Tom Holland revela “sem querer” o título do próximo filme do Homem-Aranha
Tom Holland pode ter superado Mark Ruffalo na disputa de trapalhadas entre os dois para ver quem solta mais spoilers dos filmes da Marvel. Brincando com os fãs num vídeo em seu Instagram, o ator acabou revelando, supostamente sem querer, o título da continuação de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”. O longa será chamado “Spider-Man: Far From Home” – ou “Homem-Aranha: Longe do Lar”, em tradução literal. A revelação foi feita casualmente pelo ator, em meio a um vídeo em que se desculpava com os fãs por não ter nenhuma novidade sobre o filme, devido ao destino do seu personagem em “Vingadores: Guerra Infinita”. “Eu não sei muito sobre o filme. Estou meio confuso, porque eu morri, então não sei como as coisas vão rolar. Mas o que sei é que já recebi o novo roteiro, estou muito animado para lê-lo, e vai ser ótimo”, disse Holland, levantando um tablet onde se podia ler o título da produção. Ops? Não do jeito como o iPad que destaca o título da produção é erguido em direção à câmera do celular. A “trapalhada” foi proposital para divulgar mesmo o título, inclusive já adotado na ficha do filme no IMDb. Confira abaixo. O novo Homem-Aranha tem previsão de estreia para julho de 2019. Sorry for no announcements, but I love you guys ♥️ Uma publicação compartilhada por ✌️ (@tomholland2013) em 23 de Jun, 2018 às 5:39 PDT
Zoe: Sci-fi romântica com Ewan McGregor e Léa Seydoux ganha imagens e trailer
A Amazon divulgou o pôster, 14 fotos e o trailer de “Zoe”, sci-fi romântica estrelada por Ewan McGregor (“Trainspotting”) e Léa Seydoux (“007 Contra Spectre”). Os dois trabalham no desenvolvimento de programas de inteligência artificial voltados para relacionamentos. Após desenvolverem um algoritmo que determina a probabilidade de um relacionamento funcionar, o mais novo projeto da dupla são robôs concebidos para se tornar o par perfeito de alguém. O personagem de McGregor desenvolve um relacionamento com a funcionária interpretada por Léa Seydoux, mas tudo acaba se complicando, quando ela desconfia que também fez parte da experiência. Isto a aproxima do primeiro sintético que eles desenvolveram, vivido por Theo James (“Divergente”). O elenco também inclui Rashida Jones (“Te Peguei!”), Matthew Gray Gubler (série “Criminal Minds”), Miranda Otto (“Annabelle 2: A Criação do Mal”) e a cantora Christina Aguilera (“Burlesque”). Segunda sci-fi romântica de Drake Doremus, diretor de “Equals” (2015), “Zoe” teve première mundial no Festival de Tribeca em abril e será disponibilizado em 20 de julho na plataforma Amazon Prime.
Jodie Foster negocia estrelar série baseada nos quadrinhos de Y: O Último Homem
A atriz Jodie Foster (“Elysium”) está em negociações para integrar o elenco da série baseada nos quadrinhos de “Y: O Último Homem” (Y: the Last Man). Segundo o site The Hashtag Show, a atriz é cotada para o papel de Jennifer Brown, mãe do protagonista Yorick Brown. Há anos considerada como franquia potencial, a adaptação dos quadrinhos teve seu piloto encomendado em abril pelo canal pago FX, com roteiro e produção de Michael Green (indicado ao Oscar por “Logan”). Para se ter noção, a trama quase virou filme em 2007 com direção de D.J. Caruso (“Eu Sou o Número Quatro”) e com Shia LaBeouf (“Ninfomaníaca”) no papel principal. Em 2012, voltou a ser cotado para o cinema, como o longa de estreia de Dan Trachtenberg, que acabou fazendo “Rua Cloverfield 10”. O próprio criador de “Y”, Brian K. Vaughan, trouxe o projeto para a FX há três anos, em parceria com Michael Green. Mas só agora o projeto andou. Um dos quadrinhos mais cultuados da Vertigo, a linha adulta da DC Comics, e vencedor de cinco prêmios Eisner, o Oscar dos quadrinhos, “Y: O Último Homem” teve 60 edições, publicadas entre 2002 e 2008, em que contou a história do jovem ilusionista Yorick Brown, sobrevivente de uma praga que extinguiu toda a população de machos da Terra. Ele e seu macaco Ampersand são as únicas exceções. Quando grupos de mulheres mal-intencionadas descobrem que ele é o último homem da terra, passam a caçá-lo de todas as formas possíveis. Mas ele também encontra aliadas em sua jornada, que veem em sua sobrevivência uma chance de encontrar uma cura que permita o nascimento de novos homens e, assim, impedir a extinção da humanidade. O projeto é a segunda criação de Vaughan que pode virar série. Ele também criou os quadrinhos dos Fugitivos (Runaways), transformado em atração da plataforma Hulu. Além disso, Vaughan é um roteirista experiente de séries, tendo trabalhado em “Lost” e “Under the Dome”. E Green é um dos escritores mais valorizados da atualidade por Hollywood, autor de “Logan”, “Blade Runner 2049” e “O Assassinato do Expresso Oriente”, além de cocriador da série “American Gods”. O piloto da adaptação será dirigido por Melina Matsoukas (das séries “Insecure”, “Master of None” e de clipes premiados de Beyoncé e Rihanna). E como deve ser rodado no fim de julho, o elenco precisa ser finalizado nos próximos dias.
