realmente matou sua irmã Sara (Ximena Lamadrid). O que ele não imaginava é que a busca por provas o levaria a se apaixonar por Elisa (Carolina Miranda), filha de seu principal suspeito, e perceber que os muitos segredos de Sara são seu principal obstáculo para chegar à verdade. A série foi lançado em 24 de março e renovada quase imediatamente, três dias após chegar em streaming. A 2ª temporada já tem estreia marcada, para o dia 19 de maio. Entre as atrações americanas, a empresa revelou que “Amigas para Sempre” (Firefly Lane), que junta Katherine Heigl (a Dra. Izzie Stevens de “Grey’s Anatomy”) e Sarah Chalke (a Dra. Eliot Reid de “Scrubs”), foi a série mais assistida, por 49 milhões de pessoas desde seu lançamento em 3 de fevereiro – abaixo do público da produção mexicana. Já a lista de filmes juntou mais público, com destaque para “Eu Me Importo” (I Care A Lot), estrelado por Rosamund Pike, com 56 milhões de visualizações, a comédia infantil “Dia do Sim” (Yes Day), liderado por Jennifer Garner e vista por 62 milhões, e a sci-fi militar “Zona de Combate” (Outside The Wire), com Anthony Mackie, assistida 66 milhões de vezes. Entre os longas internacionais, os líderes foram o thriller espanhol “Abaixo de Zero” (Below Zero) com 47 milhões de visualizações, a comédia romântica polonesa “Amor²” (Squared Love), vista por 31 milhões de espectadores, e a sci-fi sul-coreana “Nova Ordem Espacial” (Space Sweepers), que atingiu 26 milhões. Veja abaixo o trailer da 1ª temporada de “Quem Matou Sara?”.
Netflix anuncia investimento de US$ 17 bilhões em conteúdo para 2021
A Netflix anunciou que vai gastar US$ 17 bilhões em conteúdo em 2021 – pela primeira vez mantendo a média anual de seus gastos. A plataforma revelou o valor em seus relatório financeiro do primeiro trimestre. “Embora a distribuição de vacinas seja muito desigual em todo o mundo, estamos voltando e produzindo com segurança em todos os principais mercados, com exceção do Brasil e da Índia. Presumindo que isso continue, gastaremos mais de US$ 17 bilhões em dinheiro em conteúdo este ano e continuaremos a entregar uma variedade incrível de títulos para nossos membros com mais produções originais neste ano do que no passado”, observou a empresa em comunicado aos acionistas. Os gastos da Netflix nos últimos anos atingiram os mesmos US$ 17 bilhões em 2020, um pouco mais de US$ 15 bilhões em 2019 e na casa dos US$ 12 bilhões em 2018. Grande parte do investimento será voltado para produções de língua não inglesa, que experimentam aumento de popularidade em 2021 – inclusive nos EUA, diante da falta de produtos novos em streaming. O investimento pesado também será um forma de enfrentar a concorrência cada vez maior em streaming, com o fortalecimento de plataformas como Disney+ (que pretende gastar cerca de US$ 8 bilhões em 2021), HBO Max, Apple TV+, Paramount+, Peacock e Amazon.
Produtor vencedor do Oscar se afasta de Hollywood após denúncias de violência e abusos
Um dos produtores mais premiados da indústria do entretenimento dos EUA, Scott Rudin, vencedor do Oscar por “Onde os Fracos Não Têm Vez’ (2007), vai se afastar de todas as atividades de teatro, cinema e TV após vários funcionários virem à público denunciar seu comportamento violento. Segundo relatos, por décadas ele agiu de forma beligerante nos bastidores, utilizando o assédio moral como forma de tratamento habitual. Chamado de “monstro” em algumas denúncias, Rudin teria ultrapassado do limite várias vezes, extrapolando no uso de tortura psicológica e até violência física em seu arsenal de bullying cotidiano no ambiente de trabalho. As denúncias se acumularam nos últimos dias, até o produtor se ver forçado a se manifestar. Ele se desculpou publicamente por meio de uma nota enviada à imprensa americana e anunciou seu afastamento de Hollywood e da Broadway. O anúncio chegou após algumas produtoras com quem mantinha relação comercial terem declarado que não voltariam a trabalhar com ele. Rudin virou pessoa non-grata no estúdio A24, para quem produziu os filmes “Joias Brutas” e “Lady Bird”, e vai sair de todos os projetos que desenvolvia para a produtora, incluindo “Men”, de Alex Garland, e “Red, White and Water”, um drama de guerra que será estrelado por Jennifer Lawrence. Ele também tem um acordo com o 20th Century Studios desde 2015, que atualmente possui várias produções finalizadas e com exibição agendada, entre elas o suspense “A Mulher da Janela”, que será lançado em 14 de maio na Netflix, e “A Crônica Francesa” (The French Dispatch), novo filme de Wes Anderson com première agendada para o Festival de Cannes 2021. Além disso, Rudin é produtor da série “O Que Fazemos nas Sombras” (What We Do in the Shadows) do canal pago FX, entre outras atrações televisivas e de streaming. A decisão de se afastar dos filmes e das séries