Nelson Pereira dos Santos (1928 – 2018)
Morreu o diretor Nelson Pereira dos Santos, um dos mais importantes cineastas brasileiros, precursor do Cinema Novo, cuja trajetória reflete mais de meio século da história cultural do país. O cineasta estava internado desde a quarta-feira no hospital Samaritano, no Rio, com uma pneumonia. Na internação foi constatado um tumor no fígado, já em estágio avançado, que causou sua morte neste sábado (21/4), aos 89 anos. Nelson Pereira dos Santos assinou mais de 20 filmes, entre eles clássicos absolutos como “Vidas Secas” (1963) e “Memórias do Cárcere” (1984), ambos baseados em livros de Graciliano Ramos, e “Rio 40 Graus” (1955), a obra inspiradora do Cinema Novo. Nascido em 22 de outubro de 1928 em São Paulo, formou-se em direito, mas seguiu carreira como jornalista, tendo passagens por veículos como Diário da Noite e o Jornal do Brasil, antes de se destacar como cineasta. A paixão pelo cinema foi despertada pelo pai cinéfilo, que o levava para ver filmes ainda criança, e alimentada por uma viagem a Paris em 1949, quando frequentou a Cinemateca Francesa e se aproximou do movimento intelectual francês do pós-guerra. Ele fez seu primeiro filme logo ao retornar ao Brasil, o média metragem “Juventude”, de 1950, que pretendia exibir no Festival da Juventude, evento de propaganda do Partido Comunista, realizado em Berlim Oriental. Nelson Pereira dos Santos sempre foi comunista de carteirinha, mas este primeiro filme e outros projetos que se seguiram acabaram perdidos, sem registro, alguns nem finalizados. Para adquirir experiência, decidiu trabalhar como assistente de outros diretores, como Rodolfo Nanni, Ruy Santos e Alex Viany. E assim se mudou para o Rio de Janeiro, onde vicejava um cinema de viés populista, bem diferente das comédias e romances populares da companhia Vera Cruz, em São Paulo. Seu primeiro longa, “Rio 40 Graus” (1955), causou enorme impacto. Filmado com uma câmera emprestada e em sistema cooperativado, Nelson realizou a obra mais inovadora da época, que introduziu a estética neorealista no cinema nacional, ao mesmo tempo em que apresentou temas que seriam posteriormente adotados pelo Cinema Novo, único movimento cinematográfico brasileiro de repercussão internacional. “Rio 40 Graus” era uma antologia de cinco histórias, que retratava um Rio de Janeiro diferente do cartão postal – e de todos os filmes que se faziam no Brasil. Não era o Rio de Copacabana e do Cristo Redentor, mas o Rio da Zona Norte, dos pobres, dos negros e de um cotidiano complexo. Como resultado, o filme foi censurado. Um dos motivos alegados era que a temperatura de 40º era mentira, nunca tinha acontecido no Rio de Janeiro. A liberação só aconteceu depois da posse de Juscelino Kubitschek, o “presidente bossa nova”. O cineasta voltou ao tema do Rio profundo em “Rio Zona Norte”, seu segundo filme, mas procurando fazer uma ponte com o cinema popular da Vera Cruz, com a inclusão de elementos de chanchada e da presença do comediante Grande Otelo. O filme acompanhava a luta de um compositor (Grande Otelo) para ter uma música gravada e a necessidade de vender seu trabalho para sobreviver. Mas, mesmo com a participação da cantora Angela Maria, não obteve a repercussão imaginada. Ambicioso para um diretor iniciante, ele decidir filmar a seguir “Vidas Secas”, um dos maiores clássicos literários do país. Mas não foi fácil tirar esse projeto do papel. Quando a equipe chegou no sertão para as filmagens, deparou-se com um milagre. Nunca chovera tanto no Nordeste quanto naquele ano, criando um cenário completamente diverso do agreste desértico do livro de Graciliano Ramos. O jeito foi trocar de projeto. E assim surgiu “Mandacaru Vermelho” (1962). “Vidas Secas” só aconteceu depois de um ano. Mas valeu a espera. O filme causou uma revolução na forma de captar a iluminação natural. A iniciativa foi do diretor de fotografia Luis Carlos Barreto, que decidiu tirar todos os