Nora Darhk vai integrar o grupo de heróis da série Legends of Tomorrow
A atriz Courtney Ford, que viveu a vilã Nora Darhk na 3ª temporada de “Legends of Tomorrow”, foi promovida a integrante fixa da série. Ela será a terceira atriz recorrente a ser integrada ao grupo central de “Legends of Tomorrow”, após a confirmação de Matt Ryan (que vive John Constantine) e Jes Macallan (Ava Sharpe). Por outro lado, Keiynan Lonsdale (Kid Flash) deixará a série. A personagem Nora Darhk é a filha do vilão Damien Darhk (Neal McDonough), que enfrentou as Lendas quando ela e seu pai tentaram libertar um demônio chamado Mallus no mundo. Desde que ela foi apresentada no episódio 5 da última temporada, Ford apareceu na maioria dos episódios seguintes, até ser salva da influência demoníaca pelo herói Ray Palmer, o Elektron, com quem viveu uma grande aproximação. Por curiosidade, Ford é casada na vida real com o ator Brandon Routh, intérprete de Ray na série, e a comprovada química do casal pode ter ajudado na contratação. A 4ª temporada de “Legends of Tomorrow” estreia em 22 de outubro nos Estados Unidos. A série é exibida no Brasil pelo canal pago Warner.
Cynthia Nixon revela que o filho é transexual em post de apoio no Instagram
A atriz Cynthia Nixon, estrela de “Sex and the City” que está atualmente em cartaz no filme brasileiro “Talvez uma História de Amor”, revelou que seu filho Samuel é transgênero com um post no Instagram, durante o Dia de Ação de Trans, que aconteceu na sexta (22/6). “Estou muito orgulhoso do meu filho Samuel Joseph Mozes (chamado Seph) que se formou na faculdade este mês. Eu saúdo ele e todos os outros que marcaram o #TransDayofAction de hoje”, ela escreveu na legenda de uma foto de formatura do filho. Samuel, que tem 21 anos, nasceu Samantha Mozes. Nixon também tem outro filho de 15 anos, Charles Ezekiel Mozes. Ambos são filhos de seu ex-marido Danny Mozes. Além de ser estrela de cinema e séries, a atriz de 52 anos é pré-candidata ao cargo de governador de Nova York. I’m so proud of my son Samuel Joseph Mozes (called Seph) who graduated college this month. I salute him and everyone else marking today’s #TransDayofAction. #TDOA Uma publicação compartilhada por Cynthia Nixon (@cynthiaenixon) em 22 de Jun, 2018 às 12:39 PDT
James Wan vai dirigir o primeiro episódio da série do Monstro do Pântano
O cinesta James Wan, responsável pela franquia de terror “Invocação do Mal”, vai dirigir o episódio inaugural da série “Swamp Thing”, sobre o personagem dos quadrinhos Monstro do Pântano. Ele já é um dos produtores da atração e seu envolvimento tem o objetivo de marcar o tom da série. Entretanto, como está cheio de projetos, Wan vai dividir a direção do piloto com Deran Serafian, um veterano especialista em séries do gênero (que fez de “Buffy” a “The Exorcist”). Apesar da expectativa aumentar com a participação de Wan atrás das câmeras, não será a primeira vez que um mestre do terror vai dirigir o monstro mais famoso da DC Comics. Wes Craven, responsável pelas franquias “A Hora do Pesadelo” e “Pânico”, lançou um filme do personagem em 1982. Mas, na época, o baixo orçamento – o monstro era um ator com roupa de borracha – deixou o filme com aparência trash. A produção de Wan também não será a primeira série do personagem, que já teve uma atração com três temporadas no canal pago americano USA Network, entre 1990 e 1993. Desta vez, haverá mais liberdade para a produção abraçar as tramas de terror e maior investimento da Warner. A confiança é tanta que a série foi aprovada sem encomenda de piloto, baseada apenas na apresentação e na reputação de Wan. “Swamp Thing” será o segundo trabalho do cineasta para a DC Comics. Vale lembrar que ele é o diretor de “Aquaman”, que chega aos cinemas no final do ano. A série vai integrar o DC Universe, novo serviço de streaming da DC Comics, que ainda não tem previsão de estreia.
