David Ayer confirma ter versão do diretor “quase completa” de Esquadrão Suicida

David Ayer confirmou para fãs no Twitter que realmente existe uma versão do diretor de “Esquadrão Suicida”. Não só isso: ela estaria quase pronta para ser exibida.

“Claro que existe. E está quase completa, faltando alguns efeitos visuais”, escreveu na rede social.

Ele ainda acrescentou: “Minha versão não é uma apoteose da arte cinematográfica, mas é simplesmente melhor que a versão que o público viu – e sim, faria sentido atualizá-la”.

Ayer seguiu afirmando que “seria fácil completar” sua versão. “Seria incrivelmente catártico. É exaustivo ter o traseiro chutado por um filme que recebeu o tratamento ‘Edward Mãos de Tesoura’. O filme que eu fiz nunca foi visto”.

Os tuites (parte deles podem ser vistos abaixo) vêm na esteira da oficialização do “Snyder Cut”, a versão do diretor de “Liga da Justiça”, que ganhará lançamento na HBO Max em 2021.

Após oficializar a versão de Zack Snyder, a AT&T, empresa que comprou a Warner e está por trás da prioridade dada ao lançamento da plataforma de streaming do estúdio, disse nas redes sociais que também estava aberta a um “Ayer Cut” de “Esquadrão Suicida”, o que fez o diretor se manifestar com uma mensagem, “No aguardo”, e começar a falar obsessivamente sobre isso.

Nos últimos dias, Ayer se lançou com tudo na campanha por sua versão de “Esquadrão Suicida”. Mas, nesse processo, tem precisado desmentir a si próprio, negando afirmações que fez na época do lançamento do filme. Muito mal-recebido pela crítica, “Esquadrão Suicida” sofreu intervenção da Warner e foi remontado por um comitê em sua fase de pós-produção, mas como faturou uma fortuna, Ayer evitou criticar o estúdio e só confirmou parte dos bastidores tumultuados, jurando que não existiam cenas extras, muito menos “versão do diretor”. O discurso, agora, é o oposto disso.

Passados quatro anos, Ayer finalmente confirmou aquilo que o ator Jared Leto sempre disse (e que ele dizia ser mentira): boa parte das cenas filmadas com o Coringa não foi usada. Leto chegou a afirmar que o material cortado daria um filme solo do Coringa. Agora, o diretor garante até que June/Magia, a personagem vivida por Cara Delevingne, tem mais destaque e é mais bem planejada na sua versão do filme.

Lançado em 2016, “Esquadrão Suicida” fez US$ 746 milhões em bilheteria mundial, mas foi destruído pela crítica, com apenas 27% de aprovação no site Rotten Tomatoes.

O que Ayer dizia na época é que a produção por “seis ou sete” montagens diferentes, mas todo o material foi utilizado.

Ele até detalhou algumas versões, que poderiam virar um “Ayer Cut”. “Tínhamos uma versão linear do começo ao fim”, disse em 2016. “Começávamos com June na caverna, e depois contávamos a história de cada um dos vilões e suas prisões”, contou. “Depois, tivemos uma versão em que eles estão sentados em suas celas e se lembram do passado, de tudo o que aconteceu com eles. Mas essas versões confundiam um pouco o público-teste, que ficou desorientado, sem saber quem acompanhar e em que prestar atenção”.

“Foi aí que bolamos a montagem que você vê no filme, com Amanda Waller apresentando o dossiê de cada um dos personagens”, concluiu, apelidando a versão exibida como a “Versão Dossiê”.

Na ocasião, porém, o diretor jogou água fria nos que gostariam de ver uma edição alternativa do filme, garantindo que a montagem exibida é a sua versão e não teria sentido fazer uma nova “versão do diretor”. Ou seja, ele compartilhou e aceitou cada sugestão de modificação feita em conjunto com os produtores e o estúdio – inclusive a montagem realizada pela equipe que criou o trailer. E ainda afirmou que não existia “uma edição secreta do filme com um monte de cenas do Coringa escondida por aí”.

Coube à revista The Hollywood Reporter revelar que, apesar dessa afirmação, a versão final de “Esquadrão Suicida” não foi realmente o filme concebido por Ayer. Sua versão era densa e sombria, e foi modificada por terceiros para se tornar mais leve e engraçada. A reportagem confirmou o que diziam os boatos da época: que todas as piadas do roteiro original estavam nos primeiros trailers e que o resto do filme se levava muito a sério.

Para complicar ainda mais a situação, os trailers, que seriam completamente diferentes do filme, fizeram muito sucesso. O que levou a Warner a procurar a empresa responsável por editá-los, a Trailer Park, para produzir uma edição alternativa do “Esquadrão Suicida”, enquanto Ayer ainda estava filmando.

Em março, o estúdio começou a testar as duas versões: a séria de Ayer e a mais leve do Trailer Park. E as reações do público foram divididas. Como o diretor se mostrou receptivo a participar do processo, a Warner buscou encontrar um meio termo. Toda a abertura foi alterada, passando a trazer introduções dos vilões e gráficos coloridos – a tal “Versão Dossiê”.

No filme original de Ayer, as cenas de “introdução” faziam parte de flashbacks espalhados ao longo da projeção.

A mudança deixou a história leve no começo e pesada no fim. Assim, para equilibrar um pouco mais a trama, o estúdio concordou em aumentar seus gastos, com a reconvocação do elenco para filmagens extras.

O objetivo foi inserir mais cenas engraçadas, como a blogosfera tinha apurado, e não apenas para aumentar a ação da trama, como a equipe justificou. Ao final, o resultado foi emendado e reeditado por um batalhão de profissionais contratados para dar a forma final ao filme, que se materializou apenas durante a montagem.

Diante da participação do diretor ao longo desse processo, fica claro que o chamado “Ayer Cut” tem uma origem bem diferente do “Snyder Cut” – Zack Snyder foi escanteado e não participou de refilmagens nem da edição final de “Liga da Justiça”.