filtros da câmera para filmar o brilho solar. A captação do verão nordestino com força luminosa e abrasiva arrancou elogios no Festival de Cannes de 1964. E o fato de ter sido exibido no festival francês juntamente com “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, chamou atenção mundial para o cinema brasileiro. Nelson Pereira dos Santos tinha grande afinidade com Glauber, com quem já havia trabalhado, na função de editor, em “Barravento” (1962). Mas o golpe militar de 1964 tolheu as expectativas de maior integração entre os cineastas. Os filmes de denúncia social do período foram paulatinamente substituídos por produções mais experimentais. E Nelson mergulhou neste novo filão com “Fome de Amor” (1969), sobre o isolamento da esquerda, e “Azyllo Muito Louco” (1970), uma adaptação de “O Alienista”, de Machado de Assis, que usava alegorias para abordar o momento do país, do mesmo modo que “Quem É Beta?” (1974). O diretor se aproximou do tropicalismo com “Como Era Gostoso o Meu Francês” (1972), uma evocação da antropofagia que fez bastante sucesso, graças à presença de índias peladas – Ana Maria Magalhães virou sex symbol. Ele também trouxe ao cinema as religiões afrobrasileiras, no momento em que expressões de candomblé e umbanda iniciavam uma transição para o vocabulário popular, via sucessos da MPB. Filmes como “Amuleto de Ogum” (1976) e “Tenda dos Milagres” (1979), este baseado na obra de Jorge Amado, foram equivalentes cinematográficos a “Canto de Ossanha” (1963), “Oração da Mãe Menininha” (1971) e “Tributo aos Orixás” (1972), entre outros. O sucesso comercial se deu em outra frente musical. Ao filmar a cinebiografia da dupla caipira Milionário e José Rico, no filme “Estrada da Vida” (1980), o diretor conseguiu seu maior êxito popular. Entretanto, seu filme mais lembrado dos anos 1980 é outro. Ele voltou à obra de Graciliano Ramos para filmar “Memórias do Cárcere” (1984), que gerou idolatria da crítica como um dos filmes mais importantes da década. Embora retratasse uma época específica, a prisão do escritor durante a ditadura de Getúlio Vargas, nos anos 1930, o longa também refletia o Brasil de sua época, que vivia os últimos suspiros da ditadura militar. O fato de ser exibido sem censura foi exaltado como marco da “abertura democrática” e cortina final da repressão. Poucos meses depois, o Ministro da Justiça Fernando Lyra anunciou o fim da censura no Brasil. Seus filmes seguintes, “Jubiabá” (1986), outra adaptação de Jorge Amado, e “A Terceira Margem do Rio” (1995), baseado em contos de Guimarães Rosa, foram separados por quase uma década, em que o cinema nacional enfrentou sua maior crise, entre o fim da Embrafilme e a reinvenção completa, com a adoção de leis de incentivo. Nelson foi um dos primeiros cineastas a reagir à implosão cultural causada pelo governo Collor, mas teve dificuldades para se enquadrar no novo modelo de produção e viu muitos de seus projetos serem inviabilizados. Por conta disso, partiu para o documentário, mais fácil e barato de filmar. Tornou-se especialista no gênero, com trabalhos sobre Castro Alves, Sergio Buarque de Hollanda, Zé Ketti e principalmente Tom Jobim, cuja vida e obra renderam seus dois filmes finais, “A Música Segundo Tom Jobim” (2012) e “A Luz do Tom” (2013). Em meio a essa fase, ele ainda realizou uma última obra de ficção, “Brasília 18%” (2006), cujo título aludia tanto à secura do ar no Planalto Central quanto às taxas de comissão cobradas por políticos corruptos. Já naquela época, em pleno escândalo do mensalão, ele aludia ao que José Padilha batizaria 12 anos depois de “O Mecanismo”. No mesmo ano, o cineasta foi eleito para a ABL, por conta de alguns roteiros publicados, tornando-se o primeiro diretor de cinema a ocupar uma vaga na Academia Brasileira de Letras. A verdade é que é possível contar boa parte da história cultural e política do Brasil dos últimos 60 anos apenas com os filmes de Nelson Pereira dos Santos.