Filme de terror Raça das Trevas, do criador de Hellraiser, vai virar série
O filme de terror “Nightbreed”, escrito e dirigido por Clive Barker (o criador de “Hellraiser”), vai virar série do canal pago SyFy. Conhecido no Brasil como “Raça das Trevas”, o longa de 1990 é originalmente baseado no conto “Cabal”, de 1988, e também já inspirou uma publicação de quadrinhos. A adaptação está a cargo do roteirista Josh Stolberg (do remake de “Piranha” e do recente “Jogos Mortais: Jigsaw”) e vai seguir um grupo de mestiços, metade humanos e metade monstros, que buscam um novo refúgio após seu abrigo subterrâneo ser destruído. Entre eles, está um herói que enfrenta a dor e o mistério que envolvem a morte de sua noiva. O grupo ainda precisa lidar com os humanos que os consideram monstros. O próprio Clive Barker é um dos produtores da atração, junto com os estúdios Universal e Morgan Creek. “Essa história está no meu coração há muitos anos”, disse Barker, em comunicado. “Estou muito animado com o fato de SyFy e Universal estarem embarcando conosco e eu mal posso esperar para ver isso ganhar vida na tela.” Ainda não há data para a estreia da série.
Dwayne Johnson se emociona em vídeo ao apresentar documentário sobre a Chapecoense
O ator Dwayne “The Rock” Johnson divulgou um vídeo em seu Instagram sobre um trabalho diferente em sua carreira. Ele fez a introdução para o documentário “Nossa Chape”, que mostra a jornada emocionante do time da Chapecoense, que chegou até a final da Copa Sul-Americana de 2016, apenas para ter sua trajetória tragicamente interrompida com a queda do avião que matou 71 pessoas, incluindo a maioria dos atletas e a comissão técnica da equipe. “Levei alguns takes e tive de lutar contra as lágrimas para chegar até o fim”, disse o astro, na legenda do vídeo. “Uma história poderosa e emocionante que foi um completo privilégio introduzir e poder fazer uma pequena contribuição”. O filme foi dirigido por Jeff Zimbalist e Michael Zimbalist, que antes assinaram o documentário “The Two Escobars”, que mostra a relação entre Pablo Escobar e o futebol, enquanto traça a jornada de Andrés Escobar – zagueiro que defendeu a Colômbia na Copa do Mundo de 1994 e foi assassinado depois de fazer um gol contra. Os irmãos Zimbalist também dirigiram o filme “Pelé”, sobre a juventude do maior jogador de futebol de todos os tempos. O documentário será exibido no canal pago Fox Sports dos EUA. Took me a few takes and fought back tears to get thru this one. Join us now on @foxsports or set your DVR’s for NOSSA CHAPE. Very powerful and emotional story that was my absolute privilege to introduce and be a small part of. #NossaChape #Chapecoense ?? Uma publicação compartilhada por therock (@therock) em 23 de Jun, 2018 às 1:15 PDT
Kit Harington e Rose Leslie se casam em castelo em clima de Game of Thrones
Eles se apaixonaram na ficção e agora se casaram de verdade. Kit Harington e Rose Leslie se conheceram em 2012, durante as gravações da série “Game of Thrones”, mas enquanto o namoro de seus personagens, Jon Snow e Ygritte, acabou interrompido na ficção, ele foi muito além na vida real. Realizado neste sábado (23/4), o casamento foi uma produção digna da série da HBO, tendo como cenário um castelo e com vários astros de “Game of Thrones” como “coadjuvantes”. A cerimônia aconteceu no castelo de Wardhill, propriedade da família da noiva, na Escócia. E foi acompanhado por todos os irmãos televisivos de Harington, inclusive Richard Madden, cujo personagem Robb Stark morreu há muito tempo na série, justamente durante um casamento. Também participaram da festa as atrizes Sophie Turner (Sansa Stark), Maisie Williams (Arya Stark) e Emilia Clarke (Daenerys Targaryen) e os atores Peter Dinklage (Tyrion Lannister), John Bradley (Samwell Tarly), Joe Dempsie (Gendrie), Conleth Hill (Lord Varys), Ben Crompton (Eddison Tollett) e Liam Cunningham (Davos Seaworth). Veja algumas fotos do casamento abaixo.