foi tomada poucos dias após o anúncio de abandono de suas produções da Broadway, onde estava à frente de “The Music Man”, protagonizada por Hugh Jackman, e “O Livro de Mórmon”. “Depois que comentei no fim de semana que estava focado na reabertura da Broadway e não queria que meu comportamento prejudicasse os esforços de todos para voltarem a apresentar espetáculos [após a covid-19], ficou claro para mim que devo seguir o mesmo caminho nos filmes e streaming. Lamento profundamente a dor que meu comportamento causou e dou este passo com o compromisso de crescer e mudar”, ele declarou em nota oficial. Não está totalmente claro o que isso implicará, se Rudin vai lucrar com os projetos que finalizou e se ele continuará a ser creditado como produtor. “Muito tem sido escrito sobre minha história de interações problemáticas com colegas, e lamento profundamente a dor que meu comportamento causou aos indivíduos, direta e indiretamente”, disse Rudin em sua primeira nota, sobre a Broadway. Na denúncia original, publicada pela revista The Hollywood Reporter, o produtor de “A Rede Social”, “Sangue Negro” e “Capitão Phillips” foi retratado como um patrão que jogava coisas nos empregados, incluindo um grampeador e até um prato de batata assada. Ele também quebrou um monitor de computação num assistente, que foi parar num pronto socorro, e teria ameaçado funcionários com retaliação profissional se o denunciassem ou deixassem o emprego. A queda de Rudin é um sinal de que Hollywood não vai mais tolerar a tirania dos produtores e cineastas arrogantes, mudando o foco das denúncias de assédio sexual para enquadrar o comportamento abusivo dos poderosos nos sets de gravação. O cineasta Joss Whedon foi o primeiro a cair em desgraça por conta disso, após investigação interna da WarnerMedia. Ele não pediu desculpas. Ganhando tração, a revolta contra o assédio moral pode trazer consequências para outros executivos famosos de temperamento explosivo, que alimentaram em Hollywood uma cultura tóxica de bullying.
Novos filmes de Wes Anderson e Paul Verhoeven são confirmados em Cannes
Os novos filmes de Wes Anderson e Paul Verhoeven, “A Crônica Francesa” (The French Dispatch) e “Benedetta”, foram confirmados na programação do Festival de Cannes 2021. Segundo o presidente do festival, Thierry Frémaux, eles faziam parte da seleção do ano passado, que foi cancelada pela pandemia de coronavírus, mas como ainda não foram exibidos em nenhum lugar, tiveram suas premières mundiais agendadas para o evento deste ano. “A Crônica Francesa” tem estrutura de antologia e gira em torno da apuração de jornalistas para um jornal francês de expatriados. A fotografia em tons pastéis, a proporção de tela pré-widescreen, o figurino de época (anos 1960) e a cenografia minunciosamente detalhista aproxima a obra especialmente de “O Grande Hotel Budapeste” (2014), filme live-action anterior de Anderson, que também se passava na Europa de antigamente. O elenco estelar inclui diversos integrantes da trupe que acompanha Anderson na maioria de seus projetos, formada por Bill Murray, Owen Wilson, Jason Schwartzman, Adrien Brody, Willem Dafoe, Tilda Swinton, Edward Norton, Bob Balaban, Anjelica Huston, Frances McDormand, os “novatos” Tony Revolori, Saoirse Ronan, Léa Seydoux, Mathieu Amalric, Fisher Stevens (que entraram na turma em “O Grande Hotel Budapeste”) e Liev Schreiber (em “Ilha dos Cachorros”). Mas também há diversos estreantes no universo do diretor: Timothée Chalamet (“Me Chame pelo Seu Nome”), Benicio Del Toro (“Sicario”), Christoph Waltz (“Django Livre”), Jeffrey Wright (“Westworld”), Elisabeth Moss (“The Handmaid’s Tale”), Lyna Khoudri (“Papicha”), Cécile de France (“O Garoto da Bicicleta”), Rupert Friend (“Homeland”), Alex Lawther (“The End of the F***ing World”), Henry Winkler (“Barry”), Lois Smith (“Lady Bird”), Griffin Dunne (“This Is Us”), Guillaume Gallienne (“Yves Saint Laurent”), Stephen Park (“O Expresso do Amanhã”), Hippolyte Girardot (“Amar, Beber e Cantar”) e até Morgane Polanski (“Vikings”), filha do cineasta Roman Polanski. “Benedetta”, por sua vez, é um drama erótico do veterano diretor holandês de “Instinto Selvagem” sobre uma freira do século 17 que sofre com perturbadoras visões religiosas. O elenco destaca Virginie Efira (“Elle”), Charlotte Rampling (“Ninfomaníaca”) e Lambert Wilson (“A Odisseia de Jacques”). Os dois longas se juntam a “Annette”, ópera rock de Leos Carax, com músicas da banda Sparks e estrelada por Adam Driver (“Star Wars: A Ascensão Skywalker”) e Marion Cotillard (“Aliados”), que foi anunciado na segunda-feira (19/4) como filme de abertura do festival. O mais famoso festival de cinema do mundo, que habitualmente acontece em maio, este ano foi adiado devido à pandemia e será realizado entre os dias 6 e 17 de julho na Riviera Francesa.