Verne Troyer (1969 – 2018)
Morreu o ator e comediante Verne Troyer, conhecido por interpretar Mini-Me em dois filmes da franquia de comédia “Austin Powers”. Ele também era famoso por ser um dos homens mais baixos do mundo, com 81 centímetros de altura. A morte de Troyer foi anunciada em seu perfil no Instagram neste sábado (21/4). A causa da morte não foi informada, mas a publicação alerta para os riscos da depressão e do suicídio. “É com grande tristeza e muito peso no coração que escrevemos que Verne morreu hoje […] Depressão e suicídio são problemas muito sérios. Você nunca sabe que tipo de batalha alguém está passando por dentro. Seja gentil um com o outro. E sempre saiba, nunca é tarde demais para procurar ajuda de alguém”, disse a publicação na rede social. Há duas semanas, Troyer chegou a ser internado após um chamado da emergência, que levou a polícia até a casa do ator, em Los Angeles. Segundo o site TMZ, os policiais assinalaram em relatório que ele estava “bêbado e com comportamento suicida”, e foi tratado por uma possível intoxicação por álcool. O ator nasceu nos Estados Unidos, em 1969, com acondroplasia, condição genética que provoca nanismo. Além de “Austin Powers”, Troyer atuou em mais de 20 filmes. Sua estreia no cinema foi como o personagem-título do terror trash “Pinóquio – O Perverso” (1996). Depois disso, fez pequenas figurações em vários blockbusters, como “MIB: Homens de Preto” (1997) e “Harry Potter e a Pedra Filosofal” (2001), mas sempre fantasiado de criatura. Por isso, nenhum papel lhe trouxe reconhecimento similar ao do Mini-Me introduzido em “Austin Powers: O Agente ‘Bond’ Cama” (1999). Depois de reprisar o papel em “Austin Powers em o Homem do Membro de Ouro” (2002), ele voltou a viver Mini-Me em clipes de cantores famosos como Ludacris (“Number One Spot/The Potion”) e Madonna (“Beautiful Stranger”), transformando o personagem num ícone pop. Troyer chegou a voltar a trabalhar com Mike Myers, o intérprete de Austin Powers, em “O Guru do Amor”. Mas a comédia foi um fracasso tão grande que implodiu a carreira dos dois. Depois disso, sua participação mais relevante aconteceu no reality britânico “Celebriry Big Brother”, em 2009. A dificuldade de encontrar novos papéis, que não incluíssem uma fantasia de criatura, acabou arrastando-o para a bebida. Verne Troyer lutou contra o alcoolismo durante anos e foi diversas vezes internado em clínicas de reabilitação. It is with great sadness and incredibly heavy hearts to write that Verne passed away today. Verne was an extremely caring individual. He wanted to make everyone smile, be happy, and laugh. Anybody in need, he would help to any extent possible. Verne hoped he made a positive change with the platform he had and worked towards spreading that message everyday. He inspired people around the world with his drive, determination, and attitude. On film & television sets, commercial shoots, at comic-con’s & personal appearances, to his own YouTube videos, he was there to show everyone what he was capable of doing. Even though his stature was small and his parents often wondered if he’d be able to reach up and open doors on his own in his life, he went on to open more doors for himself and others than anyone could have imagined. He also touched more peoples hearts than he will ever know. Verne was also a fighter when it came to his own battles. Over the years he’s struggled and won, struggled and won, struggled and fought some more, but