Novo Jurassic World mostra que a franquia não têm fôlego para tantas sequências
Quando “Jurassic World” saiu em 2015, a continuação disfarçada de reboot atualizou a franquia e conceitos do amado filme original de 1993 para uma nova geração. Mas a sequência tinha a obrigação de levar a franquia adiante e não condená-la à repetição eterna do esquema “dinossauros à solta, salve-se quem puder”. Pois bem. “Jurassic World: Reino Ameaçado” troca o sem sal Colin Trevorrow, do “Jurassic World” anterior, pelo muito mais talentoso J.A. Bayona na direção. Mas se “Jurassic Park” era só efeitos digitais com um fiapo de roteiro, “Reino Ameaçado” exagera em narrativas sem saber muito bem qual caminho trilhar. São mais ou menos quatro filmes diferentes misturados na mesma trama e todos mal desenvolvidos, resultando um roteiro esquizofrênico que não consegue fazer suas diferentes partes dialogarem entre si. A primeira parte é uma versão atualizada de “O Mundo Perdido: Jurassic Park”, mas com um vulcão em erupção. A ideia chega a ser bacana para os fãs incondicionais, porque juntar vulcão e dinossauros soa como algo digno de blockbuster. Mas não é bem por aí. Afinal, quando a correria de humanos, dinossauros e lava tomam conta da tela, o filme encerra o primeiro ato para dar lugar a um dos momentos mais chatos de toda a franquia. Porém, antes de implodir, essa parte do vulcão traz uma interessante discussão a respeito de direitos dos animais (algo explorado em “O Mundo Perdido”), uma nova extinção dos dinossauros e termina com uma cena emocionante, que é a melhor do filme. E, cá entre nós, apenas esse ato renderia um longa satisfatório, caso fosse devidamente desenvolvido. Seria repetitivo, mas não vergonhoso. Mas, então, vem o segundo ato, que não passa de um intervalo longo para o clímax, apenas para repetir tudo aquilo que já sabíamos e sem trazer a mínima novidade: a raça humana não aprende, quer brincar de Deus e ganhar muito dinheiro sem saber exatamente onde e como gastar. Os protagonistas, novamente interpretados por Chris Pratt e Bryce Dallas Howard, não tem muito o que fazer nesse segmento, então ficam parados, falando e pensando, enquanto a trama vira um leilão de dinossauros tão divertido quanto as cenas de políticos no senado de “Star Wars: A Ameaça Fantasma”. E numa mansão estilo Bruce Wayne, onde a Batcaverna dá lugar a um laboratório/prisão. Vejam só o nível do entretenimento: saímos da ilha para uma mansão. Nesse meio tempo, entre até mesmo um clone humano na trama, que não é essa revelação tão surpreendente que os roteiristas queriam. Enfim, esse cenário logo vira um filme de terror censura livre, temática em que J.A. Bayona se sente à vontade e permite ao diretor de “O Orfanato” e “Sete Minutos Depois da Meia-Noite” exercitar sua verdadeira vocação entre sombras, luzes e sustos. É o terceiro ato. Bayona acha espaço para seu toque pessoal mesmo quando demonstra o quanto “Jurassic Park” e Steven Spielberg inspiraram sua criatividade como cineasta. Mas é um tanto esquisito ver que os planos gigantescos e abertos da ilha no primeiro ato foram substituídos por um pega-pega dentro de uma mansão proporcionada por mais um dinossauro mutante (o T-Rex não é assustador o suficiente?). Os críticos que reclamaram quando Spielberg mostrou um velociraptor abrindo porta no “Jurassic Park” original, não poderiam prever que, um dia, “Reino Ameaçado” traria um dino sorrindo sarcasticamente e outro capaz de “lê” uma placa (vai saber) sobre vazamento de gás de modo a correr tão rápido quanto Tom Cruise antes de ser consumido pelo impacto e o fogo. O ato final dentro de “Reino Ameaçado” é um gancho safado para mais uma sequência. É uma reviravolta tão inesperada quanto esdrúxula, porque o filme não conduz a trama para esse um clímax, que lembra outra franquia com animais, indicando um futuro diferente, mas que não garante a empolgação desejada. Pelo contrário, a ideia de um “Planeta dos Dinossauros” causa