Ava DuVernay fará série animada baseada na fantasia literária Asas de Fogo
A cineasta Ava DuVernay prepara mais um projeto na Netflix. Dessa vez, a criadora de “Olhos que Condenam” está desenvolvendo uma série de animação baseada nos livros de fantasia “Asas de Fogo” (Wings of Fire, no original), da escritora Tui T. Sutherland. A produção é uma parceria da empresa de DuVernay, Array Filmworks, com a Warner Bros. Animation. A trama tem como pano de fundo uma guerra épica no mundo fictício de Pirria, onde, de acordo com uma profecia, cinco jovens dragões surgirão para encerrar o derramamento de sangue e trazer a paz de volta. A franquia literária já tem 14 livros e um 15º planejado. Os quatro primeiros foram lançados no Brasil pela editora Fundamento. “Não poderíamos estar mais orgulhosos por Ava escolher a Netflix como o lar de sua primeira série de animação”, disse Melissa Cobb, Vice-Presidente de Animação da Netflix, em comunicado sobre o projeto. “Uma saga de fantasia épica cheia de arrebatamento e espetáculo, ‘Wings of Fire’ promete ser um evento imperdível para toda a família.”
Filme sobre Boy George troca produtora e agenda filmagens
O filme biográfico de Boy George, cantor da banda dos anos 1980 Culture Club, mudou sua produção da MGM para a Millennium Media, planejando acelerar o início dos trabalhos. O cronograma atual visa começar as filmagens em Londres durante o próximo verão europeu (nosso inverno). O próprio Boy George contou as novidades num vídeo divulgado nesta terça (20/4), no qual ainda afirma que a busca pelo elenco está em andamento. Ele chegou a revelar que Daniel Mays (“Belas Maldições”, “White Lies”) vai viver seu pai e que “há rumores de Keanu Reeves aparecendo”. Quando o projeto foi anunciado em 2019, a atriz Sophie Turner (a Sansa de “Game of Thrones”) se candidatou a viver o cantor. Intitulada “Karma Chameleon”, a cinebiografia está a cargo do roteirista e diretor Sacha Gervasi (“Hitchcock”, “Meu Jantar com Hervé”) e vai cobrir da juventude de George, trabalhando numa chapelaria no Blitz, club londrino onde aconteceu a explosão da cena “new romantic”, até o seu sucesso com os hits “Karma Chameleon”, “Miss Me Blind” e “Do You Really Want to Hurt Me”, à frente do Culture Club. Conhecido pelo visual andrógino com o qual se apresentava, George se tornou um ícone do movimento LGBTQIA+ no Reino Unido e em todo o mundo. O cantor, que se identificava como bissexual no auge do sucesso do Culture Club, passou a se declarar abertamente gay nos anos 2000. Juntando o sucesso do Culture Club com seus álbuns solo, George já vendeu mais de 100 milhões de singles e 50 milhões de álbuns ao redor do mundo. O músico também escreveu duas autobiografias que se tornaram best-sellers, “Take It Like a Man” (1995) e “Straight” (2004). E teve uma carreira como DJ. Dos anos 1980 até recentemente, ele também lutou contra o vício em drogas, especificamente a heroína. O filme de Boy George é reflexo do sucesso de “Bohemian Rhapsody”, focado em Freddie Mercury, e “Rocketman”, sobre Elton John, e faz parte de uma tendência que levará várias outras cinebiografias musicais aos cinemas nos próximos anos, abrangendo as carreiras de artistas tão diferentes quanto Aretha Franklin, Robbie Williams, os Ramones e os Bee Gees. Veja abaixo o vídeo do anúncio e o clipe da música que dá nome à produção.