unfortunately this time was too much. During this recent time of adversity he was baptized while surrounded by his family. The family appreciates that they have this time to grieve privately. Depression and Suicide are very serious issues. You never know what kind of battle someone is going through inside. Be kind to one another. And always know, it’s never too late to reach out to someone for help. In lieu of flowers, please feel free to make a donation in Verne’s name to either of his two favorite charities; The Starkey Hearing Foundation and Best Buddies. Photo by @paulmobleystudio Uma publicação compartilhada por Verne Troyer (@vernetroyer) em 21 de Abr, 2018 às 12:58 PDT
Waldyr Sant’Anna (1936 – 2018)
Morreu Waldyr Sant’Anna, que trabalhou em novelas dos anos 1980 da rede Globo, mas ficou mais conhecido por sua voz. Ele foi o primeiro dublador de Homer Simpson no Brasil, e é considerado um dos maiores dubladores de todos os tempos no país. Sant’Anna também dublava o vovô Simpson em “Os Simpsons” e emprestou sua voz a Eddie Murphy em várias produções. Mas sua experiência cobre décadas, desde o desenho “Speed Racer”, de 1967, em que fornecia a narração oficial das corridas de carro da trama. Entre as novelas em atuou, estão os sucessos “Água-Viva” (1980), “Baila Comigo” (1981), “Guerra dos Sexos” (1983) e “Roque Santeiro” (1985). Nesta última, destacou-se como Terêncio, o jagunço de Sinhozinho Malta (Lima Duarte). Ele deixou de dublar Homer em 2007, depois de uma briga com a Fox sobre direitos autorais, mas sua substituição causou protestos entre os fãs do desenho na época. Ele processou a Fox pelo não-pagamento e pelo uso não-autorizado da sua voz nos DVDs da animação, apontando que seu contrato previa apenas exibição da série na TV. Como resultado, foi prontamente substituído no posto e sequer teve a chance de dublar o personagem no longa-metragem que estava sendo lançado. Na ocasião, Sant’Anna não escondeu o descontentamento. “Estou sendo penalizado e até condenado por alguns, pelo fato de ter tido a coragem de cobrar o que nossa legislação garante, o que ao longo dos últimos 50 anos os distribuidores de filmes insistem em desrespeitar e a pressão econômica exercida pelo capital estrangeiro nos obriga a aceitar, ou não sobreviver deste trabalho caso se rebele”, disse. A causa da morte ainda não foi revelada. Sant’Anna, que tinha 81 anos, estava internado no Rio após passar mal durante uma dublagem, e seu falecimento foi divulgado no Instagram pelo também dublador Guilherme Briggs. “Faleceu esta manhã o ator e dublador Waldyr Sant’Anna, nossa eterna primeira voz do Homer Simpson e de tantos outros personagens. Fica aqui minha homenagem simples ao meu primeiro diretor de dublagem, na VTI Rio, que me deu meu primeiro papel em seriado, o Worf (Star Trek: A Nova Geração) e sempre foi super fã dos meus desenhos, de minha arte e extremamente paciente comigo em meu início de carreira como dublador”, começou Briggs. “Ele sempre era calmo, tranquilo e bem humorado, o que fazia toda a diferença. Sant’Anna sempre me incentivava e gostava de ter longas conversas comigo, o que eu apreciava demais. Inteligente, espirituoso, criativo, divertido e dono de um delicioso humor, Sant’Anna era muito querido por todos nós na dublagem. Descanse em paz, fique com Deus e muito obrigado por tanto apoio e confiança em meu trabalho como artista, Sant’Anna, isso foi muito importante pra mim”, finalizou o colega, em homenagem ao veterano.