estranheza, desconfiança e a sensação de que tentaram inovar, mas sem a mínima certeza do que estavam fazendo. De positivo, Chris Pratt e Bryce Dallas Howard apresentam seus personagens de forma mais humana e vulnerável neste longa. O tema clássico de John Williams continua lindo, embora toque com vontade mesmo só nos créditos finais e conduzido aqui pelo mestre Michael Giacchino. Os efeitos visuais e sonoros também permanecem incríveis, como já eram desde o início dos anos 1990. A conclusão é que, na verdade, “Jurassic Park” não nasceu para ter tantas sequências. No máximo, uma continuação. Mas, diferente de “Alien” e “O Exterminador do Futuro”, o público parece correr para os cinemas cada vez que um novo longa é lançado. Mesmo que repita praticamente a mesma história de sempre, filme atrás de filme. E qualquer tentativa de sair disso apenas se mostra uma alternativa ainda pior.
Rei transforma narrativa de épico histórico em cinema experimental
Quem tem o hábito de ver muitos filmes, tem hora que se cansa da repetição de temas, de personagens e, principalmente, da forma de tratá-los. Além de encontrar com frequência os mesmos atores e atrizes em papéis principais, sobretudo na produção de países dominantes no cinema, como Estados Unidos e França. As narrativas clássicas, que contam uma história com começo, meio e fim, nessa ordem, com finais felizes, estão em baixa. No entanto, recursos como ir e voltar no tempo ou misturar o real com o imaginado, sonhado ou desejado, não chegam a alterar muita coisa. A forma como os conflitos são resolvidos, correndo contra o tempo até o último minuto, já se tornou algo insuportável. Finais muito abertos e indefinidos nem sempre acrescentam algo ao espectador, além de confundi-lo. E por aí vai. Há grandes cineastas de talento que, usando a narrativa clássica, aliada à criatividade no uso das câmeras, no modo de filmar, produzem grandes obras. Em todo caso, é bom buscar novidades e estar aberto a provocações. Nem tudo o que é novo é bom, é claro, mas não custa conferir. Tudo isso a propósito de um filme experimental que chegou aos cinemas e que merece atenção. “Rei”, do chileno Niles Atallah, tem uma narrativa fragmentada, como a história que ele conta. Aborda um personagem francês, um aventureiro, que em 1860 partiu para a região de Araucanía, no sul do Chile, com a intenção de formar um reino e dele se tornar rei. Supostamente, com o aval do chefe indígena da região. Ao chegar lá, com a ajuda de um guia, descobre que esse chefe está morto e fica difícil justificar sua viagem diante do governo chileno, que o prende e o acusa de usurpação indevida de território e traição ao país, ainda que a região pretendida pelo aventureiro fosse inóspita e estivesse nas mãos dos indígenas. Teriam eles o direito de sagrá-lo rei de Araucanía e Patagônia? É uma história estranha, misto de realidade, fantasia, delírio. Uma coisa de sonhos, memórias perdidas, fantasmagorias. Registros precários e lendas sobre um estranho rei: Orélier-Antoine de Tounens. Para penetrar nessa curiosa e inusitada trama, em que faltariam muitos pedaços, o diretor de “Rei” se utiliza de sofisticadas filmagens, produzidas como filmes antigos, cheios de bolas, borrões, riscos, imperfeições na tela. Inclui fragmentos de filmes realmente existentes? Talvez. Mas não importa. Cria-se um mundo ilusório de pesquisa imagética, com referências a um passado remoto, anterior à criação do cinema. E filma-se, também, o que seria a reconstrução da saga do viajante francês em encenações atuais, com boa qualidade de imagens. O suposto julgamento pelo governo chileno é encenado com os personagens cobertos por máscaras grossas, o que impede qualquer representação realista dos supostos fatos. Descaracteriza a representação cênica dos atores, que fica resumida a bonecos falantes. O filme alterna esses fragmentos narrativos e as diferentes formas filmadas, sem pretender chegar a contar uma saga coerente ou completa. Mas reconstrói, ao