Sebastian Stan confirma Michelle Pfeiffer e outros atores especulados em Vingadores: Guerra Infinita
Depois da produtora Victoria Alonso, que trabalha nos filmes da Marvel, deixar escapar que Michelle Pfeiffer estaria no elenco de “Vingadores: Guerra Infinita”, foi a vez do ator Sebastian Stan, intérprete do Soldado Invernal, confirmar o spoiler. Em entrevista ao jornal The Independent sobre as filmagens de “Vingadores: Guerra Infinita”, ele citou não apenas o nome da atriz, mas também o diversos atores que eram apenas especulados no elenco no filme. E todos vão participar de um mesma cena em grupo, que reunirá o conjunto completo de personagens da Marvel. “Nós fizemos uma cena, eu acho, que tínhamos todo mundo ali. Eu não posso falar muito da cena, mas demorou três meses para ser planejada para ter todos juntos. Você olhava ao redor e via todo mundo, desde Samuel L. Jackson a Michael Douglas e Michelle Pfeiffer. Todos estavam lá”, ele afirmou. Michelle Pfeiffer já tinha sido confirmada no elenco de “Homem-Formiga e a Vespa”, o lançamento seguinte da Marvel, como Janet Van Dyne, a Vespa original, mãe de Hope Van Dyne (Evangeline Lilly), que desapareceu no universo subatômico há muitos anos, segundo relatado no filme “Homem-Formiga” (sem a atriz) em 2015. Assim, “Vingadores: Guerra Infinita” marcará a estrela da atriz, que já foi a Mulher-Gato nos anos 1990, no universo cinematográfico da Marvel. Os demais atores interpretam personagens já estabelecidos na Marvel. Michael Douglas é o cientista Henry Pym, marido da personagem de Pfeiffer e criador do traje do Homem-Formiga, e Samuel L. Jackson vive Nick Fury desde a primeira cena extra do universo cinematográfico da Marvel, exibida ao final de “Homem de Ferro” (2008), mas seu último longa no estúdio tinha sido “Vingadores: Era de Ultron” há três anos. “Vingadores: Guerra Infinita” estreia na quinta (26/4) no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.
Submersão mergulha nos mistérios da existência sem encontrar novidades
Numa mistura de suspense e romance, “Submersão”, o novo filme do cineasta alemão Wim Wenders, trata de duas questões distintas, mas vinculadas à realidade global do planeta. O amor aqui une o agente secreto britânico James (James McAvoy), em missão na Somália para caçar fontes de terroristas suicidas, a Danny (Alicia Wikander), biomatemática que trabalha num projeto envolvendo as profundezas do mar. Só que ambos têm missões perigosas, capazes de afastá-los indefinidamente. Ele, enfrentando os riscos do terrorismo internacional. Ela, pondo a vida em perigo num submergível pelo tempo necessário para realizar sua pesquisa. O interessante é a ideia que a move, a de que a vida do planeta emergiu das camadas mais profundas do mar e de lá pode ressurgir ou se transformar. Wenders gosta de lidar com questões inusitadas, surpreendentes e desafiadoras, em busca de respostas que jamais serão claras. A justaposição dos dois universos, que estão no romance de J. M. Legard, em que se baseou o filme, não ajuda a situação a evoluir. Mas a água e o mar compõem um elemento estético a ser apreciado. O filme também instiga a pensar sobre os mistérios da existência. Já a ameaça constante do terror não traz novidade, em sua extrema brutalidade.
Rampage traz Dwayne Johnson fazendo o mesmo de sempre, ainda mais descartável
Dwayne Johnson é uma simpatia, um cara divertido que merece um high five, um abraço e aquela selfie para bombar no Instagram. Mas notaram como ele adora uma selva, muita destruição em CGI, exibir os músculos (e se gabar disso) quase sempre fazendo o mesmo personagem em filmes parecidos? “Rampage: Destruição Total” é mais um capítulo em sua trajetória que inclui vários filmes por ano (“Jumanji” chegou aos cinemas cerca de três meses atrás). Era para ser a adaptação para o cinema de um game antigo e sem história, em que se joga com um gorilão detonando prédios. Mas como a adaptação de “Goosebumps” se “adaptou” a Jack Black, “Rampage” se ajusta a The Rock. O ator até conta com a ajuda do “parça” Brad Peyton, o diretor de “Terremoto: A Falha de San Andreas”, que substitui abalos sísmicos por monstros gigantes, com os mesmos resultados. Ou seja, com concreto, metal, aço, poeira e fogo indo pelos ares. No filme, o gorila geneticamente alterado por humanos malvados – que, até por isso, atuam como se fossem doidos varridos e os verdadeiros monstros do filme – transforma Chicago numa arena para brigar com um lobo voador e um crocodilo. Gigantes, é claro. Ah, sim, The Rock está no meio da confusão porque é amigo de George, o gorila, e por isso tenta acalmar o bicho transformado pelos vilões, mas também apoiar a porrada contra os outros dois monstros quando não tem mais jeito. O filme ainda consegue contar com a ótima Naomi Harris, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Moonlight” (2016), fazendo absolutamente nada, e Jeffrey Dean Morgan, o Negan de “The Walking Dead”, se divertindo mais que a plateia. “Rampage” é passatempo para uma garotada pouco exigente e muito mais preocupada com pipoca e refrigerante que o que acontece na tela de cinema. Para não dizer que é um completo passa-perda-de-tempo sem nada a destacar, a produção faz um trabalho competente de CGI aliado ao desempenho de captura da performance do ator Jason Liles para dar vida a George, com bons efeitos visuais na criação do gorila. Só que quando você lembra que o remake, reboot, whatever de “Jumanji” estreou somente três meses antes e foi inesperadamente muito mais divertido, a comparação torna inevitável reparar o quanto “Rampage” é descartável e imbecil.
Baseado em Fatos Reais traz Polanski às voltas com suspense banal
Partir de uma história verdadeira, ou seja, acontecida de algum modo, em algum lugar, para criar em cima dela, parece condição corriqueira da criação artística. E o cinema parte também do próprio cinema. Acompanhando “Baseado em Fatos Reais”, o novo suspense de Roman Polanski (“O Escritor Fantasma”), impossível não se lembrar de vários outros filmes similares, envolvendo uma figura pública de sucesso, no caso, uma escritora em crise criativa, e uma fã, conhecedora da história e do talento da escritora, que entra em sua vida de modo tão disruptivo quanto sugador. Da relação aterrorizante entre duas mulheres, a escritora (Emmanuelle Seigner, esposa do diretor) e a fã Elle (Eva Green), surge um thriller muito envolvente. E que Polanski tratará de trabalhar a seu modo, com seu estilo próprio e assustador, apesar da familiaridade da trama, baseada no best-seller homônimo de Delphine de Vigan e roteirizada por outro cineasta, Olivier Assayas (“Personal Shopper”). Em uma cena, o diretor até cria uma falsa expectativa e brinca com o espectador. Não era possível que fosse adotar aquele clichê! Quem vir o filme vai notar. Enfim, um thriller que prende a atenção, e até surpreende, numa história já muito explorada pelo cinema.