menos parcialmente, a lenda e vai além da simples loucura ou delírio extravagante, para se perguntar: o que há de relevante e coerente em tudo isso? O que significa uma figura como essa, que ocupa a cena, quando já estaria desaparecendo de qualquer registro ou memória, se não fosse resgatada em um filme? Esse resgate é importante? Por quê? Enfim, não se trata de uma busca de respostas. Mas, sim, de um exercício de investigação e recuperação da memória e dos sonhos, matéria prima do humano e do coletivo. “Rei” foi vencedor do prêmio de melhor filme no Festival de Cinema Latino-Americano de Toulouse, na França, em 2017.
Vingança usa violência como arma de empoderamento
Existe um subgênero do terror conhecido como “rape and revenge”, que faz justamente o que a sua alcunha sugere: mostra cenas de estupro seguidas por uma sanguinolenta vingança. Voltado para o público masculino, este subgênero gerou nos últimos anos alguns produtos de gosto duvidoso, como a franquia “Doce Vingança”, e parecia não ter muito conteúdo a oferecer, a não ser àqueles que ainda aguentam ver mulheres sendo submetidas a situações de objetificação sexual e extrema violência. A produção francesa “Vingança” tinha tudo para ser mais um desses filmes, mas não é. E o motivo para isso é simples: é escrito e dirigido por uma mulher. Estreando aqui no comando de um longa-metragem, a cineasta francesa Coralie Fargeat também é responsável pelo roteiro, que acompanha Jen (a italiana Matilda Anna Ingrid Lutz, de “O Chamado 3”), uma jovem que viaja para um local isolado para passar alguns dias com Richard (o belga Kevin Janssens, da série “Vermist”), um homem casado com quem ela mantém um relacionamento. O sossego dos dois é interrompido pela presença de Stan (Vincent Colombe) e Dimitri (Guillaume Bouchède), identificados apenas como “associados” de Richard, que chegaram mais cedo para a caçada anual que eles fazem pelo deserto que cerca a casa. E não demora a acontecer aquilo que o nome deste subgênero sugere. Mas por mais que Fargeat nos leve para lugares conhecidos, o caminho utilizado é pouco viajado. Assim, se o início apresenta Jen como um objeto sexual – com closes constantes da bunda dela –, o objetivo não é explorar o corpo da atriz, mas dialogar com a percepção que o público masculino tem acerca desse tipo de filme. A cineasta mostra o que o público espera ver, apenas para subverter essa visão em seguida. Isso é mais notável na cena do estupro, na qual a diretora afasta a câmera ato em si para aproxima-la do personagem que assiste aquilo – sendo que ele é um reflexo do voyeurismo do próprio espectador. Aliás, é interessante perceber como o roteiro não desenvolve nenhum dos personagens. Em vez de diminuir o alcance da narrativa, tal escolha a amplia, pois cada uma daquelas pessoas se torna representações muito mais amplas do seu gênero. A proposta da realizadora é criar um microcosmo de uma realidade cada vez mais presente na nossa sociedade. Os homens, neste caso, representam todos os homens que já cometeram atos de violência contra as mulheres. E o oposto é verdadeiro. Isso justifica o fato de a protagonista parecer imortal, continuando viva mesmo após perder litros de sangue. Afinal, ela carrega consigo a força de todas as mulheres. A diretora se utiliza de simbolismos para dar corpo à sua obra. É bastante significativo, por exemplo, que a primeira vingança empreendida por Jen seja contra aquele que viu o ocorrido, mas não fez nada para impedir. E o castigo que ele recebe tem a ver com essa ideia do olhar. Também é notável como, em certo momento, a protagonista precisa retirar um objeto fálico de dentro de si – um galho – e como este é substituído pela imagem de uma águia, simbolizando a liberdade. Tudo isso faz parte da transformação pela qual ela passa ao longo da projeção. E embora ela apareça correndo pelo deserto vestindo apenas de calcinha e sutiã, essa imagem não tem o intuito de ser sedutora, mas empoderadora.