Severina é uma das melhores surpresas do cinema brasileiro recente
Impressionante como as histórias de amor não se esgotam e se reinventam, passados tantos séculos. No caso de “Severina”, retorno de Felipe Hirsch (“Insolação”) à direção de cinema depois de um relativamente longo hiato, temos a história de amor de uma livreiro e uma ladra de livros em uma cidade do Uruguai. Ele (Javier Drolas, de “Medianeras”), cujo nome nunca é citado ao longo da narrativa, talvez tenha deixado aquela moça bonita roubar os livros por ela ser bonita. Na terceira vez, no entanto, ele não deixa passar. Até porque ele também tem interesse em conversar e saber quem é aquela jovem mulher, vivida por Clara Quevedo (da série “O Hipnotizador”). Ela afirma se chamar Ana, mas nunca sabemos se é esse mesmo seu verdadeiro nome. Um dos fortes atrativos da moça está no seu mistério. É pelo mistério que o livreiro se vê cada vez mais enredado em seus quereres, até virar uma obsessão capaz de levá-lo a fazer algo inimaginável. O amor está associado fortemente ao perdão nesta espécie de fábula que tem o sabor de um ótimo livro, desses que a gente faz questão de fazer anotações, marcar os trechos mais interessantes. Há diversos momentos no filme que inspiram vontade de dar uma pausa para fazer anotações, guardar certos diálogos ou mesmo citações. “Severina”, inclusive, já começa com uma inquietante epígrafe de Williams Carlos Williams. O prazer da palavra também está presente no uso do recurso da voice-over, acentuando o sentimento de melancolia do narrador. A narração é bem-vinda, até por trazer ideias muito boas reforçar o delírio amoroso – como quando o narrador diz que a vida é formada por coisas reais, coisas simples e coisas fantasmas. As coisas reais seriam aquelas de grande valor e pouco frequentes na vida da pessoa, as coisas simples são as situações rotineiras e as coisas fantasmas seriam aquelas terríveis, como a febre, dores e decepções terríveis. A divisão da narrativa por capítulos também se constitui em mais um namoro do cinema com a literatura, que pela própria história já seria óbvio. Os nomes dos capítulos ainda fornecem um misto de suspense e humor que traz não só um ar de espirituosidade à obra, mas também um sentimento de surrealidade, à medida que os gestos de amor do livreiro por Ana vão se intensificando. E intensificam também o nosso interesse e respeito por “Severina”, uma das melhores surpresas do cinema brasileiro recente.
Geena Davis vai voltar a Grey’s Anatomy
A atriz Geena Davis (“Thelma e Louise”) vai voltar a aparecer na série “Grey’s Anatomy“. Após ter um arco importante no 11º ano do drama médico, ela retomará o papel da Drª. Nicole Herman na reta final da atual temporada. A personagem irá aparecer no penúltimo episódio, que vai ao ar em 10 de maio nos Estados Unidos, para avisar Arizona (Jessica Capshaw) sobre o surgimento de uma grande oportunidade. Tudo indica que este será o caminho da saída de Arizona da série. A atriz Jessica Capshaw e sua colega Sarah Drew (intérprete de April) não voltarão na 15ª temporada, recentemente confirmada. Intitulado “Cold As Ice”, o episódio de Geena Davis também mostrará algum dos médicos do Grey Sloan Memorial Hospital ferido gravemente, fazendo todo o time refletir sobre o que é realmente importante em suas vidas. Espere muito drama e lágrimas. No Brasil, “Grey’s Anatomy” é exibida no canal pago Sony.
Grey’s Anatomy é renovada para a 15ª temporada
A rede ABC anunciou a renovação de “Grey’s Anatomy” para sua 15ª temporada. Com isso, a série criada por Shonda Rhimes passa a igualar “ER/Plantão Médico” como a mais longeva série de temática médica da TV americana. A renovação já era esperada, após a atriz Ellen Pompeo assinar contrato milionário para mais duas temporadas em janeiro. “‘Grey’s Anatomy’ possui um lugar especial no meu coração, e milhões de espectadores se sentem da mesma forma. Graças à feroz lealdade dos fãs que têm acompanhado esta jornada desde o início, e da nova geração que continua a descobrir a alegria e o drama do Grey Sloan Memorial, a série segue mais forte do que nunca”, destacou em comunicado a presidente de entretenimento da ABC, Channing Dungey. A série encerra sua 14ª temporada em 17 de maio, quando se despedirá de duas atrizes de seu elenco fixo, Jessica Capshaw (Arizona) e Sarah Drew (April). No Brasil, “Grey’s Anatomy” é exibida no canal pago Sony.
Bruce Campbell se despede da série Ash vs Evil Dead: “Papel da minha vida”
Após a notícia do cancelamento de “Ash vs Evil Dead”, o ator Bruce Campbell, intérprete de Ash, postou uma despedida ao papel “de sua vida” no Twitter. “‘Ash vs Evil Dead’ foi a jornada de uma vida. Ash Williams foi o papel da minha vida. Eu sempre serei grato ao Starz, Sam Raimi, Rob Tapert e nossos incansáveis fãs pela oportunidade de revisitar a franquia que lançou nossas carreiras. Obrigado””, ele escreveu. A série era uma continuação da trilogia “Evil Dead” (traduzida no brasil alternadamente como “A Morte do Demônio” e “Uma Noite Alucinante”), grande sucesso de cinema dos anos 1980, que lançou a carreira do diretor Sam Raimi, do produtor Robert Tapert e do ator Bruce Campbell, intérprete de Ash. Além de Campbell, a atração incluía em seu elenco fixo Ray Santiago (série “Touch”), Dana DeLorenzo (série “The Late Late Show with Craig Ferguson”) e Lucy Lawless (a eterna “Xena”), mulher de Tapert. A série vai acabar ao final de sua 3ª temporada, com a exibição do último episódio no próximo dia 29 de abril nos Estados Unidos. No Brasil, a série é exibida pelo FOX Premium e os episódios estão disponíveis na plataforma FOX Play. Ash Vs Evil Dead has been the ride of a lifetime. Ash Williams was the role of a lifetime. I will always be grateful to Starz, Sam Raimi, Rob Tapert and our tireless fans for the opportunity to revisit the franchise that launched our careers. Thank you! ? pic.twitter.com/oNmTopS1Ab — Bruce Campbell (@GroovyBruce) April 20, 2018
Deadpool 2 quebra recorde de vendas antecipadas de filme para maiores
Os ingressos de “Deadpool 2” foram colocados à venda na sexta-feira (20/4) nos Estados Unidos. E a procura foi tanta que, em cerca de 4 horas, a produção quebrou o recorde de vendas antecipadas da Regal Cinemas, popular rede de cinemas norte-americana. Ao final do dia, outro recorde caiu. O Fandango, maior bilheteria online dos Estados Unidos, informou que “Deadpool 2” se tornou o filme para maiores com mais ingressos vendidos em seu primeiro dia de comercialização. Anteriormente, o filme para maiores que detinha o recorde de pré-venda nas primeiras 24 horas era “Cinquenta Tons de Cinza” (2015). Vale lembrar que o filme tem classificação “R” (para maiores de 17 anos) nos EUA, mas no Brasil deve ser exibido para a faixa etária dos 16 anos, como o primeiro longa. Novamente estrelado por Ryan Reynolds, “Deadpool 2” chega aos cinemas brasileiros em 17 de maio, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.
Ash vs. Evil Dead é cancelada em sua 3ª temporada
O canal pago americano Starz anunciou o cancelamento da série “Ash vs. Evil Dead”. Atualmente em sua 3ª temporada, a atração exibe seu último episódio nos Estados Unidos no próximo dia 29 de abril. Com audiência em queda, o mais recente episódio da série foi visto por apenas 175 mil telespectadores, marcando apenas 0,08 pontos na demo (a faixa demográfica de adultos entre 18 e 49 anos, mais relevante para os anunciantes). A série era uma continuação da trilogia “Evil Dead” (traduzida no brasil alternadamente como “A Morte do Demônio” e “Uma Noite Alucinante”), grande sucesso de cinema dos anos 1980, que lançou a carreira do diretor Sam Raimi, do produtor Robert Tapert e do ator Bruce Campbell, intérprete de Ash. Além de Campbell, a atração incluía em seu elenco fixo Ray Santiago (série “Touch”), Dana DeLorenzo (série “The Late Late Show with Craig Ferguson”) e Lucy Lawless (a eterna “Xena”), mulher de Tapert. A 3ª temporada ainda teve o reforço de mais uma dupla: o australiano Lindsay Farris (da longeva novela “Home and Away”) e Adrielle Carver-O’Neill (“O Predestinado”), que vida a inesperada filha filha adolescente de Ash. No Brasil, a série é exibida pelo FOX Premium e os episódios estão disponíveis na plataforma FOX Play.