Selfie para o Inferno é vídeo viral que não consegue conexão no cinema
Com a evolução da tecnologia e o barateamento dos custos para a realização, a produção de curtas-metragens de terror se proliferou nos últimos anos. Uma busca rápida na internet mostra a enorme quantidade de pequenos filmes feitos apenas com o intuito de pregar um susto no espectador. De vez em quando, algum desses curtas se destaca, atingindo um grande número de visualizações e de compartilhamentos. Quando isso acontece, é normal que algum estúdio ou executivo enxergue ali a possibilidade de gerar lucro, ignorando o fato de que talvez aqueles vídeos tenham funcionado justamente pela sua curta duração. Foi o que aconteceu com os curtas “Mamá”, de Andy Muschietti, e “Lights Out”, de David F. Sandberg, que geraram os longas “Mama” e “Quando as Luzes se Apagam”. E apesar de estes títulos terem apresentado alguns problemas ao serem transpostos para a longa duração, ao menos apontaram que, por trás das câmeras, havia um talento em potencial (Muschietti depois dirigiu “It: A Coisa” e Sandberg fez “Annabelle 2: A Criação do Mal”). Mas o recente “Selfie Para o Inferno”, dirigido por Erdal Ceylan, não faz nem isso. Não apenas o curta que o originou é ruim, como todos os problemas já vistos na pequena obra são exponenciados aqui, criando um longa-metragem extremamente problemático, mal feito e nada assustador. Escrito pelo próprio Ceylan, o roteiro acompanha Hannah (Alyson Walker), uma jovem que recebe a visita da sua prima, a youtuber Julia (Meelah Adams) e percebe que ela está agindo de maneira estranha – por ter se recusado a tirar uma selfie com ela no carro – mas prefere não falar nada. Já em casa, e sem nenhum motivo aparente, Julia vence o seu medo de tirar uma selfie, mas, quando o faz, percebe-se uma sombra atrás dela na foto. Essa sombra se aproxima a cada nova foto, o que não impede Julia de continuar tirando fotos de si mesma, culminando no momento em que ela é atacada. Depois do ataque, ela fica num estado de coma – mas não é levada para um hospital. Hannah, por sua vez, passa a receber estranhas mensagens no seu celular e começa a ser ameaçada pela mesma entidade que feriu a sua prima. Ceylan parece preso à estrutura do curta-metragem, apressando-se para introduzir logo uma situação de perigo e sacrificando o desenvolvimento dos personagens. Desta forma, o relacionamento daquelas pessoas nunca soa verdadeiro, em parte pela inexpressividade dos atores e em parte porque o roteiro tenta estabelecer essa relação por meio de diálogos expositivos e cenas que servem apenas como um respiro entre as sequencias de terror – que não conseguem causar um susto sequer. Assim, o diretor pula de um momento supostamente assustador para outro, esforçando-se para criar tensão, mas sem nunca atingir esse objetivo. Tais tentativas, porém, causam um sério problema de ritmo na narrativa. Além de cometer erros básicos de continuidade, como ao mostrar um ponto de vista da câmera do celular filmando na horizontal, sendo que a personagem está segurando o aparelho na vertical, o realizador também parece atirar para todos os lados, apresentando diversas teorias e possibilidades a respeito dos perigos que cercam a protagonista. E por mais que ele tente esclarecer tudo no final, a sua explicação – que ainda deixa muitas pontas soltas – serve apenas como uma desculpa pouco convincente para justificar os motivos que levam aquelas pessoas a passarem o filme inteiro se colocando em situações de perigo, em vez de buscarem a segurança. Ao final dos seus longos e arrastados 71 minutos de duração, “Selfie para o Inferno” se mostra tão esquecível quanto um stories do Instagram dois dias depois de ser postado.












